{"id":1419,"date":"2010-07-13T21:50:08","date_gmt":"2010-07-13T21:50:08","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/adesao-a-terapeutica-em-doentes-com-patologia-cardiaca\/"},"modified":"2021-05-04T09:32:01","modified_gmt":"2021-05-04T09:32:01","slug":"adesao-a-terapeutica-em-doentes-com-patologia-cardiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/adesao-a-terapeutica-em-doentes-com-patologia-cardiaca\/","title":{"rendered":"Ades\u00e3o \u00e0 Terap\u00eautica em Doentes com Patologia Card\u00edaca"},"content":{"rendered":"<p>A ades\u00e3o terap\u00eautica tem vindo a merecer uma grande aten\u00e7\u00e3o por parte da in\u00famera comunidade cient\u00edfica, nomeadamente a equipa multidisciplinar em sa\u00fade, que sente de perto a problem\u00e1tica inerente \u00e0 n\u00e3o ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">ADES\u00c3O \u00c0 TERAP\u00caUTICA EM DOENTES COM PATOLOGIA CARD\u00cdACA<\/span><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">ADHERENCE TO THERAPY IN PATIENTS WITH CARDIAC DISEASE<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba258<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Autores \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ricardo Santos *, Gabriela Ramalhinho **, Bruno Fernandes ***, Tiago Gaspar ****, Adelaide Marques *****, Marta Fernandes ******<br \/>\n*Enfermeiro no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE. Licenciatura e m enfermagem e Mestrado em Gest\u00e3o de Unidades de Sa\u00fade. Contacto 966616977, <a href=\"mailto:santosfricardo@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> santosfricardo@gmail.com<\/a><\/p>\n<p>**Enfermeira Chefe no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE. Especialidade M\u00e9dico-cir\u00fargica.<\/p>\n<p>***Enfermeiro no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE, Licenciatura em enfermagem.<\/p>\n<p>****Enfermeiro no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE. Licenciatura em Enfermagem.<\/p>\n<p>***** Enfermeira no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE. Licenciatura em Enfermagem.<\/p>\n<p>******Enfermeira no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE. Licenciatura em Enfermagem.<\/p>\n<h4><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS, 2003) reconhece que a baixa ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica interfere negativamente nos resultados dos tratamentos de doen\u00e7as cr\u00f3nicas, com consequente aumento dos custos em sa\u00fade.<\/p>\n<p>O nosso estudo debru\u00e7a-se essencialmente sobre a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica, sendo nossa pretens\u00e3o, contribuir para o estudo da \u201cAdes\u00e3o \u00e0 Terap\u00eautica em doentes com Patologia Card\u00edaca\u201d. Para isto, aplicou-se um question\u00e1rio, aplicado entre Junho e Agosto de 2009, tendo-se obtido uma amostra de 44 doentes internados no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE.<\/p>\n<p>Como principais conclus\u00f5es de referir que(54,5%) revela uma \u201cboa ades\u00e3o\u201d \u00e0 terap\u00eautica, sendo que os doentes com Doen\u00e7a Coron\u00e1ria (58,3%) apresentam uma maior percentagem do que os doentes com IC (50,0%). Por sua vez, s\u00e3o os doentes com IC (35,0%) que t\u00eam maior percentagem na \u201cbaixa ades\u00e3o\u201d, comparativamente aos doentes com Doen\u00e7a Coron\u00e1ria (29,2%).<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Ades\u00e3o terap\u00eautica; Patologia card\u00edaca; Doentes.<\/p>\n<h4><strong>ABSTRACT<\/strong><\/h4>\n<p>The World Health Organization (WHO, 2003) acknowledges that poor adherence to therapy impairs the results of treatment of chronic diseases, with consequent increase in health costs.<\/p>\n<p>Our study focuses primarily on adherence to therapy, and our desire to contribute to the study of &#8220;Adherence to therapy in patients with cardiac disease.&#8221; For this, we applied a questionnaire, applied between June and August 2009, having been obtained a sample of 44 patients admitted to the service of Medical Specialties CHCB, EPE.<\/p>\n<p>The main conclusions should be noted that (54.5%) shows a &#8220;good adherence&#8221; to treatment, and patients with coronary artery disease (58.3%) have a higher percentage than patients with HF (50.0%) . In turn, many patients with IC (35.0%) having a higher percentage in the &#8220;low compliance&#8221; when compared to patients with coronary artery disease (29.2%).<\/p>\n<p><strong>Key-words:<\/strong> Therapy adherence; Cardiac pathology; Patients.<\/p>\n<h4><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>De acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio de 2002 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade estima-se que at\u00e9\u00a0o ano 2020 as doen\u00e7as cr\u00f3nicas, incluindo les\u00f5es (como as causadas por acidentes de tr\u00e2nsito que resultam em invalidez permanente) e os dist\u00farbios mentais, ser\u00e3o respons\u00e1veis por 78 por cento da carga global de doen\u00e7a nos pa\u00edses em desenvolvimento (OMS, 2003).<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS, 2003) reconhece que a baixa ades\u00e3o\u00a0\u00e0\u00a0terap\u00eautica interfere negativamente nos resultados dos tratamentos de doen\u00e7as cr\u00f3nicas, com consequente aumento dos custos em sa\u00fade, e representa um importante problema de sa\u00fade p\u00fablica. A ades\u00e3o \u00e9 fundamental para o sucesso da terap\u00eautica no contexto de doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n<p>A relev\u00e2ncia da quest\u00e3o na terap\u00eautica \u00e9\u00a0indiscut\u00edvel: da ades\u00e3o ao tratamento depende o sucesso da terapia proposta, a cura de uma enfermidade, o controle de uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, a preven\u00e7\u00e3o de uma patologia. E se o doente n\u00e3o adere? Por que isso acontece? Ser\u00e1 que o doente sabe o que \u00e9 aderir ou tem consci\u00eancia da quest\u00e3o?<\/p>\n<p>Com efeito, a ades\u00e3o terap\u00eautica tem vindo a merecer uma grande aten\u00e7\u00e3o por parte da in\u00famera comunidade cient\u00edfica. A sa\u00fade p\u00fablica, o bem-estar e a qualidade de vida dos indiv\u00edduos melhorar\u00e1 atrav\u00e9s da elimina\u00e7\u00e3o de comportamentos de risco, difus\u00e3o de meios de preven\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o e a adop\u00e7\u00e3o de comportamentos de sa\u00fade mais generalizados das popula\u00e7\u00f5es a par dos avan\u00e7os na terap\u00eautica (Pereira, Almeida e Domingos, 2008).<\/p>\n<p>A m\u00e9dia da taxa de ades\u00e3o \u00e9 de 50 por cento sendo citado como t\u00edpico para a maioria dos regimes medicamentosos, embora as taxas do consumo de medicamentos variem entre 0 e 100 por cento. Segundo os dados da Ind\u00fastria Farmac\u00eautica, a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica, com vista a prevenir a doen\u00e7a cardiovascular, decresce para menos de 50 por cento at\u00e9 ao final do primeiro ano de tratamento. A n\u00e3o ades\u00e3o inclui doentes, que param de tomar a medica\u00e7\u00e3o na sua totalidade, bem como os que n\u00e3o tomam a medica\u00e7\u00e3o em quantidade suficiente, ou em intervalos estipulados (American Heart Association, 2002).<\/p>\n<p>Em Portugal, deparamo-nos com diversos estudos que avaliam a ades\u00e3o do doente \u00e0 terap\u00eautica, sendo que a maioria \u00e9 direccionada para doen\u00e7as cr\u00f3nicas (hipertens\u00e3o arterial, sida, diabetes mellitus), e n\u00e3o t\u00e3o frequentemente para doen\u00e7as como \u00e9 o caso da s\u00edndrome coron\u00e1ria isqu\u00e9mica.<\/p>\n<p>O nosso estudo debru\u00e7a-se essencialmente sobre a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica, sendo nossa pretens\u00e3o, contribuir para o estudo da \u201cAdes\u00e3o \u00e0 Terap\u00eautica em doentes com Patologia Card\u00edaca\u201d.<\/p>\n<p>Perante esta problem\u00e1tica, e movidos pela vontade de contribuir positivamente para a melhoria do n\u00edvel de ades\u00e3o dos nossos doentes, tra\u00e7\u00e1mos como principais objectivos do nosso estudo:<\/p>\n<ul>\n<li>Determinar o n\u00edvel da ades\u00e3o em doentes com patologia card\u00edaca;<\/li>\n<li>Identificar alguns factores que influenciam a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica em doentes com IC e doen\u00e7a coron\u00e1ria;<\/li>\n<li>Associar a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica em doentes com patologia card\u00edaca com alguns par\u00e2metros s\u00f3cio-familiares, s\u00f3cio familiares e psicol\u00f3gicos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O estudo est\u00e1\u00a0organizado em duas partes fundamentais. A primeira parte \u00e9\u00a0constitu\u00edda pela fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. A segunda parte \u00e9 constitu\u00edda pela investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica, onde ser\u00e1 abordada a metodologia do trabalho, a an\u00e1lise e discuss\u00e3o dos resultados, finalizando com a conclus\u00e3o na qual fazemos refer\u00eancia a algumas sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>Esperamos que este estudo possa vir a contribuir para uma melhor compreens\u00e3o da problem\u00e1tica da ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica em doentes com patologia card\u00edaca, concedendo deste modo um suporte te\u00f3rico a todos aqueles que de forma directa ou indirecta t\u00eam um papel activo sobre a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4><strong>PATOLOGIA CARD\u00cdACA<\/strong><\/h4>\n<p>Na literatura verific\u00e1mos que os autores utilizam diversas denomina\u00e7\u00f5es como doen\u00e7a card\u00edaca isqu\u00e9mica (ou cardiopatia isqu\u00e9mica), doen\u00e7a card\u00edaca coron\u00e1ria (ou cardiopatia coron\u00e1ria) e cardiopatia coron\u00e1ria ateroscler\u00f3tica como sin\u00f3nimos, embora tenham significados diferentes.<\/p>\n<p>Os autores ingleses usam habitualmente o termo doen\u00e7a card\u00edaca isqu\u00e9mica e os americanos doen\u00e7a card\u00edaca coron\u00e1ria, Friedberg prefere a denomina\u00e7\u00e3o cardiopatia coron\u00e1ria aterosclor\u00f3tica (Soares-Costa, 2006).<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses desenvolvidos as doen\u00e7as cardiovasculares s\u00e3o a principal causa de morte entre as pessoas de ambos os sexos, sendo a doen\u00e7a das art\u00e9rias coron\u00e1rias a causa principal das doen\u00e7as cardiovasculares (Manual Merck, 2008).<\/p>\n<p>Estudos realizados em 2002referem que, em Portugal, morreram entre 10.000 a 99.999 pessoas v\u00edtimas de coron\u00e1riopatia. Comparativamente com outras causas de morte (tuberculose, acidentes de via\u00e7\u00e3o), na faixa et\u00e1ria entre os 15 e os 59 anos morreram cerca de 1.332 mil pessoas v\u00edtimas de coron\u00e1riopatias e cerca de 5.825 mil pessoas na faixa et\u00e1ria superior a 60 anos com a mesma patologia (Mackay e Mensah, 2004). Tamb\u00e9m no mesmo ano foram desenvolvidos estudos evidenciando que, 6,8 por cento das pessoas do sexo masculino e 5,3 por cento das pessoas do sexo feminino eram portadores de coron\u00e1riopatias, o que demonstra uma maior incid\u00eancia da doen\u00e7a no sexo masculino (Mackay e Mensah, 2004).<\/p>\n<p>O estudo, no ano de 2005, entre os hisp\u00e2nicos e os latinos com idade superior a 18 anos, 8,3 por cento possu\u00edam doen\u00e7as do cora\u00e7\u00e3o, 5,9 por cento tinham coron\u00e1riopatia e 2,2 por cento tiveram AVC (American Heart Association, 2008).<\/p>\n<p>Nesse sentido iremos abordar as doen\u00e7as das art\u00e9rias coron\u00e1rias isqu\u00e9micas.<\/p>\n<h4><strong>ADES\u00c3O TERAP\u00caUTICA<\/strong><\/h4>\n<p>A ades\u00e3o terap\u00eautica tem vindo a merecer uma grande aten\u00e7\u00e3o por parte da in\u00famera comunidade cient\u00edfica, nomeadamente a equipa multidisciplinar em sa\u00fade, que sente de perto a problem\u00e1tica inerente \u00e0 n\u00e3o ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Apesar de todo o desenvolvimento, t\u00e9cnico-cient\u00edfico, cultural e ainda altera\u00e7\u00f5es de estilos de vida, considera-se que parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso a informa\u00e7\u00e3o e aos servi\u00e7os de sa\u00fade. Este facto implica uma fraca orienta\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade e na adop\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos de vida saud\u00e1veis (Jones,2003 citado por Bugalhoe Carneiro, 2004).<\/p>\n<p>A sa\u00fade p\u00fablica, bem-estar e qualidade de vida dos indiv\u00edduos melhorar\u00e1\u00a0 atrav\u00e9s da elimina\u00e7\u00e3o de comportamentos de risco, a difus\u00e3o de meios de preven\u00e7\u00e3o, a promo\u00e7\u00e3o e a adop\u00e7\u00e3o de comportamentos de sa\u00fade mais generalizados das popula\u00e7\u00f5es a par dos avan\u00e7os na terap\u00eautica (Pereira, Almeida e Domingos, 2008, p.71).<\/p>\n<p>A World Health Organization (2003, p.3) destaca que, quando existe informa\u00e7\u00e3o, apoio e monitoriza\u00e7\u00e3o constante, a ades\u00e3o melhora consideravelmente, o que implica uma redu\u00e7\u00e3o dos efeitos negativos provocados pela doen\u00e7a com melhoria da qualidade de vida dos doentes e diminui\u00e7\u00e3o da carga das condi\u00e7\u00f5es cr\u00f3nicas.<\/p>\n<p>O conceito de ades\u00e3o varia entre diversos autores, mas, de forma geral, \u00e9 compreendido como a utiliza\u00e7\u00e3o dos medicamentos prescritos ou outros procedimentos em pelo menos 80 por cento de seu total, observando hor\u00e1rios, doses, tempo de tratamento. Representa a etapa final do que se sugere como uso racional de medicamentos.<\/p>\n<p>Entre os pressupostos assumidos pelos diversos autores para o estudo da ades\u00e3o, as diferen\u00e7as mais evidentes encontram-se entre aqueles que focalizam o fen\u00f3meno no doente e aqueles que procuram a compreens\u00e3o em factores externos ao doente.<\/p>\n<p>A ades\u00e3o come\u00e7ou por ser definida como \u201ccompliance&#8221; para se referir aos doentes que s\u00e3o obedientes e seguem fielmente os conselhos dos profissionais de sa\u00fade, instru\u00e7\u00f5es e prescri\u00e7\u00f5es (Turk e Meichenbaum, 1991 citado por Pais Ribeiro, 2007, p.240). Embora os termos \u201ccompliance\u201d e ades\u00e3o sejam vulgarmente associados, no termo \u201ccompliance&#8221;, o m\u00e9dico decide o que \u00e9 ou n\u00e3o apropriado, d\u00e1 instru\u00e7\u00f5es ao doente, que apenas tem que seguir as suas indica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Caso contr\u00e1rio denota-se um comportamento incompetente e desviante. \u201cA ades\u00e3o surge como um termo alternativo, em que o indiv\u00edduo tem a liberdade de decidir se adere ou n\u00e3o, caso n\u00e3o o fa\u00e7a, n\u00e3o ser\u00e1 necessariamente culpado.\u201d (Turk e Meicheibaum, 1991 citado por Sousa, 2003, p.52).<\/p>\n<p>\u201cO melhor termo adoptado \u00e9 ades\u00e3o, e define como o grau em que o comportamento de uma pessoa \u00e9 representado n\u00e3o s\u00f3 pela ingest\u00e3o de medicamento, mas tamb\u00e9m pelo seguimento da dieta, das mudan\u00e7as no estilo de vida e ainda se corresponde e concorda com as recomenda\u00e7\u00f5es do m\u00e9dico ou de outro profissional de sa\u00fade\u201d (WHO, 2003, p.4).<\/p>\n<p>A ades\u00e3o em sa\u00fade pode ser vista sobre duas perspectivas: a ades\u00e3o comportamental (deixar de fumar) e a ades\u00e3o m\u00e9dica que se relaciona especificamente com a medica\u00e7\u00e3o (Sousa, 2003, p.53).<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, a ades\u00e3o implica um papel activo e colaborativo do indiv\u00edduo no planeamento e implementa\u00e7\u00e3o do seu regime terap\u00eautico.<\/p>\n<p>Kristeller e Rodin (1984) citado por Pais Ribeiro (2007) denotam a import\u00e2ncia do papel do indiv\u00edduo na terap\u00eautica, surgindo um \u201cModelo do Desenvolvimento de Ades\u00e3o\u201d que contempla tr\u00eas est\u00e1dios no processo de participa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos nos seus cuidados.<\/p>\n<p>Est\u00e1dio 1 &#8211; Concord\u00e2ncia (\u201ccompliance\u201d), refere-se \u00e0 extens\u00e3o em que o doente na fase inicial concorda e segue as prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas.<\/p>\n<p>Est\u00e1dio 2 &#8211; Ades\u00e3o (\u201cadherence\u201d), refere-se \u00e0 medida em que o doente continua a terap\u00eautica com que concordou, com uma vigil\u00e2ncia limitada, mesmo quando se defronta com situa\u00e7\u00f5es conflituais que limitam o seguimento da terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Est\u00e1dio 3 &#8211; Manuten\u00e7\u00e3o (\u201cmaintenance&#8221;), refere-se \u00e0 medida em que o doente continua a implementar o comportamento de melhoria da sa\u00fade, sem vigil\u00e2ncia, incorporando-o no seu estilo de vida (Kristeller e Rodin, 1984 citado por Pais-Ribeiro, 2007, p.240).<\/p>\n<h4><strong>Dimens\u00f5es que afectam a ades\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Os problemas da ades\u00e3o verificam-se em todas as situa\u00e7\u00f5es em que existe auto-administra\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica, muitas vezes independentemente do tipo de doen\u00e7a, qualidade e\/ou acessibilidade aos recursos da sa\u00fade. A cren\u00e7a que os doentes s\u00e3o os \u00fanicos respons\u00e1veis pela ades\u00e3o \u00e0 sua terap\u00eautica \u00e9 enganosa e representa um equ\u00edvoco, dado existirem diversos factores que afectam o seu comportamento e a capacidade de ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica (WHO, 2003, p.27).<\/p>\n<p>A ades\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0um fen\u00f3meno multidimensional, determinado pela interac\u00e7\u00e3o de cinco factores, denominados por \u201c dimens\u00f5es\u201d.<\/p>\n<ul>\n<li>Factores econ\u00f3micos, sociais e culturais<\/li>\n<\/ul>\n<p>A ades\u00e3o ao aconselhamento m\u00e9dico pode ser influenciada por factores econ\u00f3micos e sociais. De facto, para que uma pessoa adira \u00e0\u00a0terap\u00eautica tem que o compreender, recordar e essencialmente ter condi\u00e7\u00f5es para o efectuar. Embora o estatuto s\u00f3cio econ\u00f3mico n\u00e3o tenha sido encontrado de forma consistente como preditor independente da ades\u00e3o, nos pa\u00edses em desenvolvimento verifica-se que o indiv\u00edduo portador de um baixo estatuto s\u00f3cio econ\u00f3mico, confronta-se com a problem\u00e1tica de optar por prioridades, que incluem os limitados recursos dispon\u00edveis para satisfazer as necessidades do seu n\u00facleo familiar (Albaz RS., 1997, Morgan M., 1988 e Belgrave, 1997 citado por WHO, 2003, p.28).<\/p>\n<p>Muitos outros factores s\u00e3o significativos no \u00e2mbito s\u00f3cio-econ\u00f3mico tais como: o analfabetismo, o baixo n\u00edvel de escolaridade, o desemprego, a falta de redes de apoio social, os custos elevados dos medicamentos e de transporte (longa dist\u00e2ncia de acesso ao tratamento) e ainda a disfun\u00e7\u00e3o familiar e as diversas culturas sobre doen\u00e7as e tratamentos (WHO, 2003, p.28).<\/p>\n<ul>\n<li>Factores relacionados com os profissionais e servi\u00e7os de sa\u00fade<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os profissionais de sa\u00fade tendem a culpabilizar o doente pela n\u00e3o ades\u00e3o justificando este comportamento com a personalidade n\u00e3o cooperativa que alguns possuem bem como a incapacidade de perceber os conselhos.<\/p>\n<p>\u201cPor\u00e9m, o tipo de comportamentos que os profissionais t\u00eam poder\u00e3o influenciar nos comportamentos de auto-controle do doente, isto porque se o indiv\u00edduo n\u00e3o recebe instru\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, ter\u00e1 menos probabilidade de aderir\u201d (Amaral, 1997 cit. inSousa, 2004, p.59).<\/p>\n<p>Diversas vertentes podem influenciar a m\u00e1\u00a0pr\u00e1tica dos profissionais de sa\u00fade: falta de conhecimento e informa\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o das doen\u00e7as cr\u00f3nicas, sobrecarga de trabalho, falta de incentivos e feedback do seu desempenho (Rose Le et al, 2000, WHO, 2003, p.29).<\/p>\n<p>A satisfa\u00e7\u00e3o dos doentes \u00e9\u00a0uma constru\u00e7\u00e3o multidimensional e resulta da avalia\u00e7\u00e3o que este faz dos cuidados recebidos. Investiga\u00e7\u00f5es em Portugal confirmam que embora esta satisfa\u00e7\u00e3o possa incluir v\u00e1rias componentes dos cuidados, estas sugerem que os doentes privilegiam a empatia e a comunica\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o interpessoal, valorizando-as mais do que as per\u00edcias t\u00e9cnicas\u201d (Mclntrye e Silva, 1999 citado por Sousa, 2003, p. 60).<\/p>\n<ul>\n<li>Factores relacionados com a percep\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a<\/li>\n<\/ul>\n<p>A capacidade que o indiv\u00edduo tem de percepcionar a condi\u00e7\u00e3o da sua doen\u00e7a\u00a0\u00e9\u00a0determinante para a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica. Esta est\u00e1 relacionada com a gravidade dos sintomas, o n\u00edvel de defici\u00eancia (f\u00edsica, psicol\u00f3gica, social e profissional), a taxa de progress\u00e3o e gravidade da doen\u00e7a, bem como a disponibilidade efectiva para a terap\u00eautica. O impacto da doen\u00e7a influencia o indiv\u00edduo, na percep\u00e7\u00e3o do risco, na import\u00e2ncia de seguir a terap\u00eautica, bem como a prioridade colocada na ades\u00e3o (Ciechanowski et al, 2000, citado por WHO, 2003, p.30).<\/p>\n<ul>\n<li>Factores relacionados com a terap\u00eautica prescrita<\/li>\n<\/ul>\n<p>Algumas caracter\u00edsticas da doen\u00e7a est\u00e3o interligadas \u00e0 ades\u00e3o, sendo as mais frequentes a gravidade da doen\u00e7a e a visibilidade dos sintomas. Uma variedade de estudos concluiu que os doentes cr\u00f3nicos assintom\u00e1ticos frequentemente n\u00e3o aderem \u00e0 terap\u00eautica (Marks et al, 2000 citado por Sousa, 2004, p.57), justificando assim a elevada taxa de ades\u00e3o nas doen\u00e7as agudas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doen\u00e7as cr\u00f3nicas. Outros aspectos como a dura\u00e7\u00e3o e complexidade da terap\u00eautica devem tamb\u00e9m ser considerados. Quanto mais complicada \u00e9 a terap\u00eautica prescrita, menor \u00e9 a probabilidade do doente aderir completamente. \u201cDe facto, estes parecem aderir mais facilmente a tratamentos curtos e simples, que impliquem poucas mudan\u00e7as nos seus h\u00e1bitos di\u00e1rios.\u201d (Bennett, 2002 citado por Sousa, 2004 p.58).<\/p>\n<p>Conclui-se que v\u00e1rios estudos demonstraram que o doente tende a aderir \u00e0 terap\u00eautica quando esta se demonstra eficaz no controlo dos sintomas, tem um custo relativamente baixo e os seus efeitos colaterais s\u00e3o reduzidos.<\/p>\n<ul>\n<li>Factores individuais relativos ao doente<\/li>\n<\/ul>\n<p>As pessoas est\u00e3o mais dispostas a aderir a regimes de tratamento quando acreditam que t\u00eam responsabilidade na sua sa\u00fade, e quando os seus comportamentos lhe trazem benef\u00edcios (Brannon e Feist, 1997, citado por Sousa, 2004, p.55).<\/p>\n<p>O grau de ades\u00e3o depende da gravidade, como o indiv\u00edduo entende a doen\u00e7a, da susceptibilidade \u00e0 doen\u00e7a, benef\u00edcios para a terap\u00eautica recomendada e \u00e0s barreiras no desenrolar da terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Como factores que afectam o n\u00edvel de ades\u00e3o do indiv\u00edduo \u00e0\u00a0terap\u00eautica, WHO (2003, p.30), salienta: esquecimento, stress psicossocial, conhecimento insuficiente, cren\u00e7as negativas em rela\u00e7\u00e3o a efic\u00e1cia da terap\u00eautica, inquieta\u00e7\u00e3o acerca de poss\u00edveis efeitos adversos, baixa motiva\u00e7\u00e3o, falta de auto-percep\u00e7\u00e3o, medo de depend\u00eancia de \u201cdrogas\u201d e estigmatiza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4><strong>Estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o para a ades\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A ades\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0considerada essencial para o bem-estar do doente, por isso fazem-se v\u00e1rias recomenda\u00e7\u00f5es para melhorar a comunica\u00e7\u00e3o e, logo, a ades\u00e3o. Estas recomenda\u00e7\u00f5es devem ser expressas atrav\u00e9s de informa\u00e7\u00e3o oral e informa\u00e7\u00e3o escrita (Ogden, 2004, p.100).<\/p>\n<p>Um dos meios para melhorar a informa\u00e7\u00e3o oral foi proposto por Ley (1989) citado por Odgen (2004), salientando os seguintes aspectos:\u00a0 \u201cO efeito da primazia \u2013 os doentes t\u00eam tend\u00eancia para recordar aquilo que lhes \u00e9 dito em primeiro lugar; explicitar a import\u00e2ncia da ades\u00e3o; simplificar as informa\u00e7\u00f5es; usar a repeti\u00e7\u00e3o; e seguir a consulta com entrevistas adicionais.\u201d (Odgen, 2004, p.100).<\/p>\n<p>Os profissionais de sa\u00fade representam um ve\u00edculo importante, para melhorar a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica. Neste \u00e2mbito, Turk e Meichenbaum (1991) citado por Pais-Ribeiro (2007), listaram como ac\u00e7\u00f5es para progress\u00e3o dos doentes na ades\u00e3o da sua terap\u00eautica as seguintes: 1) escutar o doente; 2) pedir ao doente para repetir o que tem que se fazer; 3) fazer prescri\u00e7\u00f5es t\u00e3o simples quanto poss\u00edvel; 4) dar instru\u00e7\u00f5es claras acerca do regime de tratamento, de prefer\u00eancia por escrito; 5) recorrer a formas de contar os comprimidos tomados; 6) telefonar se falhar uma consulta; 7) prescrever um regime de tratamento que tome em considera\u00e7\u00e3o os hor\u00e1rios do indiv\u00edduo; 8) salientar a import\u00e2ncia da ades\u00e3o em cada visita; 9) adaptar a frequ\u00eancia das visitas \u00e0s necessidades de ades\u00e3o do doente; 10) real\u00e7ar os esfor\u00e7os do utente para aderir em cada visita; 11) envolver o c\u00f4njuge ou outro pr\u00f3ximo do doente (Pais-Ribeiro, 2007, p. 242).<\/p>\n<p>Dentro dos profissionais de sa\u00fade, destaca-se o papel do enfermeiro, pois este \u00e9\u00a0o que se encontra mais pr\u00f3ximo do doente. Embora a ades\u00e3o esteja intimamente ligada \u00e0 confiabilidade, compet\u00eancia e empatia de toda a equipa multidisciplinar.<\/p>\n<p>A amabilidade, acessibilidade, compreens\u00e3o, preocupa\u00e7\u00e3o pela doen\u00e7a, pelo doente e pela fam\u00edlia, alerta para sinais de baixa ades\u00e3o e adoptar uma atitude de apoio ao doente em todos os contactos s\u00e3o exemplos de comportamentos que promovem a ades\u00e3o aos cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p>O enfermeiro pode criar tamb\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o de aliado com o doente. Pelo tipo de cuidado que este presta, o doente tende a estar mais relaxado e estabelecer um relacionamento mais natural com o enfermeiro, o qual deve explorar esta situa\u00e7\u00e3o privilegiada para identificar, investigar e refor\u00e7ar a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica.<\/p>\n<ul>\n<li>Tipo de interven\u00e7\u00f5es<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para melhorar a ades\u00e3o dos doentes \u00e0\u00a0terap\u00eautica, ou promover a capacidade dos profissionais de sa\u00fade e aumentar a ades\u00e3o terap\u00eautica encontram-se dois tipos de interven\u00e7\u00f5es: educacionais, promotoras de conhecimento acerca de medica\u00e7\u00e3o e\/ou doen\u00e7a; e as comportamentais, cujo objectivo consiste em incorporar na rotina di\u00e1ria mecanismos de adapta\u00e7\u00e3o e facilita\u00e7\u00e3o para o cumprimento da terap\u00eautica proposta.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es educacionais incluem a administra\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o oral e escrita, de material \u00e1udio visual e\/ou inform\u00e1tico, em programas educacionais individuais ou de grupo.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es comportamentais abordam componentes importantes do esquema terap\u00eautico como o aumento da comunica\u00e7\u00e3o e aconselhamento; adequa\u00e7\u00e3o e simplifica\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica; participa\u00e7\u00e3o activa dos doentes na sua terap\u00eautica atrav\u00e9s da auto-monitoriza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e auto-administra\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica; utiliza\u00e7\u00e3o de sistemas de alerta ou memorandos de \u00edndole vari\u00e1vel; mecanismos de refor\u00e7o positivo ou recompensa pelo cumprimento dos esquemas propostos, assim como pelo controlo da doen\u00e7a e obten\u00e7\u00e3o de metas em termos de ganhos em sa\u00fade (Bugalho e Carneiro, 2004, p.20).<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h4><strong>Ades\u00e3o\u00a0 terap\u00eautica nos doentes com patologia card\u00edaca<\/strong><\/h4>\n<p>A ades\u00e3o terap\u00eautica assume um papel de particular import\u00e2ncia nos doentes portadores de doen\u00e7as cr\u00f3nicas, constituindo a aus\u00eancia da mesma, um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica com enormes repercuss\u00f5es na incid\u00eancia e preval\u00eancia de in\u00fameras patologias. Este problema \u00e9 um indicador central de avalia\u00e7\u00e3o da qualidade em qualquer sistema de sa\u00fade que se queira moderno e eficaz (Rashid, 1982 citado por Bugalho e Carneiro, 2004).<\/p>\n<p>Prev\u00ea-se que o impacto econ\u00f3mico e mundial das doen\u00e7as cr\u00f3nicas continuem a crescer at\u00e9\u00a02020, altura em que corresponder\u00e1\u00a0a 65 por cento das despesas para a sa\u00fade em todo o mundo (Rashid, 1982 citado por Bugalho e Carneiro, 2004).<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses desenvolvidos, estima-se que o grau de ades\u00e3o\u00a0\u00e0s terap\u00eauticas cr\u00f3nicas seja de 50 por cento e nos pa\u00edses subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento ainda menor (Rashid, 1982 citado por Bugalho e Carneiro, 2004).<\/p>\n<p>Alguns trabalhos demonstram que 6 a 20 por cento dos doentes n\u00e3o aviam as prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e que 30 a 50 por cento n\u00e3o cumprem o esquema proposto, atrasando ou omitindo doses (Begg, 1984 citado por Bugalho e Carneiro, 2004). Nos Estados Unidos, calcula-se que a n\u00e3o ades\u00e3o conduza a 125.000 mortes por ano e 5 a 15 por cento das admiss\u00f5es hospitalares anuais (Gryfe, 1984 citado por Bugalho e Carneiro, 2004). Estes indicadores, apesar de preocupantes, podem n\u00e3o abranger a totalidade do problema, existindo uma grande incerteza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dimens\u00e3o real do mesmo (Bugalho e Carneiro, 2004, p.9).<\/p>\n<p>Actualmente, em Portugal, deparamo-nos com diversos estudos que avaliam a ades\u00e3o do doente \u00e0\u00a0terap\u00eautica, sendo que a maioria \u00e9\u00a0direccionada para doen\u00e7as cr\u00f3nicas, como a s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida e hipertens\u00e3o, entre outros, e n\u00e3o t\u00e3o frequentemente dados espec\u00edficos de ades\u00e3o e doen\u00e7a coron\u00e1ria isqu\u00e9mica. A complexidade desta tem\u00e1tica, e dificuldades na recolha de informa\u00e7\u00e3o inerente ao tema de investiga\u00e7\u00e3o, implicou a escolha dos estudos relativos a outras patologias cr\u00f3nicas, para que de modo comparativo seja poss\u00edvel, posteriormente, retirar ila\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Num estudo a n\u00edvel nacional em que o principal objectivo foi avaliar as raz\u00f5es que influenciam a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica institu\u00edda e calcular a taxa de ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica. Tendo como amostra 1.000 doentes hipertensos, conclui-se que 85,4 por cento s\u00e3o aderentes ou aderentes parciais, tendo apenas 50 por cento dos indiv\u00edduos a tens\u00e3o controlada. Ap\u00f3s an\u00e1lise dos resultados (Silva, 2007, p.8) concluiu que \u00abos homens e os indiv\u00edduos casados s\u00e3o mais aderentes, talvez porque t\u00eam algum familiar ou c\u00f4njuge que lhes lembra da necessidade das tomas\u2026\u00bb<\/p>\n<p>Estudos sobre a ades\u00e3o terap\u00eautica Anti-retroviral, citando o do Hospital Distrital de Portim\u00e3o, com a popula\u00e7\u00e3o alvo de 206 prisioneiros de Silves e Portim\u00e3o, revelaram que em 19 por cento dos casos ocorreu abandono da medica\u00e7\u00e3o e do acompanhamento regular por iniciativa pr\u00f3pria do doente (Mar\u00edn et al, 2002).<\/p>\n<p>A ades\u00e3o terap\u00eautica em contexto de cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios, mais propriamente, no Centro de Sa\u00fade de Braga (2005) revelou que numa amostra de 273 utentes, apenas 33,2 por cento (N=89) nunca se esquecem de tomar os medicamentos (Klein e Gon\u00e7alves, 2005).<\/p>\n<p>Numa revis\u00e3o de v\u00e1rios estudos, Sheridan e Radmacher (1992) conclu\u00edram que, no geral, cerca de 50 por cento dos doentes n\u00e3o tomam os f\u00e1rmacos de acordo com as prescri\u00e7\u00f5es estipuladas, 20 a 40 por cento n\u00e3o s\u00e3o vacinados segundo a recomenda\u00e7\u00e3o e 20 a 50 por cento faltam a consultas previamente marcadas. Verificaram ainda, nos casos em que a ades\u00e3o implica alterar h\u00e1bitos bem estabelecidos (por ex. deixar de fumar, diminuir ingest\u00e3o de alimentos), que os \u00edndices de n\u00e3o ades\u00e3o s\u00e3o ainda mais elevados (Klein e Gon\u00e7alves, 2005).<\/p>\n<p>Os mesmos autores referem que a cardiopatia isqu\u00e9mica \u00e9 a doen\u00e7a que possui o maior n\u00famero de \u00f3bitos e internamento no Pa\u00eds. Sendo fundamental conhecer o impacto econ\u00f3mico desta doen\u00e7a.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4><strong>METODOLOGIA DE INVESTIGA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<h4><\/h4>\n<p>Trata-se de um estudo de natureza descritiva, anal\u00edtica e correlacional, optando-se por m\u00e9todos de an\u00e1lise quantitativa, uma vez que h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de garantir a precis\u00e3o dos resultados, evitar distor\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o, possibilitando, consequentemente, uma margem de seguran\u00e7a quanto \u00e0s interfer\u00eancias (Richardson, 1999). Insere-se no tipo de investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o experimental. Este estudo \u00e9 ainda retrospectivo e transversal, aplicaram-se question\u00e1rios auto-administrados, m\u00e9todo a que se recorreu para a recolha de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A amostra deste estudo realizado \u00e9 do tipo n\u00e3o probabil\u00edstico, dado que resulta de factores como a acessibilidade e disponibilidade dos participantes, n\u00e3o dependendo de uma selec\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria.<\/p>\n<p>A colheita de dados decorreu no per\u00edodo entre Junho e Agosto de 2009, tendo-se obtido uma amostra de 44 doentes internados no servi\u00e7o de Especialidades M\u00e9dicas do CHCB, EPE.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a recolha de informa\u00e7\u00e3o, efectuou-se uma primeira an\u00e1lise a todos os question\u00e1rios, a fim de se eliminarem os que se encontrassem incompletos ou mal preenchidos. Procedeu-se, depois, \u00e0 sua codifica\u00e7\u00e3o e tabula\u00e7\u00e3o, de modo a preparar-se o tratamento estat\u00edstico utilizando-se para o efeito o SPSS vers\u00e3o 17.0.<\/p>\n<h4><strong>APRESENTA\u00c7\u00c3O E AN\u00c1LISE DOS RESULTADOS<\/strong><\/h4>\n<p>Na an\u00e1lise descritiva o investigador destaca um perfil do conjunto das caracter\u00edsticas dos sujeitos, determinadas com a ajuda de testes estat\u00edsticos apropriados ou com an\u00e1lise de conte\u00fado (Fortin, 1999, p.277).<\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios instrumentos de colheitas de dados permitiu-nos obter os resultados que em seguida ser\u00e3o apresentados. Optamos por apresentar os resultados respeitando a ordem dos instrumentos utilizados e das quest\u00f5es do question\u00e1rio elaborado para este estudo.<\/p>\n<h4><strong>CARACTERISTICAS S\u00d3CIO-DEMOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/h4>\n<p>Quanto \u00e0\u00a0caracteriza\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-demogr\u00e1fica deste estudo verifica-se pelo quadro seguinte que o maior percentual recai nos doentes que t\u00eam idades compreendidas entre 65-75 anos, s\u00e3o casados, residem em meio urbano, t\u00eam o ensino prim\u00e1rio como habilita\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias, s\u00e3o reformados, auferem um rendimento mensal de 426 euros e coabitam com a fam\u00edlia restrita.<\/p>\n<p align=\"center\">Quadro I \u2013 Caracteriza\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-demogr\u00e1fica<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table1\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"9\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">\n<p align=\"center\">Total<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"3\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">N\u00ba<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">%<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"14\">Idade<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">65-75 anos<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">13<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">29,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"14\">Estado Civil<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">Casado<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">35<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">79,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"14\">Resid\u00eancia<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">Meio Urbano<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">24<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">54,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"15\">Habilita\u00e7\u00f5es Liter\u00e1rias<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">Ens. Prim\u00e1rio<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">28<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">63,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"15\">Situa\u00e7\u00e3o Laboral<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">Reformado<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">28<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">63,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"15\">Rendimentos Mensals<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">Inferior a 426 Euros<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">21<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">47,7<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"15\">Coabita\u00e7\u00e3o &#8211; com quem vive<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">\u201cFam\u00edlia Restrita (marido. esposa e filhos)<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">20<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">90,8<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<h4><strong>CARACTER\u00cdSTICAS DO APOIO SOCIAL<\/strong><\/h4>\n<p>Verificamos pelo quadro seguinte que os doentes apresentam um melhor apoio informativo (m\u00e9dia=21,11). Verificamos tamb\u00e9m que todos os tipos de apoio descritos no mesmo quadro t\u00eam rela\u00e7\u00f5es significativas com a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica (p= 0,000).<\/p>\n<p align=\"center\">Quadro II \u2013 Caracter\u00edsticas do apoio social<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table2\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\" height=\"9\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">MAT<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"7\">M\u00e9dia<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">r<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">p<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\" height=\"15\">Apoio informativo<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">21,11<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,846<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,000***<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\" height=\"15\">Apoio emocional<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">18,57<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,849<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,000***<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\" height=\"13\">Apoio instrumental<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">19,05<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,711<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,000***<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\" height=\"16\">Nota Global<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">28,73<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,711<\/td>\n<td bgcolor=\"#b6d9dc\">0,000***<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\">r \u2013 Pearson<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\">*p&lt;0.05\u00a0 **p&lt;0.01\u00a0\u00a0\u00a0 ***p&lt;0.001<\/p>\n<h4><strong>CARACTER\u00cdSTICAS RELACIONADAS COM OS SERVI\u00c7OS DE SA\u00daDE<\/strong><\/h4>\n<p>Verificamos pelo quadro III que o maior valor percentual corresponde aos doentes que s\u00e3o acompanhados pelo m\u00e9dico de fam\u00edlia, n\u00e3o t\u00eam dificuldade em se deslocar \u00e0s consultas, t\u00eam consultas de 3 a 6 meses, no entanto consideram que deveriam de ter mais consultas. A rela\u00e7\u00e3o com o enfermeiro e com o m\u00e9dico \u00e9 boa, e t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para adquirirem medicamentos. Apenas a vari\u00e1vel \u201cNumero de consultas\u201d estabelece rela\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas significativas com a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica, (F=0,816; p=0,05).<\/p>\n<p align=\"center\">Quadro III \u2013 Caracter\u00edsticas relacionadas com os servi\u00e7os de sa\u00fade<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table3\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"9\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">Total<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"9\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">N\u00ba<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">%<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"12\">Acompanhamento m\u00e9dico<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">M\u00e9dico de Fam\u00edlia<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">27<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">61,4<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"17\">Dificuldade desloca\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0consulta<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">N\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">33<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">55<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"12\">Periodicidade das consultas<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">3 a 6 meses<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">29<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">65,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#a9c1c4\" height=\"13\">N\u00famero de consultas<\/td>\n<td bgcolor=\"#a9c1c4\">\u201cDeveria ter mais consultas\u201d<\/td>\n<td bgcolor=\"#a9c1c4\">23<\/td>\n<td bgcolor=\"#a9c1c4\">52,3<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"17\">Relacionamento com Enfermeiro<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">Bom<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">41<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">93,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"13\">Relacionamento com m\u00e9dico<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">Bom<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">40<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">90,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"16\">Condi\u00e7\u00f5es financeiras para aquisi\u00e7\u00e3o dos medicamentos<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">Sim<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">26<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">67,3<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<h4><strong>CARACTER\u00cdSTICAS RELATIVAS \u00c0 PATOLOGIA CARD\u00cdACA<\/strong><\/h4>\n<p>Verifica-se pelo quadro IV que os doentes em estudo t\u00eam como maior percentual antecedentes de patologia card\u00edaca, j\u00e1 foram submetidos a cirurgia card\u00edaca, n\u00e3o t\u00eam familiares directos com doen\u00e7a coron\u00e1ria, mas t\u00eam factores de risco. Quanto ao seu peso, consideram-se normais, no entanto ap\u00f3s c\u00e1lculo do IMC est\u00e3o j\u00e1 na pr\u00e9-obesidade. N\u00e3o praticam exerc\u00edcio f\u00edsico, s\u00e3o sedent\u00e1rios e t\u00eam limita\u00e7\u00e3o para actividades quotidianas.<\/p>\n<p>No entanto, s\u00f3 a vari\u00e1vel factores de risco influencia a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica (t=-2,087; p=0,043).<\/p>\n<p align=\"center\">Quadro V \u2013 Caracter\u00edsticas da patologia card\u00edaca<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table4\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"7\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">Total<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"7\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">N\u00ba<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">%<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"9\">Antecedentes patologia card\u00edaca<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">Sim<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">26<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">59,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"13\">Fez alguma cirurgia<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">Sim<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">29<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">65,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"9\">Familiar directo com doen\u00e7a coron\u00e1ria<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">N\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">30<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">68,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\" height=\"11\">Factores de risco<\/td>\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\">Sim<\/td>\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\">41<\/td>\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\">93,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\" height=\"6\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\">HTA<\/td>\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\">28<\/td>\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\">63,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\" height=\"5\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">Hipercolesterol\u00e9mia<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">20<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">45,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\" height=\"4\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\">Sedentarismo<\/td>\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\">18<\/td>\n<td bgcolor=\"#f6f6f6\">40,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\" height=\"4\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\">Bebidas alco\u00f3licas<\/td>\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\">17<\/td>\n<td bgcolor=\"#a6a6a6\">38,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\" height=\"4\">Como se considera<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">Normal<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">26<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">59,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\" height=\"4\">IMC<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">Pr\u00e9-obesidade\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 25 a 29.9<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">20<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">45,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\" height=\"4\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">Obesidade classe I &#8211; 30 a 34.9<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">13<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">29,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\" height=\"4\">Passa muitas horas sentado<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">Sim<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">26<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">59,1<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\" height=\"4\">Pratica exerc\u00edcio f\u00edsico<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">N\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">30<\/td>\n<td bgcolor=\"#dbe5f1\">68,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\" height=\"4\">Limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">Limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica para actividades quotidianas<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">27<\/td>\n<td bgcolor=\"#f2f2f2\">61,4<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<h4><strong>SATISFA\u00c7\u00c3O COM A INFORMA\u00c7\u00c3O ACERCA DA MEDICA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Os doentes com doen\u00e7a coron\u00e1ria t\u00eam maior informa\u00e7\u00e3o comparativamente aos doentes com IC (insufici\u00eancia card\u00edaca), seja atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o e uso de medica\u00e7\u00e3o como dos potenciais problemas com a medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"center\">Quadro VI \u2013 Satisfa\u00e7\u00e3o com a informa\u00e7\u00e3o acerca da medica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table5\" border=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\" height=\"10\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">Doen\u00e7a Coron\u00e1ria<\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">IC<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"4\">M\u00e9dia<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">S<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">M\u00e9dia<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">S<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"16\">Ac\u00e7\u00e3o e uso de medica\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">12,87<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">2,21<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">12,75<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">3,16<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"3\">Potenciais problemas com a medica\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">22,92<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">5,31<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">22,45<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">5,08<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"16\">SIMS (Total)<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">35,79<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">6,88<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">35,20<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">7,80<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>Os doentes com doen\u00e7a coron\u00e1ria t\u00eam maior n\u00edvel de conhecimentos (m\u00e9dia=7,33) comparativamente aos doentes com IC (m\u00e9dia=7,20).<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Quadro VII \u2013 N\u00edvel de conhecimentos dos doentes com IC e Doen\u00e7a Coron\u00e1ria<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table6\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"6\"><\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">Doen\u00e7a Coron\u00e1ria<\/p>\n<p align=\"center\">N = 24<\/p>\n<\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">IC<\/p>\n<p align=\"center\">N= 20<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\" height=\"7\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">M\u00e9dia<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">s<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">M\u00e9dia<\/td>\n<td bgcolor=\"#e7f3f4\">s<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\" height=\"13\">Conhecimentos sobre<\/p>\n<p>D\u00e7a Coron\u00e1ria e IC<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">7,33<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">2,68<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">7,20<\/td>\n<td bgcolor=\"#f3f9fa\">2,37<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>Verifica-se pelo quadro seguinte que todas as quest\u00f5es que comp\u00f5em o conhecimento estabelecem rela\u00e7\u00f5es estatisticamente significativas com a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de uma quest\u00e3o. O n\u00edvel de conhecimento global tamb\u00e9m \u00e9 estatisticamente significativo (p= 0,004), o que significa dizer que quanto maior o n\u00edvel de conhecimentos sobre a sua patologia maior ser\u00e1 a sua ades\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"center\">Quadro VIII \u2013 Valor global de conhecimento<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table7\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"11\">Conhecimento<\/td>\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ff9900\">MAT<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ff9900\" height=\"9\"><\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">r<\/td>\n<td bgcolor=\"#ff9900\">P<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b9dadd\" height=\"9\">A patologia card\u00edaca \u00e9\u00a0para toda a vida?<\/td>\n<td bgcolor=\"#b9dadd\">0.199<\/td>\n<td bgcolor=\"#b9dadd\">0.025*<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b9dadd\" height=\"9\">Traz complica\u00e7\u00f5es?<\/td>\n<td bgcolor=\"#b9dadd\">0.358<\/td>\n<td bgcolor=\"#b9dadd\">0.002***<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b9dadd\" height=\"9\">Tratamento para toda a vida?<\/td>\n<td bgcolor=\"#b9dadd\">0.231<\/td>\n<td bgcolor=\"#b9dadd\">0.022*<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e9f4f5\" height=\"18\">Patologia card\u00edaca pode ser tratada sem medicamentos<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9f4f5\">0.017<\/td>\n<td bgcolor=\"#e9f4f5\">0.248<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#b1d7da\" height=\"9\">Valor Global \u2013 conhecimento<\/td>\n<td bgcolor=\"#b1d7da\">0.289<\/td>\n<td bgcolor=\"#b1d7da\">0.004**<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\">r \u2013 Pearson<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\">*p&lt;0.05\u00a0 **p&lt;0.01\u00a0\u00a0\u00a0 ***p&lt;0.001<\/p>\n<p>Pelo gr\u00e1fico seguinte verifica-se que o maior percentual recai na \u201cBoa ades\u00e3o\u201d com 54,6 por cento, de considerar ainda o valor percentual da \u201cbaixa ades\u00e3o\u201d com 31,8 por cento.<\/p>\n<p align=\"center\">Gr\u00e1fico I \u2013 Ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica dos doentes<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1418\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/nurs258-graf.jpg\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"344\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/nurs258-graf.jpg 585w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/nurs258-graf-300x176.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h4><strong>CONCLUS\u00d5ES<\/strong><\/h4>\n<p>As doen\u00e7as isqu\u00e9micas coron\u00e1rias, apesar da baixa taxa de mortalidade observada no nosso Pa\u00eds, comparativamente a outros pa\u00edses europeus, devem continuar a ser uma preocupa\u00e7\u00e3o para o nosso sistema de sa\u00fade, dado existir uma perspectiva de crescimento da sua incid\u00eancia, apontada internacionalmente, at\u00e9 ao ano de 2025. (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2003).<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade defende que a ades\u00e3o melhora consideravelmente quando existe acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, apoio e monitoriza\u00e7\u00e3o constante, o que implica uma redu\u00e7\u00e3o dos efeitos negativos provocados pela doen\u00e7a com melhoria da qualidade de vida dos doentes e diminui\u00e7\u00e3o da carga das condi\u00e7\u00f5es cr\u00f3nicas (WHO, 2003). Desta forma, revelou-se pertinente a realiza\u00e7\u00e3o de um estudo que avalie a ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica em doentes com patologia card\u00edaca. O estudo que realiz\u00e1mos permitiu-nos constatar, atrav\u00e9s da an\u00e1lise dos resultados, que das vari\u00e1veis s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas s\u00f3 o g\u00e9nero tem influ\u00eancia na ades\u00e3o terap\u00eautica. Verificamos que os inquiridos com melhor apoio social s\u00e3o os que apresentam maior ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica. Os doentes apresentam maior ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica se tiverem consultas mais frequentemente do que o per\u00edodo de 3 a 6 meses.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de conhecimentos sobre a sua a patologia, bem como informa\u00e7\u00e3o sobre os efeitos da medica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exerce uma influ\u00eancia consider\u00e1vel na ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica, sendo que quanto mais conhecimentos e informa\u00e7\u00f5es possu\u00edrem maior ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica apresentam. O factor de risco alcoolismo \u00e9 outra das vari\u00e1veis que influencia negativamente a ades\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Das vari\u00e1veis relacionadas com a terap\u00eautica farmacol\u00f3gica, o esquecimento da toma da medica\u00e7\u00e3o foi a \u00fanica vari\u00e1vel que tem influ\u00eancia na ades\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Dado o nosso estudo ter como objectivo determinar o n\u00edvel de ades\u00e3o em doentes com patologia card\u00edaca, conseguimos aferir quemais de metade da nossa amostra (54,5 por cento) revela uma \u201cboa ades\u00e3o\u201d \u00e0 terap\u00eautica, sendo que os doentes com Doen\u00e7a Coron\u00e1ria (58,3 por cento) apresentam uma maior percentagem do que os doentes com IC (50,0 por cento). Por sua vez, s\u00e3o os doentes com IC (35,0 por cento) que t\u00eam maior percentagem na \u201cbaixa ades\u00e3o\u201d, comparativamente aos doentes com Doen\u00e7a Coron\u00e1ria (29,2 por cento).<\/p>\n<p>Como sugest\u00f5es\/recomenda\u00e7\u00f5es para o estudo que realizamos, os autores sugerem que seria importante investir mais em forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da ades\u00e3o terap\u00eautica, para que, deste modo, os enfermeiros possam contribuir ainda mais para melhores ensinos aos utentes\/fam\u00edlia, com o intuito de prestar cuidados de excel\u00eancia.<\/p>\n<h4><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<p>1 &#8211; AMERICAN HEART ASSOCIATION &#8211; Guidelines for Primary Prevention of Cardiovascular Disease and Stroke. Circulation. 2002; pp. 106:388.<\/p>\n<p>2 &#8211; BUGALHO, Ant\u00f3nio; CARNEIRO, Ant\u00f3nio Vaz \u2013 Interven\u00e7\u00f5es para aumentar a ades\u00e3o terap\u00eautica em patologias cr\u00f3nicas. Lisboa: Faculdade de Medicina de Lisboa, 2004.<\/p>\n<p>3 &#8211; FORTIN, Marie-Fabienne \u2013 O processo de investiga\u00e7\u00e3o: da concep\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o. Loures: Lusoci\u00eancia, 1999.<\/p>\n<p>4 &#8211; KLEIN, John M.; GON\u00c7ALVES, Alda A. \u2013 A ades\u00e3o terap\u00eautica em contexto de cuidados de Sa\u00fade Prim\u00e1rios. \u00a0PsicoUSF. [em linha]. V.10 n2 (Dezembro 2005), pp.113-120 [Consult 3 de Abril 2008]. Dispon\u00edvel em: &lt;URL:<a href=\"http:\/\/www.pepsic.bvs-psi.org.br\/pdf\/psicousf\/v10n2\/v10n2a02.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.pepsic.bvs-psi.org.br\/pdf\/psicousf\/v10n2\/v10n2a02.pdf<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>5 &#8211; MAR\u00cdN, Jos\u00e9 [et al] \u2013 Ades\u00e3o \u00e0 terap\u00eautica anti-retroviral num Hospital Distrital. [em linha] 2002. [Consult.18 Mar\u00e7o 2008]. Dispon\u00edvel em &lt;URL:<a href=\"http:\/\/www.aidscongress.net\/pdf\/155.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.aidscongress.net\/pdf\/155.pdf<\/a>&gt;.<\/p>\n<p>6 &#8211; ODGEN, Jane \u2013 Psicologia da sa\u00fade. \u2013 2\u00aa ed. rev. e ampliada. Lisboa: Climepsi, 2004. ISBN 972\u2013976\u2013092\u20138.<\/p>\n<p>7 &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade &#8211; Cuidados inovadores para condi\u00e7\u00f5es cr\u00f3nicas: componentes estruturais de ac\u00e7\u00e3o. Relat\u00f3rio Mundial. Bras\u00edlia, 2003.<\/p>\n<p>8 &#8211; PAIS-RIBEIRO, Jos\u00e9 Lu\u00eds. \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 psicologia da sa\u00fade. 2\u00aa ed. Coimbra: Quarteto, 2007. ISBN 989\u2013558\u2013O45 \u20132.<\/p>\n<p>9 &#8211; PEREIRA, Gabriela; ALMEIDA, Concei\u00e7\u00e3o; DOMINGOS, Manuel \u2013 Stress e as doen\u00e7as cardiovasculares. Ser Sa\u00fade. P\u00f3voa de Lanhoso. N\u00ba 10 (Abril\/Maio\/Junho, 2008), pp. 53-71.<\/p>\n<p>10 &#8211; Soares-Costa, J. T. S. &#8211; Enfarte agudo do miocardio: exame hemodin\u00e2mico com o cateter de Swan-Gaz. 1995.<\/p>\n<p>11 &#8211; STIPP, Carlos Alberto [et al] \u2013 Enfermagem na reabilita\u00e7\u00e3o card\u00edaca. In FIGUEIREDO, N\u00e9bia; STIPP, Marlucci; LEITE, Jos\u00e9te, coord. &#8211; \u00ab Cardiopatias: avalia\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o em enfermagem\u00bb. S\u00e3o Paulo: Yendis, 2006. Cap.9.<\/p>\n<p>12 &#8211; World Health Organization \u2013 CVD prevention and control: missed opportunities.[em linha]. 2008. [Consult. 17 Mar\u00e7o 2008]. Dispon\u00edvel em &lt;URL: <a href=\"http:\/\/www.who.int\/cardiovascular_diseases\/prevention_control\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.who.int\/cardiovascular_diseases\/prevention_control\/en\/<\/a>&gt;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ades\u00e3o terap\u00eautica tem vindo a merecer uma grande aten\u00e7\u00e3o por parte da in\u00famera comunidade cient\u00edfica, nomeadamente a equipa multidisciplinar em sa\u00fade, que sente de perto a problem\u00e1tica inerente \u00e0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[258,715,351,714,716,713],"class_list":["post-1419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-adesao","tag-cardiaca","tag-doenca-coronaria","tag-patologia","tag-patologia-cardiaca","tag-terapeutica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1419"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1419\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2738,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1419\/revisions\/2738"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}