{"id":1416,"date":"2010-07-13T21:42:03","date_gmt":"2010-07-13T21:42:03","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-interdisciplinar-em-saude-importancia-e-desafios\/"},"modified":"2021-05-04T09:32:21","modified_gmt":"2021-05-04T09:32:21","slug":"comunicacao-interdisciplinar-em-saude-importancia-e-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/comunicacao-interdisciplinar-em-saude-importancia-e-desafios\/","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o Interdisciplinar em Sa\u00fade: Import\u00e2ncia e Desafios"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">A comunica\u00e7\u00e3o entre o topo e a equipa tamb\u00e9m deve ser processada de uma forma clara e precisa de modo a que os objectivos da organiza\u00e7\u00e3o sejam entendidos<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Comunica\u00e7\u00e3o Interdisciplinar em sa\u00fade:\u00a0<\/span>Import\u00e2ncia e Desafios<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Interdisciplinary Communication in Health:\u00a0Importance and Challenges<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba257<\/em><\/p>\n<h4><strong>Autor:<\/strong><\/h4>\n<p>Hugo P. Lucas, enfermeiro do servi\u00e7o de pediatria do Hospital Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, p\u00f3s-graduado em Interven\u00e7\u00e3o Socio-organizacional em Sa\u00fade com especializa\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas de Gest\u00e3o e Administra\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os de Sa\u00fade<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>A sociedade moderna caracteriza-se pelo seu grande dinamismo e competitividade, exigindo das pessoas e das organiza\u00e7\u00f5es sempre mais e melhor em prol da efici\u00eancia, rapidez e qualidade, principalmente na \u00e1rea da sa\u00fade, onde a exig\u00eancia relativa \u00e1 presta\u00e7\u00e3o de cuidados tem que fazer parte da conduta de todos os profissionais que de forma complementar visam a excel\u00eancia do cuidar. Esta complementaridade apenas existe se os intervenientes estabelecerem uma boa comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar, com pena de contamina\u00e7\u00e3o deste processo por conflitos que quando mal resolvidos apenas dificultam a presta\u00e7\u00e3o de cuidados de qualidade. Desta forma, acompanhando os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, a comunica\u00e7\u00e3o em sa\u00fade tem despertado para a necessidade de modernizar os processos comunicacionais entre os v\u00e1rios profissionais que se complementam, de forma a proporcionar ao cliente um servi\u00e7o de qualidade.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> comunica\u00e7\u00e3o; interdisciplinaridade; gest\u00e3o de conflitos; sistemas de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p>Modern society can be described by its dynamic and competitive nature, always demanding more from people and organisations at the cost of efficiency, rapidity and quality, particularly when it comes to health, where the demand related to care services must become part of a professional\u2019s day to day life, who seeks to complement excellence in care.\u00a0 It is only possible to achieve this complement if the intervenient is able to establish a good interdisciplinary communication, often fear of contaminating this process by unresolved conflicts will only increase the difficulty of providing high quality care services.\u00a0 In this manner, and following the technological advances, communication in heath matters has awakened the need to modernise the communication processes between the various professionals who complemented themselves in the search to provide, for the client, high quality standard services.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> communication, interdisciplinary, conflict management, information systems.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Numa sociedade din\u00e2mica e relacional, a comunica\u00e7\u00e3o apresenta-se como essencial no quotidiano pessoal e profissional de qualquer pessoa. Numa equipa multidisciplinar de sa\u00fade a comunica\u00e7\u00e3o constitui-se como uma necessidade vital, pelo que \u00e9 imperativo comunicar com efic\u00e1cia. As falhas de comunica\u00e7\u00e3o poder\u00e3o comprometer o desempenho tanto do profissional como tamb\u00e9m de toda a equipa, pondo em causa a qualidade dos cuidados prestados.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, a comunica\u00e7\u00e3o explica-se atrav\u00e9s da presen\u00e7a de um emissor, um c\u00f3digo, um canal e um receptor, no entanto, este esquema n\u00e3o representa a forma como se processa a comunica\u00e7\u00e3o nem os factores que interv\u00eam ao longo de todo o processo, e embora, geralmente a comunica\u00e7\u00e3o tenha uma ess\u00eancia positiva, \u00e9 importante ter em conta a possibilidade desta ser, muitas vezes, inadequada e geradora de v\u00e1rias interpreta\u00e7\u00f5es. Esta poss\u00edvel ambiguidade da informa\u00e7\u00e3o transmitida e as consequentes diferen\u00e7as de interpreta\u00e7\u00e3o pode apresentar-se como um dos factores geradores de conflito numa equipa, comprometendo todo o processo de cuidar interdisciplinar.<\/p>\n<p>No interior de uma equipa todos os elementos s\u00e3o importantes, pois cada um fornece contributos diferenciados que d\u00e3o fundamento \u00e0s decis\u00f5es e qualidade \u00e0s ac\u00e7\u00f5es, no entanto, a exist\u00eancia de falhas de comunica\u00e7\u00e3o poder\u00e1\u00a0comprometer todo este processo.<\/p>\n<p>Neste sentido, os novos meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais na optimiza\u00e7\u00e3o dos circuitos comunicacionais tendo-lhes por isso, sido dada cada vez maior import\u00e2ncia nas organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, constituindo-se como desafios para todos os profissionais empenhados na melhoria da comunica\u00e7\u00e3o em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Este artigo visa evidenciar como o trabalho em equipa \u00e9 hoje uma exig\u00eancia e um desafio para todos os que est\u00e3o empenhados na coopera\u00e7\u00e3o intersectorial em sa\u00fade, em especial nos processos de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o na equipa multidisciplinar\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>O trabalho em equipa n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma actividade autom\u00e1tica ou consequ\u00eancia natural de capacidade t\u00e9cnica ou profissional individual, mas sim uma qualidade a ser desenvolvida do ponto de vista colectivo. Os principais grupos profissionais de uma organiza\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, como enfermeiros, m\u00e9dicos, auxiliares de ac\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, assistentes sociais, entre outros, podem ter pap\u00e9is, fun\u00e7\u00f5es e compet\u00eancias radicalmente diferentes, mas apenas uma equipa interdisciplinar permite alvejar a excel\u00eancia e a qualidade hol\u00edstica dos cuidados \u00e0 pessoa, ou seja, em toda a sua plenitude.<\/p>\n<p>Neste sentido, Horta citado por Matheus (1995:13) refere que \u201c (\u2026) hoje n\u00e3o se concebe mais um profissional que trabalhe sozinho. Na estrutura social moderna, um indiv\u00edduo depende do outro para o desempenho das suas tarefas, que, geralmente s\u00e3o especializadas\u201d.<\/p>\n<p>A interdisciplinaridade pode definir-se como o \u201cgrau de integra\u00e7\u00e3o entre as disciplinas e a intensidade de trocas entre os especialistas\u201d, sendo que \u201cdesse processo interactivo, todas as disciplinas devem sair enriquecidas\u201d (Costa, 2007:109). O mesmo autor refere ainda quatro obst\u00e1culos para a interdisciplinaridade: a tradi\u00e7\u00e3o positivista e bioc\u00eantrica, os espa\u00e7os de poder que o encastelamento disciplinar propic\u00eda, a falta de comunica\u00e7\u00e3o entre as institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, e as dificuldades pr\u00f3prias da interdisciplinaridade (operacionaliza\u00e7\u00e3o e conceitos, m\u00e9todos e pr\u00e1ticas entre disciplinas).<\/p>\n<p>A postura do profissional de sa\u00fade necess\u00e1ria \u00e0 pr\u00e1tica interdisciplinar deve ser de questionamento e inquietude em busca de solu\u00e7\u00f5es e novas aprendizagens, ou seja, \u201cSer interdisciplinar \u00e9 arriscar na busca do novo\u201d (Costa, 2007:112)<\/p>\n<p>Deste modo, t\u00e3o importante quanto a realiza\u00e7\u00e3o das tarefas para um grupo, \u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o que estes profissionais sentem ao trabalhar em equipa. Em qualquer organiza\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o existir trabalho em equipa, as pessoas tendem simplesmente a executar uma tarefa que muito pouco contribuir\u00e1 para a sua satisfa\u00e7\u00e3o pessoal.<\/p>\n<p>Para que o trabalho em equipa seja bem sucedido, \u00e9 fundamental que exista uma adequada comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar, atrav\u00e9s de uma postura de abertura e confian\u00e7a. Para que tal aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio o reconhecimento das compet\u00eancias e autonomia dos v\u00e1rios grupos profissionais para que se possa contar com os seus conhecimentos pr\u00f3prios, e com confian\u00e7a no sentido de responsabilidade e integridade de todos os elementos. Desta forma, comunicar numa equipa pressup\u00f5e que os diferentes profissionais estejam empenhados em atingir os cuidados de sa\u00fade do utente, reconhecendo a sua interdepend\u00eancia. Por outro lado, a comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u201c(\u2026) \u00e9 um dos meios mais eficazes para a mudan\u00e7a de atitudes, j\u00e1 que constitui a ess\u00eancia vital \u00e0 condu\u00e7\u00e3o dos Homens.\u201d (Morais, 2002:25)<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar \u00e9\u00a0hoje uma exig\u00eancia e um desafio para todos os profissionais, institui\u00e7\u00f5es e organismos que est\u00e3o empenhados na coopera\u00e7\u00e3o intersectorial em sa\u00fade, pois permite cuidados mais completos e eficazes, centrados nas necessidades dos utentes. A ac\u00e7\u00e3o dos profissionais tamb\u00e9m se evidencia como mais estimulante e organizada.<\/p>\n<p>No entanto, como Atkinson e Murray (1985:60) referem na sua obra, \u201c(\u2026) n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil manter uma comunica\u00e7\u00e3o de qualidade. Esta \u00e9 uma habilidade profissional que requer n\u00e3o s\u00f3 o estudo como a pr\u00e1tica para alcan\u00e7ar um alto n\u00edvel de profici\u00eancia.\u201d Al\u00e9m de que, numa equipa a comunica\u00e7\u00e3o sofre influ\u00eancia de in\u00fameros factores adjacentes que podem prejudicar a comunica\u00e7\u00e3o, tais como as diferen\u00e7as pessoais, de estatuto e\/ou hier\u00e1rquicas.<\/p>\n<p>Apesar de se reconhecer o car\u00e1cter transversal da comunica\u00e7\u00e3o em todas as dimens\u00f5es do cuidar (t\u00e9cnica, funcional e relacional) e eventualmente ser ela pr\u00f3pria considerada uma compet\u00eancia, pode-se afirmar que a mesma est\u00e1\u00a0 predominantemente relacionada com a dimens\u00e3o relacional, dado que apesar de existirem t\u00e9cnicas comunicacionais, a mesma n\u00e3o pode existir sem rela\u00e7\u00e3o. (Oliveira, 2004:35)<\/p>\n<p>Na mesma linha de pensamento Martins (1996:64) refere que \u201cComunicar \u00e9 relacionar-se&#8230; h\u00e1 verdadeira comunica\u00e7\u00e3o quando a rela\u00e7\u00e3o se torna ir e vir, proposta e ades\u00e3o, pergunta e resposta (&#8230;). Saber comunicar \u00e9 tamb\u00e9m uma arte. De qualquer maneira estamos sempre a comunicar. A incomunica\u00e7\u00e3o \u00e9 j\u00e1 comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o entre o topo e a equipa tamb\u00e9m deve ser processada de uma forma clara e precisa de modo a que os objectivos da organiza\u00e7\u00e3o sejam entendidos. N\u00e3o deve haver barreiras na comunica\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios n\u00edveis, mas sim um \u201cfeedback\u201d positivo na troca de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Neste sentido, existem dois tipos de comunica\u00e7\u00e3o em equipa:<\/p>\n<p><strong>Hier\u00e1rquica<\/strong><\/p>\n<p>O ideal seria, encontrar um \u201cc\u00f3digo\u201d certo a utilizar nas mensagens que s\u00e3o emitidas para as equipas, das equipas para o topo, entre equipas e dentro das mesmas.<\/p>\n<p>Segundo Carapinheiro (1993:196) \u201cos processos de negocia\u00e7\u00e3o tecem as rela\u00e7\u00f5es sociais quotidianas dos servi\u00e7os, de acordo com as posi\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas, os compromissos ideol\u00f3gicos e a periodicidade das participa\u00e7\u00f5es das diferentes categorias de pessoal na rede das rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Em suma, a comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar \u00e9\u00a0uma compet\u00eancia pr\u00e1tica, que tem vindo a ser cada vez mais reconhecida nas organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, pois permite desfragmentar a evidente necessidade de continuidade de cuidados da pessoa atrav\u00e9s da articula\u00e7\u00e3o\/ partilha de conhecimentos e saberes, mantendo a responsabilidade individual de cada disciplina pela qualidade dos cuidados prestados.<\/p>\n<p><strong>Gest\u00e3o de conflitos\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Num grupo heterog\u00e9neo, como geralmente \u00e9\u00a0caracter\u00edstica de uma equipa multidisciplinar, com alguma frequ\u00eancia, podem existir conflitos geradores de um ambiente negativo, com todas as repercuss\u00f5es que da\u00ed adv\u00eam nos cuidados de sa\u00fade. Segundo Almeida (1999) citado por Morais (2002:25) conflito \u00e9 \u201cuma situa\u00e7\u00e3o que se caracteriza por escassez de recursos e por um sentimento de hostilidade, (\u2026) \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o em que dois ou mais objectivos, pertencentes a uma ou mais pessoas, s\u00e3o mutuamente exclusivos, gerando atitudes de hostilidade\u201d, nesta linha de pensamento Morais (2002) define conflitos como a incapacidade, sobretudo cognitiva, de se ultrapassar certos obst\u00e1culos autoproduzidos pela equipa.<\/p>\n<p>Segundo Atkinson e Murray (1985:89) \u201cEm qualquer ocasi\u00e3o em que as pessoas tentam fundir ideias e interesses dentro de um grupo, o resultado pode ser o conflito (&#8230;). Isso pode ter como resultado encorajar mudan\u00e7as, estimular interesse e a coopera\u00e7\u00e3o dos membros do grupo e esclarecer o objectivo do grupo. Em contrapartida pode enfraquecer ou destruir o grupo por meio de ataques pessoais entre os membros, por gerar raiva ou por aumentar a competi\u00e7\u00e3o entre os membros do grupo\u201d.<\/p>\n<p>Neste contexto, torna-se importante, que cada elemento da equipa tenha conhecimento do seu eu, das suas compet\u00eancias enquanto profissional de sa\u00fade especializado inserido numa equipa multidisciplinar, para que adopte uma filosofia de trabalho onde seja atribu\u00edda import\u00e2ncia \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar.<\/p>\n<p>Uma equipa onde existem muitos conflitos entre os elementos, n\u00e3o d\u00e1 imagem de efici\u00eancia, efic\u00e1cia e qualidade, n\u00e3o apresenta trabalho, perde-se em discuss\u00f5es, gasta-se muita energia inutilmente. \u201cOs objectivos e as expectativas de cada um dispersam-se, pouco se faz de \u00fatil ou positivo.\u201d (Morais, 2002:25)<\/p>\n<p>No entanto, os conflitos dentro da equipa s\u00e3o saud\u00e1veis desde que sirvam somente como crescimento pessoal e profissional dos seus membros. Quando se trabalha numa equipa em que a comunica\u00e7\u00e3o entre os seus membros seja eficaz e promova um bom ambiente de trabalho, aumenta a motiva\u00e7\u00e3o dos profissionais, melhora a produtividade e consequentemente tamb\u00e9m a qualidade dos cuidados prestados. Assim, uma adequada comunica\u00e7\u00e3o tem um papel fundamental na gest\u00e3o dos conflitos de uma determinada equipa.<\/p>\n<p>Segundo resultados de um estudo investigativo de Morais (2002), a falta de comunica\u00e7\u00e3o constitui-se como a segunda maior causa de conflitos numa equipa de sa\u00fade, sendo a primeira a diverg\u00eancia de opini\u00e3o que indirectamente tamb\u00e9m \u00e9 influenciada pela forma como a comunica\u00e7\u00e3o circula e \u00e9 processada entre os elementos da equipa.<\/p>\n<p>Um dos aspectos fundamentais a ter em considera\u00e7\u00e3o numa equipa \u00e9 a sua coes\u00e3o e m\u00fatua confian\u00e7a, muito embora este aspecto esteja sob influ\u00eancia de v\u00e1rios factores intr\u00ednsecos e extr\u00ednsecos ao grupo.<\/p>\n<p>Os factores extr\u00ednsecos s\u00e3o todos aqueles que antecedem a forma\u00e7\u00e3o do grupo e s\u00e3o exteriores ao mesmo, sendo alguns deles comuns \u00e0 maioria dos grupos, como \u00e9 o caso:<\/p>\n<ul>\n<li>Disposi\u00e7\u00e3o material que regula as redes de comunica\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>A semelhan\u00e7a ou a diferen\u00e7a do status social e dos quadros de refer\u00eancia pr\u00f3prios dos indiv\u00edduos reunidos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ou seja, a proximidade espacial, social e cultural entre os elementos do grupo constitui um poderoso meio de facilita\u00e7\u00e3o para atingir os objectivos em causa. Assim, um grupo reduzido que tem em comum diversas caracter\u00edsticas, comunica mais r\u00e1pida e intensamente do que os elementos de uma reuni\u00e3o numerosa e diversificada.<\/p>\n<p>Relativamente aos factores intr\u00ednsecos, estes representam os factores inerentes ao pr\u00f3prio grupo e podem-se dividir em duas grandes categorias:<\/p>\n<ul>\n<li>Factores de ordem s\u00f3cio-afectiva: est\u00e3o relacionados com motiva\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es e valores comuns que promovem a aproxima\u00e7\u00e3o entre os elementos do grupo.<\/li>\n<li>Factores s\u00f3cio-operat\u00f3rios: est\u00e3o relacionados com a organiza\u00e7\u00e3o mental, cognitiva e funcional de um grupo, permitindo satisfazer as suas necessidades de duas maneiras:<\/li>\n<\/ul>\n<p>&#8211; Distribui\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is: consiste em relacionar as actividades que se pretende concretizar e as opini\u00f5es dos elementos do grupo. Pode existir uma organiza\u00e7\u00e3o horizontal (a equipa trabalha em cadeia e n\u00e3o h\u00e1 estrutura hier\u00e1rquica, ou seja, l\u00edder), ou uma organiza\u00e7\u00e3o vertical (existe uma hierarquiza\u00e7\u00e3o de todos os elementos do grupo).<\/p>\n<p>&#8211; Comportamento de um grupo e modo de lideran\u00e7a: todo o grupo tem um comportamento, em que este \u00e9 influenciado de modo diferente em qualidade e intensidade, por todos os elementos do grupo. Nenhum grupo funciona sem a presen\u00e7a de um l\u00edder, mas a rela\u00e7\u00e3o que este estabelece com os restantes elementos deve ser de complementaridade, ou seja, n\u00e3o \u00e9 apenas o l\u00edder que determina o comportamento do grupo, este comportamento pode tamb\u00e9m ser aliado \u00e0s diferentes situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como foi j\u00e1\u00a0referido, os conflitos podem ter resultados positivos ou negativos, mediante a forma como estes s\u00e3o geridos. Neste sentido, Schermerhorn (1999:272) estabelece uma rela\u00e7\u00e3o entre o estilo de administra\u00e7\u00e3o de conflito dos elementos em conflito e o resultado dos mesmos:<\/p>\n<p>O que o autor exp\u00f5e na sua obra \u00e9\u00a0que a forma como o conflito \u00e9\u00a0gerido e administrado pelas pessoas implicadas determina o seu resultado. Apesar de haver v\u00e1rias formas de se gerir o conflito, deseja-se que a colabora\u00e7\u00e3o de todos seja a utilizada, conotando a situa\u00e7\u00e3o de positiva e ben\u00e9fica para ambas as partes.<\/p>\n<h4><strong>Novos meios de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Numa sociedade em constante evolu\u00e7\u00e3o, quer cient\u00edfica, quer tecnol\u00f3gica, torna-se fundamental que a \u00e1rea da sa\u00fade se adapte a esta evolu\u00e7\u00e3o e acompanhe o progresso, nomeadamente ao n\u00edvel da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento, para poder melhorar a qualidade da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial nesta \u00e1rea, dado que \u00e9 a base de todo o processo de cuidados de qualquer profissional de sa\u00fade, no entanto, esta s\u00f3 tem valor se a sua circula\u00e7\u00e3o for eficaz, e assim transformar-se em conhecimento, o que confere aos meios tecnol\u00f3gicos da vanguarda uma extrema import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A forma como a informa\u00e7\u00e3o circula e \u00e9 trabalhada, tem vindo a tornar-se cada vez mais um instrumento de gest\u00e3o, constituindo uma necessidade b\u00e1sica para a decis\u00e3o, realiza\u00e7\u00e3o e controlo das actividades e fundamental no sucesso das organiza\u00e7\u00f5es. As tecnologias de informa\u00e7\u00e3o apresentam-se como novas oportunidades no desenvolvimento das redes de comunica\u00e7\u00e3o, possibilitando transmiss\u00e3o e armazenamento de dados de forma r\u00e1pida, c\u00f3moda e segura, possibilitando que estes sejam processados, transmitidos e publicados em suporte de f\u00e1cil acessibilidade.<\/p>\n<p>Um sistema de informa\u00e7\u00e3o permite que a informa\u00e7\u00e3o esteja mais facilmente acess\u00edvel e organizada, al\u00e9m de permitir a monitoriza\u00e7\u00e3o de indicadores, essenciais no controlo e melhoria da qualidade. Por outros lado, \u201c(\u2026) a praxis sist\u00e9mica do fluxo informacional, possibilita ao hospital minimizar os seus entraves de comunica\u00e7\u00e3o e de levar os dados e informa\u00e7\u00f5es aos diversos sujeitos no contexto da sua divis\u00e3o de trabalho especializado (\u2026)\u201d (Cunha e Silva, 2005:8)<\/p>\n<p>Em qualquer servi\u00e7o onde se prestem cuidados de sa\u00fade, \u00e9 exig\u00edvel que todos os profissionais, das diferentes \u00e1reas de actua\u00e7\u00e3o, trabalhem como uma equipa multidisciplinar, de forma a satisfazerem um objectivo comum, ou seja, a sa\u00fade e bem-estar das pessoas. Neste sentido, o trabalho conjunto de todos os profissionais no desenvolvimento dos v\u00e1rios sistemas de informa\u00e7\u00e3o, seria importante para a melhoria da qualidade, em todas as \u00e1reas de actua\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o\/organiza\u00e7\u00e3o, contribuindo, em larga medida, para a satisfa\u00e7\u00e3o dos clientes que a ele recorrem.<\/p>\n<p>Segundo Cunha e Silva (2005:2), o grande objectivo dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o \u201c (\u2026) \u00e9 a melhoria da qualidade e a efici\u00eancia dos processos de trabalho, uma vez que, a cadeia de informa\u00e7\u00f5es ser\u00e1 alimentada automaticamente, o que eliminar\u00e1 instrumentos paralelos de colheita de dados e informa\u00e7\u00f5es, optimizando a comunica\u00e7\u00e3o, por conseguinte a ac\u00e7\u00e3o dos profissionais que realizam esses servi\u00e7os.\u201d (Cunha e tal, 2005: 2)<\/p>\n<p>Actualmente, j\u00e1\u00a0 em muitas organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, os profissionais utilizam sistemas de informa\u00e7\u00e3o que contribuem para uma comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar mais r\u00e1pida, objectiva e completa. Nos \u00faltimos anos, tem-se desenvolvido um Sistema de Apoio \u00e0 Pr\u00e1tica de Enfermagem (SAPE) que se articula com outros, como o SAM (Sistema de Apoio ao M\u00e9dico) e o sistema de gest\u00e3o de doentes da urg\u00eancia geral (ALERT), entre outros. Esta partilha de informa\u00e7\u00e3o entre equipas profissionais complementares na miss\u00e3o de bem cuidar, embora seja regulada, proporciona uma maior articula\u00e7\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade, contribuindo para uma maior fundamenta\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es num menor per\u00edodo de tempo, sendo este, muitas vezes, um recurso escasso e crucial para o cliente.<\/p>\n<p>Em suma, a moderniza\u00e7\u00e3o dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o, t\u00eam proporcionado uma melhoria significativa na gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial nesta \u00e1rea, dado que \u00e9 a base de todo o processo de cuidados de qualquer profissional de sa\u00fade, no entanto, esta s\u00f3 tem valor se for do conhecimento dos profissionais capazes de fazer uso dela em tempo \u00fatil.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Uma organiza\u00e7\u00e3o de sa\u00fade integra um vasto n\u00famero de equipas de profissionais especializados, que desempenham, cada um deles, um papel vital no interior do objectivo conjunto, que passa por oferecer servi\u00e7os de qualidade, satisfazendo assim as necessidades e expectativas dos clientes, sendo para isso fundamental uma adequada comunica\u00e7\u00e3o numa vertente interdisciplinar.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o no seio de uma equipa multidisciplinar representa a partilha de informa\u00e7\u00e3o especializada entre os v\u00e1rios profissionais de sa\u00fade de forma a ser poss\u00edvel intervir com maior fundamento e abrang\u00eancia, ou seja, atrav\u00e9s de uma avalia\u00e7\u00e3o hol\u00edstica da situa\u00e7\u00e3o do cliente. No entanto, a comunica\u00e7\u00e3o pode ser influenciada por v\u00e1rios factores que condicionam a forma como este processo \u00e9 experimentado pelos elementos da equipa, podendo conduzir\/originar conflitos que quando mal geridos conferem uma m\u00e1 imagem a toda a equipa acompanhado de inefici\u00eancia e fragmenta\u00e7\u00e3o dos cuidados prestados.<\/p>\n<p>Com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, os sistemas de informa\u00e7\u00e3o t\u00eam vindo a assumir um papel importante nos processos cl\u00ednicos e administrativos das organiza\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, constituindo-se tamb\u00e9m como um desafio em prol da comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar. O desenvolvimento de sistemas de informa\u00e7\u00e3o nas v\u00e1rias especialidades em sa\u00fade permite que o processo de partilha e transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios profissionais se realize de forma mais r\u00e1pida, fi\u00e1vel e completa, minimizando erros e perda de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, dado a indiscut\u00edvel import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o interdisciplinar \u00e9 premente que se trabalhe na sua cont\u00ednua melhoria atrav\u00e9s de processos cada vez menos desregrados e informais, de forma a evitar os constrangimentos resultantes dos conflitos entre profissionais que p\u00f5em em causa a sua credibilidade, assim como de toda a equipa e organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>ATKINSON, Leslie e MURRAY, Mary Ellen \u2013 Fundamentos de Enfermagem: introdu\u00e7\u00e3o ao processo de enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989;<\/li>\n<li>CARAPINHEIRO, Gra\u00e7a \u2013 Saberes e Poderes no Hospital: uma Sociologia dos Servi\u00e7os Hospitalares. Porto: Edi\u00e7\u00f5es Afrontamento, 1993;<\/li>\n<li>COSTA, Rosemary \u2013 Interdisciplinaridade e equipas de sa\u00fade: concep\u00e7\u00f5es. Barbacena: Mental, Ano V, n\u00ba8 (Junho, 2007), p. 107-112;<\/li>\n<li>CUNHA, Francisco e SILVA, Helena \u2013 Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o no contexto dos hospitais. Intercom: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunica\u00e7\u00e3o, 2005;<\/li>\n<li>MATHEUS, M.\u00aa Clara \u2013 O Trabalho em Equipa: Um Instrumento B\u00e1sico e um Desafio para a Enfermagem. Rev. Esc. Enf. USP. V.29, n\u00ba1 (Abril, 1995), p.13;<\/li>\n<li>MARTINS, Lurdes \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o Interdisciplinar, Revista Servir, vol.44. n.\u00ba2 (1996), p.64;<\/li>\n<li>MORAIS, Ana Maria Martins \u2013 Gest\u00e3o de Conflitos. Lisboa. Nursing, n\u00ba172 (2002) p. 24-29;<\/li>\n<li>OLIVEIRA, Alexandre e GRAVETO, Jo\u00e3o \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o: um verdadeiro meio da ess\u00eancia de ser enfermeiro. Lisboa. Pensar Enfermagem, vol. 8, n\u00ba1 (2002) p.35;<\/li>\n<li>SCHERMERHORN, Jonh \u2013 Administra\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Livros T\u00e9cnicos Cient\u00edficos, 5\u00aa Ed, 1999;<\/li>\n<\/ul>\n<h4><strong>Outra Bibliografia consultada<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>ALVES, A. &#8211; Comunica\u00e7\u00e3o, Interdisciplinaridade Obrigat\u00f3ria. Confer\u00eancia no 11\u00ba Encontro Nacional da Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Comunica\u00e7\u00e3o de Empresa (APCE), realizado em Lisboa, em 14 e 15 de Novembro de 2000 (publicado em 2006);<\/li>\n<li>NASSAR, Maria \u2013 O Papel da Comunica\u00e7\u00e3o nas Organiza\u00e7\u00f5es de Sa\u00fade: oportunidades e desafios. Intercom: Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunica\u00e7\u00e3o, 2005;<\/li>\n<li>SAUPE, R. et al. \u2013 Compet\u00eancias dos profissionais de sa\u00fade para o trabalho interdisciplinar. S\u00e3o Paulo. Comunica\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, v.9, n.18 (2005) p.521-536.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comunica\u00e7\u00e3o entre o topo e a equipa tamb\u00e9m deve ser processada de uma forma clara e precisa de modo a que os objectivos da organiza\u00e7\u00e3o sejam entendidos<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[201,711,507,556,712,710],"class_list":["post-1416","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-comunicacao","tag-conflitos","tag-desafios","tag-gestao","tag-hierarquia","tag-interdisciplinaridade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1416"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2740,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1416\/revisions\/2740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}