{"id":1411,"date":"2010-07-13T21:19:37","date_gmt":"2010-07-13T21:19:37","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/mobbing-relacoes-interpessoais-e-satisfacao-laboral\/"},"modified":"2021-04-28T15:41:15","modified_gmt":"2021-04-28T15:41:15","slug":"mobbing-relacoes-interpessoais-e-satisfacao-laboral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/mobbing-relacoes-interpessoais-e-satisfacao-laboral\/","title":{"rendered":"Mobbing, Rela\u00e7\u00f5es Interpessoais e Satisfa\u00e7\u00e3o Laboral"},"content":{"rendered":"<p>O mobbing no trabalho come\u00e7a inicialmente por uma mudan\u00e7a repentina na rela\u00e7\u00e3o entre o agressor e a pessoa que, a partir de ent\u00e3o, se vai converter no objecto de ass\u00e9dio.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O mobbing ou ass\u00e9dio moral no trabalho \u00e9 um tema, ainda pouco abordado na comunidade cient\u00edfica. A n\u00edvel conceptual, caracteriza-se pela repeti\u00e7\u00e3o, durante um longo per\u00edodo de tempo, de comportamentos hostis e condutas desprovidas de \u00e9tica, desenvolvidas por um superior ou colega de trabalho, contra outros trabalhadores. Trata-se de um fen\u00f3meno que poder\u00e1 ter diferentes nomenclaturas, consoante o autor ou pa\u00eds onde se manifesta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao longo do presente artigo, ser\u00e1 dado a conhecer um estudo efectuado sobre a mesma tem\u00e1tica, num Hospital da regi\u00e3o Sul de Portugal. Este estudo revelou que 1 em cada 5 enfermeiros \u00e9 v\u00edtima de maltrato no local de trabalho e tem consci\u00eancia disso, por\u00e9m muitas outras pessoas sofrem sem consci\u00eancias, condutas de agress\u00e3o intensa. Inclusivamente, verificou-se que as rela\u00e7\u00f5es interpessoais e a satisfa\u00e7\u00e3o laboral se encontram intimamente relacionadas com este fen\u00f3meno.<\/p>\n<p align=\"justify\">O estudo desta problem\u00e1tica torna-se pertinente, pois um melhor conhecimento desta realidade, possibilitar-nos-\u00e1, a n\u00edvel futuro, agir de forma preventiva, ou actuar mais eficazmente quando existir mobbing numa organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>PALAVRAS-CHAVE:<\/strong>\u00a0Mobbing, Bem-estar Psicol\u00f3gico, Rela\u00e7\u00f5es Laborais, Satisfa\u00e7\u00e3o Laboral.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O termo mobbing apesar de ainda ser pouco conhecido a n\u00edvel mundial \u00e9 uma realidade presente em todas as profiss\u00f5es. Ele poder\u00e1 ter diferentes nomenclaturas, tais como \u201cass\u00e9dio moral\u201d, \u201cbullying at work\u201d, \u201cagress\u00e3o psicol\u00f3gica\u201d, \u201ccoac\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica\u201d, \u201cass\u00e9dio psicol\u00f3gico\u201d, \u201cpsicoterror laboral\u201d, entre outras, tendo em conta o autor, ou o pa\u00eds onde se manifesta.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na perspectiva de Hirigoyen (2002) o ass\u00e9dio moral no trabalho define-se como sendo qualquer comportamento abusivo que atente pela sua repeti\u00e7\u00e3o ou sistematiza\u00e7\u00e3o contra a dignidade e a integridade ps\u00edquica ou f\u00edsica de uma pessoa, pondo em perigo o seu emprego ou degradando o seu ambiente de trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, com intuito de conhecer e de transmitir conhecimentos sobre a tem\u00e1tica em quest\u00e3o, ser\u00e3o dados a conhecer os resultados de um estudo realizado numa popula\u00e7\u00e3o de enfermeiros da regi\u00e3o Sul de Portugal. Por\u00e9m, para que tal se tornasse poss\u00edvel, foi essencial planear o caminho que se pretendia percorrer, ou seja, tra\u00e7ar objectivos. Neste estudo, eles foram:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Estudar a incid\u00eancia e frequ\u00eancia de mobbing nos enfermeiros.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Avaliar em que medida os enfermeiros t\u00eam consci\u00eancia de que foram maltratados psicologicamente no seu local de trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Apreciar as rela\u00e7\u00f5es existentes entre as caracter\u00edsticas s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas e profissionais do pessoal de enfermagem e o mobbing por eles vivenciado.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Avaliar quais os tipos de agress\u00e3o mais sofridos pelas v\u00edtimas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Analisar, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que sofrem mobbing, quem s\u00e3o os seus principais agressores.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Conhecer as causas de agress\u00e3o mais referenciadas pelas v\u00edtimas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Avaliar quais as principais consequ\u00eancias de mobbing para as v\u00edtimas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Analisar como se sentem emocionalmente os enfermeiros que sofrem mobbing.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Investigar a rela\u00e7\u00e3o existente entre o mobbing e o relacionamento interpessoal no trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Analisar a satisfa\u00e7\u00e3o no trabalho das v\u00edtimas de mobbing.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Atrav\u00e9s desta investiga\u00e7\u00e3o, espero contribuir para um conhecimento mais alargado da realidade que envolve o mobbing. E subsequentemente, para denunciar a situa\u00e7\u00e3o de abuso em que se encontram todos aqueles que sofrem \u2013 tantas vezes no sil\u00eancio \u2013 este tipo de agress\u00e3o. \u00c9 for\u00e7oso defender e garantir o respeito pelo outro e promover rela\u00e7\u00f5es interpessoais de qualidade no contexto laboral, que contribuam para o bem-estar pessoal dos trabalhadores e, simultaneamente, para um melhor funcionamento das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>ENQUADRAMENTO TE\u00d3RICO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O termo mobbing \u00e9 ainda pouco conhecido, por\u00e9m a realidade que representa \u00e9 t\u00e3o antiga como o ser Humano, variando com a cultura e o estado de evolu\u00e7\u00e3o da sociedade. Ele encontra-se presente em todo o mundo, em muitos contextos laborais. No entanto, de acordo com Guimar\u00e3es e Rimoli (2004) e Molon (2004), a sua nomenclatura varia de pa\u00eds para pa\u00eds. Por exemplo, este fen\u00f3meno \u00e9 conhecido na It\u00e1lia, na Alemanha e Pa\u00edses Escandinavos como mobbing; na Fran\u00e7a, como harc\u00e8lement moral (ass\u00e9dio moral); na Inglaterra, por bullying; nos Estados Unidos e na Su\u00e9cia, por mobbing; no Jap\u00e3o, como murahachibu ou ijime (ostracismo social); na Espanha, como acoso laboral ou psicoterror laboral; e, no Brasil, como ass\u00e9dio moral ou ass\u00e9dio psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p align=\"justify\">Todavia, apesar de ser algo t\u00e3o antigo e de estar presente em muitos locais de trabalho, o primeiro estudo sobre este fen\u00f3meno foi apenas efectuado na d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo XX por Leymann, um m\u00e9dico e investigador alem\u00e3o. Inclusivamente, no ano de 1990, o mesmo autor afirmava que o mobbing era a deliberada degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho atrav\u00e9s do estabelecimento de comunica\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9ticas, que se caracterizam pela repeti\u00e7\u00e3o, durante um longo per\u00edodo de tempo, de um comportamento hostil que um superior ou, colegas desenvolvem contra um indiv\u00edduo que apresenta como reac\u00e7\u00e3o um quadro de mis\u00e9ria f\u00edsica, psicol\u00f3gica e social duradoura.<\/p>\n<p align=\"justify\">Gonz\u00e1lez de Rivera (2005) salienta que Leymann, para al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o do conceito e dos primeiros estudos cl\u00ednicos e epidemiol\u00f3gicos, teve como contribui\u00e7\u00e3o ainda mais importante, a descri\u00e7\u00e3o operacionalizada de 45 condutas de mobbing. A lista destas condutas em forma de pergunta denomina-se de LIPT (Leymann Inventory of Psychological Terrorization) e tem sido utilizada como escala em muitas investiga\u00e7\u00f5es sobre esta tem\u00e1tica. Na opini\u00e3o deste autor, o ass\u00e9dio psicol\u00f3gico ou a agress\u00e3o faz-se sem tocar a v\u00edtima, ou seja, sem ningu\u00e9m aparentemente notar o que se passa. Enquanto isso, o agressor continua a sentir-se seguro, numa situa\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio.<\/p>\n<p align=\"justify\">O mobbing no trabalho come\u00e7a inicialmente por uma mudan\u00e7a repentina na rela\u00e7\u00e3o entre o agressor e a pessoa que, a partir de ent\u00e3o, se vai converter no objecto de ass\u00e9dio. Este pode atingir indistintamente, qualquer um dos n\u00edveis hier\u00e1rquicos de uma organiza\u00e7\u00e3o e est\u00e1 relacionado com a fun\u00e7\u00e3o do local que ocupam os protagonistas a n\u00edvel hier\u00e1rquico no trabalho. Inclusivamente, de acordo com Hirigoyen (2002), Pi\u00f1uel y Zabala (2003), Carvalho (2006) e Pacheco (2007) existem diferentes tipos de ass\u00e9dio: descendente, horizontal, misto e ascendente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na perspectiva de Pi\u00f1uel y Zabala (2001) as principais causas que levam a este tipo de viol\u00eancia s\u00e3o os sentimentos de ci\u00fame, inveja, competi\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o da pessoa ou chegada ao local de trabalho de um novo elemento.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mart\u00ednez-Lugo (2006) salienta a exist\u00eancia de cinco elementos comuns \u00e0s situa\u00e7\u00f5es qualificadas de ass\u00e9dio psicol\u00f3gico, ou ass\u00e9dio moral no trabalho, eles s\u00e3o:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 A exist\u00eancia de uma conduta de ass\u00e9dio;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 A intencionalidade;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 A repeti\u00e7\u00e3o das condutas pelo menos uma vez por semana, durante seis meses;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 A desigualdade de poder que ocorre entre o agressor e a v\u00edtima;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 A v\u00edtima apresenta-se psicologicamente desorganizada, com baixa auto-estima, sentimentos de culpa, incapacidade de concentrar-se, ansiedade, depress\u00e3o e isolamento.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O mobbing encontra-se tamb\u00e9m intimamente relacionado com as rela\u00e7\u00f5es interpessoais pois, no ponto de vista de Alkimin (2005), estas quando s\u00e3o defeituosas e problem\u00e1ticas interferem contaminando o ambiente de trabalho, tornando-o impregnado de pr\u00e1ticas humilhantes com o objectivo de assediar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A satisfa\u00e7\u00e3o no local de trabalho tamb\u00e9m se relaciona com o mobbing, pois Siqueira (1995) considera que a satisfa\u00e7\u00e3o no trabalho decorre das experi\u00eancias vividas no ambiente organizacional, influenciando a vida social, a sa\u00fade mental e at\u00e9 os v\u00ednculos afectivos. Inclusivamente, o mesmo autor, salienta que os aspectos de trabalho capazes de desencadear satisfa\u00e7\u00e3o ou insatisfa\u00e7\u00e3o est\u00e3o divididos em tr\u00eas agrupamentos:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Satisfa\u00e7\u00e3o com o ambiente social, no qual se incluem a satisfa\u00e7\u00e3o com a chefia e com os colegas de trabalho;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 A atribui\u00e7\u00e3o do cargo, na qual se pode verificar a satisfa\u00e7\u00e3o com a natureza do pr\u00f3prio trabalho;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Gest\u00e3o de pessoas, que representa o modo como a organiza\u00e7\u00e3o manifesta a sua retribui\u00e7\u00e3o ao empregado, tendo em conta os factores de satisfa\u00e7\u00e3o com o sal\u00e1rio e a oportunidade de promo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">As consequ\u00eancias do mobbing s\u00e3o avassaladoras, tanto para a sa\u00fade f\u00edsica e ps\u00edquica da v\u00edtima, como para o funcionamento da pr\u00f3pria empresa. De acordo com Pi\u00f1uel y Zabala (2001) a v\u00edtima de mobbing poder\u00e1 entrar num per\u00edodo de deteriora\u00e7\u00e3o e isolamento em que come\u00e7am a suceder-se problemas de sa\u00fade procedentes da altera\u00e7\u00e3o do seu equil\u00edbrio s\u00f3cio-emotivo e psicof\u00edsico. Ali\u00e1s, os sintomas mais frequentes est\u00e3o relacionados com transtornos de sono, ansiedade, stress, hipervigil\u00e2ncia, mudan\u00e7as na personalidade, problemas no relacionamento conjugal e depress\u00e3o. Todos estes factores levam \u00e0 perda do equil\u00edbrio f\u00edsico e emocional da v\u00edtima, o que por vezes a conduz a um estado de enfermidade, tendo de pedir \u201cbaixa\u201d ou dispensa de servi\u00e7o, na tentativa de repor o seu equil\u00edbrio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deste modo, tal como refere Trombetta (2005), \u00e9 importante que sejam estabelecidos mecanismos de regula\u00e7\u00e3o nas organiza\u00e7\u00f5es com o intuito de impedir comportamentos de desprezo, humilha\u00e7\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e maus-tratos ao trabalhador. Segundo Freitas (2007) \u00e9 poss\u00edvel prevenir ou eliminar a ocorr\u00eancia de ass\u00e9dio. No entanto, \u00e9 necess\u00e1ria coragem e vontade das chefias em reconhecer a possibilidade de ocorr\u00eancia, bem como disposi\u00e7\u00e3o para apurar os factos e punir os respons\u00e1veis, independentemente do cargo que ocupem.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>METODOLOGIA DE INVESTIGA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O estudo realizado \u00e9 de car\u00e1cter correlacional, transversal e do tipo quantitativo. A popula\u00e7\u00e3o-alvo escolhida foram os enfermeiros que exerciam fun\u00e7\u00f5es num Hospital da regi\u00e3o Sul de Portugal. Foi utilizado um question\u00e1rio, como m\u00e9todo de colheita de dados, constitu\u00eddo por tr\u00eas partes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A primeira visava avaliar a componente sociodemogr\u00e1fica e profissional dos sujeitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A segunda parte era constitu\u00edda pela escala LIPT-60 (Leymann Inventory of Psychological Terrorization) de Gonz\u00e1lez de Rivera e Rodr\u00edguez-Abu\u00edn (2005) e por algumas perguntas que visavam obter informa\u00e7\u00e3o sobre:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 O conhecimento anterior do sujeito sobre a tem\u00e1tica do mobbing;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 A percentagem de sujeitos que presenciam condutas de mobbing em colegas de trabalho;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022\u00a0A propor\u00e7\u00e3o de sujeitos que tem a consci\u00eancia de ser v\u00edtima de mobbing.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">Na terceira parte do question\u00e1rio foram elaboradas perguntas que dizem respeito ao clima\/ambiente laboral. A primeira deste grupo tinha como objectivo avaliar como a pessoa se sentia mais frequentemente a n\u00edvel emocional no seu local de trabalho. A segunda quest\u00e3o foi efectuada com o intuito de apreciar qual a percep\u00e7\u00e3o dos enfermeiros relativamente ao ambiente no seu local principal de trabalho. A terceira quest\u00e3o era constitu\u00edda pela escala ERIT validada por Jo\u00e3o Apost\u00f3lo no ano de 2002.<\/p>\n<p align=\"justify\">No dia 6 de Abril de 2009 foi solicitada a autoriza\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do estudo ao conselho de administra\u00e7\u00e3o de um hospital da regi\u00e3o Sul de Portugal que a concedeu a 11 de Maio de 2009.<\/p>\n<p align=\"justify\">Iniciou-se a entrega dos question\u00e1rios a 15 de Maio de 2009 e terminou-se dois meses depois. Os question\u00e1rios foram entregues aos enfermeiros chefes de cada servi\u00e7o. Eles mostraram-se bastante dispon\u00edveis, tendo sido eles a distribu\u00ed-los pelas equipas de enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foram entregues 470 question\u00e1rios e recolhidos 243, dos quais 27 foram eliminados por se encontrarem incompletos no preenchimento. Desta forma, foram tratados neste estudo 216 question\u00e1rios.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Hip\u00f3teses<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Indo de encontro \u00e0\u00a0pesquisa efectuada, bem como aos objectivos do investigador, definiu-se o seguinte conjunto de hip\u00f3teses suportadas na pesquisa te\u00f3rica realizada sobre o tema.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">H1 \u2013 As vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas e profissionais condicionam a ocorr\u00eancia de condutas mobbing nos enfermeiros.<\/p>\n<p align=\"justify\">H2 \u2013\u00a0 O tipo de agress\u00e3o sofrido pela v\u00edtima varia em fun\u00e7\u00e3o dos factores s\u00f3cio-demogr\u00e1ficos e profissionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">H3 \u2013\u00a0 O mobbing influencia o modo como a pessoa se sente de forma mais frequente, a n\u00edvel emocional no local de trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">H4 \u2013 Existe uma rela\u00e7\u00e3o significativa entre a viv\u00eancia de mobbing e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais dos enfermeiros no local de trabalho.<\/p>\n<p align=\"justify\">H5 \u2013 Existe uma rela\u00e7\u00e3o significativa entre o mobbing e a satisfa\u00e7\u00e3o no trabalho.<\/p>\n<h4><strong>RESULTADOS\/DISCUSS\u00c3O DOS RESULTADOS<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o da Amostra<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A amostra em estudo era constitu\u00edda por 216 enfermeiros que exerciam fun\u00e7\u00f5es num Hospital da Regi\u00e3o Sul de Portugal sendo 87,04% do g\u00e9nero feminino e 12,96% do g\u00e9nero masculino. Esta maior propor\u00e7\u00e3o de profissionais do g\u00e9nero feminino vai de encontro aos dados estat\u00edsticos cedidos pela ordem dos enfermeiros (2009) na qual a percentagem de mulheres enfermeiras \u00e9 de 81% enquanto a de homens \u00e9 de 19%.<\/p>\n<p align=\"justify\">As idades dos enfermeiros oscilaram entre os 22 e os 59 anos, tendo a m\u00e9dia de idades o valor de 36,05 anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A grande maioria dos sujeitos era casada (67,13%) e trabalhava em apenas um local. A categoria profissional predominante era a de enfermeiro graduado (50%) e logo de seguida, a de enfermeiro (36,57%). No que concerne \u00e0s habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, a maior parte dos enfermeiros possu\u00eda a licenciatura (77,78%).<\/p>\n<p align=\"justify\">O tempo de profiss\u00e3o variava entre os 10 meses e os 36 anos, tendo sido a m\u00e9dia de anos de profiss\u00e3o 12,7 anos. O tempo de desempenho de fun\u00e7\u00f5es no actual servi\u00e7o, oscilou entre 1 m\u00eas a 21 anos, sendo a m\u00e9dia de anos num servi\u00e7o de 6,69 anos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A maioria dos enfermeiros trabalhava por turnos (73,61%) e encontrava-se com um contrato est\u00e1vel, pois 63,43% pertenciam ao \u201cquadro da institui\u00e7\u00e3o\u201d e 29,63% possu\u00edam um contrato sem termo.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o do Mobbing<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Mais de metade da amostra (51,63%) j\u00e1 tinha observado colegas de trabalho a serem maltratados. No entanto, apenas 18,52% dos sujeitos em estudo assumem sentirem-se v\u00edtimas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Verificou-se que apenas 8,33% da amostra obteve pontua\u00e7\u00e3o zero na escala de LIPT-60, ou seja, 73.15% dos sujeitos apesar de terem assinalado algum item com pelo menos \u201cum pouco\u201d nesta escala n\u00e3o reconhecem estar a ser v\u00edtimas de mobbing.<\/p>\n<p align=\"justify\">O N\u00famero de Estrat\u00e9gias de Ass\u00e9dio Psicol\u00f3gico (NEAP) verificadas foi de 8,96, ou seja, em m\u00e9dia cada enfermeiro vivencia 9 condutas de mobbing no seu local de trabalho, com um efeito (IGAP) quase nulo (0,23) e uma intensidade (IMAP) fraca (1,42).<\/p>\n<p align=\"justify\">As condutas de mobbing mais referidas pelas v\u00edtimas s\u00e3o: \u201cinterrompem-no(a) quando fala\u201d (65,74%), \u201ccriticam o seu trabalho\u201d (65,28%), \u201cos seus superiores n\u00e3o o\/a deixam expressar ou dizer aquilo que tem a dizer\u201d (54,63%), \u201ccaluniam-no\/a e falam nas suas costas\u201d (43,13%), \u201cgritam-lhe ou repreendem-no(a) em voz alta\u201d (36,11%) e \u201ccriticam a sua vida privada\u201d (35,65%).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p><strong>Caracter\u00edsticas dos Agressores<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os agressores s\u00e3o principalmente o enfermeiro chefe (41,03%) e o m\u00e9dico (30,77%). Este resultado est\u00e1\u00a0de acordo com Santos (2006), na medida em que, para este autor, o ass\u00e9dio moral descendente \u00e9\u00a0 o mais frequente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em segundo lugar encontra-se o mobbing horizontal, dado que 28,21% das v\u00edtimas referem ter sido agredidas por um colega de trabalho em igual posi\u00e7\u00e3o laboral.<\/p>\n<p align=\"justify\">O mobbing ascendente \u00e9 o menos verificado (15,38%), correspondendo aos resultados obtidos por Santos (2006). Por\u00e9m, apesar do ass\u00e9dio moral ascendente ser proveniente de um subordinado, isso n\u00e3o quer dizer, tendo em conta Guedes (2005), que a crueldade deste tipo de viol\u00eancia seja menor, do que aquela verificada nos demais tipos.<\/p>\n<p align=\"justify\">As v\u00edtimas apontam que os seus principais agressores s\u00e3o mulheres (58,97%) e que a idade predominante destes se encontra no grupo dos 40 a 50 anos (74,36%).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Dura\u00e7\u00e3o e Frequ\u00eancia do Mobbing<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">As v\u00edtimas de mobbing conscientes referem maioritariamente sofrer condutas de agress\u00e3o h\u00e1 mais de cinco anos. A percentagem de enfermeiros que sofrem h\u00e1 mais de um ano \u00e9 muito elevada (74,36%), o que poder\u00e1 ser justificado pelo elevado n\u00famero de contratos considerados est\u00e1veis neste hospital.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Tabela 1: Dura\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia do mobbing (N=40)<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table1\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<td>N<\/td>\n<td>%<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"7\">H\u00e1\u00a0 quanto tempo, sente que est\u00e1\u00a0a ser v\u00edtima de mobbing, nesse local de trabalho<\/td>\n<td>Desde h\u00e1\u00a0seis meses<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>10,26<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Desde h\u00e1\u00a0 1 ano<\/td>\n<td>6<\/td>\n<td>15,38<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Desde h\u00e1\u00a0 2 anos<\/td>\n<td>9<\/td>\n<td>23,08<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Desde h\u00e1\u00a0 3 anos<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>10,26<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Desde h\u00e1\u00a0 4 anos<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>7,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td height=\"10\">Desde h\u00e1\u00a05 anos<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>7,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>H\u00e1\u00a0 mais de 5 anos<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>25,64<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"6\">Com que frequ\u00eancia vivencia comportamentos de mobbing, nesse local de trabalho<\/td>\n<td>V\u00e1rias vezes por ano<\/td>\n<td>12<\/td>\n<td>30,77<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Uma vez por m\u00eas<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>7,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>V\u00e1rias vezes por m\u00eas<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>25,64<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Uma vez por semana<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>7,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>V\u00e1rias vezes por semana<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>25,64<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Sempre<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>2,56<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\"><strong>Causas e consequ\u00eancias do mobbing<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">A maioria das v\u00edtimas n\u00e3o sabe o motivo pelo qual sofrem agress\u00e3o\u00a0 (53,85%). Outras, apontam que a principal causa de estarem a experienciar esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a inveja ou ci\u00fame (46,15%) e o ambiente competitivo (43,59%). Estes dados v\u00e3o de encontro \u00e0 opini\u00e3o de Pi\u00f1uel y Zabala (2001) que afirma que a mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o costuma ser motivada principalmente pelos sentimentos de ci\u00fame, inveja, competi\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o da pessoa ou chegada ao local de trabalho de um novo elemento.<\/p>\n<p align=\"justify\">As consequ\u00eancias mais referidas pelas v\u00edtimas foram: sentimentos de inseguran\u00e7a, ansiedade, sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o, fracasso e impot\u00eancia, ins\u00f3nias e irritabilidade.<\/p>\n<p align=\"center\">Tabela 2: Sintomatologia associada ao mobbing<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table2\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Sintomas<\/td>\n<td>N<\/td>\n<td>%<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Sentimento de inseguran\u00e7a<\/td>\n<td>18<\/td>\n<td>69,23<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Ansiedade<\/td>\n<td>16<\/td>\n<td>61,54<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Ins\u00f3nias<\/td>\n<td>15<\/td>\n<td>57,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Sentimentos de frustra\u00e7\u00e3o, fracasso, e impot\u00eancia<\/td>\n<td>15<\/td>\n<td>57,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Irritabilidade<\/td>\n<td>13<\/td>\n<td>50,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Cefaleias<\/td>\n<td>12<\/td>\n<td>46,15<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Dificuldade na concentra\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>38,46<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Melancolia<\/td>\n<td>10<\/td>\n<td>38,46<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Taquicardia\/palpita\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td>7<\/td>\n<td>26,92<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Pesadelos<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>19,23<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Apatia<\/td>\n<td>5<\/td>\n<td>19,23<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Agressividade<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>15,38<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Fadiga cr\u00f3nica<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>15,38<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Medo acentuado e persistente<\/td>\n<td>4<\/td>\n<td>15,38<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Amn\u00e9sia<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>11,54<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Ideias suicidas<\/td>\n<td>3<\/td>\n<td>11,54<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Falta de apetite<\/td>\n<td>2<\/td>\n<td>7,69<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Dores musculares<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>3,85<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Sensa\u00e7\u00e3o de falta de ar<\/td>\n<td>1<\/td>\n<td>3,85<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Tonturas<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Perda de equil\u00edbrio<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>N\u00e1usea\/v\u00f3mitos<\/td>\n<td>0<\/td>\n<td>0,00<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Outros Sintomas<\/td>\n<td>2<\/td>\n<td>8,00<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">Os inquiridos assinalaram um a treze sintomas, com uma m\u00e9dia de 5.72 sintomas por sujeito (DP=3.22). Dois inquiridos j\u00e1 tiveram que recorrer uma vez a atestado m\u00e9dico.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Emo\u00e7\u00f5es mais frequentemente vivenciadas no local de trabalho<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Apenas 4.63% dos sujeitos em estudo, obtiveram uma tonalidade emocional negativa. Os dois sentimentos predominantes s\u00e3o: o sentir-se calmo (59,72%) e satisfeito (55,09%). Sabendo que 18,52% dos sujeitos afirma estar a ser v\u00edtima de mobbing, \u00e9 poss\u00edvel deduzir que na vida profissional das v\u00edtimas existem outros factores importantes que possibilitam o aumento de sentimentos positivos e que contribuem para o bem-estar na profiss\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Percep\u00e7\u00e3o do ambiente de trabalho<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">O ambiente de trabalho \u00e9\u00a0considerado pela maioria dos sujeitos como confort\u00e1vel e facilitador (46,26%) Existe tamb\u00e9m uma percentagem elevada de enfermeiros que considera o ambiente de trabalho como individualista e competitivo (28,04%). Inclusivamente, o ambiente competitivo \u00e9\u00a0 uma das principais causas de mobbing apontadas pelas v\u00edtimas.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p><strong>Associa\u00e7\u00e3o entre o mobbing e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">No que concerne \u00e0\u00a0rela\u00e7\u00e3o da escala ERIT com a escala LIPT-60, verificaram-se correla\u00e7\u00f5es estatisticamente significativas com a dimens\u00e3o sociabilidade. Este dado transmite a ideia de que quanto maior a sociabilidade do sujeito, menor ser\u00e1\u00a0o sofrimento de mobbing.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estes dados conjugam-se com a perspectiva de Luna (2003), que acredita que boas rela\u00e7\u00f5es entre os membros do grupo s\u00e3o um factor central da sa\u00fade pessoal e organizacional. Pelo contr\u00e1rio, rela\u00e7\u00f5es sem confian\u00e7a e sem apoio, pouco cooperativas ou predominantemente destrutivas podem produzir elevados n\u00edveis de tens\u00e3o entre os membros de um grupo ou organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em contrapartida, a outra dimens\u00e3o da escala ERIT, sentimento de si, n\u00e3o se apresenta correlacionada com a de LIPT-60, o que significa que o sentimento de si e o mobbing s\u00e3o independentes.<\/p>\n<p align=\"justify\">As subescalas satisfa\u00e7\u00e3o com o sal\u00e1rio e satisfa\u00e7\u00e3o com as promo\u00e7\u00f5es n\u00e3o se correlacionam com nenhuma das subescalas da LIPT-60. As subescalas satisfa\u00e7\u00e3o com as chefias, satisfa\u00e7\u00e3o com os colegas e satisfa\u00e7\u00e3o com a natureza do trabalho correlacionam-se com todas as subescalas da LIPT-60, excepto com a intimida\u00e7\u00e3o encoberta.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Com a realiza\u00e7\u00e3o deste estudo, verificou-se que apesar de quase um quinto da amostra referir ser alvo de ass\u00e9dio moral, os enfermeiros vivenciam, maioritariamente emo\u00e7\u00f5es de ordem positiva no local de trabalho. Na verdade, apenas 4,63% dos sujeitos apresentaram uma tonalidade emocional negativa quando avaliam o ambiente laboral, o que permite deduzir que a profiss\u00e3o tem fontes de satisfa\u00e7\u00e3o que possibilita aos sujeitos superarem grande parte das condutas de ass\u00e9dio. Estas fontes de satisfa\u00e7\u00e3o poder\u00e3o passar pela rela\u00e7\u00e3o com os pr\u00f3prios doentes ou com a qualidade de relacionamento interpessoal com alguns dos colegas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A maior parte das v\u00edtimas que t\u00eam consci\u00eancia afirmam n\u00e3o saber a causa concreta pela qual sofrem mobbing. Contudo, uma percentagem significativa aponta, como motivos, a inveja, o ci\u00fame ou a rivalidade dos colegas; o ambiente de trabalho competitivo; o n\u00e3o compactuar com chantagens ou servilismo; a solidariedade com outros colegas injusti\u00e7ados; uma gest\u00e3o autorit\u00e1ria; ou, ainda, uma forma deficiente de gerir conflitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">As consequ\u00eancias deste fen\u00f3meno s\u00e3o avassaladoras, pois em m\u00e9dia, cada pessoa que sofre mobbing indica cerca de seis queixas originadas por esse mal-estar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por \u00faltimo, considero ser necess\u00e1rio que todas as organiza\u00e7\u00f5es actuem de forma a evitar estes comportamentos, permitindo que as rela\u00e7\u00f5es interpessoais sejam uma fonte de satisfa\u00e7\u00e3o e bem-estar baseadas na considera\u00e7\u00e3o e respeito m\u00fatuos. Afinal, mesmo que possamos afirmar ser inc\u00f3lumes e superiores \u00e0quilo que os outros fazem ou pensam acerca de n\u00f3s, o certo, e como refere Gonz\u00e1lez de Rivera (2005), todos somos iguais no mais essencial, ou seja na condi\u00e7\u00e3o de seres humanos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">\u2022 Alkimin, M. (2005). Ass\u00e9dio Moral na Rela\u00e7\u00e3o de Emprego. Curitiba: Juru\u00e1 Editora.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Ap\u00f3stolo, J.; Loureiro, L. (2002). ERIT- Um instrumento para Avalia\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es Interpessoais no Trabalho. Revista Refer\u00eancia, n\u00ba 9, p. 5-10.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Barreto, M. (2003). Viol\u00eancia, Sa\u00fade e Trabalho: Uma jornada de humilha\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Editora da PUC-SP.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Carvalho, G. (2009). O mobbing nos enfermeiros. 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Recuperado em 6 de Maio, 2008, de: <a href=\"http:\/\/jus2.uol\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/jus2.uol<\/a>. <a href=\"http:\/\/com.br\/doutrina\/texto.asp?id=6173\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> com.br\/doutrina\/texto.asp?id=6173<\/a>.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Pacheco, M. (2007). O Ass\u00e9dio Moral no Trabalho: O Elo Mais Fraco. Coimbra: Edi\u00e7\u00f5es Almedina.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Pi\u00f1uel Y Zabala, I. (2001). Mobbing, la lenta y silenciosa alternativa al despido. Revista de la Asociaci\u00f3n Espa\u00f1ola de Direcci\u00f3n de Personal, 17, pp. 3-24.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Pi\u00f1uel Y Zabala, I. (2002). Un 15%\u00a0 de los trabajadores espa\u00f1oles son v\u00edctimas del mobbing. Revista Informativa Del Instituto Riojano de Salud Laboral, 2, pp. 4-5.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Pi\u00f1uel Y Zabala, I. (2003). Mobbing: como sobreviver ao ass\u00e9dio psicol\u00f3gico no trabalho. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Santos, M. (2006). Ass\u00e9dio Moral nas Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho. Monografia de Bacharel em Direito, Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubar\u00e3o, Brasil.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Siqueira, M. (1995). Antecedentes de comportamentos de cidadania organizacional: an\u00e1lise de um modelo p\u00f3s-cognitivo. Tese de Doutoramento. Universidade de Bras\u00edlia, Brasil.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u2022 Trombetta, T. (2005). Caracter\u00edsticas do Ass\u00e9dio Moral a Alunos-Trabalhadores nos seus Locais de Trabalho. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em psicologia. Centro de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas de Santa Catarina, Florian\u00f3polis, Brasil.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Bibliografia do Artigo:<\/strong><\/h4>\n<p>Jo\u00e3o, A. (2010). Mobbing, Rela\u00e7\u00f5es Interpessoais e Satisfa\u00e7\u00e3o Laboral, International Journal of\u00a0 Developmental Psychology, n\u00ba1, p. 399 &#8211; 406<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0pt; margin-bottom: 0pt;\" align=\"right\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mobbing no trabalho come\u00e7a inicialmente por uma mudan\u00e7a repentina na rela\u00e7\u00e3o entre o agressor e a pessoa que, a partir de ent\u00e3o, se vai converter no objecto de ass\u00e9dio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[334,706,703,705,704],"class_list":["post-1411","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-estudo","tag-laboral","tag-mobbing","tag-satisfacao","tag-satisfacao-laboral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1411"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2425,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1411\/revisions\/2425"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}