{"id":13856,"date":"2026-01-17T06:33:25","date_gmt":"2026-01-17T06:33:25","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/musica-nos-hospitais-faz-candy-esquecer-a-doenca-alegria-reforcada\/"},"modified":"2026-01-17T06:33:25","modified_gmt":"2026-01-17T06:33:25","slug":"musica-nos-hospitais-faz-candy-esquecer-a-doenca-alegria-reforcada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/musica-nos-hospitais-faz-candy-esquecer-a-doenca-alegria-reforcada\/","title":{"rendered":"M\u00fasica nos Hospitais faz Candy esquecer a doen\u00e7a. &#8220;Alegria refor\u00e7ada&#8221;"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Internada h\u00e1 15 dias na unidade de cuidados paliativos da Cl\u00ednica S\u00e3o Jo\u00e3o de \u00c1vila, em Lisboa, Candy Correia, que nasceu C\u00e2ndida h\u00e1 76 anos, mas n\u00e3o gosta do nome que herdou da av\u00f3, sabe que o cancro est\u00e1 a vencer, mas aceita &#8220;aquilo que vem&#8221; porque n\u00e3o \u00e9 &#8220;uma pessoa triste&#8221;.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>N\u00e3o tem dores, tem estado sempre medicada e est\u00e1 bem acompanhada, mas nada se compara ao efeito da m\u00fasica: &#8220;Traz-me uma alegria refor\u00e7ada. Ouvir estas can\u00e7\u00f5es, (&#8230;) esque\u00e7o completamente onde \u00e9 que estou, porque \u00e9 que estou&#8221;, diz, enquanto o som de Cinderela, de Carlos Pai\u00e3o, se afasta no corredor, a caminho do pr\u00f3ximo quarto.<\/p>\n<p>Joana Afonso e Rute Matias s\u00e3o apenas duas dos 18 m\u00fasicos intervenientes da M\u00fasica nos Hospitais, uma associa\u00e7\u00e3o de solidariedade fundada em 2006 e que leva a m\u00fasica aos servi\u00e7os pedi\u00e1tricos e cuidados paliativos em 10 hospitais, cl\u00ednicas e lares de idosos das \u00e1reas metropolitanas de Lisboa e Porto.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s vimos aqui para que as pessoas que aqui est\u00e3o, sejam utentes, sejam acompanhantes, cuidadores, sejam profissionais de sa\u00fade, m\u00e9dicos, enfermeiros, auxiliares, se lembrem de que s\u00e3o, acima de tudo, seres humanos&#8221;, diz Joana, que tem forma\u00e7\u00e3o musical em flauta transversal, mas tamb\u00e9m canta e toca guitarra e instrumentos de percuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Joana e Rute, formada em \u00f3rg\u00e3o, mas que escolhe a voz como o seu principal instrumento, circulam pela cl\u00ednica sempre a cantar e a tocar. A m\u00fasica raramente deixa de se ouvir durante as duas horas em que ali est\u00e3o.<\/p>\n<p>Consigo levam um carrinho cheio de instrumentos musicais, uns comprados, como a guitarra, a flauta transversal ou a harm\u00f3nica, outros feitos por elas com objetos comuns ou at\u00e9 material hospitalar.<\/p>\n<p>Bolas de pingue-pongue cheias servem de &#8216;shakers&#8217; para fazer percuss\u00e3o, uma seringa com buracos faz as vezes de flauta, garrafas de alum\u00ednio com n\u00edveis diferentes de gesso no interior emitem sons diferentes quando sopradas e radiografias abanadas imitam o som do vento.<\/p>\n<p>Enquanto cantam &#8220;Malmequer Pequenino&#8221;, de Am\u00e1lia Rodrigues, Joana e Rute v\u00e3o tocando diferentes instrumentos e passando alguns para as m\u00e3os dos utentes que se mostram mais abertos a experimentar.<\/p>\n<p>Com 74 anos, Alexandra Cortez pega nas baquetas e acompanha o ritmo da can\u00e7\u00e3o enquanto trauteia &#8220;Oh Laurindinha, vem \u00e0 janela&#8221;, contrariando &#8220;o malvado&#8221; do Parkinson que teima em &#8220;atingir tudo&#8221;.<\/p>\n<p>Alexandra diz que a m\u00fasica &#8220;realmente d\u00e1 vida&#8221; e a faz sentir que ainda \u00e9 algu\u00e9m.<\/p>\n<p>O impacto que Alexandra descreve deve-se a algo mais do que a m\u00fasica, explica a enfermeira S\u00edlvia Miguel.<\/p>\n<p>&#8220;O que elas fazem n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 m\u00fasica. Uma coisa \u00e9 a m\u00fasica ambiente que n\u00f3s colocamos&#8221;, outra \u00e9 o que fazem os m\u00fasicos intervenientes da M\u00fasica nos Hospitais.<\/p>\n<p>S\u00e3o profissionais com forma\u00e7\u00e3o e que trabalham coordenados com os profissionais de sa\u00fade, que percebem os gostos individualizados de cada doente, a sua hist\u00f3ria de vida, e fazem &#8220;uma interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o farmacol\u00f3gica&#8221; que ajuda a controlar a dor f\u00edsica, a ansiedade e transmite &#8220;uma leveza necess\u00e1ria&#8221;, descreve.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isto \u00e9 feito com muito rigor, apesar de, \u00e0 partida, muitas vezes estes projetos serem identificados como coisas muito leves, muito banais, que n\u00e3o s\u00e3o assim t\u00e3o cient\u00edficas quanto isso&#8221;.<\/p>\n<p>A enfermeira diz que os doentes j\u00e1 esperam a visita semanal dos m\u00fasicos e admite que seria bom se as interven\u00e7\u00f5es fossem mais frequentes e &#8220;um bocadinho mais alongadas&#8221;, at\u00e9 porque os m\u00fasicos intervenientes s\u00e3o vistos como parceiros pelos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;Fazem parte da equipa e fazem parte das estrat\u00e9gias que n\u00f3s utilizamos para chegar a um fim que sempre ser\u00e1 a dignidade, o conforto, a qualidade de vida&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar de todos serem m\u00fasicos com forma\u00e7\u00e3o, os 18 elementos da M\u00fasica nos Hospitais t\u00eam de passar por uma forma\u00e7\u00e3o de nove meses em que aprendem a n\u00e3o ser &#8220;corpos estranhos&#8221; nas unidades de sa\u00fade e a usar a m\u00fasica como ve\u00edculo para chegar \u00e0s pessoas e despertar emo\u00e7\u00f5es num &#8220;ambiente muito peculiar&#8221;, conta Joana.<\/p>\n<p>Tocar m\u00fasica num local onde se lida com a morte nem sempre \u00e9 bem recebido e por vezes a primeira rea\u00e7\u00e3o \u00e9 de estranheza, como se fosse desadequada a alegria naquele espa\u00e7o, admite S\u00edlvia Miguel.<\/p>\n<p>Rute Matias recorda uma doente que n\u00e3o queria m\u00fasica no seu quarto, sentia que n\u00e3o tinha motivos para estar feliz. &#8220;E n\u00f3s respeit\u00e1vamos, nem \u00edamos l\u00e1&#8221;, mas isso \u00e9 raro e &#8220;geralmente, a aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 quase plena&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s participar pela segunda vez numa interven\u00e7\u00e3o da M\u00fasica nos Hospitais desde que foi internada, Candy \u00e9 exemplo vivo dessa aceita\u00e7\u00e3o e pede \u00e0s m\u00fasicas que &#8220;repitam mais vezes&#8221;.<\/p>\n<p>Diz que gosta de m\u00fasica boa e dos fados de Coimbra e, embora ache que n\u00e3o tem boa voz, confessa que vai cantarolando &#8220;baixinho, que \u00e9 para que ningu\u00e9m perceba&#8221;.<\/p>\n<p>Na despedida, Candy aponta para o alto enquanto diz que daqui j\u00e1 vai para o c\u00e9u e, com a voz tr\u00e9mula, recita um fado que diz cantarolar para consigo: &#8216;Quando eu morrer, rosas brancas \/ Para mim ningu\u00e9m as corte \/ Quem as n\u00e3o teve na vida \/ Tamb\u00e9m as n\u00e3o quer na morte&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/pais\/2921094\/musica-nos-hospitais-faz-candy-esquecer-a-doenca-alegria-reforcada#utm_source=rss-ultima-hora&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=rssfeed\" class=\"info\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Leia na \u00edntegra em <b>Not\u00edcias ao Minuto<b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Internada h\u00e1 15 dias na unidade de cuidados paliativos da Cl\u00ednica S\u00e3o Jo\u00e3o de \u00c1vila, em Lisboa, Candy Correia, que nasceu C\u00e2ndida h\u00e1 76 anos, mas n\u00e3o gosta do nome [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13857,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1121],"tags":[],"class_list":["post-13856","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-profissao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13856","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13856"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13856\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}