{"id":1299,"date":"2010-05-12T01:10:39","date_gmt":"2010-05-12T01:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/planear-a-vigilancia-epidemiologica-das-infeccoes-associadas-aos-cuidados-de-saude\/"},"modified":"2021-05-04T09:34:42","modified_gmt":"2021-05-04T09:34:42","slug":"planear-a-vigilancia-epidemiologica-das-infeccoes-associadas-aos-cuidados-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/planear-a-vigilancia-epidemiologica-das-infeccoes-associadas-aos-cuidados-de-saude\/","title":{"rendered":"Planear a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica das infec\u00e7\u00f5es associadas aos cuidados de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">O objectivo final da vigil\u00e2ncia \u00e9 reduzir a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es relacionadas com os cuidados de sa\u00fade e garantir a qualidade dos cuidados<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Planear a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica das infec\u00e7\u00f5es associadas aos cuidados de sa\u00fade<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"line-height: 1.3em;\">Nursing n\u00ba 255<\/span><\/em><\/p>\n<h4><strong>Autores:<\/strong><\/h4>\n<p>Ana Cristina Geada<\/p>\n<p>Ana Lu\u00edsa Pedro<\/p>\n<p>Enfermeiras de Controlo de infec\u00e7\u00e3o<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>A vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica das infec\u00e7\u00f5es associadas aos cuidados de sa\u00fade \u00e9\u00a0uma componente fundamental para a sua preven\u00e7\u00e3o e controlo. Consiste na recolha, registo e an\u00e1lise sistem\u00e1tica de informa\u00e7\u00f5es sobre doentes e infec\u00e7\u00f5es, a fim de implementar medidas apropriadas de preven\u00e7\u00e3o e controlo destes eventos adversos. A responsabilidade da sua implementa\u00e7\u00e3o \u00e9 repartida entre o \u00d3rg\u00e3o de Gest\u00e3o da unidade de sa\u00fade, o Coordenador da Comiss\u00e3o de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o, o Enfermeiro de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o e os prestadores de cuidados directos. Saber como planear e quais as fontes de informa\u00e7\u00e3o que t\u00eam que ser garantidas, s\u00e3o a chave para o sucesso.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong>\u00a0Vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica; infec\u00e7\u00f5es associadas aos cuidados de sa\u00fade; comiss\u00e3o de controlo de infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p>The surveillance of healthcare-associated infections is one basic component for its prevention and control. It consists in the collecting, register and systematic analysis of information on diseases and infections, in order to implement measured appropriate for prevention and control of these adverse events. The responsibility of its implementation is shared between the Manager of the health institution, the Coordinator of the Infection Control Commission, the Infection Control Nurses and the health care professionals .To know who to plan and what sources of information must be guaranteed, are the key for success.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong>\u00a0Surveillance; healthcare-associated infections; infection control commission.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica (VE) das infec\u00e7\u00f5es associadas aos cuidados de sa\u00fade \u00e9 uma componente fundamental para a sua preven\u00e7\u00e3o e controlo nas unidades de sa\u00fade. A vigil\u00e2ncia por defini\u00e7\u00e3o \u00e9 a recolha, registo, an\u00e1lise, interpreta\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de dados relativos a doentes e infec\u00e7\u00f5es, processos ou eventos adversos n\u00e3o infecciosos, a fim de se implementar medidas apropriadas de preven\u00e7\u00e3o e controlo. \u00c9 uma actividade cont\u00ednua, activa, sistem\u00e1tica ou peri\u00f3dica desenvolvida pelos profissionais que integram as Comiss\u00f5es de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o (CCI). Actualmente, a metodologia considerada de maior efic\u00e1cia consiste na implementa\u00e7\u00e3o de uma vigil\u00e2ncia selectiva, incidindo nas infec\u00e7\u00f5es mais frequentes, com maior morbilidade e mortalidade, com custos mais elevados ou nas infec\u00e7\u00f5es onde a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel (relacionadas com procedimentos e estruturas). Os dados da vigil\u00e2ncia podem ser utilizados para descrever a epidemiologia de infec\u00e7\u00f5es seleccionadas ou resultados adversos numa institui\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m quando se desenvolvem e avaliam iniciativas de melhoria de desempenho. O objectivo final da vigil\u00e2ncia \u00e9 reduzir a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es relacionadas com os cuidados de sa\u00fade e garantir a qualidade dos cuidados.<\/p>\n<h4><strong>Enquadramento legal<\/strong><\/h4>\n<p>Consciente da import\u00e2ncia e dos recursos necess\u00e1rios para desenvolver esta actividade, a Direc\u00e7\u00e3o-Geral de Sa\u00fade (DGS) refor\u00e7ou o seu despacho publicado no DR-II s\u00e9rie n\u00ba 246 \u2013 23-10-1996<sup>1<\/sup> (cria\u00e7\u00e3o de CCI\u2019s nas unidades de sa\u00fade) com a Circular Normativa n\u00ba18\/DSQC\/DSC de 15-10-2007<sup>2<\/sup> sobre a constitui\u00e7\u00e3o e operacionaliza\u00e7\u00e3o das CCI\u2019s em todas as unidades de sa\u00fade p\u00fablicas ou privadas. Este refor\u00e7o tamb\u00e9m teve o objectivo de garantir a dota\u00e7\u00e3o de profissionais nas CCI\u2019s para implementar o Plano Operacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controlo de Infec\u00e7\u00e3o (POPCI) do Programa Nacional de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o (PNCI). Segundo esta circular, a CCI deve ser dotada de recursos humanos e log\u00edsticos necess\u00e1rios ao cumprimento do programa de preven\u00e7\u00e3o e controlo de infec\u00e7\u00e3o, cujas vertentes essenciais s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica (estruturas, processos e resultados);<\/li>\n<li>Elabora\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o do cumprimento de normas e recomenda\u00e7\u00f5es de pr\u00e1ticas de preven\u00e7\u00e3o e controlo de infec\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o a profissionais, utentes e visitantes;<\/li>\n<li>Consultadoria e apoio.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Assim, o planeamento e implementa\u00e7\u00e3o da vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica numa unidade de sa\u00fade \u00e9 uma atribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da CCI que deve estar de acordo com as necessidades da unidade de sa\u00fade e com os programas de vigil\u00e2ncia preconizados pelo PNCI. Cabe ao \u00d3rg\u00e3o de Gest\u00e3o<sup>3<\/sup> da unidade de sa\u00fade a responsabilidade de apoiar e aprovar o programa de preven\u00e7\u00e3o e controlo de infec\u00e7\u00e3o proposto pela CCI e dotar a mesma de recursos humanos, f\u00edsicos e financeiros adequados ao seu cumprimento.<\/p>\n<h4><strong>Organizar e Planear a Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica<\/strong><\/h4>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o e planeamento do programa de vigil\u00e2ncia \u00e9 uma responsabilidade partilhada entre o Coordenador e o Enfermeiro de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o. As fun\u00e7\u00f5es destes profissionais est\u00e3o descritas no anexo 2 \u2013 Regulamento das CCIs do Manual de Operacionaliza\u00e7\u00e3o<sup>4<\/sup> da DGS, das quais se destacam:<\/p>\n<ul>\n<li>Colabora\u00e7\u00e3o no planeamento e implementa\u00e7\u00e3o dos programas de VE propostos pela DGS e outras ac\u00e7\u00f5es de VE consideradas necess\u00e1rias na unidade de sa\u00fade.<\/li>\n<li>Detectar casos de infec\u00e7\u00e3o em articula\u00e7\u00e3o com o Laborat\u00f3rio de Patologia Cl\u00ednica, com os Servi\u00e7os Farmac\u00eauticos e com os interlocutores ou membros dinamizadores em cada \u00e1rea funcional.<\/li>\n<li>Colaborar na investiga\u00e7\u00e3o e controlo de surtos em articula\u00e7\u00e3o com os restantes membros da CCI.<\/li>\n<li>Identificar necessidades de interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da VE e apresentar propostas para a sua implementa\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Um programa de vigil\u00e2ncia deve ter como principais objectivos:<\/p>\n<ul>\n<li>Melhorar a qualidade dos cuidados de sa\u00fade.<\/li>\n<li>Implementar estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o dos eventos adversos.<\/li>\n<li>Reduzir as taxas de infec\u00e7\u00e3o associada aos cuidados de sa\u00fade.<\/li>\n<li>Reduzir os seus custos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para atingir estes objectivos \u00e9\u00a0necess\u00e1rio promover uma cultura organizacional e criar uma sensibilidade nos profissionais sobre a problem\u00e1tica das infec\u00e7\u00f5es, incluindo administradores, para que entendam as medidas de preven\u00e7\u00e3o e controlo das infec\u00e7\u00f5es ou outras medidas de desempenho. O recurso \u00e0s outras vertentes do programa (elabora\u00e7\u00e3o de normas e recomenda\u00e7\u00f5es e forma\u00e7\u00e3o) s\u00e3o essenciais e \u00fateis para a promo\u00e7\u00e3o da cultura organizacional.<\/p>\n<p>O programa de vigil\u00e2ncia da unidade de sa\u00fade pode ser constitu\u00eddo por:<\/p>\n<ul>\n<li>Vigil\u00e2ncia de resultados \u2013 geralmente relacionados com a morbilidade, mortalidade ou custos (p.ex: infec\u00e7\u00e3o nosocomial, morte ou dias de internamento); permite monitorizar a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es mais frequentes (infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria, urin\u00e1ria, da corrente sangu\u00ednea, cirurgia), calcular as taxas de infec\u00e7\u00e3o e identificar \u00e1reas potenciais de melhoria;<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia de processos \u2013 relacionada com as pr\u00e1ticas e procedimentos realizados na unidade que influenciam as taxas obtidas atrav\u00e9s da vigil\u00e2ncia de resultados, como por exemplo, cumprimento das precau\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas e de isolamento, cuidados apropriados na inser\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o dos dispositivos invasivos (algalia\u00e7\u00e3o, dispositivos intravasculares, ventila\u00e7\u00e3o assistida); prepara\u00e7\u00e3o do doente cir\u00fargico; pr\u00e1ticas de descontamina\u00e7\u00e3o de material e equipamentos \u2026.<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia e investiga\u00e7\u00e3o de clusters ou surtos;<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia e notifica\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as de declara\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria para DGS\/ Administra\u00e7\u00e3o Regional de Sa\u00fade (ARS);<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia de microrganismos e doen\u00e7as epidemiologicamente importantes (microrganismos multi-resistentes, tuberculose\u2026) e prevenir ou controlar a sua dissemina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nas organiza\u00e7\u00f5es de maiores dimens\u00f5es \u00e9\u00a0recomendado planear a vigil\u00e2ncia de resultados complementada com a vigil\u00e2ncia de processos. Esta monitoriza\u00e7\u00e3o se \u00e9 cont\u00ednua e sistem\u00e1tica permite avaliar a efic\u00e1cia das medidas de preven\u00e7\u00e3o e controlo. Em organiza\u00e7\u00f5es pequenas, algumas infec\u00e7\u00f5es ocorrem com t\u00e3o pouca frequ\u00eancia que o c\u00e1lculo de taxas n\u00e3o \u00e9 significativo. Nestas organiza\u00e7\u00f5es a vigil\u00e2ncia de processo pode fornecer informa\u00e7\u00e3o mais \u00fatil.<\/p>\n<h4><strong>Seleccionar a abordagem da vigil\u00e2ncia<\/strong><\/h4>\n<p>A abordagem da vigil\u00e2ncia pode ser total (abrangendo todas as infec\u00e7\u00f5es adquiridas na unidade de sa\u00fade), dirigida a uma infec\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, baseada em identifica\u00e7\u00e3o de surtos, dirigida por prioridades ou uma combina\u00e7\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>Segundo o Manual de Operacionaliza\u00e7\u00e3o<sup>4<\/sup> a vigil\u00e2ncia total das infec\u00e7\u00f5es foi abandonada nos pa\u00edses europeus h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada por constrangimentos de diversa ordem, como por exemplo, consumia muito tempo, recursos humanos e a sua efic\u00e1cia mostrou-se duvidosa. Actualmente, \u00e9 recomendado que o programa de vigil\u00e2ncia seja dirigido, adaptado \u00e0 dimens\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o e a outras especificidades consideradas relevantes. A Vigil\u00e2ncia dirigida deve incidir nos doentes de maior risco de infec\u00e7\u00e3o (imunodeprimidos, idosos, rec\u00e9m-nascidos, doentes cir\u00fargicos, doentes submetidos a terap\u00eauticas e t\u00e9cnicas de diagn\u00f3stico invasivas), nas infec\u00e7\u00f5es mais graves (as de maior morbilidade e mortalidade, tais como as infec\u00e7\u00f5es da corrente sangu\u00ednea e pneumonia), nas infec\u00e7\u00f5es evit\u00e1veis (relacionadas com procedimentos e estruturas) e em unidades espec\u00edficas (Unidades de Cuidados Intensivos Polivalentes ou neonatais, Unidades de Hemodi\u00e1lise).<\/p>\n<p>\u00c9 essencial a exist\u00eancia de protocolos que permitam seguir uma defini\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o e uma interpreta\u00e7\u00e3o uniforme dos casos a estudar. Sempre que poss\u00edvel, devem ser seguidos os protocolos preconizados pela DGS e contribuir para a monitoriza\u00e7\u00e3o das infec\u00e7\u00f5es a n\u00edvel nacional. As unidades de sa\u00fade podem desta forma comparar os seus dados com os dados nacionais ou com unidades similares. Outros protocolos podem ser utilizados tendo como refer\u00eancia institui\u00e7\u00f5es reconhecidas a n\u00edvel nacional ou internacionais. O importante \u00e9 que todos os intervenientes no processo de vigil\u00e2ncia compreendam e sigam o mesmo protocolo.<\/p>\n<p>Os protocolos disponibilizados pela DGS e que \u00e9 recomendado as unidades de sa\u00fade adoptarem, s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>HELICS \u2013 UCI (Unidades de Cuidados Intensivos);<\/li>\n<li>HELICS \u2013 cirurgia;<\/li>\n<li>Infec\u00e7\u00e3o nas UCI \u2013 rec\u00e9m-nascidos;<\/li>\n<li>Eventos em di\u00e1lise;<\/li>\n<li>Infec\u00e7\u00f5es nosocomiais da corrente sangu\u00ednea;<\/li>\n<li>HELICS III &#8211; Inqu\u00e9rito de Preval\u00eancia de Infec\u00e7\u00e3o Nosocomial de \u00c2mbito Nacional.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A adop\u00e7\u00e3o destes protocolos tem vantagens porque as defini\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia de infec\u00e7\u00e3o e a recolha dos dados est\u00e3o padronizadas. Nalguns casos \u00e9 facultado o acesso a plataformas inform\u00e1ticas para introdu\u00e7\u00e3o de dados com emiss\u00e3o de relat\u00f3rios. Este facto facilita o c\u00e1lculo de taxas, a an\u00e1lise, a interpreta\u00e7\u00e3o de dados e consequentemente a elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio a desenvolver pela CCI.<\/p>\n<p>As CCI\u2019s podem optar por fazer uma abordagem combinada que v\u00e1 de encontro \u00e0s necessidades da institui\u00e7\u00e3o e das orienta\u00e7\u00f5es nacionais. Por exemplo, o programa pode combinar as seguintes abordagens:<\/p>\n<ul>\n<li>Vigil\u00e2ncia baseada no laborat\u00f3rio para agentes resistentes aos antibi\u00f3ticos seleccionados como o Staphylococcus aureus meticilina-resistente (MRSA) e Enterococcus vancomicina-resistente (VRE);<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia dirigida a infec\u00e7\u00f5es associadas a dispositivos invasivos em unidades de cuidados a doentes cr\u00edticos e infec\u00e7\u00e3o do local cir\u00fargico;<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia rotativa com estudos de preval\u00eancia (ex: HELICS III- DGS);<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia de surtos identificando e reportando clusters de infec\u00e7\u00e3o em toda a institui\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes programas devem ser reavaliados periodicamente com uma frequ\u00eancia pelo menos anual.<\/p>\n<h4><strong>Etapas de desenvolvimento do programa de VE<\/strong><\/h4>\n<p>As CCIs t\u00eam de conhecer a institui\u00e7\u00e3o onde exercem fun\u00e7\u00f5es, sendo fundamental ter acesso a boas fontes de informa\u00e7\u00e3o, de modo a dar in\u00edcio ao processo de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica<sup>5<\/sup> (Fig.1). Durante o planeamento do programa devemos ter presente que ele deve responder a quest\u00f5es simples, tais como: quais s\u00e3o as infec\u00e7\u00f5es mais frequentes na nossa unidade de sa\u00fade? Quais os microrganismos causais? Quais as suas resist\u00eancias aos antibi\u00f3ticos mais prescritos na institui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>As etapas do planeamento da vigil\u00e2ncia s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Avaliar a popula\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Avaliar os recursos dispon\u00edveis para a vigil\u00e2ncia (humanos, materiais, log\u00edsticos, fontes de informa\u00e7\u00e3o\u2026);<\/li>\n<li>Seleccionar os resultados (taxas) e\/ou indicadores de processo de interesse;<\/li>\n<li>Determinar o m\u00e9todo de vigil\u00e2ncia, incluindo a an\u00e1lise de dados;<\/li>\n<li>Desenvolver um plano para utilizar os dados da vigil\u00e2ncia, incluindo integra\u00e7\u00e3o em iniciativas de melhoria de desempenho;<\/li>\n<li>Avaliar o sistema de vigil\u00e2ncia periodicamente para assegurar a sua efic\u00e1cia e efici\u00eancia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O planeamento da vigil\u00e2ncia nem sempre \u00e9\u00a0precedido por esta ordem sequencial. Contudo, todas estas pr\u00e1ticas devem ser incorporadas em cada plano de vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o inclui analisar as caracter\u00edsticas da popula\u00e7\u00e3o servida na institui\u00e7\u00e3o. Deve-se desenvolver esfor\u00e7os para saber quais os diagn\u00f3sticos mais frequentes e a popula\u00e7\u00e3o de maior risco de infec\u00e7\u00e3o, o tipo de servi\u00e7os que s\u00e3o prestados, o tipo e volume de procedimentos invasivos (cir\u00fargicos, terap\u00eauticos ou de diagn\u00f3stico) e aspectos relativos \u00e0 sa\u00fade na comunidade.<\/p>\n<p>Simultaneamente, \u00e9 necess\u00e1rio identificar as fontes de informa\u00e7\u00e3o existentes na institui\u00e7\u00e3o ou mesmo no exterior. Por exemplo, numa unidade hospitalar podemos recorrer aos registos cl\u00ednicos e de enfermagem\/codifica\u00e7\u00e3o do GDHs (Grupos de Diagn\u00f3stico Homog\u00e9neos), aos Servi\u00e7os Financeiros, \u00e0 Gest\u00e3o de Doentes, \u00e0 Gest\u00e3o de Risco, ao Servi\u00e7o de Sa\u00fade Ocupacional ou \u00e0 ARS da \u00e1rea de refer\u00eancia. No entanto, a sua operacionaliza\u00e7\u00e3o vai sempre depender dos recursos existentes e do acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, a identifica\u00e7\u00e3o das infec\u00e7\u00f5es mais graves, dos procedimentos de maior risco e agentes mais comuns, a CCI deve utilizar estas informa\u00e7\u00f5es para estabelecer as prioridades de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica da unidade de sa\u00fade.<\/p>\n<h4><strong>Fontes de informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Os profissionais de controlo de infec\u00e7\u00e3o precisam de ter boas fontes de informa\u00e7\u00e3o para obter dados rigorosos para o numerador e denominador das taxas de infec\u00e7\u00e3o. Os dados do numerador fornecem informa\u00e7\u00e3o dos doentes relativa a um resultado de infec\u00e7\u00e3o ou a um indicador de processo; os dados do denominador fornecem informa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de doentes em estudo (seja do total de doentes ou de uma popula\u00e7\u00e3o alvo). A qualidade dos dados do numerador \u00e9 directamente proporcional \u00e0 sua sensibilidade (ie, identificar o maior n\u00famero poss\u00edvel de infec\u00e7\u00f5es verdadeiras) e \u00e0 sua especificidade (ie, excluir os doentes que n\u00e3o est\u00e3o realmente infectados). Se poss\u00edvel, os profissionais devem efectuar a vigil\u00e2ncia de forma prospectiva e seleccionar as fontes de informa\u00e7\u00e3o que forne\u00e7am dados atempadamente, ou seja, que identifiquem os casos enquanto os doentes est\u00e3o internados. Os dados colhidos prospectivamente s\u00e3o habitualmente mais exactos e permitem a valida\u00e7\u00e3o dos casos de infec\u00e7\u00e3o. As fontes que identificam os doentes retrospectivamente dependem exclusivamente do tipo e qualidade dos registos.<\/p>\n<p>Os dados a recolher podem ser obtidos atrav\u00e9s de v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00e3o:<br \/>\n1. Baseadas nos doentes<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os de presta\u00e7\u00e3o de cuidados s\u00e3o o local onde a riqueza de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, pois \u00e9 a\u00ed que se encontra o doente, o profissional e o procedimento que poder\u00e1 constituir risco de infec\u00e7\u00e3o. A revis\u00e3o dos registos cl\u00ednicos e de enfermagem durante visitas de rotina \u00e9 talvez o m\u00e9todo mais sens\u00edvel de identificar casos, mas \u00e9 tamb\u00e9m o que requer mais recursos humanos.<\/p>\n<p>Alguns profissionais de controlo de infec\u00e7\u00e3o utilizam os registos de enfermagem, ou actualmente o plano de cuidados informatizado, como o primeiro passo para identificar doentes em que \u00e9 necess\u00e1rio uma vigil\u00e2ncia peri\u00f3dica de sinais e sintomas de infec\u00e7\u00e3o (ex: doentes com cateter central ou alg\u00e1lia, doentes com pensos, doentes sob terapia antimicrobiana). Nestes locais \u00e9 determinante a exist\u00eancia dos elementos dinamizadores<sup>4<\/sup> (m\u00e9dicos e enfermeiros) como agentes facilitadores na recolha de dados. Estes elementos s\u00e3o um canal de comunica\u00e7\u00e3o bidireccional, entre a CCI e o servi\u00e7o de internamento, que pode ser utilizado para comunica\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es pouco habituais, de suspeita ou de diagn\u00f3stico confirmado de infec\u00e7\u00e3o, ou ainda, para colabora\u00e7\u00e3o no preenchimento de instrumentos de registo necess\u00e1rios \u00e0 vigil\u00e2ncia. Devem ser seleccionados os profissionais com sensibilidade para esta \u00e1rea, com facilidade de comunica\u00e7\u00e3o, disponibilidade de realizar forma\u00e7\u00e3o em servi\u00e7o, e ao mesmo tempo serem uma refer\u00eancia para os pares.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o dos profissionais que colaboram nas actividades de vigil\u00e2ncia \u00e9 fundamental para aumentar o rigor dos dados recolhidos. A forma\u00e7\u00e3o deve incidir sobre os m\u00e9todos de preenchimento dos formul\u00e1rios, as vari\u00e1veis a colher espec\u00edficas para cada objectivo de vigil\u00e2ncia, a defini\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00e3o, registo da presen\u00e7a de dispositivos ou procedimentos que se sabe terem risco de infec\u00e7\u00e3o (algalia\u00e7\u00e3o, cateteres intravasculares, ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica, procedimentos cir\u00fargicos); febre ou outros sinais cl\u00ednicos indicadores de infec\u00e7\u00e3o locais ou sist\u00e9micos; prescri\u00e7\u00e3o de antimicrobianos; exames complementares de diagn\u00f3stico; revis\u00e3o do processo cl\u00ednico (m\u00e9dico e de enfermagem).<\/p>\n<p>Estas orienta\u00e7\u00f5es devem ser claras, objectivas, compreendidas por todos os elementos envolvidos e estarem acess\u00edveis para consulta.<\/p>\n<p>2. Baseadas no laborat\u00f3rio<\/p>\n<p>O Laborat\u00f3rio de Microbiologia deve fornecer diariamente todos os resultados positivos. A CCI pode utilizar esta fonte de informa\u00e7\u00e3o para monitorizar o isolamento de microrganismos potencialmente associados a infec\u00e7\u00e3o, padr\u00f5es de resist\u00eancia a antimicrobianos, detec\u00e7\u00e3o de surtos\/clusters de infec\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o de portadores cr\u00f3nicos e monitoriza\u00e7\u00e3o de testes serol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>A sensibilidade da vigil\u00e2ncia baseada apenas nos resultados do laborat\u00f3rio de microbiologia \u00e9 baixa devido a v\u00e1rios factores: n\u00e3o s\u00e3o requisitados exames microbiol\u00f3gicos para todos os doentes com suspeita de infec\u00e7\u00e3o; as amostras enviadas podem n\u00e3o ser as apropriadas; as condi\u00e7\u00f5es de transporte podem n\u00e3o ser as ideais; alguns agentes patog\u00e9nicos (p.ex., v\u00edrus) podem n\u00e3o ser isolados; e, o isolamento de um agente patog\u00e9nico pode representar coloniza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o infec\u00e7\u00e3o (p.ex., em exsudados de feridas, pontas de cateter, exsudado nasal).<\/p>\n<p>Os resultados do laborat\u00f3rio s\u00e3o fi\u00e1veis para as situa\u00e7\u00f5es em que as defini\u00e7\u00f5es de infec\u00e7\u00e3o s\u00e3o essencialmente microbiol\u00f3gicas: infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias, infec\u00e7\u00f5es da corrente sangu\u00ednea e microrganismos multi-resistentes.<\/p>\n<p>3. Baseadas noutros servi\u00e7os<\/p>\n<p>Dependendo da \u00e1rea de VE escolhida existem outros servi\u00e7os que fornecem dados importantes (tabela 1) que podem ser utilizados para: monitoriza\u00e7\u00e3o de consumos de antibi\u00f3ticos (Farm\u00e1cia), monitoriza\u00e7\u00e3o do n\u00famero de doentes admitidos, dias de internamento e resultado do internamento (Gest\u00e3o de Doentes), monitoriza\u00e7\u00e3o de profissionais com infec\u00e7\u00e3o adquirida na unidade de sa\u00fade (Servi\u00e7o de Sa\u00fade Ocupacional), monitoriza\u00e7\u00e3o da proveni\u00eancia dos doentes com infec\u00e7\u00e3o da comunidade (Servi\u00e7o de Urg\u00eancia), confirma\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos de infec\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de exames complementares de diagn\u00f3stico (Imagiologia, Anatomia Patol\u00f3gica), monitoriza\u00e7\u00e3o dos sistemas de ventila\u00e7\u00e3o e da \u00e1gua de consumo (Servi\u00e7os de Instala\u00e7\u00f5es e Equipamentos).<\/p>\n<p>4. Discuss\u00e3o de casos<\/p>\n<p>As vistas peri\u00f3dicas \u00e0s enfermarias e as discuss\u00f5es de casos com os profissionais permitem partilhar ideias, retirar d\u00favidas para confirma\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico de infec\u00e7\u00e3o, implementar precocemente medidas adicionais de conten\u00e7\u00e3o\/protec\u00e7\u00e3o do doente e uniformizar o conhecimento com interioriza\u00e7\u00e3o dos termos utilizados entre os participantes. S\u00e3o momentos de grande partilha de informa\u00e7\u00e3o com garantia da melhoria da qualidade dos dados, fundamentais para uma vigil\u00e2ncia rigorosa e atempada.<\/p>\n<h4><strong>Dados m\u00ednimos a colher<\/strong><\/h4>\n<p>As taxas de infec\u00e7\u00e3o s\u00e3o\u00a0a propor\u00e7\u00e3o entre infec\u00e7\u00f5es ou doentes com infec\u00e7\u00e3o (numerador) e a popula\u00e7\u00e3o em estudo ou a exposi\u00e7\u00e3o a factores de risco de infec\u00e7\u00e3o (denominador). Existem dados m\u00ednimos a registar tanto para o numerador como para o denominador.<\/p>\n<h4><strong>Numerador<\/strong><\/h4>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o a recolher deve incluir dados relativos a todos os doentes (com ou sem infec\u00e7\u00e3o) ou dados relativos aos epis\u00f3dios de infec\u00e7\u00e3o. As vari\u00e1veis m\u00ednimas necess\u00e1rias para o estudo individual de cada caso s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Dados administrativos (p.ex., n\u00ba do processo, n\u00ba da cama, servi\u00e7o, data de admiss\u00e3o\/alta, resultado do internamento);<\/li>\n<li>Dados demogr\u00e1ficos (p.ex., idade, sexo, gravidade da doen\u00e7a de base, diagn\u00f3stico de admiss\u00e3o, estadoimunol\u00f3gico)<\/li>\n<li>Exposi\u00e7\u00e3o a factores de risco (p.ex., cateter venoso central, alg\u00e1lia, entuba\u00e7\u00e3o endotraqueal\/ventila\u00e7\u00e3o assistida, cirurgia);<\/li>\n<li>Terap\u00eautica imunossupressora (antibi\u00f3ticos, cortic\u00f3ides, quimioterapia)<\/li>\n<li>Presen\u00e7a ou aus\u00eancia de infec\u00e7\u00e3o: data de in\u00edcio, local da infec\u00e7\u00e3o, microrganismos isolados e susceptibilidade a antimicrobianos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Devem ser seguidas as orienta\u00e7\u00f5es completas para a colheita de dados definidas no protocolo. Estas orienta\u00e7\u00f5es devem incluir:<\/p>\n<ul>\n<li>Crit\u00e9rios de inclus\u00e3o de doentes;<\/li>\n<li>Defini\u00e7\u00f5es precisas para cada vari\u00e1vel a ser colhida (e n\u00e3o apenas as defini\u00e7\u00f5es para as infec\u00e7\u00f5es);<\/li>\n<li>Lista de c\u00f3digos para cada vari\u00e1vel, incluindo c\u00f3digos espec\u00edficos (s\u00e3o \u00fateis para treinar os codificadores, quando utilizados).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Normalmente estes dados constam num formul\u00e1rio individual (Fig.2) e o doente \u00e9 monitorizado durante todo o per\u00edodo de internamento. As altera\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas nos sistemas de sa\u00fade com a progressiva redu\u00e7\u00e3o da demora m\u00e9dia vieram aumentar a import\u00e2ncia da articula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o com a comunidade para a detec\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es nosocomiais que se podem manifestar no per\u00edodo ap\u00f3s alta (p.ex., para as infec\u00e7\u00f5es do local cir\u00fargico).<\/p>\n<h4><strong>Fontes do denominador<\/strong><\/h4>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o do denominador \u00e9 essencial para o c\u00e1lculo das taxas de infec\u00e7\u00e3o. O denominador deve reflectir com rigor a popula\u00e7\u00e3o em estudo e ser padronizado de forma a permitir compara\u00e7\u00f5es intra e inter-hospitalares.<\/p>\n<p>A obten\u00e7\u00e3o de dados do denominador depende dos registos acess\u00edveis na institui\u00e7\u00e3o (dias de internamento, doentes admitidos, tipos de cirurgia) ou do recurso a elementos dinamizadores para se obter o \u00edndice de exposi\u00e7\u00e3o a factores de risco (p.ex: n\u00ba de dias de cateteriza\u00e7\u00e3o venosa central, n\u00ba de dias de algalia\u00e7\u00e3o, n\u00ba de dias de ventila\u00e7\u00e3o assistida).<\/p>\n<p>O protocolo do PNCI das Infec\u00e7\u00f5es Nosocomiais da Corrente Sangu\u00ednea inclui uma folha de registo individual (numerador) que identifica o epis\u00f3dio de infec\u00e7\u00e3o, e uma folha tipo calend\u00e1rio, de preenchimento di\u00e1rio pelo elemento dinamizador, onde se regista o n\u00famero de doentes com dispositivos invasivos (denominador). S\u00f3 com estes dados \u00e9 poss\u00edvel calcular a taxa de INCS relacionadas com cateter venoso central (CVC).<\/p>\n<p><strong>Valida\u00e7\u00e3o dos dados<\/strong><\/p>\n<p>Estabelecer um sistema de valida\u00e7\u00e3o dos dados \u00e9 uma forma de garantir o seu rigor e permitir compara\u00e7\u00f5es significativas. A valida\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo cont\u00ednuo que tem o objectivo de verificar o correcto preenchimento das fichas e se as defini\u00e7\u00f5es do protocolo foram correctamente aplicadas.<\/p>\n<p>A valida\u00e7\u00e3o pode ser efectuada antes da introdu\u00e7\u00e3o dos dados numa base inform\u00e1tica. Deve ser efectuada uma valida\u00e7\u00e3o retrospectiva a fim de identificar os dados em falta, inconsist\u00eancias, valores extremos\/erros poss\u00edveis, valores ou c\u00f3digos inesperados. A valida\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o das defini\u00e7\u00f5es do protocolo, realizada por um segundo elemento, \u00e9 considerada o processo ideal. Neste contexto, \u00e9 importante ficar definido quem ir\u00e1 realizar esta tarefa.<\/p>\n<p>No caso de se utilizar uma plataforma inform\u00e1tica para a recolha de dados, a aplica\u00e7\u00e3o deve incluir controlo de erros de digita\u00e7\u00e3o e cada vari\u00e1vel deve ser codificada de acordo com o protocolo.<\/p>\n<p><strong>Computadores e software<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 recomend\u00e1vel ter computadores e dispor de um sistema informatizado na unidade de sa\u00fade para iniciar VE, pois permite um r\u00e1pido acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mais possibilidades no tratamento dos dados e rentabiliza o tempo e recursos. Para facilitar a recolha de dados a CCI deve ter acessibilidade \u00e0s bases de dados existentes (laborat\u00f3rio, bloco operat\u00f3rio, gest\u00e3o de doentes, farm\u00e1cia, registos cl\u00ednicos\/ enfermagem\u2026).<\/p>\n<p>Existem actualmente no mercado softwares especificamente criados com o objectivo de serem uma ferramenta de trabalho para as CCI\u2019s. Estes softwares re\u00fanem os dados de v\u00e1rias fontes de informa\u00e7\u00e3o criando bases de dados espec\u00edficas de acordo com as prioridades de vigil\u00e2ncia estabelecidas. A utiliza\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es inform\u00e1ticas permite a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados mais r\u00e1pida e melhoram a qualidade dos dados.<\/p>\n<p><strong>Planear o relat\u00f3rio e a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio \u00e9\u00a0 o produto final de cada actividade de VE. O seu objectivo \u00e9 divulgar os resultados da vigil\u00e2ncia, consciencializar\/motivar os profissionais e influenciar a sua pr\u00e1tica. O impacto ser\u00e1 tanto maior quanto mais se limitar a um objectivo muito espec\u00edfico direccionando para as pr\u00e1ticas que se pretende influenciar.<\/p>\n<p>\u00c9 importante programar o tempo de elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio e planear a quem, como e quando se vai enviar. Dependendo do n\u00edvel de compet\u00eancias adquiridas pelos profissionais das CCI\u2019s pode ser necess\u00e1rio solicitar a colabora\u00e7\u00e3o de um Estat\u00edstico ou Epidemiologista para a an\u00e1lise estat\u00edstica dos dados. Logo ap\u00f3s a an\u00e1lise e tabula\u00e7\u00e3o dos dados, o relat\u00f3rio para ser eficaz tem de ser produzido em tempo \u00fatil. \u00c9 recomend\u00e1vel n\u00e3o distanciar a elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio do fim do per\u00edodo de vigil\u00e2ncia, de modo a ser consequente na influ\u00eancia do comportamento dos profissionais.<\/p>\n<p>A estrutura\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio deve incluir:<\/p>\n<ul>\n<li>Introdu\u00e7\u00e3o breve;<\/li>\n<li>M\u00e9todo de vigil\u00e2ncia (resumo);<\/li>\n<li>Descri\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Resultados;<\/li>\n<li>An\u00e1lise estat\u00edstica;<\/li>\n<li>Discuss\u00e3o\/Conclus\u00f5es;<\/li>\n<li>Recomenda\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>Plano de (re)avalia\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Pode, por vezes, ser necess\u00e1rio elaborar mais do que um relat\u00f3rio de forma a adaptar a informa\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa a quem se dirige (p.ex; \u00d3rg\u00e3o de Gest\u00e3o, Respons\u00e1veis pelas unidades funcionais ou profissionais de determinada \u00e1rea).<\/p>\n<p>Independentemente do destinat\u00e1rio, a discuss\u00e3o e conclus\u00e3o devem estar redigidas de modo a n\u00e3o dar uma vis\u00e3o negativa dos resultados, mas antes salientar o que se pode melhorar.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o dos resultados pode ser efectuada com ou sem discuss\u00e3o pr\u00e9via com os respons\u00e1veis de interesse. O relat\u00f3rio pode ser entregue pessoalmente, enviado por correio interno ou apresentado em reuni\u00e3o formal ou informal. Independentemente da forma de divulga\u00e7\u00e3o, deve ser sempre garantida a confidencialidade de profissionais e doentes.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A Vigil\u00e2ncia Epidemiol\u00f3gica das infec\u00e7\u00f5es associadas aos cuidados de sa\u00fade \u00e9 uma das atribui\u00e7\u00f5es das CCI\u2019s e aquela que constitui a sua fun\u00e7\u00e3o nobre. Pode ser entendida como uma garantia da qualidade dos cuidados prestados e da seguran\u00e7a do doente.<\/p>\n<p>Os respons\u00e1veis pelo planeamento e implementa\u00e7\u00e3o de um programa de VE da unidade de sa\u00fade s\u00e3o o Coordenador da CCI e o Enfermeiro de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o. O \u00d3rg\u00e3o de Gest\u00e3o \u00e9 o respons\u00e1vel pela aprova\u00e7\u00e3o do programa planeado e pela dota\u00e7\u00e3o da CCI de meios humanos, materiais e financeiros para a sua execu\u00e7\u00e3o. A nomea\u00e7\u00e3o de elementos dinamizadores nos locais de presta\u00e7\u00e3o de cuidados em articula\u00e7\u00e3o com os elementos da CCI \u00e9 um contributo fundamental para a implementa\u00e7\u00e3o do programa.<\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o de um programa de vigil\u00e2ncia deve estar de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o das necessidades das institui\u00e7\u00f5es e em simult\u00e2neo com os objectivos de vigil\u00e2ncia a n\u00edvel nacional. A adop\u00e7\u00e3o de protocolos validados \u00e9 um elemento facilitador para a implementa\u00e7\u00e3o deste processo.<\/p>\n<p>A vigil\u00e2ncia de resultados e processos constitui a base de diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o. A informa\u00e7\u00e3o resultante da vigil\u00e2ncia serve de linha orientadora para as outras vertentes do programa de controlo de infec\u00e7\u00e3o (forma\u00e7\u00e3o, elabora\u00e7\u00e3o e monitoriza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas e recomenda\u00e7\u00f5es de controlo de infec\u00e7\u00e3o). A vigil\u00e2ncia prospectiva e cont\u00ednua permite controlar a efic\u00e1cia da forma\u00e7\u00e3o e das medidas implementadas.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua entre os profissionais de controlo de infec\u00e7\u00e3o, prestadores de cuidados, do laborat\u00f3rio e dos servi\u00e7os cl\u00ednicos facilita a troca de informa\u00e7\u00f5es, garante a qualidade dos dados e uma VE fi\u00e1vel e efectiva.<\/p>\n<p>O planeamento da VE requer uma sequ\u00eancia de etapas que t\u00eam de ser asseguradas no desenvolvimento de cada programa. A sua implementa\u00e7\u00e3o depende dos recursos humanos, materiais e financeiros dispon\u00edveis e os seus resultados s\u00e3o um indicador de qualidade dos cuidados prestados em cada institui\u00e7\u00e3o. Fazer preven\u00e7\u00e3o e controlo de infec\u00e7\u00e3o sem vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica \u00e9 como navegar sem b\u00fassola.<\/p>\n<p align=\"center\">Fig. 1 \u2013 Etapas recomendadas para a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica das infec\u00e7\u00f5es associadas aos cuidados de sa\u00fade<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1297\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/fig1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"444\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/fig1.jpg 500w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/fig1-300x266.jpg 300w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/fig1-473x420.jpg 473w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">Tabela 1 \u2013 Fontes de informa\u00e7\u00e3o e tipo de dados a obter<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table1\" border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"3\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"2\" align=\"center\" bgcolor=\"#ffcc00\" height=\"23\">Fontes de informa\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#ffcc00\">Tipo de dados<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#ffcc00\">Objectivos<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ffcc99\">Baseadas nos doentes<\/td>\n<td>\n<ul>\n<li>Dados demogr\u00e1ficos<\/li>\n<li>Factores de risco intr\u00ednseco<\/li>\n<li>Factores de risco extr\u00ednseco<\/li>\n<li>Sinais e sintomas de infec\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Terap\u00eauticas<\/li>\n<li>Exames complementares<\/li>\n<li>Datas de entrada e sa\u00edda<\/li>\n<li>Data de in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<td>\n<ul>\n<li>Distinguir infec\u00e7\u00e3o comunidade\/ nosocomial<\/li>\n<li>Diagnostico infec\u00e7\u00e3o\/coloniza\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Relacionar infec\u00e7\u00f5es com factores de risco<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"2\" bgcolor=\"#ffcc99\">Baseadas no laborat\u00f3rio<\/td>\n<td>\n<ul>\n<li>Agentes de infec\u00e7\u00e3o\/coloniza\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Padr\u00e3o de sensibilidade aos antimicrobianos<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<td>\n<ul>\n<li>Identifica\u00e7\u00e3o de agentes de infec\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Confirma\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3stico de infec\u00e7\u00e3o\/coloniza\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Calcular taxa de resist\u00eancias aos antimicrobianos<\/li>\n<li>Identifica\u00e7\u00e3o de surtos<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td rowspan=\"5\" bgcolor=\"#ffcc99\">Baseadas noutros servi\u00e7os<\/td>\n<td bgcolor=\"#ffff99\">Farm\u00e1cia<\/td>\n<td>\n<ul>\n<li>Dados demogr\u00e1ficos<\/li>\n<li>Consumo de antimicrobianos em DDD<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<td>Monitorizar consumos de antimicrobianos e cruzar informa\u00e7\u00e3o com a taxa de resist\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ffff99\">Gest\u00e3o de Doentes<\/td>\n<td>\n<ul>\n<li>Dias de internamento<\/li>\n<li>N\u00famero de doentes internados<\/li>\n<li>Resultado de internamento<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<td>Calcular taxas de preval\u00eancia e incid\u00eancia<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ffff99\">S. Sa\u00fade Ocupacional<\/td>\n<td>N\u00famero de profissionais com tuberculose pulmonar<\/td>\n<td>\n<ul>\n<li>Orienta\u00e7\u00e3o para forma\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Reduzir risco de transmiss\u00e3o cruzada<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ffff99\">S. Urg\u00eancia<\/td>\n<td>Proveni\u00eancia dos doentes com infec\u00e7\u00e3o da comunidade<\/td>\n<td>Articular informa\u00e7\u00e3o com os cuidados comunit\u00e1rios<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#ffff99\">S. Instala\u00e7\u00f5es e equipamentos<\/td>\n<td>Avalia\u00e7\u00e3o da \u00e1gua de consumo<\/td>\n<td>Controlo da Legionella\u00a0 pneumophila<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">Figura 2 \u2013 Exemplo de formul\u00e1rio individual para colheita de dados<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1298\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/image003.gif\" alt=\"\" width=\"580\" height=\"710\" border=\"0\" \/><\/p>\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<p><sup>1<\/sup> DGS, Despacho Di\u00e1rio da republica II s\u00e9rie, n\u00ba246 de 23-10-1996, pag. 14879<\/p>\n<p><sup>2<\/sup> DGS, Circular Normativa 18\/DSQC\/DSC de 15\/10\/2007 \u2013 Comiss\u00f5es de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><sup>3<\/sup> DGS, Despacho n\u00ba 18 052\/2007, Di\u00e1rio da republica 2\u00aa s\u00e9rie, n\u00ba156 de 14 de Agosto 2007, pag. 23216<\/p>\n<p><sup>4<\/sup> DGS, Manual de Operacionaliza\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e controlo da infec\u00e7\u00e3o associada aos cuidados de sa\u00fade. DGS, Dezembro 2008, 81 pp.<\/p>\n<p><sup>5<\/sup> Arias, Kathleen Meehan. APIC Infection Control Toolkit Series &#8211; Surveillance Programs in Healthcare Facilities. APIC, June 2003<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O objectivo final da vigil\u00e2ncia \u00e9 reduzir a ocorr\u00eancia de infec\u00e7\u00f5es relacionadas com os cuidados de sa\u00fade e garantir a qualidade dos cuidados<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[691,692,664,689,690,688],"class_list":["post-1299","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-comissao","tag-controlo-infeccao","tag-cuidados-de-saude","tag-epidemiologia","tag-infeccoes","tag-vigilancia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1299"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2743,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1299\/revisions\/2743"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}