{"id":1285,"date":"2010-03-05T22:23:57","date_gmt":"2010-03-05T22:23:57","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/higiene-da-cavidade-oral-implicacoes-e-procedimentos\/"},"modified":"2021-05-04T09:35:40","modified_gmt":"2021-05-04T09:35:40","slug":"higiene-da-cavidade-oral-implicacoes-e-procedimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/higiene-da-cavidade-oral-implicacoes-e-procedimentos\/","title":{"rendered":"Higiene da Cavidade Oral &#8211; Implica\u00e7\u00f5es e Procedimentos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">Muitos dos doentes internados actualmente em institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade n\u00e3o recebem a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0cavidade oral, e, quando a recebem, esta acontece furtivamente ou quando algum problema j\u00e1\u00a0se encontra instalado<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">\u201cHigiene da cavidade oral &#8211; implica\u00e7\u00f5es e procedimentos\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Hygiene of oral cavity &#8211; implications and procedures<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba254<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<h4><strong>Autor<\/strong><\/h4>\n<p>El\u00e1dio Artur de Oliveira Gomes<\/p>\n<p>Enfermeiro especialista em Enfermagem M\u00e9dica-Cir\u00fargica, Hospital de S. Jo\u00e3o, E.P.E., Servi\u00e7o de Medicina Interna.<\/p>\n<p>Trabalho elaborado no \u00e2mbito do curso de P\u00f3s Licenciatura em Enfermagem M\u00e9dica-Cir\u00fargica, inserido no est\u00e1gio na Unidade de Cuidados Intensivos.<\/p>\n<h4><strong>RESUMO<\/strong><\/h4>\n<p>Muitos dos doentes internados actualmente em institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade n\u00e3o recebem a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0cavidade oral, e, quando a recebem, esta acontece furtivamente ou quando algum problema j\u00e1\u00a0se encontra instalado. A responsabilidade do enfermeiro como principal promotor de cuidados ao doente verifica-se a todos os n\u00edveis, colocando desafios constantes \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o e estatuto profissional.<\/p>\n<p>Torna-se pois importante que os enfermeiros sejam capazes de promover a qualidade da sa\u00fade oral; detectar altera\u00e7\u00f5es na sa\u00fade oral do doente; prevenir doen\u00e7as com reflexo na cavidade oral; efectuar recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade oral em doentes internados; evidenciar destreza, profissionalismo no desempenho dos procedimentos relacionados com a sa\u00fade da cavidade oral e sensibilizar colegas e estudantes para a tem\u00e1tica da higiene oral.<\/p>\n<p>As infec\u00e7\u00f5es do tracto respirat\u00f3rio inferior, em especial a pneumonia, s\u00e3o as mais graves e com frequ\u00eancia acarretam risco de vida para o doente. Os cuidados \u00e0 cavidade oral a doentes internados nas UCI podem ser melhorados providenciando pessoal de Enfermagem com disponibilidade adequada, reduzindo a percep\u00e7\u00e3o de que o cuidado oral \u00e9 um procedimento pouco agrad\u00e1vel e fazendo do cuidado \u00e0 cavidade oral tamb\u00e9m prioridade nos cuidados de Enfermagem.<\/p>\n<p>As interven\u00e7\u00f5es de Enfermagem podem contribuir deste modo para a diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia da pneumonia e melhorar a seguran\u00e7a do doente.<\/p>\n<h4><strong>ABSTRACT<\/strong><\/h4>\n<p>Many of the patients currently admitted by health institutions not receive the due attention to the oral cavity, and when they receive, a problem can be already installed. The responsibility of nurses as the main promoter of patient care is the case at all levels, posing challenges to their training and professional status.<\/p>\n<p>Therefore it\u2019s important that nurses are able to promote the quality of oral health; detect changes in the oral health of the patient; prevent diseases with reflection in the oral cavity, making recovery of oral health in patients hospitalized; show dexterity, professionalism in the performance of procedures relating to the health of the oral cavity and sensitize colleagues and students to the topic of oral hygiene.<\/p>\n<p>The lower respiratory tract infections, particularly pneumonia, are the most serious and often entail risk of life for the patient. The oral care to the patients hospitalized in the ICU can be improved by providing staff with adequate availability of Nursing, reducing the perception that the oral care is a procedure and making the pleasant little attention to the oral cavity also priority in care of Nursing.<\/p>\n<p>The nursing interventions can thus contribute to reducing incidence of pneumonia and improve the safety of the patient.<\/p>\n<h4><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Muitos dos doentes internados actualmente em institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade n\u00e3o recebem a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0 cavidade oral, e, quando a recebem, esta acontece furtivamente ou quando algum problema j\u00e1 se encontra instalado. Isto acontece porque as institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o cada vez mais \u201c&#8230;voltadas para as prioridades cl\u00e1ssicas, como o tratamento de doen\u00e7as sist\u00e9micas e cr\u00f3nicas&#8230;\u201d como nos dizem STRYER e IBRAIM (1991) quando citados por FREIRE (2001)<sup>1<\/sup>, negligenciando muitas vezes aspectos \u00edntimos do cuidar.<\/p>\n<p>A responsabilidade do enfermeiro como principal promotor de cuidados ao doente verifica-se a todos os n\u00edveis, colocando desafios constantes \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o e estatuto profissional. O enfermeiro deve procurar, como lhe \u00e9 incutido no percurso da sua forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica e profissional, ver o doente como um todo &#8211; vis\u00e3o hol\u00edstica &#8211; sendo que esta vis\u00e3o do todo n\u00e3o deve impedir a observa\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es particulares que afectam o doente.<\/p>\n<p>Assim, torna-se importante alertar e dirigir a forma\u00e7\u00e3o para \u00e1reas muitas vezes menosprezadas ou infundadamente desvalorizadas. Isto acontece, por exemplo, com a aten\u00e7\u00e3o e os cuidados que se prestam \u00e0 cavidade oral do doente, tem\u00e1tica que pretendo abordar neste documento.<\/p>\n<p>A higiene oral, intr\u00ednseca aos cuidados de higiene e conforto do doente, \u00e9 um atributo e uma responsabilidade dos enfermeiros. No entanto, alguns autores alertam para a limita\u00e7\u00e3o de conhecimentos destes profissionais ao n\u00edvel da sa\u00fade oral. WHITE (2000), citado por CREUTZBERG, PADILHA, RICALCATI e MEIRA (2004)<sup>2<\/sup> afirma ser \u201c&#8230;frequente a aus\u00eancia de conhecimentos na forma\u00e7\u00e3o de enfermeiros e que, na pr\u00e1tica cl\u00ednica, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 priorizada\u201d. Os mesmos autores referem ainda que na admiss\u00e3o do doente em unidades de internamento, embora se possa questionar sobre a sa\u00fade oral do doente, n\u00e3o \u00e9 efectuada uma avalia\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p>Torna-se pois importante que os enfermeiros sejam capazes de:<\/p>\n<ul>\n<li>promover a qualidade da sa\u00fade oral;<\/li>\n<li>detectar altera\u00e7\u00f5es na sa\u00fade oral do doente;<\/li>\n<li>prevenir doen\u00e7as com reflexo na cavidade oral;<\/li>\n<li>efectuar recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade oral em doentes internados;<\/li>\n<li>evidenciar destreza, profissionalismo no desempenho dos procedimentos relacionados com a sa\u00fade da cavidade oral e;<\/li>\n<li>sensibilizar colegas e estudantes para a tem\u00e1tica da higiene oral.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Este documento assenta num estudo explorat\u00f3rio. No contexto da sua realiza\u00e7\u00e3o \u2013 Est\u00e1gio de Curso de P\u00f3s Licenciatura em Enfermagem M\u00e9dica Cir\u00fargica \u2013 surgiu como o mais adequado para \u201c&#8230;revelar e evidenciar a pr\u00f3pria ess\u00eancia da pr\u00e1tica de Enfermagem e por conseguinte estabelecer e aumentar os conhecimentos que se lhe referem.\u201d HESBEEN (2000, p\u00e1g. 156)<sup>3<\/sup>.<\/p>\n<h4><strong>A CAVIDADE ORAL<\/strong><\/h4>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas actividades que definem a vida implica um desgaste permanente de tecidos org\u00e2nicos e um cont\u00ednuo disp\u00eandio de energia. Para que a vida prossiga \u00e9\u00a0pois fundamental que a mat\u00e9ria gasta seja reposta e que o organismo disponha de fontes de energia sempre renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Estas necessidades pl\u00e1sticas e energ\u00e9ticas s\u00e3o concretizadas pelo Homem atrav\u00e9s dos alimentos. Contudo, os alimentos que o Homem procura no mundo exterior n\u00e3o s\u00e3o subst\u00e2ncias simples, que possa aproveitar directamente. S\u00e3o produtos complexos de origem animal ou vegetal. Assim, ser\u00e1 importante que possua estruturas capazes de simplificar estes produtos ingerindo-os e transformando-os em subst\u00e2ncias simples.<\/p>\n<p>\u00c9 esta a principal fun\u00e7\u00e3o do sistema digestivo e uma das fun\u00e7\u00f5es da boca, do qual faz parte. E embora seja o nariz a principal porta de entrada do aparelho respirat\u00f3rio, tamb\u00e9m a boca assume relev\u00e2ncia na componente respirat\u00f3ria, seja na inspira\u00e7\u00e3o e, principalmente, na expira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Anatomia e fisiologia<\/strong><\/h4>\n<p>A boca comunica com o meio externo atrav\u00e9s de uma abertura na face, entre os l\u00e1bios superiores e inferiores, chamada de fissura oral. A cavidade oral (ver Figura 1) \u00e9 o espa\u00e7o delimitado pelos l\u00e1bios na regi\u00e3o anterior, pelas bochechas lateralmente, pelo palato na regi\u00e3o superior e pelo soalho da cavidade oral na regi\u00e3o oral, localizado abaixo da l\u00edngua. Internamente, a boca comunica com a faringe na regi\u00e3o posterior. \u00c9 considerada a porta de entrada do sistema digestivo, sendo que o nosso organismo reveste todos os componentes da cavidade oral (excep\u00e7\u00e3o dos dentes) com uma superf\u00edcie protectora: a mucosa oral.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1282\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/orobuc.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"282\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"right\">\n<p align=\"center\">Figura 1 \u2013 Cavidade Oral<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p>A mucosa oral impede o contacto directo com subst\u00e2ncias ou alimentos contaminados que podem desencadear poss\u00edveis infec\u00e7\u00f5es, apresentando-se normalmente com cor rosa claro e h\u00famida. A mucosa \u00e9 formada por duas camadas de tecido, a mais externa de tecido epitelial e a mais interna de tecido conjuntivo.<\/p>\n<p>As gengivas s\u00e3o compostas por tecido fibroso recoberto por uma t\u00fanica mucosa, encontrando-se fortemente fixas aos alv\u00e9olos da maxila e da mand\u00edbula, e aos colos dos dentes.<\/p>\n<p>Um indiv\u00edduo adulto possui normalmente 32 dentes: 16 na mand\u00edbula superior e 16 na mand\u00edbula inferior. Os 16 dentes de cada maxilar dividem-se em 4 incisivos (mais frontais, 3 dentes laceradores denominados de caninos (laterais), 4 pr\u00e9 \u2013 molares e 6 molares (mais internos). A sua principal fun\u00e7\u00e3o \u00e9 participar na digest\u00e3o mec\u00e2nica de part\u00edculas de alimentos de forma a ser poss\u00edvel a sua degluti\u00e7\u00e3o e posterior absor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro acto da digest\u00e3o oral \u00e9\u00a0a saliva\u00e7\u00e3o, que consiste na distribui\u00e7\u00e3o de saliva pelos alimentos. A saliva \u00e9\u00a0um l\u00edquido incolor, mais ou menos viscoso e produzido numa quantidade di\u00e1ria de cerca de 1 -1,5 litros.<\/p>\n<p>Tem como principais fun\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li>lubrificar o bolo alimentar facilitando a sua degluti\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>iniciar a digest\u00e3o dos hidratos de carbono;<\/li>\n<li>contribuir para a estimula\u00e7\u00e3o da secre\u00e7\u00e3o g\u00e1strica;<\/li>\n<li>regular metabolismo h\u00eddrico e;<\/li>\n<li>contribuir para a manuten\u00e7\u00e3o da higiene oral.<\/li>\n<\/ul>\n<p>De facto, a supress\u00e3o da secre\u00e7\u00e3o salivar pode levar ao aparecimento de infec\u00e7\u00f5es na boca e mesmo \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o intensa da saliva, por um curto per\u00edodo de tempo torna o h\u00e1lito f\u00e9tido por popula\u00e7\u00e3o microbiana. A saliva \u00e9 produzida pelas gl\u00e2ndulas salivares, sendo que existem tr\u00eas tipos de gl\u00e2ndulas (ver figura 2):<\/p>\n<ul>\n<li>par\u00f3tidas: situadas entre a mand\u00edbula e o m\u00fasculo esternocleidomast\u00f3ideo. Al\u00e9m da sua fun\u00e7\u00e3o de digest\u00e3o, transporta part\u00edculas de alimentos para parte interna dos dentes;<\/li>\n<li>sub-mandibulares: localizadas ao longo do corpo da mand\u00edbula, libertam saliva para a cavidade oral;<\/li>\n<li>sub-linguais: situadas mais profundamente no soalho da cavidade oral.<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1283\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/image002.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"400\" border=\"0\" srcset=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/image002.jpg 450w, https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/image002-300x267.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Figura 2 \u2013 Principais estruturas da cavidade oral<\/p>\n<p>Considera-se que \u00e9\u00a0 pela boca que o indiv\u00edduo tem o primeiro contacto com o alimento, permitindo-lhe assim reconhecer o seu sabor atrav\u00e9s do paladar, bem como a sua temperatura e sua consist\u00eancia. Na boca, os alimentos s\u00e3o mastigados pelos dentes, misturando-se com a saliva produzida pelas gl\u00e2ndulas salivares.<\/p>\n<p>Quando se torna necess\u00e1rio cortar ou rasgar, interv\u00eam respectivamente os dentes incisivos e caninos. Posteriormente, os movimentos da l\u00edngua e dos m\u00fasculos orbiculares dos l\u00e1bios e do bucinador encaminham os alimentos para os molares que os moem. A for\u00e7a triturante \u00e9 favorecida pelos controladores dos m\u00fasculos mastigadores que imprimem ao maxilar inferior movimentos de eleva\u00e7\u00e3o, abaixamento, avan\u00e7o, recuo e lateraliza\u00e7\u00e3o. Todas as manobras dos m\u00fasculos mastigadores s\u00e3o volunt\u00e1rias.<\/p>\n<p>Habitualmente, quando acontece a degluti\u00e7\u00e3o, a maior parte das part\u00edculas alimentares tem menos de 2 mm de di\u00e2metro e as de maior di\u00e2metro n\u00e3o excedem os 12 mm. Gra\u00e7as aos nervos sensitivos da mucosa oral, os indiv\u00edduos t\u00eam consci\u00eancia de que a forma\u00e7\u00e3o do bolo alimentar est\u00e1 completa, podendo iniciar-se a degluti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Problemas mais comuns<\/strong><\/h4>\n<p>As responsabilidades dos enfermeiros com a higiene oral s\u00e3o muitas, sendo-lhe bastante \u00fatil, como referem POTTER e PERRY (1995)<sup>4<\/sup>, familiarizar-se com os problemas orais mais comuns. Cada problema apresenta sinais e sintomas reconhec\u00edveis e isso influenciar\u00e1 o tipo de cuidados de higiene a adoptar.<\/p>\n<p>PHIPPS, LONG, WOODS e CASSMEYER (1999, p\u00e1g. 1301)<sup>5<\/sup> dizem que \u201ca boca \u00e9 um excelente bar\u00f3metro da sa\u00fade em geral, reflectindo as doen\u00e7as e a debilidade em geral, t\u00e3o bem como a sa\u00fade\u201d. Os mesmos autores chamam aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para o facto de que as doen\u00e7as associadas \u00e0 cavidade oral ocorrem mais frequentemente quando a nutri\u00e7\u00e3o e a higiene oral s\u00e3o m\u00e1s, quando as pessoas negligenciam os seus dentes, quando fumam excessivamente ou quando os dentes partidos irritam os tecidos.<\/p>\n<p>Qualquer uma das estruturas da boca pode desenvolver infec\u00e7\u00e3o. O quadro seguinte (ver Quadro I) pretende fornecer uma s\u00edntese dos problemas associados \u00e0 cavidade oral, sua sintomatologia mais frequente, os factores que podem estar a condicionar cada estado patol\u00f3gico bem como as interven\u00e7\u00f5es mais indicadas.<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table1\" border=\"2\" cellspacing=\"4\" cellpadding=\"4\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#000000\"><span style=\"color: #ffffff;\">Altera\u00e7\u00f5es<\/span><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#000000\"><span style=\"color: #ffffff;\">Sinais e sintomas<\/span><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#000000\"><span style=\"color: #ffffff;\">Causas poss\u00edveis<\/span><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#000000\"><span style=\"color: #ffffff;\">Procedimentos de Enfermagem<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"5\">Altera\u00e7\u00f5es dos l\u00e1bios<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Herpes simples<\/td>\n<td>Ves\u00edculas isoladas ou agrupadas, dolorosas e que podem romper<\/td>\n<td>V\u00edrus herpes simples \u2013 infec\u00e7\u00e3o oportunista<\/td>\n<td>Aplicar pomada (aciclovir) e analg\u00e9sicos prescritos, instruir doente a evitar alimentos irritativos<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Dermatite de contacto<\/td>\n<td>\u00c1rea avermelha, rash, prurido<\/td>\n<td>Reac\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica ao baton, pomadas cosm\u00e9ticas, pasta dent\u00edfrica<\/td>\n<td>Instruir doente a evitar poss\u00edveis causas, administrar corticoster\u00f3ides de acordo com prescri\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Queilite act\u00ednica<\/td>\n<td>Irrita\u00e7\u00e3o dos l\u00e1bios associada a descama\u00e7\u00e3o, fissura, hiperceratose<\/td>\n<td>Exposi\u00e7\u00e3o ao sol<\/td>\n<td>Instruir no sentido de usar pomadas protectoras<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"5\">Altera\u00e7\u00f5es da boca<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Leucoplaquia<\/td>\n<td>Placas esbranqui\u00e7adas,podem ser hipercerat\u00f3ticas,geralmente indolor<\/td>\n<td>Menos de 2% s\u00e3o malignas<\/td>\n<td>Instruir o doente a procurar o m\u00e9dico se persistirem mais de 2 semanas<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">L\u00edquen plano<\/td>\n<td>P\u00e1pulas esbranqui\u00e7adas, normalmente ulceradas e dolorosas<\/td>\n<td>Pode levar a um processo maligno<\/td>\n<td>Administrar lidoca\u00edna gel e instruir doente para mant\u00ea-la na boca 2-3 minutos, administrar corticoster\u00f3ides de acordo com prescri\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Candid\u00edase<\/td>\n<td>Placa esbranqui\u00e7ada e caseosa que se assemelha a nata. Quando friccionada pode sangrar<\/td>\n<td>Fungo c\u00e2ndida albicans em doentes com diabetes, antibioterapia e imunossupress\u00e3o<\/td>\n<td>Administrar medicamentos antif\u00fangicos de acordo com prescri\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Estomatite aftosa<\/td>\n<td>\u00dalcera rasa com centro esbranqui\u00e7ado ou acinzentado e borda avermelhada. Dolorosa, geralmente dura entre 7-10 dias<\/td>\n<td>Ansiedade, fadiga, factores hormonais, alergias, infec\u00e7\u00e3o HIV<\/td>\n<td>Instruir sobre medidas de conforto com lavagem com soro fisiol\u00f3gico e dieta macia. Administrar antibi\u00f3tico ou corticoster\u00f3ides, se prescritos<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Sarcoma de Kaposi<\/td>\n<td>Les\u00e3o\u00a0\u00fanica (ou m\u00faltipla) avermelhada, p\u00farpura ou azulada da mucosa oral. Pode ser plana ou elevada<\/td>\n<td>Infec\u00e7\u00e3o por HIV<\/td>\n<td>Ensinar o doente sobre os efeitos secund\u00e1rios do tratamento<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"5\">Altera\u00e7\u00f5es das gengivas<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Gengivite<\/td>\n<td>\u00dalceras branco acizentadas que afectam bordas das gengivas, mucosa da boca e faringe. Gengivas dolorosas e hemorr\u00e1gicas<\/td>\n<td>M\u00e1\u00a0higiene oral, infec\u00e7\u00e3o bacteriana, fadiga, m\u00e1\u00a0nutri\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>Ensinar sobre higiene oral adequada, irrigar com H<sub>2<\/sub>O<sub>2\u00a0 <\/sub>a 2-3% ou soro fisiol\u00f3gico<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Periodontite<\/td>\n<td>Pode apresentar hemorragia, infec\u00e7\u00e3o ou amolecimento do dente<\/td>\n<td>Pode resultar de gengivite n\u00e3o tratada, m\u00e1 higiene ou dieta<\/td>\n<td>Ensinar sobre higiene oral e aconselhar a acompanhamento com dentista<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">Quadro I \u2013 Altera\u00e7\u00f5es do l\u00e1bios, boca e gengivas<\/p>\n<p align=\"center\">Fonte: Adaptado de SMELTZER E BRENDA p\u00e1g. 777-778.<\/p>\n<h4><strong>SA\u00daDE ORAL NOS CUIDADOS INTENSIVOS<\/strong><\/h4>\n<p>A boa higiene oral compreende a limpeza, o conforto e a humidifica\u00e7\u00e3o das estruturas da boca. Os doentes em hospitais ou em institui\u00e7\u00f5es de cuidados de longo prazo, geralmente, e como j\u00e1 foi referido atr\u00e1s neste documento, n\u00e3o recebem o cuidado intensivo de que precisam. A frequ\u00eancia de cuidados depende da condi\u00e7\u00e3o da cavidade oral de cada doente, mas passar\u00e1 sempre por ser um procedimento di\u00e1rio e regular.<\/p>\n<p>Mas ainda muito h\u00e1 a progredir e investir nesta \u00e1rea. ADAMS (1996)<sup>6<\/sup> diz que \u201c&#8230;os enfermeiros, incluindo aqueles mais qualificados, t\u00eam lacunas em conhecimentos sobre sa\u00fade oral\u201d.<\/p>\n<p>FURR, BINKLEY, McCURREN e CARRICO (2004)<sup>7<\/sup>, quando estudaram os factores que afectam a qualidade dos cuidados \u00e0 cavidade oral nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), constataram, ap\u00f3s an\u00e1lise a 68 textos de Enfermagem publicados entre 1870 e 1997, que as descri\u00e7\u00f5es das pr\u00e1ticas de Enfermagem actuais n\u00e3o sofreram altera\u00e7\u00f5es significativas, apesar das altera\u00e7\u00f5es a n\u00edvel de equipamento e materiais se ter sentido.<\/p>\n<p>E estas conclus\u00f5es adquirem maior import\u00e2ncia se as contextualizarmos na situa\u00e7\u00e3o actual, em que as empresas procuram rentabilizar os seus recursos, e em que um internamento prolongado muitas vezes conduz gastos desnecess\u00e1rios a priori. Como diz WILSON (2003)<sup>8<\/sup>, \u201cas infec\u00e7\u00f5es contra\u00eddas em consequ\u00eancia dos cuidados de sa\u00fade t\u00eam um enorme impacto, tanto nos doentes afectados como nos cuidadores. Para o doente, contrair infec\u00e7\u00e3o provoca ansiedade e mal-estar, adia a recupera\u00e7\u00e3o e, por vezes, resulta em doen\u00e7a prolongada ou at\u00e9 na morte\u201d.<\/p>\n<h4><strong>Factores que afectam qualidade da sa\u00fade oral<\/strong><\/h4>\n<p>Alguns doentes requerem m\u00e9todos especiais de higiene oral devido ao seu n\u00edvel de depend\u00eancia dos enfermeiros ou devido \u00e0 presen\u00e7a de problemas na mucosa oral.<\/p>\n<p>Os doentes internados nas UCI, na sua maioria inconscientes, s\u00e3o suscept\u00edveis ao secar das secre\u00e7\u00f5es salivares, pois est\u00e3o incapacitados de comer ou beber, respiram frequentemente pela boca e recebem frequentemente oxigenoterapia.<\/p>\n<p>O doente inconsciente tamb\u00e9m n\u00e3o pode deglutir as secre\u00e7\u00f5es que se encontram na boca. Estas secre\u00e7\u00f5es normalmente cont\u00eam bact\u00e9rias gram-negativas que causam pneumonia se aspiradas para dentro dos pulm\u00f5es. Assim, o enfermeiro deve proteger o doente do sufocamento e da aspira\u00e7\u00e3o. A limpeza regular da cavidade \u00e9 um procedimento fundamental. A seguir apresento alguns factores que t\u00eam influ\u00eancia no aparecimento de problemas ao n\u00edvel da cavidade oral (ver Quadro II).<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table2\" border=\"2\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"4\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\">Caracter\u00edsticas do doente<\/td>\n<td align=\"center\">Factores<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Doentes paralisados, gravemente doentes, com restri\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos membros superiores<\/td>\n<td>Doente com falta de for\u00e7a para atender \u00e0s suas necessidades<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Doente inconsciente, confuso, em coma, deprimido<\/td>\n<td>Doente incapaz para atender \u00e0s necessidades pessoais<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Doente que n\u00e3o pode ingerir nada pela boca, com restri\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, com sonda naso\/oro g\u00e1strica, O<sub>2<\/sub> nasal cont\u00ednuo ou respira\u00e7\u00e3o pela boca<\/td>\n<td>Desidrata\u00e7\u00e3o das mucosas, secre\u00e7\u00f5es espessas sobre a l\u00edngua e gengivas, l\u00e1bios com fissuras e avermelhados<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Doente submetido a cirurgia oral, continua na boca, tubo oro traqueal ou vias a\u00e9reas<\/td>\n<td>Tecido da cavidade oral, traumatizados com edema, inflama\u00e7\u00e3o e poss\u00edvel hemorragia<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">Quadro II \u2013 Factores de risco para aparecimento de altera\u00e7\u00f5es na cavidade oral.<\/p>\n<p align=\"center\">Fonte: Adaptado de POTTER e PERRY (1995)<\/p>\n<p>Conhecendo os potenciais doentes que necessitar\u00e3o de cuidados de higiene oral mais precisos e adequados, pode-se questionar ent\u00e3o porque \u00e9 que este procedimento n\u00e3o \u00e9 praticado mais vezes nos servi\u00e7os? A resposta poder\u00e1 vir da capacidade, ou n\u00e3o, da equipa de Enfermagem se disponibilizar para tal actividade.<\/p>\n<p>Nos EUA, por exemplo, alguns estudos apontam o excesso de horas praticadas pelos enfermeiros, e o consequente cansa\u00e7o como um dos obst\u00e1culos para os cuidados de Enfermagem poderem ser efectuados com o melhor profissionalismo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>WORD et al., citados por FURR, BINKLEY, McCURREN e CARRICO (2004)<sup>7<\/sup>, dizem-nos que \u201cquando os enfermeiros se sentem com trabalho a mais e o seu tempo tem que ser racionado, os cuidados \u00e0 cavidade oral s\u00e3o muitas vezes a primeira pr\u00e1tica a ser preterida.\u201d<\/p>\n<p>ARCHIBALDI et al. (1997)<sup>9<\/sup> quando investigaram as rela\u00e7\u00f5es entre equipa de Enfermagem, lota\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os e infec\u00e7\u00e3o nosocomial, conclu\u00edram que os aspectos que afectam o pessoal de Enfermagem tamb\u00e9m afectam os resultados obtidos nos doentes.<\/p>\n<p>FURR, BINKLEY, McCURREN e CARRICO (2004)<sup>7<\/sup> propuseram um modelo (ver Figura 3) de rela\u00e7\u00f5es com objectivo de explicar as condicionantes que determinam a presta\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o de cuidados de higiene orais.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1284\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/03\/quadim.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"325\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Figura 3 \u2013\u00a0 Factores condicionantes \u00e1 presta\u00e7\u00e3o de cuidados de higiene orais numa UCI.<br \/>\nFonte: FURR, BINKLEY, McCURREN e CARRICO (2004)<\/p>\n<p>Sendo que, de acordo com os autores, a presta\u00e7\u00e3o de cuidados orais de qualidade resultar\u00e1 de experi\u00eancias anteriores, confrontadas pelas barreiras impostas pela institui\u00e7\u00e3o. Os enfermeiros neste processo tamb\u00e9m devem ser sensibilizados para a import\u00e2ncia de uma boa higiene oral.<\/p>\n<h4><strong>Consequ\u00eancias da deficiente higiene oral &#8211; Pneumonia<\/strong><\/h4>\n<p>As infec\u00e7\u00f5es do tracto respirat\u00f3rio inferior, em especial a pneumonia, s\u00e3o as mais graves e com frequ\u00eancia acarretam risco de vida para o doente.<\/p>\n<p>De acordo com WILSON (2003, p\u00e1g. 29)<sup>8<\/sup>, \u201da parte inferior do tracto respirat\u00f3rio \u00e9 normalmente est\u00e9ril, mas as vias a\u00e9reas superiores, boca e nariz, s\u00e3o colonizadas por grande numero de bact\u00e9rias, algumas das quais capazes de causar pneumonia\u201d. A mesma autora diz ainda (p\u00e1g. 266) que \u201c&#8230;nas UCI mais de 50 por cento dos doentes que contraem pneumonia morrem, e cerca de um ter\u00e7o destes falecimentos \u00e9 atribu\u00eddo directamente \u00e0 pneumonia\u201d.<\/p>\n<p>FURR, BINKLEY, McCURREN e CARRICO (2004, p\u00e1g. 455)<sup>7<\/sup> a este respeito dizem que\u00a0 \u201c&#8230;a pneumonia \u00e9 a infec\u00e7\u00e3o nosocomial mais comum nas UCI e contribui significativamente para os n\u00fameros de morbilidade e mortalidade entre este grupo de doentes\u201d. No mesmo estudo, os autores observam que o risco de pneumonia nosocomial entre doentes ventilados \u00e9 21 vezes superior ao do doente n\u00e3o ventilado, sendo que o valor da mortalidade nestes doentes \u00e9 superior aos 50 por cento.<\/p>\n<p>SCANNAPIECO, STEWART e MYLOTE (1992)<sup>10<\/sup> conclu\u00edram no seu estudo que 65 por cento da mucosa oral em 34 doentes de UCI estavam colonizadas por microorganismos patog\u00e9nicos respirat\u00f3rios, comparativamente aos 16 por cento detectados em cl\u00ednicas dent\u00e1rias privadas.<\/p>\n<p>TRELOAR e STECHMILLER (1995)<sup>11<\/sup> mostraram que as culturas que cresceram na orofaringe e nas secre\u00e7\u00f5es de 37,5 por cento de doentes entubados, aumentaram mais, quer se tratem de microorganismos patog\u00e9nicos nosocomiais f\u00fangicos ou bacterianos.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o (CCI) do Hospital Pedro Hispano (2003)<sup>12<\/sup> tamb\u00e9m fez refer\u00eancia \u00e0 pneumonia como sendo a causa mais frequente de morte por infec\u00e7\u00e3o nosocomial, reportando-se a 60 por cento de \u00f3bitos por este tipo de infec\u00e7\u00e3o. A taxa bruta de mortalidade pode chegar aos 50 por cento, sendo a taxa de mortalidade atribu\u00edvel apenas \u00e0 pneumonia de cerca de 30 por cento.<\/p>\n<p>A mesma comiss\u00e3o identifica algumas caracter\u00edsticas comuns a doentes\u00a0 internados\u00a0 e que s\u00e3o potenciadoras para o surgir da pneumonia nosocomial, nomeadamente: doente submetido a entuba\u00e7\u00e3o endotraqueal, afundamento do estado de consci\u00eancia, presen\u00e7a de tubo digestivo nas vias a\u00e9reas, hist\u00f3ria de doen\u00e7a pulmonar cr\u00f3nica, idade superior a 70 anos, politraumatizado grave e doente sujeito a trocas constantes dos circuitos ventilat\u00f3rios.<\/p>\n<p>As pneumonias contra\u00eddas no hospital s\u00e3o provocadas pelos mesmos microorganismos que as contra\u00eddas na comunidade: metade \u00e9\u00a0provocada por Bacilos Gram-negativos e 20 por cento por Staphylococcus aureus (ver Quadro III).<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table3\" border=\"2\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"4\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"center\">Microorganismo patog\u00e9nico<\/td>\n<td align=\"center\">Percentagem de pneumonias<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0 Bacilos Gram &#8211; negativos<\/td>\n<td align=\"center\">48<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pseudomonas aeruginosa<\/td>\n<td align=\"center\">16<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Enterobacter spp.<\/td>\n<td align=\"center\">11<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Klebsiella pneumoniae<\/td>\n<td align=\"center\">7<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Escherichia coli<\/td>\n<td align=\"center\">4<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outros<\/td>\n<td align=\"center\">10<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cocos Gram &#8211; positivos<\/td>\n<td align=\"center\">48<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Staphylococcus aureus<\/td>\n<td align=\"center\">20<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Streptococcus pneumoniae<\/td>\n<td align=\"center\">5<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">Quadro III \u2013 Microorganismos relacionados com as pneumonias adquiridas no hospital.<\/p>\n<p align=\"center\">Fonte: WILSON (2003)<\/p>\n<p>Torna-se, assim, fundamental adoptar atitudes fundamentais no sentido da:<\/p>\n<ul>\n<li>prepara\u00e7\u00e3o e motiva\u00e7\u00e3o do pessoal da sa\u00fade e implementa\u00e7\u00e3o de um sistema de vigil\u00e2ncia de infec\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>forma\u00e7\u00e3o de pessoal de sa\u00fade relativamente \u00e0 pneumonia nosocomial e aos procedimentos de controlo de infec\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>modifica\u00e7\u00e3o dos factores de risco de infec\u00e7\u00e3o no hospedeiro;<\/li>\n<li>implementa\u00e7\u00e3o de um programa de vigil\u00e2ncia activa da pneumonia bacteriana na UCI para determinar tend\u00eancias e identificar problemas;<\/li>\n<li>n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o, por rotina, de culturas de vigil\u00e2ncia a doentes, equipamentos e dispositivos;<\/li>\n<li>promo\u00e7\u00e3o para a preven\u00e7\u00e3o da pneumonia end\u00f3gena;<\/li>\n<li>interromper alimenta\u00e7\u00e3o por tubo oro ou nasog\u00e1strico e retirar tubos de alimenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica e c\u00e2nulas de traqueostomia logo que a situa\u00e7\u00e3o o permita;<\/li>\n<li>quando n\u00e3o houver contra indica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica elevar a cabeceira da cama do doente a 30 &#8211; 45 \u00ba para evitar pneumonia de aspira\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Verificar por rotina posi\u00e7\u00e3o da sonda para alimenta\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Usar por rotina traqueias com sistema de aspira\u00e7\u00e3o acima do cuff para permitir a aspira\u00e7\u00e3o de secre\u00e7\u00f5es traqueais que se encontram na \u00e1rea sub gl\u00f3tica do doente;<\/li>\n<li>antes de desinsuflar o cuff, assegurar a limpeza das secre\u00e7\u00f5es acima do mesmo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes procedimentos s\u00e3o apresentados tendo como refer\u00eancia as atitudes recomendadas pela CCI do Hospital Pedro Hispano.<\/p>\n<p>\u201cA pneumonia \u00e9 a mais comum das infec\u00e7\u00f5es nosocomiais nas UCI;\u00a0 a bact\u00e9ria respons\u00e1vel pela pneumonia nosocomial coloniza a boca dos doentes; a presta\u00e7\u00e3o de cuidados orais reduz o risco de pneumonia, embora a pesquisa bibliogr\u00e1fica indique que os cuidados com a cavidade oral assumem baixa prioridade entre os enfermeiros da UCI.\u201d FURR, BINKLEY, McCURREN e CARRICO (2004, p\u00e1g 460)<sup>7<\/sup><\/p>\n<p>Na parte que se segue neste trabalho, abordarei os procedimentos de Enfermagem no que diz respeito aos cuidados de higiene com a cavidade oral e o contributo para a diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia da pneumonia nosocomial.<\/p>\n<h4><strong>Cuidados de Enfermagem \u00e0\u00a0cavidade oral<\/strong><\/h4>\n<p>O cuidado \u00e0\u00a0cavidade oral \u00e9\u00a0um procedimento fundamental dos cuidados de Enfermagem, no entanto, por ser primariamente considerado apenas como interven\u00e7\u00e3o que visa o conforto do doente, a sua prioridade \u00e9 relativizada.<\/p>\n<p>De acordo com um estudo desenvolvido por BERRY, DAVIDSON, MASTERS e ROLLS (2007, p\u00e1g. 553)<sup>13<\/sup> \u201c&#8230;os enfermeiros admitem que os procedimentos elementares s\u00e3o, muitas vezes, relegados para segundo plano num ambiente tecnologicamente avan\u00e7ado\u00a0 como o de uma UCI.\u201d<\/p>\n<p>Em 2004, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade da Singapura elaborou, com o patroc\u00ednio de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o m\u00e9dicas e epidemiol\u00f3gicas, e grupos de Enfermagem, um conjunto de guidelines para uma presta\u00e7\u00e3o correcta de cuidados de higiene oral.<\/p>\n<p>Para a elabora\u00e7\u00e3o do estudo foram efectuadas observa\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00e1rias estruturas constituintes da cavidade oral, sendo atribu\u00edda uma pontua\u00e7\u00e3o de acordo com o grau de normalidade do que observavam. O somat\u00f3rio dos valores indica o tipo de interven\u00e7\u00e3o que o enfermeiro dever\u00e1 ter perante o doente (ver Anexo A).<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o orofar\u00edngea est\u00e1 associada a muitas doen\u00e7as sist\u00e9micas, incluindo doen\u00e7as cardiovasculares, doen\u00e7a pulmonar cr\u00f3nica obstrutiva e pneumonia associada a ventiladores (nas UCI).<\/p>\n<p>De acordo com GRAP, MUNRO, ASHTIANI e BRYAN (2003, p\u00e1g. 114)<sup>14<\/sup> \u201c&#8230;\u00e9 reconhecido que a presen\u00e7a de tubo endotraqueal permite a entrada directa de bact\u00e9rias para o tracto respirat\u00f3rio, impossibilita o reflexo da tosse e promove a secre\u00e7\u00e3o excessiva de muco.\u201d. Outros factores de risco, e que j\u00e1 foram descritos neste trabalho, dizem respeito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o por interm\u00e9dio de sonda naso ou orog\u00e1strica, a n\u00e3o eleva\u00e7\u00e3o da cabeceira da cama e a m\u00e1 higiene oral.<\/p>\n<p>A placa dent\u00e1ria do doente internado na UCI \u00e9\u00a0colonizada por microorganismos patog\u00e9nicos como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa. Este processo de coloniza\u00e7\u00e3o, normalmente precede a coloniza\u00e7\u00e3o pulmonar. Assim, como referem GRAP, MUNRO, ASHTIANI e BRYAN (2003, p\u00e1g. 114)<sup>14<\/sup> \u201c&#8230;reduzindo o numero de microorganismos na boca, reduz-se a pool de microorganismos dispon\u00edveis para colonizar os pulm\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Nas guidelines publicadas para a preven\u00e7\u00e3o da pneumonia associada a cuidados de sa\u00fade, o Centre Disease Control (CDC) recomenda o desenvolvimento e a implementa\u00e7\u00e3o de um programa de higiene oral compreens\u00edvel. Para suportar esta recomenda\u00e7\u00e3o, investigadores defenderam a higiene oral como importante na preven\u00e7\u00e3o da pneumonia. No entanto, ainda muito falta percorrer quando lemos conclus\u00f5es a que chegam autores como HIXSON, SOLE e KING (1998)<sup>15<\/sup> quando dizem que apesar de os cuidados de higiene e conforto serem considerados uma refer\u00eancia de cuidados de Enfermagem, s\u00e3o muito negligenciados em doentes cr\u00edticos ou efectuados sob forma de lavagem r\u00e1pida da boca.<\/p>\n<p>S\u00e3o conhecidos alguns estudos que apontam para m\u00e9todos e agentes comummente usados nos cuidados de higiene \u00e0 cavidade oral. O quadro seguinte (ver Quadro IV) pretende ser um resumo dessas mesmas conclus\u00f5es, apresentando as vantagens e desvantagens dos mesmos.<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table4\" border=\"2\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"4\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">Produtos \/ solu\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td align=\"center\">Aspectos positivos<\/td>\n<td colspan=\"2\" align=\"center\">Aspectos negativos<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\n<p>Gluconato de clorohexidina<\/td>\n<td>Agente anti-plaquet\u00e1rio<\/p>\n<p>Grande actividade anti-bacteriana (Gram \u2013 e + ) e anti-f\u00fangica<\/p>\n<p>N\u00e3o causa resist\u00eancia das bact\u00e9rias<\/td>\n<td>Uso prolongado leva \u00e0\u00a0forma\u00e7\u00e3o de superf\u00edcies amarelas e altera\u00e7\u00f5es no paladar<\/p>\n<p>Tem que ser aplicada em baixas concentra\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>O CDC n\u00e3o recomenda por rotina o seu uso nas UCI<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\nBicarbonato de S\u00f3dio<\/td>\n<td>Dissolve mucos e restos alimentares<\/td>\n<td>Ainda poucos estudos demonstraram a sua efic\u00e1cia<\/p>\n<p>Uma incorrecta dilui\u00e7\u00e3o pode causar grandes queimaduras na mucosa<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\n\u00d3leos essenciais<\/td>\n<td>N\u00e3o foram consideradas diferen\u00e7as em amostras de secre\u00e7\u00f5es, quando comparadas com tratamentos efectuados com clorohexidina<\/td>\n<td>Ainda n\u00e3o foram devidamente testados nas UCI<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\n<p>Per\u00f3xido de hidrog\u00e9nio<\/td>\n<td>Apesar de resultados ainda n\u00e3o totalmente comprovados, j\u00e1\u00a0se usa h\u00e1 v\u00e1rios anos nas UCI<\/p>\n<p>Remove restos alimentares<\/p>\n<p>Destr\u00f3i as bact\u00e9rias<\/td>\n<td>Detectadas altera\u00e7\u00f5es na cavidade oral ap\u00f3s lavagem<\/p>\n<p>Doentes conscientes sentem-se incomodados com este produto<\/p>\n<p>Pode causar queimaduras se n\u00e3o totalmente dilu\u00eddo<\/p>\n<p>A sua efic\u00e1cia n\u00e3o se encontra totalmente comprovada<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Solu\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica salina<\/td>\n<td>Solu\u00e7\u00e3o neutra ideal para doentes com les\u00f5es orais<\/p>\n<p>Promove granula\u00e7\u00e3o e cicatriza\u00e7\u00e3o dos tecidos<\/td>\n<td>Tend\u00eancia para causar secura<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00c1gua t\u00e9pida<\/td>\n<td>F\u00e1cil de obter e barata<\/td>\n<td>Pode ser fonte de infec\u00e7\u00f5es nosocomiais<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>\u00c1gua est\u00e9ril<\/td>\n<td>Apresenta custo\/benef\u00edcio efectivo<\/td>\n<td>O seu uso ainda n\u00e3o foi devidamente testado<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#cccccc\">\nEquipamentos<\/td>\n<td colspan=\"2\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Pasta dent\u00edfrica com fl\u00faor e escova de dentes pedi\u00e1trica<\/td>\n<td>Recomendadas em v\u00e1rios estudos<\/p>\n<p>Associadas s\u00e3o eficazes na remo\u00e7\u00e3o de placas<\/p>\n<p>Estimula as gengivas<\/p>\n<p>F\u00e1cil de obter<\/td>\n<td>Mandat\u00f3rio proteger a extremidade da escova ap\u00f3s cada lavagem, pois \u00e9\u00a0potencial fonte de infec\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Pouco usadas em doentes entubados<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Compressas impregnadas em lim\u00e3o e glicerina<\/td>\n<td>N\u00e3o s\u00e3o evidentes<\/td>\n<td>Podem provocar xerostomia e descalcifica\u00e7\u00e3o dos dentes devido a sua elevada acidez<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Benzidamina (Tantum<sup>\u00ae<\/sup> )<\/td>\n<td>Actua sobre tecidos inflamados, favorece a cicatriza\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>Uso em excesso pode provocar reac\u00e7\u00f5es de sensibilidade<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Aparelhos de aspira\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td>Eficazes na remo\u00e7\u00e3o de secre\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td>N\u00e3o existem conclus\u00f5es publicadas que fa\u00e7am compara\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios tipos de aparelhos de aspira\u00e7\u00e3o usados na higiene oral<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">\nQuadro IV \u2013 M\u00e9todos e agentes comummente usados nos cuidados de higiene \u00e0 cavidade oral.\n<\/p>\n<p>A frequ\u00eancia da higiene \u00e0\u00a0boca dever\u00e1\u00a0ser determinada pelo conforto do doente e pelo tipo de cavidade oral, no entanto, estudos recomendam que se fa\u00e7a higiene a cada 2-6 horas ou, no m\u00ednimo, 2-3 vezes por dia. S\u00f3 assim se obter\u00e3o os resultados desejados.<\/p>\n<p>O uso de protocolo como o apresentado na seguinte figura (ver Figura 4) mostra ser efectivo de acordo com os autores e o The Journal of Contemporary Dental Practice (2007)<sup>16<\/sup> que a publica.<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table5\" border=\"2\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"4\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Prepara\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>1. Lavar as m\u00e3os e cal\u00e7ar luvas, n\u00e3o est\u00e9reis;<br \/>\n2. Explicar ao utente que se ir\u00e1 lavar a sua boca com pasta de dentes e elixir e posteriormente aplicar vaselina nos l\u00e1bios;<\/p>\n<p>T\u00e9cnica:<\/p>\n<p>1. Usar uma escova de dentes suave, pedi\u00e1trica, e uma solu\u00e7\u00e3o protectora enzim\u00e1tica bio-activa (isenta de \u00e1cool);<br \/>\n2. Se o utente n\u00e3o tiver dentes, escovar suavemente gengivas e l\u00edngua;<br \/>\n3. Se o utente possuir materiais ortodent\u00e1rios, remover, limpar e recolocar ap\u00f3s a higiene oral terminar;<br \/>\n4. Se o doente estiver inconsciente ou n\u00e3o colaborar, abrir suavemente a boca;<br \/>\n5. Remover a pasta de dentes da cavidade oral do utente atrav\u00e9s de irriga\u00e7\u00e3o de uma solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o alco\u00f3lica com uma seringa;<br \/>\n6. Hidratar cavidade oral e aplicar vaselina nos l\u00e1bios<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">Figura 4 \u2013 Protocolo da higiene oral em UCI<br \/>\nFonte: Traduzido do \u201cThe journal of Contemporary Dental Practice\u201d<\/p>\n<p>Algumas solu\u00e7\u00f5es e equipamentos usados n\u00e3o s\u00e3o 100 por cento isentos, pelo que a sua aplica\u00e7\u00e3o depender\u00e1 sempre dos antecedentes, da observa\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o dos enfermeiros.<\/p>\n<h4><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Tendo em conta a evid\u00eancia que existe na rela\u00e7\u00e3o entre uma limitada higiene da cavidade oral e o aparecimento de pneumonias bacterianas, torna-se fundamental a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos profissionais para os cuidados ao doente a este respeito.<\/p>\n<p>Os cuidados \u00e0\u00a0cavidade oral a doentes internados nas UCI podem ser melhorados providenciando pessoal de Enfermagem com disponibilidade adequada, reduzindo a percep\u00e7\u00e3o de que os cuidados orais s\u00e3o um procedimento pouco agrad\u00e1vel e fazendo do cuidado \u00e0 cavidade oral tamb\u00e9m prioridade nos cuidados de Enfermagem.<\/p>\n<p>Deste modo, as interven\u00e7\u00f5es de Enfermagem podem contribuir para a diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia da pneumonia e melhorar a seguran\u00e7a do doente.<\/p>\n<h4><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<p>1. 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PHIPPS, W.; LONG, B.; WOODS, N.; CASSMEYER, V. &#8211; Enfermagem M\u00e9dica Cir\u00fargica \u2013 Conceitos e pr\u00e1tica clinica. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Volume 2. Tomo II. Lusodidacta. Lisboa. 1999.<\/p>\n<p>6. ADAMS, R. &#8211; Qualified nurses lack adequate knowledge related to oral health, resulting in inadequate oral careof patients on medical wards. Journal of Advanced Nursing. 24. 1996.<\/p>\n<p>7. FURR, L.; BINKLEY, C.; McCURREN, C.; CARRICO, R. &#8211; Factors affecting quality of oral care in intensive care units. Department of Sociology, University of Louisville, Louisville, Blackwell Publishing. Kentucky. 2004.<\/p>\n<p>8. WILSON, J. &#8211; Controlo de Infec\u00e7\u00e3o na Pr\u00e1tica Clinica. 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Lusoci\u00eancia. Loures. 2003.<\/p>\n<p>9. ARCHIBALDI, L. et al. \u2013 Patient density, nurse-to-pacient racio and nosocomial infeccion risk in pediatric cardiac intensive care unit. Pediatric Infectious Disease Journal. 16. 1997.<\/p>\n<p>10. SCANNAPIECO, F.; STEWART, E.; MYLOTE, J. &#8211; Colonization of dental plaque by respiratory pathogens in medical intensive care patients. Critical Care Medicin. 20. 1992.<\/p>\n<p>11. TRELOAR, D.; STECHMILLER, J. &#8211; Use of a clinical assessment tool for orally intubated patients. American Journal of Critical Care. Vol. 4. 1995.<\/p>\n<p>12. TAVARES, A. et al. &#8211; Manual de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o. Comiss\u00e3o de Controlo de Infec\u00e7\u00e3o do Hospital Pedro Hispano, S. A.. Medisa. Porto. 2003.<\/p>\n<p>13. BERRY, A.; DAVIDSON, P.; MASTERS, J.; ROLLS, K. &#8211; Systematic literature review of oral hygiene practices for intensive care patients receiving mechanical ventilation. American Journal of Critical Care. Volume 16. N\u00ba 6. November 2007.<\/p>\n<p>14. GRAP, M.; MUNRO, C.; ASHTIANI, B.; BRYAN, S. &#8211; Oral care intervencions in critical care: frequency and documentation. American Journal of Critical Care. Volume 12. n\u00ba 2. March 2003.<\/p>\n<p>15. 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Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.aacn.org\/AACN\/practiceAlert.nsf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> www.aacn.org\/AACN\/practiceAlert.nsf<\/a> em 21\/01\/2008.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.britannica.com\/EBchecked\/topic-art\/387897\/68879\/Anterior-view-of-the-oral-cavity#tab=active%7Echecked%2Citems%7Echecked\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.britannica.com\/EBchecked\/topic-art\/387897\/68879\/Anterior-view-of-the-oral-cavity#tab=active~checked%2Citems~checked<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.semana.sorrisos.com.br\/exames.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.semana.sorrisos.com.br\/exames.html<\/a><\/p>\n<p>MOH NURSING CLINICAL PRACTICE GUIDELINES 1\/2004 \u2013 Nursing Management of oral hygiene. Singapore. Ministry of Health. December 2004.<\/p>\n<p>SMELTZER, S.;BRENDA, B. &#8211; Tratado de Enfermagem M\u00e9dica Cir\u00fargica. 9\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Volume II. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro.2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos dos doentes internados actualmente em institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade n\u00e3o recebem a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0cavidade oral, e, quando a recebem, esta acontece furtivamente ou quando algum problema j\u00e1\u00a0se encontra instalado<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[676,680,679,681,125,677,678,675,373],"class_list":["post-1285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-cavidade-oral","tag-dentes","tag-doencas","tag-gengivas","tag-higiene","tag-implicacoes","tag-intervencoes","tag-oral","tag-procedimentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1285"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2747,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1285\/revisions\/2747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}