{"id":1260,"date":"2010-01-14T12:00:40","date_gmt":"2010-01-14T12:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-cuidar-da-familia-do-doente-terminal-em-contexto-domiciliario\/"},"modified":"2021-05-04T09:36:08","modified_gmt":"2021-05-04T09:36:08","slug":"o-cuidar-da-familia-do-doente-terminal-em-contexto-domiciliario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-cuidar-da-familia-do-doente-terminal-em-contexto-domiciliario\/","title":{"rendered":"O Cuidar da Fam\u00edlia do Doente Terminal em Contexto Domicili\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>O enfermeiro tamb\u00e9m tem um papel fundamental no apoio e seguimento do luto, em que este n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0apenas uma reac\u00e7\u00e3o emocional, \u00e9\u00a0tamb\u00e9m um experi\u00eancia f\u00edsica, intelectual, social e espiritual<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div>\n<h4 align=\"justify\"><strong>AUTORES:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Hugo de Sousa \u2013 Licenciado em Enfermagem, P\u00f3s-graduado em Cuidados Paliativos, Coordenador de Enfermagem \u2013 USF D. Sancho I, CS do Cartaxo<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e1dia Grincho \u2013 Licenciada em Enfermagem, Enfermeira no CS de Santar\u00e9m \u2013 USF S. Domingos<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>RESUMO:<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cA morte faz cessar uma vida, mas n\u00e3o os relacionamentos que podem lutar na mente do sobrevivente\u2026\u201d Robert Anderson<br \/>\n<strong>PALAVRAS-CHAVE:<\/strong> Cuidar, Fam\u00edlia, cuidados paliativos e contexto domicili\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<h4><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<div>\n<p align=\"justify\">Cuidar no seio da pr\u00f3pria fam\u00edlia faz parte dos contextos sociais desde os prim\u00f3rdios das civiliza\u00e7\u00f5es, s\u00f3 ap\u00f3s a II Guerra Mundial \u00e9 que este processo se modificou, com a passagem dos doentes para os hospitais, onde as fam\u00edlias deixaram de ser envolvidas no processo de cuidar e os acontecimentos familiares significativos como o nascimento e morte, deixaram de ser muitas vezes acompanhados pela fam\u00edlia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Actualmente vive-se um per\u00edodo de tentativa de mudan\u00e7a para que o doente terminal morra no seio familiar, o que representa para os cuidadores o enfrentar de situa\u00e7\u00f5es inesperadas, existindo assim muitas necessidades familiares perante as quais o enfermeiro e a restante equipa de cuidados paliativos devem estar atentos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para a fam\u00edlia desempenhar o seu papel de cuidadora, necessita de ser apoiada na presta\u00e7\u00e3o dos cuidados e informada adequadamente sobre as mudan\u00e7as que ocorrem e forma de actua\u00e7\u00e3o, pois s\u00f3 assim o doente e fam\u00edlia podem assumir algum controle sobre a situa\u00e7\u00e3o, diminuindo a ang\u00fastia e ansiedade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Perceber como cuidar da fam\u00edlia do doente terminal em contexto domicili\u00e1rio \u00e9\u00a0fundamental em cuidados paliativos, conseguindo-se desta forma que esta seja um elemento activo e \u00fanico da equipa prestadora de cuidados ao doente terminal.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INFLU\u00caNCIA DA DOEN\u00c7A TERMINAL NA FAM\u00cdLIA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A defini\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia tem evolu\u00eddo ao longo dos tempos, de acordo com v\u00e1rios paradigmas, no entanto aqui adoptar-se-\u00e1 a defini\u00e7\u00e3o de \u201c Fam\u00edlia refere-se a dois ou mais indiv\u00edduos que dependem um do outro para dar apoio emocional, f\u00edsico e econ\u00f3mico. Os membros da fam\u00edlia s\u00e3o auto-definidos.\u201d (Hanson, 2005). A fam\u00edlia \u00e9, ou devia de ser, a unidade prim\u00e1ria dos cuidados de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s v\u00e1rios anos num sistema familiar, onde a busca incessante de equil\u00edbrio entre os seus elementos \u00e9\u00a0uma realidade, o diagn\u00f3stico de uma doen\u00e7a terminal, leva a um desequil\u00edbrio no sistema e a uma mudan\u00e7a global e qualitativa, imposta pela crise que amea\u00e7a a imprevisibilidade dos acontecimentos e das necessidades (Moreira, 2001). A unidade familiar sofre assim uma ruptura do estilo de vida, onde estudos apontam para a exist\u00eancia de depress\u00e3o, ansiedade, frustra\u00e7\u00e3o e exaust\u00e3o que poder\u00e3o levar a estados patol\u00f3gicos (Bolander, 1998).<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo Moreira (2001) com a morte, pode surgir al\u00edvio resultante do fim do sofrimento do doente e da tens\u00e3o familiar, o qual pode ser acompanhado de sentimentos de culpa pelo \u201cdesejo\u201d de morte. Para que a tens\u00e3o e a exaust\u00e3o familiar seja aliviada \u00e9 necess\u00e1rio que a fam\u00edlia se adapte \u00e0 doen\u00e7a com ajuda da coes\u00e3o e flexibilidade no seio do sistema familiar, comunica\u00e7\u00e3o de forma aberta e com a disponibilidade da fam\u00edlia alargada, bem como dos recursos sociais e econ\u00f3micos. O sentimento de perda e os conflitos familiares, s\u00e3o tanto maiores quanto maior ou mais importante for a fun\u00e7\u00e3o e papel anterior do elemento familiar doente. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, adoecer a m\u00e3e, o pai ou o filho.<\/p>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">A adapta\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0perda \u00e9\u00a0tamb\u00e9m influenciada pelo contexto sociocultural, que engloba as cren\u00e7as familiares, religi\u00e3o, o contexto sociopol\u00edtico e a hist\u00f3ria da perda, sendo necess\u00e1rio que os profissionais estejam mais atentos actualmente, pois existe uma maior multiculturalidade com exig\u00eancias diferentes dentro de uma popula\u00e7\u00e3o restrita (Moreira, 2001). V\u00e1rios s\u00e3o os autores que enumeram e descrevem as fases de adapta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e0 doen\u00e7a terminal de um dos seus elementos, havendo quem as descreva da mesma forma como as que os pr\u00f3prios doentes vivenciam, no entanto Rosen (1990) referenciado por Artinian (2005) divide em tr\u00eas fases de adapta\u00e7\u00e3o, a primeira \u00e9 a preparat\u00f3ria que surge quando aparece pela primeira vez os sintomas e continua at\u00e9 ao diagn\u00f3stico inicial, onde as fam\u00edlias sentem medo e nega\u00e7\u00e3o e, podem recusar a aceitar a perspectiva da morte. Pode surgir a \u201cconspira\u00e7\u00e3o do sil\u00eancio\u201d para com os membros da fam\u00edlia mais vulner\u00e1veis. Nesta fase existe muitas altera\u00e7\u00f5es emocionais e desorganiza\u00e7\u00e3o no sistema familiar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Numa fase interm\u00e9dia, onde a fam\u00edlia aceita a perda iminente e se confronta com a realidade da doen\u00e7a fatal do familiar, come\u00e7a a cuidar deste com o desafio di\u00e1rio de lidar com os sintomas f\u00edsicos, tratamento e cuidados, a fam\u00edlia torna-se menos desorganizada assumindo novos pap\u00e9is que podem levar \u00e0 exaust\u00e3o e a conflitos no sistema.<\/p>\n<p align=\"justify\">A aceita\u00e7\u00e3o, ultima fase, vem quando a fam\u00edlia aceita a morte iminente e conclui o processo de despedida do familiar falecido, onde poder\u00e1 reaparecer alguns dos sentimentos vivenciados na primeira fase, pelo que cuidar de fam\u00edlias quando um membro est\u00e1 a morrer, constitui um desafio para os profissionais de sa\u00fade ajud\u00e1-las a lidarem com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>O ENFERMEIRO NO CUIDAR DA FAM\u00cdLIA EM CUIDADOS PALIATIVOS NO CONTEXTO DOMICILI\u00c1RIO<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Os cuidados domicili\u00e1rios surgem como uma estrat\u00e9gia b\u00e1sica de interven\u00e7\u00e3o na comunidade que se deve constituir num processo cont\u00ednuo que pretende valorizar as necessidades da pessoa\/fam\u00edlia em termos de sa\u00fade, incentivando-os a utilizarem os recursos de que disp\u00f5em e os da comunidade, de modo a que estes superem as suas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os cuidados domicili\u00e1rios podem proporcionar um fim de vida digno e desejado para o doente e sua fam\u00edlia, prestando a estes cuidados paliativos, em que o doente \u00e9 o centro dos cuidados e n\u00e3o a doen\u00e7a, cuidados com uma vis\u00e3o hol\u00edstica e s\u00f3 poss\u00edveis de realizar de forma correcta, quando se v\u00ea o indiv\u00edduo como um sistema da fam\u00edlia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Constituindo assim a fam\u00edlia e o doente terminal a unidade a cuidar, \u00e9 fulcral que se compreenda e avalie tamb\u00e9m as necessidades sentidas pelas fam\u00edlias, devendo esta ser entendida como uma unidade receptora de cuidados, para que ela pr\u00f3pria desempenhe eficazmente a sua fun\u00e7\u00e3o fulcral de prestadora de cuidados.<\/p>\n<p align=\"justify\">O enfermeiro assume aqui um papel muito importante, pois tem a responsabilidade de potenciar a comunica\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es interpessoais existentes, com a finalidade de procurar compreender a pessoa\/fam\u00edlia, para os auxiliar a obter uma adapta\u00e7\u00e3o mais eficaz, face aos recursos de que disp\u00f5em.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por tudo isto torna-se fundamental a correcta e completa avalia\u00e7\u00e3o das necessidades dos familiares.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>AVALIA\u00c7\u00c3O DAS NECESSIDADES FAMILIARES<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A avalia\u00e7\u00e3o das necessidades da fam\u00edlia segundo G\u00f3mez-Batiste et al (1996), referido por Moreira (2001), passa pelo conhecimento das reac\u00e7\u00f5es do doente; as suas expectativas; grau de informa\u00e7\u00e3o que disp\u00f5e; grau de comunica\u00e7\u00e3o entre membros da fam\u00edlia; constitui\u00e7\u00e3o do n\u00facleo familiar e seu comportamento; grau de disponibilidade familiar para cuidar e suas dificuldades reais; recursos materiais e afectivos dispon\u00edveis; quem \u00e9 o cuidador principal e o tipo de rela\u00e7\u00e3o com o doente; expectativas reais da fam\u00edlia face \u00e0 equipa de sa\u00fade; padr\u00f5es morais e experi\u00eancias anteriores, assim como a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Da an\u00e1lise realizada por Moreira (2001), sobre as necessidades da fam\u00edlia mencionadas pelos diferentes autores, surge o apelo \u00e0\u00a0necessidade de informa\u00e7\u00e3o, como estrat\u00e9gia a adoptar para capacitar a fam\u00edlia para cuidar, promovendo simultaneamente o ajuste \u00e0 situa\u00e7\u00e3o e uma melhor adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 perda.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo em considera\u00e7\u00e3o o Modelo de Sistema de Fam\u00edlia de Friedman, os enfermeiros podem explorar todo o sistema familiar, real\u00e7ando a totalidade, em que a avalia\u00e7\u00e3o segundo Artinian (2005), inclui (Quadro I):<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table5\" border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#c0c0c0\">\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Quadro I \u2013 Avalia\u00e7\u00e3o das necessidades<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\u00a0\u00a0\u00a0A forma como a doen\u00e7a afecta os membros da fam\u00edlia;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Rela\u00e7\u00e3o entre membros da fam\u00edlia;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Rela\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia com a equipa de sa\u00fade;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Informa\u00e7\u00e3o dada ao sistema familiar;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Decis\u00e3o sobre cuidados de sa\u00fade dos outros membros familiares;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0N\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o dos membros da fam\u00edlia;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Informa\u00e7\u00e3o que a fam\u00edlia precisa ou quer;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Membros envolvidos na tomada de decis\u00f5es;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Exist\u00eancia de processamento de informa\u00e7\u00e3o internamente;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Respostas do sistema familiar, reac\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Abertura face ao apoio ou aconselhamento da equipa de sa\u00fade;<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Influ\u00eancia do comportamento da fam\u00edlia no doente e do doente na fam\u00edlia.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<div>\n<p align=\"justify\">A colabora\u00e7\u00e3o interdisciplinar nos cuidados domicili\u00e1rios paliativos \u00e9\u00a0particularmente importante, pelo facto de ser fundamental o envolvimento de v\u00e1rios profissionais para que este servi\u00e7o satisfa\u00e7a positivamente as pessoas\/fam\u00edlias que dele necessitam.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta forma, o enfermeiro dever\u00e1\u00a0colaborar activamente com outros prestadores de cuidados, outros profissionais, e representantes da comunidade. Desta saud\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o a pessoa\/fam\u00edlia sair\u00e1 certamente beneficiada.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>INTERVEN\u00c7\u00c3O DE ENFERMAGEM \u00c0\u00a0FAM\u00cdLIA<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Na presta\u00e7\u00e3o de cuidados directos \u00e0\u00a0pessoa\/fam\u00edlia no domic\u00edlio, o enfermeiro tem uma excelente oportunidade para observar o funcionamento da fam\u00edlia dentro do seu contexto real de vida; identificar os seus recursos e problemas no seu meio e assim, adaptar o ensino e os cuidados de enfermagem \u00e0s condi\u00e7\u00f5es e recursos existentes; identificar outros problemas de sa\u00fade; facilitar o contacto directo e pessoal que inspire confian\u00e7a e sentimento de apoio \u00e0 fam\u00edlia; desenvolver um melhor relacionamento do enfermeiro com a fam\u00edlia, mostrando um maior grau de privacidade e disponibilidade para com ela (Navalhas, 1997).<\/p>\n<p align=\"justify\">O enfermeiro dever\u00e1 procurar, juntamente com a fam\u00edlia, a melhor forma de integrar a presta\u00e7\u00e3o de cuidados decorrente da altera\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, nas rotinas familiares di\u00e1rias e, se necess\u00e1rio, mobilizar recursos existentes na comunidade, incentivando a sua participa\u00e7\u00e3o. No entanto a interven\u00e7\u00e3o de enfermagem dever\u00e1 ser no sentido de trabalhar com a fam\u00edlia e n\u00e3o para a fam\u00edlia, respeitando a sua autonomia e capacidade de decis\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o dos seus valores.<\/p>\n<p align=\"justify\">De entre as v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es poss\u00edveis junto da fam\u00edlia com um doente em fase terminal, segundo Artinian (2005) o enfermeiro deve incluir (Quadro II):<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table6\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table7\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#c0c0c0\">\n<p align=\"center\">\u00a0\u00a0\u00a0Quadro II \u2013 Interven\u00e7\u00f5es de Enfermagem<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Encorajamento das interac\u00e7\u00f5es entre enfermeiro \u2013 fam\u00edlia com uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, para que estas saibam, em situa\u00e7\u00e3o de crise, a quem poder\u00e3o recorrer.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Fomentar a aptid\u00e3o da fam\u00edlia para obter informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do pr\u00f3prio familiar, bem como do profissional de sa\u00fade, levando esta a uma melhor aceita\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Escutar os sentimentos, preocupa\u00e7\u00f5es e perguntas da fam\u00edlia mostrando disponibilidade para uma escuta activa que permita um fluxo emocional.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Responder \u00e0s perguntas da fam\u00edlia ou ajud\u00e1-la a obter respostas, devem tamb\u00e9m ser explicadas as causas, consequ\u00eancias e evolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, bem como os procedimentos e t\u00e9cnicas para que a fam\u00edlia cuide do seu familiar (controlo de sintomas, apoio psicol\u00f3gico, \u2026).<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Fomentar uma esperan\u00e7a realista, pois existe a necessidade que o doente\/fam\u00edlia saibam o progn\u00f3stico da doen\u00e7a no sentido da resolu\u00e7\u00e3o de problemas\/desejos pendentes antes do fim da vida.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Informar regularmente sobre a situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do doente, caso este concorde com tal facto, mas ter sempre em aten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se deve dar informa\u00e7\u00e3o precipitada. Na informa\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que o enfermeiro e a restante equipa, inclu\u00eddo a fam\u00edlia n\u00e3o fa\u00e7am uma \u201cconspira\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio\u201d em redor do doente, pois muitas vezes o sil\u00eancio \u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o das suspeitas do doente em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico, aumentando o seu receio face ao que n\u00e3o lhe \u00e9 transmitido verbalmente (Moreira, 2001).<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Promover estrat\u00e9gias para normalizar a vida da fam\u00edlia, inclu\u00eddo sentimentos e emo\u00e7\u00f5es de forma a encontrar o melhor processo de adapta\u00e7\u00e3o e assim ter uma maior disponibilidade para o doente, utilizando para tal as reuni\u00f5es ou confer\u00eancias familiares (Moreira, 2001).<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Valorizar os pontos fortes da fam\u00edlia como cuidadora, assumindo o refor\u00e7o positivo como um incentivo a uma continuidade e qualidade dos cuidados.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Facilitar a resolu\u00e7\u00e3o de conflitos anteriores entre os v\u00e1rios sistemas familiares (ex. irm\u00e3os que n\u00e3o se falam, filhos que abandonaram os pais, heran\u00e7as\u2026).<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Apoiar a fam\u00edlia nos seus cuidados pessoais, incluindo descanso, distrac\u00e7\u00e3o e o que a fam\u00edlia mais desejar no encontro do sentido da vida.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Mostrar disponibilidade total para o contacto aquando necess\u00e1rio, por exemplo atrav\u00e9s do fornecimento do n\u00famero de telefone, muitas vezes o recurso mais \u00fatil para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas no imediato.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#99ccff\">\n<ul>\n<li>Despiste e identifica\u00e7\u00e3o de sinais de luto disfuncional, sendo que este \u00e9 tudo menos linear e necessita do acompanhamento de profissionais, nomeadamente dos enfermeiros.<\/li>\n<\/ul>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">O enfermeiro tamb\u00e9m tem um papel fundamental no apoio e seguimento do luto, em que este n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0apenas uma reac\u00e7\u00e3o emocional, \u00e9\u00a0tamb\u00e9m um experi\u00eancia f\u00edsica, intelectual, social e espiritual (O\u2019Toole,1987, referido em Twycross, 2001).<\/p>\n<p align=\"justify\">Ao planear a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades identificadas, \u00e9\u00a0importante avaliar o que pode ser atingido na realidade dentro do sistema familiar. Nesta \u00e1rea, o enfermeiro deve ter em conta as cren\u00e7as e valores da fam\u00edlia sobre a sa\u00fade, bem como, as limita\u00e7\u00f5es financeiras e os recursos dispon\u00edveis (Bolander, 1998).<\/p>\n<p align=\"justify\">A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0feita continuamente junto da pessoa\/fam\u00edlia, para determinar os resultados face \u00e0s finalidades\/objectivos estabelecidos. Poder\u00e1\u00a0ser necess\u00e1rio reformular objectivos, ac\u00e7\u00f5es, consoante a evolu\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es. \u00c0 medida que os cuidados domicili\u00e1rios s\u00e3o implementados, os recursos, motiva\u00e7\u00e3o e reac\u00e7\u00f5es emocionais da pessoa e da fam\u00edlia alteram-se, devendo ser tidos em linha de conta na reformula\u00e7\u00e3o do plano de cuidados.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Uma correcta e completa avalia\u00e7\u00e3o das necessidades da fam\u00edlia do doente em fase terminal, em contexto domicili\u00e1rio \u00e9\u00a0fulcral para uma adequada interven\u00e7\u00e3o transdisciplinar, em que o enfermeiro assume o papel de pivot nesta equipa, sendo ele muitas vezes o elemento mais pr\u00f3ximo da fam\u00edlia, tendo em conta a sua globalidade de cuidados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na certeza que muito mais havia a escrever, pois quando o fazemos sobre um tema t\u00e3o vasto como o cuidar da fam\u00edlia do doente terminal enquanto sistema, com tudo o que isso implica, qualquer coisa que se escreve \u00e9 uma mera tentativa de contribuir para que este sistema seja mais e melhor entendido e que quem cuide de fam\u00edlias com um elemento em fase terminal se apoie e reflicta sobre a sua interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">ARTINIAN, N. T. Enfermagem M\u00e9dico-Cir\u00fargica centrada na Fam\u00edlia In HANSON, S. Enfermagem de Cuidados de Sa\u00fade \u00e0 Fam\u00edlia: Teoria, Pr\u00e1tica e Investiga\u00e7\u00e3o. Loures: Lousoci\u00eancia, 2005. 293-321: 2\u00aa ed.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">AUGUSTO, B.; CARVALHO, R. Cuidados Continuados: Fam\u00edlia, Centro de Sa\u00fade e Hospital como Parceiros no Cuidar. Coimbra: Formasau, 2002.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">BALLARD, N. R. Estrutura Familiar, Fun\u00e7\u00e3o e Processo In HANSON, S. Enfermagem de Cuidados de Sa\u00fade \u00e0 Fam\u00edlia: Teoria, Pr\u00e1tica e Investiga\u00e7\u00e3o. Loures: Lousoci\u00eancia, 2005. 85-107: 2\u00aa ed.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">BOLANDER, V. Enfermagem Fundamental. Lisboa. Lusodidacta,1998.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">HANSON, S. Enfermagem de Cuidados de Sa\u00fade \u00e0 Fam\u00edlia: Teoria, Pr\u00e1tica e Investiga\u00e7\u00e3o. Loures: Lousoci\u00eancia, 2005. 2\u00aa ed.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MOREIRA, I. O Doente Terminal em Contexto Familiar: Uma An\u00e1lise da Experi\u00eancia de Cuidar Vivenciada pela Fam\u00edlia. Coimbra: Formasau, 2001.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">NAVALHAS, J. Projecto de Interven\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da visita domicili\u00e1ria no contexto do Cuidar em enfermagem. Enfermagem, 1997; 7: 2\u00aa s\u00e9rie.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">NETO, I. Manual de Cuidados Paliativos. Lisboa: Asta M\u00e9dica, 1997.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">PORTUGAL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Direc\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade. Programa Nacional de Cuidados Paliativos. Lisboa: Conselho Nacional de Oncologia, 2004.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">SFADP. Desafios da Enfermagem em Cuidados Paliativos \u00abCuidar\u00bb: \u00e9tica e pr\u00e1ticas. Loures: Lusoci\u00eancia, 2000<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">STANHOPE, M.; LANCASTER, J. Enfermagem Comunit\u00e1ria. Lisboa: Lusoci\u00eancia, 1999, 4.\u00aaed.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">TWYCROSS, R. Cuidados Paliativos. Lisboa: Climepsi editores, 2001.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O enfermeiro tamb\u00e9m tem um papel fundamental no apoio e seguimento do luto, em que este n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0apenas uma reac\u00e7\u00e3o emocional, \u00e9\u00a0tamb\u00e9m um experi\u00eancia f\u00edsica, intelectual, social e espiritual<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[202,488,672,283,397],"class_list":["post-1260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinais-vitais","tag-cuidados-paliativos","tag-cuidar","tag-doente-terminal","tag-domicilio","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1260"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1260\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2750,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1260\/revisions\/2750"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}