{"id":1258,"date":"2010-01-14T11:54:39","date_gmt":"2010-01-14T11:54:39","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-cuidar-multicultural-como-estrategia-no-futuro\/"},"modified":"2021-05-04T09:36:25","modified_gmt":"2021-05-04T09:36:25","slug":"o-cuidar-multicultural-como-estrategia-no-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/o-cuidar-multicultural-como-estrategia-no-futuro\/","title":{"rendered":"O cuidar multicultural como estrat\u00e9gia no futuro"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"line-height: 1.3em;\">A Enfermagem \u00e9\u00a0uma profiss\u00e3o de cuidados transculturais, a \u00fanica que se centra na promo\u00e7\u00e3o do cuidado humano para pessoas de uma forma significativa, respeitando os valores culturais e estilos de vida<\/span><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4><strong>T\u00edtulo<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O cuidar multicultural como estrat\u00e9gia no futuro\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">The multicultural care as a strategy in future<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba252<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">\n<h4><strong>Autores<\/strong><\/h4>\n<p>Alexandra Maria Carapito Ramos Barradas, Enfermeira Especialista em Sa\u00fade Infantil e Pedi\u00e1trica \u2013 Centro Hospitalar de Set\u00fabal, EPE \u2013 Hospital de S. Bernardo, Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Paulo Vieira Rodrigues, Enfermeiro Graduado \u2013 Hospital de Santar\u00e9m, EPE, Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Maria Adelaide Pereira, Enfermeira Especialista em Reabilita\u00e7\u00e3o \u2013 Hospital Dona Estef\u00e2nia, Mestranda em Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade.<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p>Os enfermeiros no seu quotidiano contactam com diversas culturas e micro-culturas, existindo uma necessidade de adapta\u00e7\u00e3o destes para que o cuidar por eles desenvolvido seja emp\u00e1tico, com ganhos para ambas as partes: a melhoria da situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade por parte da pessoa que \u00e9 cuidada e a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos novos sobre a cultura em que se desenrola o processo de cuidados por parte do cuidador.<\/p>\n<p>O cuidar na multiculturalidade revela-se como o futuro da enfermagem devido \u00e0\u00a0 situa\u00e7\u00e3o mundial de mobilidade humana e \u00e0\u00a0globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno n\u00e3o foi esquecido pelas te\u00f3ricas de enfermagem, que abordam este tema dando-lhe significativa import\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> enfermagem, cuidar, cultura, multiculturalidade, comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p>The nurses in his\/her everyday one, contact with several cultures and mini-cultures, existing a need of adaptation of these so that taking care for them developed is empathyc, with won for both parts: the improvement of the situation of health on the part of the person that is taken care and the acquisition of new knowledge on the culture in that the process of cares is uncoiled on the part of the caretaker.<\/p>\n<p>Taking care in the multiculturalism, it is revealed as the future of the nursing due to the world situation of human mobility and to the globalization.<\/p>\n<p>This phenomenon was not forgotten by the theoretical of nursing, that approach this theme giving him\/her significant importance.<\/p>\n<p><strong>Keywords:<\/strong> nursing, care, culture, multiculturalism, communication.<\/p>\n<h4><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Quantas vezes \u00e9 na nossa pr\u00e1tica di\u00e1ria n\u00e3o nos deparamos com utentes\/clientes de outras nacionalidades?<\/p>\n<p>O fen\u00f3meno de emigra\u00e7\u00e3o sofreu altera\u00e7\u00f5es significativas porque, nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo passado, Portugal fornecia com m\u00e3o-de-obra barata pa\u00edses como o Luxemburgo, a Fran\u00e7a, a Alemanha e em menor escala o Reino Unido. Hoje, o nosso pa\u00eds recebe emigrantes vindos da Europa do Leste, da \u00c1frica, da \u00c1sia e da Am\u00e9rica Latina. Pass\u00e1mos assim de fornecedores a receptores.<\/p>\n<p>Estes grupos de pessoas trazem com elas a sua cultura e a sua maneira de viver a sa\u00fade e a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O cuidar infantil pode ter muitas variantes culturais e algumas barreiras, tais como a l\u00edngua e cren\u00e7as vindas de pa\u00edses distantes, podem dificultar o desenrolar do processo de cuidados e a comunica\u00e7\u00e3o entre a equipa de sa\u00fade e os pais.<\/p>\n<p>Nos adultos, a barreira lingu\u00edstica pode bloquear a comunica\u00e7\u00e3o, havendo necessidade de recorrer a int\u00e9rpretes para que o cuidar se possa desenrolar harmoniosamente.<\/p>\n<p>Segundo NEVES (1999), \u201ca r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o da nossa sociedade moderna, mediatizada e multicultural, exige que os enfermeiros se formem cada vez mais para a interculturalidade\/mundialidade e se dispam definitivamente de etnocentrismos, na abertura \u00e0 diversidade das pessoas \u2013 doentes\/utentes \u2013 que delegam neles o cuidar\u201d.<\/p>\n<p>O objectivo deste artigo \u00e9\u00a0reflectir sobre a pr\u00e1tica de cuidados na multiculturalidade, de maneira a que cada um possa arranjar estrat\u00e9gias para agir nestas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h4><strong>O cuidar multicultural<\/strong><\/h4>\n<p>De acordo com o \u201cInternational Migration Report 2002\u201d do Departamento das Na\u00e7\u00f5es Unidas o n\u00famero de migra\u00e7\u00f5es duplicou desde os anos de 1970. Cerca de 175 milh\u00f5es de pessoas residem fora do seu pa\u00eds de origem. (UNESCO, 2006).<\/p>\n<p>A busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, a guerra e a pobreza extrema em que as pessoas vivem nos seus pa\u00edses de origem, levam a que tentem medidas desesperadas, muitas vezes com o risco das pr\u00f3prias vidas, \u00e0 procura de um local melhor para viverem.<\/p>\n<p>No novo pa\u00eds de acolhimento, estas pessoas come\u00e7am o processo de acultura\u00e7\u00e3o. O processo de acultura\u00e7\u00e3o provoca a perda, a aquisi\u00e7\u00e3o, a transforma\u00e7\u00e3o, a substitui\u00e7\u00e3o e a reinterpreta\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os culturais dos grupos em presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Para Berry citado por RAMOS (2006), as mudan\u00e7as comportamentais, (nomeadamente, na linguagem, nas atitudes, na identidade) e o stress de acultura\u00e7\u00e3o constituem dois tipos de respostas psicol\u00f3gicas \u00e0 acultura\u00e7\u00e3o. V\u00e1rios autores t\u00eam estudado os efeitos sobre o comportamento parental, muito em particular maternal, de uma mudan\u00e7a brusca de meio f\u00edsico e s\u00f3cio cultural originado pela migra\u00e7\u00e3o segundo os grupos e modos de acultura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Certas pr\u00e1ticas resistem melhor \u00e0\u00a0acultura\u00e7\u00e3o, como destacou Stork (1986,1988) e Ramos (1993,1996) citado por RAMOS (2006), nomeadamente as pr\u00e1ticas m\u00e1gico-religiosas. Estas constituem um meio de protec\u00e7\u00e3o contra a ang\u00fastia e \u201cestranheza\u201d da situa\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Relativamente aos comportamentos familiares, mais concretamente \u00e0s pr\u00e1ticas de cuidados maternos, encontramos diferentes modalidades de acultura\u00e7\u00e3o. Esta poder\u00e1\u00a0constituir uma acultura\u00e7\u00e3o sem problemas, caracterizada geralmente por uma alian\u00e7a harmoniosa das pr\u00e1ticas tradicionais (modo de transportar a crian\u00e7a, massagens, embalar na rede, nos bra\u00e7os, nas costas, manuten\u00e7\u00e3o da l\u00edngua materna, etc.) com as pr\u00e1ticas origin\u00e1rias da maternidade e do desenvolvimento, como a utiliza\u00e7\u00e3o de tecnologia dom\u00e9stica e o recurso \u00e0s estruturas de sa\u00fade e s\u00f3cio-educativas dispon\u00edveis no pa\u00eds de acolhimento. (RAMOS, 2006).<\/p>\n<p>Enquanto o processo de encultura\u00e7\u00e3o promove a adapta\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo \u00e0s normas do seu meio, permitindo-lhe uma vida harmoniosa no grupo cultural a que pertence, o processo de socializa\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e a exist\u00eancia de uma influ\u00eancia directiva sobre a pessoa (Ramos citado por SOARES, 2003).<\/p>\n<p>Ao processo de encultura\u00e7\u00e3o est\u00e1\u00a0directamente associada a no\u00e7\u00e3o de identidade s\u00f3cio-cultural do indiv\u00edduo, que ocorre pelo sentimento de perten\u00e7a a um determinado grupo social e cultural e, da mesma forma, de como se diferencia e \u00e9 definido pelos restantes grupos da sociedade onde se insere (SOARES, 2003).<\/p>\n<p>No entanto, e devido a cada vez mais existirem sociedades multiculturais, os indiv\u00edduos conhecem desde muito cedo outras culturas, outras formas de estar, de viver, sofrendo processos de socializa\u00e7\u00e3o que lhes permitem perceber e adaptar-se a outras realidades culturais, distintas dos grupos a que pertencem (SOARES, 2003).<\/p>\n<p><strong>Mas afinal o que \u00e9\u00a0a cultura?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Por cultura entende-se:<\/p>\n<p>\u201co conjunto de tra\u00e7os distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afectivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social e que abrange, al\u00e9m das artes e letras, os modos de vida, as maneiras de viver juntos, os sistemas de valores, as tradi\u00e7\u00f5es e as cren\u00e7as\u201d (Declara\u00e7\u00e3o Universal sobre a Diversidade Cultural citado por MARQUES, 2003).<\/p>\n<p>A cultura acompanha-nos permanentemente, determinando a nossa forma de ver o mundo. Esta \u00e9\u00a0 moldada continuamente pelo percurso de cada um, sendo tamb\u00e9m fruto da influ\u00eancia da comunidade (FERNANDES, 2000).<\/p>\n<p>Leininger definiu cultura comparando-a a um \u201cguarda-chuva\u201d, termo que indica a acumula\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias humanas na sua transforma\u00e7\u00e3o para uma determinada forma de vida em rela\u00e7\u00e3o a um grupo de pessoas (BOLANDER, 1998).<\/p>\n<p>A cultura \u00e9\u00a0 um processo din\u00e2mico, que est\u00e1\u00a0em permanente muta\u00e7\u00e3o. Esta evolu\u00e7\u00e3o resulta dos pr\u00f3prios indiv\u00edduos que est\u00e3o em constante crescimento e desenvolvimento, trazendo, dessa forma, novas formas de agir e de pensar ao grupo, mas tamb\u00e9m do contacto com outras pessoas e outros grupos com valores e tradi\u00e7\u00f5es diferentes. Esta interac\u00e7\u00e3o permite uma maior capacidade de enfrentar novas situa\u00e7\u00f5es e um desenvolvimento da sua capacidade de racioc\u00ednio e de destreza.<\/p>\n<p>Segundo Bruner citado por RAMOS (2006) \u201ca cultura \u00e9 um conjunto de sistemas simb\u00f3licos, elaborados colectivamente e transmitidos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, ela caracteriza-se igualmente como um conjunto de recursos interpretativos\u201d. Tamb\u00e9m Hall citado por RAMOS (2006) define cultura como \u201cum conjunto dos elementos aprendidos em sociedade pelos membros de uma determinada sociedade, e, estes elementos s\u00e3o ac\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es e pensamentos (racioc\u00ednios, cren\u00e7as, sentimentos, sensa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Partilhamos a s\u00edntese feita por RAMOS (2006) quando diz que cultura \u00e9 \u201ctudo o que se aprende de forma consciente ou inconsciente e que se pode transmitir e comunicar\u201d.<\/p>\n<p>Surge ent\u00e3o outra quest\u00e3o: qual a import\u00e2ncia da cultura?<\/p>\n<p>O indiv\u00edduo desenvolve-se e cria a sua identidade dentro de uma determinada cultura. Esse desenvolvimento e crescimento harmonioso s\u00f3 s\u00e3o poss\u00edveis numa situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e de bem-estar. Com efeito, o indiv\u00edduo s\u00f3 evolui na aus\u00eancia de doen\u00e7a, de enfermidade. Mas o que \u00e9 a doen\u00e7a? \u00c9 s\u00f3 a aus\u00eancia de sa\u00fade? E n\u00e3o ter\u00e1 cada cultura o seu pr\u00f3prio conceito de sa\u00fade?<\/p>\n<p>O desenvolvimento do ser humano est\u00e1\u00a0ligado \u00e0\u00a0cultura e \u00e0\u00a0sa\u00fade. \u00c9\u00a0 imposs\u00edvel falar destes tr\u00eas aspectos de uma forma isolada e independente. Esta tr\u00edade encontra-se intimamente relacionada, orientando e influenciando cada uma das suas concep\u00e7\u00f5es e contribuindo para a afirma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo como membro de um grupo, de uma sociedade, do mundo com uma identidade \u00fanica e inimit\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1257\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/circ.gif\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"239\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Murrell citado por FRAN\u00c7A e MONTEIRO (2002) afirma que \u201ca no\u00e7\u00e3o de identidade \u00e9 central na compreens\u00e3o e explica\u00e7\u00e3o das interac\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es entre os grupos\u201d. Ter consci\u00eancia do que somos, o que representamos e a influ\u00eancia que temos nos outros, e que eles t\u00eam em n\u00f3s, \u00e9 crucial para percebermos qual o nosso papel num grupo e qual o contributo que podemos dar para enriquec\u00ea-lo.<\/p>\n<h4><strong>Alguns conceitos importantes<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 importante definir alguns conceitos que melhor nos ajudam a compreender o fen\u00f3meno.<\/p>\n<p>Por multiculturalidade entende-se a diferen\u00e7a vis\u00edvel e secreta entre pessoas de diferentes grupos populacionais relativamente aos seus valores, cren\u00e7as, linguagem, caracter\u00edsticas f\u00edsicas e padr\u00f5es gerais de comportamento (Black citado por CONTENTE et al., 2001).<\/p>\n<p>A multiculturalidade existente na actual sociedade leva \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de subculturas. BOLANDER (1998) define sub-cultura como o \u201c (\u2026) que \u00e9 vivido por um grupo mais pequeno dentro de uma cultura\u201d. As subculturas t\u00eam, assim, diferentes formas de viver a vida, distinguindo-as da cultura dominante.<\/p>\n<p>A diversidade cultural \u00e9\u00a0o conceito utilizado para demonstrar que existem diferen\u00e7as entre as culturas, assim como entre as subculturas e a cultura dominante (BOLANDER, 1998). \u00c0 diversidade cultural est\u00e1 subentendido a exist\u00eancia de grupos \u00e9tnicos.<\/p>\n<p>Por etnia\/etnicidade\/grupo \u00e9tnico entende-se \u201c (\u2026) um grupo de pessoas que dentro de uma sociedade alargada, partilham heran\u00e7as culturais que foram transmitidas de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o\u201d (BOLANDER, 1998).<\/p>\n<p>A etnicidade constitui todo um conjunto de pr\u00e1ticas culturais e formas de entender o mundo que distinguem uma dada comunidade das restantes e fazendo com que um determinado grupo \u00e9tnico se veja como culturalmente distinto de outros (GIDDENS, 2004). Assim, a etnicidade constitui um elemento central da identidade do indiv\u00edduo e do grupo, podendo fornecer \u201c(\u2026) uma importante linha de continuidade com o passado e \u00e9 muitas vezes mantida viva atrav\u00e9s da pr\u00e1tica de tradi\u00e7\u00f5es culturais\u201d.<\/p>\n<p>BOLLANDER (1998), define etnocentrismo:<\/p>\n<p>\u201cPor etnocentrismo entende-se a ideia\/convic\u00e7\u00e3o de que as pr\u00f3prias cren\u00e7as, costumes e atitudes s\u00e3o melhores e mais correctas que as dos outros. Os costumes, comportamentos e atitudes de outros grupos s\u00e3o olhados como diferentes, imorais ou inferiores.\u201d<\/p>\n<p>Este grupo de indiv\u00edduos possui um conjunto de caracter\u00edsticas: apar\u00eancia f\u00edsica, l\u00edngua que utilizam na comunica\u00e7\u00e3o inter-grupal, tipo de vestu\u00e1rio e adornos, h\u00e1bitos e costumes, regras e normas de conduta por que se regem e tipo de estratifica\u00e7\u00e3o social que desenvolvem que permite distinguir este grupo de outro existente (SOARES, 2003).<\/p>\n<p>\u00c9 sobretudo devido a essas diferen\u00e7as culturais existentes que se podem criar incompatibilidades e at\u00e9 mesmo desenvolverem-se ideias estereotipadas e preconceitos perante determinados grupos \u00e9tnico-culturais (SOARES, 2003).<\/p>\n<h4><strong>O cuidar<\/strong><\/h4>\n<p>O cuidar como disciplina envolveu numerosos te\u00f3ricos de enfermagem que, de uma maneira exaustiva, demonstraram que esta pr\u00e1tica n\u00e3o engloba apenas a presta\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas invasivas ou procedimentos t\u00e9cnicos, mas o envolvimento do \u201ceu\u201d prestador que se \u201cd\u00e1\u201d tamb\u00e9m como pessoa e n\u00e3o apenas como t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>Segundo COLLI\u00c9RE (1999)<\/p>\n<p>\u201cO campo da compet\u00eancia da enfermagem situa-se como um prolongamento, uma substitui\u00e7\u00e3o daquilo que os utilizadores dos cuidados n\u00e3o podem, temporariamente, assegurar por si pr\u00f3prios, ou lhes \u00e9 assegurado pelos que os cercam. Exerce-se por ocasi\u00e3o de determinadas circunst\u00e2ncias da vida, e\/ou quando h\u00e1 insufici\u00eancia de recursos do meio, por isso \u00e9 sujeito a oscila\u00e7\u00f5es e \u00e0 necessidade de ajustamentos\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, o campo da compet\u00eancia da enfermagem n\u00e3o deixa de ser confuso e arbitr\u00e1rio se n\u00e3o existir uma clarifica\u00e7\u00e3o do tipo de substitui\u00e7\u00e3o a fazer.<\/p>\n<p>Ainda segundo a mesma autora, (1999)<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0O campo da compet\u00eancia da enfermagem, isto \u00e9, o dom\u00ednio dos cuidados de enfermagem, situa-se, verdadeiramente na encruzilhada de um tr\u00edptico que tem como ponto de impacto o que diz respeito \u00e0 pessoa, o que diz respeito \u00e0 sua limita\u00e7\u00e3o ou \u00e0 sua doen\u00e7a, o que diz respeito aos que a cercam e ao seu meio.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nesta nova defini\u00e7\u00e3o, a autora d\u00e1 \u00eanfase ao contexto da situa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, que faz divergir o tipo de cuidados adaptados a cada um. Por exemplo, cuidar de uma gripe numa pessoa idosa pode requerer o seu internamento e a manuten\u00e7\u00e3o das suas actividades de vida, ao contr\u00e1rio de uma crian\u00e7a cuja m\u00e3e cuida dela no seu domic\u00edlio, se n\u00e3o houver complica\u00e7\u00f5es com a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>No processo de cuidados surge ent\u00e3o a dimens\u00e3o hol\u00edstica do homem, em que o seu meio, a sua cultura e as suas cren\u00e7as s\u00e3o importantes para a qualidade dos processos de cuidados. Ainda para a mesma autora, (1999) o processo de cuidados tem de ter uma abordagem antropobiol\u00f3gica.<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0Toda a situa\u00e7\u00e3o de cuidados \u00e9\u00a0 uma situa\u00e7\u00e3o antropobiol\u00f3gica, isto \u00e9, diz respeito ao homem inserido no seu meio, composto por todas as esp\u00e9cies de la\u00e7os simb\u00f3licos, por isso, a abordagem antropol\u00f3gica parece ser a forma mais adaptada para descobrir as pessoas tratadas e tornar significativas as informa\u00e7\u00f5es que transportam.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Come\u00e7a ent\u00e3o a ter muita import\u00e2ncia, qual o contexto s\u00f3cio-antropol\u00f3gico que o indiv\u00edduo tem, para que o processo de cuidados possa ser adaptado \u00e0s suas necessidades, n\u00e3o somente vitais, mas tamb\u00e9m humanas.<\/p>\n<p>Para a mesma autora, (1999) cuidar ser\u00e1:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0&#8230;mobilizar em algu\u00e9m tudo o que vive, tudo o que \u00e9\u00a0portador de vida, toda a sua vitalidade, o seu \u201cvital power\u201d, todo o seu potencial de vida, mas tamb\u00e9m toda a vida que tem em pot\u00eancia (&#8230;), procurar aquilo a que a pessoa ainda d\u00e1 valor, como aquele olhar a uma pessoa querida, aquela m\u00e3o que ainda deseja tocar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A componente cultural come\u00e7a a ser reparada por outra autora. Segundo LEININGER (1999) cuidar \u00e9:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0&#8230;essencialmente fornecer apoio, conforto, seguran\u00e7a e ajuda ao paciente (&#8230;) \u00e9\u00a0transcultural, apela para a valoriza\u00e7\u00e3o das cren\u00e7as que influenciam a forma como manifestam as suas necessidades de cuidados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A cultura das pessoas come\u00e7a a ser demasiado importante para podermos cuidar com qualidade. Se a nossa sociedade hoje \u00e9\u00a0multicultural, devemos saber quais s\u00e3o as concep\u00e7\u00f5es de vida ou de morte para essas pessoas e ajustar os nossos procedimentos a essas realidades para que possamos criar uma rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica.<\/p>\n<p>Para outra autora, HESBEEN (2001) cuidar \u00e9 tamb\u00e9m relacional.<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0&#8230;o encontro entre algu\u00e9m que cuida e de algu\u00e9m que \u00e9\u00a0cuidado persegue um objectivo bem preciso, o de conseguir que esse encontro tenha como resultado criar la\u00e7os de confian\u00e7a (&#8230;) isto equivale de certo modo, a que quem \u00e9 cuidado se diga acredito que este profissional pode ajudar-me na minha situa\u00e7\u00e3o particular.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Uma outra autora WATSON (2002) vai mais longe criando a defini\u00e7\u00e3o de cuidar transpessoal, onde entra tamb\u00e9m a componente espiritual. Esta te\u00f3rica vai buscar conhecimento nas filosofias orientais e nos cuidados de sa\u00fade praticados por estas culturas, nomeadamente a cultura Hindu e Budista.<\/p>\n<p>J\u00e1 \u00e9 pr\u00e1tica frequente, os enfermeiros utilizarem a acupunctura, as massagens Shiatsu e a pr\u00e1tica do Reiki. Infelizmente, estas pr\u00e1ticas s\u00e3o desenvolvidas paralelamente com as actividades profissionais e por vezes at\u00e9 mais rent\u00e1veis monetariamente para os seus prestadores, porque estas pr\u00e1ticas ainda carecem de parecer da comunidade cient\u00edfica como eficazes no tratamento de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>No entanto, nos seus pa\u00edses de origem s\u00e3o pr\u00e1ticas correntes utilizadas nos hospitais e cl\u00ednicas de sa\u00fade, locais onde a pobreza e a falta de recursos materiais assim o obriga. Estudos feitos n\u00e3o sobre o efeito biol\u00f3gico destas pr\u00e1ticas mas sim sobre o efeito sentido pelas pessoas levam a que estas recorram a elas como alternativa \u00e0 medicina tradicional, com efeitos ben\u00e9ficos para a sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>Assim WATSON (2002) refere que:<\/p>\n<p>\u201cCuidar significa actuar de forma a que a pessoa seja considerada um fim em si mesmo. Esta actua\u00e7\u00e3o implica, por parte da enfermeira, valores e empenhamento nas ac\u00e7\u00f5es e suas consequ\u00eancias, para al\u00e9m do sentido do dever e da obriga\u00e7\u00e3o moral, numa perspectiva \u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Esta autora n\u00e3o corta as rela\u00e7\u00f5es com a medicina moderna, mas complementa com conhecimentos noutras \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u201cVer\u00e3o como sou influenciada pela vis\u00e3o das ci\u00eancias qu\u00e2nticas, por no\u00e7\u00f5es hologr\u00e1ficas, pelas artes e humanidades, pela poesia e met\u00e1fora, assim como pela ci\u00eancia tradicional, para ajudar a demonstrar uma vis\u00e3o expandida de pessoa, de esp\u00e9cie humana e de cuidar transpessoal\u201d.<\/p>\n<p>Deste modo, o cuidar entra em novas dimens\u00f5es que transcendem a concep\u00e7\u00e3o de homem m\u00e1quina natural, mas em homem transpessoal, multicultural e espiritual.<\/p>\n<p>\u201cCuidar na enfermagem transporta actos f\u00edsicos mas abarca a mente-corpo-alma \u00e0 medida que reclama o esp\u00edrito corporizado como o centro da sua aten\u00e7\u00e3o. Este sugere uma metodologia, atrav\u00e9s da arte, da est\u00e9tica, do ser, assim como do saber e do fazer. O cuidar interessa-se pela arte de ser humano. Faz apelo a uma presen\u00e7a de ser aut\u00eantico, do profissional, no momento de cuidar, mobilizando uma aten\u00e7\u00e3o de cuidar-curar intencional. Este interessa-se pelo transpessoal e transcultural, pelo objectivo, pelo subjectivo e inter subjectivo. Existe abertura para outra possibilidade de estar no mundo com o cuidar e o curar como uma ontologia contida numa cosmologia em expans\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h4><strong>Enfermagem transcultural<\/strong><\/h4>\n<p>Nas multiculturas, os enfermeiros t\u00eam de obter conhecimentos sobre as concep\u00e7\u00f5es de vida, de pessoa e de comunidade, tentando compreender qual o contexto em que a pessoa est\u00e1\u00a0inserida para poder desenvolver o seu processo de cuidados. Esta aprendizagem provoca um crescimento cont\u00ednuo como pessoa e, muitas vezes, perante as situa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade de evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, questionamo-nos sobre os valores espirituais e de como estes influenciam muitas vezes a nossa vida. No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 importante no processo de cuidados, qual o estado do \u201ceu\u201d do enfermeiro.<\/p>\n<p>A nossa postura e o nosso optimismo podem ser facilitadores deste processo, mas o negativismo, a arrog\u00e2ncia e a dist\u00e2ncia criada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas pode ser dificultador. Cuidar \u00e9\u00a0darmo-nos como pessoas, e citando ainda WATSON (2002)<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0Para saber se estou a cuidar, n\u00e3o tenho s\u00f3\u00a0de observar o que fa\u00e7o e sinto ou quais s\u00e3o as minhas inten\u00e7\u00f5es, tenho s\u00f3\u00a0de observar se o outro est\u00e1\u00a0a crescer. Se n\u00e3o houver crescimento n\u00e3o sei o que estou a fazer, mas a cuidar n\u00e3o \u00e9. Eu s\u00f3 posso perceber no outro o que perceber em mim.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Come\u00e7a a ter import\u00e2ncia o amor aplicado nas pr\u00e1ticas do cuidar. O respeito e o amor pelos outros, assim como o amor injectado nos procedimentos a efectuar, pode ser um novo paradigma para a enfermagem do futuro. A energia libertada pelo amor, que \u00e9 positiva, pode ter uma enorme import\u00e2ncia nos resultados obtidos nas pr\u00e1ticas de enfermagem.<\/p>\n<p>Ainda segundo WATSON (2002)<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0Aquele que cuida e o que est\u00e1\u00a0 a ser cuidado est\u00e3o interligados; cuidar e curar est\u00e3o ligados a outras pessoas e com a energia mais elevada\/mais profunda do Universo.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o correntes de energia com frequ\u00eancias diferentes. Emo\u00e7\u00f5es que n\u00f3s consideramos negativas, como o \u00f3dio, a inveja, desd\u00e9m e medo, t\u00eam uma frequ\u00eancia mais baixa e menos energia do que as emo\u00e7\u00f5es que n\u00f3s consideramos positivas, como o afecto, alegria, amor, compaix\u00e3o e cuidar. Quando decidimos substituir a corrente de baixa frequ\u00eancia, como a ira, por uma corrente de frequ\u00eancia mais elevada, como o perd\u00e3o, (cuidar, amor), n\u00f3s aumentamos a frequ\u00eancia da nossa luz.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>\u00a0Pensamentos que produzem correntes de energia de alta-frequ\u00eancia (luz e consci\u00eancia mais elevada) criam sa\u00fade f\u00edsica e emocional.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Com a presen\u00e7a cada vez maior de emigrantes no nosso pa\u00eds, a vinda de outras culturas e de outras maneiras de cuidar vem provocar inicialmente uma defici\u00eancia de conhecimentos por parte dos profissionais de sa\u00fade em rela\u00e7\u00e3o a estas crian\u00e7as e de como s\u00e3o cuidadas pelos seus familiares. Os cuidados infantis cont\u00eam uma grande carga cultural e adaptabilidade aos seus pa\u00edses de origem e que regressam com os seus pais aos pa\u00edses acolhedores.<\/p>\n<p>Cabe aos profissionais de sa\u00fade respeitar estas convic\u00e7\u00f5es e adapt\u00e1-las \u00e0s realidades extraindo as que s\u00e3o\u00a0\u00fateis como aprendizagem e efectuar ensinos pertinentes de educa\u00e7\u00e3o para a sa\u00fade. A observa\u00e7\u00e3o destas pr\u00e1ticas de cuidar pelos pais, torna os enfermeiros privilegiados na aquisi\u00e7\u00e3o destes conhecimentos assim como no ensino de novas pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O enfermeiro dever\u00e1 adoptar estrat\u00e9gias que respondam \u00e0s necessidades culturais dos clientes. Assim \u00e9 necess\u00e1rio que desenvolva compet\u00eancia cultural que lhe permitam prestar cuidados adequados aos utentes com diferentes culturas com que se depara ao longo da sua vida profissional. O desenvolvimento desta compet\u00eancia \u00e9 um processo lento, exigindo que o enfermeiro mude o seu modo de pensar e de actuar (LILADAR, 1998).<\/p>\n<p>STANHOPE e LANCASTER (1999) definem compet\u00eancia cultural como:<\/p>\n<ul>\n<li>\u201c Processo cont\u00ednuo, que resulta da interac\u00e7\u00e3o de factores que motivam as pessoas para o desenvolvimento de conhecimentos, capacidades e t\u00e9cnicas, de modo a cuidarem de indiv\u00edduos, fam\u00edlias e comunidades. (\u2026) Os Enfermeiros devem ser culturalmente competentes porque: 1) a cultura do enfermeiro difere frequentemente da cultura do cliente; 2) a assist\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 culturalmente competente pode posteriormente aumentar o custo da assist\u00eancia de sa\u00fade e diminuir as hip\u00f3teses de resultados positivos; 3) \u00e9 necess\u00e1rio ir ao encontro dos objectivos espec\u00edficos das pessoas de culturas diferentes\u201d<\/li>\n<\/ul>\n<p>Grossman citado por NEVES (1999), considera imposs\u00edvel conhecer os modos de vida e as pr\u00e1ticas de todas as culturas e grupos \u00e9tnicos que se poder\u00e3o encontrar. Contudo, \u00e9 da opini\u00e3o que se pode desenvolver compet\u00eancia cultural se o enfermeiro possuir certos conhecimentos, evitar fazer julgamentos sobre os comportamentos e pr\u00e1ticas culturais; planear as interven\u00e7\u00f5es de enfermagem de acordo com as diferen\u00e7as culturais.<\/p>\n<p>Para que se desenvolva a compet\u00eancia cultural \u00e9 necess\u00e1rio que o enfermeiro tenha sensibilidade cultural que OPPERMAN (2001) refere ser:<\/p>\n<ul>\n<li>\u00a0\u201cUma atitude e comportamento de grupo, que permitem aos indiv\u00edduos terem conhecimento e respeitarem as cren\u00e7as e costumes de outras culturas. (\u2026) \u00c9 importante que o enfermeiro seja sens\u00edvel \u00e0s cren\u00e7as e costumes das outras culturas, principalmente no que diz respeito \u00e0s necessidades de cuidados de sa\u00fade. A cultura da fam\u00edlia afecta a forma como ela procura os cuidados de sa\u00fade e cumpre as recomenda\u00e7\u00f5es dos profissionais de cuidados de sa\u00fade\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>LILADAR (1998) refere que Leininger definiu enfermagem transcultural como:<\/p>\n<ul>\n<li>\u201cUm ramo da enfermagem te\u00f3rico e pr\u00e1tico centrado numa an\u00e1lise comparativa das diferentes culturas e sub culturas no Mundo, relativos aos cuidados, \u00e0 sa\u00fade\/doen\u00e7a e valores e pr\u00e1ticas no Mundo com a finalidade de usar estes conhecimentos de modo a prestar cuidados de enfermagem significativos e eficazes \u00e0s pessoas, de acordo com os seus valores culturais no contexto de sa\u00fade-doen\u00e7a\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Segundo Leininger citado por PONTES (2002) o prop\u00f3sito da enfermagem transcultural.<\/p>\n<ul>\n<li>\u201c&#8230;consiste em descobrir e estabelecer um corpo de conhecimentos e compet\u00eancias centrados nos cuidados transculturais, sa\u00fade e doen\u00e7a, de maneira a que os enfermeiros possam adquirir compet\u00eancias culturais seguras, e cuidados congruentes a pessoas com diferentes culturas mundiais\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Enfermagem \u00e9\u00a0uma profiss\u00e3o de cuidados transculturais, a \u00fanica que se centra na promo\u00e7\u00e3o do cuidado humano para pessoas de uma forma significativa, respeitando os valores culturais e estilos de vida.<\/p>\n<h4><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A vinda de pessoas de outras culturas, faz com que a enfermagem sofra uma adapta\u00e7\u00e3o para que o cuidar seja eficiente e proficiente perante a sa\u00fade e a doen\u00e7a desses grupos multiculturais.<\/p>\n<p>O respeito pelas cren\u00e7as e pelas novas culturas, aliado ao saber cuidar, permite uma harmonia que pode ser alcan\u00e7ada pelos profissionais de sa\u00fade, essencialmente os enfermeiros, que t\u00eam uma vis\u00e3o bio-psico-social do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Os nossos servi\u00e7os de sa\u00fade t\u00eam de prestar cuidados a essas pessoas e hoje, que se fala em compet\u00eancias para cuidar, t\u00eam de se desenvolver estrat\u00e9gias e conhecimentos pois apesar de emigrantes, s\u00e3o indiv\u00edduos que entram com n\u00fameros estat\u00edsticos sobre os dados de sa\u00fade no nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Cabe a todos os profissionais de sa\u00fade, manter ou melhorar os indicadores de sa\u00fade, e os emigrantes, n\u00e3o s\u00e3o uma doen\u00e7a, mas s\u00e3o pessoas que tais como os nossos antepassados em gera\u00e7\u00f5es anteriores, vieram \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e por isso, devem ser respeitadas como seres humanos. O direito \u00e0 sa\u00fade deve ser um direito universal, dentro da cultura e das cren\u00e7as individuais.<\/p>\n<h4>Bibliografia<\/h4>\n<ul>\n<li>BOLANDER, Verolyn Rae; SORENSEN et al. (1998) \u2013 Enfermagem Fundamental: Abordagem Psicofisiol\u00f3gica. Lisboa: Lusodidacta editores, 3\u00aa Edi\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>COLLI\u00c8RE, M. F. (1999) &#8211; Promover a vida: da pr\u00e1tica das mulheres de virtude aos cuidados de enfermagem. Lisboa: Edi\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, 385 p.<\/li>\n<li>CONTENTE, Ana; MARTA, Ana (2001) \u2013 A Multiculturalidade na rela\u00e7\u00e3o enfermeiro-utente. Lisboa: Escola Superior de Enfermagem da Cruz Vermelha Portuguesa, 25 p.<\/li>\n<li>Cultural Diversity in the Era of Globalization, pp1-2, retirado em 2006\/Maio\/04 do web-site: <a href=\"http:\/\/portal.unesco.org\/culture\/en\/ev.phpURL_ID=11605&amp;URL_DO=DO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/portal.unesco.org\/culture\/en\/ev.phpURL_ID=11605&amp;URL_DO=DO<\/a> _TOPIC&amp;URL_SECTION=201.html<\/li>\n<li>Estat\u00edsticas da emigra\u00e7\u00e3o (2005) \u2013 Lisboa: Presid\u00eancia do Conselho de Ministros \u2013 Alto Comissariado para a Imigra\u00e7\u00e3o e Minorias \u00c9tnicas,retirado em 2006\/Maio\/04 do web site: <a href=\"http:\/\/www.acime.gov.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.acime.gov.pt<\/a><\/li>\n<li>Europa da Cultura e da Diversidade, pp1-5, retirado em 2006\/Maio\/04 do web site: <a href=\"http:\/\/www.cijdelors.pt\/agenda\/flash1\/a_000225.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.cijdelors.pt\/agenda\/flash1\/a_000225.html<\/a><\/li>\n<li>FERNANDES, Jo\u00e3o Jos\u00e9\u00a0Santos (2000) \u2013 O Doente de Etnia Cigana &#8211;\u00a0 uma vis\u00e3o dos enfermeiros. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade. Lisboa: Universidade Aberta, p. 15-41.<\/li>\n<li>FRAN\u00c7A, Dalila Xavier; MONTEIRO, Maria Benedicta (2002) \u2013 Identidade racial e prefer\u00eancia em crian\u00e7as Brasileiras de cinco a dez anos, Revista de Psicologia, Oeiras:<\/li>\n<li>GIDDENS, Anthony (2004) \u2013 Sociologia. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, 4\u00aa Edi\u00e7\u00e3o, 725p.<\/li>\n<li>HESBEEN, W. (2001) &#8211; Qualidade em Enfermagem. Pensamento e ac\u00e7\u00e3o na perspectiva do cuidar. Loures: Lusoci\u00eancia editores.<\/li>\n<li>LEININGER, Madeleine (1998) &#8211; Enfermagem Transcultural: Imperativo da Enfermagem Mundial. Lisboa: Revista Enfermagem; n\u00famero 10, p. 32 &#8211; 36.<\/li>\n<li>LEININGER, M., WATSON, J. (1990) &#8211; The Caring Imperative in Education. 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Revista Sinais Vitais, n\u00ba 44, p. 59-66.<\/li>\n<li>Popula\u00e7\u00e3o estrangeira em Portugal \u2013 Instituto Nacional de Estat\u00edstica Portugal (2005); retirado em 2006\/Maio\/04 do web site: <a href=\"http:\/\/www.ine.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> http:\/\/www.ine.pt<\/a><\/li>\n<li>RAMOS, Nat\u00e1lia (2001) \u2013 Comunica\u00e7\u00e3o, cultura e interculturalidade: para uma comunica\u00e7\u00e3o intercultural. \u201c Revista Portuguesa de Pedagogia\u201d. Coimbra: Ano 35-2, , pp.155-178.<\/li>\n<li>RAMOS, Nat\u00e1lia (2006) \u2013 Migra\u00e7\u00e3o, acultura\u00e7\u00e3o, stress e sa\u00fade. Perspectiva de investiga\u00e7\u00e3o e de interven\u00e7\u00e3o. \u201c Revista Psychologica\u201d. Coimbra. 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(2002) &#8211; Enfermagem P\u00f3s-Moderna e Futura, Camarate: Lusoci\u00eancia editores.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Enfermagem \u00e9\u00a0uma profiss\u00e3o de cuidados transculturais, a \u00fanica que se centra na promo\u00e7\u00e3o do cuidado humano para pessoas de uma forma significativa, respeitando os valores culturais e estilos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[201,488,486,635,508,669,670,671],"class_list":["post-1258","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-comunicacao","tag-cuidar","tag-cultura","tag-estrategia","tag-futuro","tag-multicultura","tag-multiculturalidade","tag-transcultural"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1258"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2751,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258\/revisions\/2751"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}