{"id":1255,"date":"2010-01-14T11:49:48","date_gmt":"2010-01-14T11:49:48","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/hemodialise-viver-com-qualidade-ou-viver-com-a-qualidade\/"},"modified":"2021-05-04T09:36:38","modified_gmt":"2021-05-04T09:36:38","slug":"hemodialise-viver-com-qualidade-ou-viver-com-a-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/hemodialise-viver-com-qualidade-ou-viver-com-a-qualidade\/","title":{"rendered":"Hemodi\u00e1lise: Viver com qualidade ou viver com a qualidade"},"content":{"rendered":"<p>No contexto da qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade s\u00e3o fundamentais e indispens\u00e1veis as percep\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos sobre a sua pr\u00f3pria sa\u00fade e n\u00e3o, meramente, as medidas cl\u00ednicas tradicionais.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong><span style=\"font-size: 1em;\">T\u00edtulo:<\/span><\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Hemodi\u00e1lise: Viver com qualidade ou viver com a qualidade<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Hemodialysis: To live with quality or to live with the quality<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Nursing n\u00ba251<\/em><\/p>\n<p align=\"center\">\n<h4><strong>Autor:<\/strong><\/h4>\n<p>V. Henriques<\/p>\n<p>Enfermeira Cl\u00ednica NephroCare de Braga<\/p>\n<h4><strong>Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O presente trabalho pretende descrever e comparar a qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade das pessoas com Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica em Hemodi\u00e1lise. Foi desenvolvido um estudo n\u00e3o experimental, transversal numa amostra de 112 pessoas com insufici\u00eancia renal cr\u00f3nica em tratamento de hemodi\u00e1lise na Cl\u00ednica NephroCare de Braga. Foi utilizado um instrumento de avalia\u00e7\u00e3o Sickness Impact Profile (PSIP-Portuguese Sickness Impact Profile) constitu\u00eddo por uma medida gen\u00e9rica de sa\u00fade, o Medical Outcomes Study 36-Item Short form Health Survey (SF-36). Os participantes estudados maioritariamente eram do g\u00e9nero masculino (58,93%), com idade que varia entre os 22 e 92 anos [m\u00e9dia (\u03c7=63,10); mediana (\u03c4 =67)]. O tempo de di\u00e1lise varia entre 2 meses a 17 anos. A maior parte dos doentes apresenta outras doen\u00e7as associadas (58,60%) e complica\u00e7\u00f5es (93,2%). A doen\u00e7a associada mais referida foi a diabetes mellitus (34,20%). Os resultados evidenciaram um impacto negativo de algumas vari\u00e1veis s\u00f3ciodemogr\u00e1ficas e cl\u00ednicas e um elevado impacto positivo por parte da fam\u00edlia. Neste trabalho foi reconhecida a import\u00e2ncia da avalia\u00e7\u00e3o da qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade como um indicador de excel\u00eancia dos cuidados de sa\u00fade, reflectindo a voz do utente.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Hemodi\u00e1lise, qualidade de vida, avalia\u00e7\u00e3o de resultados.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Abstract<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">The present paper aims to describe and compare the quality of life related to the health of people suffering from Chronic Kidney Failure in Hemodialysis. A non-experimental, transversal study was developed using a sample of 112 people with chronic kidney failure who are receiving dialytic treatment in the NephroCare\u2019s Clinic of Braga. We used an evaluating instrument Sickness Impact Profile (PSIP-Portuguese Sickness Impact Profile) made up of a generic measurement of health Medical Outcomes Study 36-Item Short form Health Survey (SF-36). The majority of the participants studied were male gender (58,93%) ages between 22 and 92 years old [average (\u03c7=63,10); median (\u03c4 =67)]. The time of dialysis varies between 2 months and 17 years. The majority of the patients had other associated illnesses and complications. The most prevalent associated is diabetes mellitus. The results showed the negative impact of some socio-demographic and clinical variables and a high positive impact from the family. In this paper we recognize the importance of the evaluation of the quality of life related to health as an indicator of excellence in health care, reflecting the point of view of the patient.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> Hemodialysis, quality of life, outcomes assessment.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A vis\u00e3o da sa\u00fade direccionada para o funcionamento fisiol\u00f3gico do organismo constitui uma perspectiva cartesiana que, paulatinamente, se tem vindo a abandonar, e conceitos como o de qualidade de vida cada vez mais se v\u00e3o impondo com menor dificuldade na linguagem cient\u00edfica (1). Por outro lado, o que tradicionalmente era medido ou quantificado por taxas de mortalidade e\/ou morbilidade, nos dias de hoje, adquire e encontra-se balizado por aspectos mais profundos que englobam m\u00faltiplos factores do universo de cada um de n\u00f3s. Este trajecto onde se declara uma mudan\u00e7a de enunciados \u00e9 pass\u00edvel de se observar em termos de defini\u00e7\u00f5es e conceitos. Veja-se a introdu\u00e7\u00e3o, quatro d\u00e9cadas mais tarde, de uma defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mais positivista em que \u00e9 enunciada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade como \u201ca extens\u00e3o em que um indiv\u00edduo ou grupo \u00e9, por um lado, capaz de realizar as suas aspira\u00e7\u00f5es e satisfazer as suas necessidades e, por outro, de modificar ou lidar com o meio que o envolve\u201d (2).<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste contexto, v\u00e1rios s\u00e3o os autores (3) que defendem que a sa\u00fade \u00e9 encarada como uma realidade din\u00e2mica que diz respeito ao bem-estar global das pessoas e das comunidades e na qual est\u00e3o implicadas as dimens\u00f5es org\u00e2nica, psicol\u00f3gica e relacional, assim como as dimens\u00f5es sociais e culturais da organiza\u00e7\u00e3o e do funcionamento das sociedades. No conceito de sa\u00fade actual inclui-se a consci\u00eancia de que a doen\u00e7a \u00e9 um processo simultaneamente ex\u00f3geno e end\u00f3geno e n\u00e3o se refere, exclusivamente, \u00e0s perturba\u00e7\u00f5es objectivamente detect\u00e1veis, convergindo a situa\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica e mental com o suporte relacional e o meio social.<\/p>\n<p align=\"justify\">A sa\u00fade \u00e9 um direito humano fundamental e um valor universal que desde h\u00e1 muito preocupa o Homem e que se deve assumir como um recurso ao alcance de todos. Pode ser definida como um equil\u00edbrio funcional, mais ou menos est\u00e1vel, de cada ser vivo num meio ambiente que geralmente se faz acompanhar de factores desfavor\u00e1veis, em que, tanto a sa\u00fade como a doen\u00e7a se inscrevem num meio familiar e social que compreende o suporte social de que o indiv\u00edduos disp\u00f5em. Esta \u00e9 uma perspectiva que considera a sa\u00fade como um estado, o que permite que pessoas sem doen\u00e7a se sintam doentes e que indiv\u00edduos com quadros de doen\u00e7a aguda (e.g. gripe) ou cr\u00f3nica (e.g. hipertens\u00e3o, diabetes) se considerem saud\u00e1veis. Deste modo, \u00e9 conceptualizado a sa\u00fade e a doen\u00e7a num continuum em que se de um extremo se coloca o estado de \u00f3ptima sa\u00fade (completo bem-estar) no imediatamente oposto se encontra a morte. Neste conceito din\u00e2mico existe uma \u00e1rea interm\u00e9dia onde a separa\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade e doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 absoluta, isto porque, para al\u00e9m da vari\u00e1vel org\u00e2nica e vertente cl\u00ednica s\u00e3o consideradas diferentes vari\u00e1veis que se encontram sujeitas a influ\u00eancias externas e que s\u00e3o intr\u00ednsecas ao indiv\u00edduo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estudos desenvolvidos defendem que a sa\u00fade \u00e9\u00a0um dos dom\u00ednios mais importantes da qualidade de vida, sobretudo se o indiv\u00edduo se sente amea\u00e7ado pela doen\u00e7a. Neste caso, a sa\u00fade \u00e9 percepcionada como um bem maior o que justifica a sobreposi\u00e7\u00e3o dos dois conceitos (4). Efectivamente, o universo da doen\u00e7a acentua a necessidade de identidade e de estrat\u00e9gias quer cl\u00ednicas ou de outra ordem, sendo mais incisiva nas situa\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter de cronicidade. No caso particular da nossa an\u00e1lise em que a qualidade de vida \u00e9 aplicada ao universo da doen\u00e7a cr\u00f3nica &#8211; Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica Terminal \u00e9, habitualmente, designada por Qualidade de Vida Relacionada com a Sa\u00fade [QVRS]. Algumas defini\u00e7\u00f5es que ilustram os diferentes usos do termo s\u00e3o apresentadas no Quadro 1.0. H\u00e1 a referir que todos os constructos enunciam o impacto da doen\u00e7a\/enfermidade ou do agravamento na qualidade de vida. Com efeito, este \u00e9 o par\u00e2metro transversal a todas as defini\u00e7\u00f5es deste conceito ao que se alia o denominador comum de se tratar de um universo multidimensional e subjectivo, uma vez que integra a percep\u00e7\u00e3o do doente sobre a sua sa\u00fade que, naturalmente, \u00e9 influenciada pela experi\u00eancia pessoal de cada indiv\u00edduo e pelas suas expectativas, que podem colectivamente ser designadas como percep\u00e7\u00f5es de sa\u00fade (5).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.0 &#8211; Defini\u00e7\u00f5es de Qualidade de Vida Relacionada com a Sa\u00fade\n<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table1\" border=\"1\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"5\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"2\">\n<p align=\"center\">Defini\u00e7\u00f5es de qualidade de vida relacionada \u00e0\u00a0 sa\u00fade<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td height=\"20\">Qualidade de Vida Relacionada \u00e0 Sa\u00fade<\/td>\n<td>\n<p align=\"center\">Autor(s)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"justify\">\u00a0\u201c\u00c9 a valoriza\u00e7\u00e3o subjectiva que o paciente faz de diferentes aspectos da sua vida em rela\u00e7\u00e3o ao seu estado de sa\u00fade.\u201d<\/td>\n<td>\u00a0Guiteras &amp; Bay\u00e9s, 1993, 179<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"justify\">\u00a0\u201cRefere-se aos v\u00e1rios aspectos da vida de uma pessoa que s\u00e3o afectados por mudan\u00e7as no seu estado de sa\u00fade, e que s\u00e3o significativos para a sua qualidade de vida.\u201d<\/td>\n<td>\u00a0Cleary et al, 1995, 191<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\u00a0\u201c\u00c9 o valor atribu\u00eddo \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da vida, modificado pelos preju\u00edzos, estados funcionais e oportunidades sociais que s\u00e3o influenciados por doen\u00e7a, dano, tratamento ou pol\u00edticas de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<\/td>\n<td>Ebrahim, 1995, 1384<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">As abordagens nas v\u00e1rias dimens\u00f5es da Qualidade de Vida Relacionada com a Sa\u00fade assumem diferentes aproxima\u00e7\u00f5es segundo o contexto de an\u00e1lise. Se por um lado, h\u00e1 a ter em conta a distin\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a entre cl\u00ednicos e doente, ou seja, entre ter uma doen\u00e7a (disease), sentir-se doente (illness) e comportar-se como doente (sickness). Por outro, a avalia\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios n\u00e3o poder\u00e1 limitar-se a par\u00e2metros cl\u00ednicos tradicionais, uma vez que as medidas da vertente biol\u00f3gica n\u00e3o definem cabalmente e no seu todo o conceito de qualidade de vida, existindo a necessidade de intersectar outras dimens\u00f5es para eliminar o efeito castrador da unicidade cient\u00edfica. Com efeito, se a perspectiva cl\u00ednica \u00e9 moldada pela hist\u00f3ria natural da patologia e da fisiologia sendo expressa por indicadores objectivos e mensur\u00e1veis como progn\u00f3stico, interven\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, mortalidade ou comorbilidade associada. A perspectiva do doente centra-se na percep\u00e7\u00e3o de sintomas e grau de desconforto a eles associados, onde se engloba tamb\u00e9m a informa\u00e7\u00e3o sobre outros casos similares que s\u00e3o traduzidos na representa\u00e7\u00e3o social da doen\u00e7a. Ora, no contexto de tratamento hemodial\u00edtico as diferentes dimens\u00f5es e perspectivas s\u00e3o pass\u00edveis de objecto de an\u00e1lise onde se considera e se cruza diferentes par\u00e2metros e crit\u00e9rios relativos ao dom\u00ednio f\u00edsico, funcional, emocional e social como, de igual modo, a percep\u00e7\u00e3o do estado geral de sa\u00fade (6).<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste contexto e no \u00e2mbito profissional de enfermeiros em Cl\u00ednicas de Hemodi\u00e1lise NephroCare, a presente an\u00e1lise pretende encontrar subs\u00eddios que permitam melhor compreender e avaliar a satisfa\u00e7\u00e3o na \u00f3ptica do hemodialisado como, de igual modo, a sua percep\u00e7\u00e3o da qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade. A op\u00e7\u00e3o deste projecto relaciona-se com a forma que o ser humano \u00e9 visto por n\u00f3s, NephroCare, como um todo mais do que soma das partes e, perante a interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica necess\u00e1ria, que o seja mas com o horizonte fixo na contribui\u00e7\u00e3o para uma maior satisfa\u00e7\u00e3o e melhoria na qualidade de vida daqueles que se encontram em di\u00e1lise nas nossas cl\u00ednicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O presente trabalho diz respeito \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da Qualidade de Vida Relacionada com a Sa\u00fade (QVRS) em doentes com Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica Terminal (IRCT) em tratamento hemodial\u00edtico. Foram analisados todos os indiv\u00edduos a receberam tratamento na Cl\u00ednica de NephroCare de Braga, num universo de n=112. Na avalia\u00e7\u00e3o da Qualidade de Vida Relacionada com a Sa\u00fade foi utilizada a vers\u00e3o portuguesa do Sickness Impact Profile (PSIP-Portuguese Sickness Impact Profile. Este instrumento tem sido utilizado como medida de QVRS numa grande variedade de doen\u00e7as, nomeadamente, em doentes com Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica Irrevers\u00edvel (7). Desenvolvido nos Estados Unidos em 1972, com a primeira vers\u00e3o de 1976, este instrumento apresenta como objectivo a medi\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de disfun\u00e7\u00e3o comportamental causada pela doen\u00e7a, atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o que cada indiv\u00edduo tem sobre o impacto da doen\u00e7a e do tratamento de Hemodi\u00e1lise (8).<\/p>\n<p align=\"justify\">Todos os dados sociodemogr\u00e1ficos e cl\u00ednicos como, de igual modo, as informa\u00e7\u00f5es obtidas pelo instrumento Sickness Impact Profile foram submetidos a meta-an\u00e1lises, an\u00e1lises de concord\u00e2ncia e valida\u00e7\u00e3o. Numa fase preliminar ao delineamento efectuou-se um estudo descritivo e explorat\u00f3rio, transversal a todas as vari\u00e1veis envolvidas. Nesta an\u00e1lise, para al\u00e9m do c\u00e1lculo dos par\u00e2metros habituais foram utilizados os testes de Kolmorogorov-Smirnov e Levene para se concluir acerca da normalidade e homecedasticidade da popula\u00e7\u00e3o envolvida. Depois de analisados os resultados provenientes desta an\u00e1lise optou-se pela utiliza\u00e7\u00e3o de testes n\u00e3o param\u00e9tricos. A utiliza\u00e7\u00e3o destes deveu-se, por um lado, \u00e0 escala de mensura\u00e7\u00e3o nominal ou ordinal em que se apresentavam a maioria dos dados e, por outro, ao n\u00e3o cumprimento das condi\u00e7\u00f5es de aplicabilidade dos testes param\u00e9tricos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para tratamento dos primeiros dados juntamente com a descri\u00e7\u00e3o dos dom\u00ednios do instrumento de QV foram utilizadas medidas de tend\u00eancia central (frequ\u00eancia [\u03c3] simples; frequ\u00eancia [\u03c6] relativa; m\u00e9dia [\u03c7]; mediana [\u03c4]) e medidas de dispers\u00e3o (desvio padr\u00e3o) obtendo como delineamento de trabalho as medidas de localiza\u00e7\u00e3o de amostra.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/mail.google.com\/mail\/?name=d33be9805ff33117.jpg&amp;attid=0.3&amp;disp=vahi&amp;view=att&amp;th=125978b150cf2b8b\" alt=\"\u00c9 poss\u00edvel que seu navegador n\u00e3o suporte a exibi\u00e7\u00e3o desta imagem.\" width=\"1\" height=\"1\" border=\"0\" \/> Posteriormente, procedeu-se a uma an\u00e1lise bivariada relativamente a todas as vari\u00e1veis que pudessem estar relacionadas com a qualidade de vida. Para isso, foram utilizadas medidas de associa\u00e7\u00e3o (correla\u00e7\u00e3o de Spearman) e os testes Mann-Whitney (duas amostras independentes), Kruskall-Wallis (mais de duas amostras independentes) e Friedman (mais de duas amostras relacionadas) tendo-se nestes dois \u00faltimos casos procedido \u00e0s compara\u00e7\u00f5es m\u00faltiplas quando necess\u00e1rio. Atrav\u00e9s desta an\u00e1lise bivariada foram seleccionadas todas as vari\u00e1veis que demonstraram ter alguma associa\u00e7\u00e3o com a vari\u00e1vel de interesse, procedendo-se em seguida a um estudo multivariado. Optou-se por regress\u00e3o linear m\u00faltipla usando o modelo Forward Stepwise, pelo facto da vari\u00e1vel independente ser cont\u00ednua. Como consequ\u00eancia desta op\u00e7\u00e3o, resultante de uma escolha intencional para versatilidade de an\u00e1lise, a constru\u00e7\u00e3o permitiu, efectivamente, ajustar a import\u00e2ncia que cada co-vari\u00e1vel teve sobre a vari\u00e1vel dependente quando sujeita \u00e0 influ\u00eancia conjunta das restantes. Foram criadas vari\u00e1veis Dummy mas, no entanto, n\u00e3o foram exclu\u00eddas as outliners, isto porque devido \u00e0 proximidade da amostra foi poss\u00edvel explicar o aparecimento de correla\u00e7\u00f5es demasiado altas ou excessivamente reduzidas que em termos estat\u00edsticos seriam eliminadas, mas em contexto cl\u00ednico apresentaram-se como pontua\u00e7\u00f5es indicativas de comprova\u00e7\u00e3o de regra. Refere-se, ainda, que ao longo do tratamento verificou-se a necessidade de direccionar a an\u00e1lise sempre que as vari\u00e1veis demonstrassem um comportamento de redund\u00e2ncia ou correla\u00e7\u00e3o baixa ou, ainda, para refutar ou confirmar dom\u00ednios que por nosso conhecimento cl\u00ednico nos parecessem significativos. O interesse estat\u00edstico conjugado com a percep\u00e7\u00e3o cl\u00ednica resultou numa an\u00e1lise direccionada aos objectivos concretos para a melhoria de qualidade de vida a quem se encontra em tratamento de hemodi\u00e1lise nas nossas cl\u00ednicas NephroCare.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Caracteriza\u00e7\u00e3o da Amostra<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A popula\u00e7\u00e3o em estudo \u00e9\u00a0uma amostra n\u00e3o aleat\u00f3ria que compreende todos os indiv\u00edduos a receberem tratamento de hemodi\u00e1lise, na Cl\u00ednica NephroCare de Braga, constitu\u00edda por 112 indiv\u00edduos. Do universo amostral (n=112), a distribui\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos apresenta uma frac\u00e7\u00e3o maioritariamente masculina atingindo uma percentagem de cerca de 60% (58,93%) que corresponde numericamente a 66 indiv\u00edduos. A popula\u00e7\u00e3o feminina integra 46 elementos que, em termos de percentil traduz-se em 41,07%, onde se encontra o elemento com maior longevidade em hemodi\u00e1lise, com 92 anos (Quadro 1.1). Em termos de classes formadas para o agrupamento de faixas et\u00e1rias da amostra, verificou-se que mais de metade dos indiv\u00edduos masculinos se encontrava com idade superior a 60 anos (60,61%) e em que metade desse valor correspondia \u00e0 classe 70-79 anos com 29,79%. De notar que a faixa et\u00e1ria compreendida entre os 80-89 anos representou 12,12% da popula\u00e7\u00e3o total, existindo um elemento que se encontra em hemodi\u00e1lise h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, o que confirma o sucesso terap\u00eautico deste tratamento (Quadro 1.2). No que diz respeito aos elementos do g\u00e9nero feminino, verificou-se que a classe 70-79 anos representou 39,14%, com 18 mulheres. As restantes faixas aferiram-se por valores muito pr\u00f3ximos entre 10,87 a 13,04, com a excep\u00e7\u00e3o das primeiras classes, no entanto, e em contraponto, temos aqui o elemento com maior longevidade submetida a di\u00e1lise h\u00e1 18 anos (Quadro 1.3).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.1\u00a0 &#8211; Distribui\u00e7\u00e3o de Indiv\u00edduos e G\u00e9nero<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1243\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.1.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"190\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.2 &#8211; Faixa et\u00e1ria masculina<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1244\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.2.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"157\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.3 &#8211; Faixa et\u00e1ria feminina<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1245\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.3.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"158\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Em termos comparativos, o comportamento da nossa amostra em estudo apresenta diferen\u00e7as na faixa et\u00e1ria no que diz respeito ao g\u00e9nero. Pela an\u00e1lise do Quadro 1.4 verificamos que a popula\u00e7\u00e3o masculina distribui-se mais homogeneamente pelas diferentes idades, notando-se um n\u00edtido crescendo a partir dos 30 anos que, apesar de apresentar o elemento mais novo da Cl\u00ednica NephroCare de Braga, n\u00e3o deixa de ser uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida. A popula\u00e7\u00e3o feminina manifestamente apresenta uma concentra\u00e7\u00e3o na classe 70-79.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.4 &#8211; Faixa et\u00e1ria conjunta da popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1246\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.4.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"286\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Quanto ao estado civil mais de metade da amostra estudada \u00e9 casada correspondendo a 62,50% (24 mulheres e 46 homens), a popula\u00e7\u00e3o solteira apresenta o valor de 14,29% com 5 mulheres e 11 homens, e cerca de 10% dos indiv\u00edduos n\u00e3o tem parceiro (16 mulheres e 9 homens por viuvez) e uma mulher por div\u00f3rcio correspondendo 0,89% do universo total (Quadro 1.5).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.5 &#8211; Estado civil da popula\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1247\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.5.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"207\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">No que diz respeito \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o quanto ao grau de escolaridade, a maior parcela da amostra, com 86 indiv\u00edduos, corresponde ao ensino prim\u00e1rio e preparat\u00f3rio. Apenas tr\u00eas inquiridos conclu\u00edram uma licenciatura, existindo dois a frequentar um curso superior. Quanto \u00e0 iliteracia o universo apresenta-se significativo, com cerca de 20% (Quadro1.6).<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.6 &#8211; Grau de escolaridade<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1248\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.6.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"193\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Na etiologia da Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica Terminal observou-se que 23,21% dos casos s\u00e3o de origem desconhecida, existindo diversas patologias que acarretaram a entrada em hemodi\u00e1lise como a doen\u00e7a poliqu\u00edstica do rim (10,71%), a hipertens\u00e3o arterial (14,29%) e a diabetes mellitus (14, 29%). A causa, clinicamente, identificada como uma das principais foi o S\u00edndrome Nefr\u00f3tico Cr\u00f3nico com 31,25% (Quadro 1.7<sub>a<\/sub>). Quanto \u00e0 influ\u00eancia da etiologia segundo o g\u00e9nero verificou-se, de uma forma mais premente, que a doen\u00e7a neopl\u00e1sica, a vasculopatia necrotisante, a amiloidose (P.A.F.) e a nefrite tubolointesticial foram exclusivas ao g\u00e9nero masculino (Quadro 1.7<sub>b<\/sub>). A doen\u00e7a l\u00fapus foi a \u00fanica causa respons\u00e1vel restrita ao g\u00e9nero feminino para a entrada em hemodi\u00e1lise. O car\u00e1cter de hereditariedade inerente a estas patologias n\u00e3o se encontra na transmiss\u00e3o autossom\u00e1tica, pelo que o seu surgimento \u00e9 independente do g\u00e9nero.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.7<sub>a<\/sub> &#8211; Etiologia de IRCT<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"images\/Destaques\/jan2010\/q1.7.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"252\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.7<sub>b<\/sub> &#8211; Etiologia de IRCT<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1249\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.7b.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"233\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">No que diz respeito \u00e0s caracter\u00edsticas profissionais da nossa popula\u00e7\u00e3o em estudo verificamos que, em termos laborais, apenas um grupo reduzido de indiv\u00edduos se encontra activo, apresentando o valor de 15,18%, dos quais 2,67% s\u00e3o mulheres. A grande frac\u00e7\u00e3o da amostra, com mais de 80%, \u00e9 constitu\u00edda por elementos que n\u00e3o exercem qualquer tipo de fun\u00e7\u00f5es profissionais, encontrando-se inactivos. Ser\u00e1 necess\u00e1rio, no entanto, referir que a classifica\u00e7\u00e3o de activo e\/ou n\u00e3o activo \u00e9 referente \u00e0 presen\u00e7a ou aus\u00eancia de actividade laboral remunerada, desempenhada no exterior ao domic\u00edlio. Deste modo, o trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o pertence nem se enquadra nesta terminologia (Quadro 1.8).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.8 &#8211; Situa\u00e7\u00e3o Profissional<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1250\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.8.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"172\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<h4><strong>Resultados da An\u00e1lise<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Grande parte dos trabalhos, que tem como objecto de estudo a avalia\u00e7\u00e3o da Qualidade de Vida Relacionada com a Sa\u00fade, apresenta um car\u00e1cter transversal, importante para a compara\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias modalidades de tratamento (9, 10). Sabe-se, no entanto, que a qualidade de vida \u00e9 objecto de varia\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, o que torna importante a sua avalia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do estudo longitudinal. Efectivamente, foi poss\u00edvel observar pela an\u00e1lise da percep\u00e7\u00e3o da qualidade de vida relacionada com o tempo de di\u00e1lise uma discrep\u00e2ncia em termos de pontua\u00e7\u00f5es que se agruparam em tr\u00eas grandes e diferentes clusters e que foram comprovados pela regress\u00e3o m\u00faltipla.<\/p>\n<p align=\"justify\">A compara\u00e7\u00e3o das pontua\u00e7\u00f5es resultantes do Sickness Impact Profile revelou que houve uma diminui\u00e7\u00e3o nas pontua\u00e7\u00f5es totais do PSIP ao longo dos primeiros anos de Hemodi\u00e1lise, sendo a diferen\u00e7a estatisticamente significativa (p&lt;0,001) (Quadro 1.9). Na realidade, a pontua\u00e7\u00e3o no primeiro ano \u00e9 de 2,4 %, diminuindo nos quatro anos seguintes para valores na ordem da unidade, estes resultados foram confirmados pela regress\u00e3o m\u00faltipla constituindo o primeiro cluster.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.9 &#8211; Evolu\u00e7\u00e3o da QVRS em Hemodi\u00e1lise<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1251\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.9.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"212\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Em termos de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0poss\u00edvel afirmar que os valores acima referidos demonstram que, apesar do impacto do tratamento de di\u00e1lise no dia-a-dia do hemodialisado, os inquiridos percepcionam uma melhoria da qualidade de vida ap\u00f3s a sua entrada em hemodi\u00e1lise, mas unicamente em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros anos de tratamento. A partir do sexto ano verifica-se um aumento consider\u00e1vel das pontua\u00e7\u00f5es totais para valores de 5,0 % com a diferen\u00e7a estatisticamente significativa (p&lt;0,001), revelando, deste modo, um decr\u00e9scimo expressivo na qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade. As raz\u00f5es apontadas para este fen\u00f3meno manifestaram-se directamente correlacionadas com factores psicol\u00f3gicos e emocionais devido a uma aparente sensa\u00e7\u00e3o de perda de esperan\u00e7a (pelo longo tempo decorrido desde o seu primeiro dia em di\u00e1lise) para o t\u00e3o pretendido transplante, aspira\u00e7\u00e3o comum e transversal a todos os hemodialisados. Observa-se, na curva da an\u00e1lise, uma diminui\u00e7\u00e3o das pontua\u00e7\u00f5es globais com diferen\u00e7a estatisticamente significativa (p&lt;0,001 e r =0,318), assumindo valores com maior refer\u00eancia ]1,4; 1,0] ap\u00f3s um per\u00edodo muito prolongado em hemodi\u00e1lise. Foi poss\u00edvel verificar que a presen\u00e7a cont\u00ednua e quase di\u00e1ria, do hemodialisado numa Cl\u00ednica de di\u00e1lise, proporcionou o estreitar de rela\u00e7\u00f5es humanas quer com os outros seus pares quer com a equipa de profissionais que garantem o seu tratamento em hemodi\u00e1lise. Deste modo, as pontua\u00e7\u00f5es indicativas de uma melhoria da qualidade de vida refor\u00e7am a relev\u00e2ncia da rede social formal e informal criada no contexto do universo cl\u00ednico. Este tecido de suporte de rela\u00e7\u00f5es, que estabelece uma din\u00e2mica de estrutura de apoio, \u00e9 promotor de uma percep\u00e7\u00e3o positiva do tratamento de hemodi\u00e1lise traduzido por uma melhor qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">As elevadas pontua\u00e7\u00f5es globais com diferen\u00e7a estatisticamente significativa foram fundamentadas pela vertente cl\u00ednica. A pontua\u00e7\u00e3o global mais elevada (7,6%) ao se tornar num outliner com uma reduzida correla\u00e7\u00e3o com as restantes vari\u00e1veis independentes, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de 3,1 e 2,1 com \u03b1 Cronbach de 0,537 e 0, 672 (correla\u00e7\u00e3o significativa de p&lt;0,05), n\u00e3o foi exclu\u00edda por justifica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. Efectivamente, a pontua\u00e7\u00e3o global de 7,6% diz respeito a uma situa\u00e7\u00e3o de patologia neopl\u00e1sica que, para al\u00e9m de ter sido a causa etiol\u00f3gica para a entrada em hemodi\u00e1lise, manifesta-se como comorbilidade impeditiva de poss\u00edvel transplante. Este quadro cl\u00ednico ao laquear a possibilidade de transplante e, assim, aniquilar qualquer esperan\u00e7a de sair do tratamento de hemodi\u00e1lise, expressa-se por mal-estar, aus\u00eancia de liberdade e revolta com consequente reduzida qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na compara\u00e7\u00e3o das pontua\u00e7\u00f5es obtidas na dimens\u00e3o f\u00edsica que agrega o dom\u00ednio da capacidade funcional (CF) e do aspecto f\u00edsico (AF), verificou-se que houve uma gradual diminui\u00e7\u00e3o do seu valor, registando-se a pontua\u00e7\u00e3o mais elevada (6,2% com p&lt;0,001) para os hemodialisados mais jovens e a mais reduzida (1,8% com p&lt;0,001) nos elementos seniores (Quadro 1.10). Observamos que a imagem corporal apresenta maior signific\u00e2ncia nos mais jovens, no entanto, no que diz respeito \u00e0 f\u00edstula e edemas ambos os grupos et\u00e1rios expressaram serem categorias determinantes na diminui\u00e7\u00e3o da auto-estima e qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.10 &#8211; Evolu\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o F\u00edsica, Org\u00e2nica e Psicossocial<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1252\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.10.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"159\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">Relativamente \u00e0\u00a0dimens\u00e3o org\u00e2nica que agrega o dom\u00ednio dor e estado geral de sa\u00fade (EGS), a evolu\u00e7\u00e3o das pontua\u00e7\u00f5es globais mostrou-se homog\u00e9nea, n\u00e3o se verificando uma diferen\u00e7a estatisticamente significativa (p&gt;0,001) entre as v\u00e1rias categorias dos dom\u00ednios. No entanto, foi poss\u00edvel verificar que a dimens\u00e3o apresentou elevada influ\u00eancia na qualidade de vida com pontua\u00e7\u00f5es globais na ordem de 8%.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quanto \u00e0\u00a0 pontua\u00e7\u00e3o global obtida em cada uma das categorias independentes relativamente \u00e0 hemodi\u00e1lise, as disfun\u00e7\u00f5es referidas que mais afectam a qualidade de vida foram o regime h\u00eddrico com valor<sub>max<\/sub> de 11,3%, o regime diet\u00e9tico com 9,8%, o sono e repouso com 5,8%. Estas disfun\u00e7\u00f5es com diferen\u00e7as estatisticamente significativas perduram durante todo o per\u00edodo de tratamento de hemodi\u00e1lise sendo determinantes pela diminui\u00e7\u00e3o de qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">A avalia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia do grau de perturba\u00e7\u00e3o dos sintomas associados a comorbilidades revelou a exist\u00eancia de uma associa\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa entre a qualidade de vida no geral e o grau de perturba\u00e7\u00e3o dos sintomas. Com efeito, ao analisarmos a influ\u00eancia de comorbilidades (Quadro 1.11) verific\u00e1mos que a dor \u00f3ssea e o prurido foram as mais apontadas como respons\u00e1veis pela baixa qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade, com pontua\u00e7\u00f5es globais de 13,1% e 17% (p&lt;0,001 e r =0,351) nos homens e mulheres, respectivamente. Verific\u00e1mos tamb\u00e9m a exist\u00eancia de situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas de diminui\u00e7\u00e3o da acuidade auditiva, em ambos os g\u00e9neros, que apresentou valores de signific\u00e2ncia na qualidade de vida. Refere-se que estes casos t\u00eam-se manifestado recentemente n\u00e3o sendo muito conhecida a sua etiologia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.11 &#8211; Influ\u00eancia de Comorbilidades em QVRS<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1253\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.11.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"197\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">H\u00e1 ainda a indicar que a vertente farmacol\u00f3gica da hemodi\u00e1lise tem vindo a responder positivamente na diminui\u00e7\u00e3o e, mesmo, na supress\u00e3o de sintomatologia de doen\u00e7as associadas, como anemia e hipertens\u00e3o arterial. Com efeito, n\u00e3o foram observadas diferen\u00e7as significativas das pontua\u00e7\u00f5es destas categorias independentes (p&gt;0,05).<\/p>\n<p align=\"justify\">Resta-nos referir que no universo cl\u00ednico os avan\u00e7os significativos no conhecimento da \u00e1rea da hemodi\u00e1lise, que se reflectiram tamb\u00e9m em progressos ao n\u00edvel tecnol\u00f3gico, apresentaram-se como uma das categorias independentes mais significativas (p&lt;0,001) tornando-se numa vari\u00e1vel de interesse (Quadro 1.12). De uma forma un\u00e2nime, todos os hemodialisados, que se encontram em programas de di\u00e1lise num per\u00edodo de tempo superior a sete anos, indicaram a vertente tecnol\u00f3gica como a categoria que mais contribuiu para uma substancial melhoria de qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1.12 &#8211; Influ\u00eancia vertente tecnol\u00f3gica em QVRS<\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-1254\" src=\"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/01\/q1.12.gif\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"201\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p align=\"center\">\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">No contexto da qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade s\u00e3o fundamentais e indispens\u00e1veis as percep\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos sobre a sua pr\u00f3pria sa\u00fade e n\u00e3o, meramente, as medidas cl\u00ednicas tradicionais. Os instrumentos gen\u00e9ricos do estado de sa\u00fade e de dom\u00ednio espec\u00edfico constituem ferramentas e medidas precisas essenciais \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de qualidade de vida. S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel monitorizar e conhecer os efeitos ou resultados quer das doen\u00e7as quer das terapias para, deste modo, obter na nossa pr\u00e1tica cl\u00ednica melhores cuidados.<\/p>\n<p align=\"justify\">De acordo com os resultados obtidos podemos afirmar que, de uma forma transversal, o tratamento de hemodi\u00e1lise interferiu na qualidade de vida dos doentes. Na realidade, verificou-se que, apesar do impacto do tratamento de di\u00e1lise no dia-a-dia do hemodialisado, os inquiridos percepcionam uma melhoria da qualidade de vida ap\u00f3s a sua entrada em hemodi\u00e1lise, mas unicamente em rela\u00e7\u00e3o aos primeiros tempos de tratamento. As raz\u00f5es dos valores das pontua\u00e7\u00f5es globais serem na ordem de 1,4% est\u00e3o relacionadas com o aspecto cl\u00ednico, em que se aponta a contribui\u00e7\u00e3o significativa do aumento da hemoglobina (administra\u00e7\u00e3o de epoietina), a diminui\u00e7\u00e3o da ureia e dos electr\u00f3litos verificadas ap\u00f3s cada sess\u00e3o de hemodi\u00e1lise.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s este per\u00edodo, verificamos um aumento consider\u00e1vel das pontua\u00e7\u00f5es totais para valores de 5,0 % com a diferen\u00e7a estatisticamente significativa (p&lt;0,001), revelando um decr\u00e9scimo expressivo na qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade. As raz\u00f5es apontadas para este fen\u00f3meno est\u00e3o directamente relacionadas com a depend\u00eancia a uma m\u00e1quina durante em v\u00e1rios dias por semana, com sess\u00f5es com 3 a 4 horas; a dor das pun\u00e7\u00f5es, os regimes diet\u00e9tico e h\u00eddrico rigorosos, a falta de sono e de repouso, entre in\u00fameras outras limita\u00e7\u00f5es impostas pelo tratamento e pela doen\u00e7a. Com efeito, as diferentes matrizes que operam no universo da di\u00e1lise promovem a insatisfa\u00e7\u00e3o psicoemocional do hemodialisado a v\u00e1rios n\u00edveis. Foi poss\u00edvel verificar que a percep\u00e7\u00e3o de uma baixa qualidade de vida era resultante da aus\u00eancia de perspectivas, da falta de autonomia e independ\u00eancia que, indubitavelmente, conduzem \u00e0 n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de projectos e concretiza\u00e7\u00e3o de aspira\u00e7\u00f5es, acarretando uma baixa auto-estima. Importa sublinhar que estes aspectos j\u00e1 foram assinalados em outros trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o (11), apresentando-se como factores\/vari\u00e1veis concordantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos pontos cruciais deste trabalho foi a verifica\u00e7\u00e3o de que, al\u00e9m das significativas repercuss\u00f5es que se operam na matriz social e familiar, as estrat\u00e9gias e os esfor\u00e7os adoptados pela fam\u00edlia, bem como a import\u00e2ncia da solidariedade dos seus membros, evidenciam extraordin\u00e1ria relev\u00e2ncia apresentando-se fundamentais para uma melhoria na qualidade de vida do hemodialisado. Tamb\u00e9m ficou confirmada a influ\u00eancia positiva da equipa cl\u00ednica que, pelo seu desempenho, deixou de ser meramente t\u00e9cnica para passar a ser parte integrante das rela\u00e7\u00f5es humanas dos dialisados. O suporte e influ\u00eancia positiva das rela\u00e7\u00f5es sociais estendem-se, deste modo, \u00e0 equipa multiprofissional da Cl\u00ednica NephroCare de Braga, uma vez que ficou evidenciado neste trabalho que o desempenho assente no cuidar do ser humano, do seu bem-estar global e da sua dignidade, contribuiu de forma decisiva para a aceita\u00e7\u00e3o e melhoria de qualidade de vida em hemodi\u00e1lise.<\/p>\n<p align=\"justify\">No que diz respeito \u00e0\u00a0associa\u00e7\u00e3o entre qualidade de vida e as vari\u00e1veis s\u00f3cio-demogr\u00e1ficas n\u00e3o foi poss\u00edvel observar diferen\u00e7as estatisticamente significativas (p&gt;0,01) entre os diferentes grupos et\u00e1rios, o seu n\u00edvel de escolaridade e a situa\u00e7\u00e3o profissional. Embora se observasse uma forte correla\u00e7\u00e3o entre estas categorias n\u00e3o foi poss\u00edvel retirar conclus\u00f5es sobre as mesmas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade funcional (CF) e ao aspecto f\u00edsico (AF) verificou-se a exist\u00eancia de diferen\u00e7as segundo o grupo et\u00e1rio em quest\u00e3o. Deste modo, observou-se que para os hemodialisados mais jovens o aspecto f\u00edsico foi marcadamente o que mais influenciou a qualidade de vida. As raz\u00f5es v\u00e3o de encontro \u00e0 import\u00e2ncia conferida \u00e0 auto-imagem e ao corpo. De referir que a exist\u00eancia de uma f\u00edstula art\u00e9rio-venosa, constru\u00edda cirurgicamente, a altera\u00e7\u00e3o da tez da pele, bem como o aparecimento de edemas generalizados fazem parte das mais significativas modifica\u00e7\u00f5es na apar\u00eancia corporal. Em contraponto, o grupo menos jovem apresentou a capacidade funcional como a mais castradora da qualidade de vida, juntamente com o dom\u00ednio EGS. \u00c9 necess\u00e1rio referir que o dom\u00ednio da CF, tamb\u00e9m, mostrou ser uma influ\u00eancia negativa na qualidade de vida dos hemodialisados nas faixas et\u00e1rias mais jovens, devido \u00e0 astenia, consequ\u00eancia de um conjunto de disfun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas que existem devido ao empobrecimento do tecido renal e que acarretam o aparecimento de uma anemia cr\u00f3nica. Estas disfun\u00e7\u00f5es que operam a diferentes n\u00edveis v\u00e3o desde a insufici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o medular por \u201cdeficit\u201d do factor eritopoi\u00e9tico, hem\u00f3lise que acarreta a diminui\u00e7\u00e3o da vida m\u00e9dia dos eritr\u00f3citos, perdas sangu\u00edneas, quer pela pr\u00f3pria t\u00e9cnica (varia entre 4 a 20 ml\/sess\u00e3o), quer por an\u00e1lise peri\u00f3dicas ou ainda por hemorragias (12). Consideramos relevante referir que, de uma forma transversal a todos os doentes, o transplante surge como uma forma libertadora do sofrimento imposto pela doen\u00e7a e pelo tratamento. Relembramos que muito embora a hemodi\u00e1lise seja um tratamento que determina a diferen\u00e7a entre a vida e a morte \u00e9, de igual modo, um procedimento que, pelas suas exig\u00eancias e limita\u00e7\u00f5es de estar ligado a uma m\u00e1quina, imp\u00f5em profundas altera\u00e7\u00f5es tutelando um (re)in\u00edcio de vida. Neste contexto foi observada a exist\u00eancia de um caso em que, por motivos de doen\u00e7a neopl\u00e1sica n\u00e3o controlada, a possibilidade de ser receptor n\u00e3o pode ser equacionada e em que a qualidade de vida \u00e9 muito baixa. Em termos de an\u00e1lise verificamos que esta vari\u00e1vel \u00e9 respons\u00e1vel por uma pontua\u00e7\u00e3o global de 7,6%, que atesta o sentimento de revolta provocado pela supress\u00e3o for\u00e7ada da oportunidade de transplante e que se repercute manifestamente na sua qualidade de vida. Por fim, resta-nos referir que o objectivo \u00faltimo do tratamento da Insufici\u00eancia Renal Cr\u00f3nica n\u00e3o s\u00f3 deve ser prolongar a vida do doente utilizando, se necess\u00e1rio, terapias de substitui\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o renal, mas, tamb\u00e9m, proporcionar um maior grau de reabilita\u00e7\u00e3o e\/ou readapta\u00e7\u00e3o com uma boa, se poss\u00edvel, \u00f3ptima qualidade de vida. Para tal torna-se indispens\u00e1vel a introdu\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o de qualidade de vida como indicador positivo dos cuidados de sa\u00fade. A natureza individual da qualidade de vida dever\u00e1 ser incorporada na avalia\u00e7\u00e3o da qualidade dos cuidados para n\u00e3o s\u00f3 dar anos \u00e0 vida mas dar vida aos anos. Deste modo, compartilhamos a opini\u00e3o de muitos autores de que o reconhecimento da import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o qualidade de vida com as vari\u00e1veis da sa\u00fade relacionadas com a mesma qualidade contribui para uma melhor presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a quem faz hemodi\u00e1lise, devendo assim ser considerada na investiga\u00e7\u00e3o, na pr\u00e1tica cl\u00ednica e na tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p align=\"justify\">A nossa experi\u00eancia dita-nos, tamb\u00e9m, que o agir consent\u00e2neo com o diferente e o particular, partindo das abcissas da base cl\u00ednica universal, contraria o aumento da morbilidade, torna desnecess\u00e1ria a utiliza\u00e7\u00e3o de muitos meios de diagn\u00f3stico dispendiosos e, acima de tudo, evita o desconforto e o sofrimento de quem est\u00e1 em hemodi\u00e1lise.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Bibliografia\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">1. Bay\u00e8s, R., \u201cEvaluaci\u00f3n des Aspectos Conductuales y Biol\u00f3gicos en psicolog\u00eda de la salud\u201d, Madrid, Fernandez-Ballesteros eds., 1994, 87.<\/p>\n<p>2. Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, Quality of life assessment: an annotated bibliography Geneva, 1986, 153.<\/p>\n<p align=\"justify\">3. Gill, T.M., Alvan M.D., Feinstein M.D., \u201cA critical appraisal of the quality of quality-of-life measurements\u201d, Ed. Jama, 1994, 619.<\/p>\n<p align=\"justify\">4. Bowling, A., \u201cMeasuring health: a review of quality of life measurement scales\u201d, Buckingham, Open University Press, 1997, 159.<\/p>\n<p align=\"justify\">5. Scientific Advisory Committee of Medical Outcomes Trust, \u201cAssessing health and quality of life instruments: attributes and review criteria\u201d London, in Equal life Res, 2002, 193-205.<\/p>\n<p align=\"justify\">6. Haan, R., Aaronson, N., Limburg, M., L. Hewer &amp; V. Crevel, \u201cMeasuring quality of life in stroke\u201d, London, Stoke ed., 1993, 24;320-327.<\/p>\n<p align=\"justify\">7. Ware, J., &amp; Sherbourne, C. The MOS 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36) I. Conceptual framework and item selection, Greenfield, Medical Care ed., 1992, 30 (6), 473-483.<\/p>\n<p align=\"justify\">8. Bergner, M., Bobbitt, R., C\u00e1rter, W. &amp; Gilson, B., The Sickness Impact Profile: development and final revision of a health status measure, in Medical Care Journal, 1981, 11(4): 516\u2013528.<\/p>\n<p align=\"justify\">9. Hughes, B., \u201cQuality of life\u201d in Researching social Gerontology: concepts, methods and issues, London, Sage Publications, 1990, 46-58.<\/p>\n<p align=\"justify\">10. Lau, A. &amp; Mckenna, K., \u201cConceptualizing quality of life for elderly people with stroke\u201d in Disability and Rehabilitation. 2001, (23), 227-238.<\/p>\n<p align=\"justify\">11. Henriques, V. B., \u201cHemodi\u00e1lise no Feminino\u201d, Braga, Universidade do Minho, 2004, 78-106.<\/p>\n<p align=\"justify\">12. Valderr\u00e1bano, F., \u201cTratado de hemodi\u00e1lise\u201d, Barcelona, Editorial M\u00e9dica Jims, 1999, (1) 906-918.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da qualidade de vida relacionada com a sa\u00fade s\u00e3o fundamentais e indispens\u00e1veis as percep\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos sobre a sua pr\u00f3pria sa\u00fade e n\u00e3o, meramente, as medidas cl\u00ednicas tradicionais.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[209,667,668,86,266,666],"class_list":["post-1255","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-avaliacao","tag-dialise","tag-hemodilase","tag-qualidade","tag-qualidade-de-vida","tag-resultados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1255","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1255"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1255\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2752,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1255\/revisions\/2752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}