{"id":12479,"date":"2025-11-18T00:03:25","date_gmt":"2025-11-18T00:03:25","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ninguem-nos-ligou-familia-descobre-morte-da-filha-tres-meses-depois\/"},"modified":"2025-11-18T00:03:25","modified_gmt":"2025-11-18T00:03:25","slug":"ninguem-nos-ligou-familia-descobre-morte-da-filha-tres-meses-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/ninguem-nos-ligou-familia-descobre-morte-da-filha-tres-meses-depois\/","title":{"rendered":"&#8220;Ningu\u00e9m nos ligou&#8221;. Fam\u00edlia descobre morte da filha tr\u00eas meses depois"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Jean Forest estava de f\u00e9rias na Bretanha, no noroeste franc\u00eas, quando se apercebeu que j\u00e1 n\u00e3o falava com a filha, Marjolaine, h\u00e1 demasiado tempo. Com medo de a perturbar, sabendo que ela \u00e9 uma mulher focada na sua carreira decidiu consultar o site da institui\u00e7\u00e3o onde Marjolaine ensinava. L\u00e1, descobre o obitu\u00e1rio da filha.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>O dia ficou marcado para Jean: 12 de junho de 2025. Foi nesse dia que decidiu fazer uma simples pesquisa, que j\u00e1 tinha feito tantas vezes antes, e com um \u2018In memoriam\u2019 depois de procurar o nome da filha na Universidade Lyon-II, onde Marjorie era professora e afiliada do laborat\u00f3rio de pesquisa do \u00a0Instituto de Hist\u00f3ria das Representa\u00e7\u00f5es e Ideias nos Tempos Modernos (IHRIM).<\/p>\n<p>No in\u00edcio, conta o Le Monde, Jean n\u00e3o percebeu bem o que estava a ler. O que significava aquele <a href=\"https:\/\/ihrim.ens-lyon.fr\/le-laboratoire\/breve\/in-memoriam-marjolaine-forest\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">texto adornado com um cris\u00e2ntemo<\/a>. Depois, surge-lhe o arrepio na espinha e a realidade abate-se sobre si: \u00e9 o obitu\u00e1rio da sua filha.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">&#8220;\u00c9 com grande pesar que recebemos a not\u00edcia do falecimento repentino de Marjolaine Forest.&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Jean, como o pol\u00edcia reformado que \u00e9, come\u00e7ou de imediato a ligar para hospitais e funer\u00e1rias, a tentar perceber o que tinha acontecido. Por fim, disseram-lhe: a filha tinha morrido a 6 de mar\u00e7o num hospital em Lyon.<\/p>\n<p>Durante esses tr\u00eas meses nem os pais de Marjolaine nem a sua irm\u00e3 mais nova, enfermeira de profiss\u00e3o, foram informados da morte da mulher de 51 anos.<\/p>\n<p>Tomado pela dor, Jean p\u00f4s m\u00e3os \u00e0 obra para descobrir o que tinha acontecido \u00e0 filha &#8211; e porque \u00e9 que n\u00e3o tinham sido informados.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">Hospital alega que filha pediu para pais n\u00e3o serem contactados<\/span><\/p>\n<p>A partir do hospital, o ex-pol\u00edcia de 77 anos, descobriu que a filha tinha ligado para o servi\u00e7o de emerg\u00eancia nacional no dia 25 de fevereiro com dores abdominais. Devido aos sintomas deu entrada no hospital, onde, mais tarde faleceu, e foi internada, acabando por entrar em coma. Marjolaine chegou a recuperar a consci\u00eancia, mas pouco depois, a 6 de mar\u00e7o, por volta das 17h00, o seu \u00f3bito era declarado.<\/p>\n<p>No processo da filha, uma nota chamou a aten\u00e7\u00e3o de Jean: <span class=\"news_bold\">&#8220;Tent\u00e1mos entrar em contacto com o pai, sem sucesso. Ele n\u00e3o nos contactou&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>Jean foi confirmar. Verificou minuciosamente os registos de chamadas no seu telem\u00f3vel e no seu telefone fixo, achando que, talvez, algo lhe tivesse escapado &#8211; mas n\u00e3o encontrou nenhuma chamada do hospital. <span class=\"news_bold\">&#8220;\u00c9 mentira&#8221;<\/span>, garante. <span class=\"news_bold\">&#8220;Nunca ningu\u00e9m nos ligou.&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Confrontado, o hospital alegou que <span class=\"news_bold\">Marjolaine tinha &#8220;indicado que n\u00e3o desejava que a sua fam\u00edlia fosse contactada ou informada sobre o seu estado de sa\u00fade&#8221;<\/span>. A unidade de sa\u00fade acrescentou que se solidariza e compreende o sentimento da fam\u00edlia, mas que foi uma decis\u00e3o da doente de mant\u00ea-los &#8220;\u00e0 dist\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n<p>Em 2021, tinha acontecido uma situa\u00e7\u00e3o semelhante. Marjolaine foi internada no mesmo hospital devido a dores fortes, mas s\u00f3 informou os pais dois dias depois, para n\u00e3o os preocupar. A filha de Jean nasceu com uma malforma\u00e7\u00e3o na medula espinhal, que a obrigou a ser alvo de constantes cuidados m\u00e9dicos durante toda a sua inf\u00e2ncia. Ao chegar \u00e0 maioridade, decidiu que tinha de aprender a cuidar de si pr\u00f3pria sem ajuda,<\/p>\n<p>Mas o caso adensa: <span class=\"news_bold\">os pertences de Marjolaine desapareceram.<\/span> O cart\u00e3o de identidade, o seu rel\u00f3gios, os cart\u00f5es multibanco e at\u00e9 o do seguro de sa\u00fade, que constavam no invent\u00e1rio de admiss\u00e3o da paciente, est\u00e3o em parte incerta.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">&#8220;N\u00e3o sabemos onde est\u00e3o as coisas dela&#8221;,<\/span> diz Jean, acrescentando que sente que os servi\u00e7os administrativos do hospital levaram a cabo &#8220;uma esp\u00e9cie de elimina\u00e7\u00e3o&#8221; do processo.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">Munic\u00edpio tentou encontrar a fam\u00edlia atrav\u00e9s da internet<\/span><\/p>\n<p>Jean descobriu depois que o corpo da filha tinha sido levado do hospital para o centro funer\u00e1rio municipal de Lyon, onde permaneceu durante cinco semanas em refrigera\u00e7\u00e3o, \u00e0 espera que algu\u00e9m o reclamasse. N\u00e3o havendo, Marjolaine foi sepultada num cemit\u00e9rio, numa cerim\u00f3nia onde nem familiares nem entes queridos marcaram presen\u00e7a.<\/p>\n<p>O munic\u00edpio de Lyon garante que tentou contatar a fam\u00edlia de Marjolaine, e que um funcion\u00e1rio dedicou ainda algum tempo a tentar encontrar os familiares da mulher online.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">&#8220;Com quase 80 anos, \u00e9 pouco prov\u00e1vel que nos encontrem nas redes sociais!&#8221;<\/span>, considerou Jean, perplexo com o facto de n\u00e3o ter sido contactado.<\/p>\n<p>O antigo pol\u00edcia frisou que a procura teria sido simples se tivesse usado os documentos de identidade de Marjolaine, identificando os seus pais, e encontrando a sua morada.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">&#8220;Com o endere\u00e7o, eles podiam ter encontrado a administradora do pr\u00e9dio, que tinha os nossos dados de contato, j\u00e1 que somos fiadores&#8221;<\/span>, explicou Jean.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">Ex-colega reconheceu Marjolaine no funeral<\/span><\/p>\n<p>Mas o caso ainda tem uma \u00faltima particularidade. Jean descobriu o obitu\u00e1rio da filha no site da universidade. Essa nota s\u00f3 l\u00e1 estava porque Mina Hajri, uma volunt\u00e1ria numa associa\u00e7\u00e3o de caridade, que se dedica a se certificar que corpos n\u00e3o reclamados t\u00eam um funeral digno. A mulher era tamb\u00e9m, por acaso, uma antiga colega de universidade de Marjolaine.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Mina tentou encontrar Jean e a restante fam\u00edlia da mulher, mas sem sucesso. Em alternativa, decidiu enviar um e-mail ao instituto a que Marjolaine era afiliada, causando com que o diretor escrevesse o \u00f3bito que Jean viria, mais tarde, a encontrar.<\/span><\/p>\n<p>Marjolaine Forest, doutorada em literaturas e artes e professora do ensino secund\u00e1rio, sofria de uma malforma\u00e7\u00e3o na medula espinhal com a qual nasceu. A mulher aprendeu a caminhar apenas aos 16 anos, conseguindo depois apanhar um autocarro sozinha para ir para a escola e, depois, para a universidade. Mesmo assim, o trajeto exigia um enorme esfor\u00e7o de si.<\/p>\n<p>Com a pandemia da Covid-19, Marjolaine passou a precisar de um andarilho para se deslocar, mas manteve a independ\u00eancia. Ali\u00e1s, j\u00e1 hospitalizada, deixou instru\u00e7\u00f5es escritas aos m\u00e9dicos: <span class=\"news_bold\">&#8220;O que \u00e9 importante para mim \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o mais completa poss\u00edvel da minha independ\u00eancia em todos os aspectos da minha vida&#8221;<\/span>. A palavra \u2018todos\u2019 tinha sido sublinhada duas vezes.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/mundo\/2889929\/ninguem-nos-ligou-familia-descobre-morte-da-filha-tres-meses-depois#utm_source=rss-ultima-hora&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=rssfeed\" class=\"info\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Leia na \u00edntegra em <b>Not\u00edcias ao Minuto<b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jean Forest estava de f\u00e9rias na Bretanha, no noroeste franc\u00eas, quando se apercebeu que j\u00e1 n\u00e3o falava com a filha, Marjolaine, h\u00e1 demasiado tempo. 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