{"id":1239,"date":"2009-11-08T18:11:16","date_gmt":"2009-11-08T18:11:16","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/reduzir-a-dor-e-o-trauma-no-tratamento-as-feridas\/"},"modified":"2021-05-04T09:36:52","modified_gmt":"2021-05-04T09:36:52","slug":"reduzir-a-dor-e-o-trauma-no-tratamento-as-feridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/reduzir-a-dor-e-o-trauma-no-tratamento-as-feridas\/","title":{"rendered":"Reduzir a Dor e o Trauma no Tratamento \u00e0s Feridas"},"content":{"rendered":"<p>A mudan\u00e7a de penso \u00e9 o processo mais doloroso referido pelo doente. Distintos materiais de penso podem condicionar de forma ainda mais negativa esta experi\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Nursing n\u00ba250<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong style=\"font-size: 1em;\">\u00a0<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><strong style=\"font-size: 1em;\">Autores:<\/strong><\/p>\n<p>Paulo Alves, Assistente \u2013 Instituto Ci\u00eancias da Sa\u00fade \u2013 Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa &#8211; Porto<\/p>\n<p>Arminda Costeira, Enfermeira Especialista \u2013 Unidade Cuidados Interm\u00e9dios Cirurgia \u2013 Hospital S. Jo\u00e3o, E.P.E &#8211; Porto<\/p>\n<p align=\"justify\">L\u00facia Vales, Enfermeira graduada \u2013 Servi\u00e7o de Urg\u00eancia Adultos -Hospital S. Jo\u00e3o, E.P.E. \u2013 Porto<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo:<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A dor desempenha um papel importante no tratamento de feridas, control\u00e1-la \u00e9 essencial para o sucesso na cicatriza\u00e7\u00e3o. A dor est\u00e1 presente em quase todas as feridas, da\u00ed ser fundamental identificar quais os factores que a potenciam durante o tratamento. A mudan\u00e7a de penso \u00e9 o processo mais doloroso referido pelo doente. Distintos materiais de penso podem condicionar de forma ainda mais negativa esta experi\u00eancia. \u00c9 importante realizar uma abordagem hol\u00edstica ao doente com ferida, a fim de planear interven\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que reduzam a dor, como limpeza n\u00e3o agressiva e selec\u00e7\u00e3o adequada do material de penso a aplicar. A diminui\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o da dor contribui para o sucesso do processo de cicatriza\u00e7\u00e3o e consequentemente para a melhoria da qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Dor, cicatriza\u00e7\u00e3o, feridas, material de penso.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Dor \u00e9\u00a0uma experi\u00eancia sensorial e emocional desagrad\u00e1vel associada a les\u00e3o tecidual real ou potencial, ou descrita em termos de tal les\u00e3o (IASP, 1994), relatada como uma experi\u00eancia individual subjectiva e multidimensional. A dor \u00e9 um tema vasto e desempenha um papel muito importante no tratamento de feridas (White, 2008).<\/p>\n<p align=\"justify\">A dor \u00e9\u00a0um fen\u00f3meno fisiol\u00f3gico de extrema import\u00e2ncia para a integridade f\u00edsica do indiv\u00edduo, pois funciona alertando o organismo para fen\u00f3menos de agress\u00e3o, na tentativa de evitar o aparecimento de les\u00f5es ou o seu agravamento, e \u00e9 descrita como uma experi\u00eancia singular para cada pessoa (Holman e Turk, 1986).<\/p>\n<p align=\"justify\">Cumprida esta fun\u00e7\u00e3o vital de sinal de alarme, a dor n\u00e3o representa qualquer outra vantagem fisiol\u00f3gica para o organismo. Pelo contr\u00e1rio, para al\u00e9m do sofrimento e da redu\u00e7\u00e3o da qualidade de vida que causa, a dor provoca altera\u00e7\u00f5es fisiopatol\u00f3gicas dos sistemas imunit\u00e1rio, end\u00f3crino e nervoso, que v\u00e3o contribuir para o aparecimento de co-morbilidades org\u00e2nicas e psicol\u00f3gicas que podem conduzir \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o do fen\u00f3meno doloroso (DGS, 2008).<\/p>\n<p align=\"justify\">A dor \u00e9\u00a0uma constante nas feridas, sejam elas agudas ou cr\u00f3nicas. A presen\u00e7a deste factor poder\u00e1 condicionar a qualidade de vida do doente, bem como ter um impacto directo e negativo nas pessoas com quem convivem directamente (Hollinworth, 2005). Assim, devem ser identificados quais os factores que aumentam e atenuam a dor durante o tratamento de feridas.<\/p>\n<p align=\"justify\">As principais refer\u00eancias na \u00e1rea do tratamento de feridas t\u00eam dado bastante \u00eanfase \u00e0 import\u00e2ncia da minimiza\u00e7\u00e3o da dor durante o procedimento da mudan\u00e7a do penso (Hollinworth, 2005; White, 2008). Certo \u00e9 que, nem sempre \u00e9 poss\u00edvel eliminar a dor na totalidade, contudo podemos implementar medidas espec\u00edficas, com o objectivo de aliviar o desconforto e o sofrimento do doente com feridas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A dor chega a ser, por vezes de tal forma persistente, que condiciona de forma negativa a qualidade de vida dos doentes e familiares que os apoiam. Para outros, a dor \u00e9 apenas referenciada, e por vezes agravada, no momento da mudan\u00e7a do penso (EWMA, 2002).<\/p>\n<p align=\"justify\">O controlo da dor deve, pois, ser encarado como uma prioridade no \u00e2mbito da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade, sendo, igualmente, um factor decisivo para a indispens\u00e1vel humaniza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade (DGS, 2008).<\/p>\n<p align=\"justify\">A Circular Normativa em 14 de Junho de 2003 (n\u00ba 09\/DGCG), emitida pela Direc\u00e7\u00e3o-Geral de Sa\u00fade definiu a dor como o 5\u00ba sinal vital. Pese embora tenha sido considerada como boa pr\u00e1tica cl\u00ednica e obrigat\u00f3rios a avalia\u00e7\u00e3o e o registo regular da intensidade da dor em todos os servi\u00e7os prestadores de cuidados de sa\u00fade, \u00e0 semelhan\u00e7a do que j\u00e1 acontece, h\u00e1 muito tempo, para os quatro restantes sinais vitais, ainda n\u00e3o se verifica em todas as realidades a avalia\u00e7\u00e3o e o registo deste 5\u00ba sinal vital.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta Normativa baseia-se em cinco princ\u00edpios orientadores: Subjectividade da dor; a dor como 5\u00ba sinal vital; direito ao controlo da dor; dever do controlo da dor; e tratamento diferenciado da dor.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se aludirmos ao doente com ferida, a experi\u00eancia de dor \u00e9 complexa e \u00e9 influenciada por uma ampla gama de factores espec\u00edficos para o indiv\u00edduo (Hanks, 1999; Mcmullen, 2004), sendo ent\u00e3o necess\u00e1rio fazer a correcta avalia\u00e7\u00e3o e implementar medidas de al\u00edvio.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Avalia\u00e7\u00e3o da dor<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A dor pode ser dividida em dois tipos: dor nociceptiva e dor neurop\u00e1tica. A maioria das pessoas j\u00e1 experienciou dor nociceptiva, podendo ser definido como o fisiol\u00f3gico, resposta normal a um est\u00edmulo doloroso (WUWHS, 2005). Trauma associado a dor nociceptiva pode causar inflama\u00e7\u00e3o e danos nos nervos perif\u00e9ricos, o que resulta em hipersensibilidade, ao ponto de pequenas estimula\u00e7\u00f5es poderem causar dores intensas. Felizmente, a dor nociceptiva \u00e9 usualmente aliviada por analgesia e desaparece com o tempo.<\/p>\n<p align=\"justify\">A dor neurop\u00e1tica \u00e9 iniciada ou provocada por uma les\u00e3o prim\u00e1ria ou disfun\u00e7\u00e3o no sistema nervoso (Jonhson, 2004). Este pode ser o resultado da dor nociceptiva, isquemia, diabetes ou trauma no sistema nervoso perif\u00e9rico que altera a resposta \u00e0 dor.<\/p>\n<p align=\"justify\">Compreender os efeitos emocionais e sociais da vida de um doente com ferida, que se submete regularmente aos procedimentos relacionados com a mudan\u00e7a frequente de penso \u00e9 extremamente importante. A avalia\u00e7\u00e3o da dor deve ser verdadeiramente centrada no doente (Moffatt, 2002), os profissionais de sa\u00fade devem ter tempo para ouvir e apoiar os doentes, segundo a EWMA Position Document, no tempo dispendido antes da mudan\u00e7a do penso, deve-se falar com os doentes sobre as suas expectativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dor e planear estrat\u00e9gias para a diminuir. Os pacientes, desta forma, v\u00e3o reduzir a ansiedade e o medo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Aspectos psicol\u00f3gicos relacionados com sensa\u00e7\u00e3o de ansiedade, depress\u00e3o e medo podem exacerbar a dor do doente (Roth, 2004; Soon, 2006).<\/p>\n<p align=\"justify\">O stress induzido pela dor tamb\u00e9m pode afectar outros par\u00e2metros importantes no tratamento de feridas, como por exemplo, a maior susceptibilidade \u00e0 infec\u00e7\u00e3o (Rojas et al 2002, Godbout and Glaser 2006, Tengvall et al 2006, Ashcraft and Bonneau 2008).<\/p>\n<p align=\"justify\">Sempre que um procedimento \u00e9 realizado dever\u00e1 ser realizada uma avalia\u00e7\u00e3o centrada e espec\u00edfica para cada doente, o registo da intensidade da dor \u00e9 percepcionado pelo doente. Contudo, a dor mesmo estando quase sempre associada \u00e0 ferida, a avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 realizada com frequ\u00eancia (Krasner, 1995).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>A dor no Doente com feridas<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">O aumento da dor pode ser um indicador de infec\u00e7\u00e3o, esta deve ser a primeira coisa a ser tratada (Dealey, 2006). Al\u00e9m disso, v\u00e1rios estudos indicaram que a infec\u00e7\u00e3o pode aumentar a gravidade da dor associada \u00e0 ferida (Tengvall et al 2006, Carter et al 2007, Young 2007).<\/p>\n<p align=\"justify\">A mudan\u00e7a de penso e actividades de tratamento de feridas como o desbridamento podem causar dor (Dealey, 2006). A dor \u00e9 um factor importante que afecta a qualidade de vida e a sa\u00fade geral dos doentes que sofrem de feridas (Acton 2007, White 2008b). Os n\u00edveis de dor mais intensos s\u00e3o frequentemente os que se sentem na altura da mudan\u00e7a do penso (Hollinworth &amp; Collier 2000, Kammerlander &amp; Eberlein 2002).<\/p>\n<p align=\"justify\">A utiliza\u00e7\u00e3o de adesivos inapropriados ou agressivos pode traumatizar o leito da ferida e a pele circundante (Hollinworth &amp; Collier 2000, Dykes et al 2001, Cutting 2008,). Em consequ\u00eancia deste traumatismo, a remo\u00e7\u00e3o do penso pode ser muito dolorosa e consequentemente atrasar a cicatriza\u00e7\u00e3o (Hollinworth &amp; White 2006).<\/p>\n<p align=\"justify\">Estudos relacionados com a qualidade de vida dos doentes t\u00eam demonstrado de forma consistente que a dor controlada com tratamento adequado, influenciar\u00e1 de forma positiva o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o (Franks, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">A dor \u00e9, portanto, uma grande preocupa\u00e7\u00e3o, tanto para os doentes como para os profissionais de sa\u00fade (Kammerlander, 2002).<\/p>\n<p align=\"justify\">Em v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es recentes salientou-se que esta \u00e9\u00a0uma \u00e1rea que preocupa significativamente os prestadores de cuidados da sa\u00fade quando tratam de doentes com feridas (Hollinworth &amp; Collier 2000, European Wound Management Association 2002, World Union of Wound Healing Societies 2004, Soon &amp; Acton 2006, Acton 2007, Vileikyte 2007, Price 2008, White 2008a, World Union of Wound Healing Societies 2008).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Medidas para diminuir a dor no doente com feridas<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Em tr\u00eas publica\u00e7\u00f5es importantes, foram destacadas medidas para reduzir ou controlar a dor no doente com feridas: um documento com o t\u00edtulo \u201cDor nas mudan\u00e7as de pensos de feridas\u201d (Position Document &#8211; European Wound Management Association, EWMA -&#8220;Pain at wound dressing changes&#8221;), publicado em 2002, define a posi\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Europeia de Tratamento de Feridas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os outros dois documentos de consenso subsequentes representam as opini\u00f5es de grupos de trabalho de especialistas internacionais, publicados pela Uni\u00e3o Mundial das Sociedades de Tratamento de Feridas (World Union of Wound Healing Societies, WUWHS) em 2004 e 2008 (World Union of Wound Healing Societies 2004, World Union of Wound Healing Societies 2008).<\/p>\n<p align=\"justify\">Estas iniciativas promovem os princ\u00edpios das melhores pr\u00e1ticas para a minimiza\u00e7\u00e3o da dor em procedimentos relacionados com a mudan\u00e7a do penso e tamb\u00e9m incluem orienta\u00e7\u00e3o para avalia\u00e7\u00e3o, tratamento e preven\u00e7\u00e3o da dor associada \u00e0 ferida.<\/p>\n<p align=\"justify\">No primeiro dos tr\u00eas documentos supracitados (Position Document &#8211; European Wound Management Association, EWMA -&#8220;Pain at wound dressing changes&#8221;), foi feito um levantamento internacional de profissionais para investigar as suas opini\u00f5es sobre a dor em feridas, descritas no quadro (1).\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 1 &#8211; CJ Moffatt, PJ Franks, H Hollinworth, EWMA, 2002\n<\/p>\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table1\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<table id=\"table2\" border=\"0\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"12\">Pa\u00eds<\/td>\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">N\u00ba\u00a0 de profissionais<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"3\"><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"19\">Fran\u00e7a<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">1672<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"20\">Canad\u00e1<\/td>\n<td align=\"center\">413<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"21\">Finl\u00e2ndia<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">404<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"23\">Inglaterra<\/td>\n<td align=\"center\">373<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"20\">EUA<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">315<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"22\">Su\u00ed\u00e7a<\/td>\n<td align=\"center\">183<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"20\">Su\u00e9cia<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">162<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"22\">Espanha<\/td>\n<td align=\"center\">136<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"21\">\u00c1ustria<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">108<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"21\">Dinamarca<\/td>\n<td align=\"center\">77<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"16\">Alemanha<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">75<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\" height=\"12\">Total<\/td>\n<td align=\"center\">3919<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\">As primeiras conclus\u00f5es do estudo s\u00e3o extremamente interessantes e \u00e9 de todo importante divulgar algumas conclus\u00f5es do seu conte\u00fado cient\u00edfico a toda a comunidade. Ser\u00e3o consideradas neste artigo apenas as principais considera\u00e7\u00f5es durante a mudan\u00e7a de penso, quando \u00e9 que os doentes referem ter mais dor, factores que contribuem para aumentar a dor, bem como o trauma.\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Principais considera\u00e7\u00f5es durante a mudan\u00e7a do penso da ferida<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos aspectos mais relevantes, foi que os profissionais real\u00e7aram a necessidade de intervir directamente sobre o trauma causado na ferida e pele circundante (Fornells, 2006), causado nas mudan\u00e7as frequentes de penso. No quadro (2) enumeramos as principais observa\u00e7\u00f5es durante a mudan\u00e7a de penso, ordenando-as por ordem descendente de import\u00e2ncia.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 2 \u2013 CJ Moffatt, PJ Franks, H Hollinworth, EWMA, 2002<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table3\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"2\">Principais considera\u00e7\u00f5es durante a mudan\u00e7a de penso<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Prevenir o trauma do leito da ferida<\/td>\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Maior Import\u00e2ncia<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Prevenir a dor<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Prevenir a infec\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#e6eed5\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Prevenir a les\u00e3o dos tecidos<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Outros<\/td>\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Menor Import\u00e2ncia<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\"><strong>Quando \u00e9\u00a0que os doentes referem ter mais dor<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Estas conclus\u00f5es revelaram que existem diferen\u00e7as significativas entre os pa\u00edses no tratamento de uma ferida (Moffatt, 2002), contudo, revelaram em todos os pa\u00edses a mesma conclus\u00e3o, a altura da remo\u00e7\u00e3o do penso \u00e9 a mais dolorosa, seguida pela limpeza do leito da ferida, que foi considerado o principal factor em quatro pa\u00edses. Diversas suposi\u00e7\u00f5es poderiam ser consideradas como diferentes solu\u00e7\u00f5es e m\u00e9todos de limpeza mais agressivos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Factores que contribuem para a dor e trauma<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Os resultados continuam a demonstrar que pensos secos, que aderem ao leito da ferida, adesivos e a limpeza da ferida s\u00e3o os factores mais referenciados como causa de dor (Moffatt, 2002). Apontam ainda a gaze como sendo o produto mais aderente que existe, j\u00e1 n\u00e3o sendo recomendado o seu uso (Thomas, 1990). Quanto ao trauma, os principais factores foram remo\u00e7\u00e3o do penso com materiais aderentes e secos (Woo, 2007).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Material de penso que causa menos dor na remo\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">No quadro seguinte ficam claros os resultados obtidos, que demonstram, sem d\u00favida, que materiais como a gaze e pel\u00edcula de poliuretano, s\u00e3o extremamente dolorosos, pelo contr\u00e1rio, os de silicone macio s\u00e3o os menos dolorosos (Quadro3).\n<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"center\">Quadro 3 \u2013Adaptado de CJ Moffatt, PJ Franks, H Hollinworth, EWMA, 2002<\/p>\n<p align=\"center\">\n<div align=\"center\">\n<table id=\"table4\" border=\"2\" cellspacing=\"0\">\n<tbody>\n<tr valign=\"top\">\n<td colspan=\"2\">Material de penso que provoca mais dor ao remover.<\/p>\n<p align=\"center\">Escala de 0 a 10\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 (0=sem dor \u2013 10 dor m\u00e1xima insuport\u00e1vel)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Material de Penso<\/td>\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Pontua\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Gaze Tradicional<\/td>\n<td align=\"center\">9<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Tule viscoso<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">6,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Pel\u00edcula Poliuretano<\/td>\n<td align=\"center\">6,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Tule Parafina<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">6,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Pensos pouco adesivos<\/td>\n<td align=\"center\">5,2<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Espumas<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">4,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Hidrocol\u00f3ides<\/td>\n<td align=\"center\">4,5<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td bgcolor=\"#e6eed5\">Alginatos<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#e6eed5\">2,9<\/td>\n<\/tr>\n<tr valign=\"top\">\n<td>Silicone macio<\/td>\n<td align=\"center\">2,8<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p align=\"justify\"><strong>Material de penso que causa menos trauma na remo\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Dentro dos mesmos par\u00e2metros foi trabalhado o trauma, tendo-se identificado a gaze como sendo o produto que mais trauma provoca durante a remo\u00e7\u00e3o do penso (Moffatt, 2002).<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma sec\u00e7\u00e3o do recente documento de consenso da WUWHS afirma especificamente que &#8220;v\u00e1rios factores contribuem para a remo\u00e7\u00e3o dolorosa do penso, incluindo materiais do penso secos, adesivos agressivos e exsudado de ferida com crosta. Demonstrou-se consistentemente que os doentes t\u00eam mais dor com compressas de gaze do que com qualquer outro tipo de penso avan\u00e7ado de humidade equilibrada. Foram estudados pensos com tecnologia de adesivo de silicone macio (O\u00b4Donovan, 1999; Meaume, 2003; Morris, 2008) tendo sido documentado que s\u00e3o menos dolorosos antes, durante e depois da mudan\u00e7a do penso, comparativamente com outros pensos avan\u00e7ados com adesivos tradicionais&#8221; (World Union of Wound Healing Societies 2008).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Podemos apontar novos factores que devem ser evitados se pretendemos obter sucesso na cicatriza\u00e7\u00e3o: a elimina\u00e7\u00e3o ou minimiza\u00e7\u00e3o da dor deve ser um deles. Devem ser utilizadas medidas de avalia\u00e7\u00e3o da dor centradas no doente, como a comunica\u00e7\u00e3o corporal e pistas n\u00e3o verbais, mesmo utilizando uma escala de avalia\u00e7\u00e3o da dor.<\/p>\n<p align=\"justify\">O processo de cicatriza\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0influenciado pela dor, da\u00ed a import\u00e2ncia maior em tentar eliminar qualquer factor que contribua para o aparecimento de dor, em concreto a remo\u00e7\u00e3o agressiva do penso, bem como o tipo de material de penso utilizado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Perante as evid\u00eancias actuais, podemos afirmar que a altura da mudan\u00e7a do penso \u00e9\u00a0a mais dolorosa. Materiais aderentes e secos s\u00e3o os que mais provocam dor e trauma, ao inv\u00e9s, os materiais como o silicone macio s\u00e3o dos que menos trauma e dor provocam.<\/p>\n<p align=\"justify\">O profissional deve conhecer os materiais existentes para o tratamento de feridas, para assim poder fazer uma selec\u00e7\u00e3o criteriosa, tendo em vista, a diminui\u00e7\u00e3o do sofrimento do doente, bem como, a promo\u00e7\u00e3o do seu conforto e bem-estar.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4><strong>Bibliografia<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>Acton, C. The holistic management of chronic wound pain. Wounds UK 2007; 3: 1, 61-69.<\/li>\n<li>Ashcraft, K.A., Bonneau, R.H. Psychological stress exacerbates primary vaginal herpes simplex virus type 1 (HSV-1) infection by impairing both innate and adaptive immune responses. Brain Behav Immun 2008; Jun 27 [Epub ahead of print].<\/li>\n<li>Bugmann, P., Taylor, S., Gyger, D. 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Distintos materiais de penso podem condicionar de forma ainda mais negativa esta experi\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":2221,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[114,121,70,69,658,65,79],"class_list":["post-1239","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nursing","tag-cicatrizacao","tag-dor","tag-feridas","tag-material-de-penso","tag-penso","tag-tratamento","tag-trauma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1239"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2754,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1239\/revisions\/2754"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1239"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1239"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1239"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}