{"id":11857,"date":"2025-10-24T17:33:27","date_gmt":"2025-10-24T17:33:27","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/maes-que-abandonam-bebes-nao-podemos-julgar-por-tras-ha-desespero\/"},"modified":"2025-10-24T17:33:27","modified_gmt":"2025-10-24T17:33:27","slug":"maes-que-abandonam-bebes-nao-podemos-julgar-por-tras-ha-desespero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/maes-que-abandonam-bebes-nao-podemos-julgar-por-tras-ha-desespero\/","title":{"rendered":"M\u00e3es que abandonam beb\u00e9s. &#8220;N\u00e3o podemos julgar. Por tr\u00e1s, h\u00e1 desespero&#8221;"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/pais\/2873633\/bebe-abandonado-junto-a-quartel-dos-bombeiros-voluntarios-de-leiria\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">O caso do beb\u00e9 abandonado \u00e0 porta do quartel dos Bombeiros Sapadores de Leiria<\/a>, na madrugada de domingo, 19 de outubro, reavivou a discuss\u00e3o sobre o abandono de crian\u00e7as e a falta de apoio dado \u00e0s mulheres durante a gravidez e p\u00f3s-parto.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Se muitas pessoas apontaram (novamente) o dedo a esta m\u00e3e, lan\u00e7ando-lhe julgamentos, h\u00e1 quem relembre que \u00e9 preciso combater um estigma.<\/p>\n<p>A maioria das mulheres que abandonou filhos rec\u00e9m-nascidos n\u00e3o tomou esta decis\u00e3o de \u00e2nimo leve, lembram os especialistas. Quando precisaram de ajuda, n\u00e3o a tiveram. N\u00e3o foram ouvidas. Ningu\u00e9m lhes deu a m\u00e3o. Nunca tiveram colo.<\/p>\n<p>O\u00a0 primeiro passo a tomar &#8211; a par do cuidado do beb\u00e9 &#8211; \u00e9, portanto, perceber o que est\u00e1 por detr\u00e1s deste ato, ouvir e perceber esta mulher, como explicou a psic\u00f3loga\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/3ms.taniacorreia\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">T\u00e2nia Correia<\/a>, fundadora da <a href=\"https:\/\/3msmeninamulhermae.pt\/tania-correia\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Cl\u00ednica 3 M&#8217;s<\/a>, ao <span class=\"news_bold\">Not\u00edcias ao Minuto<\/span>.<\/p>\n<p>Para a especialista em parentalidade consciente, rela\u00e7\u00f5es familiares, crian\u00e7as e adolescentes, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas que &#8220;existem v\u00e1rios fatores&#8221; associados a estas situa\u00e7\u00f5es de abandono, no entanto, o facto da &#8220;sa\u00fade mental estar comprometida, \u00e9 o mais comum&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">Depress\u00f5es, patologias e falta de companheirismo e acompanhamento<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Um dos cen\u00e1rios \u00e9 podermos ter uma depress\u00e3o p\u00f3s-parto que, geralmente, j\u00e1 se come\u00e7ava a construir durante a gravidez e que depois, no p\u00f3s-parto, com as quest\u00f5es hormonais, com muitas vezes o tipo de parto &#8211; algo que tamb\u00e9m importa ser falado-, h\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores que podem levar a mulher a um ponto em que sente que n\u00e3o \u00e9 capaz de cuidar deste beb\u00e9, que sente que este beb\u00e9 vai estar melhor sem ela e que pode levar a esse cen\u00e1rio de abandono&#8221;, real\u00e7ou T\u00e2nia Correia, notando que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es ainda mais complicados.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 patologias ainda mais graves, com contornos mais s\u00e9rios, como psicoses. Mulheres que entram em del\u00edrio, que pensam, por exemplo, que aquele beb\u00e9 veio a este mundo para fazer mal. A\u00ed abandonam ou, infelizmente, o problema \u00e9 ainda mais grave&#8221;, lembrando casos em que ocorreram &#8220;homic\u00eddios&#8221; nestas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>T\u00e2nia n\u00e3o tem d\u00favidas que estes s\u00e3o &#8220;os cen\u00e1rios mais comuns&#8221;. Mas a falta de apoio de um parceiro, da rede familiar ou de amigos, tamb\u00e9m pesa.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">&#8220;\u00c9 um dos principais fatores. Muitas destas mulheres, desde muito cedo, sempre se sentiram desconectadas da fam\u00edlia. Tinham pouco v\u00ednculo com as m\u00e3es e com os pais. E o nascimento de um beb\u00e9 \u00e9 quase um arrastar desta falta de v\u00ednculo, de n\u00e3o se conseguirem conectar, de n\u00e3o conseguirem sentir aquele amor que as rela\u00e7\u00f5es d\u00e3o. Muitas destas mulheres n\u00e3o t\u00eam uma rede ou, quando t\u00eam, \u00e9 uma rede muito pobre, quer no n\u00famero de pessoas, quer no tipo de rela\u00e7\u00f5es&#8221;<\/span>, lembrou a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p>Em causa est\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 pais ausentes (ou negligentes), como &#8220;amigos que n\u00e3o est\u00e3o verdadeiramente presentes&#8221; e &#8220;companheiros que ou n\u00e3o est\u00e3o envolvidos durante a gravidez ou est\u00e3o envolvidos de uma forma muito negativa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Continuamos a ter muitas mulheres que s\u00e3o humilhadas durante a gravidez. H\u00e1 coment\u00e1rios constantes em rela\u00e7\u00e3o ao seu corpo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o femininas agora. Isso continua a existir muito&#8221;, revelou, sublinhado que o papel dos profissionais de sa\u00fade \u00e9 muito importante para diagnosticar esta debilidades.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que tamb\u00e9m temos que p\u00f4r aqui um bocadinho o dedo na ferida e trazer o papel dos profissionais de sa\u00fade nestes casos. Continuamos a ter muitas mulheres que v\u00e3o ao centro de sa\u00fade, por exemplo, e h\u00e1 um excesso de preocupa\u00e7\u00e3o com o peso que j\u00e1 ganharam. Estamos ali a ver um quilo, 500 gramas, e a tornar isto um tema. Mas ningu\u00e9m lhe pergunta como \u00e9 que ela se tem sentido. Perguntar verdadeiramente. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 perguntar para p\u00f4r um certinho na &#8216;checklist&#8217;. \u00c9 tentar perceber efetivamente&#8221;, alertou, recordando que &#8220;hoje em dia j\u00e1 temos at\u00e9 instrumentos, question\u00e1rios que permitem avaliar como est\u00e1 a sa\u00fade mental das mulher&#8221; e &#8220;muitos profissionais continuam a n\u00e3o ter em conta este aspecto&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">Abandonos &#8220;podiam ser prevenidos&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Portanto, <span class=\"news_bold\">&#8220;\u00e0s vezes, estes cen\u00e1rios podiam ser prevenidos, se algu\u00e9m se apercebesse deles desde cedo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>A um n\u00edvel j\u00e1 mais macro, por exemplo, nota a especialista, devia &#8220;haver mecanismos do Estado para dar resposta&#8221; \u00e0s gr\u00e1vidas, uma vez que h\u00e1 profissionais de sa\u00fade que at\u00e9 se apercebem que algo de errado se passa, mas depois n\u00e3o sabem o que fazer com essa informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sabem para onde encaminhar. Ou at\u00e9 encaminham para a psic\u00f3loga do servi\u00e7o, s\u00f3 que a gr\u00e1vida s\u00f3 tem vaga daqui a um ano. Daqui a um ano o beb\u00e9 j\u00e1 mais que nasceu. Portanto, estas mulheres est\u00e3o ao abandono. Ao abandono das rela\u00e7\u00f5es familiares, ao abandono das rela\u00e7\u00f5es de amizade, ao abandono do Estado, dos profissionais de sa\u00fade. \u00c9 um lugar completamente solit\u00e1rio por isso, dev\u00edamos colocar a quest\u00e3o ao contr\u00e1rio: o que \u00e9 que foi feito para esta mulher conseguir ficar com o beb\u00e9? E n\u00e3o porque \u00e9 que o abandonou&#8221;, notou, considerando que seria muito importante que a sociedade considerasse a sa\u00fade mental de uma gr\u00e1vida &#8220;essencial&#8221;. T\u00e3o essencial como o estado f\u00edsico.<\/p>\n<p>&#8220;Se virmos que uma gr\u00e1vida est\u00e1 com a tens\u00e3o extremamente alta n\u00e3o encolhemos os ombros. Se as an\u00e1lises v\u00eam completamente alteradas, tamb\u00e9m n\u00e3o o fazemos. Ent\u00e3o porque \u00e9 que quando falamos de sa\u00fade mental, varremos para debaixo do tapete? Tem de haver uma altera\u00e7\u00e3o a n\u00edvel social de como \u00e9 que isto \u00e9 visto&#8221; porque, como recordou T\u00e2nia Correia ao <span class=\"news_bold\">Not\u00edcias ao Minuto<\/span>, &#8220;muitas vezes, j\u00e1 <span class=\"news_bold\">houve uma vizinha que viu esta mulher cabisbaixa, uma colega de trabalho que se apercebeu que esta n\u00e3o estava a criar uma rela\u00e7\u00e3o com o beb\u00e9&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Precisamos, ent\u00e3o, todos estar sensibilizados e tentarmos dar aten\u00e7\u00e3o a este tema&#8221;, advertiu.<\/p>\n<p>Criar mecanismos para ajudar as gr\u00e1vidas que se sentem desamparadas pode ent\u00e3o ser a chave para diminuir o n\u00famero de beb\u00e9s abandonados \u00e0 nascen\u00e7a que, em seis anos, chegou aos 50. &#8220;O Estado deve proporcionar mais servi\u00e7os&#8221;, a sociedade deve saber a quem recorrer e ser solid\u00e1ria, o Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade deve aumentar o n\u00famero de psic\u00f3logos, principalmente, especializados na \u00e1rea do perinatal.<\/p>\n<p>E, quando diagnosticado algum tipo de problemas, algum &#8220;sinal de alarme&#8221; durante a gravidez, &#8220;a partir do momento em que o parto acontece ou que est\u00e1 pr\u00f3ximo de acontecer tem que haver uma aten\u00e7\u00e3o redobrada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tem que haver disponibilidade para estas mulheres. Um acompanhamento muito pr\u00f3ximo. E ser o Estado, \u00e0s vezes, a criar quase uma rede para compensar a rede que estas mulheres n\u00e3o t\u00eam de outra forma&#8221;, evidenciou ainda a psic\u00f3loga ao <span class=\"news_bold\">Not\u00edcias ao Minuto<\/span>.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">Sentem que &#8220;n\u00e3o s\u00e3o capazes de tomar conta do beb\u00e9 e n\u00e3o s\u00e3o ouvidas<\/span><\/p>\n<p>Ao consult\u00f3rio de T\u00e2nia chegam muitas mulheres que sentem que &#8220;ningu\u00e9m as compreende&#8221; e que &#8220;n\u00e3o podem contar com ningu\u00e9m&#8221;. As suas emo\u00e7\u00f5es, medos e d\u00favidas foram desvalorizados por &#8220;lugares comuns&#8221; e &#8220;frases feitas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que consegues tomar conta do teu filho&#8221; e, se for o segundo filho, &#8220;quem consegue tomar conta de um, consegue tomar conta de dois&#8221;, s\u00e3o apenas alguns dos exemplos que n\u00e3o devem ser ditos a algu\u00e9m que j\u00e1 est\u00e1 fragilizado.<\/p>\n<blockquote class=\"instagram-media\" style=\"background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);\" data-instgrm-captioned=\"\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DQB0RgAjKku\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\">\n<div style=\"padding: 16px;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DQB0RgAjKku\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><\/p>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: row; align-items: center;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 40px; margin-right: 14px; width: 40px;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 100px;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 60px;\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 19% 0;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"display: block; height: 50px; margin: 0 auto 12px; width: 50px;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"padding-top: 8px;\">\n<div style=\"color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;\">Ver esta publica\u00e7\u00e3o no Instagram<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"padding: 12.5% 0;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: row; margin-bottom: 14px; align-items: center;\">\n<div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(0px) translateY(7px);\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; height: 12.5px; transform: rotate(-45deg) translateX(3px) translateY(1px); width: 12.5px; flex-grow: 0; margin-right: 14px; margin-left: 2px;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; height: 12.5px; width: 12.5px; transform: translateX(9px) translateY(-18px);\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: 8px;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 50%; flex-grow: 0; height: 20px; width: 20px;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"width: 0; height: 0; border-top: 2px solid transparent; border-left: 6px solid #f4f4f4; border-bottom: 2px solid transparent; transform: translateX(16px) translateY(-4px) rotate(30deg);\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"margin-left: auto;\">\n<div style=\"width: 0px; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-right: 8px solid transparent; transform: translateY(16px);\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; flex-grow: 0; height: 12px; width: 16px; transform: translateY(-4px);\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"width: 0; height: 0; border-top: 8px solid #F4F4F4; border-left: 8px solid transparent; transform: translateY(-4px) translateX(8px);\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"display: flex; flex-direction: column; flex-grow: 1; justify-content: center; margin-bottom: 24px;\">\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; margin-bottom: 6px; width: 224px;\">\u00a0<\/div>\n<div style=\"background-color: #f4f4f4; border-radius: 4px; flex-grow: 0; height: 14px; width: 144px;\">\u00a0<\/div>\n<\/div>\n<p><\/a><\/p>\n<p style=\"color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DQB0RgAjKku\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Uma publica\u00e7\u00e3o partilhada por Cl\u00ednica 3m\u2019s (@3ms.clinica)<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p>\n<script src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\" async=\"\"><\/script>\n<\/p>\n<p>Para T\u00e2nia, para algumas destas mulheres, bastaria sentirem-se ouvidas, acolhidas, &#8220;abrir um espa\u00e7o para o di\u00e1lago&#8221; para evitar situa\u00e7\u00f5es extremadas como a que aconteceu, em Leiria, no passado domingo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos romantizar o abandono de beb\u00e9s, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos julgar. Por tr\u00e1s de muitas destas mulheres, h\u00e1 desespero. O sentimento de que n\u00e3o v\u00e3o ser o melhor para este beb\u00e9. H\u00e1 casos onde isto vem mesmo de um lugar de amor e preocupa\u00e7\u00e3o. Sendo esse amor a capacidade de assumir que n\u00e3o vai ser o melhor para esta crian\u00e7a. De n\u00e3o conseguir dar-lhe o que ela merece&#8221;, ressalvou a tamb\u00e9m escritora.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica 3M&#8217;s j\u00e1 ajudou &#8220;v\u00e1rias m\u00e3es a reverter o processo de abandono&#8221;. Na sequ\u00eancia do que j\u00e1 foi dito a acima, para que uma mulher consiga cuidar de um beb\u00e9, &#8220;primeiro tem de ser capaz de cuidar de si mesma&#8221; e &#8220;muitas destas mulheres est\u00e3o completamente desconectadas de si, nunca souberam o que \u00e9 ser cuidadas, acarinhadas, apoiadas&#8221;.<\/p>\n<p>Da\u00ed, um dos primeiros passos a dar seja, como explicou T\u00e2nia, perceber se esta pessoa &#8220;vai precisar de medica\u00e7\u00e3o e de acompanhamento ou se est\u00e1 num ponto que conseguimos fazer o acompanhamento sem o apoio da medica\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed \u00e9 apoiar a mulher a ser &#8220;capaz de ser cuidadora de si pr\u00f3pria, a olhar para si de uma outra forma, a conhecer-se. A saber quem \u00e9&#8221;, porque &#8220;muitas destas mulheres n\u00e3o fazem ideia de quem s\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Estiveram anos e anos s\u00f3 a viver em piloto autom\u00e1tico e a responder e a superar desafios num lugar de solid\u00e3o completa. Muitas vezes, s\u00f3 o processo, a pessoa ter ali algu\u00e9m que apoia, j\u00e1 \u00e9 uma experi\u00eancia \u00fanica na vida destas mulheres. Elas nunca tinham experienciado o que \u00e9 ter colo.\u00a0O que \u00e9 ter algu\u00e9m a olhar para si. O que \u00e9 ter algu\u00e9m que acredita em si. A dizer que vai conseguir&#8221;, afirmou a especialista.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">&#8220;Dar a m\u00e3o com for\u00e7a e agarrar esta mulher&#8221;<\/span><\/p>\n<p>Durante esse processo, os profissionais tentam desconstruir as suas hist\u00f3rias de vida, perceber o v\u00ednculo com os pais, que tipo de rela\u00e7\u00f5es desenvolveram ao longo da vida.<\/p>\n<p>E depois h\u00e1 uma fase ainda mais dif\u00edcil porque, quando elas est\u00e3o, finalmente, a se reequilibrar &#8211; porque n\u00e3o t\u00eam logo acesso \u00e0s crian\u00e7as, as institui\u00e7\u00f5es precisam de algum tempo, de ter provas de que s\u00e3o capazes de cuidar -, quando v\u00e3o visitar os filhos \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, percebem que, &#8220;afinal, eles estariam melhor com elas do que ali&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;E esses meses, em que elas [m\u00e3es] est\u00e3o a visitar os filhos e saem de l\u00e1 sem eles. Quando j\u00e1 est\u00e3o capazes de abrir o seu cora\u00e7\u00e3o para os amar, sofrem muito. Muito mesmo. \u00c9 dur\u00edssimo.\u00a0\u00c9 muito complicado. \u00c9 a\u00ed que n\u00f3s, que estamos a dar acompanhamento psicol\u00f3gico, precisamos de dar a m\u00e3o com for\u00e7a e agarrar esta mulher para que ela n\u00e3o se desequilibre de novo com aquela dor de assistir e de se sentir culpada de esta crian\u00e7a estar ali. De se sentir ego\u00edsta e com culpa&#8221;, acautelou a psic\u00f3loga.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">E o pai? Onde est\u00e1?<\/span><\/p>\n<p>Quando uma crian\u00e7a \u00e9 abandonada, geralmente, os dedos em riste s\u00f3 apontam \u00e0 m\u00e3e. &#8220;Est\u00e1 enraizado na sociedade que a m\u00e3e tem a obriga\u00e7\u00e3o de querer o beb\u00e9 e \u00e9 que falhou&#8221;. N\u00e3o o pai, que continua a ser visto por muitas pessoas como um simples apoio. Uma perspectiva que precisa de come\u00e7ar a mudar, uma vez que, como recordou ao\u00a0<span class=\"news_bold\">Not\u00edcias ao Minuto<\/span>, T\u00e2nia Correia, &#8220;os dois concretizam o abandono&#8221;.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, &#8220;muitas vezes o pai do beb\u00e9 \u00e9 a parte negligente desde o in\u00edcio e a causa de levar a mulher aquele ponto&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c0 3M&#8217;s chegam muitas mulheres que, ao contarem aos companheiros que est\u00e3o gr\u00e1vidas, &#8220;recebem como resposta que, a partir de agora, est\u00e1 por sua conta&#8221;.<\/p>\n<p>Em alguns casos, quando se trata de rela\u00e7\u00f5es extraconjugais, acusam-nas mesmo de quererem &#8220;estragar-lhes a vida&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"news_h3\" style=\"font-size: 1.2em; font-weight: bold; color: #006da6;\">Cuidado com beb\u00e9 abandonado deve ser redobrado. Muito pele a pele, muito trabalho de &#8220;perten\u00e7a&#8221;, de v\u00ednculo<\/span><\/p>\n<p>Apesar da tenra idade, os rec\u00e9m-nascidos abandonados podem ficar com os traumas do abandono para toda a vida. Para que isso n\u00e3o aconte\u00e7a, \u00e9 preciso ir al\u00e9m do tecto e da comida. \u00c9 preciso assegurou que estes beb\u00e9s s\u00e3o acolhidos, acarinhados, mimados.<\/p>\n<p>&#8220;A literatura tem-nos mostrado ao longo dos anos que a rejei\u00e7\u00e3o, at\u00e9 durante a gravidez, j\u00e1 \u00e9 sentida pelo beb\u00e9, porque h\u00e1 uma grande liga\u00e7\u00e3o entre o beb\u00e9 e o c\u00e9rebro da m\u00e3e. Um beb\u00e9 abandonado pode ficar com algumas marcas em termos de v\u00ednculo. Quanto mais o mundo for capaz de o receber, de haver muito contacto com este beb\u00e9 nos primeiros tempos, n\u00e3o precisamos s\u00f3 de locais que recebam estes beb\u00e9s e que assegurem que estes beb\u00e9s n\u00e3o passam fome nem apanham frio. Precisamos que exista mesmo muito contacto, muito pele a pele com estes beb\u00e9s. Quanto mais medidas reforcem o v\u00ednculo e a sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a deste beb\u00e9, melhor. A sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a e de abandono precisar\u00e3o de ser tratados algures na hist\u00f3ria deste adulto&#8221;, explicou T\u00e2nia Correia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m deste primeiro acolhimento, deve ser feito tamb\u00e9m um trabalho com os futuros cuidados destas crian\u00e7as, que ser\u00e3o essencais para que as sequelas deste in\u00edcio de vida atribulado se tornem cada vez mais esbatidos no tempo, na mem\u00f3ria e at\u00e9 no corpo.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal \u00e9 come\u00e7ar a trabalhar com quem forem os cuidadores deste beb\u00e9, desde sempre. Se adotar este beb\u00e9, tenho de ter consci\u00eancia, apoio, para perceber que tenho de ter cuidados redobrados com este beb\u00e9. Para que ele tenha o sentimento de perten\u00e7a. Para sentir conex\u00e3o e n\u00e3o sentir abandono. Com qualquer beb\u00e9 teria mas com este vou ter de trabalhar ainda mais na sensa\u00e7\u00e3o de perten\u00e7a, de ser bem-vindo, desejado. Isso tem de ser trabalhado com os adultos desde sempre&#8221;.<\/p>\n<p>Recorde-se que, segundo o <a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/nacional\/artigo\/em-seis-anos-houve-50-bebes-que-foram-abandonados-a-nascenca\/18011679\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Jornal de Not\u00edcias<\/a>, em seis anos, 50 beb\u00e9s foram abandonados \u00e0 nascen\u00e7a ou nos primeiros seis meses de vida em Portugal, situa\u00e7\u00f5es-limite, em que as m\u00e3es enfrentam grande dor e ang\u00fastia, mas n\u00e3o vislumbram outra sa\u00edda.<\/p>\n<p>O caso mais recente\u00a0 &#8211; que se tenha conhecimento &#8211; ocorreu no passado domingo, em Leiria. Uma mulher, de 27 anos, enfermeira de profiss\u00e3o, deixou o filho rec\u00e9m-nascido, com menos de 24 horas de vida e ainda com o cord\u00e3o umbilical, \u00e0 porta de um quartel de bombeiros.<\/p>\n<p>Dentro do saco onde estava o beb\u00e9, deixou fraldas, uma manta e leite. O menino estava quente e bem cuidado. Antes de o abandonar, foi captada pelas c\u00e2maras de videovigil\u00e2ncia a hesitar e em l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.cmjornal.pt\/portugal\/detalhe\/recem-nascido-abandonado-nos-sapadores-de-leiria-recebe-visitas-da-mae\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Correio da Manh\u00e3<\/a>, a mulher, apesar de ter sido constitu\u00edda arguida, est\u00e1 a visitar o filho e poder\u00e1 at\u00e9 ficar com ele.<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com\/pais\/2876408\/maes-que-abandonam-bebes-nao-podemos-julgar-por-tras-ha-desespero#utm_source=rss-ultima-hora&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=rssfeed\" class=\"info\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Leia na \u00edntegra em <b>Not\u00edcias ao Minuto<b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso do beb\u00e9 abandonado \u00e0 porta do quartel dos Bombeiros Sapadores de Leiria, na madrugada de domingo, 19 de outubro, reavivou a discuss\u00e3o sobre o abandono de crian\u00e7as e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11858,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1121],"tags":[],"class_list":["post-11857","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-profissao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11857","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11857"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11857\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11858"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}