{"id":1110,"date":"2009-04-30T20:36:35","date_gmt":"2009-04-30T20:36:35","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/tratar-versus-cuidar-do-passado-para-o-presente-futuro\/"},"modified":"2021-05-04T09:40:58","modified_gmt":"2021-05-04T09:40:58","slug":"tratar-versus-cuidar-do-passado-para-o-presente-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/tratar-versus-cuidar-do-passado-para-o-presente-futuro\/","title":{"rendered":"Tratar versus Cuidar do Passado para o Presente\/Futuro"},"content":{"rendered":"<p>A arte de escutar n\u00e3o se resume ao acto extremo de ouvir, implica que quem escuta o fa\u00e7a com todo o seu ser e esteja dispon\u00edvel para a totalidade da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><em>Sinais Vitais n\u00ba80<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<div>\n<p align=\"justify\"><strong>Jos\u00e9 S\u00edlvio de Sousa Freitas<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Licenciado em Enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Susana Patr\u00edcia Franco Freitas<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Licenciada em Enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> Resumo<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">Orientada para o cumprimento de tarefas e prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas com intuito de curar a doen\u00e7a ou \u00f3rg\u00e3o doente, ou seja, Tratar, a enfermeira durante anos, desvalorizou a ess\u00eancia da sua profiss\u00e3o \u2013 o Cuidar. Mas, a evolu\u00e7\u00e3o que se assiste hoje orienta-nos para o cuidar hol\u00edstico baseado na rela\u00e7\u00e3o de ajuda, na aten\u00e7\u00e3o ao outro, na escuta, na compreens\u00e3o, no respeito, em todos os pequenos gestos que ajudam a conduzir a Pessoa ao seu bem-estar.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>Palavras Chave:<\/strong> Tratar; Cuidar; Cuidados de Enfermagem; Rela\u00e7\u00e3o de Ajuda; Comunicar<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong> INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A enfermagem tem acompanhado o homem desde os prim\u00f3rdios da sua exist\u00eancia, surgindo a partir do momento em que a primeira pessoa cuidou de outra, doente ou ferida. Mas somente no s\u00e9culo XIX, com Florence Nightingale, a enfermagem se afirmou como profiss\u00e3o de responsabilidade e de respeito, tendo como ess\u00eancia o Cuidar. Contudo a partir do final do s\u00e9culo xix, presenciou-se um grande desenvolvimento tecnol\u00f3gico que direccionava a aten\u00e7\u00e3o dos profissionais para a repara\u00e7\u00e3o do estado de sa\u00fade, tornando o cuidar no tratar da doen\u00e7a (Colli\u00e8re, 1989).<\/p>\n<p align=\"justify\">Desde h\u00e1, sensivelmente, tr\u00eas d\u00e9cadas que a grande expectativa do passado se tornou actual e num objectivo para o futuro. Foi com o aparecimento dos modelos conceptuais que a Enfermagem se afirma como \u201carte e ci\u00eancia do cuidar\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Exige-se, no mundo de hoje, o desenvolvimento de um processo de cuidar que d\u00ea respostas \u00e0s necessidades do Homem, isto \u00e9, uma mudan\u00e7a que vise a excel\u00eancia do saber, do fazer e do ser pr\u00f3prios da enfermeira que desenvolve o seu pr\u00f3prio processo de enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Deste modo, a compet\u00eancia necess\u00e1ria ao cuidar converge do saber ser (valores, cren\u00e7as, convic\u00e7\u00f5es, atitudes), do saber em si (conhecimentos, compreens\u00e3o, an\u00e1lise cr\u00edtica e s\u00edntese) e do saber fazer (habilidades relacionais e t\u00e9cnicas).<\/p>\n<p align=\"justify\">Diferentes formas de saber ser, estar e fazer d\u00e3o origem a dois tipos de abordagem: uma orientada para o \u201creparar a pe\u00e7a defeituosa\u201d \u2013 tratar; outra voltada para o cuidar. A orienta\u00e7\u00e3o para o Tratar \u00e9 mais instrumental, relacionada com procedimentos terap\u00eauticos e t\u00e9cnicos e visa a cura. Enquanto que, a orienta\u00e7\u00e3o para o Cuidar \u00e9 mais hol\u00edstica, isto \u00e9, atende o utente na sua globalidade e visa sobretudo o seu bem-estar (Ribeiro, 1995).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong> Orienta\u00e7\u00e3o para o Tratar: um modelo bio-m\u00e9dico.<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Os cuidados de enfermagem representam uma ramifica\u00e7\u00e3o recente da evolu\u00e7\u00e3o milen\u00e1ria dos cuidados. Em termos hist\u00f3ricos, os cuidados foram sofrendo grandes altera\u00e7\u00f5es na sua concep\u00e7\u00e3o e, consequente, presta\u00e7\u00e3o. Desde os tempos mais remotos at\u00e9 \u00e0 Idade M\u00e9dia foram praticados pela Mulher, passando depois para a mulher consagrada e, s\u00f3 a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, pela mulher enfermeira, que tamb\u00e9m, at\u00e9 \u00e0 actualidade, se modificou (Colli\u00e8re, 1989).<\/p>\n<p align=\"justify\">Como j\u00e1 referimos, Nightingale foi quem primeiro abordou o Cuidar como algo de humano, necess\u00e1rio para que a Enfermagem se constitu\u00edsse como profiss\u00e3o. No entanto, as novas tecnologias, a influ\u00eancia da evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia m\u00e9dica, a cultura e os valores criados pela profiss\u00e3o, os insuficientes conhecimentos espec\u00edficos dos enfermeiros, as dificuldades de identifica\u00e7\u00e3o do campo de enfermagem, as solicita\u00e7\u00f5es das sociedades modernas, a \u00eanfase na rentabilidade e utilidade, na cura, nas rotinas marcadas pelos cuidados f\u00edsicos e tratamentos, na execu\u00e7\u00e3o de tarefas,\u00a0a falta de espectaculosidade dos servi\u00e7os de enfermagem e in\u00fameras outras raz\u00f5es, conduziram ao profundo laminar da riqueza e ess\u00eancia do cuidar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Todos estes condicionalismos arrastaram a preocupa\u00e7\u00e3o dominante dos enfermeiros para o tratar, para a cura da doen\u00e7a\/ \u00f3rg\u00e3o doente e cumprimento das prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, sendo o utente atendido de forma estandardizada e considerado em fun\u00e7\u00e3o da sua doen\u00e7a. Estes factos constitu\u00edam a base para a tomada de decis\u00e3o da enfermeira que, apesar de eficiente privilegiava as tarefas em detrimento da comunica\u00e7\u00e3o\u00a0(modelo bio-m\u00e9dico).<\/p>\n<p align=\"justify\">Adoptando esta orienta\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o do utente era quase nula e os cuidados de enfermagem camuflados pelos cuidados t\u00e9cnicos e f\u00edsicos \u2013 tratamento, higiene, alimenta\u00e7\u00e3o e arranjo do ambiente. \u201cNestas condi\u00e7\u00f5es, a enfermeira distancia-se; tenta resolver os problemas de forma racional; valoriza os aspectos objectivos da situa\u00e7\u00e3o; e desvaloriza a subjectividade e o sentimento do utente sobre a sua experi\u00eancia da doen\u00e7a e efeitos dos tratamentos\u201d (Ribeiro, 1995:26).<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong> Orienta\u00e7\u00e3o para o Cuidar: um modelo hol\u00edstico<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A orienta\u00e7\u00e3o para o Cuidar radica das ideias de Nightingale (1859), Henderson (1961, 1969), Leinniger (1970), Watson (1988), entre outras. Apela para uma ac\u00e7\u00e3o centrada no utente como sujeito dos cuidados para os aspectos relacionais e abrange a pessoa e o seu ambiente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Na tentativa de explicar a orienta\u00e7\u00e3o para o cuidar surgiram v\u00e1rios modelos alternativos ao modelo biom\u00e9dico a que se convencionou chamar modelos de enfermagem. Para Pearson e Vaughan (1992, p.14), \u201co modelo de enfermagem \u00e9 uma imagem ou representa\u00e7\u00e3o do que a enfermagem \u00e9 na realidade\u201d. Assim, se a enfermagem for concebida de forma hol\u00edstica, compreenderemos mais facilmente a rela\u00e7\u00e3o entre as dimens\u00f5es biol\u00f3gica, psicol\u00f3gica, s\u00f3cio-cultural e espiritual do utente. Um modelo hol\u00edstico ao ser desempenhado por todos os enfermeiros ajuda a assegurar que todos comportem a mesma imagem, os mesmos objectivos e os mesmos conhecimentos na presta\u00e7\u00e3o de cuidados, assegurando a continuidade e consist\u00eancia dos mesmos.<\/p>\n<p align=\"justify\">A dimens\u00e3o \u201cCuidar\u201d Ser cuidado&#8230; Cuidar de si pr\u00f3prio&#8230; Cuidar&#8230; s\u00e3o as dimens\u00f5es de uma unidade din\u00e2mica e sist\u00e9mica, que o tempo tem visto desgastar-se e tornar-se vaga (Fernandes, 1998). Mitos antigos e pensadores contempor\u00e2neos dos mais profundos nos ensinam que a ess\u00eancia humana n\u00e3o se encontra tanto na intelig\u00eancia, na liberdade ou na criatividade, mas basicamente no cuidado, que se integra no ethos (princ\u00edpios, valores e atitudes) do fundamento humano (Boff, 1999).<\/p>\n<p align=\"justify\">Reflex\u00e3o que conduz a era tecnicista em que vivemos para uma vertente de cuidados humanizados. Desde que nascemos, temos a necessidade de sermos cuidados, de onde surge a necessidade de cuidarmos dos outros. Cada um, cuida de si e dos outros, mas a capacidade de cuidar \u00e9 condicionada pelo estadio da vida em que nos encontramos, pelas capacidades desenvolvidas e pela forma como fomos cuidados.<\/p>\n<p align=\"justify\">Cuidar!&#8230; cuidar de mim&#8230; do outro&#8230; Cuidar?&#8230; como se define? Ao longo da hist\u00f3ria, diferentes perspectivas surgiram sobre o cuidar humano.<\/p>\n<p align=\"justify\">Debrucemo-nos sobre a sua filologia. Cuidado deriva do latim cura, que expressa atitude de cuidado, de desvelo, de cautela, de preocupa\u00e7\u00e3o e de inquieta\u00e7\u00e3o pelo outro, atendendo \u00e0 liberdade, aos interesses positivos e \u00e0s necessidades das pessoas, respeitando assim a sua identidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o diversas as conceptualiza\u00e7\u00f5es acerca do cuidar. Para Mayeroff (1971), cuidar de outra pessoa \u00e9 ajud\u00e1-la a crescer e a actualizar-se, \u00e9 encoraj\u00e1-la e ajud\u00e1-la a criar e a encontrar os seus pr\u00f3prios recursos para ser capaz de cuidar de si pr\u00f3pria. \u00c9 no cuidar que se experienciam as potencialidades e necessidades de crescimento do outro, de modo que o que cuida seja guiado pela direc\u00e7\u00e3o do crescimento do outro e determine respostas relevantes mantendo a independ\u00eancia e respeitando as necessidades. Colli\u00e8re (1999) considera cuidar um acto individual que se presta a si pr\u00f3prio quando se tem autonomia e um acto de reciprocidade que se presta \u00e0s pessoas que tempor\u00e1ria ou definitivamente necessitam de ajuda.<\/p>\n<p align=\"justify\">Podem-se identificar dois tipos de cuidados de natureza diferente: os cuidados quotidianos e habituais (care) e os cuidados de repara\u00e7\u00e3o (cure). Os primeiros t\u00eam por fun\u00e7\u00e3o manter e assegurar a continuidade da vida reabastecendo-a de energia de natureza alimentar, afectiva, psicossocial,&#8230; Por outro lado, os cuidados de repara\u00e7\u00e3o visam limitar a doen\u00e7a, lutar contra ela e atacar as suas causas atrav\u00e9s do seu tratamento \u2013 o fim \u00faltimo \u00e9 curar. Estes s\u00f3 fazem sentido se associados aos cuidados correntes com o seu suporte relacional. Diferentes aspectos do cuidar integrado na sa\u00fade s\u00e3o apresentados por Hesbeen (2000). Para ele, \u201ccuidar\u201d ou \u201cprestar cuidados\u201d \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o especial\/ particular\/ singular que se resume \u00e0 escuta indispens\u00e1vel que \u00e9 dada a uma pessoa que vive uma situa\u00e7\u00e3o particular, com vista a ajud\u00e1-la, a contribuir para o seu bem estar, a promover a sua sa\u00fade. \u00c9 por isto que conceptualiza a pr\u00e1tica do cuidar como uma arte e n\u00e3o uma ci\u00eancia. \u00c9 arte, na medida em que combina elementos de conhecimento, de destreza, de saber-ser, de intui\u00e7\u00e3o, que permitem ajudar algu\u00e9m, na sua situa\u00e7\u00e3o singular. Cuidar \u00e9 tamb\u00e9m valor, por ser aquilo que se atribui import\u00e2ncia, que \u00e9 acess\u00edvel a todos, aberto ao conhecimento, que permite melhorar, enriquecer, tornar mais pertinente a ajuda prestada.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Enfermagem&#8230; a Ci\u00eancia do Cuidar Humano!<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">A orienta\u00e7\u00e3o para o cuidar, (re) surge, na d\u00e9cada de 80, com Madeleine Leininger (1981, 1989) e Jean Watson (1985, 1988). Consideram que os cuidados de enfermagem s\u00e3o, em simult\u00e2neo, uma arte e uma ci\u00eancia humana do cuidar, um ideal moral e um processo transpessoal que visam a promo\u00e7\u00e3o da harmonia entre \u201ccorpo-alma-esp\u00edrito\u201d (Lopes, 2000).<\/p>\n<p align=\"justify\">Hesbeen (2000) descreve os cuidados de enfermagem como a aten\u00e7\u00e3o particular prestada pela enfermeira ou pelo enfermeiro a uma pessoa\/ fam\u00edlia ou a um grupo de pessoas com vista a ajud\u00e1-los na sua situa\u00e7\u00e3o, utilizando para isso as compet\u00eancias e as qualidades que fazem deles profissionais de enfermagem. De acordo com Watson (1979) citado por Hesbeen (2000) os cuidados de enfermagem s\u00e3o constitu\u00eddos pelo que comp\u00f5e a ess\u00eancia \u2013 rela\u00e7\u00e3o interpessoal \u2013 e pelo acess\u00f3rio da pr\u00e1tica do cuidar \u2013 meios (t\u00e9cnicas, protocolos, terminologia, formas de organiza\u00e7\u00e3o, contextos dos cuidados,&#8230;).<\/p>\n<p align=\"justify\">Cuidar do outro constitui-se numa dimens\u00e3o extremamente importante \u2013 a relacional, atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o de ajuda. Para Cibanal parafraseado por Martins(1995), rela\u00e7\u00e3o de ajuda \u2018\u00e9 um interc\u00e2mbio humano epessoal entre dois seres humanos. Nesta troca, um dosinterlocutores (o cuidador) captar\u00e1 as necessidades dooutro (a pessoa cuidada), com o fim de ajud\u00e1-lo a descobriroutras possibilidades de perceber, aceitar e fazerfrente \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o actual\u2019. Lazure (1994, p.9) acrescenta que \u201cessa interac\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e que a enfermeira adopte uma maneira de estar e de comunicar em fun\u00e7\u00e3o do objectivo que se pretende atingir.\u201d Sendo a enfermagemuma profiss\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o, a enfermeira tem como miss\u00e3o desenvolver uma comunica\u00e7\u00e3o eficaz, eficiente e positiva, de forma a criar o melhor interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es e ideias poss\u00edvel.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cComunicar, ou antes, saber comunicar \u00e9 humanizar\u201d (Soares, 1987). A enfermeira que utiliza a comunica\u00e7\u00e3o como instrumento de suporte nas suas interven\u00e7\u00f5es, aproxima-se da Pessoa vulner\u00e1vel, permitindo-lhe conversar, escutar, tranquilizar, esclarecer d\u00favidas e criar sentimentos de seguran\u00e7a e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">A compreens\u00e3o emp\u00e1tica \u00e9 considerada a base de uma boa rela\u00e7\u00e3o, pois proporciona rela\u00e7\u00f5es personalizadas e de confian\u00e7a que aproxima as pessoas. A enfermeira coloca-se no lugar da Pessoa e tenta compreender o que esta est\u00e1 sentindo. Estanqueiro (1993), refere que \u201cuma pessoa compreensiva tenta perceber o universo alheio, como se visse com os olhos dos outros ou como se sentisse com o cora\u00e7\u00e3o dos outros\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A escuta implica calma e serenidade. A enfermeira ao manifestar disponibilidade para ouvir permite que o utente se exprima espontaneamente, com a sua linguagem, com os seus sil\u00eancios e divaga\u00e7\u00f5es. Escutar, mais do que falar, \u00e9 o segredo das boas rela\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p align=\"justify\">A arte de escutar n\u00e3o se resume ao acto extremo de ouvir, implica que quem escuta o fa\u00e7a com todo o seu ser e esteja dispon\u00edvel para a totalidade da comunica\u00e7\u00e3o (verbal e n\u00e3o verbal).<\/p>\n<p align=\"justify\">O respeito \u00e9 um valor fundamental do ser humano. Lazure (1994), afirma que respeitar um ser humano \u201c\u00e9 acreditar profundamente que ele \u00e9 \u00fanico, e que devido a essa unicidade s\u00f3 ele possui todo o potencial espec\u00edfico para aprender a viver da forma que lhe \u00e9 mais satisfat\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">A congru\u00eancia consigo pr\u00f3pria e com o utente \u00e9 outra das caracter\u00edsticas essenciais na rela\u00e7\u00e3o de ajuda. Esta \u00e9 uma caracter\u00edstica fundamental do ser humano, pois possibilita que haja acordo entre o que ele vive interiormente, a consci\u00eancia que tem sobre o que viveu e a express\u00e3o dessa viv\u00eancia que \u00e9 traduzida pelo seu comportamento. A congru\u00eancia tem a sua base na seguran\u00e7a interior e espontaneidade, as quais v\u00e3o proporcionar o prazer de ser verdadeiramente aquilo que somos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste sentido, o enfermeiro tem de ser congruente pois ao utilizar essa caracter\u00edstica cultiva maior seguran\u00e7a e \u00e0 vontade para lidar com os utentes e ajud\u00e1-los a resolverem a sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">A capacidade de clarificar e de ajuda na clarifica\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial na comunica\u00e7\u00e3o enfermeiro-utente pois evita sentimentos negativos de incompreens\u00e3o e inseguran\u00e7a.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim \u00e9 fundamental a utiliza\u00e7\u00e3o de termos claros, simples, concretos e de f\u00e1cil compreens\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Estabelecer la\u00e7os de confian\u00e7a com o utente e fam\u00edlia necessita de um processo impregnado de todas aquelas \u201cpequenas coisas\u201d que constituem os cuidados de enfermagem (Hesbeen, 2000).<\/p>\n<p align=\"justify\">Em suma, as compet\u00eancias profissionais de natureza cient\u00edfica e t\u00e9cnica necess\u00e1rias ao enfermeiro, insinuam-se por \u201cpequenos gestos\u201d como: sendo um ser caloroso, congruente, preciso e concreto e emp\u00e1tico, escutando o utente, mostrando disponibilidade, respeito, amabilidade, simplicidade, humildade, autenticidade, humor, compaix\u00e3o e afecto por si e pelos outros.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<ul>\n<li>\n<p align=\"justify\">Boff, Leonardo \u2013 Saber cuidar: \u00e9tica do humano \u2013 compaix\u00e3o pela terra. 5\u00aa ed.. Petr\u00f3polis: Editora Vozes, 1999. 199 p. ISBN85.326.2162-7.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Colli\u00e8re, Marie-Fran\u00e7oise \u2013 Promover a vida: da pr\u00e1tica das mulheres de virtude aos cuidados de enfermagem. s. ed.. Lisboa,1989. 385 p. Tradu\u00e7\u00e3o de: Maria Leonor Braga Abecasis.ISBN 972-95420-0-7.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Estanqueiro, Ant\u00f3nio \u2013 Saber lidar com as pessoas. 2\u00aa ed. Lisboa: Presen\u00e7a, 1993. 109 p.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Fernandes, Maria Teresa \u2013 Ser\u00e1 cuidar um caminho \u00e9tico ou uma obriga\u00e7\u00e3o moral?. In \u201cPensar Enfermagem\u201d. Lisboa. ISSN0873\/ 8904. Vol. 2, N.\u00ba 2, 2\u00ba semestre, 1998.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Hesbeen, Walter \u2013 Cuidar no hospital: enquadrar os cuidados de enfermagem numa perspectiva de cuidar, s. ed.. Loures: Lusoci\u00eancia,2000. 201 p. Tradu\u00e7\u00e3o de: Maria Isabel BaptistaFerreira. ISBN: 972-8383-11-8.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Lazure, H\u00e9l\u00e8ne \u2013 Viver a rela\u00e7\u00e3o de ajuda: abordagem te\u00f3rica e pr\u00e1tica de um crit\u00e9rio de compet\u00eancia da enfermeira. s. ed.Lisboa: Lusodidacta, 1994. 214 p. Tradu\u00e7\u00e3o: MargaridaCunha Rosa. ISBN: 972-95399-5-2.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Lopes, Manuel Jos\u00e9 \u2013 Concep\u00e7\u00f5es de enfermagem e desenvolvimento s\u00f3cio-moral: alguns dados e implica\u00e7\u00f5es. Lisboa, s. d.. Tesede disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em ci\u00eancias de enfermagem.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">ISBN: 972-98149-0-2. Martins, Maria Clara Sales Fernandes Correia \u2013 Do \u201ccuidar\u201d te\u00f3rico ao \u201ccuidar\u201d vivido: a estrutura essencial da rela\u00e7\u00e3o de ajuda enfermeira-utente. Lisboa, 1995. 91 p. tese de mestrado.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Mayeroff, Milton \u2013 On caring. s. ed.. New York: Harper Perennial, 1990. 121 p. ISBN: 0-06-092024-6.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Moreira, Marta; e outros \u2013 Assist\u00eancia de enfermagem ao doente cr\u00f3nico. In \u201cNascer e Crescer\u201d. Porto. ISBN: 0872-0754.Vol. N.\u00ba 9, N.\u00ba 4, (Outubro\/ Novembro\/ Dezembro 2000).p. 261-262.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Pearson, Alan; Vaughan, Barbara \u2013 Modelos para exerc\u00edcio de enfermagem. 1.\u00aa ed.. Londres: Heineman Nursing, 1986. 178p.. ISBN: 0-433-24902-1.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Queir\u00f3s, Ana Maria Correia Albuquerque \u2013 Empatia e respeito: dimens\u00f5es centrais na rela\u00e7\u00e3o de ajuda. s. ed.. Coimbra:Quarteto Editora, s. data. 156 p. ISBN: 972-8535-03-1.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Ribeiro, Lisete Fradique \u2013 Cuidar e tratar: forma\u00e7\u00e3o em enfermagem e desenvolvimento socio-moral. s. ed.. Lisboa: Co-edi\u00e7\u00e3o Educa e Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, (Maio1995). 109 p.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">Soares, S\u00e9rgio \u2013 Humaniza\u00e7\u00e3o dos cuidados de enfermagem no servi\u00e7o de urg\u00eancias. In \u201cEnfermagem\u201d. Lisboa. ISN: 0871-0775. N.\u00ba 10, (Outubro\/Dezembro 1987). p. 33-35.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arte de escutar n\u00e3o se resume ao acto extremo de ouvir, implica que quem escuta o fa\u00e7a com todo o seu ser e esteja dispon\u00edvel para a totalidade da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[611,201,488,508,612,609,610,608,607],"class_list":["post-1110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinais-vitais","tag-biomedico","tag-comunicacao","tag-cuidar","tag-futuro","tag-holistico","tag-passado","tag-presente","tag-relacao-de-ajuda","tag-tratar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1110"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2762,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1110\/revisions\/2762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}