{"id":1085,"date":"2009-03-07T13:35:53","date_gmt":"2009-03-07T13:35:53","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/por-uma-logica-de-cuidados-em-ortotraumatologia-que-promova-o-regresso-a-casa\/"},"modified":"2021-04-28T15:45:17","modified_gmt":"2021-04-28T15:45:17","slug":"por-uma-logica-de-cuidados-em-ortotraumatologia-que-promova-o-regresso-a-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/por-uma-logica-de-cuidados-em-ortotraumatologia-que-promova-o-regresso-a-casa\/","title":{"rendered":"Por uma L\u00f3gica de Cuidados em Ortotraumatologia que Promova o Regresso a Casa"},"content":{"rendered":"<p>Quando todos os outros profissionais j\u00e1 esgotaram a sua capacidade de actua\u00e7\u00e3o, n\u00f3s enfermeiros podemos sempre ir mais al\u00e9m, quanto mais n\u00e3o seja pegar na m\u00e3o e dizer &#8216;estou aqui\u2026&#8217;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Revista Portuguesa de Enfermagem n\u00ba14<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Cristina Rosa Soares Lavareda Baixinho<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Licenciada em Enfermagem<\/p>\n<p align=\"justify\">Especialista em Sa\u00fade Escolar<\/p>\n<p align=\"justify\">Mestre em Sa\u00fade Escolar<\/p>\n<p align=\"justify\">Assistente na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"JUSTIFY\"><strong>Palavras-chave:<\/strong> Regresso a casa; Autonomia; Cuidados de Enfermagem<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<p align=\"justify\"><strong>Keywords:<\/strong> House return; Autonomy; Nursing cares<\/p>\n<h4 align=\"justify\"><strong>Resumo:<\/strong><\/h4>\n<p>Pensar o regresso a casa \u00e9 reflectir sobre as necessidades das pessoas que est\u00e3o internadas nos servi\u00e7os, neste caso especifico de ortotraumatologia, e nas limita\u00e7\u00f5es\/incapacidades que apresentam no momento da alta cl\u00ednica. Se nos questionarmos sobre esta realidade e se esta interroga\u00e7\u00e3o for amadurecendo, fruto da sua consciencializa\u00e7\u00e3o e problematiza\u00e7\u00e3o surge outro foco de aten\u00e7\u00e3o que \u00e9 o da organiza\u00e7\u00e3o dos cuidados e das suas implica\u00e7\u00f5es na prepara\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) do regresso a casa. At\u00e9 porque a promo\u00e7\u00e3o de uma din\u00e2mica centrada no regresso a casa pode representar umadiminui\u00e7\u00e3o de custos pessoais, familiares e econ\u00f3micos importantes em cada uma das esferas, bem como uma mais valia emganhos na sa\u00fade individual e na preven\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es e reinternamentos.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<h4 align=\"justify\"><strong>Abstract:<\/strong><\/h4>\n<p>To think the house return is to think about the necessities of the persons who are interned, in this specific case in a\u00a0ortotraumatologia service, and in the limitations\/incompetencies that they present in the moment of the clinic deschard. If we question ourselves on this reality and if this interrogation is ripening, in result of your awareness there appears another focus of attention that it is the organization of the cares and all his implications in the preparation (or not) the housereturn. Because the promotion of the dynamic centered in the house return can represent a reduction of important personal,familiar and economical costs in each one of the spheres, as well as a surplus value in profits in the individual health and in\u00a0the prevention of complications and reinternments.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os problemas m\u00fasculo-esquel\u00e9ticos s\u00e3o mais comuns no idoso, as limita\u00e7\u00f5es decorrentes do processo de envelhecimento, a osteoporose, a diminui\u00e7\u00e3o da mobilidade, o subsequente aumento de risco de queda e o aumento do n\u00famero de fracturas, nomeadamente do colo do f\u00e9mur, conduzem a per\u00edodos de internamento prolongados e dolorosos. De acordo com Tinetti e Speechhey citados por Santos et al (1992:10) &#8220;a incid\u00eancia de quedas nos indiv\u00edduos com 70 anos \u00e9 cerca de 25%; aumentando para 35% ap\u00f3s os 75 anos de idade&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A doen\u00e7a e o internamento s\u00e3o sempre vivenciados como uma agress\u00e3o, o que aliado \u00e0 agressividade do tratamento s\u00e3o causa de grandes incapacidades e elevados n\u00edveis de depend\u00eancia da pessoa durante o internamento e ap\u00f3s a alta hospitalar, com repercuss\u00f5es na fam\u00edlia, que se v\u00ea confrontada com novas exig\u00eancias para as quais n\u00e3o est\u00e1 preparada. (Augusto et al, 2002).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Os servi\u00e7os de internamento de ortotraumatologia apresentam elevadas taxas de ocupa\u00e7\u00e3o (na ordem dos cionam a op\u00e7\u00e3o pelo tratamento conservador ao inv\u00e9s do cir\u00fargico, com consequ\u00eancias devastadoras para a sa\u00fade individual, pela necessidade de repouso na cama, ou seja, com imobilidade prolongada para permitir a consolida\u00e7\u00e3o da fractura e com um risco elevado de surgirem complica\u00e7\u00f5es a v\u00e1rios n\u00edveis, como um aumento progressivo da depend\u00eancia ao longo do internamento pela limita\u00e7\u00e3o da actividade f\u00edsica, pela dor e por todos os processos psicol\u00f3gicos associados como a tristeza, o des\u00e2nimo, a falta de motiva\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es da auto-imagem, com claras interfer\u00eancias na resili\u00eancia da pessoa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa depend\u00eancia mant\u00e9m-se ou agrava-se no domic\u00edlio condicionando a qualidade de vida e a mortalidade. A esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida da pessoa idosa ap\u00f3s uma fractura do colo do f\u00e9mur \u00e9 de 2 anos, claramente inferior ao restante grupo et\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por outro lado, a elevada taxa de ocupa\u00e7\u00e3o com uma demora m\u00e9dia de 16,5 dias de internamento e uma grande necessidade de camas, diminui a possibilidade de aumentar o tempo de internamento at\u00e9 \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o total dos utentes, nomeadamente dos idosos. Tal facto implica, na opini\u00e3o de Augusto et al (2002:22) &#8220;uma prepara\u00e7\u00e3o antecipada da alta, de forma a procurar garantir que o utente seja cuidado em contexto familiar, de modo a n\u00e3o por em causa as conquistas adquiridas at\u00e9 ai, prevenindo-se assim internamentos recorrentes t\u00e3o dispendiosos para o utente, fam\u00edlia e comunidade&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao longo da minha actividade profissional tenho constatado que a fam\u00edlia e os utentes sentem que n\u00e3o est\u00e3o preparados para regressar a casa, referem que a alta \u00e9 precoce e que n\u00e3o conseguem ser independentes no seu domicilio e que os familiares n\u00e3o est\u00e3o aptos para cuidarem deles. Augusto et al (2002) referem que 67,86% das fam\u00edlias tem dificuldade em aceitar a ida do familiar para casa, principalmente porque lhes causa transtorno na sua vida familiar, de salientar que\u00a0o estudo que estes autores efectuaram tinha como popula\u00e7\u00e3o os familiares de pessoas internadas numa Unidade de internamento de traumatologia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo os mesmos autores as dificuldades sentidas pelos familiares relacionam-se com a falta de conhecimentos para ajudar o doente na mobiliza\u00e7\u00e3o (72,22%), quer ao n\u00edvel dos posicionamentos, quer da transfer\u00eancia para a cadeira, nos cuidados de higiene (13,90%) e elimina\u00e7\u00e3o (13,88%). Referem ainda que 51,25% dos indicadores apontam para a necessidade de apoio social, por falta de recursos materiais aliado \u00e0s dificuldades econ\u00f3micas.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Este \u00faltimo indicador \u00e9 de extrema import\u00e2ncia dado que as fam\u00edlias com poucos recursos econ\u00f3micos encontram-se sujeitos a maiores riscos de aparecimento de problemas graves \u00e0 medida que vai passando o tempo de tratamento da pessoa\/idoso doente (Madeira, 2000). Estes factores imp\u00f5em o desenvolvimento de actividades preventivas incentivando a auto mobiliza\u00e7\u00e3o, conduzindo \u00e0 sua independ\u00eancia m\u00e1xima (Augusto e tal, 2002).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nesta mesma l\u00f3gica o planeamento da alta deve ser uma realidade durante todo o internamento, atrav\u00e9s do ensino \u00e0 pessoa\/fam\u00edlia que inclua refer\u00eancias ao seu futuro no domic\u00edlio, desfazendo as d\u00favidas e os medos que, a maioria das vezes, induzem a necessidade de permanecer ligado ao hospital, com relut\u00e2ncia em aceitar a alta cl\u00ednica.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para Atkinson e Murray (1989:209) &#8220;o enfermeiro dever\u00e1 fornecer \u00e0 fam\u00edlia todas as informa\u00e7\u00f5es, interpreta\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia de enfermagem e m\u00e9dica, considerando que a fam\u00edlia enquanto grupo, deve ser informada sobre o diagn\u00f3stico, o progn\u00f3stico e as mudan\u00e7as ocorridas no curso da doen\u00e7a, bem como, sobre os cuidados essenciais a receber no domicilio&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por tudo o que foi descrito, o planeamento da alta e consequente envolvimento da fam\u00edlia no processo de cuidados, por forma a capacit\u00e1-la para auxiliar e\/ou prestar cuidados ao seu familiar em casa, apresenta-se como uma estrat\u00e9gia a desenvolver (Augusto e tal, 2002), n\u00e3o s\u00f3 para diminuir a m\u00e9dia de internamento, rentabilizar as camas hospitalares e diminuir os custos com a sa\u00fade, mas sobretudo pela possibilidade de garantir o m\u00e1ximo de autonomia poss\u00edvel no momento da alta e a continuidade de cuidados no domicilio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u00c9 certo que organizar os cuidados em fun\u00e7\u00e3o da autonomia da pessoa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas n\u00e3o passa a ser imposs\u00edvel, at\u00e9 porque a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em medidas simples como a presen\u00e7a do familiar, o ensino da pessoa\/fam\u00edlia\u2026 e tantas outras medidas que todos os profissionais t\u00e3o bem conhecem e que veiculam no seu discurso di\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As pr\u00e1ticas n\u00e3o devem ser questionadas por pensadores, mas sim pelos pr\u00f3prios actores comprometidos na ac\u00e7\u00e3o, reconhecidos na sua dignidade de participar l\u00e1 onde est\u00e1 a sua experi\u00eancia (Honor\u00e9, 2002). E a nossa experi\u00eancia diz-nos e demonstra-nos, dia ap\u00f3s dia, a necessidade de se implementar estrat\u00e9gias que permitam uma prepara\u00e7\u00e3o do regresso a casa eficaz e eficiente, rentabilizando os esfor\u00e7os de toda a equipa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">N\u00e3o podemos esquecer que a presta\u00e7\u00e3o de cuidados de qualidade \u00e9 um direito fundamental da pessoa hospitalizada e simultaneamente a prepara\u00e7\u00e3o do regresso a casa assume-se como um garante da efic\u00e1cia do atendimento da pessoa (Augusto e tal, 2002).<\/p>\n<p align=\"justify\">O regresso a casa, com qualidade, passa igualmente pela continuidade de cuidados entre Hospital e Centro de Sa\u00fade (ou outras Institui\u00e7\u00f5es da comunidade), como \u00e9 expresso pela Direc\u00e7\u00e3o Geral Da Sa\u00fade (2003, p.23) &#8220;a fim de rentabilizar ao m\u00e1ximo os ganhos em sa\u00fade e em efici\u00eancia, \u00e9 imprescind\u00edvel e premente implementar a correcta articula\u00e7\u00e3o entre Hospitais e Centros de Sa\u00fade. (\u2026) \u00e9 necess\u00e1rio que esta articula\u00e7\u00e3o funcione como um elemento facilitador e n\u00e3o como um aumento da burocracia, complicando o desenvolvimento do processo&#8221;.<\/p>\n<h4 align=\"JUSTIFY\"><strong>Promover a Autonomia da Pessoa Assistida<\/strong><\/h4>\n<p align=\"JUSTIFY\">Florence Nightingale sugeriu que a inten\u00e7\u00e3o do cuidado de enfermagem deve ser a de colocar a pessoa nas melhores condi\u00e7\u00f5es, para que a natureza possa agir. A pessoa como raz\u00e3o pr\u00e1tica dos cuidados, era, nesta \u00e9poca, vista pela sua doen\u00e7a, valorizando-se os cuidados curativos e n\u00e3o os de manuten\u00e7\u00e3o da vida (Bento, 2001). Com a evolu\u00e7\u00e3o da Enfermagem a que n\u00e3o \u00e9 alheia uma nova forma de perspectivar a natureza dos cuidados, o humanismo que se fundamenta no valor do ser humano, no seu existir e na qualidade desse existir, fundamenta que os indiv\u00edduos s\u00e3o aut\u00f3nomos e que tem direito de decidir sobre si mesmo, como afirma Hesbeen (2003:67) &#8220;os cuidados de Enfermagem n\u00e3o ser\u00e3o mais do que a aten\u00e7\u00e3o particular prestada pelo Enfermeiro a uma pessoa e seus familiares, com o objectivo de os ajudar numa situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, utilizando as suas compet\u00eancias e qualidades enquanto profissional de Enfermagem, para concretizar essa ajuda&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Neste contexto o profissional deve agir como &#8220;um parceiro em exerc\u00edcio &#8220;com&#8221; o utente ou &#8220;com&#8221; a fam\u00edlia, e n\u00e3o como um dirigente do exerc\u00edcio &#8220;para&#8221; ou &#8220;em vez&#8221; destes&#8221; (Augusto et al, 2002: 37).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Esta filosofia de cuidados s\u00f3 existe ao se circunscrever numa ac\u00e7\u00e3o interpessoal de partilha, porque implica que o enfermeiro adapte toda a presta\u00e7\u00e3o de cuidados, os seus conhecimentos e compet\u00eancias \u00e0s capacidades e necessidades, daquele(s), que com ele interv\u00eam no processo de cuidar.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Como afirma Gomes et tal (2000:155) as &#8220;pr\u00e1ticas dos cuidados de enfermagem t\u00eam como objecto de ac\u00e7\u00e3o\/ transforma\u00e7\u00e3o o doente\/fam\u00edlia. Todos os enfermeiros desejam transformar\/fazer evoluir a situa\u00e7\u00e3o em que o doente\/fam\u00edlia se encontra&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para Santos, 1992, para al\u00e9m de atender, no sentido de estar presente, assistir, auxiliar, dar aten\u00e7\u00e3o, interpretar e confrontar, o enfermeiro tem ainda a fun\u00e7\u00e3o de instruir, explicando e treinando, conservando as capacidades mantidas, ampliando-as tanto quanto poss\u00edvel, ajudando o bin\u00f3mio pessoa\/fam\u00edlia a harmonizar o per\u00edodo pr\u00e9 &#8211; internamento com a nova situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Ao analisar os cuidados de enfermagem nesta \u00f3ptica tenho que citar (Augusto et al, 2002:37) quando afirmam que &#8220;a finalidade da enfermagem, vista sob este paradigma \u00e9 a qualidade de vida, entendida na perspectiva da pr\u00f3pria pessoa e na qual tanto o utente como a fam\u00edlia s\u00e3o contemplados.&#8221; E, s\u00e3o contemplados com cuidados de enfermagem de excel\u00eancia, que s\u00f3 o ser\u00e3o se desde a sua primeira concep\u00e7\u00e3o inclu\u00edrem a prepara\u00e7\u00e3o do regresso a casa.<\/p>\n<p align=\"justify\">O Decreto-lei 437\/91 de 8 de Novembro, que enquadra as fun\u00e7\u00f5es do enfermeiro, afirma no n\u00ba1 do Artigo 7\u00ba que compete ao enfermeiro de n\u00edvel 1 e ao enfermeiro especialista &#8220;executar os cuidados de enfermagem planeados, favorecendo um clima de confian\u00e7a que suscite a implica\u00e7\u00e3o do utente (individuo, fam\u00edlia, grupos e comunidades) nos cuidados de enfermagem e integrando um processo educativo que promova o auto cuidado&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O mesmo artigo refere ainda que os enfermeiros devem &#8220;integrar no planeamento e execu\u00e7\u00e3o dos cuidados de enfermagem ao individuo e \u00e0 fam\u00edlia a prepara\u00e7\u00e3o da alta ou internamento hospitalar&#8221; e &#8220;participar nas ac\u00e7\u00f5es que visem a articula\u00e7\u00e3o entre cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios e os cuidados diferenciados&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A Ordem dos Enfermeiros no enquadramento conceptual afirma que &#8220;os cuidados de enfermagem tomam por foco de aten\u00e7\u00e3o a promo\u00e7\u00e3o dos projectos de sa\u00fade que cada pessoa vive e persegue (\u2026) ajudam a pessoa a gerir os recursos da comunidade em mat\u00e9ria de sa\u00fade, prevendo-se vantajoso o assumir de um papel de pivot no contexto da equipa&#8221; (2001:5).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Paralelamente a estas exig\u00eancias profissionais, dos enfermeiros, as institui\u00e7\u00f5es hospitalares surgem como locais especializados de tratamento, onde n\u00e3o h\u00e1 lugar \u00e0 completa recupera\u00e7\u00e3o da pessoa, esta realidade condiciona o elevado grau de depend\u00eancia que alguns utentes tem no momento da alta (Augusto et al, 2002: 37), ou seja, muitos utentes tem alta hospitalar mais fragilizados e dependentes de quando entraram.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">E, esta, continua a ser uma realidade incontest\u00e1vel, uma pessoa que \u00e9 admitido num servi\u00e7o de ortopedia com uma fractura do colo do f\u00e9mur, pelo per\u00edodo de imobilidade antes da interven\u00e7\u00e3o, que pode demorar de dias a semana(s), dependendo at\u00e9 de patologias associadas a outros factores, pelo per\u00edodo de imobilidade no p\u00f3s-operat\u00f3rio, complica\u00e7\u00f5es decorrentes da anestesia, de entre outros tem tend\u00eancia a ficar, progressivamente, mais dependente de outros para a realiza\u00e7\u00e3o das suas actividades de vida di\u00e1ria e nota-se uma perda abrupta das suas capacidades funcionais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A forma como a pessoa reage \u00e0 doen\u00e7a varia de acordo com factores individuais, caracter\u00edsticas das situa\u00e7\u00f5es e factores ambientais. Em todos eles pode interferir a forma como os cuidados s\u00e3o prestados. Os cuidados direccionados para a autonomia e optimiza\u00e7\u00e3o da capacidade funcional da pessoa de certeza v\u00e3o promover comportamentos valorativos do processo de reabilita\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s, tudo o que promova a depend\u00eancia condiciona a autonomia da pessoa, a sua independ\u00eancia e todo o processo de reabilita\u00e7\u00e3o, com preju\u00edzos, dificilmente ultrapass\u00e1veis.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Weinman, 2000 (citado por Cabete, 2004) afirma que a reac\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de cada pessoa afecta n\u00e3o s\u00f3 a experi\u00eancia do internamento, como a doen\u00e7a em si.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Se aliarmos a estes factores a idade dos utentes do nosso Sistema Nacional de Sa\u00fade, as suas experi\u00eancias anteriores e o modo a que se habituaram a fazer uso desses servi\u00e7os, com elevado grau de desresponsabiliza\u00e7\u00e3o pelo seu processo de sa\u00fade e reabilita\u00e7\u00e3o, facilmente se percebe que a cultura de uso das institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 a melhor. Esperando, os utentes, que o hospital lhes solucione todos os problemas, inclusive familiares e sociais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Quando se fala em processo de sa\u00fade\/doen\u00e7a tem que se falar inevitavelmente em capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o de que forma como a pessoa vai superando as crises e incapacidades e at\u00e9 que ponto consegue manter uma autonomia de vida, pela evolu\u00e7\u00e3o do seu estado funcional.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Cabete, 2004, referindo a opini\u00e3o de Murlow et al, 1994 afirma que uma correcta avalia\u00e7\u00e3o deve combinar a avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica e funcional.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Penso que ser\u00e1 igualmente importante avaliar a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o da pessoa\/fam\u00edlia \u00e0 nova situaca, capacidades cognitivas, rela\u00e7\u00f5es interpessoais, afectos, qualidade de vida, auto-efic\u00e1cia e controle de si e do meio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A avalia\u00e7\u00e3o funcional compreende uma interac\u00e7\u00e3o entre a execu\u00e7\u00e3o de uma determinada tarefa e as condicionantes ambientais. Esta avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para compreender a capacidade de auto cuidado dos indiv\u00edduos, capacidade cognitiva para aprender a lidar com as altera\u00e7\u00f5es decorrentes da patologia, cirurgia e cuidados a manter ao longo da vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A avalia\u00e7\u00e3o do estado funcional compreende tr\u00eas n\u00edveis: o desempenho das actividades sociais e ocupacionais, o desempenho de tarefas necess\u00e1rias \u00e0s actividades instrumentais vida quotidiana e o desempenho de actividades relacionadas com o cuidado pessoal.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Gallo et al, 2000, citado por Cabete (2004:16), diz-nos que &#8220;a capacidade funcional do idoso varia de acordo com o ambiente em que se encontra, com o seu estado de sa\u00fade, com acontecimentos perturbadores na vida familiar e com cren\u00e7as e valores relativos \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 doen\u00e7a e ao envelhecimento.&#8221;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A forma de lidar com as situa\u00e7\u00f5es de crise pode levara a auto-limita\u00e7\u00f5es que ir\u00e3o determinar a perda de capacidades e diminui\u00e7\u00e3o da qualidade de vida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O internamento pode ser preditor de uma diminui\u00e7\u00e3o das capacidades do idoso, sendo prejudicial para a sua qualidade de vida \u00e0 posteriori (Cabete, 2004).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Das orienta\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas para 2004-2010, do Plano nacional de Sa\u00fade (2004:19) real\u00e7a-se a constata\u00e7\u00e3o que &#8220;muitos idosos vivem &#8220;acamados&#8221; e &#8220;sentados&#8221; em cadeira de rodas, quando poderiam ser aut\u00f3nomos&#8221;. O mesmo documento alerta para o facto de as pessoas com incapacidades n\u00e3o terem ambientes acess\u00edveis e estimulantes, aumentando o risco de quedas, traumatismos e aparecimento de novas incapacidades.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para Santos et al (1992) a reabilita\u00e7\u00e3o de uma fractura do colo do f\u00e9mur operada deve ser iniciada no pr\u00e9operat\u00f3rio, com actividades simples, mas deveras \u00fateis para a recupera\u00e7\u00e3o da pessoa, tais como, o ensino dos exerc\u00edcios respirat\u00f3rios, contrac\u00e7\u00f5es isom\u00e9tricas, exerc\u00edcios activos dos &#8220;membros livres&#8221;. Os mesmos referem que o banho e a capacidade de vestir a parte inferior do corpo s\u00e3o as actividades mais comprometidas, exigindo treino especifico.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8220;A efic\u00e1cia desta ajuda s\u00f3 poder\u00e1 ser real se ela fizer sentido para a exist\u00eancia de quem \u00e9 cuidado&#8221;(Hesbeen, 2002:XIII). A l\u00f3gica da organiza\u00e7\u00e3o de cuidados em fun\u00e7\u00e3o de quem necessita deles e sobre os quais tem direito de op\u00e7\u00e3o e de tomar a sua decis\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para Moniz (2003) os cuidados \u00e0s pessoas idosas tem por finalidade ajud\u00e1-las a aproveitarem o m\u00e1ximo das suas capacidades funcionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Colli\u00e9re (1989) sustenta que a mudan\u00e7a devida ao envelhecimento, exige cuidados de estimula\u00e7\u00e3o, de manuten\u00e7\u00e3o das capacidades que a pessoa ainda \u00e9 detentora, de apoio do que ainda consegue fazer, de modo a prevenirem-se maiores limita\u00e7\u00f5es funcionais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Cabete, 2004, refere que estudos longitudinais revelaram uma interac\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre suporte social e a recupera\u00e7\u00e3o dos idosos com fractura do colo de f\u00e9mur, acidente vascular cerebral e enfarte do mioc\u00e1rdio.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A doen\u00e7a e a hospitaliza\u00e7\u00e3o determinam altera\u00e7\u00f5es quantitativas e qualitativas na rede social de ajuda. Na opini\u00e3o de Wilcox, kasl, berkman,1994, referenciados por Cabete (2004:13) &#8220;a qualidade do suporte social \u00e9 preditivo da recupera\u00e7\u00e3o: quanto melhor \u00e9 o apoio, maior \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Cabete, (2004:23) descreve a situa\u00e7\u00e3o de uma visita a uma senhora internada num servi\u00e7o de medicina referenciando aspectos interessant\u00edssimos da viv\u00eancia di\u00e1ria dos utentes no seio das institui\u00e7\u00f5es, destaco:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">&#8220;Visitei a &#8220;velhinha de 68 anos&#8221; no 3.\u00ba dia de internamento. Eram onze horas da manh\u00e3 (\u2026) -Estava de camisa de noite! Ent\u00e3o porqu\u00ea? Ora se uma pessoa est\u00e1 doente tamb\u00e9m tem de o parecer\u2026 (\u2026)<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">-Tinha cara de sofrimento! D\u00f3i-lhe alguma coisa? N\u00e3o mas sinto-me mais triste e abatida do que se estivesse em minha casa; aqui pouca gente fala comigo, ningu\u00e9m me conhece\u2026&#8221;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Permitir \u00e0 pessoa um controlo do espa\u00e7o pessoal, que no internamento \u00e9 constantemente invadido pela rotina hospitalar \u00e0 qual o doente tem de se adaptar, \u00e9 important\u00edssimo para favorecer o seu processo de reabilita\u00e7\u00e3o. Para Cabete, 2004, o doente que perde o controle sobre tudo n\u00e3o ser\u00e1 capaz de se empenhar no seu tratamento ou recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Segundo Cabete (2004:17) a &#8220;doen\u00e7a no idoso pode e deve ser tratada ou, pelo menos, gerida, por forma a garantir uma qualidade de vida, cada vez mais poss\u00edvel \u00e0 medida que o conhecimento m\u00e9dico se desenvolve&#8221;.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A hospitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia com conota\u00e7\u00e3o negativa, onde se vivem sentimentos de medo, solid\u00e3o, ansiedade, frustra\u00e7\u00e3o, raiva de entre outros. Os sentimentos negativos aliados a um ambiente estranho, impessoal, com regras e rotinas pouco flex\u00edveis, s\u00e3o factores geradores de stress e promotores da depend\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Parafraseando Reich, 1997, citado por Cabete, 2004, tem sido dada pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um ambiente agrad\u00e1vel que seja estimulante e promotor da independ\u00eancia dos doentes.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">As cren\u00e7as dos profissionais de sa\u00fade relacionadas com a doen\u00e7a e o envelhecimento s\u00e3o um factor externo a ter em conta, o facto de serem vistos como doentes, incapacitados, incapazes de tomarem as suas decis\u00f5es, condiciona o aparecimento, desenvolvimento e perpetua\u00e7\u00e3o de comportamentos e atitudes paternalistas ou proteccionistas e de pouco investimento na reabilita\u00e7\u00e3o(Cabete,2004).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A passividade do idoso associada a estar num ambiente estranho, onde lhe \u00e9 anulada a capacidade de tomar as suas decis\u00f5es, a atitude paternalista da fam\u00edlia e o sentimento de que toda a vida tomei conta dos outros, agora cuidem de mim, o medo que as mobiliza\u00e7\u00f5es\/transfer\u00eancias lhe aumentem o risco de (nova) queda, vai diminuir a capacidade funcional do idoso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Beers e Berkow (2000), citados por Cabete (2004:35) &#8220;afirmam que cerca de 75% dos indiv\u00edduos com mais de 75 anos que entram funcionalmente independentes para o hospital n\u00e3o o s\u00e3o no momento da alta&#8221;. Os mesmos autores referem que a perda de capacidades pode n\u00e3o estar relacionada com a causa de internamento, referem, inclusive, o caso da fractura do colo do f\u00e9mur que seja completamente recuperada, do ponto de vista t\u00e9cnico, em que a interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve qualquer tipo de complica\u00e7\u00e3o, mas em que a pessoa nunca recupera o estado funcional, que possu\u00eda, no momento de admiss\u00e3o no hospital.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A deteriora\u00e7\u00e3o pode continuar a agravar-se no p\u00f3s-alta. O grau de dificuldade\/incapacidade para a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades humanas fundamentais pode ser preditor de uma maior mortalidade (Gallo et al, 2000; citados por Cabete em 2004). As circunst\u00e2ncias da hospitaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estad\u00e3o<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">ligadas a altera\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas que interferem na reabilita\u00e7\u00e3o daquela pessoa. De acordo com Pinto (2000) a agita\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou verbal, a agressividade, a desorienta\u00e7\u00e3o, est\u00e3o associados a v\u00e1rios factores causais salientando de entre eles a altera\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos de vida, exposi\u00e7\u00e3o a ru\u00eddos desconhecidos, altera\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es interpessoais.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Todos estes factores se verificam no caso da hospitaliza\u00e7\u00e3o e v\u00e3o condicionar um aumento do decl\u00ednio funcional no momento da alta. A ansiedade e depress\u00e3o podem ser t\u00e3o ou mais incapacitantes do que o decl\u00ednio funcional (Cabete, 2004).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A mesma autora, pela leitura dos dados de um estudo de Lieberman et al (1999), realizado com idosos internados para reabilita\u00e7\u00e3o ap\u00f3s acidente vascular cerebral ou fractura do colo do f\u00e9mur, refere que apesar de n\u00e3o existir correla\u00e7\u00e3o da depress\u00e3o com o diagn\u00f3stico, h\u00e1 correla\u00e7\u00e3o com o estado funcional. Quanto maior a recupera\u00e7\u00e3o funcional, menor os sinais de depress\u00e3o. s\u00e3o est\u00e1 relacionada com uma maior dificuldade de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Com afirma Cabete (2004:114) poder\u00edamos &#8220;supor que ao longo do internamento haveria uma recupera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, uma melhoria dos sintomas, uma redu\u00e7\u00e3o da intensidade dos tratamentos ou das restri\u00e7\u00f5es por estes impostas, com tradu\u00e7\u00f5es numa melhoria cl\u00ednica e numa menor limita\u00e7\u00e3o ou depend\u00eancia dos cuidados. Poderia ainda ser l\u00f3gico pensar, que, com a melhoria ria um investimento na autonomia do idoso com vista \u00e1 promo\u00e7\u00e3o do seu auto cuidado que facilitassem o regresso a casa. Contudo, isso n\u00e3o se verifica.&#8221;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Continua-se a tratar a doen\u00e7a, mas n\u00e3o se cuida da pessoa doente, n\u00e3o se olhando para as repercuss\u00f5es daquele internamento e daquela patologia naquela pessoa especifica e \u00fanica. Cabete (2004:115) afirma mesmo que &#8220;n\u00e3o h\u00e1 um investimento na promo\u00e7\u00e3o da autonomia, confinando-se a pessoa a um espa\u00e7o e a uma de duas posi\u00e7\u00f5es: sentada ou deitada&#8221;. Remetendo-se a pessoa para uma enorme passividade com todas as consequ\u00eancias inerentes.<\/p>\n<h4 align=\"JUSTIFY\"><strong>Em Suma\u2026<\/strong><\/h4>\n<p align=\"justify\">A din\u00e2mica e a organiza\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o que desde o primeiro momento, possa preparar o regresso a casa das pessoas que a\u00ed s\u00e3o internada tem de ser conducente com a vincula\u00e7\u00e3o de uma equipa, com um projecto futuro comum, ao assumirem e transferirem para outra din\u00e2mica e organiza\u00e7\u00e3o os cuidados que prestam &#8211; o da autonomia plena do que \u00e9 cuidado e o da satisfa\u00e7\u00e3o daquele que cuida.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sem d\u00favida que uma organiza\u00e7\u00e3o diferente \u00e9 vital para a pessoa assistida, mas tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para o profissional.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Envolver toda a equipa e particularmente um grupo dinamizador, aproveitando ao m\u00e1ximo as suas potencialidades, desenvolvendo um trabalho conjunto, decidido, planeado, organizado e implementado com um objectivo comum &#8211; preparar o regresso a casa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Reinventar o cuidar nos servi\u00e7os, utilizando a criatividade como um instrumento b\u00e1sico, impedir a criatividade dos profissionais \u00e9 recusar a possibilidade de exercer a sua actividade como prestadores de cuidados (Hesbeen, 2002).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Come\u00e7ar pela tomada de consci\u00eancia das pr\u00e1ticas relativas \u00e0 alta, caracteriza\u00e7\u00e3o dos cuidados de enfermagem com pr\u00e1ticas relacionadas com a prepara\u00e7\u00e3o da alta, leitura de artigos, para mobiliza\u00e7\u00e3o de saberes, a fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e9 um bom caminho, para ser percorrido n\u00e3o por um caminhante solit\u00e1rio, mas por uma equipa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Consciente de que mudar \u00e9 muito dif\u00edcil, mas que os ganhos s\u00e3o por demais evidentes. Como refere Hesbeen (2002) a enfermagem tem um futuro promissor, quando todos os outros profissionais j\u00e1 esgotaram a sua capacidade de actua\u00e7\u00e3o, n\u00f3s enfermeiros podemos sempre ir mais al\u00e9m, quanto mais n\u00e3o seja pegar na m\u00e3o e dizer &#8220;estou aqui\u2026&#8221;<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n<h4 align=\"JUSTIFY\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h4>\n<ul>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">ATKINSON, Leslie; MURRAY, Mary Ellen &#8211; Fundamentos de Enfermagem:introdu\u00e7\u00e3o ao processo de enfermagem. S. Paulo: Guanabara, 1989.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">AUGUSTO, Berta et al &#8211; Cuidados continuados &#8211; fam\u00edlia, centro de sa\u00fade e hospital como parceiros no cuidar. Coimbra: Formasau. 1.\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 2002. ISBN 972-8485-29-8.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">BENTO, Concei\u00e7\u00e3o \u2013 Aprender a ser enfermeiro. Coimbra. Sinais Vitais, n.\u00ba 34. 2001. p.25-29.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">CABETE; Dulce Gaspar &#8211; O idoso, a doen\u00e7a e o hospital. Loures:Lusoci\u00eancia, 2004.175p. ISBN 972-8383-89-4.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">COLLI\u00c9RE, Marie-Fran\u00e7oise &#8211; Promover a Vida. Lisboa. Lisboa: Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, 1989. ISBN 972-757-109-3.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">DECRETO-LEI N.\u00ba 161\/96. Regulamento do Exerc\u00edcio Profissional dos Enfermeiros, D.R. I S\u00e9rie-A. 205 (96-09-04) 2959-2962.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">DIREC\u00c7\u00c3O GERAL DA SA\u00daDE &#8211; Rede de Referencia\u00e7\u00e3o Hospitalar de Medicina F\u00edsica e Reabilita\u00e7\u00e3o. Lisboa: Direc\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os de Planeamento, 2003. 68 p.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">GOMES, Idalina; ALMEIDA, Paula; REBELO, Teresa- A prepara\u00e7\u00e3o da alta: um modo de continuidade dos cuidados de enfermagem, in Ensino de Enfermagem:Processos e percursos de forma\u00e7\u00e3o, balan\u00e7o de um projecto. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade , 2000, p\u00e1g.152-167.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">HESBEEN, Walter &#8211; A reabilita\u00e7\u00e3o: Criar novos caminhos. Lisboa: Lusoci\u00eancia, 2003. ISBN 972-8383-43-6<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">HONOR\u00c9, Bernard -A sa\u00fade em projecto. Lisboa: Lusoci\u00eancia, 2002.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">MADEIRA; M.\u00aa Joaquina &#8211; As respostas em perspectiva. In CNEV. A pessoa idosa e a sociedade &#8211; perspectiva \u00e9tica. Lisboa: Colec\u00e7\u00e3o Bio\u00e9tica, 2000, p.93-101.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE &#8211; Plano Nacional de Sa\u00fade 20042010: mais sa\u00fade para todos. Lisboa: Direc\u00e7\u00e3o Geral da Sa\u00fade, 2004. Vol. II, 216 p.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">MONIZ, Jos\u00e9 Manuel Nunes &#8211; A enfermagem e a pessoa idosa &#8211; a pr\u00e1tica de cuidados como experi\u00eancia formativa. Loures: Lusoci\u00eancia, 2oo3. ISBN:972-8383-49-5.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"JUSTIFY\">PINTO, L. &#8211; Agita\u00e7\u00e3o e agressividade no idoso demenciado. Hospital de J\u00falio de Matos, 2000,3:179 \u2013 187.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p align=\"justify\">SANTOS, Alcida et al &#8211; Reabilita\u00e7\u00e3o em patologia ortotraumatol\u00f3gica do idoso, Lisboa, Geriatria, ano V, volume V, n.\u00ba 48, Outubro de 1992, p. 10-12.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p align=\"justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando todos os outros profissionais j\u00e1 esgotaram a sua capacidade de actua\u00e7\u00e3o, n\u00f3s enfermeiros podemos sempre ir mais al\u00e9m, quanto mais n\u00e3o seja pegar na m\u00e3o e dizer &#8216;estou aqui\u2026&#8217;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2220,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[596,591,282,299,570],"class_list":["post-1085","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-de-autor","tag-alta","tag-autonomia","tag-cuidados","tag-internamento","tag-ortotraumatologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1085"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1085\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2433,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1085\/revisions\/2433"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}