{"id":1077,"date":"2009-02-04T15:33:16","date_gmt":"2009-02-04T15:33:16","guid":{"rendered":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/enfermagem-como-profissao-autonoma\/"},"modified":"2021-05-04T09:42:06","modified_gmt":"2021-05-04T09:42:06","slug":"enfermagem-como-profissao-autonoma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/enfermagem-como-profissao-autonoma\/","title":{"rendered":"Enfermagem como Profiss\u00e3o Aut\u00f3noma"},"content":{"rendered":"<p>Os Cuidados de Enfermagem s\u00e3o interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas ou interdependentes a realizar pelo enfermeiro no \u00e2mbito das suas qualifica\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Sinais Vitais n\u00ba 76<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong> Carla Alexandra Correia da Silva<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Licenciada em Enfermagem<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Numa altura em que os Cuidados de Enfermagem sofrem um enfoque relacionado com a sua diferencia\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o, com a Classifica\u00e7\u00e3o Internacional para a Pr\u00e1tica da Enfermagem em implementa\u00e7\u00e3o em algumas institui\u00e7\u00f5es do nosso pa\u00eds, j\u00e1 implementada em outras, em que a nova Lei de Gest\u00e3o Hospitalar, no Decreto-Lei n.\u00ba 27\/2002 de 08 de Novembro, no seu cap\u00edtulo II, artigo 10\u00ba, al\u00ednea e) determina que \u201c&#8230;articula\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es essenciais da presta\u00e7\u00e3o de cuidados e de gest\u00e3o de recursos em torno dos directores de departamento e de servi\u00e7o, sendo-lhe reconhecida (&#8230;) na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho (&#8230;) sobre todo o pessoal que integra o seu departamento ou servi\u00e7o, independentemente da sua carreira ou categoria profissional&#8230;\u201d, torna-se essencial determinar qual o nosso dom\u00ednio de ac\u00e7\u00e3o como Enfermeiros.<\/p>\n<p align=\"justify\">Urge portanto e acima de tudo, definir o que \u00e9 Enfermagem, sendo que no n.\u00ba 01 do artigo 4\u00ba do Decreto-Lei n.\u00ba 161\/96 de 04 de Setembro, esta \u00e9 definida como sendo \u201cuma profiss\u00e3o que, na \u00e1rea da sa\u00fade, tem como objectivo prestar cuidados de enfermagem ao ser humano, s\u00e3o ou doente, ao longo do seu ciclo vital, e aos grupos sociais em que ele est\u00e1 integrado, de forma que mantenham, melhorem e recuperem a sa\u00fade, ajudando-os a atingir a sua m\u00e1xima capacidade funcional t\u00e3o rapidamente quanto poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 reconhecido socialmente o valor do papel do enfermeiro como significativo no \u00e2mbito da comunidade cient\u00edfica da sa\u00fade, e bem assim no que concerne \u00e0 qualidade e efic\u00e1cia da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de sa\u00fade, sendo essa presta\u00e7\u00e3o efectuada atrav\u00e9s de Cuidados de Enfermagem. Estes cuidados definem-se, segundo Carvalho (1996), como cuidados de sa\u00fade que consistem em interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas de enfermagem relacionadas com diagn\u00f3sticos de enfermagem relativos \u00e0s pessoas, grupos e fam\u00edlias, que incidem sobre as suas respostas humanas aos problemas de sa\u00fade, e que visam a coconstru\u00e7\u00e3o e co-consolida\u00e7\u00e3o da sua autonomia na concretiza\u00e7\u00e3o do seu m\u00e1ximo potencial de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m na al\u00ednea d) do artigo 88\u00ba do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros se pode ler que \u201co enfermeiro procura, em todo o seu acto profissional, a excel\u00eancia do exerc\u00edcio, assumindo o dever de assegurar, por todos os meios ao seu alcance, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que permitam exercer a profiss\u00e3o com dignidade e autonomia&#8230;\u201d Ao longo do nosso desempenho, do nosso dia-a-dia, a palavra autonomia \u00e9 referenciada, assumida, apresentada, mas dificilmente definida, essencialmente pela interdisciplinaridade existente na equipa de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">O que \u00e9 ent\u00e3o ser aut\u00f3nomo?<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">Segundo o dicion\u00e1rio, \u00e9 \u201cque se governa por si; independente, livre; que tem autonomia\u201d, sendo autonomia definida como \u201ca liberdade de se governar segundo as suas pr\u00f3prias leis\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Considerando a Enfermagem como uma disciplina cient\u00edfica que \u00e9, temos que considerar os seus antecedentes educacionais, que passam pela compet\u00eancia baseada numa s\u00f3lida base de conhecimentos, no entendimento<\/p>\n<p align=\"justify\">claro do escopo da pr\u00e1tica cl\u00ednica de Enfermagem e pela educa\u00e7\u00e3o de n\u00edvel superior desta profiss\u00e3o (Wade; 1999), e tamb\u00e9m por um conjunto de atributos que, segundo Keenan (1999), se definem como sendo independ\u00eancia, capacidade de tomar decis\u00f5es, capacidade de julgamento, conhecimento e auto-determina\u00e7\u00e3o, e que t\u00eam como consequ\u00eancias imediatas a responsabilidade, em que o enfermeiro responde pelos seus actos, um estatuto mais elevado, uma maior satisfa\u00e7\u00e3o com o trabalho e um empowerment profissional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Podemos portanto afirmar que a autonomia profissional do Enfermeiro se exerce na pr\u00e1tica cl\u00ednica, atrav\u00e9sdas interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas de Enfermagem. Segundo o n.\u00ba 2 do artigo 9\u00ba do Decreto-Lei n.\u00ba 161\/96de 04 de Setembro, consideram-se como interven\u00e7\u00f5esaut\u00f3nomas as ac\u00e7\u00f5es realizadas pelos enfermeiros, sobsua \u00fanica e exclusiva iniciativa e responsabilidade, deacordo com as respectivas qualifica\u00e7\u00f5es profissionais,seja na presta\u00e7\u00e3o de cuidados, na gest\u00e3o, no ensino,na forma\u00e7\u00e3o ou na assessoria, com os contributos dainvestiga\u00e7\u00e3o em enfermagem; ainda segundo o mesmoDecreto, mas no n.\u00ba 4 do artigo 4\u00ba, os Cuidados de Enfermagem s\u00e3o interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas ou interdependentes a realizar pelo enfermeiro no \u00e2mbito das suas qualifica\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p>\n<p align=\"justify\">O desempenho do enfermeiro inicia-se por um diagn\u00f3stico de enfermagem, que se pode considerar segundo Carvalho (1996), como sendo o resultado de um racioc\u00ednio cl\u00ednico de Enfermagem, sob a forma de uma proposi\u00e7\u00e3o pr\u00f3-activa que descreve um problema de Enfermagem, indica os d\u00e9ficits de resposta humana que constituem os seus agentes etiol\u00f3gicos determinantes e explicita os sinais e sintomas desse problema; esse diagn\u00f3stico determina qual o enfoque de actua\u00e7\u00e3o, ou seja, qual o problema onde se deve intervir, qual o problema de sa\u00fade do indiv\u00edduo, fam\u00edlia ou comunidade, cuja etiologia reside em respostas humanas desadequadas e que, em fun\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias legais, t\u00e9cnicas, cient\u00edficas e humanas do profissional de enfermagem, pode por ele ser diagnosticado e tratado atrav\u00e9s da presta\u00e7\u00e3o de cuidados de enfermagem.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pode-se portanto, e a t\u00edtulo conclusivo, afirmar que as interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas de Enfermagem cl\u00ednica s\u00e3o constitu\u00eddas por um conjunto de ac\u00e7\u00f5es desencadeadas a partir de um diagn\u00f3stico de enfermagem com vista a obter um resultado de enfermagem e que se caracterizam por ser independentes, baseadas em decis\u00f5es profissionais do enfermeiro, fundamentadas em conhecimentos de enfermagem, e totalmente geridas pelo enfermeiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">As interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas de enfermagem legalmente agrupam-se em fazer por substituir, ajudar a completar, orientar e supervisar, encaminhar e avaliar, e podem-se agrupar essencialmente em executar, cuidar, gerir e informar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os enfermeiros portugueses t\u00eam boas condi\u00e7\u00f5es para, segundo Snyder (1996), vencer o desafio que consiste em aceitar uma defini\u00e7\u00e3o para interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas em enfermagem, identificar e definir as que s\u00e3o utilizadas pelos enfermeiros, aplicar designa\u00e7\u00f5es que estejam ao mesmo n\u00edvel de discurso, e continuar a testar estas interven\u00e7\u00f5es para determinar a sua efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o ou resolu\u00e7\u00e3o de problemas com o utente, a fam\u00edlia e a comunidade onde se encontra inserido.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\">CARVALHO, A.C.C. (1996) \u2013 Como chegar l\u00e1? Embri\u00e3o de um modelo de Enfermagem co-activo. Enfermagem emFoco, 23, Maio\/Julho, 36-42<\/p>\n<p align=\"justify\">ICNP (1999) \u2013 ICNP Update. http:\/icn.ch\/icnpupdate.htm;<\/p>\n<p align=\"justify\">KEENAN, J. (1999) \u2013 A concept analysis of autonomy. Journal of Advanced Nursing, 29, 556-562;<\/p>\n<p align=\"justify\">Ordem dos Enfermeiros \u2013 Estatuto da Ordem dos Enfermeiros<\/p>\n<p align=\"justify\">SNYDER, M. (1992) \u2013 Independent Nursing Intervenctions. 2nd ed., Albany, Delmar;<\/p>\n<p align=\"justify\">SNYDER, M. (1996) \u2013 Defining Nursing Intervenctions. Image\u2013 the journal of Nursing Scholarship, 28, 137-141;<\/p>\n<p align=\"justify\">WADE, G.H. (1999) \u2013 Professional Nurse Autonomy: concept analysis and application to nursing education. Journal of Advanced Nursing, 30, 310-318;<\/p>\n<p align=\"justify\">Decreto-Lei n.\u00ba 161\/96 de 04 de Setembro, n.\u00ba 4 do artigo 4\u00ba<\/p>\n<p align=\"justify\">Decreto-Lei n.\u00ba 161\/96 de 04 de Setembro, n.\u00ba 4 e al\u00edneas do artigo 5\u00ba<\/p>\n<p align=\"justify\">Decreto-Lei n.\u00ba 161\/96 de 04 de Setembro, n.\u00ba 2 do artigo 9\u00ba<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Cuidados de Enfermagem s\u00e3o interven\u00e7\u00f5es aut\u00f3nomas ou interdependentes a realizar pelo enfermeiro no \u00e2mbito das suas qualifica\u00e7\u00f5es profissionais.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[591,592,282,85,94],"class_list":["post-1077","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sinais-vitais","tag-autonomia","tag-autonomo","tag-cuidados","tag-enfermagem","tag-profissao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1077"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2766,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1077\/revisions\/2766"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/forumenfermagem.org\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}