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Mau tempo: Emigrantes regressam a Ourém para recuperarem estragos

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“Há mais emigrantes agora do que no mês de agosto”, desabafou Luís Fonseca, de 52 anos, que reside em Paris desde 2007.

 

Luís Fonseca fez 17 horas de carro desde o norte de França pouco depois das primeiras notícias sobre a tragédia para ajudar a mãe a reconstruir o telhado e desmontar a estrutura de madeira que cobria um antigo aviário, no lugar de Casalinho, freguesia de Casal dos Bernardos.

“Tem de ser, estou aqui sozinho a retirar os barrotes que vou usar na minha casa que ficou sem telhas”, lamentou o emigrante que desde a semana passada trabalha sem descanso, mesmo debaixo da chuva forte que cai na região centro do país.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia, estão registados mais de 800 eleitores em Casal dos Bernardos, mas a “população está a crescer” porque muitas habitações da zona pertencem a emigrantes que estão a regressar de emergência para repararem os estragos.

“Não há uma única casa que não tenha sido afetada”, disse à Lusa o autarca, Aníbal Pereira, de 45 anos.

Hoje, após ter sido instalado um gerador no Centro de Dia e outro na Escola Básica, a Junta de Freguesia espera que um terceiro gerador venha garantir, “ainda durante o dia”, o restabelecimento da energia elétrica numa “grande parte da freguesia”.

O Centro de Dia começou a preparar refeições para idosos: uma sopa, peixe frito e arroz que vai entregar a cerca de 40 idosos a partir do meio-dia.

“Não parámos nunca de fornecer as refeições aos utentes do Centro de Dia apesar de chover na cozinha e de usarmos gás para fazer a comida”, disse Helena Pontes, de 62 anos, que coordena a confeção das refeições.

O temporal afetou parte do telhado das instalações, mas, aos poucos, as telhas estão a ser recolocadas.

Hoje, pela primeira vez, o Centro de Dia vai enviar igualmente refeições para a Escola Básica que reabriu esta manhã e recebeu “cerca de 20 dos 40 alunos que frequentam o estabelecimento de ensino”.

“Vim trazer a minha filha hoje à escola pela primeira vez. Soube por acaso porque aqui ainda não há comunicações”, explicou a mãe da aluna pouco depois da reabertura da escola e do infantário.

A estrada entre Ourém e a freguesia de Casal dos Bernardos está desimpedida, mas há ainda muitas árvores – pinheiros e eucaliptos – derrubados junto às bermas.

Nos acessos secundários entre os vários lugares da freguesia há ainda árvores para serem retiradas e cortadas.

As telecomunicações são praticamente impossíveis desde a semana passada.

 

Leia na íntegra em Notícias ao Minuto