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Doente oncológica no chão por “falta de macas”? Hospital de Coimbra nega

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A Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra negou, este sábado, que uma doente oncológica de 59 anos tenha “permanecido deitada no chão” do Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) por “falta de macas”, ao contrário do que denunciou o filho da paciente, nas redes sociais.

 

A entidade, que sublinhou que “a afirmação de que a doente terá permanecido deitada no chão por falta de macas não corresponde à verdade”, corroborou que um enfermeiro pré-triagem “foi abordado por um familiar com pedido de uma maca”, mas que “foi verificado que a doente se encontrava calma, orientada e capaz de se sentar, tendo sido disponibilizada uma cadeira de rodas, com apoio de um segurança”.

“A doente entrou no Serviço de Urgência sentada em cadeira de rodas, acompanhada por dois familiares, situação corroborada pelos seguranças de serviço”, acrescentou, em comunicado.

Ainda assim, o organismo admitiu que, “durante um curto intervalo temporal, um familiar decidiu regressar ao veículo, trazer uma manta, estendê-la no chão e deitar a doente, anunciando a intenção de fotografar e divulgar imagens”.

“Um bombeiro alertou imediatamente a equipa de enfermagem de que a utente se iria deitar no chão e esta interveio de imediato, procedendo à triagem da doente”, complementou, garantindo que “em nenhum momento a ULS de Coimbra permitiu, nem permitiria, que uma doente permanecesse no chão por inexistência de meios, seja ela doente oncológica ou não”.

Na publicação em que denunciou a situação, o filho da utente partilhou também uma imagem da mãe, deitada no chão e envolvida numa manta, fotografia esta que pode ver abaixo.

Doente esteve nas urgências “em dois momentos distintos”

A unidade esclareceu também que a paciente dirigiu-se ao “Serviço de Urgência em dois momentos distintos, tendo sido sempre triada com prioridade clínica laranja (muito urgente), de acordo com as queixas apresentadas, e observada dentro dos tempos-alvo definidos”.

Em ambos os episódios, a doente foi avaliada, medicada e acompanhada clinicamente, de acordo com as boas práticas e os protocolos vigentes“, garantiu.

Na primeira admissão, a paciente foi triada às 13h45, com prioridade laranja. Foi, depois, observada pela Cirurgia Geral, sendo que, às 13h56, foi-lhe feita uma prescrição terapêutica. A prescrição de enfermagem foi cumprida às 14h11, ao que se seguiu uma “reavaliação clínica e realização de exames complementares de diagnóstico”. Ocorreu ainda uma “discussão do caso com especialidade médica, que assume a doente, às 19h17”. Já às 20h34, a mulher recebeu alta hospitalar.

A segunda admissão terá ocorrido já este sábado, segundo contou Alice Aleixo, tia da paciente em causa, ao Notícias de Coimbra.

De acordo com a nota, a mulher foi triada às 10h34, novamente com prioridade laranja. Foi, de igual modo, observada “pela Cirurgia Geral, com realização de exames complementares e administração de terapêutica”. Antes de receber alta, às 13h43, foi levada a cabo uma “reavaliação do estado clínico da doente”.

“Este tipo de acusações infundadas e de exploração mediática não faz justiça ao trabalho diário”

A ULS de Coimbra rejeitou, “de forma clara e inequívoca, as acusações dirigidas aos seus profissionais”, ao mesmo tempo que frisou que “as equipas do Serviço de Urgência têm enfrentado turnos particularmente exigentes e penosos, num contexto de elevada pressão assistencial, atuando sempre com profissionalismo, humanidade e respeito pelos doentes”.

“Este tipo de acusações infundadas e de exploração mediática não faz justiça ao trabalho diário feito no Serviço Nacional de Saúde por médicos, enfermeiros, assistentes técnicos, assistentes operacionais e demais profissionais que asseguram cuidados em condições muitas vezes difíceis”, rematou.

Recorde-se que o filho da utente que “tem um cancro generalizado na zona abdominal”, denunciou que a mãe “foi tratada como se fosse apenas mais um corpo à espera”, no dia 8 de janeiro.

“Faz quimioterapia, vive com dores constantes, tem bolsa de urina e saco para as fezes. Não consegue andar sozinha nem permanecer sentada por muito tempo“, disse.

João Gaspar explicou que contactou a Saúde 24, uma vez que a mãe sentia dores “insuportáveis”, mas “ninguém atendeu”. Como o 112 lhe disse que teria de “aguardar por tempo indeterminado” por uma ambulância, decidiu levar a mãe até às urgências pelos próprios meios.”

“Avisei que estava a chegar com uma doente grave, antecipando o problema que é chegar à entrada das urgências com um carro particular. Disseram-me apenas para falar com a polícia à entrada. Chegámos com a minha mãe deitada no banco de trás do carro, porque não conseguia sentar-se. Não havia macas disponíveis. Disseram-nos para usar uma cadeira de rodas. Ela não aguentava. Pedi uma maca. Disseram-me que teria de ser eu a ir buscar. Não havia. Fui eu, com um familiar, que transportei a minha mãe para dentro do hospital”, denunciou.

João Gaspar justificou que, “sem maca e sem alternativa”, os familiares decidiram deitar a doente no chão, sobre uma manta.

“Houve quem criticasse a decisão, não para ajudar, mas para apontar o dedo. Só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir. Depois disso, tudo aconteceu como devia ter acontecido desde o início. Foi-lhe administrada morfina, duas vezes. Recebeu soro. Foram feitos exames. Os meios existiam. O que faltou foi humanidade”, considerou.

 

Leia na íntegra em Notícias ao Minuto