Autor Tópico: NO LIMITE....  (Lida 1477 vezes)

Offline herys

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NO LIMITE....
« em: Abril 30, 2007, 02:38:06 »
Na vossa prática diária, já alguma vez se sentiram no limite, com uma perda de interesse pelas pessoas para quem trabalham, com um distanciamento psicológico em relação ao trabalho, baixos padrões de cumprimento profissional,  esgotamento físico e emocional, turnover e frustração profissional.
Já alguma vez se sentiram "queimados", ou seja proximos de Burnout???
(Desculpem a pernitencia, mas este é o tema do meu trabalho de investigação... se me ajudarem agradecia...bjs)

Offline mariamariamaria

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NO LIMITE....
« Responder #1 em: Abril 30, 2007, 21:19:53 »
Trabalho como enfermeira há vinte anos, sempre na prestação directa de Cuidados. Nos primeiros anos em cuidados intensivos, depois internamento, depois recobro; passei por hemodiálise, medicina, ortopedia, bloco operatório, incluindo instrumentista...

Sem falsa modéstias, considero-me e tenho ecos de ser uma boa enfermeira. Tenho tentado, ao longo destes anos, nortear o meu caminho pala humanização dos Cuidados de Enfermagem.

Burnout, ainda não senti, descrevendo esse estado como de apatia e desinteresse pelos doentes e suas necessidades.

Mas tenho períodos recorrentes de desânimo, de pensar que escolhi a profissão errada, que era boa aluna no liceu e poderia ter escolhido qualquer outro curso...

Razões para essas crises recorrentes? Penso que a falta de reconhecimento, não tanto dos doentes e familiares que sempre foram o meu apoio para continuar na senda que tracei para o meu percurso profissional, mas dos nossos pares que, sentados em secretárias, quer de chefias de serviços, quer nas direcções de Enfermagem, nos sindicatos ou, mais recentemente na Ordem, nada fazem para impedir o retrocesso das conquistas dos que, como eu, vislumbraram um futuro promissor para esta profissão.

As remunerações miseráveis que auferimos, as arbitrariedades a que estamos sujeitos, quer na colocação em serviços, quer na transferência entre eles, em que a rotatividade é uma forma comum de castigo, a precariedade de vínculo de grande parte de nós... O que aí vem com as novas formas de avaliação...

Este jogo de poderes e políticas que não interessam a quem está numa cama de hospital, mas que fazem com que nós não possamos prescrever medicamentos de venda livre em supermercados, que a Ordem continue a deixar que sejamos os lava-rabos e que as escolas, numa sinistra colaboração com estes poderes continue a formar gente que, em confronto com a realidade chora, muitas vezes às escondidas, o ter escolhido ser pobre mas digno, de uma abnegação verdadeiramente monástica...