Autor Tópico: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar  (Lida 12149 vezes)

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #15 em: Julho 10, 2007, 19:58:42 »
Citação de: Raul Fernandes


Mas não pode, de forma legal, agir contra uma prática que já está enraizada no País (o uso de técnicos) e mesmo ao nível internacional. Pode, isso sim, exercer influência para que sejam os enfermeiros, sendo que têm mais competências, a assumir essa função.



Caro Colega

Lamento discordar totalmente de si nesta afirmação, o que sem qualquer tipo de ofensa, me apraz dizer que demonstra ignorância sobre esta matéria:

1º Não pode chamar "técnicos" a quem o não é: as pessoas a quem você chama técnicos têm um curso de 6 semanas, o que multiplicado por 35 horas de formação, dá 210 horas, curso que é dado pelo INEM; na sua grande maioria tem grande experiência de rua na sua corporação de bombeiros:

a) Das 210 horas, a maior parte do tempo é inútil, há muitas perdas de tempo, e os horários raramente são cumpridos; para além disso tem uma forte componente de estágio em ambulância, dependente do número de ocorrências de cada tripulação; muitos dos turnos de estágio e felizmente para os cidadãos, não há registo de ocorrências;

b) Se é da opinião que, mesmo com 210 horas, se está habilitado para puncionar veias, colocar perfusões, preparar e administrar fármacos, desfibrilhar com desfrilhador manual, etc, etc, recomendo-lhe sinceramente que em caso de sua necessidade ou de um seu familiar querido, tenha a sorte de ser atendido por estes "profissionais"; asseguro-lhe que tem uma probabilidade acrescida de nas horas seguintes recorrer a serviços funerários;

c) por favor não fale muito alto, não vá o senhor ministro da saúde ouvi-lo, e se lembre de substituir rapidamente os enfermeiros por estes "técnicos".

2º Para se ser técnico em Portugal, é obrigatório um curso de licenciatura, que permite entrar no mercado de trabalho ao nível da carreiora técnica, exactamente a mesma por onde ganham os enfermeiros;

3º Os técnicos existentes noutros países, nomeadamente nos EUA, estão ao nível dos nossos técnicos com licenciatura, e são conhecidos por paramédicos, coisa que em Portugal não há, por muito que custe a engulir a muita gente.

 ???

Offline Raul Fernandes

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #16 em: Julho 11, 2007, 15:23:01 »
Caros colegas

Quando me referi a discussão racional, estava a referir-me ao comentário que deviam ser os utentes a pagar as quotas... e penso que isto não tem muito de racional e vou-me escusar até de tecer qualquer outro comentário porque acredito não ser necessário (se realmente acreditam que isso é racional, é uma discussão da qual não quero fazer parte).

A minha comparação com a OA foi feita para caricaturar as comparações que esquecem dos contextos. Claro que os rendimentos de médicos e advogados são diferentes e por isso as comparações devem ser cuidadosas, nomeadamente no que toca aos contextos em que cada Profissão está inserida, na maturidade e história da sua profissão e Ordem, bem como no seu estatuto social.

Não venho aqui defender que tudo é perfeito, mas não gosto da ideia que por vezes é transmitida que tudo o que se faz está errado, com base em comparações que esquecem os contextos.

Em relação aos rácios devo dizer que discordo que aumentar o rácio de enfermeiros implique mais despesa para o País e que por isso devemos estagnar o incremento dos nossos rácios. Mais uma vez essa é uma comparação sem contexto, porque se considerarmos os ganhos financeiros que a prevenção de saúde permite, poderia ainda ser lucrativo para o País. Agora que o MS não os cumpra isso já é outra questão, mas devemos ser nós a incentivar essa mudança para bem dos cidadãos e dos nossos colegas que estão no desemprego.

Colega tdk, não vale a pena irritar-se tanto, porque se ler bem a minha mensagem repara que concordo consigo em que devem ser enfermeiros nessas funções. Nesse aspecto estamos do mesmo lado.

Agora tenha atenção quando acusa as pessoas de ignorância... É que para isso é preciso estar muito à vontade no que se diz, o que me parece que não seja o caso.
Visite por favor o site novas oportunidades ou sites dos cursos tecnológicos que andam pelo País e veja quantas destas formações dão o nome de técnicos sem darem nenhum grau, muito menos a licenciatura. Nomeadamente, Técnico de Obra , Técnico de Medições e Orçamentos, Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho, entre milhentos outros que permitem dar qualificações mas não atribuem grau. Se quiser procurar na Portaria n.o 260/2006 de 14 de Março verá a quantidade enorme de cursos tecnológicos. Deixo-lhe ainda uma citação do CIEP (Centro de Informação Escolar e Profissional)  que encontra em http://www.drec.min-edu.pt/ciep/index_c ... s.asp#A521
Citar
A conclusão de um curso profissional concede aos alunos o direito a um diploma equivalente ao ensino secundário e um certificado de qualificação profissional de técnico intermédio (nível 3) .O diploma equivalente ao ensino secundário (12º ano) e o certificado de qualificação profissional de nível 3 permitem-te o ingresso nos Cursos de Especialização Tecnológica (nível 4) e o acesso ao Ensino Superior .

No entanto, para prosseguir estudos no Ensino Superior, o aluno terá de realizar os exames necessários.

Por favor informe-se melhor e cuidado com as acusações que lança sem base, digo-lhe isto com toda a assertividade.

Agora é bom que se perceba que certas coisas levam tempo a conseguir. E 10 anos no contexto de uma ordem profissional não é nada. Agora compete-nos a nós, enfermeiros, construirmos a Ordem que queremos. As eleições estão aí à porta e a oportunidade para mudarem, se discordam do caminho, está aí.

Offline Discovery

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #17 em: Julho 11, 2007, 16:11:08 »
Só para introduzir mais um elemento importante para a discussão de rácios de enfermeiros em Portugal e desemprego. Para tal gostava de partir da seguinte frase de Raul Fernandes aqui no fórum:
"Agora que o MS não os cumpra isso já é outra questão, mas devemos ser nós a incentivar essa mudança para bem dos cidadãos e dos nossos colegas que estão no desemprego".

Concordo plenamente que muita da culpa de desemprego dos enfermeiros recém licenciados é do MS pois apesar da falta de enfermeiros nos serviços não permite contratar ninguém,. Ao invés permite que um diretor de um serviço ganhe 300 000 euros num ano só!!!!!!

Mas há outro dado importante que falseia a questão dos rácios. É que os enfermeiros portugueses mais experientes têm duplos e triplos vinculos empregaticios. Assim a questão dos rácios é falseada porque muitos enfermeiros ocupam o lugar de dois ou três profissionais.

Assim esse empenho dos enfermeiros deve passar antes de tudo acerca dessa questão. E não esquecer que estudos (inclusivé um que estou a desenvolver, em fase de conclusão e que poderei depois disponibilizar) demonstram que excesso de carga psiquica e fisica de trabalho gera stress, conflitos, sobrecarrega os colegas de trabalhob e aumenta a possibilidade de erros e diminui a qualidade dos cuidados. Acho importante refletitr acerca disso antes de apregoar os rácios (a ordem e os colegas que têm esses vinculos).

Offline mariamariamaria

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #18 em: Julho 11, 2007, 18:32:13 »
Caro Discovery,

Não sei o número de enfermeiros que ocupam lugares em duplo ou triplo emprego, mas conheço alguns, por isso devem ser bastantes.

Também te digo que não são só os mais velhos, também os conheço recém-formados a fazer isso.

Também é verdade que afecta o desempenho, pela sobrecarga que todos reconhecemos.

Mas as pessoas que o fazem precisam do dinheiro.

Tenho a certeza de que se passássemos a receber pela tabela de licenciados, e fosse instituído o regime opcional de exclusividade recompensado, muitos desses enfermeiros deixariam de trabalhar em duplo.

E aí os doentes só teriam a ganhar, e aos enfermeiros não faria mal nenhum.

Mas como é que se resolve este problema?

Abraço.

Offline Anonymous

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #19 em: Julho 11, 2007, 18:34:42 »
Citação de: "Raul Fernandes"


Mas não pode, de forma legal, agir contra uma prática que já está enraizada no País (o uso de técnicos) e mesmo ao nível internacional.


Citação de: "Raul Fernandes"

Colega tdk, não vale a pena irritar-se tanto, porque se ler bem a minha mensagem repara que concordo consigo em que devem ser enfermeiros nessas funções. Nesse aspecto estamos do mesmo lado.

Agora tenha atenção quando acusa as pessoas de ignorância... É que para isso é preciso estar muito à vontade no que se diz, o que me parece que não seja o caso.
Visite por favor o site novas oportunidades ou sites dos cursos tecnológicos que andam pelo País e veja quantas destas formações dão o nome de técnicos sem darem nenhum grau, muito menos a licenciatura. Nomeadamente, Técnico de Obra , Técnico de Medições e Orçamentos, Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho, entre milhentos outros que permitem dar qualificações mas não atribuem grau. Se quiser procurar na Portaria n.o 260/2006 de 14 de Março verá a quantidade enorme de cursos tecnológicos. Deixo-lhe ainda uma citação do CIEP (Centro de Informação Escolar e Profissional)  que encontra em http://www.drec.min-edu.pt/ciep/index_c ... s.asp#A521
Citar
A conclusão de um curso profissional concede aos alunos o direito a um diploma equivalente ao ensino secundário e um certificado de qualificação profissional de técnico intermédio (nível 3) .O diploma equivalente ao ensino secundário (12º ano) e o certificado de qualificação profissional de nível 3 permitem-te o ingresso nos Cursos de Especialização Tecnológica (nível 4) e o acesso ao Ensino Superior .


Apenas uns breves comentários:

1 - sei ler qualquer coizita e também me atrevo a uns rabiscos. Para mim, "contra uma prática que já está enraizada no País", não pode estar plasmada num decreto-lei de 2006, pois já nessa data se pedia á OE para batalhar esta causa em prol da qualidade dos cuidados de saúde aos cidadãos

2 - ao contrário do que pode pensar, não estava irritado; como não sou de toda a sabedoria admito ser ignorante nalgumas matérias, aliás caracterizo-me pela humildade e sempre aberto a novos conhecimentos

3 - os cursos técnicos que refere, nomeadamente o de Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho, tens centenas de horas de formação (mais de 700 horas); se estiver interessado em frequentar este curso recomendo-lhe, pois como enfermeiro pode exercer funções como Técnico Superior de Saúde com esse curso, e se o seu hospital tem um gabinete de risco, pode você vir a ser o próximo gestor de risco, uma área que é um dos objectivos do MS para o corrente ano; todo este texto para dizer que os seus "téncicos" não se enquadram na filosofia das Novas Oportunidades; pura e simplesmente não são técnicos de nada

4 - a sigla TAE, que substitui a sigla TAS ainda não está regulamentada em lado nenhum; surgiu em 2004 por ocasião do Euro, associada à nova imagem de marca do INEM; como deve saber, TAS significa Tripulante de Ambulância de Socorro, e para se o ser, tem de se frequentar o tal curso de formação (não é nenhum curso da portaria que refere), com a finalidade de fazer parte de tripulações de ambulância, jamais de VMER

5 -  desilude-me particularmente que um colega reconheça competência a estas pessoas para, com um curso de 210 horas, poderem puncionar veias, colocar perfusões, preparar e administrar fármacos, desfibrilhar com desfrilhador manual, etc, etc, ainda por cima alguém que defende de forma muito clara o rumo de intervenção da OE

6 - continuo a não estar irritado

 :'(

Offline Discovery

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #20 em: Julho 11, 2007, 19:13:38 »
Cara mariarebelo1

Infelizmente também não disponho de dados que me permitam saber o número de enfermeiros que têm mais que um vinculo empregaticio mas pela minha experiência também são mesmo muitos. Por exemplo no serviço de urgência onde eu trabalhava só eu e poucos mais colegas recém-licenciados não tinhamos mais que um vinculo empregaticio.Senti muitas vezes as consequências da sobrecarga dos colegas, noites em que tive que trabalhar por mim e por outros, etc. Inclusivé os chefes de serviço trabalhavam noutros locais e diziam descaradamente que ganhavam mais nesses outros locais do que no hospital em causa. Assim, concordo que muito desse duplo emprego se deve ao baixo salário mas não só. É visivel que muitos enfermeiros nem têm necessidade desse vinculo duplo...

É claro que não tenho uma receita para mudar esse panorma mas como penso acerca destas questões acho que algumas medidad poderiam ser tomadas para reverter a situação. Entre elas:
1 - Posição da ordem dos enfermeiros acerca da questão, procurando conhecer a realidade e emitir pareceres acerca da problemática. Para quem acha que a ordem está a cumprir o seu papel aqui e está um exemplo do contrário.

2 - Conscientização dos colegas para esta questão. É necessário que quem tem uma posição estável se lembre dos parentes pobres (os recém-licenciados) e que pense se será correto estar a trabalhar em dois ou três locais que poderiam ser ocupados por eles. Também é necessário que essas pessoas pensem na sua qualidade de vida e na qualidade dos cuidados que prestam.

3 - Mobilização séria da profissão e greve com verdadeiro impacto para lutar pelo ajuste salarial. Infelizmente conheço situações em que colegas não aderem á greve com medo de que os seus contratos não sejam renovados. Mas a possivel ameaça não justifica esse comportamento. Ao não denunciarem a situação estão a ser cobardes e egoistas, compactuando com a situação.

Acho que estas são algumas das medidas possiveis mas infelizmente a enfermagem ainda é uma profissão em que cada um só se importa consigo mesmo. Não há corporativismo  no bom sentido nem capacidade de mobilização o que torna muito dificil lutar pelos ideais e pelos direitos da classe profissional. Para finalizar dizer que a ordem e os sindicatos com a sua dependencia politica também não estão a ajudar em nada a enfermagem....

Saúdações cordiais do outro lado do atlântico

Offline Raul Fernandes

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #21 em: Julho 11, 2007, 23:03:07 »
Caro colega tdk

Reafirmo o que disse.

Eu não disse que deviam ser técnicos a substituir enfermeiros. Defendo vigorasamente que sejam enfermeiros que na generalidade assumam a emergência pré-hospitalar que actualmente está nas mãos de bombeiros.

Agora uma coisa deve perceber e foi sempre essa a minha intenção. Portugal aderiu ao Processo de Bolonha e com ele admitimos também uma nova forma de abordar a sociedade nomeadamente a prática laboral. Assim, deve-se valorizar a experiência de vida dos cidadãos. Os bombeiros asseguraram e ainda asseguram um serviço que ninguém mais fazia, quando os enfermeiros ainda eram poucos para as necessidades.

Agora não se pode dar um potapé no dito de pessoas que toda a vida fizeram aquilo. As mudanças fazem-se com calma para que não se criem injustiças para quem deu o seu melhor em serviço dos cidadãos quando não havia nada melhor para oferecer. Agora que podemos oferecer mais qualidade e segurança vamos fazê-lo, mas tendo em atenção para não passar por cima de ninguém.

Quanto aos rácios e aos duplos, caro discovery, tenho que concordar com a Maria Rebelo. Os enfermeiros actualmente exigem um poder de compra que o ordenado de um só serviço não é suficiente e ninguém pode ser criticado por querer viver mais desafogado nas suas finanças. Senão, então é que andamos sempre a dar tiros nos pés - quando houver exclusividade deve existir remuneração compatível.

Contudo, a Ordem tem colocado cá fora várias posições sobre o assunto, nomeadamente os padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem, bem com a adopção do livro do ICN ambientes favoráveis à prática, que todos os enfermeiros deveriam ler pois contém argumentos muito interessantes para justificar opções nos nossos serviços.

Quanto às greves, não se preocupe que elas devem estar a aparecer por aí. Pois os sindicatos estão agora a discutir a avaliação de desempenho na função pública e depois devem iniciar a discussão mais concreta das carreiras. Depois só falta a mobilização.

Offline Anonymous

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #22 em: Julho 11, 2007, 23:37:57 »
Citação de: Raul Fernandes


Eu não disse que deviam ser técnicos a substituir enfermeiros. Defendo vigorasamente que sejam enfermeiros que na generalidade assumam a emergência pré-hospitalar que actualmente está nas mãos de bombeiros.




Um pequeno reparo: felizmente que a emergência pré-hospitalar, no contexto de emergência para a vida, já não está nas mãos dos bombeiros na grande percentagem do território nacional, ou seja, as tripulações da grande maioria das VMER já só tem enfemeiros e médicos.

As situações de excepção estão perfeitamente localizadas e são do conhecimento da OE (exceptuando a VMER do CODU Lisboa que tem particularidades que a diferenciam das restantes, nomeadamente não terem base hospitalar) e estão em Coimbra (HUC) e Figueira da Foz.

Cumps

 8)

Offline mc_enf

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #23 em: Julho 28, 2007, 11:12:48 »
Caros amigos,

Por enquanto,o pré-hospitalar na grande maioria do território nacional ainda é assegurado pelos bombeiros.Veja-se que ha mais de 400 corpos de bombeiros no país e entre ambulancias do INEM e vmer's não chegam a 100. Muitas ambulancias do INEM encontram-se sedeadas nos quarteis de bombeiros e cuja tripulação é,ou deveria ser, de 2 TAS.

Também concordo em pleno com a inclusão dos enfermeiros nessa tripulação e espero k em breve todas as ambulancias de emergência possam ter um enfermeiro permanentemente. No entanto, acho que o papel dos TAS é ainda fundamental na equipa da ambulancia e nao na vmer. Isto porque eles têm formação em áreas que nós enfermeiros nao temos na nossa formação de base, a menos que frequentemos um curso extra.

Caros colegas, eu como provavelmente outros enfermeiros,tive oportunidade de tirar o dito curso de TAS. Nao foi no INEM mas sim na Escola Nacional de Bombeiros(ENB).Foi realmente de 235h durante 6 semanas,complementado naquela altura com um estágio de 50 serviços em 3 meses.

Actualmente o curso na mesma instituição é de 7semanas. Nao conheço a realidade da formação do INEM, mas asseguro-vos de que na ENB é bastante exigente, dura e com muita disciplina.Os horários são cumpridos com rigor e por vezes ha treino nocturno extra-horario. Além disso, ha uma forte componente prática, de rua, feita quer faça Sol ou chuva e simulando sempre situações extremas. Avaliações de carácter eliminatório todas as 6ª feiras. Houve formação de apoio ao SAV, mas ninguem ensina técnicas de enfermagem. Repito, foi a formação que tive na ENB, apesar de ser certificada pelo INEM.

Penso que os enfermeiros são a classe profissional que, com o complemento deste tipo de formação, estariam em situação priveligiada para assegurar em pleno o socorro pré-hospitalar.
Apenas mais uma coisa: os TAS são como já foi dito Tripulantes de Ambulancia de Socorro e os TAE são Técnicos de Ambulancia de Emergência. Continua a haver formação distinta entre ambos, sendo que para TAS é necessário 9º ano de escolaridade enquanto que para TAE é necessário 12º ano. Sei no entanto através de amigos TAE que a diferença na formação está no facto de que os TAE podem desfibrilhar com DAE.

Como enfermeiro e TAS acho que por enquanto qualquer uma das categorias profissionais é necessária na emergência pré-hospitalar, sendo que o futuro passará pelo uso em exclusivo dos enfermeiros.

Abraços  :D

Offline mariamariamaria

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #24 em: Julho 29, 2007, 18:49:15 »
Olá,

Os enfermeiros com competência pré-hospilalar só se justificam naquilo que hoje conhecemos como VMER.

Deveria haver uma especialidade, reconhecida junto da OE, quer com curso de especialização, quer com o reconhecimento de competências pelo tempo de serviço.

E também devia haver alargamento da rede de VMER.

Quanto aos TAE, óptimos, os que conheço, mas limitados por questões legais. Que cumprem, na sua maioria, aquilo que se lhes é exigido, cumprem. Mas não é suficiente.

Abraço.

Offline Son_Goku

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #25 em: Julho 29, 2007, 23:32:55 »
De facto é urgente a criação de uma especialidade em Enfermagem de emergência pré-hospitalar, antes que alguém se lembre de criar um curso técnico para o efeito, a exemplo do que aconteceu no passado em outras áreas. Acrescento ainda que o âmbito das especialidades deveria ser alargado a outras áreas,algumas delas eventualmente coincidentes com as áreas de compartimentação médica (Enfermagem intensivista, em cardiologia, etc) uma vez que muito do nosso trabalho, especialmente em meio hospitalar presnde-se essencialmentee com o controlo de situações de doença, balizadas pela classificação médica. Mas uma parte importante, e aí sim, campo de exclusividade da Enfermagem deveria ser os cuidados de proximidade, onde se poderiam também formular especialidades voltadas para a promoção de adaptação a situações decorrentes de doença ou estados pós-agudos,etc.

Offline isaura

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #26 em: Agosto 11, 2007, 23:38:54 »
olá! depois de ler as 25 respostas, devo dizer que acabo por sentir que existe um pouco de indiferença por parte da OE, até acredito que estejam a fazer o seu melhor, contudo das várias vezes que ouvi a nossa bastonária falar na tV fico triste. relembro aquele programa dos prós e contra; no qual lhe foi dado a palavra para ela dar a sua posição quanto a um assunto (sinceramente não recordo) e ela virou-se para o ministro da saúde e disse; nós esta semana vamos discutir esse assunto numa reunião e aí nós nos entenderemos. puxa!! eu sempre pensei

Offline isaura

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #27 em: Agosto 11, 2007, 23:55:21 »
desculpa carreguei na tecla errada. como dizia; sempre pensei que de uma forma segura concisa e eficaz ela iria responder a pergunta da apresentadora referindo a posição da OE naquele contexto até para que os cidadões tivesse conhecimento sobre as dificuldades dos enfermeiros naquela situação (que sinceramente não me recordo, mas sei que era algo que nos apontam como culpados quando aquilo não passava por nós directamente). eu também acho que a OE deve ser mais incisiva, deve defender os cidadões mas também os enfermeiros. por exemplo, não vi qualquer tipo de notícia televisiva sobre as farmácias e a administração das tais vacinas entre outros (se existiu peço desculpa mas não me chegou aos ouvidos).

relativamente o nº de enfermeiros, até concordo com o colega quando diz que a OE não pode dizer que se formam enfermeiros a mais senão nunca mais chegaremos ao racio existentes noutros países da UE. contudo, e podem me achar pessimista, mas o que eu começo a ver neste país e pela política de gestão de recursos humanos é a formação de enfermeiros e apesar da necessidades destes, estes ficarem desempregados. até um belo dia em que o nível de desemprego será de tal ordem que a formulação de contratos precários será uma possibilidade que eles se sujeitarão porque querem como nós todos; ser independentes financeiramente, organizar sua vida afectiva, constituir familias... o que já existe em certos casos.

por fim relativamente ao tema de discussão, gostaria que a colega que mc_enf me dissesse quais foram os temas/conhecimentos que o curso TAS te facultou e que o nosso (enfermagem) não? fiquei curiosa...

Offline mc_enf

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #28 em: Agosto 13, 2007, 13:57:17 »
Cara colega Isaura,

respondendo à tua questão,entre vários temas que já não eram novidade para mim, posso destacar o conhecimento dos vários tipos de ambulancia e o material nelas existente;Segurança no local da intervenção; a constituição da equipa de emergência; SBV Adulto,Pediátrico e Neonatal; as Emergências Médicas, as Emergências obstétricas e pediátricas, as Emergências Traumatológicas (e dentro disto uma quantidade enorme de conhecimentos), as Técnicas de abordagem e remoção de vítimas politraumatizadas (Técnicas de levantamento, de rolamento, extracção de vitimas em espaços confinados, salvamento em meio aquático, extracção de capacete,como trabalhar com Colete de Extracção,Cinto-Aranha,Plano-Duro,Maca Pluma,Maca de Vácuo e usá-los consoante as situações...);Salvamento e Desencarceramento (trabalhar com todo o material existente numa viatura de desencarceramento, incluindo simulações práticas com extracção de vítimas);noções de actuação em catástrofe, Apoio ao SAV, Telecomunicações, estágio de 3 meses (no meu curso) em ambulância do INEM.

Depois há sim outros conhecimentos que fazem parte de todos os programas de todas as Escolas de Enfermagem.

Mas, colega Isaura, se na Escola que frequentaste te administraram todos estes conteúdos e correspondente experiência prática, só tenho a felicitar-te e à tua escola. Na escola onde me licenciei estes temas não faziam parte dos conteúdos programáticos e em grande parte das escolas apenas poucos deles fazem parte. ???

Continuo no entanto a afirmar que enfermagem está em posição priveligiada para ser complementada com este tipo de formação e dar o seu real contributo na Emergência Pré-Hospitalar.

Espero ter respondido à tua pergunta Isaura.

Saudações!!! 8)

Offline isaura

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Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
« Responder #29 em: Agosto 13, 2007, 14:38:44 »
olá! agradeço imenso a tua rapidez na resposta. de facto tenho que concordar contigo que na minha escola também nao me ensinaram todos estes tópicos. tive umas jornadas de X horas no INEM mas no qual nao obtive na sua totalidade toda esta formação. Apesar de não a ter recebido durante a minha formação académica, ao longo da minha formação profissional junto ao DEP que explora certos cursos de formação, o acesso é muitas vezes limitado aos profissionais que exercem funções  no sector da urgência e UCI, justificando que estes têm prioridade relativamente aos outros enfermeiros. não sei se alguém já teve este tipo de experiência. por fim, concordo plenamente contigo quando dizes que estamos numa posição priveligiada para receber esta formação.
abraço