Autor Tópico: Enfermagem Médico-Cirúrgica  (Lida 21911 vezes)

Offline nunotavares

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Enfermagem Médico-Cirúrgica
« em: Dezembro 22, 2004, 16:36:21 »
A Enfermagem Médico-Cirúrgica é sem sombra de dúvidas a especialidade da área científica de Enfermagem mais abrangente e por isso que é susceptível de poder a vir ser - por parte da Ordem dos Enfermeiros- repartida por sub-especialidades, tais como Enfermagem em urgência, em cuidados intensivos, em bloco operatório, em cirurgia, eu neurologia, em cardiologia,....

Pessoalmente defendo que o títtulo de Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, não seja extinto, o que pode fazer-se é adicionar-lhe, com sub-especialidade em cuidados intensivos, p.e.

Alguém me sabe dizer para já onde pode ser feito o curso de Pós-Licenciatura em Enfermagem Médico-Cirúrgica??!!!

Offline pedrojosesilva

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Enfermagem Médico-Cirúrgica
« Responder #1 em: Dezembro 22, 2004, 17:37:57 »
@Nuno

Eu votei não.
Exactamente por aquilo que tu referes, é demasiado abrangente (eu diria vaga).
A especialização em áreas mais restrictas faz sentido. Até porque estariamos mais de acordo com o que acontece fora do país. A enfermagem de urgência (que segundo o antigo esquema não existia) é um mundo com competencias e saberes partilhados e maioritáriamente distintos da enfermagem em cuidados intensivos, e da enfermagem intra-operatória, e esta por sua vez da cirurgia cardiotoracica, etc....

Se as futuras Pós-graduações continuarem a ser maioritariamente em contexto academico, é provavel e possivel manter o antigo curso, mas se as especializações forem feitas a partir das práticas, ensino em contexto (que quanto a mim faz mais sentido), então o formato antigo não tem hipotese.
Porque se o que se pretende é formar especialistas para prestarem cuidados directos, é natural que eles se formem nos serviços especificos, e que lá fiquem a trabalhar depois da sua especialidade e até que seja a instituição a financiar essa formação especializada.
Serviços como cuidados intensivos, bloco operatório, a equipa de emergência/urgência deveriam (na minha opinião) ter uma equipa maioritariamente para não dizer totalmente formada por especialistas daquela área e de uma ou outra que poderá ser necessaria, ex reabilitação, saúde mental, etc...
Nuno, o que acontece a um grande número de especialistas é que nunca chegam a exercer funções naquilo que o curso os habilitou, mas acabam por assumir apenas funções de gestão do serviço auxiliando os enfermeiros-chefes.
No caso de médico-cirurgica, o proprio caracter abrangente mas vago (não só do nome mas da diversidade dos temas abordados) não ajuda em nada a delimitar o campo de competência desta pós-graduação.

Irá haver sempre alguém a dizer, mas quanto mais abrangente for o curso, mais se rentabiliza aquele enfermeiro para o serviço onde for colocado. Na verdade não é isto que acontece.
Eu sou a favor de pós-graduações com campos mais bem definidos, não necessitam de ser de 2 anos, pode ser menos, mas que sejam integradas na prática.

Será que temos serviços preparados para prestar formação de qualidade para estas especialidades?

Para mim este é o problema mais alarmante...

Offline nunotavares

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:)
« Responder #2 em: Dezembro 22, 2004, 18:07:15 »
É claro que a formção inerente a cada especialidade faz parte da do corpo de conhecimentos de qualquer enfermeiro generalista....com menos profundidade  mas faz....

Eu defendo a sub-especialização desta área porque, segundo um relatório da OE, esta é uma das áreas em que os especialistas menos desenvolvem as competências para as quais são formados, sendo indiscriminadamente executadas por generalistas....daí que eu pense que a futura sub-especialização, possa mudar isso e configurar para cada área um papel ainda mais específico para cada especialista....mas provavelmente é utópico demais....

Um abraço,  :D

Offline Stephan

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Enfermagem Médico-Cirúrgica
« Responder #3 em: Dezembro 22, 2004, 18:15:42 »
Também votei não. Pelas razões acima mencionadas. Queria sublinhar o que o Pedro disse; "Até porque estariamos mais de acordo com o que acontece fora do país".

O conceito de se especializar têm por objectivo usar os teus conhecimentos para a area específica onde ela está inserida. Enfermagem médico-cirúrgico é assim demasiada abrangente. No maior parte dos países que assinaram o tratado de Bologna existem pouco mais que cinco especializações: pediatria, ginacologia e obstetricia, cuidados intensivos, úrgência e emergência e bloco operatório. Fora destes há sempre uma ou outra especialização dependente das necessidades dos vários países. Muitas vezes o enfermeiro que faz a especialidade obrigatóriomente deve fazer uso dela no dia em dia. Isto é quem tira a especialidade de pediatria vai trabalhar na pediatria, etc.

Em portugal actualmente ainda é possivel ter se a especialidade de psiquiatria e usa-la como "stepping-stone" para poder chefiar um serviço de ortopedia sem sequer nunca ter trabalhado num serviço de psiquiatria. Enquanto em muitos países só através de tirar um curso de gestão é que o mesmo pode acontecer. Aínda mais, os cursos de especialização estão abertos só a aqueles que pretendem ou se comprometam depois ir trabalhar nos determinados serviços.

Portanto; não, porque e demasiado abrangente e porque não encaixa no sistema que vai ter que ser introduzido depois de portugal finalmente ratificar o tratado de Bologna.

Offline nunotavares

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Enfermagem Médico-Cirúrgica
« Responder #4 em: Fevereiro 07, 2005, 11:47:30 »
Segue-se um excerto da Matriz de Análise dos Planos de Estudos Especializados da Ordem dos Enfermeiros e o link de um dos programas curriculares proposto por uma Escola...

ENFERMAGEM MÉDICO-CIRÚRGICA

A duração mínima do CPLE em Enfermagem Médico–Cirúrgica deverá ser de 900h.

A duração mínima dos estágios nos CPLE em Enfermagem Médico–Cirúrgica deverá ser de 540h (60% do tempo mínimo aceite – 900h).

O Coordenador dos CPLE em Enfermagem Médico–Cirúrgica e os responsável pelos estágios específicos deverão ser Enfermeiros especialistas na área de Enfermagem Médico–Cirúrgica.

Temas comuns aos diferentes CPLE em Enfermagem médico–cirúrgica:- Enquadramento conceptual da Enfermagem médico–cirúrgica
- Cuidar em situações de crise – suporte à pessoa e família
- A pessoa em falência multiorgânica
- Aspectos fisiopatológicos
- Diagnóstico e Intervenção de enfermagem
- A pessoa com dor
- A pessoa em fase final de vida
- Infecção nosocomial

Estágios específicos

Práticas de cuidados de enfermagem médico–cirúrgica nos contextos de:
- Serviços de urgência
- Unidades de cuidados intensivos
- Unidades de cuidados intermédios

Link do Plano de Estudos proposto pela CESPU-Escola Superior de Saúde Vale do Sousa, para o CPLEE Médico-Cirúrgica

http://www.cespu.pt/cespu/politecnico/ipsn/cplee/medicocirur.asp