Autor Tópico: SAPE, o que mudavam?  (Lida 7294 vezes)

Offline jbesteves42

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SAPE, o que mudavam?
« em: Setembro 27, 2011, 17:49:57 »
Viva caros Colegas,

estou no ultimo ano do nosso tão estimado curso, e encontro-me a fazer um trabalho de investigação sobre o SAPE, nomeadamente o que mudaria caso fosse agora reformular todo o programa, em termos de funcionalidade, usabilidade etc.
Já tenho algumas ideias mas gostava de saber a vossa opinião. O que é que vocês mudavam? O que mais vos irrita? O que é complicado e o que é simples? Pode ser que com este nosso contributo acelerem o desenvolvimento de uma nova plataforma...

obrigado

beijos e abraços

Offline AdelaideB

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Re: SAPE, o que mudavam?
« Responder #1 em: Outubro 07, 2011, 12:01:06 »
Olá,

Também estou a fazer uma tese sobre esse tema, também me interessavam as opiniões. A falta de respostas retrata a falta de entre-ajuda dos colegas Enfermeiros, não admira o estado em que a Enfermagem em Portugal está...

Offline Mauro Germano

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Re: SAPE, o que mudavam?
« Responder #2 em: Outubro 14, 2011, 18:20:48 »
Gostaria de ajudar mas de facto não uso o SAPE mas sim o ALERT ER.

Além disso o Forum Enfermagem não é a melhor plataforma/meio de obter esses contributos.

Offline Vitor Barbosa

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Re: SAPE, o que mudavam?
« Responder #3 em: Novembro 02, 2011, 15:03:00 »
@jbesteves42
@AdelaideB

De facto o SAPE está neste momento a ser reformulado na totalidade. Segundo o que foi dito num congresso sobre SIE promovido pela Ordem dos Enfermeiros em 2010, o SAM e o SAPE serão fundidos numa aplicação que tem interface diferente, conforme seja o profissional que acede à mesma.

As mudanças que estão previstas também me parecem muito positivas.
De seguida, enumero algumas das sugestões que teria para uma nova versão:

1 - Criação da base de dados em função do número de utente e não do número de internamento.
As consequências desta mudança são diversas. Deixa de haver uma avaliação inicial para cada internamento e passa a haver uma história clínica que é atualizada ao longo do tempo pelos diversos profissionais.
Os diagnósticos de Enfermagem que não forem resolvidos num internamento e se mantenham ativos, continuarão ativos num próximo internamento (ex: úlceras de pressão). A ser bem concebido, os diagnósticos de Enfermagem transitarão do hospital para os cuidados de saúde primários e vice-versa.

2 - Criação de uma avaliação inicial dinâmica, isto é, que os dados aí registados possam produzir alertas ou sugestões de diagnósticos de Enfermagem.
Um dos atuais problemas da avaliação inicial é que esta não permite que, por exemplo, quando se está a avaliar o risco de queda de uma pessoa, seja lançada a caixa de diálogo da intervenção para monitorização do risco de queda através da escala de Morse. Uma nova versão do SAPE deverá adicionar automaticamente à lista de diagnósticos de Enfermagem o diagnóstico de "Risco de queda" quando ele existir. O utilizador apenas terá de VALIDAR a sugestão da aplicação. O mesmo se passaria noutras áreas: dependência nas AVDs, risco de úlceras de pressão, risco de aspiração...

3 - As frases de vigilância terão de ser, cada vez mais, baseadas em escalas e uniformizadas a nível nacional.
A avaliação da autonomia da pessoa nas diversas AVD nas intervenções do tipo Supervisar deveria ser feita com escalas, permitindo assim monitorizar a evolução da autonomia da pessoa e espelhar o resultado das nossas intervenções.
Certas intervenções, como por exemplo, "Monitorizar a ferida cirúrgica" ou "Vigiar a eliminação urinária" deveriam ter frases de vigilância previamente codificadas, permitindo assim a software de vigilância epidemiológica da infeção detetar precocemente sinais de infeções e mesmo fazer relatórios de prevalência de infeções.

4 - O interface destinado ao parametrizador tem de ser muito melhorado (Peço desculpa a quem não for parametrizador, pois não é fácil perceber a que me estou a referir de seguida)
A pesquisa de intervenções para associar a fenómenos não deveria ser feita apenas pelo texto da própria intervenção mas também pelo seu número (que geralmente o parametrizador já sabe). Na janela para associar intervenções a um fenómeno também poderia estar visível uma coluna com o número da intervenção e, inclusive, permitir que o parametrizador associasse uma intervenção apenas inserindo o número da mesma nesta coluna.
A parametrização dos protocolos de insulina deveria ser personalizável serviço a serviço e não apenas para toda a instituição.

5 - Para além do interface visual ter de ser muito melhorado, julgo que seria importante melhorar os controlos por teclado.
O uso alternado de rato e teclado aumenta o tempo despendido a fazer registos. Seria fácil resolver isto (inclusive em versões mais antigas do SAPE isto funcionou melhor).
As proporções do ambiente gráfico deveriam ajustar-se às dimensões do ecrã. Não faz sentido ter uma janela para 800x600 num monitor de 22", por exemplo.

6 - Os registos efetuados deveriam despoletar sugestões de alterações no processo de Enfermagem
Se uma pessoa à entrada apresentava risco de queda, por exemplo, e numa nova avaliação já não apresenta, o aplicativo deveria perguntar ao utilizador se desejava dar termo ao diagnóstico "Risco de queda". O mesmo se aplica a outros riscos, à febre, ao edema, à obstipação, etc...

7 - O aplicativo deveria alertar o utilizador para possíveis inconsistências no plano de cuidados
Se um doente tem diagnóstico de "Edema nas pernas" e de "Expectorar: ineficaz, em grau moderado" (linguagem da CIPE beta 2 - usada na atual versão) e o enfermeiro inserir a intervenção "Incentivar a ingestão de líquidos", a aplicação deveria perguntar ao enfermeiro se desejava manter aquela intervenção devido à existência do diagnóstico de "Edema nas pernas". Depois deste alerta o profissional equacionaria os riscos-benefícios.

E por hoje fico por aqui... Se tiver oportunidade trarei cá novas ideias.
Boa sorte com o trabalho.

Offline jbesteves42

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Re: SAPE, o que mudavam?
« Responder #4 em: Novembro 25, 2011, 17:39:27 »
Muito obrigado pela resposta Vítor Barbosa, ajudou muito. O trabalho até agora está a correr lindamente graças também ao seu contributo, se tiver alguma coisa mais a acrescentar só tenho a agradecer. Talvez mais contribuições daqui da comunidade ajudem a tornar o SAPE melhor, visto eu já ter contactado com a equipa que está a trabalhar no desenvolvimento do sucessor e que poderei posteriormente transmitir-lhes algumas opiniões.

um abraço e obrigado

Offline Vitor Barbosa

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Re: SAPE, o que mudavam?
« Responder #5 em: Novembro 29, 2011, 02:14:23 »
@jbesteves42

Tal como o colega, penso que vários enfermeiros já tiveram oportunidade de fazer chegar à ACSS um conjunto de sugestões de alterações. Não sei que enfermeiros estão a trabalhar com a equipa de engenheiros da ACSS para definir a arquitetura geral do software, mas julgo que serão pessoas credenciadas para esse fim.

Quanto a novas sugestões:
8 - Uma nova versão do SAPE deveria permitir ao gestor do sistema ou parametrizador, eliminar uma parametrização na sua totalidade com apenas alguns comandos e confirmações de segurança. Atualmente é um processo demasiado moroso. Apesar de não se fazer uma reformulação todos os dias, quando se faz é um pesadelo.

9 - É necessário rever urgentemente os reports emitidos pelo SAPE, nomeadamente a folha de vigilância das 24 horas e o plano de cuidados.
Na primeira, recordo-me, por exemplo, do problema que é em identificar a que dreno diz respeito uma determinada quantidade de líquido drenado, quando se usa a intervenção "Monitorizar a eliminação de líquido através de dreno". Bastaria acrescentar uma nova coluna à tabela para o conteúdo da caixa de observações, onde habitualmente é definido o dreno a que diz respeito o valor.
Na segunda, um dos problemas que me incomoda mais é o facto de não haver uma coluna para a frequência na tabela da medicação a administrar. Se, por exemplo, se imprimir um plano de cuidados para um turno da manhã e houver uma prescrição de Cloreto de sódio 0,9% 500ml às 14h, como posso saber até que horas terá de perfundir este soro sem recorrer ao SAPE no computador? Bastava estar lá a coluna com a frequência, por exemplo, "8/8h" e já saberíamos que este soro deveria terminar às 22h.

10 - O parametrizador deveria ter a oportunidade de associar intervenções de Enfermagem a diagnósticos e não apenas a fenómenos de Enfermagem.
Por exemplo (e usando a CIPE beta 2, versão atualmente em uso no SAPE): no fenómeno "Auto cuidado: higiene" podemos ter, entre outros, os diagnósticos a)"Auto cuidado: higiene: dependente, em grau elevado" e b)"Auto cuidado: higiene: conhecimento do prestador de cuidados sobre auto cuidado: higiene, não demonstrado".
Para a) podemos ter, por exemplo: Dar banho na cama; Dar banho no chuveiro; Assistir a pessoa no auto cuidado: higiene; Incentivar auto cuidado: higiene. Para b) teríamos: Ensinar o prestador de cuidados sobre auto cuidado: higiene.
O que acontece atualmente é que, como as intervenções não estão associadas ao diagnóstico mas ao fenómeno, é comum encontrarmos a intervenção "Ensinar o prestador de cuidados sobre auto cuidado: higiene" em processos de Enfermagem onde apenas se encontra o diagnóstico a), dado que o utilizador é livre de associar qualquer uma das intervenções parametrizadas para o fenómeno, tendo assim no plano de cuidados intervenções sem o respetivo diagnóstico.

11 - O parametrizador deveria poder definir horários standard por intervenção, tendo o utilizador apenas que confirmar o horário sugerido (validando a sugestão) ou modificá-lo quando julgasse necessário. Isso facilitaria a aplicação de procedimentos institucionais, por exemplo.

12 - A aplicação deveria permitir ao gestor do sistema criar sistemas de alerta baseados na ocorrência de determinados fenómenos.
Alguns exemplos: definia-se que se fosse registada a ausência de eliminação intestinal durante x turnos, o sistema deveria alertar para a possibilidade da pessoa estar obstipada, permitindo assim ao enfermeiro confirmar melhor este facto; definia-se que se fosse registada na vigilância da eliminação urinária a ocorrência de disúria e piúria associadas a temperatura superior a 38ºC, o sistema deveria alterar os profissionais de saúde para despiste de eventual ITU.

Por agora é tudo. A hora vai adiantada e as ideias estão a escassear...

Offline ucipista

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Re: SAPE, o que mudavam?
« Responder #6 em: Dezembro 22, 2011, 15:07:37 »
Olá!
Estou ainda em fase inicial de contacto com o programa e já vejo alguns aspectos que podem ser melhorados:

- Aspecto gráfico, nomeadamente a falta de botão maximizar e o aspecto geral pouco apelativo;

- Horário da terapeutica, nomeadamente a impossibilidade de protocolar um horário para a terapeutica, ex: 8/8h = 7, 15, 23 h ou de o enfermeiro ajustar o horário (para essas horas protocoladas) após a prescrição;

- Ligar a terapeutica ao balanço hidrico, por exemplo, se admistramos um frasco de albumina deverá "cair" no balanço hidrico 50 ml, Albumina, o mesmo se aplica aos fluidos ou fármacos em perfusão continua (Ex. NaCl 0,9% a 120 ml/h, esse valor deveria cair também no  balanço). Actualmente fazer um balanço hidrico com todas estar variáveis é um quebra cabeças;

- Quadro de monitorização da ventilação mecânica. Começa por "modo": tubo ou espontânea.
Que diabo de modos são esses. Dentro dos doentes com "tubo" há vários modos ventilatórios que importa distinguir (Básicamente: modos controlados/assistidos e assistidos. Dentro destes há o volume controlado, a pressão controlada, o volume controlado com pressão regulada, a pressão assistida. o volume assistido, a ventilação sincronizada intermitente...) Pode até haver doentes com "tubo" em ventilação expotênea por peça em t! É importante adicionar outros parâmetro de monitorização, nomeadamente: volume corrente, trigger, relação I:E ou tempo inspiratório. Importa também distinguir os vários tipos de pressão qu epodem ser monitorizados, nomeademente: pressão máxima ou de pico, pressão de pausa ou plateau, pressão média.

Se me lembrar de mais alguma coisa digo.

Cumprimentos.

Offline Vitor Barbosa

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Re: SAPE, o que mudavam?
« Responder #7 em: Abril 23, 2012, 23:35:47 »
Citação de: ucipista
- Quadro de monitorização da ventilação mecânica. Começa por "modo": tubo ou espontânea.
Que diabo de modos são esses. Dentro dos doentes com "tubo" há vários modos ventilatórios que importa distinguir (Básicamente: modos controlados/assistidos e assistidos. Dentro destes há o volume controlado, a pressão controlada, o volume controlado com pressão regulada, a pressão assistida. o volume assistido, a ventilação sincronizada intermitente...) Pode até haver doentes com "tubo" em ventilação expotênea por peça em t! É importante adicionar outros parâmetro de monitorização, nomeadamente: volume corrente, trigger, relação I:E ou tempo inspiratório. Importa também distinguir os vários tipos de pressão qu epodem ser monitorizados, nomeademente: pressão máxima ou de pico, pressão de pausa ou plateau, pressão média.

Isto é paramaterizável. Comunica com o parametrizador do SAPE e solicita essas alterações (que são feitas na gestão de domínios).
Cumprimentos