Votação

Concorda que deixe de constituir crime o aborto realizado nas primeiras dez semanas de gravidez, com o consentimento da mulher, em estabelecimento legal de saúde?”

Sim
8 (66.7%)
Não
4 (33.3%)

Votos totais: 12

Votação encerrada: Setembro 30, 2006, 20:34:58

Autor Tópico: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto  (Lida 17281 vezes)

Offline Guytonn

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #45 em: Outubro 23, 2006, 14:30:46 »
Citar
Na Holanda o aborto é legal até às 22 semanas.


Actualmente, em unidades de neonatologia de ponta, prematuros com 24 semanas de gestação sobrevivem. Daqui a alguns anos, é provável ver-mos prematuros com 22 semanas sobreviverem fora do útero da mãe. Uma mãe que tire a vida a um desses prematuros de 22 semanas que esteja numa incubadora é crime, todos concordam, mas se o mesmo estivesse no ventre da mãe, já seria visto como um direito da mesma...
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Offline Summer

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #46 em: Outubro 24, 2006, 19:42:05 »
Voltamos sempre à mesma questão, afinal o direito de quem é que está em jogo? Além disso... uma mulher com 22 semanas pode abortar mas com 23 já não pode... já é crime, um bébé de 23 semanas já tem direito à vida e um de 22 semanas não tem. Novamente a questão: com quanto tempo de gestação é considerada uma vida? Para mim é mais que claro que é desde o momento da fecundação!

Summer
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Offline hotvitor

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #47 em: Outubro 24, 2006, 20:25:13 »
Depois de ouvir isto, que mais há para dizer?

APOIADO!

Offline Guytonn

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #48 em: Outubro 24, 2006, 22:12:37 »
Pedro Nunes, Bastonário da OM, disse que não percebe como é que o estado vai onerar a execução de abortos , tendo para isso já celebrado acordos com clínicas abortivas (apesar de o aborto ainda não estar referendado  (!?)), quando não disponibiliza gratuitamente a contracepção, ou quando o tratamento de certas doenças crónicas não é comparticipado na totalidade.
Além disso,  o já de si entupido sistema de hospitais do SNS vai ser sobrecarregado com mais este "charuto" prioritário, quando para cirurgias às cataratas , varizes , etc espera-se anos a fio, sendo o aborto mesmo colocado à frente de cirurgias de carácter urgente, como as oncológicas.

Por outro lado, o aborto sendo liberalizado, dá direito a uma baixa médica de 30 dias, com direito a "pensão completa" no que toca à parte retributiva.
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Offline enfsergio

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #49 em: Outubro 24, 2006, 22:51:03 »
penso que neste momento a ideia daqueles que defendem o aborto, principalmente os partidos políticos, é promover a legalidade para combater a ilegalidade

Offline Roten_Boy

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #50 em: Outubro 25, 2006, 11:47:57 »
@Guytonn

EU vi essa discussão na TV e de facto a OM tem razão. Além disso, a prática assistencial do aborto por parte de enfermeiros e médicos não viola o seu código deontológico?

Offline enfsergio

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Debate Referendo ao aborto - as razões do sim
« Responder #51 em: Outubro 30, 2006, 16:47:28 »
31 de Outubro

Debate: Referendo ao aborto - as razões do sim

Faculdade de Psicologia da Univ do Porto sala 252 2º piso 16h com João Teixeira Lopes, Maria José Magalhães e Alexandra Oliveira


Cabe aos que defendem o não fazer os seus debates e esclarecer a população...Não podem ser só os padres nas Igrejas a dar a versão da Igreja, pois essa já nós conhecemos muito bem

 :twisted:

Offline marciolopes

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #52 em: Outubro 31, 2006, 21:23:02 »
Como já foi referido algures neste fórum, ninguém irá jamais abortar simplesmente porque sim.  Agora parece-me que a questão deve ser colocada, vivemos numa democracia? Sim ou não? Então será que alguém tem o direito de impedir outrem de realizar qualquer acto? Provavelmente vão dizer que sim, que ninguém deverá jamais permitir que alguém mate ou recorra a uma equipa de saúde para lhe matar o seu filho. Porque de facto o é, quer tenha sido planeada, quer tenha aparecido de uma relação fortuita e descuidada, seja de que forma for. Agora também questiono, esses que são a favor de manter os olhos fechados a algo que iria expor as mulheres que desejam abortar, mas que iria aumentar a qualidade dos cuidados e acompanhamento dessas mesmas mulheres, se serão eles que mais tarde iriam suportar esses filhos indesejados, sepultar esses bebés abandonados na sarjeta e no lixo, quem irá dar uma moedinha aqueles que lhes arrumam o carro...
Pergunto se o aborto será algo que ao ser dito que não há despenalização se não irá, no caso de uma mulher querer abortar se esta não deverá ser avaliada e acompanhada por uma equipa multidisciplinar que a faça compreender o que é o passo que está a dar na sua vida.
Deixemo-nos de exemplos únicos e pouco fáceis de ocorrer, pensemos que os que defendem a vida, mesmo que sem qualidade, jamais recorrerão ao aborto, agora não devem impedir outras pessoas de o fazerem, se em dado momento das suas vidas essa lhe parece a melhor opção. Porque inevitavelmente, ainda não existem apoios, métodos de apoio efectivamente pessoas desfavorecidas e com dificuldades, sem condições psico-economico-sociais de manter uma criança em condições que se possam considerar razoáveis.
Falou-se ainda do facto de uma mãe ter remorsos por abortar, é óbvio, foi o que referenciei inicialmente, ninguém irá abortar de ânimo leve, nem ninguém poderá abortar sem estar esclarecido sobre o que é e os riscos que daí advém.
Também é bem verdade que só engravida quem quer, mas encaremos com olhos de ver, quantas meninas não nos chegam aos serviços e continuam a não poder falar com a mãe sobre a pílula, preservativo, etc... é verdade que cada vez mais se fala e se esclarece. Nas escolas cada vez desde mais cedo, e os que não vão à escola? Têm de se suportar como se fossem ignorantes e "temos pena mas tem de se aguentar"?
Não será que o aborto não é uma solução e um estímulo para investirmos na educação e sensibilização?
Desta forma será mais efectiva a sensibilização Shock, não aborte apesar de não ser crime, informe-se, respeite a vida, previna-se, apesar de já se poder fazer não faça....
Será preferível uma mulher esvair-se em sangue porque infeliz não pode abortar numa clínica, não tem acompanhamento, ou que uma mulher optasse por algo doloroso, marcante e difícil, mas que tem o apoio de profissionais, que a  ajudam a percorrer esse caminho???
Ainda se falou, matamos um feto e não matamos um irmão mais velho... acredito bem que muitos pais o desejem no mais íntimo, a verem os filhos na rua, doentes, a prostituir-se, etc...
Como compreenderam sou a favor do aborto, não por mim porque felizmente posso contar com o apoio da família caso algo do género acontecesse,  e acreditem que o meu maior desejo é ser pai, contudo sei que muitos não o desejam, e como profissionais de saúde sabemos bem o que acontece quando um filho não desejado nasce, quando uma criança mal amada cresce, sabemos bem nas personalidades tipo que surgem, pessoas deprimidas, agressivas, comportamentos de adição, etc etc etc...
Vamos reflectir um pouco antes de colocarmos o voto, pensemos em nós, no que amamos e acreditamos, mas pensemos que nós estamos aqui, sentados no nosso cadeirão, no nosso pc, na nossa casa, com um ordenado melhor ou pior ao fim do mês, temos informação e conhecimentos, mas pensemos que mesmo assim e apesar de tudo somos uma parte da sociedade e nem todos o podem fazer como nós. Com isto não digo que o aborto será apenas para os mais carenciados, menos informados, etc, certo será que irá ser praticado por pessoas que poderiam sustentar o filho, amá-lo e dar-lhe todas as condições, mas não será já a pena dessas pessoas o ressentimento para o resto da vida? É verdade que são vidas tão dignas como qualquer uma das nossas, concordo, mas só o faz quem quer, não vamos é limitar a escolha a quem o quer fazer e não posso é concordar com o facto de podermos ter uma maneira de mudar essa vida, diminuir o sofrimento dessa vida e fechar os olhos porque acreditamos que num passo de mágica a criança que vem ao mundo desamparada e não amada se transforma num príncipe cheio de amor, carinho, alimentos na mesa, uma educação, uma cama quentinha para dormir...
Acredito que infelizmente, o aborto é ainda no nosso país uma saída, limite e extrema, mas quantas pessoas não vivem também em condições extremas?! E não vivem, sobrevivem, porque não existem ainda apoios e medidas suficientes, enquanto assim for, o aborto despenalizado assumir-se-á como uma saída…

Offline Guytonn

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #53 em: Novembro 01, 2006, 13:22:30 »
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Então será que alguém tem o direito de impedir outrem de realizar qualquer acto?

Claro que sim, porque o ser humano não vive isolado e todas as suas decisões têm um impacto na sociedade onde viven impacto esse que pode ser tolerado ou não.

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Agora também questiono, esses que são a favor de manter os olhos fechados a algo que iria expor as mulheres que desejam abortar, mas que iria aumentar a qualidade dos cuidados e acompanhamento dessas mesmas mulheres, se serão eles que mais tarde iriam suportar esses filhos indesejados, sepultar esses bebés abandonados na sarjeta e no lixo, quem irá dar uma moedinha aqueles que lhes arrumam o carro

Pergunte a esses que lhe arrumam o carro se desejariam jamais terem nascido. Verá que apesar do seu infortúnio, eles prezam tanto a vida deles como você preza a sua. Não pode ter a veleidade de sugerir que a sua vida tem mais direito a existir do que a vida daqueles que vivem em condições económicas mais desfavoráveis,  . Esse tipo de filtragem é algo aparentado com uma filtragem social. O que há a fazer é, a nível político estabelecer condições de crescimento social. A solução não é acabar com os pobres, mas sim acabar com a pobreza. E quando fala em filhos indesejados, se questionar as mães que tiveram filhos indesejados e que , desejando abortar não o conseguiram, constatará que nenhuma delas se arrepende por ter seguido a gravidez até ao fim, não obstante as suas condições, e que ama tanto o seu filho "indesejado" como se este tivesse surgido do mais profundo desejo de ser mãe desde o início.

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Deixemo-nos de exemplos únicos e pouco fáceis de ocorrer, pensemos que os que defendem a vida, mesmo que sem qualidade, jamais recorrerão ao aborto, agora não devem impedir outras pessoas de o fazerem, se em dado momento das suas vidas essa lhe parece a melhor opção

Defender o aborto livre é perigoso, e os que o defendem dão primazia absoluta à razão da mulher, seja ela qual for. E, sem demagogias, todos sabemos que muitas mulheres não têm capacidades para analisar a abrangência de tal complexa decisão. Para os defensores do aborto, a vida humana estará sempre subjugada às motivações da mulher, sejam eles mais ou menos válidas. Acerca dos exemplos pouco fáceis de ocorrer, sugiro-lhe que leia algumas estatísticas.

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Falou-se ainda do facto de uma mãe ter remorsos por abortar, é óbvio, foi o que referenciei inicialmente, ninguém irá abortar de ânimo leve, nem ninguém poderá abortar sem estar esclarecido sobre o que é e os riscos que daí advém

O esclarecimento não deverá situar-se apenas no esclarecimento dos riscos. Deverá abranger tudo aquilo que o acto envolve, mas na verdade escamoteia-se a vertente do embrião, como se ele não existisse no meio desta problemática. As mulheres que fazem o aborto, na verdade, são subtraídas da verdade, na medida em que lhes é apresentado o aborto como uma boa alternativa, segura e higiénica. Pensa que as clínicas privadas vão apresentar o aborto como um último recurso, como algo a evitar? Isso dava-lhes cabo do negócio!

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Não será que o aborto não é uma solução e um estímulo para investirmos na educação e sensibilização

Num estudo efectuado ao nível de estudantes do ensino superior (ou seja pessoas com formação e conhecimentos) foi constatado que a maioria mantinha relações sexuais sem o uso de contracepção. Acha, por exemplo, que aqui o défice é ao nível da educação sexual?
Por outro lado, o dinheiro que vai ser gasto a financiar a indústria abortiva daria para levar a cabo muitas campanhas de sensibilização e  educação e a tornar mais acessíveis os métodos de contracepção.

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Será preferível uma mulher esvair-se em sangue porque infeliz não pode abortar numa clínica, não tem acompanhamento, ou que uma mulher optasse por algo doloroso, marcante e difícil, mas que tem o apoio de profissionais, que a ajudam a percorrer esse caminho???

Seria preferível que a mulher pura e simplesmente não abortasse. Para isso é necessário responsabilizar as pessoas acerca da sua vida reprodutiva, capacitando-as para a sua gestão. Mas  cada vez mais vivemos na cultura da desresponsabilização, "varrendo" para debaixo do tapete as consequências desses comportamnetos e atitudes irresponsáveis, contrinbuindo assim para a sua perpetuação. Por exemplo, se eu tenho algume que me livre das multas do estacionamento, vou continuar a estacionar o meu carro em situação irregular até me ser cobrada a multa.
Não podemos legitimar um acto que é mau independentemente das suas repercursões. Punam-se as abortadeiras que fazem estes actos na ilegalidade... Agora transformar um aborto num direito, parece-me abjecto, mesmo que por vezes ele signifique dano para a saude de quem o faz, porque actualmente existem alternativas ao aborto: o problema é que muitas mulheres só se lembram dessas alternativas quando o "azar" lhes bate à porta e depois  toca  a remediar o problema .
Curioso é reparar que muitas mulheres que fazem o aborto são reincidentes, muitas delas mais do que duas vezes: como diz a outra, não há coincidências e se transformar-mos o aborto num direito, então, como qualquer direito, pode ser exercido as vezes que se quiser, sem dar cavaco a ninguém, como aquela senhora que se veio vangloriar para a TV por ter feito 20 abortos na sua vida: esse era cadeia directa!

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Ainda se falou, matamos um feto e não matamos um irmão mais velho... acredito bem que muitos pais o desejem no mais íntimo, a verem os filhos na rua, doentes, a prostituir-se, etc...


NAs suas palavras, muitos pais não matam os filhos apenas porque a lei se interpõe entre eles e o seu desejo! Fala como se tal acto fosse uma acção de benevolência, e pouco falta para considerar legítimo o "aborto" ao retardador.


Algumas crianças sobrevivem, é certo. Têm dificuldades económicas, não estudam, têm famílias disfuncionais...mas uma sociedade moderna não coloca o aborto como uma solução para eses casos. Isso é uma mistificação. A sociedade moderna cria condições para que essas crianças possam estudar, possaam ter uma alimentação adequada, um ambiente socioeconómico edificante. Mas mesmo esses crianças podem ser felizes, mesmo com dificuldades económicas, desde que o afecto esteja lá. Essas mesmas crianças, que você olha como se tivessem uma vida de menos valor do que a sua e portanto legitimamente evitável, têm o mesmo direito a existir do que eu, você ou qualquer outro.Não é o facto de sermos licenciados, de termos comida à farta ou um PC que nos torna mais legítimos.
Às vezes a felicidade não está só no lado do dinheiro, da abundância. Contacte com algumas crianças dos bairros de lata ou bairros degradados e perceberá que a maior parte delas não parece mais infeliz do que as demais crianças abastadas. A felicidade não está num extracto bancário. Além disso, quem disse que a vida tem de ser sempre fácil? às vezes a felicidade vem depois do caminho mais tortuoso!
Elogio-lhe a franqueza quando diz que é a favor do aborto e não usa aqueles circunlóqios mais elegantes que alguns usam para eufemizar a questão. Mas lembre-se que o aborto "à la Carte" pode transformar o nascimento de uma nova vida como um acontecimento de excepção, numa sociedade onde a regra é o fim da vida humana num caixote do lixo de uma qualquer clínica abortiva; também você, caro colega, poderia ser sobrevivente da cultura do aborto...


Para acolmatar, sugiro que consulte o código deontológico dos Enfermeiros, que deriva da sua ética profissional, e conclua se o auxílio na prática do aborto está em linha com essa mema ética.
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Offline ruienf

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #54 em: Novembro 05, 2006, 06:07:03 »
Tópico excelente...

Para mim é claro: o aborto não deve ser descriminalizado.

Aliás, penso (e não é superficialmente) que a lei actual se adequa às necessidades.

Concordo plenamente com os argumentos "pró-não" apresentados, com ênfase ao Guyton, RottenBoy e ao post de Paula Almeida (forte, cru, mas muito pertinente).

Eu perspectivo as coisas de forma simples:

Se, 1 segundo após a fecundação, retirarmos o ovo do útero (ou trompas...) da mulher e o colocarmos noutro útero de outra mulher com condições propícias ao desenvolvimento de uma gravidez, a gravidez ocorre. E (ponto fulcral), não há rejeição como nos transplantes...

Resumo: o ovo não é da mulher; está dentro da mulher.

Assim, se é suposto (e bem) que a mulher decida o que quer que seja acerca do SEU corpo, já o mesmo não se aplica aquilo que não é dela (mesmo que se desenvolva dentro de si).

E, citando Guyton:

Citar
Permitir o Aborto é não conceder o tempo necessário para que uma mulher ame o seu filho.


Concordo.

Acerca das condições sociais:
Nunca vi e estou convicto que nunca vou ver uma prova científica (por algum estudo ou algo do género) de que exista uma relação directamente proporcional entre a condição económica e a felicidade. Por alguma razão a taxa de suicídio é maior nas classes média e alta.
Rui Pedro Silva

Offline Roten_Boy

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #55 em: Novembro 15, 2006, 22:24:20 »
Citar
Três razões médicas para ser a favor da Vida e contra o aborto
.
1 – Uma mulher normal, com uma gravidez normal e com um feto , em desenvolvimento, normal, não é uma pessoa doente. Por isso, ao Médico apenas cabe uma intervenção de vigilância que, em muitos países, é feita por Enfermeiras especializadas e o Médico só é chamado a intervir quando há risco de doença e a gravidez passa a ser classificada como gravidez de risco.
Portanto, destruir um feto em desenvolvimento, não é um acto médico, porque a gravidez não é uma doença. Nenhum Médico o pode praticar em circunstância nenhuma.

2 – E se a mulher grávida pedir o abortamento ao Médico, invocando motivos sociais ou económicos e declarando que não pode suportar mais o estado de gravidez e que quer que o seu filho seja retirado do útero e morto?

O Médico terá de lhe responder que não pode dar satisfação ao seu pedido porque a função que lhe cabe desempenhar como Médico e a sua competência específica só podem estar ao serviço do diagnóstico e tratamento de doentes. Se a causa do pedido de abortamento não é uma doença mas uma carência financeira ou um abandono e marginalização social é às estruturas de protecção e segurança social e familiar, públicas ou privadas, que compete eliminaras causas do pedido de abortamento. Se o Médico acolhesse o pedido e praticasse o crime do abortamento, ofendendo as disposições do seu Código de Deontologia, não iria resolver nada; os ditos motivos sociais e/ou económicos ficariam na mesma ou piores do que estavam antes do abortamento. Este teria sido um crime inútil e deixava a porta aberta para novo pedido de abortamento algum tempo depois. Os poucos estudos que há sobre abortamento clandestino, mas registado, mostram que estes motivos sócio-económicos, que os defensores do abortamento à vontade da mulher grávida sempre invocam como a grande causa para o abortamento, são mencionados em cerca de 3 % dos casos.


3 – O Médico não pode praticar o abortamento não só por estas duas razões mas, ainda, por outras de natureza médica.
O Médico sabe que esta intervenção abortiva sobre o corpo da mulher grávida, além de provocar, obviamente, a morte do feto, tem riscos importantes para a mãe, tanto no acto de fazer o abortamento como no futuro, no que se refere à sua saúde geral e à sua saúde sexual. Mesmo o chamado “abortamento seguro” pode complicar-se com infecção uterina e das trompas, com septicemia, com esterilidade pós-abortamento, com depressão moderada ou grave; em casos raros até com suicídio da mãe que se fez abortar. Relativamente à maior incidência de cancro da Mama nas mulheres que fizeram um ou mais abortamentos há grande polémica sobre os resultados publicados, mas os mais fiáveis indicam que tal maior risco é uma realidade com valor estatístico.

Cabe ao médico, contudo, acolher as mulheres que se fizeram abortar, sem qualquer discriminação, tratar as alterações patológicas de que sofram, físicas e/ou psicológicas, e promover a informação necessária para que aquela pessoa não volte a encontrar-se na situação que a levou a fazer-se abortar.



in http://www.agencia.ecclesia.pt/pub/47/n ... iaid=39178

Offline Dulce

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #56 em: Novembro 16, 2006, 17:43:16 »
Olá a todos!! Tenho lido com muita atenção todo o tópico e já se abordou o tema por vários pontos de vista. No entanto, a divergência de opinião surge apartir do momento em que se questiona: "Quando começa a vida humana?", "Quando é que a vida humana se torna moral e legalmente importante?", "Quando o ser humano se torna pessoa?"
De facto verificam-se três posições:  

* Atribuir o estatuto de pessoa a toda a vida humana desde o momento da fecundação;
* Considerar que o embrião “é uma parte do corpo da mãe”, o embrião é “ um produto biológico dos pais” ou, ainda, o embrião é apenas “vida humana” e não “ vida humanizada”, porque não é capaz de estabelecer relações com os outros, não é capaz de racionalizar, de sentir prazer ou sofrimento;
* O embrião seja respeitado e tratado desde o momento da fertilização como “pessoa humana potencial”.

Assim, não existe uma única solução para o problema do estatuto ontológico do embrião. Existem antes, diferentes formas de entender o problema. Soluções que variam em função da própria mundivivência de cada um de nós, do que significa para nós uma “pessoa”, quais os requisitos que achamos indispensáveis para estarmos perante uma “pessoa” (racionalidade, autonomia…) fazem desta problemática um equívoco.

Relativamente ao aborto, propriamente dito, há três tipos:

* Aborto terapêutico: o aborto destina-se a remover o perigo para a vida ou lesão para o corpo ou saúde física/psíquica da mulher grávida;
* Aborto eugénico: quando se prevê que o feto virá a sofrer de doença incurável ou de uma malformação;
* Aborto honoris causa (ético-criminológico): quando a gravidez resulta de um crime contra a liberdade e autodeterminação sexual, isto é, crime de violação.

Após esta análise é possível verificar que a lei em vigor no nosso pais é uma das mais completas, pois tem em atenção todos estes factores. É certo que considera que a vida humana embrionária é um bem constitucionalmente relevante mas não goza da tutela atribuída à vida humana já nascida. É um bem civilmente relevante, mas não goza de personalidade jurídica, pelo que não configura uma pessoa em sentido jurídico.
De facto, o que a lei não tem em conta são as Teoria pró-choice, onde o aborto deve resultar de uma livre escolha da mulher. O feto, na gravidez, não é mais do que uma emanação do corpo da própria mulher e como ela tem direito ao próprio corpo, terá direito de decidir se quer ou não estar grávida, sendo a sua vontade irrestrita desde o início até ao final da gravidez. Esta teoria compete então à mulher a opção de fazer ou não o aborto, ponderando os seus riscos e benefícios.
Na minha opinião não concordo com esta teoria, pois um feto não é apenas uma "emanação do corpo da própria mulher", mas sim algo concebido por dois seres humanos de sexo oposto, isto é, ambos têm igual papel e importância no momento da fecundação, tendo apenas a mulher o papel acrescido do embrião implantar-se na sua mucosa uterina, desencadeando o processo natural de gravidez. Assim, considero que o progenitor masculino também tem uma opinião na decisão do aborto, pois não é só a mulher a decidir...É certo que é ela é que o vai carregar no ventre durante todo o tempo de gestação e é ela que vai parir, mas também o pai faz parte de todo esse processo e como tal não lhe podemos descurar uma opinião.

Como alguns aqui já têm falado, mulheres com dificuldades económicas e com menos acesso à informação recorrem a métodos abortivos de risco. Como forma de colmatar isto, consideram a despenalização do aborto a melhor opção. No entanto, é preciso ter em conta que o direito ao Planeamento Familiar está garantido na Constituição Portuguesa, na lei 3/84 e reforçado pela lei 120/99.
Então se o Planeamento Familiar é um direito de todos nós e um dever do Estado, porquê se continuam a verificar gravidezes indesejadas??

 * Será que a lei não é aplicada de forma igual para todos?
 * Será que nem todos temos consciência dos nossos direitos, será que fazemos questão de os ignorar, ou será que o conceito “família”, que a lei e o Estado, tanto desejam preservar, já não existe, e por isso já nada faz sentido?
 * Será que o Estado tem feito o seu papel no que diz respeito à divulgação da informação e de conhecimentos?
 * Não seria em função do cumprimento da lei proporcionar educação sexual nas escolas?
 * E será que o mais importante é dar a informação ou ensinar a usá-la da forma mais correcta?

Todas estas questões se levantam, mas também a questão de, caso haja a liberalização/despenalização do aborto, este se tornar mais um método contraceptivo. De facto, tem-se verificado que a pílula do dia seguinte está cada vez mais a ser utilizada, sendo tudo menos contracepção de emergência, ou seja,  não há a ideia de prevenir mas remedir!!!

Relativamnete à realização do referendo no nosso país, os números referentes à abstenção não mostram que a população não se sente devidamente esclarecida ao ponto de decidir em prol ou contra o aborto? Porquê pedir para decidirem quando primeiro precisam ser informados, esclarecidos sob o ponto de vista médico (mostrando inclusive como se realiza um aborto), filosófico, psicológico e religioso. Precisam de ter conhecimento dos vários pontos de vista e só depois, com tudo na mesa, pensarem, ponderarem e decidirem com consciência. Na minha opinião o que se está a fazer é pôr o carro à frente dos bois!!

Assim, despeço-me com algumas questões que devemos ter em conta e reflectir:

* O aborto deve ser considerado um método de planeamento familiar?
* Deve o aborto ser considerado uma hipótese de último recurso em caso de os métodos contraceptivos falharem?
* Será que depois de um planeamento familiar consciente, em caso de acidente, o casal ou a mulher, não têm uma segunda hipótese?
* Será legítimo a sociedade e a lei imporem um filho a quem não o quer ter?
* Será consciente, depois de termos todo o acesso à informação, continuarmos a pensar que uma gravidez é um problema facilmente resolúvel com um aborto?
* Será o aborto para todos os casos, para alguns ou para nenhum?

Offline mariamariamaria

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2º Referendo sobre a despenalização do aborto
« Responder #57 em: Novembro 22, 2006, 21:44:38 »
É engraçado verificar que as razões dominantes neste tópico são de natureza ética teórica, que eu defendo com unhas e dentes, pois são a base de uma sociedade que criou o Código de Nuremberga, o Código dos Direitos Humanos, e outros que eu respeito, pois colocam o ser humano como centro da sua auto-determinação.

Sou enfermeira, tenho 43 anos e já abortei, contra a lei.

Condenem-me. A pílula falhou, por interfefência com anti-inflamatórios, tinha um casamento acabado, o meu ex- marido deixou-me com dívidas. Já tinha um filho, via-me sózinha com ele e sem dinheiro.

Se tenho pena, tenho; se me arrependo? Não.
Só posso agradecer a quem me ajudou a tornar possível a minha vida com o meu filho.