Autor Tópico: Discussão Dezembro 2009: Unidades Curriculares Isoladas  (Lida 2592 vezes)

Offline pedrojosesilva

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Discussão Dezembro 2009: Unidades Curriculares Isoladas
« em: Dezembro 17, 2009, 09:17:35 »
O blog Cogitare em saúde publicou hoje um artigo de opinião do Enf. Nuno Pinto.

Este artigo é o mote para a nossa Discussão do Mês. A partir deste mêso Forumenfermagem irá todos os meses propor um tema para debate.

Fica parte do artigo:
[align=center:vmwn80g0]Especialidades à la Carte - Opinião
“A natureza das coisas é uma questão de conveniência”

[/align:vmwn80g0]
 
Com a publicação do artigo 46º-A do Decreto-Lei n.º 74/2006 alterado pelo Decreto-Lei n.º 107/2008, de 25 de Junho abrem-se as portas das instituições do ensino superior à frequência de unidades curriculares isoladas. Segundo o artigo 46.º -A, referente à inscrição em unidades curriculares:

1.Os estabelecimentos de ensino facultam a inscrição nas unidades curriculares que ministram.

 2. A inscrição pode ser feita quer por alunos inscritos num curso de ensino superior quer por outros interessados.
3. A inscrição pode ser feita em regime sujeito a avaliação ou não.
4. As unidades curriculares em que o estudante se inscreva em regime sujeito a avaliação e em que obtenha aprovação:
* a) São objecto de certificação;
* b) São obrigatoriamente creditadas, nos termos do artigo 45º, caso o seu titular tenha ou venha a adquirir o estatuto de aluno de um ciclo de estudos de ensino superior;
* c) São incluídas em suplemento ao diploma que venha a ser emitido.
5. Pela inscrição nos termos deste artigo são devidos os montantes que forem fixados, de forma proporcionada, pelo órgão legal e estatutariamente competente do estabelecimento de ensino superior.

As especialidades em Enfermagem, assim desmanteladas, são vendidas à peça ou se preferirmos, a retalho. Cada um pode adquirir fracções de especialidades que mais se adequam aos seus intentos construir assim a sua própria especialidade, modularmente, à medida dos seus desejos…nem a IKEA seria capaz de melhor.

Ora, neste “comércio” retalhista á qual as especialidades foram entregues quase tudo ser permite, desde que a imaginação o alcance. Apesar de assumidamente não certificar “não-enfermeiros” para práticas da Enfermagem, a tentação para tal foi inocentemente semeada…, e não há maior apetite por actos vedados ou proibidos do que aquele que o conhecimento desperta. Por outro lado, a Enfermagem não frui ainda de uma definição clara da sua área de actuação, sendo que a leccionação de conteúdos de Enfermagem a não Enfermeiros, por instituições de ensino oficiais poderá legitimar no futuro reivindicações de outros grupos profissionais que tentem englobar áreas atribuídas à Enfermagem na sua carteira de competências.

Ler restante artigo

Offline pedrojosesilva

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Re: Discussão Dezembro 2009: Unidades Curriculares Isoladas
« Responder #1 em: Dezembro 22, 2009, 17:29:30 »
Nenhum comentário, será que o tema não interessa a ninguém?

O Blog Doutorenfermeiro publicou hoje (22 de Dezembro) um post sobre o assunto:

[align=center:3qggt9gk][/align:3qggt9gk]

Há muitos casos pelo país fora, mais este captou a minha atenção por se tratar de um suposto defensor da Enfermagem e respectiva formação.
É possível um Professor de Enfermagem, Presidente do Conselho Directivo de uma das maiores escolas do país, extirpar, desmembrar e desossar a licenciatura em Enfermagem, para depois vendê-la a retalho para quem quiser comprar (inclusive por outros, detentores ou não de cursos superiores - bombeiros, doulas, habilidosos, bruxos, TAE's, gerontologistas, farmacêuticos, etc... ) por uns míseros cobres?
.
Sim, é possível. Basta perguntar ao Prof. Paulo Parente Gonçalves (ESEP) como se faz! Fico confuso em relação ao que se denomina de... usurpação de funções/competências (oferecida numa bandeja de prata)! Isto é uma espécie de canibalismo formativo...
.
A Ordem dos Enfermeiros já tem conhecimento, aguarda-se posição oficial!

Offline persepolis

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Re: Discussão Dezembro 2009: Unidades Curriculares Isoladas
« Responder #2 em: Dezembro 24, 2009, 19:01:01 »
para que se tenha alguma mão nisto tem de existir uma avaliaçao prévia dos motivos de candidatura...
nao imagino um bombeiro agora especializar se em feridas e ir ganhar uns trocos à custa de uma formação fácil.
Nem nas instituições de ensino poderemos confiar?
quem é que aprovou esta barbaridade?
tem de se definir urgentemente competências.. porque se eu me quiser ir inscrever num curso de via aérea p ex (um exemplo aleatório) de certeza que não vou poder entubar porque isso está descrito como sendo competência médica e ninguém muda isso...
fiz-me entender?
"We know that while living we are more or less exposed to envy ...
but after our death our enemies no longer hate us "
Demóstenes

Offline A Seabra

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Re: Discussão Dezembro 2009: Unidades Curriculares Isoladas
« Responder #3 em: Janeiro 09, 2010, 16:06:02 »
Gostaria de deixar à vossa consideração as seguintes questões:

- Porque é que os enfermeiros podem fazer cursos nas outras áreas (os exemplos seriam infinitos... ) e os outros não podem fazer em enfermagem?

- Por estudar farmacologia os enfermeiros passam a prescrever? por fazer doutoramento em psicologia da saúde (há vários), os enfermeiros passam a poder fazer consultas de psicologia?

- Porque é que a legislação nacional e europeia, referente ao ensino superior não se poderá aplicar a enfermagem?

- Será a enfermagem deve voltar a ser um curso profissional, como era até 88, ou entrar na universidade de uma vez por todas?

- De que é que temos medo?