Autor Tópico: Os enfermeiros e as passas do desemprego!  (Lida 14989 vezes)

Offline Miguellopes

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« em: Janeiro 19, 2006, 12:38:33 »
Um texto retirado do site da Ordem dos Enfermeiros. secção regional do Centro, assinado pelo seu presidente, Enf. Amílcar Carvalho (ex- enfermeiro director dos HUC), publicado num jornal regional, onde refer que a taxa de desemprego naquela região entre os recém licenciado ronda os 20% (outros dados referem que no norte já ronda os 45%)... Depois não digam que ninguém avisou... o mais grave é que continuam a proclamar falta de enfermeiros quando nem para os desempregados há emprego!!! Boa leitura... pode ser que desta nos juntemos para pôr termo a este flagelo que JÁ atingiu a classe!!

 
Citar
"Os Enfermeiros e as passas do emprego!... 12-01-06
 
 
 Há 3 meses escrevemos umas notas que decidimos não propor para publicação. Abordávamos na altura o que chamamos do síndrome da contenção financeira do 2º semestre. Justificação que procurávamos encontrar para o "congelamento"da não admissão de enfermeiros nas instituições de saúde.
. Justificação que procurávamos encontrar para o "congelamento"da não admissão de enfermeiros nas instituições de saúde.
Tinham concluído a licenciatura centenas de enfermeiros, só no distrito de Coimbra cerca de 3 centenas, e aos utilizadores dos Centros de Saúde, dos Hospitais e de outros serviços eram prestados cuidados abaixo dos suas necessidades! Pensávamos que as alterações nas Administrações de algumas instituições, não deveriam impedir o desenvolvimento dos planos de admissão de enfermeiros, porque os doentes continuavam a necessitar continuamente de cuidados.
 
 
Perguntávamos à altura:
-De quem será a responsabilidade de dezenas de enfermeiros estarem no desemprego?
-Quem será responsável pelo deficit de resposta em cuidados de enfermagem, nas unidades de saúde e nos domicílios de cada cidadão?
-Faltando centenas de enfermeiros nos serviços de saúde, inclusive nos domicílios, quanto está a custar ao serviço público e à saúde dos portugueses, a não admissão de enfermeiros?
Salientávamos:
Que a rotatividade permanente de enfermeiros, com saídas e entradas em novas instituições e a instabilidade no emprego a que estes são submetidos, está a ter implicações na qualidade dos cuidados de enfermagem e de saúde e terá um reflexo negativo na saúde de cada um de nós e na economia das instituições.
 
E concluíamos:
Alguns dos gestores da saúde conformados com o determinismo dos ciclos políticos, desenhados em regra para o imediatismo, sem visão estruturante e estratégica, têm assumido uma exigência cega na redução de custos, em especial, em vésperas de orçamento, sem ponderarem adequadamente a qualidade e a equidade no acesso aos cuidados e serviços.
 
O que chamávamos o síndrome da contenção do 2º semestre, e que associamos a falta de financiamento projectivo, de contratualização e as quebras da governação, decorre do quadro financeiro das instituições de saúde, que em regra, no final do 1º trimestre, em cada ano, já não têm cabimento orçamental para os seus encargos.
falta de financiamento projectivo, de contratualização e as quebras da governação, decorre do quadro financeiro das instituições de saúde, que em regra, no final do 1º trimestre, em cada ano, já não têm cabimento orçamental para os seus encargos.
 
Em muitos dos serviços de saúde, verifica-se não ser possível reduzir custos de pessoal em enfermeiros. Mas, mesmo assim a redução sem explicação aceitável é a pratica!
 
Então, concluíamos, a consequência, é imperar o aumento de débitos em tempo aos enfermeiros, dada a decisão de não se aplicarem os regimes de trabalho, em vigor, caso da prática de regime de horário acrescido, de não se efectuar a autorização das horas extraordinárias necessárias, de não se admitirem os enfermeiros necessários, que até existem e estão no desemprego!.
 
Porque os dados das carências de enfermeiros são públicos, assumidos pela governação a nível central e regional, os tempos de espera para atendimento nos hospitais e nos domicílios conhecidos e elevados, a não iniciativa de colocação dos enfermeiros e outros profissionais, deve levar os cidadãos e os enfermeiros, a agirem na defesa do direito à saúde e pelo direito ao emprego.
 
Também é público e assumido por governantes da saúde, que o trabalho precário é pernicioso e desadequado nos enfermeiros e na saúde. Mas os rebates de consciência ou estados de lucidez, destes governantes, só surgem quando a plateia é ampla e é preciso impressionar. As medidas positivas tardam em comparação com as medidas de encarniçamento da carga laboral e do tempo de exercício profissional.
 
Pensávamos ser legítimo concluir que poderíamos estar em presença de um acto deliberado das administrações das instituições, em conivência com a governação, de destabilização e destruição do serviço público de saúde.
Mas, quisemos dar mais um crédito a muitos dos responsáveis dos serviços de saúde que assumiram não admitir os enfermeiros necessários, na esperança de que no curto prazo a situação se altera-se.
 
 
Seis meses volvidos sobre a existência de centenas de enfermeiros disponíveis para ingressarem no mercado de trabalho e sem emprego, a resposta das instituições é no máximo, entrevista ou concurso de reserva de recrutamento. Ou seja, a afirmação de que não têm necessidades imediatas de enfermeiros!
 
Aproveitando a quadra natalícia a Ordem dos Enfermeiros – Secção Regional Centro, contactou os 509 enfermeiros inscritos na região nos últimos 6 meses e perguntou-lhe se estavam a trabalhar.
Confirmou-se a nossa suspeita!
Valorizando uma amostra significativa entre as respostas recebidas até ao passado dia 30, conclui-se que 19% dos enfermeiros recém formados e inscritos na secção estão desempregados!
Provavelmente, uma das suas passas de fim de ano deve ter sido para o emprego, se é que valorizaram este ritual. A disponibilidade para exercerem em qualquer localidade ou área de trabalho são claramente evidenciadas, pelo que não são razões de selectividade por um local de trabalho que justificam a não colocação. Muitos gostariam mesmo de ir para os Cuidados de Saúde Primários onde o deficit é dramático!
 
Por outro lado, os que estão empregados, face à sua relação contratual, deixam-nos sentimentos, sugestões e interrogações que endereçamos aos responsáveis políticos locais e nacionais, que passamos a reproduzir:
"Contratos de 3+3 meses não permitem nem continuidade de cuidados nem motivação do prestador"; "Deveriam ser renovados os contratos …sempre que o serviço tem falta de enfermagem, por vezes nos saímos para admitir outro colega a contrato"; "Poucas ofertas de trabalho. Este tipo de contrato não nos permite segurança"; "Com estes contratos não podemos traçar objectivos de longo prazo e vive-se numa constante insegurança por não saber o que nos espera num futuro próximo".
Entre os que não estão a trabalhar são muitas as expressões que revelam sentimentos de indignação e não compreensão das razões de estarem no desemprego. Um deles diz-nos: "É frustrante mantermo-nos dependentes dos pais e não podermos apoiar as pessoas com o nosso trabalho quando sabemos que fazemos falta nas instituições e famílias".
Um deles diz-nos: "É frustrante mantermo-nos dependentes dos pais e não podermos apoiar as pessoas com o nosso trabalho quando sabemos que fazemos falta nas instituições e famílias".
 
O agravamento da situação dos serviços de saúde por deficit de pessoal é um dado que vale a pena reter. Não sendo único, condiciona a disponibilidade para os enfermeiros e outros profissionais terem um desempenho reflexivo, pensarem os processos de inovação, assumirem disponibilidade para a mudança, que podem estar entre os objectivos do Ministro da Saúde.
 
Existem taxas de utilização de enfermeiros na região centro e no país, em média superiores a 140%, oficialmente reconhecidas. Quer dizer que os enfermeiros estão a trabalhar acima das suas normais condições e da sua capacidade total, pelo menos, em 40%, sem prejuízo da existência de deficit de resposta aos cidadãos em cuidados de enfermagem. No mínimo, faltam 4000 enfermeiros na região centro.
 
Agindo como se este facto não existi-se ou não fosse suficiente, o governo e o ministro da saúde, fazem tábua rasa do claro entendimento social, profissional e científico de que os enfermeiros exercem uma profissão de risco, e assumem perturbar a estabilidade social, impondo propostas injustas e não oportunas de aumento do tempo para a reforma.
 
A pratica do acto consumado, da não resolução ou a escusa ao diálogo são repudiadas pela Ordem dos Enfermeiros sejam da responsabilidade de instituições de saúde, da administração regional ou central.
 
A Ordem dos Enfermeiros pretendendo contribuir para a solução dos problemas da saúde vai em 2006 continuar a reclamar uma politica de emprego e de desenvolvimento profissional dos enfermeiros.
 
O direito de acesso aos cuidados de enfermagem, as condições para o exercício e os meios para alocar os recursos necessários são ainda premissas que não podem deixar de ser valorizadas com eficácia, assertividade, em tempo útil.
 
A saúde de muitas pessoas está a ser prejudicada pela negligência politica de não aproveitamento da mão obra qualificada e disponível para prestar cuidados de enfermagem.
 
Bloquear a contratação dos enfermeiros necessários, agravar as condições de trabalho nos serviços de saúde, são opções de risco, que põem em risco a saúde dos portugueses!"
 
Presidente do CDR Centro da Ordem dos Enfermeiros
 
 
Amílcar de Carvalho
amílcar@ordemenfermeiros .pt
 
Artigo publicado no Jornal Campeão das Províncias de 5 de Janeiro de 2006
"

Nunca pensei ver a nossa classe neste estado....

Offline pedrojosesilva

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #1 em: Janeiro 19, 2006, 13:01:01 »
@Miguel

Há Falta de Enfermeiros, o Estado é que tem cortado a entrada de novos Enfermeiros, por isso o aumento do desemprego.

Proponho, uma vez que a Ordem dos Enfermeiros proclama uma politica de emprego, que arranje maneira de apoiar a iniciativa privada dos Enfermeiros no desemprego, com a acesso a linhas de credito bonificadas (só para enfermeiros no desemprego), de forma a criar o seu próprio posto de trabalho, em serviços de enfermagem ao domicilio e abertura de clínicas de Enfermagem.

O fundo financeiro seria suportado em parte pelas quotas dos membros (45000x90 euros anuais é muito dinheiro), e noutra parte por creditos directamente com os bancos com quem a Ordem tem parcerias, logo com uma taxa de juro inferior á práticada no mercado.

Uma forma de combater o desprestigio que o governo condena a nossa classe, é a criação por parte de cada enfermeiro ou grupo de enfermeiros do seu próprio emprego. Vamos ser autonómos, vamos ser os nossos próprios patrões, vamos deixar de dar a ganhar aos grandes grupos económicos a quem esta politica de delapidação do sector publico da saúde parece querer beneficiar.
Podemos unirmo-nos como classe ou continuar a olhar para o nosso próprio umbigo e ignorar os sinais de um futuro ameaçador.
Até podemos pensar em fazer um abaixo assinado e enviar para a Ordem dos Enfermeiros.

Começa por mim:

1 - Pedro José Oliveira da Silva membro nº 4-E-32963

Offline Miguellopes

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #2 em: Janeiro 19, 2006, 13:08:28 »
Aqui o fórum é uma boa forma de todos iniciarmos um abaixo-assinado, para ser posteriormente enviado à ordem para demonstrar o nosso descontentamento!!

As clínicas ou centros de enfermagem privados não são solução. O mercado está saturado. O facto é que as lacunas existem nas instutições eram "tapadas" só com os enfermeiros que já existem no desemprego... não é necessário ainda mais!

Offline Miguellopes

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #3 em: Janeiro 19, 2006, 13:12:00 »
Mas, repara, isto não é evidente só para mim, é para quem quer ver a realidade...

"...com o actual ritmo de formação de enfermeiros, por exemplo, caminha-se para o desemprego..."

Notícia no seguinte link: www.portugaldiario.iol.pt/ noticias/noticia.php?id=172947

Offline Miguellopes

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #4 em: Janeiro 19, 2006, 13:14:45 »
Mais alguém que vê a realidade:

   
    Mais uma vez a classe dos enfermeiros está a passar por dificuldades. São muitos os recém-licenciados que se encontram no desemprego quando, curiosamente, é sabido que existe, nas diversas unidades de saúde espalhadas pela Região, uma enorme carência de enfermeiros. Toda esta situação foi despoletada recentemente quando alguns deles, acabados de formar, vieram a público denunciar que a maioria das 157 vagas prometidas e abertas pelo Governo Regional, ao longo do ano de 2005, foram ocupadas por profissionais que já se encontravam a desempenhar funções. Para tentar perceber a real situação destas pessoas, a reportagem do EXPRESSO DAS NOVE falou com o representante, na Região, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). Francisco Branco explicou que "toda esta situação deriva da adaptação, aos Açores, do Contrato Administrativo de Provimento (CAP), que mais não é do que uma etapa entre o desemprego e o quadro, para um enfermeiro". O porta-voz do SEP refere que "aquando desta adaptação, o CAP ficou limitado à durabilidade de três anos, ou seja, o contrato é celebrado por um ano e renovável por mais dois. Assim, os enfermeiros que não conseguirem entrar para o quadro, durante estes três anos, ficam literalmente desempregados." No entanto, até há pouco tempo, esta lei nunca criou qualquer tipo de limitação, porque os três anos eram mais do que suficientes para efectivar um enfermeiro numa determinada unidade, coisa que, de há dois anos a esta parte, deixou de acontecer. Assim, explica Francisco Branco, o problema que agora se verifica começou a adensar-se porque "devido à perspectiva de caírem no desemprego - ou verem-se relegados para uma posição pior do que o CAP (o programa assegura todas as regalias do quadro) - os enfermeiros que se encontram em CAP, mas que se sentem ameaçados, voltam a concorrer novamente em CAP para as unidades onde já estão colocados". Ora, realça Francisco Branco, "como um dos principais critérios para a colocação em CAP é a experiência profissional, os enfermeiros que já a têm, em virtude do programa anterior, estão sempre em situação privilegiada perante os seus colegas que acabaram de terminar o curso". Assim, todo este mecanismo faz com que as vagas, supostamente abertas para a colocação de novos enfermeiros, sejam ocupadas por pessoas que já estavam em CAP. Confrontado com a questão de como é possível, perante a falta de enfermeiros, que esta fórmula de entrada esteja em vigor, Francisco Branco adianta que "isto acontece porque, de uma forma genérica, está instituído que existem funcionários públicos a mais. Por isso, tenta-se a toda a força bloquear a entrada de novas pessoas. No entanto, como é facilmente comprovável, há excepções à regra e a enfermagem é uma das classes onde existe carência." Por fim, o representante do SEP diz mesmo que "a grande contradição é que o sistema em vigor, em termos económicos, não permite a redução de despesas. Isto porque quer com os enfermeiros que já existem, quer com a entrada de outros, os cuidados terão de ser sempre assegurados. O actual quadro obriga à realização de horas extraordinárias, o que acontece com enorme frequência nas unidades de saúde dos Açores."
Admissão directa para os quadros
A delegação açoriana do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses afirma, taxativamente, que é necessário alterar a situação a que alguns enfermeiros se viram sujeitos. Tanto mais, acrescenta Francisco Branco, "quando é uma realidade que existe necessidade de mais enfermeiros para as unidades de saúde da Região". Assim, o representante do SEP adianta que "na próxima semana, mais precisamente no dia 12, temos uma audiência com a adjunta do secretário Regional dos Assuntos Sociais, altura em que irá ser abordada a questão da alteração da fórmula de colocação e a extinção da actual, que só causa desgaste a todos os profissionais". Francisco Branco defende que "a nova forma deveria passar pela entrada directa nos quadros das unidades - respeitando a lei - já que ainda têm vagas por preencher, não havendo razões para que os enfermeiros passem pelo período de três anos em regime de CAP". A nossa reportagem tentou obter informações sobre este caso junto da directora Regional da Saúde, Maria Antónia Dutra, mas até ao fecho da mesma tal não foi possível.

 

Os enfermeiros que já existem no desemprego já cobrem as necessidades!!!

in http://www.expressodasnove.com/noticia.php?id=587

Offline pedrojosesilva

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #5 em: Janeiro 19, 2006, 13:41:38 »
@Miguel

Peço desculpa porque fiz algumas alterações no meu post ao mesmo tu que respondias.

A questão do abaixo assinado no meu entender é para levar a serio.

Acho que devemos defender os nossos colegas em dificuldades. Concordo quando referiste a questão:

Citar
Os enfermeiros que já existem no desemprego já cobrem as necessidades!!!


 A mim também me parece, até porque nos próximos anos vai abrandar o ritmo de enfermeiros a passar para a reforma, em virtude do aumento da idade de aposentação.

Logo, o abaixo assinado que eu proponho enviar à Ordem dos Enfermeiros, incide em dois pontos:

- sugerir o apoio à criação de um fundo financeiro para o desenvolvimento da actividade de Enfermagem em áreas de grande autonomia profissional, como seja a Enfermagem Comunitária (temos que ver que a Ordem não sendo nenhum banco tem o dever de apoiar o desenvolvimento e estabilidade profissional em áreas estrategicas da prestação de cuidados).

- Mostrar a nossa preocupação com o aumento descontrolado das vagas de formação inicial de Enfermeiros tanto nas instituições de Ensino Superior Publicas como Privadas sem existir um estudo profundo das necessidades do país. Logo até que tal estudo exista sugiro a diminuição das vagas nacionais para a Enfermagem para valores anteriores ao aparecimento da Licenciatura em Enfermagem, o seja em 2000. Temos ainda o problemas das instituições que surgiram com Licenciaturas em Enfermagem após 2000, para essas seria obrigatório uma redução até 50% no número das vagas.


Este segundo ponto do abaixo deverá ser enviado em separado para a tutela, ou seja quem dá o aval para o aumento de vagas e a abertura de cursos, o Ministerio da Ciência e Ensino Superior.

Proponho-me a fazer chegar junto da Sra. Bastonária e do Ministro o abaixo assinado.

Espero a opinião dos membros do Forumenfermagem, além de sugestões de como operacionalizar a recolha das assinaturas.

Offline Roten_Boy

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #6 em: Outubro 12, 2006, 19:33:50 »
E eu por cá continua, na amargura do desemprego desde 4 de Julho, sempre de mochila às costas, telefone numa mão e currículo noutra, à procura de uma lugar para trabalhar e não um lugar em que fique com o currículo entalado entre centenas de outros nos arrumos do sótão de uma instituição de saúde.

Já ouvi sindicatos a dizerem: "Então que estão a fazer em casa?Venham falar connosco,mostrem-se,juntem-se a nós".

Se há alguém que tem o desígnio fundamental de defender a classe laboral de Enfermagem e mobilizar os profissionais em movimentos de luta pelos direitos, são os Sindicatos certo? Está claro que é do interesse de todos e deve partir de cada um, mas temos representantes ne?

> Pagar ao quotas do sindicato...? Já me chega ser obrigado a pagar as quotas da OE e sem estar a trabalhar.
> Participar em vigílias, marchas nacionais e outros movimentos? Força, marquem e divulguem, lá estaremos!!!

Têm número total de profissionais desempregados? Ou esperam tê-los através do centro de emprego?  :bag  Ou têm só números de desempregados que estão sindicalizados?

Se estou enganado, por favor esclareçam-me.

Que tal um confronto da falta de enfermeiros que a OE fala com os dados de enfermeiros actualmente no desemprego?

Que tal uma petição para confronto na assembleia da república?


 :?

Offline joanaoliveirasilva

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #7 em: Outubro 13, 2006, 19:03:52 »
tb eu ando por aqui desesperada à procura de trabalho... envio curriculos e mais curriculos e recebo em troca cartas no correio dos diversos hospitais a dizerem k nao estao carenciados na área para a qual me candidato. Então não há falta de enfermeiros?!! por quanto mais tempo terei que implorar um trabalho? ou será que me resta ir trabalhar a dobrar roupa num centro comercial?... eu sou recém-licenciada, a dar os 1ºs passos numa profissão de há tantos anos ambicionada mas sinceramente... começo a ficar desiludida... o tempo passa e eu aqui a ver quando abre mais outra bolsa de candidatos (porque os concursos que vêm em diário da república exigem a vinculação à função pública e eu, obviamente que nao a tenho e fico automaticamente excluída). apelo k juntos, façamos alguma coisa para reverter esta miserável situação, que eu e tantos outros colegas como eu vivem, esperando e desesperando por trabalhar... Pensem nisto...

Offline HAraujo

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Enfermeiros no desemprego
« Responder #8 em: Outubro 13, 2006, 20:38:57 »
Não podemos perder a ilusão de ajudar os outros, que fomos adquirindo ao longo da nossa formação como enfermeiros. Temos que demonstrar ao governo, o quanto importante nós somos nas instituições de saúde, nos lares de idosos, nos serviços de apoio ao domicilio, na educação para a saúde. Vamos apostar em colocar enfermeiros a trabalhar directamente com a comunidade, em projectos de assistência e acompanhamento sistemático. São precisos Enfermeiros nas próprias escolas do 1º e 2º ciclo para ajudar na educação sexual dos nossos jovens. Vamos entrar nos projectos das unidades de cuidados continuados e nas unidades de saúde familiar. Vamos inovar e criar centros de investigação em enfermagem, debatendo-nos com o governo para a sua criação e financiamento.
VAMOS FAZER ENFERMAGEM, PELAS PESSOAS E COM AS PESSOAS.

Offline Miguellopes

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #9 em: Outubro 14, 2006, 00:36:47 »
Eu sempre avisei. Estamos a assistir a um problema sério de emprego. Este problema acarretará exploração barata de enfermeiros, precariedade, abusos de poder, humilhação profissional.... etc... e a tudo isto juntem a formação de mais 6000 enfermeiros por ano!!!

Daqui a 10 anos teremos mais novos 60 mil enfermeiros no país. Comportável? Eu diria que alguém quis "tramar" os  enfermeiros e inundou o mercado de recém-licenciados. O pouco poder de reivindação que tínhamos... acabou.
Os novos enfermeiros (aliás todos), estão ser usados, abusados e gozados.

Há hospitais onde são os próprios porteiros a recusar mais currículos!!!!  A Enfermagem bateu no fundo?

Há profissões que não deixam o mercado ser inundado de novos profissionais e neste momento estão às mil maravilhas!!


Quem tem culpa de tudo isto? Em grande parte a Ordem e o governo.
E também muitos de nós: tanto queriam enfermeiros, que agora tem enfermeiros suficientes para dar e vender!!!!

Ser enfermeiro hoje em dia é visto como algo banalíssimo e isento de dificuldades para aceder e tirar o curso!

Offline paulaazenha

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falta de trabalho
« Responder #10 em: Outubro 14, 2006, 23:15:58 »
Não entendo como pode alguém falar em falta de trabalho na área de enfermagem, quando grande parte dos serviços hospitalares têm 2 enfermeiros por turno para cuidarem de 30 doentes (ou mais), e depois vêm queixar-se da falta de qualidade dos cuidados! Como é que é possivel prestar bons cuidados nestas circunstâncias? :twisted:

Offline enfsergio

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #11 em: Outubro 15, 2006, 16:55:14 »
Não concordo Miguellopes.
As tuas descrições pessimistas da enfermagem dão-me...náuseas...pois parece que és daqueles enfermeiros que estão contentes com as actuais condições de trabalho (pois dizes que há enfermeiros suficientes nos hospitais), só criticas e criticas aqueles que pretendem lutar por algo melhor. Será que trabalhas na prestação directa de cuidados? Decerteza que não és tu e outro colega no turno da noite para 33doentes. Decerteza que não és tu e mais dois colegas no turno da tarde para 33doentes. Ainda gostava de saber quais são as tuas condições de trabalho...no teu local de trabalho...e já agora...qual é o teu serviço.

Offline Miguellopes

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Os enfermeiros e as passas do desemprego!
« Responder #12 em: Outubro 15, 2006, 22:19:23 »
Colega Sérgio,
na minha equipa não são dois enfermeiros para 33 camas. É apenas um para quase 30 camas.

E quem diz que já existem enfermeiros suficientes não sou eu, são as instituições. Claro que eu gostaria de ter mais alguns colegas na equipa.

A minha descrição do desemprego dá-te naúseas?
Fala com colegas recém-licenciados. Eles estão fartos de bater a todas as portas e todas se fecham. Ninguém está interessado em empregar mais enfermeiros. E visto que a actual política de saúde é de contenção, para quê estar a formar mais enfermeiros???

A formação deve-se cingir apenas às necessidades reais manifestadas, e não às necessidades teóricas!!!

Offline enfsergio

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Miguellopes
« Responder #13 em: Outubro 15, 2006, 22:38:50 »
Aí está a grande diferença...eu falei em 33 doentes, 2 enfermeiros para 33 doentes num turno da noite e 3 enfermeiros no turno da tarde. O colega...falou num enfermeiro para 30 camas. Lá está...nós tratamos doentes e não as camas :) as nossas camas estão sempre ocupadas. Lotação num serviço de medicina está sempre no máximo, e com doentes dependentes, quase todos totalmente dependetes. Não chegou a dizer qual o seu serviço. Se for um serviço que esteja quase sempre vazio...secalhar 1enfermeiro por turno já é muito.

Offline Nadine

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Enfermagem e as passas do desemprego.
« Responder #14 em: Outubro 16, 2006, 17:03:38 »
Oi pessoal!!
Sou recém licenciada, acabei o curso a 31 de Julho deste ano, estou à quase três meses à procura de emprego. :cry: há três meses que ligo para hospitais, tanto publicos como privados, e a resposta é sempre a mesma "já temos o quadro completo e neste momento não pretendemos contratar mais enfermeiros" e as clinicas privadas dão sempre preferência aos enfermeiros com experiência", ao que me resta dizer que se ninguém der oportunidade aos recém licenciados, estes não ganharam a experiência que necessitam e que supostamente é requerimento na maior parte das instituições. E ainda mais estranho, é o facto de a média final de curso não ser um critério para a maior parte deles. Eu, por exemplo, tenho média de 17 valores e o que me dizem é que isso não interessa para nada, então, no caso especifico dos recém licenciados, o que é que interessa???
Existe ainda o factor cunha, que hoje em dia é mandatário na maior parte das contratações, pois os hospitais dão abertura das vagas existentes e, na maior parte das vezes, as mesmas já se encontram preenchidas, é mesmo de lamentar que hoje seja necessário ter uma boa cunha para se conseguir trabalhar.
Há momentos em que penso sériamente que durante estes 4 anos, em vez de estudar e me sacrificar pelo curso, deveria ter arranjado uma boa cunha, porque é o critério de maior valor. :evil:

A verdade é que neste momento é visivel a necessidade de enfermeiros em vários serviços e hospitais, no entanto, todos se mantém renitentes à abertura de vagas e à contratação de novos enfermeiros.
É triste que ao fim de quatro anos a estudar, a lutar por um curso que supostamente nos permitiria ingressar na actividade e vida profissional, me tenha deparado com este cenário. A profissão de enfermagem bateu no fundo, e mais enfermeiros continuam a vir, e esses certamente ingressaram no desemprego  :(

Bjocas !!!!
don´t worry, be Happy!!!