Autor Tópico: Uma questão de permanências  (Lida 1725 vezes)

Offline aNdR3

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Uma questão de permanências
« em: Maio 02, 2009, 12:35:17 »
Noutro tópico fala-se sobre dormir na noite de turno (http://www.forumenfermagem.org/forum/http://forumenfermagem.org/phpbb3/viewtopic.php?t=8), eu deixo aqui uma questão que considero bastante pertinente e até suscita para além de alguma revolta, curiosidade na opinião dos restantes enfermeiros.

Como enfermeiros, trabalhamos 24h por dia, 7 dias por semana, o que inclui turnos de manhã, tarde e noite, fins de semana e feriados. Sendo nós uma classe com permanência constante necessária, assim se mostra necessária a nossa permanência constante e a necessidade de trabalhar por turnos.

Após esta introdução ao tema, vem a questão que queria colocar...sendo a classe médica também ela uma classe de sector público, com estatutos semelhantes aos nossos e com as suas funções características e de necessidade para o doente, por que razão trabalham eles apenas nos turnos de manhã e tarde? Porque não fazem noites normalmente como nós fazemos? Porque não trabalham aos fins de semana normalmente como nós fazemos? Porque não trabalham aos feriados normalmente como nós trabalhamos? Ao invés disso, nestas ocasiões existe um médico dito de urgência, o qual temos que contactar e andar a correr atrás quando é preciso, para lhe dizer que tem trabalho para fazer no internamento...mais curioso ainda o facto de este estar a prestar cuidados noutro serviço e não estar presente no local em que devia da forma que devia e muitas vezes quando contactado por telefone/móvel nem vem ver o doente e trata as coisas por telefone/móvel...se bem que aqui também nós temos a nossa cota parte de culpa mas não é o que está em discussão agora.

Com certeza a maioria de nós senão todos já se questionaram sobre isto, partilhem as vossas opiniões, pontos de vista e tudo mais que tenham ou queiram partilhar.

Cumps,
A.M.
[size=80]Quem atribui à crise os seus fracassos e penurias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a negligência para encontrar as saídas e as soluções. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há méritos. É na crise que surge o melhor de cada um, porque sem crise todo o vento é uma carícia. Falar da crise é promove-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro, acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar por superá-la.

Não pretendamos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo.
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Offline aNdR3

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Re: Uma questão de permanências
« Responder #1 em: Maio 05, 2009, 23:19:17 »
Ora bem, este tópico foi visto até este momento 107 vezes mas ninguém dedicou uns minutos a debater esta situação. Gostaria mesmo de poder ler e debater opiniões sobre o assunto, já que se não todos a maioria de nós pensou ou passou pela situação supra-citada e já se deve ter questionado ou mesmo ao ler este post o fez...no entanto, ninguém o escreve.
[size=80]Quem atribui à crise os seus fracassos e penurias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a negligência para encontrar as saídas e as soluções. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há méritos. É na crise que surge o melhor de cada um, porque sem crise todo o vento é uma carícia. Falar da crise é promove-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro, acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar por superá-la.

Não pretendamos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo.
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Offline mariamariamaria

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Re: Uma questão de permanências
« Responder #2 em: Maio 08, 2009, 23:40:49 »
Olá,

Ninguém ainda te respondeu porque é uma questão muito delicada, mas que não tem qualquer complexidade.

Os médicos trabalham as horas que para ti são de qualidade (sem nenhuma, diga-se), mas para eles é o que lhes permite pagar as casas e os carros e os colégios dos filhos.

Os médicos estão nesses horários a fazer urgência, o que significa que estão para acorrer a todas as situações que outros (enfermeiros ) não tenham capacidade (de decisão).

Com uma noite ganhas uma miséria que seria vergonhoso estampar aqui; eles ganham por urgência presencial aquilo que tu ganhas em três semanas de trabalho.

Ninguém se lembra disto nas negociações de carreira, não é?

E sabes porque é que o médico está ocupado quando precisas dele? É porque o sistema hospitalar sabe que tu consegues resolver a situação e o médico, quando estiver disponível, vai lá prescrever aquilo que tu já fizeste ou então refilar porque é que o chamaram se o doente, afinal, não está assim tão mal (graças a ti).

Engole e prepara-te para mais uma noite em claro, a ouvir gritos e campainhas, esperando que o tempo passe depressa, para receberes os -- euros que te cabem.

Abraço.

Offline bicas (",)

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Re: Uma questão de permanências
« Responder #3 em: Maio 09, 2009, 20:24:27 »
Eu deixo o seguinte comentário:

Ordem dos Médicos Vs Ordem dos Enfermeiros
Classe dos Médicos Vs Classe dos enfermeiros

Para bom entendedor meia palavra basta.
Se os médicos tem algum "problema" tapam os "problemas" uns dos outros...a União faz a força.
Quanto á nossa ordem...NÃO VOU COMENTAR!É preciso???

Cumprimentos pessoal
 ;)

Offline Pedro Godinho Ferreira

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Re: Uma questão de permanências
« Responder #4 em: Maio 11, 2009, 15:22:47 »
Compreendo a situação exposta, mas será necessário na maioria das vezes a presença de um médico em cada serviço 24 sobre 24 horas?! Além do tal médico que fica de urgência presencial, a presença de um num qualquer serviço não seria para ele uma óptima maneira de ganhar mais umas centenas de euros enquanto está sentado ou deitado durante a maior parte do tempo sem fazer nada!

Existem situações que necessitam da actuação da parte médica, é certo, mas durante muito tempo este estaria simplesmente deitadinho a ganhar o seu.
Peter Sykepleier din tjeneste

Offline mariamariamaria

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Re: Uma questão de permanências
« Responder #5 em: Maio 11, 2009, 20:53:59 »
Olá,

Normalmente, não há médico em presença 24 h por dia para todas as especialidades; na maioria dos casos, sem falar de urgências abertas, há um de especialidades médicas, outros de cirúrgicas e anestesiologista, assim, "grosso modo".

E esses ganham o tempo que dormem nos hospitais como se de urgência efectiva de tratasse... E não é pouco.

Mas tens a questão das responsabilidades. Tu não estás habilitado e nem tens conhecimentos suficientes para fazeres um diagnóstico, em muitos dos casos que te aparecem, não é essa a finalidade do nosso exercício; não é esse o nosso treino profissional. Por isso, obviamente que tem de haver alguém que esteja treinado em diagnósticos, depois disso, o resto é com a Enfermagem.

Agora, um diagnóstico não é coisa que se faça "do pé para a mão", por isso os médicos estudam os anos que estudam para isso, essêncialmente isso.

Abraço.