Autor Tópico: Penso com álcool  (Lida 18142 vezes)

Offline Balau

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Re: Penso com álcool
« Responder #45 em: Janeiro 21, 2009, 22:18:19 »
É imperativo considerar a etiologia, porque as úlceras não são iguais e os tratamentos para um tipo podem ser inapropriados ou prejudiciais para outros.
As úlceras encontradas nestas áreas são causadas pela isquémia tecidular devido a aterosclerose ou por detritos de ateroma embolizados de uma artéria proximal. A gangrena em tecido isquémico inicialmente apresenta-se pálida, passando a azul acizentado, roxo e finalmente negro e este acaba por se tornar duro e mumificado. Normalmente apresentam bordos distintos com uma base cinzento pálido ou amarelo seco ou ainda avermelhado caso esteja pendente (hiperémia reactiva).
Este tecido não é doloroso, pois não tem vascularização, mas pode haver dor significativa na linha de demarcação entre a gangrena e o tecido vivo, mas isquémico. Grandes áreas de gangrena podem necessitar de desbridamento, enxerto ou amputação. Mas como o caso aqui referido é de uma pessoa em estado terminal, estas opções ficam de parte.

Objectivos do tratamento:
- fornecer um ambiente conducente a novo crescimento tecidular
- proteger a ferida
- prevenir futura destruição tecidular

O tratamento de feridas arteriais deve incluir o aumento de aporte sanguíneo à área. O posicionamento da extremidade numa posição pendente pode facilitar a acção da gravidade através de vasos colaterais.

[font=Verdana:3d8larmx]O desbridamento da gangrena não se realiza n apresença de isquémia porque o fluxo sanguíneo é insuficiente para promover a cicatrização. Úlceras sem refluxo arterial adequado devem manter-se secas[/font:3d8larmx] - em contraste com o princípio da cicatrização em ambiente húmido para úlceras com adequado fluxo sanguíneo. A humidade fornece um leito para crescimento bacteriano se houver escara ou tecido gangrenoso. O tecido, se mantido seco, pode ser deixado no local até que haja demarcação ou desbridamento. (Imaginem o que acontece com as crostas naquelas feridas que todos fizemos em gaiatos, se não tocásemos nelas, elas acabavam por cair, lembram-se? Se as molhássemos, os tecidos amoleciam, tornavam-se esverdeados até atingir um leito saudável e de cicatrização, mas para tal tínhamos de manter o ambiente húmido até final da epitelização, certo?)

A aplicação do álcool é controversa, não estou a favor nem contra, isto é, nestas úlceras o ambiente tem de estar seco, para tal individualizamos os dedos com compressas secas nos espaços interdigitais para o manter desidratado; os dedos devem ser permanecidos à vista, não cobri-los. Para proteger do peso dos lençóis, cobertores e colchas deverá ser usado uma "gaiola". A aplicação do álcool a 70 % poderá ser feita, mas não de maneira a ensopar as compressas e a criar um ambiente húmido, a acção do álcool deverá ser momentânea e não permanente. O uso de cremes e outras pastas também deve ser posto de parte, pelo mesmo raciocínio.

Caso houvesse indicação cirúrgica, (no caso de idade avançada) seria realizado um bypass axilo-bifemural ou uma angioplastia percutânea por balão com ou sem stent.

A maior parte deste texto foi extraído do livro "O essencial sobre o tratamento de feridas - princípios práticos" de Sharon Baranoski e Elizabeth Ayello, Lusodidacta 2006 ISBN: 972-8930-03-8

Espero ter esclarecido as vossas dúvidas.

ENFERMEIROS UNIDOS JAMAIS SERÃO VENCIDOS!!!!!!!!! Não se esqueçam disto.

Cumprimentos

Offline enfsergio

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Re: Penso com álcool
« Responder #46 em: Janeiro 21, 2009, 22:22:38 »
Citação de: Ricardo_balau

Caso houvesse indicação cirúrgica, (no caso de idade avançada) seria realizado um bypass axilo-bifemural ou uma angioplastia percutânea por balão com ou sem stent.


Resumidamente...se não existir indicação cirúrgica...

Offline Balau

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Re: Penso com álcool
« Responder #47 em: Janeiro 21, 2009, 22:29:35 »
Desculpa se me estendi e não me fiz compreender, mas está lá tudo.

O tratamento de feridas arteriais deve incluir o aumento de aporte sanguíneo à área. O posicionamento da extremidade numa posição pendente pode facilitar a acção da gravidade através de vasos colaterais. (mas não todo dia, ok?, faz isto por períodos)

O desbridamento da gangrena não se realiza na presença de isquémia porque o fluxo sanguíneo é insuficiente para promover a cicatrização. Úlceras sem refluxo arterial adequado devem manter-se secas. O tecido, se mantido seco, pode ser deixado no local até que haja demarcação ou desbridamento.

Individualiza os dedos com compressas secas nos espaços interdigitais para o manter desidratado; os dedos devem ser permanecidos à vista, não cobri-los. Para proteger do peso dos lençóis, cobertores e colchas deverá ser usado uma "gaiola".

Não esperes milagres. Não vais dar um novo dedo à Srª a regeneração sem cirurgia é (praticamente) impossível. Sim ele vai ficar cada vez mais negro. Sim ele pode cair. Não, em princípio, não vai criar sangria desatada. Poderá formar-se um coto "saudável", repito poderá.

O mais importante disto tudo é evitares que o dedo infecte, motivado essencialmente pela humidade, pois caso isso aconteça pode originar em osteomielite e/ou sepsis!!!! Fui claro?

Offline enfsergio

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Re: Penso com álcool
« Responder #48 em: Janeiro 21, 2009, 22:53:32 »
Caro colega peço imensas desculpas se não percebi à primeira...

Não não espero milagres...Eu sei que não vou dar novo dedo à senhora...

Foste muito claro...

Peço imensas desculpas se o fiz repetir o discurso...

Offline susy4

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Re: Penso com álcool
« Responder #49 em: Janeiro 22, 2009, 00:52:14 »
colega ricardo... obrigada pela explicação mais elaborada...era isso mesmo que procurava aquando o meu 1º post.

Offline Incubus

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Re: Penso com álcool
« Responder #50 em: Fevereiro 14, 2009, 23:06:08 »
Citação de: Boss_Nunes
Respeito a sua opinião mas continuo a discordas da opção do coto umbilical com alcool.
Não temos tido qualquer problema, nem sequer infecções.
Na minha faculdade ensinaram-me (este semestre) que o processo a efectuar é a desinfecção do coto umbilical com compressas esterilizadas e alcool a 70%, levando à mumificação e posterior queda por volta dos 10 dias. Verificar os sinais de infecção (rubor, edema, cheiro e exsudado).