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No contacto com os Centros de Saúde por onde passaram era habitual realizarem ZARAGATOAS?!?

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Votação encerrada: Junho 03, 2008, 14:51:38

Autor Tópico: Zaragatoa no Centro de Saúde  (Lida 15464 vezes)

Offline npires

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Zaragatoa no Centro de Saúde
« em: Junho 03, 2008, 14:51:38 »
Estou a trabahar em Cuidados de Saúde primários e tenho questionado porque não é habitual realizarem zaragatoas e prescrevem antibióticos a olho...Gostaria de saber qual a vossa experiencia, mais em C.S. e se o CS em questão tem algum protocolo com alguma clinica...

Deixo desde já a minha opinião: EU SOU APOLOGISTA DE SE REALIZAR ZARAGATOA EM TODA E QUALQUER FERIDA QUE TENHA UMA ELEVADA PROBABILIDADE DE ESTAR INFECTADA, E DIGO MAIS NÃO NECESSITAVA EM NADA QUE O SR. DOUTOR ME ASSINASSE A PRESCRIÇÃO PORQUE SE O TRATAMENTO DE FERIDAS É UMA ÁREA NOSSA A REALIZAÇÃO DA ZARAGATOA TAMBÉM DEVIA SER UMA DAS NOSSAS FUNÇÕES, CABENDO DEPOIS AO MÉDICO A SELECÇÃO DO ANTIBIOTICO IDEAL....

Quanto a realização em CS no norte observei que era prática habitual mas cá pra baixo não é tão habitual....

Offline susy4

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #1 em: Junho 03, 2008, 15:27:53 »
Eu trabalho em CSP, numa USF e felizmente temos uma equipa excelente  ( médicos) pelo que as nossas opinioes são muito valorizadas, e executamos zaragatoas sempre que achamos necessário.
O material foi fornecido por um laboratório, e enviamos-lhes a zaragatoa para teste.
O médico apenas passa a credencial e depois com o resultado o antibiotico.
Tem sido extremamente benefico, pois  o antibiotico prescrito é o mais acertado.
E infelizmente já apanhamos uns bicharocos bem estranhos.

Offline betisinha

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #2 em: Junho 03, 2008, 16:56:35 »
e depois ficam à espera 3 dias pelo resultado da zaragatoa?
na minha terra medica-se logo um doente com ferida infectada com ATB de largo espectro.
e ja agora como realizam a zaragatoa?

é que ainda ha nuita gente a colher o exudado da ferida sem fazer previamente lavagem com soro fisiológico...

Offline npires

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #3 em: Junho 03, 2008, 17:18:05 »
Citação de: betisinha
e depois ficam à espera 3 dias pelo resultado da zaragatoa?
na minha terra medica-se logo um doente com ferida infectada com ATB de largo espectro.
e ja agora como realizam a zaragatoa?

é que ainda ha nuita gente a colher o exudado da ferida sem fazer previamente lavagem com soro fisiológico...

Primeiro a zaragatoa obedece ás seguintes regras:
1 Limpar a ferida com solução estéril não antisséptica
(solução salina/soro fisiológico)
2 Humedecer o aplicador da zaragatoa (com solução salina/soro
fisiológico)
3 Rodar várias vezes o término do aplicador num cm3 de tecido
limpo e profundo
4 Aplicar pressão na zaragatoa para extrair líquido tecidular
5 Não conspurcar a zaragatoa
6 Enviar para laboratório identificado

Nada inventado é o padronizado pela APTF...

Dsc que lhe diga cara colega mas fazer ATB de largo espectro eu não concordo, axo k numa ferida com grande probabilidade de se encontrar infectada a zaragatoa é mais que imprescindivel...

Offline Sarititaz

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #4 em: Junho 03, 2008, 18:26:34 »
Primeiro a questão...a zaragatoa é sensível à colonização superficial: e numa colonização superficial os antimicrobianos serão eficazes para controlar a carga microbiana, se não tiverem sido usados por profilaxia, como muito boa gente usa...
Se a infecção for mais profunda, a zaragatoa nunca nos irá dar conta dos verdadeiros responsaveis da infecção.

por isso... valerá mesmo a pena a zaragatoa?

Offline npires

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #5 em: Junho 03, 2008, 21:58:59 »
Citação de: Sarititaz
Primeiro a questão...a zaragatoa é sensível à colonização superficial: e numa colonização superficial os antimicrobianos serão eficazes para controlar a carga microbiana, se não tiverem sido usados por profilaxia, como muito boa gente usa...
Se a infecção for mais profunda, a zaragatoa nunca nos irá dar conta dos verdadeiros responsaveis da infecção.

por isso... valerá mesmo a pena a zaragatoa?

E do que vale realizar antibioterapia a olho?!

Offline Caldas

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #6 em: Junho 04, 2008, 00:42:21 »
Ou se acerta por puro totoloto (preferia ganhar o 2º) ou se potencia bactérias multi-resistentes...

Offline betisinha

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #7 em: Junho 04, 2008, 10:57:25 »
não é a olho...
chama-se antibioterapia de largo espectro

Offline npires

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #8 em: Junho 04, 2008, 13:33:01 »
Citação de: betisinha
não é a olho...
chama-se antibioterapia de largo espectro

Desculpa mas é a olho...
Se temos zaragatoas sabemo las utilizar e ainda por cima sabemos das vantagens que trazem para um tratamento de um ferida com elevada probabilidade de estar infectada, diga-me k vantagens lhes traz prescrever ATB a olho (não há outro termo para definir estas prescrições)?!

Já agr a colega consegue localizar uma infecção a olho?!

Offline npires

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #9 em: Junho 04, 2008, 13:52:27 »
Cara Betisinha apenas lhe deixo uma passagem citada pela APTF:

"A presença de microrganismos por si só na ferida não indica que existe infecção. A infecção é de diagnóstico
clínico, ou seja através dos sinais inflamatórios e sistémicos (febre, leucocitose, descompensação de doenças crónicas)."


(...) a infecção é um problema comum nas feridas crónicas e que o diagnóstico rigoroso e o tratamento eficaz são um desafio para os profissionais (...)


Axa que um tratamento eficaz engloba um ATB de largo espectro precrito a olho?!!?

Offline Sarititaz

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #10 em: Junho 10, 2008, 07:14:37 »
Eu não falei em parte alguma em prescrever atb a olho... E o ultimo post vem até de encontro ao que disse ...
Citação de: npires
Cara Betisinha apenas lhe deixo uma passagem citada pela APTF:

"A presença de microrganismos por si só na ferida não indica que existe infecção. A infecção é de diagnóstico
clínico, ou seja através dos sinais inflamatórios e sistémicos (febre, leucocitose, descompensação de doenças crónicas)."


(...) a infecção é um problema comum nas feridas crónicas e que o diagnóstico rigoroso e o tratamento eficaz são um desafio para os profissionais (...)


Axa que um tratamento eficaz engloba um ATB de largo espectro precrito a olho?!!?

Não estou em posição para julgar se um tratamento eficaz engloba ou não um atb de largo espectro (não sou eu quem o prescreve...) antes sou responsavel por utilizar os antimicrobianos de forma conscenciosa. ::)
Depois... de que vale então uma zaragatoa de colonizações à superficie, quando a sintomatologia (de diagnóstico clínico) sugere que o domínio infeccioso é de outros planos mais profundos? Também não será prescrição de atb "a olho"? Não estaremos a favorecer as resistências ao utilizar um atb que não está ajustado ao causador da infecção? ???
 
abraço.O0

Offline npires

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #11 em: Junho 12, 2008, 13:58:37 »
Citação de: Sarititaz
Não estou em posição para julgar se um tratamento eficaz engloba ou não um atb de largo espectro (não sou eu quem o prescreve...) antes sou responsavel por utilizar os antimicrobianos de forma conscenciosa. ::)
Depois... de que vale então uma zaragatoa de colonizações à superficie, quando a sintomatologia (de diagnóstico clínico) sugere que o domínio infeccioso é de outros planos mais profundos? Também não será prescrição de atb "a olho"? Não estaremos a favorecer as resistências ao utilizar um atb que não está ajustado ao causador da infecção? ???
 
abraço.O0

Então deixo lhe uma questão: Para quê utilizar produtos com Bactericidas (Hidrofibra com Prata, Carvão Activado com Prata, entre outros), se como diz, a infecção é mais profunda?!

Mais umas passagens:  ::)
"As feridas infectadas deveriam ser tratadas sistematicamente usando a terapêutica antibiótica adequada. Os organismos patogénicos deveriam ser identificados o mais rapidamente possível após colheita de amostras (zaragatoa) para cultura e estudo de sensibilidade."

"Quando houver suspeita de infecção local ou sistémica, deverá ser iniciada terapêutica apropriada e adjuvante e o progresso da ferida monitorizado diariamente, ainda que isso signifique uma mudança mais frequente de pensos, devido à monitorização, do que seria em princípio necessário."

Cumps...

Offline enfarfr

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #12 em: Junho 13, 2008, 22:03:55 »
Sou elo de ligação à comissão de controlo de infecção e fui a uma formação designada por Controlo da Infecção Associada aos Cuidados de Saúde, ministrada pela ARS, onde foi dito que zaragatoas a feridas crónicas são inúteis, já que as feridas crónicas estão contaminadas.

Em caso de infecção, esta terá sido causada por microorganismos que encontram-se abaixo da superficie da ferida.

Solução: Biópsia da ferida.

Offline npires

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #13 em: Junho 14, 2008, 12:37:13 »
Bem começo a perceber que existe alguma falta de informação em alguns locais...Se a APTF e a EWMA afirmam que a realização de uma zaragatoa em feridas crónicas toma contornos quase imprescindiveis....desculpem mas não consigo perceber essa teoria da ARS...Mas nos dias que correm e no pais em que estamos tudo é normal...entao os srs. drs. que continuem a precrever  ATB  a olho...

Então deixo lhe uma questão]

Offline enfarfr

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Re: Zaragatoa no Centro de Saúde
« Responder #14 em: Junho 14, 2008, 16:03:17 »
Citação de: npires
Bem começo a perceber que existe alguma falta de informação em alguns locais...Se a APTF e a EWMA afirmam que a realização de uma zaragatoa em feridas crónicas toma contornos quase imprescindiveis....desculpem mas não consigo perceber essa teoria da ARS...Mas nos dias que correm e no pais em que estamos tudo é normal...entao os srs. drs. que continuem a precrever  ATB  a olho...

Então deixo lhe uma questão]

Boa tarde npires!

Em relação à questão que colocou deixo de seguida o link para Management of wound infection An integrated approach to managing wound infection Demystifying silver Topical management of infected grade 3 and 4 pressure ulcers Topical antimicrobials and surgical site infection, numa tomada de posição da European Wound Management Association (EWMA) de 2006.

http://www.ewma.org/pdf/spring06/Englis ... c_2006.pdf

Deixo ainda algumas passagens do documento, onde vou colocar em negrito o que acho que responde a algumas questões cá levantadas, incluindo a sua.

The management of wound infection has long tested man’s ingenuity. The advent of antibiotics in the 1950s revolutionised the control of bacterial infections, but with the recent escalating prevalence of bacterial resistance there has been renewed interest in the use of topical antimicrobials, particularly silver, iodine, honey and larval therapy. Unfortunately, injudicious application of some of these agents and a paucity of clinical evidence to support their use have led to further controversies.

Moore and Romanelli, in the third paper, [b]conclude that topical antimicrobials have a role in the management of grade 3 and 4 pressure ulcers with a high bacterial burden or signs of early localised infection[/b]. The authors also recognise the complexity of these wounds and again stress the importance of choosing the correct product to deal with issues such as anatomical position, wound undermining and levels of exudate.

All wounds contain micro-organisms, yet the majority are not infected. The spectrum of interactions between the microbial community and the host may gradually reach a point at which the wound healing process is impaired or localised detrimental host effects are initiated. When this transition occurs, immediate intervention to pre-empt infection is indicated.

Samples collected from wounds for laboratory analysis include swabs, pus, biopsies, fine needle aspirates and occasionally wound debris. Issues relating to the collection of samples have been debated elsewhere3,4. Bacteria are normally isolated from swabs taken from chronic wounds; yeasts, fungi or protozoa (rarely) might also be recovered.

1. Wound management strategies must aim to provide optimal conditions to promote rapid healing.
2. Topical antimicrobial therapies should be considered when progress towards overt infection is suspected, or when interrupted healing is observed.
3. Long-term use of antimicrobial agents must be avoided.
4. Antibiotic use should be limited to specific clinical situations (eg overt infections) and directed towards susceptible organisms.
5. Wound status must be regularly reviewed, and management strategies changed when progress towards healing is not achieved.


Clearly, in stage 1 specific antimicrobial intervention is not needed. Wound dressing regimens should be designed to follow the principles of moist wound healing using products selected to optimally manage the patients’ symptoms while encouraging wound healing. The aim in stage 2 is to rapidly prevent the development of overt infection and then to return the patient to simple dressings designed to support moist wound healing. In these wounds, whether acute or chronic, topical antimicrobials may have a part to play in restoring bacterial balance. Wounds at stages 3 and 4 require appropriate use of systemic antibiotics, possibly in combination with topical antimicrobial agents if the wound is open and its bed needs therapeutic intervention.

Cumprimentos.