Autor Tópico: Vida Por Um Canudo  (Lida 12178 vezes)

Offline enfermeiredo

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #30 em: Fevereiro 17, 2008, 23:48:35 »
E porque não escrevermos directamente à Sra. Bastonária? Assim não pode dizer que não conhece o problema!
O povo opõe-se à massa;
vive da liberdade e da consciência de cada um

Pio XII
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Offline rjckarddo

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #31 em: Fevereiro 18, 2008, 12:45:51 »
Caros colegas.
É bonito de se ver que ainda há pessoas com uma visão mais realista da vida e em especial da vida de enfermeiro.
Felizmente há ainda pessoas que estão atentas á nossa triste realidade e que já se aperceberam que andam pessoas a viver à nossa custa.
Nós, como enfermeiros, devemos antes de mais tentar resolver a parte que está nas nossas mãos, quando digo nossas falo como é óbvio da Ordem e Sindicatos. Esses que tanto tempo perdem a atirar-se pedras mutuamente e a tentar fazer do Governo o mau da fita e que na realidade não dão um único passo para tentar resolver uma situação que começa a ser alvo de chacota.
No final do meu curso (Junho 2007) tivemos o prazer de ter uma aula elucidativa com um representante da Ordem que vinha apresentar dito órgão e tentar falar um pouco das suas funções. Estranhamente passados 10 minutos estava já a atacar o sindicato de forma pouco estruturada.
Essa mesma pessoa, que pensava estar a falar com leigos, tentou evadir o tema das questões que lhe íamos colocando. Quando lhe perguntei o que tinha a dizer sobre o desemprego actual respondeu que a ordem não podia interferir no número de alunos formados por ano, quando lhe falei das acumulações, respondeu que teríamos de ser nós a denunciar os casos que tenhamos conhecimento. Após estas respostas só me veio uma ideia a cabeça, se eles não têm poder para influenciar a formação nem para gerir os já profissionais, afinal qual é o papel da ordem? Parece-me uma instituição fictícia ou fantasma que só existe no papel mas que na realidade se descarta dos problemas quando eles aparecem.
A nossa profissão esta caótica e será muito difícil contornar esta situação mas, se nós enfermeiros nos deixarmos levar na conversa tipicamente politica que nos tentam impingir, quer sindicatos, quer a Ordem, jamais sairemos do poço. Sim porque enquanto ainda acreditarmos que o único culpado é o Governo não teremos jamais uma solução.
Como é que se pode pressionar o governo a dar solução da parte que lhes compete quando "nós" não fazemos o que está nas nossas mãos? Como é possível exigir que nos paguem como licenciados e que contratem mais enfermeiros quando ninguém prova que realmente faltam profissionais? Vocês já viram algum estudo real sobre as reais necessidades de mão-de-obra nas instituições de saúde? Algo feito com cabeça, tronco e membros? Que mostre que realmente somos necessários e qual o nosso contributo para a saúde? Lamento ter de olhar para esse tipo de instituições e ter a sensação de que só querem o nosso dinheiro. Sei que dizer isto é ser muito redutor mas é o que penso....Lamento.
Metam mãos a obra e demonstrem aos nossos governantes que estão enganados, chega de dizer que isto não está bem e esperar que nos caía do céu o que necessitamos. Se pagamos as quotas, que ao menos estas sirvam para algo mais que enviar cartões de natal.

Voltando atrás, as acumulações, bem aqui vocês pensem como quiserem mas as coisas são muito simples. Não é o enfermeiro que faz um part-time de 15h ou 20 h que está a prejudicar quem não tem emprego, quem realmente prejudica são o Sr. e Sra. que tem dois horários completos de 35h, parece impossível? Não é acreditem que não é pois eu conheço vários casos. Pessoas que tem trabalho em 3 instituições diferentes, pessoas que saem mais cedo de um hospital e chegam tarde a outro hospital, que andam a arrastar-se nos serviços, que andam mal humorados para com os doentes como se eles fossem os culpados de os Srs. enfermeiros quererem trabalhar em todos os hospitais que conhecem.
De quem é a culpa? Sou eu que vou denunciar isso? Então o que faz a nossa ordem?
Depois temos os enfermeiros que, por incrível que pareça, se reformaram aos 48, 49 ou 50 anos e que continuam a trabalhar. Será que tem essa necessidade? E se tem porque se reformaram? Eu não falei dos coitados que muito gostariam de se poder reformar com 60 anos e não podem, infelizmente estão a pagar por situações como as que referi antes.
Temos mais casos no mínimo impensáveis, temos enfermeiros militares que acumulam o seu lugar nos hospitais militares com funções em instituições civis e temos também o contrário, agora digam se isto faz sentido? Isto é uma desordem, uma confusão que nem parece de um país civilizado.

Só mais um tema para encerrar, por acaso já repararam no aparecimento súbito de cursos de formação, palestras e pós-graduações e afins que por ai andam? Já repararam nos preços? Estamos perante uma nova vertente de negócio que usa a nossa situação mais precária para subtrair mais uns euros das magras carteiras de centenas de recém-licenciados que tentam com muito esforço ter um currículo melhorado para poder por fim ter um emprego. Enfim….

Para finalizar, apoio o "enfermeiredo" na sua sugestão em escrever directamente a Sra. bastonária para que não se possa justificar da forma mais baixa, com a resposta de desconhecimento dos casos.
Podem criar uma comissão que fica responsável por elaborar um comunicado estruturado com algumas questões e com a exposição de casos por todos nós conhecidos que estão a prejudicar a nossa vida. Abordaria os multi-empregados, os reformados os concursos fraudulentos e outros assuntos, que no meu ponto de vista, a ordem deveria tomar uma posição de força.

Offline SandroMelo

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #32 em: Fevereiro 18, 2008, 17:50:36 »
Caro Colega

Partilhamos muitas ideias e percebo bem a vossa posição enquanto desempregados.
Felizmente ainda sou de um tempo (há 7 anos) onde me bastou ir ao Hospital e perguntar se necessitavam pessoal e me perguntarem quando queria começar.

A "nossa" Ordem (chamo-lhe desordem e de nossa não tem nada, apenas de alguns que conseguem mais um tacho e um papel para o curriculo está pouco importada connosco e desde que surgiu a qualidade dos enfermeiros formados e as condições do exercício profissional têm que no mínimo ser questionadas.

Offline enf.PatriG

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #33 em: Fevereiro 18, 2008, 18:27:54 »
olá a todos!

Costuma-se dizer que o que preciso é ter iniciativa, por isso, concordo plenamente com a ideia exposta pelos colegas. Vamos lá minha gente, eu falo por mim, já estou farta de tanta hipocrisia e se não nos unirmos não vamos a lado nenhum.
Não é só escolas de enfermagem a nascer em cada canto e esquina, uma ordem desordenada e vários sindicatos que não se entendem, são os directores de hospitais ou de serviços que forjam concursos ou despedem dois para enfiar o filho ou sobrinho de um Sr. Dr. ou Eng.
Querem exemplos, muito bem:
- Tenho uma colega que acabou um curso em Junho de 2007 e no mês seguinte estava na prelada no porto a trabalhar, ouve concurso? Não.
- No concurso do S. João no porto nem todos os primeiros ou os melhores classificados foram chamados e pessoas que não tinham nenhum critério ou estavam para la dos mil foram chamadas, alguém sabe como?
- Para não falar no IPO do Porto, que para além da confusão que foi o concurso conheço um caso de um colega que fez la estágio de integração saiu com 19 e semanas depois de acabar o curso entrou uma colega de turma com media de estagio de integração também no IPO de 12, normal não?
- um provedor de uma Santa Casa da Misericórdia que por umas boas notas de euros emprega qualquer um.
- vamos entregar curriculos e perguntam-nos se temos familiares ou amigos a trabalhar nas instituições.
Enfim, por sinceramente estar farta de saber deste tipo de histórias vividas na primeira pessoa concordo que temos que fazer alguma coisa.

Bjinhos a todos!

Offline Enf.Pipa

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #34 em: Fevereiro 20, 2008, 18:31:04 »
Mais uma história, que prova mmo que a nossa querida Enfermagem está por um canudo:

Um hospital privado, que já se falou aqui, propõe estágios não remunerados, prometendo um futuro lugar na instituição no fim do estágio, mas como se sabe não passa de uma grd mentira, pk andam lá 6, 9 meses e no fim mandam aguardar, meses, anos... sabe-se lá!
Mas o mais escandaloso desta situação é que:
NÃO HÁ VAGAS PARA ESTÁGIO!!
Aonde nós já chegamos! que nem pa trabalhar a borlix, para sermos explorados ao máximo, há lugares!

Cada vez mais vejo a enfermagem através do canudo...

Offline rjckarddo

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #35 em: Fevereiro 20, 2008, 21:36:52 »
Devo confessar que essa história dos estágios não remunerados, com promessas de futuros vínculos a instituição em causa, já não é novidade. Infelizmente isso já se bem ouvindo há algum tempo.
A solução é as pessoas recusarem peremptoriamente esse tipo de ofertas. Eu sei que é com o intuito de poder conseguir um emprego num futuro próximo mas já está mais que provado que isso é uma miragem, um engano. São os nossos tão famosos chicos-espertos a aproveitar-se da desgraça alheia, quais abutres a alimentarem-se de restos deixados pelos predadores.
Admitindo um Enfermeiro em regime de estágio não remunerado, parece-me a mim, uma clara demonstração que necessitam de um enfermeiro, e se necessitam de um enfermeiro que lhe paguem. Não acredito que admitam alguém a estágio com o intuito de lhe dar experiência, do género, oferecer um estágio por caridade.
Se alguém aqui está nessa situação de promessa incumprida façam queixa, comecem a mexer-se, não deixem que nos pisem ainda mais, já chega. Dirijam-se ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social e apresentem queixa.
Isto é pior que um país 3º terceiro mundo, que vergonha!!!

Offline Enf.Pipa

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #36 em: Fevereiro 20, 2008, 22:37:49 »
O facto é que se não há vagas é pk as pessoas aceitam!!! A justificaçao para a proposta de estágio é de dar experiencia... uma autentica anedota!

Offline SandroMelo

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Re: Vida Por Um Canudo
« Responder #37 em: Fevereiro 22, 2008, 09:21:31 »
Percebo o desespero dos jovens colegas que aceitam estes estágios não remunerados, mas tenham bem presente que isto em nada vai contribuir para o seu futuro enquanto enfermeiros.

Porque não apostar em prosseguir estudos. Sei que o financiamento é complicado, mas já há apoios e bancos a ajudar. Poderia ser uma via diferente.