Autor Tópico: Abaixo o Enfermeirês  (Lida 11401 vezes)

Offline Álvaro Matos

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Abaixo o Enfermeirês
« em: Dezembro 31, 2007, 14:40:52 »
Em final de ano torna-se imperativo fazer um balanço sobre o que foi, ou o que é, a Enfermagem Portuguesa em 2007.
Sem querer ser pessimista pareceu-me ter sido um ano atípico e do que fui vendo sinceramente gostei muito pouco. Ou paramos e repensamos a nossa actuação ou estaremos irremediavelmente a caminhar para uma situação que nos tornar perfeitamente dispensáveis.
Continuamos e este fórum é por vezes um exemplo disso a compararmo-nos com os médicos, quando deveríamos evidenciar pela positiva a essência, o pilar básico da nossa profissão, o que não pode ser deixado para segundo plano, que é o cuidar.
Iniciei a minha aprendizagem na Escola, depois no meu dia a dia e hoje quando já começo a ser destinatário desses mesmos cuidados.
Muita coisa me desagrada, mas há uma que tem o condão de me irritar, que é o que vulgarmente designo de Enfermeirês, ou seja falar    com as pessoas com de bebés se tratasse e aquela em que sistematicamente dizemos para o utente.
- Vamos tomar banho!
- Vamos fazer o penso etc etc.
Parece que vamos fazer tudo em conjunto.
Há certamente pessoas que independentemente da idade pararam no tempo e não se apercebem que há as pessoas que hoje dispõem de muita informação na área de saúde.
Como explicar a um utente a razão porque se forem cinco Enfermeiros a fazer-lhe um penso, os cinco o fazem de maneira diversa.

Offline Profissional Junior

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #1 em: Dezembro 31, 2007, 15:04:13 »
Já agora podiam dar mais exemplos e as respectivas alternativas? (no que toca a comunicar procedimentos)

(novato na área   ;) )

Offline charlie_ze

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #2 em: Dezembro 31, 2007, 16:57:53 »
Para comunicar procedimentos já existem imensas alternativas, os registos....

Concordo com o colega amatosa, está na hora dos enfermeiros tratarem os seus utentes como adultos que necessitam de um serviço, o atendimento é essencial...

Offline Gemini

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #3 em: Janeiro 02, 2008, 01:01:46 »
grande palavrao para responder a pergunta do colega, como e que todos podemos fazer igual? profissionalizando as nossas intervenções.

Offline RicardoEspiritoSanto

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #4 em: Janeiro 02, 2008, 13:51:52 »
8)

bem visto, mas não é o primeiro...


estou sempre a gozar com as minhas colegas de trabalho por causa dessa do "vamos"...

mas a malta não aprende...  ;) está no sangue...


saudações cordiais

Offline mariamariamaria

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #5 em: Janeiro 02, 2008, 20:37:10 »
Olá,

Essa questão do "vamos" tem toda a pertinência num contexto em que o doente tem de ir tomar banho acompanhado ou não o possa fazer sozinho.

E o "vamos" fazer o penso tem a sua pertinência, como muita outra coisa que se realiza  o acto em colaboração com o doente.

Já me parece mais urgente eliminar o "avózinha" para designar todos os idosos e coisas assim. Já me parece mais urgente eliminar o que não respeite o doente como ser total, como chamar sr. josé ao sr dr. josé X...

É a eliminação de identidade que é mais preocupante no tratamento geral dos doentes.

Porque é que alguém um dia determinou que o sr almirante ou general ou doutour ou arquitecto ou enfermeiro é só sr. X? Isso não é personalizar cuidados, é uma vingança social desnecessária e cruel.

Abraço.

Offline Mauro Germano

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #6 em: Janeiro 03, 2008, 04:24:18 »
Colega mariarebelo: discordo cabalmente da sua posição. Estaremos a perpetuar a memória salazarista de hierarquização e distinção entre classes sociais altas e baixas.
Tenho algumas questões para lhe colocar... O doente ao lado que é "só" carpinteiro ou mecânico como se irá ele sentir se for chamado pelo nome e o outro que é advogado ou engenheiro for tratado por doutor ou eng.?
 Não me parece que estejamos a fazer muito pelo tratamento igual a todas as pessoas. A não ser que seja daqueles que também concorda em colocar o Dr no BI... tamanha parvoíce dessas pessoas faz-me pensar que o que lhes interessa é o status social vazio e não o mérito de realização pessoal através da competência. Se há coisa em que sou de esquerda é nisto...

Outra pergunta...Porque encarou isso de tratar pelo nome como vingança social? Penso que as pessoas só devem (ou podem ) ser tratadas pela profissão (ex: sr enfermeiro ou sr engenheiro) no seu local de trabalho ou no desempenho da sua profissão como tal penso que nas restantes situações é uma espécie de reverência por um estatuto que , julgava eu, se tinha tornado absurdo e até ridículo. Como poderemos pensar em democracia e igualdade de direitos se ligamos tanto a títulos obsoletos?

Offline susy4

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #7 em: Janeiro 03, 2008, 12:43:50 »
Caro colega magistral estratega, concordo e assino por baixo.
Julgo que por tratarmos os utentes pelo seu nome próprio,nao dando enfase ao status social, não estamos de modo algum a desprestigiar a pessoa. Isto depende da forma como prestamos os cuidados e o atendimento. Nunca ninguem, e vivo na cidade dos doutores, me chamou a atenção por nao ter posto o Dr. ou Eng. antes do nome e lido com muitos...o acolhimento e a comunicação depois são muito importantes e aí é que nós mostramos ou não o respeito pelos utentes...

Offline Son_Goku

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #8 em: Janeiro 03, 2008, 13:34:58 »
É a chamada imbecilização da pessoa. Tal prende-se também com uma falta de maturação da Enfermagem como profissão. Encarar convenientemente o utente como "limitado" retira-nos o encargo de assumir perante ele as nossas responsabilidades, de envergar uma postura profissional, de cuidar aprofundadamente dos aspectos relacionais e é também um modo de nos furtar-mos a questões que requerem de nós respostas não lineares e que exigem um grande exercício de juízo profissional e conhecimentos.
A nossa linguagem também não é a mais cuidada, fruto quiçá de existir ainda uma falta crónica de hábitos culturais ao nível dos profissionais que os abasteça de "matéria-prima" indispensável ao relacionamento em sociedade e mais concretamente em contexto profissional de relação.
Quanto aos epítetos, não os uso na minha prática pois o foco de atenção da profissão é a Pessoa. No entanto penso que é indispensável conhecermos a profissão do utente, pois a identidade da pessoa é multifactorial e sem dúvida a vertente profissional faz parte dela. Mais importante que o uso dos epítetos é a adequação das nossas acções às necessidades particulares de cada Pessoa e às suas mundividências.

Offline Álvaro Matos

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #9 em: Janeiro 03, 2008, 19:03:22 »
Eu entendo que o tratamento pela profissão pode não ter a conotação que se lhe está a querer dar. Entendo que ao referirmo-nos ao senhor Doutor estamos apenas a transmitir que nos inteiramos da sua situação e somos conhecedores do que se está a passar. Jamais entendo isto com bajulação e é evidente que se for com esse sentido considero deplorável.
Quem de nós não gosta de ir a um sítio onde vai com alguma regularidade, tipo um restaurante e quem nos atende – diz então sr. Enfermeiro e diz o nosso prato preferido Certamente gostamos e ficamos agradados, convencidos que somos clientes especiais.
Já reparam que os hospitais privados começam a usar estas técnicas.
Pena é que a grande maioria dos Enfermeiros fuja a manter grandes diálogos com os utentes. Porque será?
Ainda agora quando estive internado e eu não acredito que não soubessem que eu era Enfermeiro alguns abordavam-me como colega outros penso eu para manter as distâncias diziam precisamente sr. Fulano.
Mas o que realmente considero Enfermeirês de reles qualidade é quando o doente confronta o Enfermeiro com alguma questão mais complexa, inexoravelmente a resposta é o médico é que sabe , o médico é que disse ,o médico é que faz.
Mas por acaso quando alguém me disse sr. Fulano vamos fazer o penso, não deixei de responder que atendendo ao meu estado apenas podia permitir que mo fizesse.

Offline daniela_mrqs

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #10 em: Janeiro 04, 2008, 01:44:01 »
Caro colega Amatosa,não concordo consigo quando diz que qual de nós não gostaria de ir a um restaurante e ser tratado por sr. enfermeiro. Talvez seja um gosto pessoal seu,mas eu não considero esse tipo de formalismos essencial. Penso k apenas devemos ser tratados por enfermeiro no nosso local de trabalho. Claro k esta é apenas a minha forma de pensar. Também não penso que na prestação dos cuidados deveremos tratar de forma diferente os utentes só porque um é engenheiro ou doutor e o outro é carpinteiro. Apenas podemos utilizar essa informação para adequar a linguagem que devemos utilizar. Por outro lado concordo consigo no que refere em que não devemos colocar a nossa falta de conhecimentos no papel do médico e dizer que este é que sabe...

Offline Álvaro Matos

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #11 em: Janeiro 04, 2008, 11:40:40 »
Quando me referi ao restaurante á  parte sem  importância era a do Sr Enfermeiro,o importante para mim era o prato preferido ,pois revelava ,preocupação com a pessoa.
Quanto ao facto de tratar alguém pela profissão disse que "tratamento pela profissão pode não ter a conotação que se lhe está a querer dar

Offline mariamariamaria

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #12 em: Janeiro 04, 2008, 19:52:21 »
Olá,

Quando referi o título académico como tratamento do doente, estava a pensar objectivamente naquelas pessos idosas que temos internadas e que toda a vida foram tratadas por Sr. Dr. ou Sr. Eng, etc.

O título académico, em virtude das especificidades do nosso país, é associado àquela pessoa e será uma "despersonificação" do individuo se se amputar daquela parte de si próprio.

Eu já assisti por inúmeras vezes a doentes que referem o seu grau académico ou posto militar numa tentativa de manter a sua pessoa no ambiente estranho que é o hospital e os profisionais de saúde, numa atitude que vai contra tudo o que são boas práticas, ignorarem ostensivamente aquele apelo. E mais grave, até é motivo de riso.

Ora, se tentamos tratar o doente pelo seu nome preferido (até vem comtemplada a opção nos formulários de colheita de dados), se tentamos manter a individualidade dos doentes, se tentamos acompanhar a linguagem não verbal... Ignorar certos aspectos como este não vos parece leviandade?

É que o Sr operário ou marceneiro ou outros (tirando os que ainda merecem a designação de Mestre), não estão habituados a que os tratem de outra forma a não ser sr. X., assim, não se sentem diferentes de si próprios nesse aspecto quando em internamento.

Em relação ao colega que refere esta posição como resquícios de Salzarismo, devo dizer que o contrário é que é verdade. Só porque alguém um dia definiu que todos os doentes devem ser tratados de igual forma, isso não quer dizer que tenhamos de levar a coisa à letra como seres desprovidos de atitude crítica e obedientes. O tratamento igual implica respeito igual por todos os doentes, incluindo o respeito pela diferença.

E é nessas pequenas reflexões e partilhas de opinião que vamos evoluindo e redefinindo a Enfermagem.

Abraço.

Offline enfarfr

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #13 em: Janeiro 04, 2008, 19:55:49 »
Olá colegas!

Eu trato todas as pessoas, quando presto cuidados, por Senhor x ou Senhora x...

Penso que seja a maneira correcta...

Offline daniela_mrqs

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Re: Abaixo o Enfermeirês
« Responder #14 em: Janeiro 05, 2008, 02:04:05 »
Citação de: enfarfr
Olá colegas!

Eu trato todas as pessoas, quando presto cuidados, por Senhor x ou Senhora x...

Penso que seja a maneira correcta...

Concordo inteiramente...