Autor Tópico: Objectivos dos S. de saúde  (Lida 2336 vezes)

Offline Álvaro Matos

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Objectivos dos S. de saúde
« em: Novembro 18, 2007, 23:29:41 »
O principal objectivo dos sistemas  de saúde, é proporcionar o mais alto nível de qualidade ao menor custo, de maneira mais equitativa, ao maior número de pessoas” Donabedian, 1986
Parece-me se um assunto digno de ser discutido neste forum

Offline AlexGomes

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Re: Objectivos dos S. de saúde
« Responder #1 em: Dezembro 07, 2007, 21:15:44 »
Um tema muito pertinente, numa fase em que o nosso SNS não atravessa uma boa saúde financeira!

Os sistemas de saúde mundiais, tendem a seguir esses principios...

O objectivo  geral da satisfação de necessidades de saúde das populações, genericamente pode ser através de um sistema tendencialmente público e/ou em sistemas privados, baseado em seguros.

Atendendo a este contexto à escala global,numa época em que o governo pretende entregar, muitos serviços à iniciativa privada, o porquê dos contribuintes que tenham, os subsistemas( que são sistemas de seguros de saúde públicos com déficets na sua gstão, como é o caso da ADSE) não permitindo às pessoas direito de opção de colocar a percentagem dos seu rendimentos para um seguro de saúde, com reais benefícios para os contribuintes, em detrimento de continuarem os descontos  obrigatórios para um subsistema de saúde público com poucos benefícios.

Offline Álvaro Matos

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Re: Objectivos dos S. de saúde
« Responder #2 em: Dezembro 08, 2007, 14:14:08 »
Já pensaram que os serviços de saúde se podem comparar a uma qualquer outra actividade?
A única diferença reside que na saúde o cliente compra o que lhe querem vender,pois não detém conhecimentos suficientes para poder optar por este ou aqule exame esta ou aquela técnica.
No dia em que tal acontecer os serviços terão de mudar muito e não me parece termos profissionais preparados para tal.

Offline charlie_ze

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Re: Objectivos dos S. de saúde
« Responder #3 em: Dezembro 08, 2007, 22:23:44 »
Concordo quando diz que os profissionais não estão preparados para um serviço de saúde prestados para a presxtação de um serviço à pessoa.

Em Portugal aquando da criação do SNS seguia-se por um bom caminho, caminho este que em menos de meia decada se começou a dispersar.

Neste momento temos um dos SNS menos equitativos da panorámica mundial, quando no seu principio está o pressuposto oposto.

As pessoas estão a depositar demasiada fé nos serviços privados e seguros de saúde, mas esquecem-se que ao contrário do SNS e dos seus subsistemas, estes têm que dar muito lucro.

basta querer fazer um seguro de saúde e ver a cobertura que estes fazem, os limites impostos.....

O nosso SNS é dos poucos no mundo que em caso algum pergunta se o Cartão de Crédito tem limite ilimitado......

Offline Álvaro Matos

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Re: Objectivos dos S. de saúde
« Responder #4 em: Dezembro 08, 2007, 23:26:15 »
Apesar de não conseguir identificar o autor não resisto a publicar um download que fiz para algum trabalho.Parece-me responder a muitas das interrogações que colocamos.
                              As Políticas de Saúde em Portugal nos Últimos 25 Anos:
.
Em texto recente, Pereira et al (1997) argumentaram que desde os anos oitenta pouca alteração se registou no sistema de saúde português. A mesma visão surge de forma sistemática noutras publicações sobre o sistema de saúde português (CRES, 1998;
OCDE, 1998). Esta avaliação da evolução real do sistema de saúde contrasta com toda a retórica de reforma que desde 1974 se tem observado.
As posições expressas nesses textos baseiam-se em opiniões de peritos, já que pouca ou nenhuma evidência científica existe sobre os resultados das várias medidas adoptadas (pelo menos, de forma sistemática e que permita a observadores externos uma apreciação independente). Uma avaliação exaustiva dos resultados dessas medidas de política de saúde é claramente interessante e importante. Infelizmente, não me é possível fazer uma análise completa com esse objectivo.
Breve apreciação dos últimos 25 anos
Vou-me limitar à análise de um aspecto parcial: a evolução na prestação. Antes de passar à apresentação de alguns números, quero apresentar a minha visão do que tem sido a filosofia predominante quanto ao papel da prestação pública e da prestação privada.
Concentrando a atenção nos últimos 25 anos (grosso modo), não é difícil, creio mesmo que chega a ser consensual, afirmar que o principal objectivo de política na década de setenta foi a diminuição das barreiras ao acesso de cuidados médicos, quer na sua componente de financiamento - capacidade de pagar os cuidados médicos necessários – quer na sua componente de acesso físico (expansão da oferta). A instituição da “saúde” como um direito social deu impulso a toda a política de saúde pós-1974. Este período teve uma filosofia de actuação política no campo da saúde muito clara: predominava a intenção de garantir o acesso a um direito social. Com o reconhecimento do “direito à saúde” deu-se um forte acelerar de um processo que, de certo modo, já se fazia sentir desde o início da década de setenta. A actuação de política de saúde neste período constituiu mais uma aceleração do processo do que 1974 1999 1979 1985 1995
Importância do sector público uma ruptura com o passado.2 O culminar desta fase foi o projecto do Serviço Nacional de Saúde, com carácter universal, geral e gratuito, totalmente financiado pelo Estado, assegurando este último também a prestação. É hoje reconhecido que a construção do Serviço Nacional de Saúde nunca foi devidamente completada na sua componente legislativa. A evolução do sistema, por outro lado, levou a um ponto distante da forte predominância da prestação pública. A década de oitenta, por seu lado, orientou-se sobretudo para a contenção de custos, por força das pressões gerais sobre o crescimento da despesa pública. Na década de noventa, assiste-se à preocupação com os ganhos de eficiência e com a efectividade na utilização de recursos, resultantes da ideia frequentemente expressa de o sistema de saúde português “gastar mal” os fundos que são colocados à disposição. O carácter universal e geral do Serviço Nacional de Saúde nunca foi posto em causa. Já a característica de “gratuitidade” evoluiu para “tendencialmente gratuito”.
Há, contudo, uma característica marcante, e que se encontra presente em todas as fases dos últimos 25 anos: à ênfase retórica no papel dos centros de saúde e dos cuidados de saúde primários, contrapõe-se a actuação prática voltada para o hospital e para a expansão da rede hospitalar que continuou (e ainda é) o centro do sistema. É relativamente claro que a face mais visível da actuação de política de saúde tem sido o constante crescimento da rede de centros de saúde e de hospitais.
Como resultado da remoção das barreiras ao acesso, assistiu-se a uma cada vez maior utilização dos serviços de saúde, que se reflectiu, por exemplo, no aumento da actividade hospitalar. Esta expansão no recurso aos serviços de saúde não é de estranhar, uma vez que o custo não monetário dessa utilização diminuiu acentuadamente.

Offline Mauro Germano

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Re: Objectivos dos S. de saúde
« Responder #5 em: Dezembro 13, 2007, 09:27:36 »
engraçado é que enquanto nos EUA se discute a necessidade de implementar um SNS cá (Europa) se pense em extingui-lo... Conhecem o sistema de Singapura?

Offline charlie_ze

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Re: Objectivos dos S. de saúde
« Responder #6 em: Dezembro 13, 2007, 17:27:19 »
Por acaso não conheço.

relativamente aos Sates é verdade.... os serviços de saúde é de topo para quem tem dinheiro. Actualmente procura-se emprego mediante o seguro de saúude.......

Portugal evoluiu muito na oferta dos serviços de saúde, e no abolir barreiras permitindo o acesso a toda a gente, mas nos ultimos anos vê-se um retrocesso enorme nesta filosofia, de tal forma que há 2, 3 anos atrás li um artigo sobre equidade na saúde, e Portugal estava no topo dos países com menos equidade.....