Votação

Concorda com a Eutanásia?

Sim ,a pedido do doente
5 (33.3%)
Dependendo da situação
8 (53.3%)
Sim ,mas nunca a faria
1 (6.7%)
Não em qualquer situação
1 (6.7%)
Não tenho opinião
0 (0%)

Votos totais: 15

Votação encerrada: Outubro 06, 2007, 02:24:48

Autor Tópico: As alternativas à Reabilitação  (Lida 6400 vezes)

Offline Álvaro Matos

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #15 em: Outubro 12, 2007, 21:34:00 »
Cara Projecto de Enfermeira ,decidi seguir o seu conselho e li com alguma atenção o artigo a que faz alusão. Reflecte sem dúvida uma opinião de alguém com bastante experiência de vida, mas também tendencioso ,não me parece que responda ao essencial da questão, pois parte com o pressuposto do não referindo “O grande objectivo na luta contra a eutanásia é criar cuidados paliativos! Não interessa discutir se a eutanásia deve ser ou não legalizada. Esse não é o problema…
Pois para mim esse é sem dúvida o grande e verdadeiro problema.
A questão pertinente que se coloca é quem é o dono da vida e se alguém na posse de todas as suas faculdades pode decidir na estação em que pretende acabar a viagem. Acreditando nas teóricas de Enfermagem, Hildegar Pepleau diz,” a vida é a luta por um equilíbrio que só se a tinge com a morte”
Há muitas contradições, no que vai afirmando ao longo da entrevista e posso citar como exemplo o filme “de quem é a vida afinal”onde a situação retratada é também um tetra, que depende de ajudas exteriores para viver, como sendo a diálise e também nessa situação é negada.
Pois o que é dito pelo Sr. Professor é “Nenhum médico pode fazer coisa alguma sem que a pessoa tenha dado previamente o seu consentimento informado”, então eu questiono será razoável que profissionais de saúde não desligarem a máquina, mesmo  sabendo que, em determinado caso concreto, a máquina não vai recuperar a pessoa, nem dar-lhe um tempo de vida com qualidade razoável.
Mais uma vez cito Ramón Sampedro” Assim é a lei – onde não predominar a razão pura sobre a lei, sobreviverá eternamente a injustiça.
Quando a filosofia se transforma em fundamento de direito, a razão imobiliza-se, nasce então o fundamentalismo, a intolerância, o fanatismo.
Se uma pessoa existe em função de um código normativo que impõe conceitos éticos e morais de outros, para que é dotada de uma consciência ética e moral? …
Na minha modesta e insignificante opinião deverá ser dada a possibilidade de individualmente alguém poder decidir num acto que só a ele diz respeito.

Offline Álvaro Matos

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #16 em: Outubro 13, 2007, 19:36:27 »
Cerca de 50 por cento dos idosos em Portugal admitem legalização da eutanásia
13.10.2007 - 17h42 Lusa


Uma grande percentagem das pessoas idosas institucionalizadas, mesmo não sofrendo de doenças crónicas ou terminais, pensa frequentemente na morte e cerca de 50 por cento admite a legalização da eutanásia, revelam dados preliminares de um inquérito realizado no âmbito de um projecto de investigação desenvolvido pelo Serviço de Biomédica e Ética Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

As conclusões desse estudo apontam para a existência de uma percentagem muito significativa de pessoas dispostas a aceitar o suicídio assistido, mas falta ainda perceber se isso reflecte uma vontade firme ou se é o resultado da solidão e abandono que os leva a pensar na morte. O objectivo deste trabalho, que reúne dados recolhidos ao longo de um ano, era determinar qual a opinião da população com mais de 65 anos e sem doença terminal sobre a prática da eutanásia.

A população seleccionada foi de 815 idosos, institucionalizados em lares e residências de terceira idade em todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas da Madeira e dos Açores.

Hoje, em declarações à Lusa, Rui Nunes, director do serviço de Bioética da Faculdade de Medicina do Porto e presidente da Associação Portuguesa de Bioética - responsável pela coordenação do estudo - explicou que este projecto surgiu na sequência de um outro que envolveu médicos oncologistas.

Nesse estudo, concluiu-se então que cerca de 40 por cento daqueles clínicos estavam disponíveis para a prática da morte assistida. "O nosso objectivo é contribuir para o conhecimento da realidade portuguesa no que respeita à prática da eutanásia", sublinhou Rui Nunes.

O responsável sustentou que se pretendeu efectuar uma análise sociológica e a consequente avaliação ética, sobre a plausibilidade da população portuguesa estar hoje mais predisposta à prática da eutanásia, bem como à reflexão sobre as estratégias mais adequadas para prevenir a sua ocorrência.

Sobre o estudo agora concluído, Rui Nunes esclareceu que foi escolhida uma população com mais de 65 anos, por ser "a faixa etária que, por se encontrar na trajectória final da vida, está mais predisposta a pensar na morte".

Os dados preliminares do inquérito apontam para a existência de uma percentagem muito significativa de pessoas dispostas a aceitar o suicídio assistido. "Falta ainda perceber se isso reflecte uma vontade firme ou se é o resultado da solidão e abandono que os leva a pensar na morte", salientou o responsável.

No caso desta segunda hipótese se confirmar, Rui Nunes defende a necessidade de se "repensar a sociedade para que estes pedidos ocorram no menor número possível". "Esta estratégia - que deverá incluir redes de cuidados paliativos e de cuidados continuados eficazes - está ainda muito longe de ser implementada em Portugal", lamentou.

Os resultados deste projecto serão divulgados terça-feira, em conferência de imprensa, na Casa do Médico-Ordem dos Médicos, no Porto.

O tema da eutanásia será também debatido no Congresso Nacional de Bioética, que se realiza sexta-feira, na aula magna da Faculdade de Medicina do Porto. Na sessão de abertura do encontro estará presente o secretário de estado e adjunto da Justiça, Conde Rodrigues.

Offline Projecto de Enfermeira

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #17 em: Outubro 19, 2007, 12:06:36 »
"Há pessoas que pensam: “Se eu não tenho saúde, se o meu corpo e o meu aspecto deixaram de ser bons para eu me sentir bem, se o meu corpo não presta para mim, então eu quero destruí-lo”. Os suicídios têm aumentado, designadamente na Europa e em Portugal, muitos deles devido à recusa do próprio corpo. Esse era o caso do Ramón. Ele não gostava do corpo paralisado. Achava que o corpo paralisado era a negação de tudo aquilo que constituía a sua religião de saúde. Ele achava que aquele corpo devia ser destruído por ele próprio, se o pudesse fazer. Mas como não o podia, então pedia aos outros que lhe fizessem o favor de destruírem aquele corpo que não prestava para ele. "
                                                                                                                 Daniel Serrão

Na minha modesta e insignificante opinião deverá ser dada a possibilidade de individualmente alguém poder decidir num acto que só a ele diz respeito.
                                                                                                                 Amatosa

Relacionando estas duas frases do Sr. Daniel Serrão e de si Amatosa, penso que é importante fazer uma reflexão.

A possibilidade de a pessoa decidir se quer viver ou por fim a sua vida, já é dada a maioria dos individuos, quando alguem já não quer viver, por variadas razões (uma simples discussão com a namorada, hoje em dia já é motivo para tal), põe fim à sua vida, através do chamado suicidio.Não quero relacionar eutanásia com suicidio, mas gostava de fazer uma pergunta a si e aos enfermeiros: Concorda com o suicidio? ... vejamos também é uma forma autónoma e individual de decidir se quer viver ou morrer, ou será que não?

O Ramon tinha uma particularidade, devido à sua condição física, não podia faze-lo com as suas próprias mãos. Eu não consigo perceber como alguem que era feliz, achava que já viveu o suficiente!! Então não queria dar continuidade a sua felicidade? Aqui entra a questão do corpo, realmente o Ramon não gostava do seu corpo, porque era completamente inerte. E por isso deixou de fazer coisas que para ele era importante, por exemplo: o sexo, sabemos que é uma necessidade básica, e ele deixou de tê-la... deixou de passear, deixou de trabalhar, deixou de estar com os amigos... são tudo perdas que o fazem sofrer imenso, embora ele não queira demonstrar esse sentimento.

A noticia que colocou cá toca num aspecto muito importante: "Falta ainda perceber se isso reflecte uma vontade firme ou se é o resultado da solidão e abandono que os leva a pensar na morte".

Eu acho que a vontade de morrer está mais relacionada com o segundo aspecto, a solidão, o abandono, o sofrimento, a angustia, a tristeza. Nos profissionais de saúde não podemos actuar nestes níveis? Eu tenho a certeza que sim. Infelizmente a percentagem de suicidios na população idoso é elevada (cá está a tal autonomia de decidir se querem dar continuidade à vida ou morrer), mas porque será que isto acontece?!! Acho que todos nós sabemos a resposta.

Tudo isto dá muito que pensar. Chegar a uma conclusão final é quase impossivel, caso contrário não exitiria a ética.
 :-*
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Offline Álvaro Matos

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #18 em: Outubro 20, 2007, 00:03:27 »
A vida não é um acto de cosmética, com o qual alguém se possa sentir bem ou mal.
A vida é algo que no caso concreto do homem deve ser equacionada em função das suas crenças e dos seus valores.
A teoria que pretende defender mais não é do que tentar impingir a sua moral, a quem conscientemente a não deseja.
A questão fulcral que aqui é colocada é se alguém tem o direito de interferir numa decisão deste nível. Adjectivar de suicídio, colocar fim a uma vida que se não pretende manter é exagero.Quero-lhe dizer que é um argumento ridículo e pouco sério o exemplo que cita (uma simples discussão com a namorada, hoje em dia já é motivo para tal), põe fim à sua vida, através do chamado suicídio.
Quanto à pergunta que me coloca é um bocado difícil responder, ao longo da minha vida profissional houve duas situações com as quais eu hipoteticamente poderia estar de acordo.
Tenho como regra de vida não tentar impingir os meus princípios morais a terceiros.
Como em tudo na vida cada caso é um caso e o que tento fazer é nunca tentar julgar, mas sim perceber o porquê de determinados comportamentos.
Não pretenda ter respostas para tudo na vida, sobretudo na profissional pois o tempo demonstrara-lhe que isso é pura utopia.
Cito só mais um bocadinho o Ramón Sampedro…
   Aos Cordeiros”
”Tinha a esperança que a razão se impusesse ao fanatismo e à superstição. Ou seja, que fosse devolvida ao individuo a consciência pessoal. Enganei-me! Existe um condicionamento psicológico insuperável para o ser humano eticamente degenerado. …

Devolvo-lhe a pergunta “mas porque será que isto acontece?!! Acho que todos nós sabemos a resposta.
Tudo isto dá muito que pensar. É provavelmente a única situação em que estamos de acordo.

Offline Projecto de Enfermeira

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #19 em: Outubro 20, 2007, 00:58:04 »
Realmente a vida não é um acto de cosmética, mas o corpo pode ser.
Eu nao quero mem prentendo impingir um quadro de valores individual nas outras pessoas, mas nos enfermeiros temos um quadro ético e deontológico inerente a profissão que temos a obrigação de respeitar , ou estarei enganada!! : É tendo em conta este que faço as minhas reflexões que podem ou não estar certas, dependendo do ponto de vista, e não os meus valores morais individuais.
O parecer que está no codigo deontologico dos enfermeiros sobre a eutanásia certamente será uma boa leitura, para depois comentar.

Eu não adjectivei de suicidio, deixei bem claro que não queria misturar eutanásia com suicidio, simplesmente disse que no suicidio a decisão é também autónoma e individual, tal como você defende que a eutanásia deve ser.

Eu sei que o exemplo que dei é exagerado e choca, mas ainda bem que é assim, é sinal que consegui demonstrar que hoje em dia algumas pessoas acham que a única solução para os seus problemas é a morte. O exemplo que dei não é uma mera brincadeira de mau gosto, estão relacionados com acontecimentos verdadeiros e como o próprio nome indica aconteceram na realidade.

Como rematei no fim, chegar a uma conclusão é quase impossivel, caso contrário não existiria ética.

Em relação à pergunta que lhe fiz, todos nós sabemos a resposta, isto esta relacionado com os aspectos que falei nesse mesmo paragrafo: a solidão, o sofrimento, o abandono, a angústia, o facto de ter feito uma retrospecção acerca da sua vida e ter chegado a conclusão que não conseguiu atingir os seus objectivos, a depressão.... e muito mais.

Ainda bem que temos opiniões distintas é sinal que somos pessoas diferentes e com capacidade para pensar e reflectir.
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Offline Álvaro Matos

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #20 em: Outubro 20, 2007, 01:40:20 »
Certo ou errado , o que é isso? será que existe?
Já viu que até um relógio parado está certo duas vezes por dia.
Sabe o que dizia uma das teóricas de Enfermagen Hildegar Pepleau(não sei se é assim que se escreve) " A vida é a luta por um equilibrio que só se atinge com a morte".
Quanto à questão da ética uma coisa é o quadro legal que sou obrigado a cumprir sob pena de ser processado criminalmente ,outra é esta faculdade que temos de pensar por nós próprios.

Offline Álvaro Matos

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #21 em: Outubro 23, 2007, 01:08:18 »
Senhora ética:
Todos temos um pouco de sábios e de loucos,mas querer tranformar um adulto numa criança é faltar-lhe ao respeito. Fazer uso de técnicas de condicionamento psicológico com o propósito de reforçar o temor da morte ,ou de agarrar-se à vida dê por onde der,de conseguir que uma pessoa se conforme com a sua tragédia e se sinta útil,é lícito e corente com os seus fundamentos ,sempre que se tratar de uma opcção pessoal e não de uma imposição ideológica ou paternalista...

in cartas do inferno

Offline Álvaro Matos

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #22 em: Novembro 03, 2007, 17:57:47 »
Será que um tema destes não merecerá uma maior participação?
Vá lá emitam a vossa opinião.

Offline Álvaro Matos

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Re: As alternativas à Reabilitação
« Responder #23 em: Janeiro 17, 2008, 22:17:12 »
Para não abrir um tópico novo ,gostaria de ouvir comentários ao programa de hoje da SIC.
Eu sinceramente fiquei siderado e de momento não consigo emitir opinião.