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Mensagens - kisstack

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Bem:p
Eu sou do norte e já estagiei em vários hospitais e todos eles tinham o Sape:)
No entanto, só a partir do terceiro ano temos total autonomia para fazer os registos em suporte informáticos, pois no primeiro e segunda ano eles são todos feitos à unhaca:p Ora para nós é bom, já que nos habituamos a ambos os processos...É claro, que este sistema é sem dúvida importante para o reconhecimento da profissão uma vez que cria uma linguagem própria, mas também podemos cair na monotonia, uma vez que eles oferece ao utilizador alguns dos diagnósticos e intervenções a eles associados, de acordo com o serviço...Não sei se o mesmo se passa cá por baixo...
O que muitas vezes faz com que os registos de enfermagem  acabem por se generalizar, sem que haja uma reflexão profunda do plano de cuidados de cada doente...

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Parabéns pelo tópico...
As tuas palavras transbordam sonhos, esperança e ao mesmo tempo desilusão...

Lembro-me quando à quatro anos atrás fiz a candidatura para o meu curso, que a  Enfermagem no nosso país ainda prometia um futuro risonho...Num espaço de 4 anos, as portas foram-se fechando a cada ano que passou...
A entrada na universidade, foi para mim uma grande alegria, primeiro pela oportunidade de conhecer uma área tão específica e que sempre me agradou, depois porque pensava eu ao fim dos 4 anos alcançaria a minha liberdade, seria finalmente tempo de ganhar asas e voar, começar a construir o meu próprio mundo, deixar os meus pais livres de encargos...
Durante o curso fui sofrendo, por um lado pela carga horária, pelas horas intermináveis em frente aos calhamaços que se amontoavam em cima da mesa, pelo stress que os estágios nos causam...pela exigencia, pelo facto de nem sempre encontrarmos bons orientadores, nem bons profissionais...mas lutamos contra as adversidades, com ajuda muitas vezes do sorriso daqueles de quem realmente cuidavamos...por podermos transmitir algum conforto aqueles que depositavam as suas vidas e a sua fé nas nossas mãos, por simplesmente podermos estar presentes e transmitir algum sossego, em todo o desassossego que uma situação de doença pode causar...
Cresemos, sofremos, sorrimos...aprendemos, perdemos parte de nós, fomos conhecendo o meio que nos rodeava...alguns de nós perderam parte da inocencia que nos acompanhava dos tempos de infancia abrindo os olhos para o mundo, e começando realmente a ver...
E no meio de muita agonia, sempre encontramos alguém que nos fez ver o quanto o nosso contributo era necessário, muitas vezes quando os que nos rodeavam e as demais classes da sociedade, desvalorizava o nosso papel enquanto enfermeiros...
E da mesma forma que por vezes perdiamos a força, de novo a recuperavamos, e só pensavamos que um dia esta etapa iria terminar, e que poderiamos nós próprios construirmo-nos enquanto profissionais...e abraçar de corpo e alma a nossa profissão...
Mantinhamos no pensamento a vontade de querermos ser bons profissionais, de querermos ajudar...de querermos ser mais...e mantivemos os sonhos que nos reonfortavam...
E depois...
Depois...veio o fim do curso...a alegria de sentir que demos o nosso melhor, do inicio de uma nova etapa...Mas com ela veio também a desilusão...desilusão de não podermos exercer a profissão que tanto gostamos...
Mas não desistimos e fomos à luta, e continuamos a lutar todos os dias, contra a política economicista do nosso país, contra a adversidade...
Lutamos, e por vezes sentimos as forças abandonarmo-nos...entregamos curriculos, palmilhamos as ruas à procura de uma nova esperança, de uma oportunidade de mostrarmos o que valemos, do que somos feitos...
Mas umas atrás de outras as portas teimam em fechar-se...muitas vezes somos confrontados com a insensibilidade dos nosso próprios colegas...e ainda há quem nos diga de caras que só entramos se tivermos uma boa cunha...olhamos para as secretárias e vemos o amontado de curriculos que parecem esquecidos...
No fim, o que somos parece resumir-se a meia dúzidas de palavras, escritas em meia dúzia de folhas...
Para não falar nos empregos mal remunerados, que nos tentam por representarem uma oportunidade de fazermos aquilo que gostamos, já não sendo importante o quanto recebemos, mas o facto de podermos oferecer algo aqueles que precisam de nós...3,5 euros à hora...ou trabalhar para ganhar experiência...é aquilo que muitas vezes nos oferecem...e os que sabem, e que deveriam lutar pela nossa profissão deixam-se ficar...será que realmente nós temos consciencia do que se passa com a nossa profissão? Porque não nos unimos?
Acima de tudo....percebemos que estamos onde estamos não só pela situação do país, mas porque nós enfermeiros deixamos que assim fosse...
No entanto, a única coisa que parece sobrar, é continuar a lutar e batalhar...caimos, perdemos as esperanças, para as voltarmos a encontrar...porque ninguém, mas ninguém nos parece querer vir salvar...
E as palavras que muitas vezes escrevemos parecem cair no vazio...no esquecimento...

Foi apenas um desabafo...que se juntará a todos aqueles que cairam no esquecimento... :'(

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Trabalhar fora de Portugal / Re: Enfermeiros / EUA
« em: Setembro 11, 2008, 13:22:25 »
Queria só deixar os parabéns ao forum, e aos nossos colegas que se encontram sempre prontos a ajudar-nos...infelizmente as fraudes não faltam...
A todos que escolheram irem para fora deixo o meu sincero "boa sorte" terminei em Julho o curso, e ainda espero um milagre por cá...
Experiência lá fora, já tive alguma...e acho que é importante passarmos por isso...
Tive em Erasmus na Finlandia, se alguém quisere experimentar eles precisam de enfermeiros, e o governo finlandes paga cursos a quem quiser ir para lá trabalhar:)
Saudações:)

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Bem vou ver se encontro isso de que falas no site da ordem.
Acima de tudo enquanto nao deixarmos de lado o velho e já gasto modelo biomédico, as coisas nao vao andar para a frente.
Há quatro anos que ouço falar do modelo holistico no meu curso, e posso dizer-vos que quando vamos para as praticas nao vemos nada disto...E tudo porque? Porque e muito mais importante termos dado os banhos todos rapidamente...Porque o que nos pedem é sempre rapidez.. Nao interessa a qualidade dos cuidados prestados, mas sim se temos tudo pronto às horas devidas...porque no final é isso que vai contar para as estatisticas. Alias a necessidade de enfermeiros é feita apenas com base no numero de doentes a cuidar, e é tudo que interessa para as continhas do hospital...Vivemos numa sociedade regida pelo dinheiro, em que o interesse é poupar dinheiro no momento imediato, ja que parece nao ser importante obtermos os ganhos a longo prazo...enfim...
Este mundo às vezes cansa-me...

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Boa tarde a todos.
Bem que dizer, ao contrário da maioria de vocês eu ainda sou aluna, ainda não tive a sorte de ser incluida nesse maravilhoso mundo, que é ser enfermeiro:)
Normalmente não costumo andar muito pelos foruns atenta às discussões que se instalam, mas quando pesquisava sobre cuidados domiciliários, numa tentativa frustrada de encontrar alguma informação acerca do número de pessoas que anualmente no nosso país têm acesso a este tipo de cuidados, vim cá parar.
Pois é, infelizmente é que eu liguei para a direcçao geral da saúde para a ARS do Norte, e claro naturalmente ninguém tinha na sua base de dados informação acerca deste assunto, e pior não sabiam onde encontrar nem informar onde poderia eu encontrar.
A verdade é que continuamos a carecer no nosso país de informação importante acerca de uma variedade de assuntos, pouco transmitimos daquilo que somos e oferecemos. Não percebo como é que numa altura destas em que se preve uma reestruturaçao de cuidados de saude primarios, em que se desenvolve um projecto de cuidados continuados, informaçao como esta parece nao existir. Só se realmente ela existe, está muito bem escondida ou realmente eu nao percebo nada de motores de busca, e nesse caso peço desculpas a todos.
Mas...Enfim...pondo de parte as minhas frustrações.
Posso dizer que como aluna do 4 ano de enfermagem, tenho em maos um trabalho de investigaçao cujo tema é os cuidados de saude domiciliarios, num centro de saude de Portugal e num centro de saude da Finlandia.
Como aluna que teve em erasmus neste país, nomeadamente a nivel dos cuidados de saude primarios, posso dizer-vos que temos muito a aprender com eles...Nao digo em termos de enfermagem, porque a meu ver a nossa é melhor, mas a nivel dos cuidados de saude primarios, da sua organizaçao, dos seus projectos, do atendimento que e feito.
Acima de tudo, e apesar de tudo o que foi dito aqui (e confesso que nao li todos os topicos, e ate pode alguem ja ter abordado o assunto), acho que sim têm razao quando falam que se deve apostar na prevençao e na promoçao. Mas ha um aspecto tambem ele de igual forma importante, que sao os registos de enfermagem. E triste verificar que os registos sao incompletos, nao ha uso de uma linguagem cientifica adequada, a maior parte do trabalho que realizamos nao e registado. Vi muitas vezes enfermeiras a fazer encaminhamentos dos utentes para a assistente social, sem efectuar o registo no processo do utente, alias processo do utente o que e isso? A maior parte dos registos eram feitas em folhas de notas de enfermagem, sem uma correcta identificaçao do utente (so constava o nome). A fazerem educaçoes para a saude que nao eram registadas. Enfim, e depois queremos nos termos visibilidade? Quando nos proprios nao contribuimos para tal? Nos ultimos anos lutamos contra a imagem de subordinados dos médicos, e no entanto, parece que continuamos a agir como tal, restringimos a nossa acçao ao cuidado à ulcera de pressao, à algaliaçao, à entubaçao nasogastrica.
Temos tantas possibilidades de intervençao, e mais, ha tanto que fazemos e nao valorizamos. Só espero um dia nao ser apanhada pela corrente e de me lembrar das palavras que aqui deixo.

So acrescentar...que do que eu vi a nivel dos cuidados domiciliarios...bem...so vos digo que antes do utente ser admitido nestes cuidados a enfermeira visita o utente com  intuito de fazer uma avaliaçao nao so fisica do utente, dos seus problemas de saude, dos seus antecedentes de saude, mas as relaçoes familiares que se estaelecem, as condiçoes da casa, o ambiente social em se inserem. Sendo que todos os objectivos sao estabelecidos com o utente, e a partida sao estabelecidos os cuidados que o utente ira usufrui. Para nao falar que cada utente possui consigo, em casa, o seu processo, onde consta os dados do utente, a sua sitauaçao, a medicaçao habitual que faz, o plano de intervençao. Além disso a enfermeira tambem faz registos da visita que realiza, neste processo. Ou seja, o utente também é dedentor da informaçao que lhe diz respeito.
Enfim...vou voltar ao trabalho. Espero que com o meu comentario nao ter ferido ninguem, acreditando que ainda sou muito fresquinha nestas coisas e que tenho muito a aprender.
Obrigada e boa semana

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