Forumenfermagem

Áreas de Intervenção Clínica => Proto-especialidade: Cuidados ao Doente Crítico => Tópico iniciado por: Anonymous em Abril 08, 2007, 12:52:37

Título: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Anonymous em Abril 08, 2007, 12:52:37
Meus Caros

Finalmente em Janeiro de 2007, a Ordem dos Enfermeiros tornou pública uma tomada de posição sobre o enfermeiro no pré-hospitalar, já conhecida de todos nós (texto na integra pode ser consultado em http://www.ordemenfermeiros.pt/images/c ... P01-07.pdf (http://www.ordemenfermeiros.pt/images/contents/uploaded/File/sedeinformacao/EP01-07.pdf)).
Nesse documento que devia ser Lei, consta "a imprescindibilidade da intervenção dos enfermeiros" no pré-hospitalar, para além de afirmar que "só o enfermeiro pode assegurar os cuidados de enfermagem ao indivíduo, família e comunidade, em situação de acidente e/ou doença súbita, da qual poderá resultar a falência de uma ou mais funções vitais, pelo que deve integrar obrigatoriamente a equipa de socorro pré-hospitalar".

Neste documento, a Ordem não é contra a existência de mais profissionais, nomeadamente os TAS, afirma e determina que a presença do enfermeiro tem de ser obrigatória no contexto pré-hospitalar.

É com algum gosto pessoal que verifiquei que a VMER do CHC já deixou de ter TAS ao seu serviço, ou seja, na impossibilidade de ter o terceiro tripulante, optou apenas por ter equipas compostas por enfermeiro e médico. Significa que o Conselho de Administração se limitou a cumprir as orientações da Ordem dos Enfermeiros. Pena é que nem todas as instituições cumprem determinações de quem de direito, nomeadamente os HUC, onde entre enfermeiros e TAS não há nenhuma diferença, isto é, as equipas ou tem enfermeiro ou tem TAS.

As minhas questões: Como é que a Ordem dos Enfermeiros faz cumprir as suas determinações? Perante uma situação de incumprimento (caso dos HUC), porque motivo a Ordem não faz nada? Será que a sua Bastonária tem medo do melhor hospital do mundo, quiçá do universo? Porque motivo os enfermeiros dos HUC não reagem e não pressionam o seu Conselho de Administração a ter enfermeiros em todas as equipas? Será que os enfermeiros dos HUC não são suficientemente competentes em suporte avançado de vida para substituir os famosos TAS? Como é possível com tantos enfermeiros no desemprego, este hospital ter outras pessoas sem qualificação a desempenahr funções dos enfermeiros e que exigem elevado grau de preparação? Qual será a posição da Senhora Enfermeira Directora, como é possível pactuar com esta situação, porque não faz cumprir  as directivas superiores?

Estas são apenas algumas questões, espero que haja muita discussão, e que estas situações próprias de zonas remotas de 3º mundo, desapareçam finalmente do nosso pequeno rectângulo à beira-mar plantado.

 :D
Título: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Anonymous em Abril 16, 2007, 22:01:37
A minha admiração vai para o facto do meu post não ter gerado nenhuma discussão nesta comunidade... era suposto que por ser uma área de particular interesse para os enfermeiros, aparecessem diferentes opiniões.

Contudo, não posso deixar de reforçar mais uma vez uma questão que me preocupa e que não sei o que se possa fazer: a Ordem dos Enfermeiros assume uma determinação através de uma tomada de posição sobre o enfermeiro no pré-hospitalar.

Os HUC mantêm tripulantes de ambulância na sua VMER. Porque não está o enfermeiro quando estes tripulantes estão na equipa? Se o CHC resolveu este problema, porque é que os HUC também não o resolvem? será que não há enfermeiros nos HUC interessados em fazer pré-hospitalar?

Saudações amigas

tdk
Título: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: anevesf em Abril 17, 2007, 16:48:25
É o grande problema da enfermagem, a falta de união, a falta de coragem para se assumirem como profissionais autónomos...
É como eu costumo dizer, uns dos nossos problemas é que existem os enfermeiros de "gabinete" e os de "cabeçeira" e quem ocupa os lugares de destaque em enfermagem na maior parte das vezes não é quem tem competências e pulso firme para lá estar, são pessoa que são "levadas ao colo" e claro na hora da verdade, de se assumirem fazem como a sr. enf. directora dos HUC... ÑADA porque como se costuma dizer na minha terra "têm o rabo preso" e o mais importante é manter o gabinete e não lutar pelo lugar dos enfermneiros nas VMERs!
Título: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Anonymous em Abril 17, 2007, 21:03:15
E a responsabilidade da Ordem?
Onde está o seu papel fiscalizador e controlador do exercício da enfermagem?
Se a nossa bastonária deixasse de ser lider sindical e assumisse as funções para as quais foi eleita, talvez que estas situações de incumprimento deixassem de existir... e já agora... será que com milhares de enfermeiros no desemprego, a bastonária ainda mantém a opinião (concordante com o governo) de que é preciso formar mais enfermeiros? Claro que mais umas quotas davam um certo jeito para os investimentos imobiliários da Ordem, mas...parem com a hipocresia e passem à acção.

Senhora Bastonária, actue como é da sua obrigação na VMER dos HUC

É da competência da Ordem dos Enfermeiros assegurar que os cidadãos recebam os cuidados de enfermagem adequados à sua situação e que tem direito, prestados por enfermeiros porque só estes e apenas estes, podem prestar cuidados de enfermagem!
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: mariamariamaria em Julho 06, 2007, 18:33:34
Olá,

Como tenho dito noutro tópicos, a invisibilidade ainda vai sendo a melhor maneira de as pessoas manterem os "tachos", por isso, quem poderia mudar as coisas opta por ficar quieto, pois só é sancionado quem tenta fazer alguma coisa.

No que respeita à OE, já estou desanimada de tanto a incentivar a adoptar as atitudes que o seu estatuto lhe permite, ou seja, defender a excelência na prestação de Cuidados de saúde, interrogar as Administrações dos hospitais, publicar uma lista dos locais onde faltam de facto, esses enfermeiros, obrigar à definição do rácio enfermeiro-doente, elevar a imagem do Enfermeiro ao patamar que lhe é devido.

Mas metem o "carro à frente dos bois"; têm os Padrões de Qualidade, mas os enfermeiros não têm tempo de ir assistir às formações, nem de aplicar, nos serviços, os modelos propostos ou impostos.

Criam o Complemento, com um total desrespeito por aquilo que foi o exercício profissional dos enfermeiros durante o seu percurso para nada. Ao fim destes anos todos de Complemento, ainda não têm doutores suficientes para que passemos ao ensino universitário.

Cobram quotas aos desempregados e não falam neles. Não os deveriam dirigir para aqueles milhares de postos de trabalho de Enfermagem que dizem que falta?

Só tristeza...

Abraço.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Manuel Costa em Julho 06, 2007, 19:18:49
Ola Caros colegas!

É-me imensamente triste ver tamanha falta de descrepância entre a realidade actual do mundo laboral e da empregabilidade da enfermagem e das ditas teorias governamentais (e que a nossa bastonária corrobora) quando é dito: "Temos falta de Enfermeiros, é necessário formar enfermeiros!", uma vez que segundo conclusões dos senhores do governo e Ordem não temos "prenchido" o rácio enfermeiro-doente necessário por forma a dar e prestar suporte aos nossos utentes, famílias e comunidades... Ora digam-me, como é que HÁ FALTA de enfermeiros se EU, EU (como muitos outros colegas) sou "vitima" do desemprego?!?!?!? (eu irei trabalhar futuramente para o continente. sinto-me contente por um lado, pelo menos dá para ganhar algum, mas tantos anos de esforço, meu, dos meus pais e por fim, ir parar ao continente... O sentimento que me invade é de pura frustação)
Como disse uma colega nossa: "Cobram quotas aos desempregados e não falam neles. Não os deveriam dirigir para aqueles milhares de postos de trabalho de Enfermagem que dizem que falta?"... PORQUE?!?!?!
Estou tão "exausto", de enviar curriculuns sem frutos e ver diante dos olhos os ditos FACTORES "C's" (cunhas) (que penso que agora começam a ser FACTORES "GC's" - (Grandes Cunhas)) a funciorem na perfeição, que perdemos por vezes todas as forças para continuar a lutar... Axo que isso é o reflexo da sociedade "selvagem" em que vivemos, em que a sobrevivência do mais forte (como diria darwin) é que perece, tambem um pouco infulenciada pela FALTA DE UNIÃO EXISTENTE ENTRE A NOSSA CLASSE, ainda se aponta o dedo e se faz a distinção, "discriminação" entre o privado e o público! Se nós próprios nos descriminamos, como queremos que a sociedade nos reconheça e nos dê o devido valor do qual tanto falamos e de que tanto somos merecedores?!?!?!?

É MUITO TRISTE...................

Cumprimentos,
Manuel Costa
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Son_Goku em Julho 07, 2007, 14:41:39
Pessoalmente, acho que os Enfermeiros estão muito mal representados a nível de Ordem. Já nem quero ouvir falar dela. Quando vejo a bastonária na televisão ou na rádio prefiro mudar de canal ou estação pois acho que de cada vez que ela aparece a profissão perde mais um pouco de prestígio (se é que ainda resta algum).
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Raul Fernandes em Julho 09, 2007, 14:42:06
Oh colegas

Vamos tentar usar um pouco de racionalidade na análise destas situações.

1.º A Ordem não tem poder fiscalizador nem regulador sobre os Conselhos de Administração dos Hospitais. O único poder que tem a esse nível é intervir quando alguém que não um enfermeiro esteja a prestar cuidados de enfermagem, o que não é de todo o caso. A OE recomenda, como citou o colega tdk que:
"só o enfermeiro pode assegurar os cuidados de enfermagem ao indivíduo, família e comunidade, em situação de acidente e/ou doença súbita, da qual poderá resultar a falência de uma ou mais funções vitais, pelo que deve integrar obrigatoriamente a equipa de socorro pré-hospitalar".

Mas não pode, de forma legal, agir contra uma prática que já está enraizada no País (o uso de técnicos) e mesmo ao nível internacional. Pode, isso sim, exercer influência para que sejam os enfermeiros, sendo que têm mais competências, a assumir essa função.

2.º A OE diz que faltam enfermeiros em Portugal, já pensaram porquê???? Todos nós sabemos que para cuidados de qualidade, bem como para atingirmos as médias europeias, faltam enfermeiros em Portugal. O Governo, através do MCTES, concorda e tem aumentado vagas para os cursos de enfermagem, mas ao mesmo tempo contradiz-se quando o MS dificulta a entrada de profissionais para o SNS. E vocês queriam que a OE desse razão ao MS e dissesse que já havia enfermeiros a mais?? e depois como é que se cumpriam os rácios? o que era feito dos muitos desempregados que já andam por aí? nem sempre o caminho mais óbvio é o mais acertado!

A OE tem que defender a qualidade de cuidados ao cidadão e isso faz-se com rácios correctos enfermeiro/utente. Não ouviram a OE dizer que era preciso formar mais enfermeiros, pois não? o que ouviram foi que são precisos milhares enfermeiros para cumprir as necessidades de horas de cuidados de enfermagem diários calculadas pelo Sistema de Classificação ao nível hospitalar e outros tantos para os cuidados de saúde primários.

3.º Porque se cobram quotas aos desempregados??? Já pensaram o que significa a enfermagem ser uma profissão liberal?? isso significa, entre outras coisas, que podes exercer enfermagem por conta própria! os enfermeiros que estão desempregados podem suspender a inscrição na OE até estarem empregados, mas durante esse tempo não poderiam de forma nenhuma exercer de forma liberal. O facto de pagarem quotas e de terem a cédula profissional é a garantia para o cidadão que aquele prestador de cuidados é mesmo enfermeiro e que está habilitado a prestar cuidados de enfermagem de forma autónoma.

A verdade é que são novos caminhos que os enfermeiros têm que aprender a percorrer. Não digo que é fácil para um recém-licenciado começar a trabalhar sozinho e se calhar nem muito correcto, pelo menos no actual paradigma que esperamos ver alterado com os novos estatutos. Mas devemos nós tirar esse recurso a quem o queira utilizar, só para não pagar quotas???
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Discovery em Julho 09, 2007, 16:25:21
A realidade é que a ordem está a prestar um mau serviço aos enfermeiros. Portugal é um dos países com maiores dificuldades economico-financeiras da União Europeia pelo que é obvio que não vai poder ter o mesmo rácio que têm outros países. Para quê andar a falar desses rácios de países mais desenvolvidos se o nosso não tem essas condições? Só se for para atingir esse rácio mas com metade dos enfermeiros no desemprego... Para a ordem convém, quantos mais melhor, pagam mais cotas, o que importa se estão no desemprego??? Os dinossauros lá sentados nos escritórios da ordem com certeza que não vão sentir esse desemprego...
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Son_Goku em Julho 09, 2007, 20:01:19
Vejam o exemplo da Ordem dos médicos ou advogados! Ambas têm intervenções em várias vertentes da vida das suas classes profissionais, apesar de qualquer ordem profissional se nortear pelo mesmo mandato. Mas se a Ordem dos Enfermeiros só existe para defender o direito dos utentes à qualidade dos cuidados em Enfermagem, então que sejam esses mesmos utentes a pagar as quotas!
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Discovery em Julho 10, 2007, 00:44:09
"Mas se a Ordem dos Enfermeiros só existe para defender o direito dos utentes à qualidade dos cuidados em Enfermagem, então que sejam esses mesmos utentes a pagar as quotas!"

Ora nem mais! Completamente de acordo.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Raul Fernandes em Julho 10, 2007, 15:05:18
Citação de: Son_Goku
Vejam o exemplo da Ordem dos médicos ou advogados! Ambas têm intervenções em várias vertentes da vida das suas classes profissionais, apesar de qualquer ordem profissional se nortear pelo mesmo mandato. Mas se a Ordem dos Enfermeiros só existe para defender o direito dos utentes à qualidade dos cuidados em Enfermagem, então que sejam esses mesmos utentes a pagar as quotas!

Sinceramente! Eu pedi para discutirmos com racionalidade...

Colega Son-Goku, deixo o exemplo das quotas mensais da Ordem dos Advogados já que quer comparar connosco:
Advogados com mais de três anos de inscrição - 37,50  €
Advogados com menos de três anos de inscrição - 18,75 €
Advogados reformados com autorização para advogar - 9,35 €
Advogados de outros Estados membros da União Europeia - 37,50 €Â 
Advogados de outros Estados-Membros da União Europeia com menos de três anos de inscrição - 18,75  €
Juristas de reconhecido mérito, mestres e outros doutores em Direito (nos termos do artigo 193.º do EOA) - 37,50 €

Não se vê aqui nenhuma isenção para desempregados, pois não?? Porque será???


Caro colega Discovery

Apenas alguns dados da ocde, Portugal com 4,4 enfermeiros por cada 1000 habitantes, encontra-se com pior rácio (menos de metade) que a Eslováquia, a República Checa, a Hungria entre muitos outros. Aliás, em abono da verdade , em cerca de 30 países que estavam em estudo, apenas ficámos à frente do México... Rácios de países mais desenvolvidos?? Querem comparar-se com quem?? Com os Países Sub-saharianos??
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Discovery em Julho 10, 2007, 16:00:09
Caro Raul fernandes

Porque não citatambém os rendimentos médios dos advogados!! E mais não me importava nada de pagar esses valores se visse ações concretas e defesa da classe profissional por parte da Ordem dos enfermeiros, como acontece com a ordem dos advogados.

Continuando:

Os numeros e as estatisticas servem para conhecer realidades mas podem ser apresentados da forma que mais convêm para defender a nossa posição.

A realidade é que:
"A média da UE, situava-se em 5,9 por mil habitantes, enquanto em Portugal era de apenas 4,2 enfermeiros por mil habitantes". (Fonte diário do minho).
De acordo com a ordem dos enfermeiros em 2005 o rácio da UE é de 5,8 enfermeiros por mil habitantes, contra 3,8 em Portugal. (Disponivel em: http://www.ordemenfermeiros.pt/index.pr ... rint&id=51 (http://www.ordemenfermeiros.pt/index.print.php?page=44&view=highlights:Print&id=51)).
 
Então será que não estarei a comparar Portugal com os outros países desenvolvidos??? Ou os países da UE são de terceiro mundo?!

Onde é que está essa diferença abismal??? Para a média ser de 5,9 tem que haver países da UE (os mais desenvolvidos) com rácios superiores e outros com rácios inferiores ou parecidos ao português.

E já agora as realidades da enfermagem mudam de lugar para lugar, no que respeita a competencias dos profissionais e à organização da profissão. Nalguns países os enfermeiros têm mais atribuições, noutros a profissão engloba não só enfermeiros mas técnicos e auxiliares de enfermagem pelo que aumenta o contingente de pessoal de enfermagem. Não podemos ser quadrados e fazer comparações lineares só com base em números. Nem fazer demagogia colocando os números a nosso favor dando uma falsa ilusão. Já agora é de bom tom ao colocar dados colocar a fonte para que estes possam ser consultados e analisados na integra por quem lê o texto.

Já agora o que é discussãpo racional! Não será em primeiro lugar respeitar a opinião dos outros e não a considerar irracional?
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: mariamariamaria em Julho 10, 2007, 19:09:17
Olá,

O Son-Goku disse aqui uma coisa que parece da maior importância.

É o facto de a OE, ao contrário de outras Ordens, não vir prontamente e publicamente, apontar o dedo aos culpados desta situação dos seus membros.

Não têm poder em relação às Administrações hospitalares, mas têm voz pública.

Penso que é o que entristece a maioria dos enfermeiros, qualquer que seja a especialidade onde trabalhe, é ver as condições a degradar-se e ninguém levantar a voz.

Até podem estar certos em relação ao futuro, mas o presente é uma miséria...

Abraço.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Anonymous em Julho 10, 2007, 19:35:54
Citação de: Raul Fernandes

Não ouviram a OE dizer que era preciso formar mais enfermeiros, pois não?


Para esclarecer dúvidas e algum possível equivoco:

Posição da Ordem dos Enfermeiros relativamente ao aumento de vagas nos cursos de Enfermagem, em 9 de Junho de 2006 - é verdade, já lá vai 1 ano, já havia enfermeiros no desemprego e perspectivava-se mais uns milhares...

Face às notícias veiculadas nos últimos dias pela Comunicação Social, a Ordem dos Enfermeiros (OE) considerou pertinente dar a conhecer a sua posição sobre a intenção do Governo em aumentar em 10% o número de vagas atribuídas às licenciaturas em Enfermagem.
Tendo em conta a actual carência de enfermeiros face às necessidade de cuidados a prestar, e tentando garantir que haja uma adequada renovação de gerações na profissão, o Conselho Directivo da Ordem dos Enfermeiros considera positiva a decisão do Governo em aumentar o acesso às Escolas de Enfermagem. Contudo, entende-se que esta medida não pode ser isolada do contexto nacional do ensino de Enfermagem e, consequentemente, não pode ser tomada sem a necessária reflexão e ponderação de diversos factores.
O aumento de vagas nos cursos de Enfermagem não deve ser aplicado se não estiver garantida a qualidade do ensino, nomeadamente no que diz respeito aos ensinos clínicos (que ocorrem em instituição de saúde). Assim, a OE considera que este aumento de vagas deve implicar um estudo prévio sobre as condições necessárias à garantia das capacidades formativas dos hospitais e centros de saúde.
O mesmo aplica-se às Escolas de Enfermagem. Para o Conselho Directivo da Ordem dos Enfermeiros, os estabelecimentos de ensino têm de assegurar a existência de condições suficientes – designadamente um corpo docente adequado ao número de alunos que frequentam os cursos de Enfermagem.
A OE defende ainda que a distribuição de vagas pelos estabelecimentos de ensino deveria ter em consideração o facto de algumas Escolas terem potencial de desenvolvimento para uma crescente oferta de vagas e de outras estarem numa situação limite das suas capacidades formativas.


A interpretação que fique por conta de cada um... mas a adequada renovação de gerações é o quê? Não se esqueçam que vamos ter de trabalhar mais uns anitos... e em 2006, a passagem dos 55 para os 65 anos já era uma realidade!

 ???
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Anonymous em Julho 10, 2007, 19:58:42
Citação de: Raul Fernandes


Mas não pode, de forma legal, agir contra uma prática que já está enraizada no País (o uso de técnicos) e mesmo ao nível internacional. Pode, isso sim, exercer influência para que sejam os enfermeiros, sendo que têm mais competências, a assumir essa função.



Caro Colega

Lamento discordar totalmente de si nesta afirmação, o que sem qualquer tipo de ofensa, me apraz dizer que demonstra ignorância sobre esta matéria:

1º Não pode chamar "técnicos" a quem o não é: as pessoas a quem você chama técnicos têm um curso de 6 semanas, o que multiplicado por 35 horas de formação, dá 210 horas, curso que é dado pelo INEM; na sua grande maioria tem grande experiência de rua na sua corporação de bombeiros:

a) Das 210 horas, a maior parte do tempo é inútil, há muitas perdas de tempo, e os horários raramente são cumpridos; para além disso tem uma forte componente de estágio em ambulância, dependente do número de ocorrências de cada tripulação; muitos dos turnos de estágio e felizmente para os cidadãos, não há registo de ocorrências;

b) Se é da opinião que, mesmo com 210 horas, se está habilitado para puncionar veias, colocar perfusões, preparar e administrar fármacos, desfibrilhar com desfrilhador manual, etc, etc, recomendo-lhe sinceramente que em caso de sua necessidade ou de um seu familiar querido, tenha a sorte de ser atendido por estes "profissionais"; asseguro-lhe que tem uma probabilidade acrescida de nas horas seguintes recorrer a serviços funerários;

c) por favor não fale muito alto, não vá o senhor ministro da saúde ouvi-lo, e se lembre de substituir rapidamente os enfermeiros por estes "técnicos".

2º Para se ser técnico em Portugal, é obrigatório um curso de licenciatura, que permite entrar no mercado de trabalho ao nível da carreiora técnica, exactamente a mesma por onde ganham os enfermeiros;

3º Os técnicos existentes noutros países, nomeadamente nos EUA, estão ao nível dos nossos técnicos com licenciatura, e são conhecidos por paramédicos, coisa que em Portugal não há, por muito que custe a engulir a muita gente.

 ???
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Raul Fernandes em Julho 11, 2007, 15:23:01
Caros colegas

Quando me referi a discussão racional, estava a referir-me ao comentário que deviam ser os utentes a pagar as quotas... e penso que isto não tem muito de racional e vou-me escusar até de tecer qualquer outro comentário porque acredito não ser necessário (se realmente acreditam que isso é racional, é uma discussão da qual não quero fazer parte).

A minha comparação com a OA foi feita para caricaturar as comparações que esquecem dos contextos. Claro que os rendimentos de médicos e advogados são diferentes e por isso as comparações devem ser cuidadosas, nomeadamente no que toca aos contextos em que cada Profissão está inserida, na maturidade e história da sua profissão e Ordem, bem como no seu estatuto social.

Não venho aqui defender que tudo é perfeito, mas não gosto da ideia que por vezes é transmitida que tudo o que se faz está errado, com base em comparações que esquecem os contextos.

Em relação aos rácios devo dizer que discordo que aumentar o rácio de enfermeiros implique mais despesa para o País e que por isso devemos estagnar o incremento dos nossos rácios. Mais uma vez essa é uma comparação sem contexto, porque se considerarmos os ganhos financeiros que a prevenção de saúde permite, poderia ainda ser lucrativo para o País. Agora que o MS não os cumpra isso já é outra questão, mas devemos ser nós a incentivar essa mudança para bem dos cidadãos e dos nossos colegas que estão no desemprego.

Colega tdk, não vale a pena irritar-se tanto, porque se ler bem a minha mensagem repara que concordo consigo em que devem ser enfermeiros nessas funções. Nesse aspecto estamos do mesmo lado.

Agora tenha atenção quando acusa as pessoas de ignorância... É que para isso é preciso estar muito à vontade no que se diz, o que me parece que não seja o caso.
Visite por favor o site novas oportunidades ou sites dos cursos tecnológicos que andam pelo País e veja quantas destas formações dão o nome de técnicos sem darem nenhum grau, muito menos a licenciatura. Nomeadamente, Técnico de Obra , Técnico de Medições e Orçamentos, Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho, entre milhentos outros que permitem dar qualificações mas não atribuem grau. Se quiser procurar na Portaria n.o 260/2006 de 14 de Março verá a quantidade enorme de cursos tecnológicos. Deixo-lhe ainda uma citação do CIEP (Centro de Informação Escolar e Profissional)  que encontra em http://www.drec.min-edu.pt/ciep/index_c ... s.asp#A521 (http://www.drec.min-edu.pt/ciep/index_cursos_profissionais.asp#A521)
Citar
A conclusão de um curso profissional concede aos alunos o direito a um diploma equivalente ao ensino secundário e um certificado de qualificação profissional de técnico intermédio (nível 3) .O diploma equivalente ao ensino secundário (12º ano) e o certificado de qualificação profissional de nível 3 permitem-te o ingresso nos Cursos de Especialização Tecnológica (nível 4) e o acesso ao Ensino Superior .

No entanto, para prosseguir estudos no Ensino Superior, o aluno terá de realizar os exames necessários.

Por favor informe-se melhor e cuidado com as acusações que lança sem base, digo-lhe isto com toda a assertividade.

Agora é bom que se perceba que certas coisas levam tempo a conseguir. E 10 anos no contexto de uma ordem profissional não é nada. Agora compete-nos a nós, enfermeiros, construirmos a Ordem que queremos. As eleições estão aí à porta e a oportunidade para mudarem, se discordam do caminho, está aí.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Discovery em Julho 11, 2007, 16:11:08
Só para introduzir mais um elemento importante para a discussão de rácios de enfermeiros em Portugal e desemprego. Para tal gostava de partir da seguinte frase de Raul Fernandes aqui no fórum:
"Agora que o MS não os cumpra isso já é outra questão, mas devemos ser nós a incentivar essa mudança para bem dos cidadãos e dos nossos colegas que estão no desemprego".

Concordo plenamente que muita da culpa de desemprego dos enfermeiros recém licenciados é do MS pois apesar da falta de enfermeiros nos serviços não permite contratar ninguém,. Ao invés permite que um diretor de um serviço ganhe 300 000 euros num ano só!!!!!!

Mas há outro dado importante que falseia a questão dos rácios. É que os enfermeiros portugueses mais experientes têm duplos e triplos vinculos empregaticios. Assim a questão dos rácios é falseada porque muitos enfermeiros ocupam o lugar de dois ou três profissionais.

Assim esse empenho dos enfermeiros deve passar antes de tudo acerca dessa questão. E não esquecer que estudos (inclusivé um que estou a desenvolver, em fase de conclusão e que poderei depois disponibilizar) demonstram que excesso de carga psiquica e fisica de trabalho gera stress, conflitos, sobrecarrega os colegas de trabalhob e aumenta a possibilidade de erros e diminui a qualidade dos cuidados. Acho importante refletitr acerca disso antes de apregoar os rácios (a ordem e os colegas que têm esses vinculos).
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: mariamariamaria em Julho 11, 2007, 18:32:13
Caro Discovery,

Não sei o número de enfermeiros que ocupam lugares em duplo ou triplo emprego, mas conheço alguns, por isso devem ser bastantes.

Também te digo que não são só os mais velhos, também os conheço recém-formados a fazer isso.

Também é verdade que afecta o desempenho, pela sobrecarga que todos reconhecemos.

Mas as pessoas que o fazem precisam do dinheiro.

Tenho a certeza de que se passássemos a receber pela tabela de licenciados, e fosse instituído o regime opcional de exclusividade recompensado, muitos desses enfermeiros deixariam de trabalhar em duplo.

E aí os doentes só teriam a ganhar, e aos enfermeiros não faria mal nenhum.

Mas como é que se resolve este problema?

Abraço.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Anonymous em Julho 11, 2007, 18:34:42
Citação de: "Raul Fernandes"


Mas não pode, de forma legal, agir contra uma prática que já está enraizada no País (o uso de técnicos) e mesmo ao nível internacional.


Citação de: "Raul Fernandes"

Colega tdk, não vale a pena irritar-se tanto, porque se ler bem a minha mensagem repara que concordo consigo em que devem ser enfermeiros nessas funções. Nesse aspecto estamos do mesmo lado.

Agora tenha atenção quando acusa as pessoas de ignorância... É que para isso é preciso estar muito à vontade no que se diz, o que me parece que não seja o caso.
Visite por favor o site novas oportunidades ou sites dos cursos tecnológicos que andam pelo País e veja quantas destas formações dão o nome de técnicos sem darem nenhum grau, muito menos a licenciatura. Nomeadamente, Técnico de Obra , Técnico de Medições e Orçamentos, Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho, entre milhentos outros que permitem dar qualificações mas não atribuem grau. Se quiser procurar na Portaria n.o 260/2006 de 14 de Março verá a quantidade enorme de cursos tecnológicos. Deixo-lhe ainda uma citação do CIEP (Centro de Informação Escolar e Profissional)  que encontra em http://www.drec.min-edu.pt/ciep/index_c ... s.asp#A521 (http://www.drec.min-edu.pt/ciep/index_cursos_profissionais.asp#A521)
Citar
A conclusão de um curso profissional concede aos alunos o direito a um diploma equivalente ao ensino secundário e um certificado de qualificação profissional de técnico intermédio (nível 3) .O diploma equivalente ao ensino secundário (12º ano) e o certificado de qualificação profissional de nível 3 permitem-te o ingresso nos Cursos de Especialização Tecnológica (nível 4) e o acesso ao Ensino Superior .


Apenas uns breves comentários:

1 - sei ler qualquer coizita e também me atrevo a uns rabiscos. Para mim, "contra uma prática que já está enraizada no País", não pode estar plasmada num decreto-lei de 2006, pois já nessa data se pedia á OE para batalhar esta causa em prol da qualidade dos cuidados de saúde aos cidadãos

2 - ao contrário do que pode pensar, não estava irritado; como não sou de toda a sabedoria admito ser ignorante nalgumas matérias, aliás caracterizo-me pela humildade e sempre aberto a novos conhecimentos

3 - os cursos técnicos que refere, nomeadamente o de Técnico de Higiene e Segurança no Trabalho, tens centenas de horas de formação (mais de 700 horas); se estiver interessado em frequentar este curso recomendo-lhe, pois como enfermeiro pode exercer funções como Técnico Superior de Saúde com esse curso, e se o seu hospital tem um gabinete de risco, pode você vir a ser o próximo gestor de risco, uma área que é um dos objectivos do MS para o corrente ano; todo este texto para dizer que os seus "téncicos" não se enquadram na filosofia das Novas Oportunidades; pura e simplesmente não são técnicos de nada

4 - a sigla TAE, que substitui a sigla TAS ainda não está regulamentada em lado nenhum; surgiu em 2004 por ocasião do Euro, associada à nova imagem de marca do INEM; como deve saber, TAS significa Tripulante de Ambulância de Socorro, e para se o ser, tem de se frequentar o tal curso de formação (não é nenhum curso da portaria que refere), com a finalidade de fazer parte de tripulações de ambulância, jamais de VMER

5 -  desilude-me particularmente que um colega reconheça competência a estas pessoas para, com um curso de 210 horas, poderem puncionar veias, colocar perfusões, preparar e administrar fármacos, desfibrilhar com desfrilhador manual, etc, etc, ainda por cima alguém que defende de forma muito clara o rumo de intervenção da OE

6 - continuo a não estar irritado

 :'(
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Discovery em Julho 11, 2007, 19:13:38
Cara mariarebelo1

Infelizmente também não disponho de dados que me permitam saber o número de enfermeiros que têm mais que um vinculo empregaticio mas pela minha experiência também são mesmo muitos. Por exemplo no serviço de urgência onde eu trabalhava só eu e poucos mais colegas recém-licenciados não tinhamos mais que um vinculo empregaticio.Senti muitas vezes as consequências da sobrecarga dos colegas, noites em que tive que trabalhar por mim e por outros, etc. Inclusivé os chefes de serviço trabalhavam noutros locais e diziam descaradamente que ganhavam mais nesses outros locais do que no hospital em causa. Assim, concordo que muito desse duplo emprego se deve ao baixo salário mas não só. É visivel que muitos enfermeiros nem têm necessidade desse vinculo duplo...

É claro que não tenho uma receita para mudar esse panorma mas como penso acerca destas questões acho que algumas medidad poderiam ser tomadas para reverter a situação. Entre elas:
1 - Posição da ordem dos enfermeiros acerca da questão, procurando conhecer a realidade e emitir pareceres acerca da problemática. Para quem acha que a ordem está a cumprir o seu papel aqui e está um exemplo do contrário.

2 - Conscientização dos colegas para esta questão. É necessário que quem tem uma posição estável se lembre dos parentes pobres (os recém-licenciados) e que pense se será correto estar a trabalhar em dois ou três locais que poderiam ser ocupados por eles. Também é necessário que essas pessoas pensem na sua qualidade de vida e na qualidade dos cuidados que prestam.

3 - Mobilização séria da profissão e greve com verdadeiro impacto para lutar pelo ajuste salarial. Infelizmente conheço situações em que colegas não aderem á greve com medo de que os seus contratos não sejam renovados. Mas a possivel ameaça não justifica esse comportamento. Ao não denunciarem a situação estão a ser cobardes e egoistas, compactuando com a situação.

Acho que estas são algumas das medidas possiveis mas infelizmente a enfermagem ainda é uma profissão em que cada um só se importa consigo mesmo. Não há corporativismo  no bom sentido nem capacidade de mobilização o que torna muito dificil lutar pelos ideais e pelos direitos da classe profissional. Para finalizar dizer que a ordem e os sindicatos com a sua dependencia politica também não estão a ajudar em nada a enfermagem....

Saúdações cordiais do outro lado do atlântico
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Raul Fernandes em Julho 11, 2007, 23:03:07
Caro colega tdk

Reafirmo o que disse.

Eu não disse que deviam ser técnicos a substituir enfermeiros. Defendo vigorasamente que sejam enfermeiros que na generalidade assumam a emergência pré-hospitalar que actualmente está nas mãos de bombeiros.

Agora uma coisa deve perceber e foi sempre essa a minha intenção. Portugal aderiu ao Processo de Bolonha e com ele admitimos também uma nova forma de abordar a sociedade nomeadamente a prática laboral. Assim, deve-se valorizar a experiência de vida dos cidadãos. Os bombeiros asseguraram e ainda asseguram um serviço que ninguém mais fazia, quando os enfermeiros ainda eram poucos para as necessidades.

Agora não se pode dar um potapé no dito de pessoas que toda a vida fizeram aquilo. As mudanças fazem-se com calma para que não se criem injustiças para quem deu o seu melhor em serviço dos cidadãos quando não havia nada melhor para oferecer. Agora que podemos oferecer mais qualidade e segurança vamos fazê-lo, mas tendo em atenção para não passar por cima de ninguém.

Quanto aos rácios e aos duplos, caro discovery, tenho que concordar com a Maria Rebelo. Os enfermeiros actualmente exigem um poder de compra que o ordenado de um só serviço não é suficiente e ninguém pode ser criticado por querer viver mais desafogado nas suas finanças. Senão, então é que andamos sempre a dar tiros nos pés - quando houver exclusividade deve existir remuneração compatível.

Contudo, a Ordem tem colocado cá fora várias posições sobre o assunto, nomeadamente os padrões de qualidade dos cuidados de enfermagem, bem com a adopção do livro do ICN ambientes favoráveis à prática, que todos os enfermeiros deveriam ler pois contém argumentos muito interessantes para justificar opções nos nossos serviços.

Quanto às greves, não se preocupe que elas devem estar a aparecer por aí. Pois os sindicatos estão agora a discutir a avaliação de desempenho na função pública e depois devem iniciar a discussão mais concreta das carreiras. Depois só falta a mobilização.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Anonymous em Julho 11, 2007, 23:37:57
Citação de: Raul Fernandes


Eu não disse que deviam ser técnicos a substituir enfermeiros. Defendo vigorasamente que sejam enfermeiros que na generalidade assumam a emergência pré-hospitalar que actualmente está nas mãos de bombeiros.




Um pequeno reparo: felizmente que a emergência pré-hospitalar, no contexto de emergência para a vida, já não está nas mãos dos bombeiros na grande percentagem do território nacional, ou seja, as tripulações da grande maioria das VMER já só tem enfemeiros e médicos.

As situações de excepção estão perfeitamente localizadas e são do conhecimento da OE (exceptuando a VMER do CODU Lisboa que tem particularidades que a diferenciam das restantes, nomeadamente não terem base hospitalar) e estão em Coimbra (HUC) e Figueira da Foz.

Cumps

 8)
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: mc_enf em Julho 28, 2007, 11:12:48
Caros amigos,

Por enquanto,o pré-hospitalar na grande maioria do território nacional ainda é assegurado pelos bombeiros.Veja-se que ha mais de 400 corpos de bombeiros no país e entre ambulancias do INEM e vmer's não chegam a 100. Muitas ambulancias do INEM encontram-se sedeadas nos quarteis de bombeiros e cuja tripulação é,ou deveria ser, de 2 TAS.

Também concordo em pleno com a inclusão dos enfermeiros nessa tripulação e espero k em breve todas as ambulancias de emergência possam ter um enfermeiro permanentemente. No entanto, acho que o papel dos TAS é ainda fundamental na equipa da ambulancia e nao na vmer. Isto porque eles têm formação em áreas que nós enfermeiros nao temos na nossa formação de base, a menos que frequentemos um curso extra.

Caros colegas, eu como provavelmente outros enfermeiros,tive oportunidade de tirar o dito curso de TAS. Nao foi no INEM mas sim na Escola Nacional de Bombeiros(ENB).Foi realmente de 235h durante 6 semanas,complementado naquela altura com um estágio de 50 serviços em 3 meses.

Actualmente o curso na mesma instituição é de 7semanas. Nao conheço a realidade da formação do INEM, mas asseguro-vos de que na ENB é bastante exigente, dura e com muita disciplina.Os horários são cumpridos com rigor e por vezes ha treino nocturno extra-horario. Além disso, ha uma forte componente prática, de rua, feita quer faça Sol ou chuva e simulando sempre situações extremas. Avaliações de carácter eliminatório todas as 6ª feiras. Houve formação de apoio ao SAV, mas ninguem ensina técnicas de enfermagem. Repito, foi a formação que tive na ENB, apesar de ser certificada pelo INEM.

Penso que os enfermeiros são a classe profissional que, com o complemento deste tipo de formação, estariam em situação priveligiada para assegurar em pleno o socorro pré-hospitalar.
Apenas mais uma coisa: os TAS são como já foi dito Tripulantes de Ambulancia de Socorro e os TAE são Técnicos de Ambulancia de Emergência. Continua a haver formação distinta entre ambos, sendo que para TAS é necessário 9º ano de escolaridade enquanto que para TAE é necessário 12º ano. Sei no entanto através de amigos TAE que a diferença na formação está no facto de que os TAE podem desfibrilhar com DAE.

Como enfermeiro e TAS acho que por enquanto qualquer uma das categorias profissionais é necessária na emergência pré-hospitalar, sendo que o futuro passará pelo uso em exclusivo dos enfermeiros.

Abraços  :D
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: mariamariamaria em Julho 29, 2007, 18:49:15
Olá,

Os enfermeiros com competência pré-hospilalar só se justificam naquilo que hoje conhecemos como VMER.

Deveria haver uma especialidade, reconhecida junto da OE, quer com curso de especialização, quer com o reconhecimento de competências pelo tempo de serviço.

E também devia haver alargamento da rede de VMER.

Quanto aos TAE, óptimos, os que conheço, mas limitados por questões legais. Que cumprem, na sua maioria, aquilo que se lhes é exigido, cumprem. Mas não é suficiente.

Abraço.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Son_Goku em Julho 29, 2007, 23:32:55
De facto é urgente a criação de uma especialidade em Enfermagem de emergência pré-hospitalar, antes que alguém se lembre de criar um curso técnico para o efeito, a exemplo do que aconteceu no passado em outras áreas. Acrescento ainda que o âmbito das especialidades deveria ser alargado a outras áreas,algumas delas eventualmente coincidentes com as áreas de compartimentação médica (Enfermagem intensivista, em cardiologia, etc) uma vez que muito do nosso trabalho, especialmente em meio hospitalar presnde-se essencialmentee com o controlo de situações de doença, balizadas pela classificação médica. Mas uma parte importante, e aí sim, campo de exclusividade da Enfermagem deveria ser os cuidados de proximidade, onde se poderiam também formular especialidades voltadas para a promoção de adaptação a situações decorrentes de doença ou estados pós-agudos,etc.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: isaura em Agosto 11, 2007, 23:38:54
olá! depois de ler as 25 respostas, devo dizer que acabo por sentir que existe um pouco de indiferença por parte da OE, até acredito que estejam a fazer o seu melhor, contudo das várias vezes que ouvi a nossa bastonária falar na tV fico triste. relembro aquele programa dos prós e contra; no qual lhe foi dado a palavra para ela dar a sua posição quanto a um assunto (sinceramente não recordo) e ela virou-se para o ministro da saúde e disse; nós esta semana vamos discutir esse assunto numa reunião e aí nós nos entenderemos. puxa!! eu sempre pensei
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: isaura em Agosto 11, 2007, 23:55:21
desculpa carreguei na tecla errada. como dizia; sempre pensei que de uma forma segura concisa e eficaz ela iria responder a pergunta da apresentadora referindo a posição da OE naquele contexto até para que os cidadões tivesse conhecimento sobre as dificuldades dos enfermeiros naquela situação (que sinceramente não me recordo, mas sei que era algo que nos apontam como culpados quando aquilo não passava por nós directamente). eu também acho que a OE deve ser mais incisiva, deve defender os cidadões mas também os enfermeiros. por exemplo, não vi qualquer tipo de notícia televisiva sobre as farmácias e a administração das tais vacinas entre outros (se existiu peço desculpa mas não me chegou aos ouvidos).

relativamente o nº de enfermeiros, até concordo com o colega quando diz que a OE não pode dizer que se formam enfermeiros a mais senão nunca mais chegaremos ao racio existentes noutros países da UE. contudo, e podem me achar pessimista, mas o que eu começo a ver neste país e pela política de gestão de recursos humanos é a formação de enfermeiros e apesar da necessidades destes, estes ficarem desempregados. até um belo dia em que o nível de desemprego será de tal ordem que a formulação de contratos precários será uma possibilidade que eles se sujeitarão porque querem como nós todos; ser independentes financeiramente, organizar sua vida afectiva, constituir familias... o que já existe em certos casos.

por fim relativamente ao tema de discussão, gostaria que a colega que mc_enf me dissesse quais foram os temas/conhecimentos que o curso TAS te facultou e que o nosso (enfermagem) não? fiquei curiosa...
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: mc_enf em Agosto 13, 2007, 13:57:17
Cara colega Isaura,

respondendo à tua questão,entre vários temas que já não eram novidade para mim, posso destacar o conhecimento dos vários tipos de ambulancia e o material nelas existente;Segurança no local da intervenção; a constituição da equipa de emergência; SBV Adulto,Pediátrico e Neonatal; as Emergências Médicas, as Emergências obstétricas e pediátricas, as Emergências Traumatológicas (e dentro disto uma quantidade enorme de conhecimentos), as Técnicas de abordagem e remoção de vítimas politraumatizadas (Técnicas de levantamento, de rolamento, extracção de vitimas em espaços confinados, salvamento em meio aquático, extracção de capacete,como trabalhar com Colete de Extracção,Cinto-Aranha,Plano-Duro,Maca Pluma,Maca de Vácuo e usá-los consoante as situações...);Salvamento e Desencarceramento (trabalhar com todo o material existente numa viatura de desencarceramento, incluindo simulações práticas com extracção de vítimas);noções de actuação em catástrofe, Apoio ao SAV, Telecomunicações, estágio de 3 meses (no meu curso) em ambulância do INEM.

Depois há sim outros conhecimentos que fazem parte de todos os programas de todas as Escolas de Enfermagem.

Mas, colega Isaura, se na Escola que frequentaste te administraram todos estes conteúdos e correspondente experiência prática, só tenho a felicitar-te e à tua escola. Na escola onde me licenciei estes temas não faziam parte dos conteúdos programáticos e em grande parte das escolas apenas poucos deles fazem parte. ???

Continuo no entanto a afirmar que enfermagem está em posição priveligiada para ser complementada com este tipo de formação e dar o seu real contributo na Emergência Pré-Hospitalar.

Espero ter respondido à tua pergunta Isaura.

Saudações!!! 8)
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: isaura em Agosto 13, 2007, 14:38:44
olá! agradeço imenso a tua rapidez na resposta. de facto tenho que concordar contigo que na minha escola também nao me ensinaram todos estes tópicos. tive umas jornadas de X horas no INEM mas no qual nao obtive na sua totalidade toda esta formação. Apesar de não a ter recebido durante a minha formação académica, ao longo da minha formação profissional junto ao DEP que explora certos cursos de formação, o acesso é muitas vezes limitado aos profissionais que exercem funções  no sector da urgência e UCI, justificando que estes têm prioridade relativamente aos outros enfermeiros. não sei se alguém já teve este tipo de experiência. por fim, concordo plenamente contigo quando dizes que estamos numa posição priveligiada para receber esta formação.
abraço
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: mariamariamaria em Agosto 15, 2007, 17:50:21
Olá Isaura,

de facto, os enfermeiros mais experiêntes em Urgências e UCI serão os que apresentam o perfil mais adequado a integrar essas futuras equipas do pré-hospitalar. Por uma razão simples, é porque se são experientes, já lá estão há algum tempo e isso deve ser por apetência para aquela área determinada.

A apetência por determinada área, ao contrário do que é sistemáticamente feito pelas Direcções de Enfermagem, é uma mais-valia importante para a excelência dos cuidados. Mas nada impede, neste momento, que o enfermeiro que tenha apetência por determinada área que lhe é vedada, pelos mais variados motivos, não possa perseguir o seu sonho.

Por isso, continuo a defender a especialização como base de exercício.

Eu, pessoalmente, era incapaz de trabalhar em pediatria ou pré-hospitalar; isso não faz de mim elemento menos válido para as minhas vertentes de apatência, pelo contrário.

Abraço.
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: isaura em Agosto 15, 2007, 22:53:53
eu concordo plenamente contigo, contudo como bem sabes o enfermeiro não escolhe o seu local de exercício de funções daí a tal dificuldade, eu entendo que o acesso deve ser prioritário aos colegas das UCI e urgencias. contudo eu acho que num grupo de 10, 3-4 enfermeiros podem ser de outra área.

saudações ;D
Título: Re: A Ordem dos Enfermeiros e o pré-hospitalar
Enviado por: Tininha em Outubro 29, 2007, 13:58:39
Citação de: Son_Goku
De facto é urgente a criação de uma especialidade em Enfermagem de emergência pré-hospitalar, antes que alguém se lembre de criar um curso técnico para o efeito, a exemplo do que aconteceu no passado em outras áreas.

Bem, parece que a Ordem dos Enfermeiros esteve atenta a estas preocupações, no que diz respeto às emergências e pré-hospitalar e tem em cima da mesa a prosposta para criação da especialidade  "Pessoa em Situação Crítica". O que pensam da criação desta especialidade e impacto desta junto dos doentes/comunidade e sociedade? Acham que esta se traduzirá em ganhos para a Saúde e trará maior visibilidade em relação ao trabalho desenvolvido pelos enfermeiros?

Concordo com mariarebelo e Son_goku, no que diz respeito à importância da criação desta especialidade, e por isso não me irei alongar, visto partilharmos pontos de vista semelhantes.

Tal como mc_enf diz, penso que, tal como o colega, estaremos em posição priveligiada para abarcarmos a Emergência pré-hospitalar. Não pelo curso de Licenciatura ( que apenas nos dão umas noções básicas - impossível ensinar e aprender tudo o que diz respeito processos de doença/Saúde em 4 anos)  mas com complementos de formação, que nos poderia catapultar para a orientação, gestão e chefia nesta área.
E então com a criação da especialidade... :)