Forumenfermagem

Áreas de Intervenção Clínica => Cuidados Gerais => Tópico iniciado por: Guytonn em Setembro 15, 2006, 20:34:58

Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Setembro 15, 2006, 20:34:58
O 2º Referendo sobre a despenalização do aborto, desta feita questionando os portugueses se concordam com a despenalização do aborto até às 10 semanas irá ter lugar muito provavelmente no mês de Janeiro de 2007. Antecipando essa mesma data, seria interessante apurar qual a tendência de voto dos membros do fórum Enfermagem.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: enfsergio em Setembro 15, 2006, 22:56:47
Como se vota?
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: enfsergio em Setembro 15, 2006, 22:57:46
lol
sorry...parece q ja deu
:)
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Darth_Vader em Setembro 26, 2006, 03:36:52
E quem vai proceder a essa interrupção?

Quem é  que se pode recusar?

E se uma equipa inteira de enfermagem se recusar?

(è quase impossivel, mas a possibilidade existe)
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: heparina em Setembro 26, 2006, 11:25:21
Sinceramente, independentemente da minha opinião, não vejo a necessidade de um novo referendo, uma vez que este mesmo já foi feito há alguns anos atrás e a resposta foi  "não", apesar de apenas terem votado 31,9 % dos eleitores. Não acho que as mentalidades neste país tenham mudado assim tanto. De qualquer forma ainda gostaria de saber, se a resposta tivesse sido "sim" na altura, se alguém estaria disposto em falar no assunto outra vez?...  Será que este assunto será do interesse de tantos portugueses que a influência às urnas irá ser maior?... fica a dúvida no ar...[/quote]
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Setembro 26, 2006, 20:58:36
Qualquer profissional pode ser objector de consciência face a este tipo de procedimentos. è lícito e é um direito que assiste a cada um.
Penso que a razão de um novo referendo prende-se sobretudo com lobbys poderosos ao nível de clínicas privadas que poderam ter na indústria abortiva um manancial de lucros bastante volumoso. Por outro lado, a repetição de um referendo em tão pouco tempo é um sinal de desrespeito para com aqueles que manifestaram a sua opinião no anterior excrutínio, ao diminuir a validade da sua vontade soberana.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Darth_Vader em Setembro 29, 2006, 03:15:35
É inevitavel. Independentemente das opiniões, enquanto este governo estiver no poder, tudo fará para o implementar, de uma maneira ou de outra. Basta olhar para a regionalização e para a co-incineração. Seja de uma forma ou outra, com um nome ou outro, eles vão para a frente.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: mariamariamaria em Outubro 05, 2006, 20:25:07
Claro que concordo.

Com as condições que nos dão para educar crianças, o preço dos infantários, o facto de a lei não prever tempo para os pais irem às escolas, cada vez mais dependentes da participação dos pais, não prever tempo para apoiar os filhos menores em situações que não de doença, com os preços das casas, da comida, enfim...

Com a desestruturação das famílias, em que a mulher fica sempre com os filhos e a reclamar pensões que nunca chegam...

Com a quantidade de mães adolescentes com a vida marcada para sempre e sem hipóteses de futuro...

Não me digam que nunca viram isto. E é fácil ficar grávida sem querer...
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 06, 2006, 15:13:56
Não se esqueçam que a despenalização do aborto é sempre uma despenalização cega: até para aqueles que defendem a mesma baseados nos dramas sociais que uma gravidez indesejada condiciona, a despenalização poderá dar origem a actos que mesmo para os activistas pró-aborto seriam dificilmente toleráveis, pois nesse cenário, a decisão da mulher em abortar jamais seria questionada e as suas razões infranqueáveis. Tal poderá abrir caminho, por exemplo, para a eugenia, éticamente intolérável. Senão vejamos: actualemente é possível determinar o sexo do feto com 8 semanas de gestação. Ora, se a progenitora deseja ter uma criança que não do sexo daquela que está a gerar poderá facilmente abortar sem que as suas motivações sejam colocadas a descoberto, até acertar no sexo pretendido...e tal hipótese não é de todo remota. A liberdade procriativa é lícita, mas esta deve começar na sexualidade responável e jamais poderá servir para legitimar um acto que na sua essência está muito mais para o lado do mal do que do bem.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: mariamariamaria em Outubro 06, 2006, 18:14:42
Sem dúvida, mas tudo o que existe pode e é, em muitos casos e em muitas leis, distorcido por quem apenas procura atingir os seus objectivos, mais ou menos inconfessáveis.

Isto não nos pode levar a deixar condenar mulheres pela prática de aborto. A condená-las e expô-las em praça pública, com as consequências óbvias no meio familiar, social e profissional dessas pessoas.

Acham com franqueza que a maior parte dos abortos tem esses contornos? Ou não passam de pobres mulheres, de pobres famílias que não conseguem suportar o encargo de mais um filho?

O ordenado mínimo neste país é de 375 €.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 07, 2006, 11:49:44
OK. Mas não se pode acabar com os fogos florestais cortando todas as árvores pois não?
Um problema não se resolve com outro problema!
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: hotvitor em Outubro 07, 2006, 13:27:12
O parentesco do aborto com a eutanasia é grande. Ambos envolvem a morte de um ser humano por parte de uma equipa de saúde.
Não vale a pena argumentar que antes de x semanas não é ainda uma "pessoa/ser humano". É preciso ser bastante arrogante para afirmar quando "começa a vida". Que sabemos nós?
Na minha opinião o aborto não passa de uma oportunidade de cometer homicidio para com um tipo de ser humano bastante fragil e o mais inocente.

Vergonha, é o que é!

Não se trata de evolução, mas crime.

No caso de familias com poucas posses, a culpa é dos varios governos, que não sabem apoiar as familias numerosas, especialmente as mais pobres.

Enquanto a solução para um problema passar por causar mortes, continuamos a não passar de homens das cavernas.

É pelo mesmo principio que sou contra a pena de morte e a guerra...
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: mariamariamaria em Outubro 07, 2006, 15:21:54
O ser contra a pena de morte e a guerra parece-me bem, todos somos, penso eu.

Enquanto o governo não apoiar as famílias, estas não podem continuar a ter filhos, algumas para colocar as crianças em centros de acolhimento(os mais sortudos).

A questão é e será sempre a valorização do planeamento familiar, da contracepção, mas na falha desta, a mulher deve ter o direito de escolher . É uma questão de auto-determinação.

Esta é a realidade do nosso mundo hoje. Que amanhã seja melhor, óptimo. Que todos os países civilizados do mundo favorecem a autodeterminação da mulher neste aspecto, é também uma realidade.

Quanto às questões éticas, há sempre o recurso à objecção de consciência, que é um direito de todos nós.

Não podemos valorizar mais umas vidas do que outras.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: hotvitor em Outubro 07, 2006, 21:00:37
Precisamente por não podermos valorizar mais umas vidas do que outras, é não se deve desvalorizar aquela pequena vida em genese.

A autodeterminação da mulher nunca deve ser argumento, para se poder matar! Aí é que para a autodeterminação de qualquer ser humano.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 07, 2006, 22:12:58
Fala-se muito em liberdade de escolha da mulher: a mulher, de facto , deve ter a liberdade de decidir acerca da sua vida reprodutiva e do seu corpo. No entanto, essa mesma liberdade não tem a primazia absoluta; para ser válida, ela tem um tempo próprio para ser exercida. Actualmente, existem métodos contraceptivos eficazes, ao alcance de todos que permitem o exercício dessa liberdade em tempo próprio.
Liberaralizar o aborto é a solução mais cómoda para o poder político, pois assim adiam-se eternamente a criação de políticas sociais que fomentem o apoio à maternidade: a verdade  é que sai mais barato financiar a industria abortiva do que produzir medidas de fundo que combatam a pobreza , que promovam a formação cívica dos cidadãos a par da educação sexual ou que forneçam o apoio necessário a famílias carenciadas.
E não me digam que a maioria das gravidezes indesejadas é inevitável: estudos demonstram que elas têm origem num facilitismo primário, na cultura actual que promove a irresponsabilidade e não no desconhecimento acerca dos métodos contraceptivos: a raíz deste problema é a mesma que nos leva a andar a 180 nas auto-estradas quando todos sabem que o limite são os 120, que nos leva às relações sexuais desprotegidas com um uma "ilustre" desconhecida apenas porque o que conta é o prazer imediato quando sabemos que estamos a arriscar a vida a prazo.

Liberalizar o aborto (o termo apropriado é liberalizar, não despenalizar) é o mesmo que despenalizar o roubo de carteiras alegando que esta é a forma de acabar com a pobreza ( do carteirista) ou uma alternativa à falta de emprego.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: mariamariamaria em Outubro 08, 2006, 10:31:23
Concordo contigo em muitos aspectos, guytonn, mas as leis têm como objectivo harmonizar a vida em colectividade, defenfer os direitos de todos. A própria Constituição, à falta de lei que regule qualquer aspecto nela não previsto, remete para a Declaração dos Direitos do Homem.
No nosso país há uma elevada taxa de gravidezes na adolescência. Por razões várias que conhecemos, quase todas elas condicionadas por uma questão de atitudes, de uma moral bafienta que dificulta a implementação e universalização dos métodos contraceptivos. Vamos ver : será melhor uma míuda de 13 ou 14 anos que ficou grávida porque teve vergonha de ir ao Planeamento familiar deve ter um filho? O que é que vai ser a vida dela e do seu filho?
Deixemos a moralidade e os juízos de valor de lado. Não podemos é estar a punir mulheres -e são só as mulheres que são expostas - gente de bem que não pode viver com mais aquele encargo ou enviá-las para a clandestinidade onde meia dúzia se enche de dinheiro a fazer abortos sem se responsabilizar pelas consequências. Com ou sem liberalização, continua-se a fazer abortos; que se façam com condições.
A mudança de atitudes e mentalidades leva muitos anos
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: hotvitor em Outubro 08, 2006, 12:19:18
Pois é, mas eles fazem-se na mesma... mas então porque não legalizar o roubo e cobrar um imposto ao assaltante? Que raios quer queiramos quer não há assaltos na mesma!!

Assim ainda gerava receita... :shock:
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: mariamariamaria em Outubro 08, 2006, 19:10:10
Todas as opiniões são válidas, todas merecem ser ouvidas. E para discutir um assunto tão complexo como este, quanto mais falarmos mais ideias vêm para a mesa, mais conhecimentos se trocam, o que é bom, pois uma decisão baseada na maior quantidade de informação está sempre mais perto da realidade.  :roll:
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Darth_Vader em Outubro 15, 2006, 03:55:14
Vai para a frente e vai, nem que não seja por cansar as pessoas de andar sempre a falar no assunto.
Mas acho que deviamos era deixar de andar com hipocrisias, se já houve um referendo e o resultado foi não (independentemente dos erros, ou não que continha a questão), a questão que se coloca agora é; vamos andar a fazer referendos até as pessoas dizerem sim??? O governo que assuma a despenalização/liberalização do aborto, sem referendo. Ou têm os t...... para o assumir ou então calam-se, no final de contas eles têm o poder de decisao porque até fomos nós que os elegemos para eles decidirem por nós
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 15, 2006, 14:59:59
Não concebo que uma gravidez indesejada seja tratada como se de um tumor se tratasse, cuja extirpação assume uma prioridade absoluta nos nossos hospitais. A vida humana, independente do seu estádio evolutivo, não pode ser tratada assim com tanta displicência, fazendo depender o seu valor das conveniências das pessoas. A vida humana, ou é sempre de grande valor às 10 semanas  ou então nunca o é : nisto não há "às vezes". Ora, esta questão encerra grandes contradições e mesmo os defensores do aborto não as conseguem dilucidar: Imaginemos então, uma  mesma mulher, que outrora abortou e que para "branquear" o facto diz que um feto de 6,8,10 semanas não é gente, e que o que fez é perfeitamente moral; Estando agora grávida de um feto com o mesmo tempo de gestação daquele que abortara anteriormente mas que agora é desejado, sente-se portadora de uma vida humana em toda a sua pleniitude, de um "filho" seu ao qual concede as mesmas propriedades de um filho totalmente "consumado" , e não tolerará por certo que lhe digam que está grávida de uma "coisa", No entanto , ela própria, assente nas suas conveniências situacionais havia já considerado anteriormente como "coisa"  um representante da espécie humana apenas porque tal lhe convinha. Agopra, a "coisa" dera origem a um ser que às 10 semanas considera seu filho, por conseguinte ser humano. Mas, como pode então uma "coisa" ser filho? Talvez porque a tal "coisa", material biológico ou produto de concepção  afinal fora sempre mais do que isso.
Concluindo, a vida humana não se define por decreto nem por conveniência: ela é atributo intrínseco da entidade humana e não da vontade que lhe deu origem.  Aqueles que defendem a liberalização do aborto até às dez semanas, ou consideram lícito a eliminação de uma vida humana baseados no seu tempo de existência , o que nesse caso os tornariam  assassinos, ou não consideram o feto uma vida humana, contrariando assim os seus próprios sentimentos de progenição face aos seus filhos enquanto entes desejados e amados, mesmo num estágio inicial de existência

Quanto às causas sociais como justificação para os abortos, mesmoo que válidas elas não justificam a liberalização do aborto: que argumentos aduzem os seus defensores para validar os abortos por parte daqueles com uma situação sociais favorável? O capricho também será justificativa?

Estudos dizem que todas as mulheres que desejaram abortar um feto indesejado mas  que tal não conseguiram devido a entraves vários e que agora se transformou numa criança, regozijam-se pelo facto de tal ter acontecido; nenhuma delas lamenta o facto de não ter conseguido eliminar a "centelha" de onde se originou o seu filho.

Permitir o Aborto é não conceder o tempo necessário para que uma mulher ame o seu filho.
Título: Aborto? Sim ou Não?
Enviado por: Paula Almeida em Outubro 18, 2006, 23:35:23
Definitivamente não!!!
A solução para uma gravidez indesejada ou para uma situação familiar dificil, nunca foi nem nunca poderá ser o aborto...
"é facil engravidar sem querer..."....:D
Sejamos realistas.... os bébés não vêm de Paris numa cegonha....
Penso que é consensual hoje em dia que, normalmente, uma gravidez resulta de uma relação sexual entre duas pessoas de sexos diferentes e que supostamente já são responsáveis pelos seus actos... Não podemos continuar a ver uma gravidez como um acidente...
O aborto, seja ele ás 10 semanas ou aos cinco dias, não deixa de matar uma vida...

Contam histórias de familias muito numerosas e que se vêm a braços com mais um filho que já não estava planeado... um acidente...

Se me permitem vou fazer uma análise fria desta situação... uma familia com 10 filhos sem meios económicos para poder sustentar mais um filho...estando mesmo comprometido  o bem estar dos restantes...
pois bem...

A solução passaria pelo aborto?

Então matar um bébé pequenino no útero da sua mãe era a solução?

Se o problema é económico tenho outra solução... porque não matar um dos filhos mais velhos?... gasta mais dinheiro em roupa, em comida, na escola... enquanto que o mais pequenino durante os primeiros meses beberia o leite da sua mãe, vesteria a roupa dos seus irmãos e só dormiria.... gastos....? muito poucos...

Que vos parece....?

Não é um raciocínio válido...?

Ou deixa de fazer sentido porque o filho mais velho já está mais crescido,
já se queixa, já se defende, já se queixa...

Não será então um acto de cobardia matar um ser tão pequenino, incapaz de se defender?

Que tipo de sociedade queremos ter?
Queremos viver numa em que os nossos filhos nos perguntem:

 :!: "Mãe: tu pensaste em abortar-me?"

 :!: "Pai, quando tu dizes que eu faço asneiras de mais, pensas que era melhor ter-me abortado?"

 :!: "Mãe, quantos irmãos deixei eu de ter por causa do aborto?"

 :!: "Pai, tu eras capaz de dar a vida por mim, ou eras capaz de dar a minha vida por ti?"

 :!: "Mãe, se eu fosse menos perfeitinho tinhas-me abortado?"

 :!: "Pai, eu valho alguma coisa agora? Porque não valia nada antes de nascer?"

        :!:   "Mãe, tu gostarias de mim ainda que eu viesse na altura errada?"

 :!: "Pai, quando as pessoas complicam a vida de outras podemos matá-las? Se tu ficares velho senil e mijão, eu posso matar-te?"

 :!: "Mãe, se até as mães matam os filhos, quem protege os meninos?"

 :!: "Pai, tu gostas mesmo de mim ou eu tenho de me tornar naquilo de que tu gostas?"

 :!: "Mãe: quantos abortos fizeste?"

 :!: "Mãe, tu não achas que se não tivesses abortado depois ias gostar do bebé tanto como gostas de mim?"


É triste, não é? :cry:

Já viram alguma mulher numa manifestação pró-aborto a exibir com orgulho uma T-shirt a dizer "Eu abortei!" ?

O aborto traz consequências horriveis para a mulher... há mesmo relato de mulheres que se suicidaram no dia em que o seu bébé faria o seu primeiro aniversário (se naõ tivessem abortado)... outras não suportam o chora das crianças... outras tentam  matar o resto da familia e suicidarem-se para reunirem toda a familia...
 
São relatos horriveis...

Por isso apelo a que se criem soluções para as familias mais necessitadas , para mães adolescentes....

O aborto nunca será uma saída feliz... para ninguém!
desculpem a extensão  da mensagem... mas não consigo ficar indiferente a esta campanha contra a Vida!

beijinhos a todos
Pauli
 (façam as perguntas que quiserem.... tudo tem resposta!)
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 19, 2006, 00:20:06
A história é pródiga em casos de limpezas étnicas.
O aborto é um caso de limpeza social camuflada.
Permitir o aborto como panaceia para situações económicas favoráveis não é solução.
Perguntem aos pobres se preferiam ter sido abortados...
Quantas pessoas sucesso conhecemos e que tiveram um início de vida pejado de dificuldades? se no seu tempo o aborto fosse legal, talvez tivessem acabado num caixote do lixo!
Não estaremo nós a tentar formar uma sociedade onde o direito a nascer é só para alguns?
Não estaremos a promover a cultura da desresponsabilização?
A despenalização do aborto é das manobras mais demagógicas que existe na política; é a prova do fracasso das políticas sociais, das estratégias de educação cívica e sexual, é o legado de gerações de políticos incompetentes que agora tentam fabricar uma solução fácil.
Julgar mulheres por terem abortado? Quando estas cometeram Aborto já sabiam que era crime, logo tratou-se de um risco calculado, como nós arriscamos andar a 160 km/h sabendo que prevaricamos. Aborto praticado  é crime! E o crime terá sempre de ser julgado.
Fala-se do aborto como uma inevitabilidade, uma fatalidade, como se uma gravidez se tratasse de geraçãoo espontânea, alheia à vontade e controlo da mulher, como se uma mulher pudesse dizer :" fui vítima de uma gravidez";

E já repararam na quantidade de razões que podem estar por detrás da decisão de abortar se tal for liberalizado? Eis alguns exemplos:
-O dinheiro é pouco, logo agora que tenho dois créditos para os carros novos.
-Já tenho o número de filhos que queria.
-O pai da criança é casado.
-Há 9 semanas queria um filho mas mudei de ideias.
-Queria um menina e afinal é uma menina (possível de se saber Às 8 semanas).
- Já não posso levar a gravidez por diante: surgiu-me uma grande oportunidade profissional e um filho agora só ia atrapalhar! Ainda bem que não disse a ninguém que estava grávida...
-O filho não é do meu marido.
- ... Isto justifica a morte de um feto?


O aborto em situações precárias é um problema de saúde pública, isso não se pode negar; quem tem dinheiro vai às clínicas quem não tem fica-se pela esquina. Mas...quantos médicos, enfermeiros, habilidosas, etc já foram condenados pela prática de aborto clandestino? ...Muito poucos, apesar de toda a gente saber uns quantos locais onde isso se pratica. E porquê? Talvez porque não exista vontade em combater estas situações, porque as"abortadeiras" ilegais são o sustentáculo argumentativo da campanha do "sim" . Sem a sua existência, o principal argumento dos abortistas esvaia-se.
Por último, fala-se da liberalização do aborto como um sopro de modernidade...é certo, mas por vezes a modernidade não é por certo o melhor futuro.
Título: aborto
Enviado por: enfsergio em Outubro 19, 2006, 15:58:27
Esta é uma situação muito delicada e penso que tem que ser muito mas mesmo muito bem pensada.
Penso que ninguem vai fazer abortos só porque quer e lhe apetece. Ninguém vai abortar porque não lhe apetece ter filhos agora ou porque não menino ou menina, ou porque já tem muitos filhos.
Penso que caso se verifique a liberalização do aborto, penso que o número de abortos não vão aumentar, pois as pessoas não vão sair por aí a fazer abortos. Além disso nas relações sexuais os métodos contraceptivos vão continuar a ser usados, principalmente o preservativo por causa das doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres vão continuar a tomar a pílula. Como se costuma dizer...neste momento só engravida quem quer:) métodos contraceptivos há muitos e variados. Divulgação também há muita. Secalhar as mentalidades é que têm que mudar. Possivelmente os centros de saúde terão aqui um trabalho muito importante com as consultas de planeamento, fazerem o levantamento das famílias de risco das suas áreas de acção e investirem aí. Porque não tornar as consultas de planeamento familiar obrigatórias a partir por exemplo dos 16anos? Médicos de família terão papel importante. O enfermeiro como elemento que está mais em contacto com as famílias e as pessoas ainda mais importante será o seu papel. Temos que investir em áreas que são nossos como os ensinos...
Título: Aborto
Enviado por: enfsergio em Outubro 19, 2006, 19:50:20
Amanhã, a Assembleia da República irá debater e votar a realização de um Referendo sobre a descriminalização e consequente despenalização do aborto em Portugal. Após a sua aprovação compete ao Presidente da República convocá-lo dentro dos prazos legais, o que aponta para a sua realização em finais de Janeiro, princípios de Fevereiro.
Três meses nos separam de um decisão histórica que o povo português vai tomar. Mudar a actual Lei, chegar a uma nova etapa de modernidade e respeito pelos direitos das mulheres.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Roten_Boy em Outubro 19, 2006, 20:24:44
Referendo Aprovado.  :|
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 19, 2006, 21:02:06
A grande maioria dos que vai votar "Sim" no próximo referendo, provavelmente não saberia responder a nenhuma destas perguntas:

-Sabe como se faz um aborto?
-Sabe o que é um feto de 10 semanas?
-Sabe qual a aparência de um feto de 10 semanas?
-Sabe se existe num feto de 10 semanas estruturas nervosas que lhe permitem sentir dor?
- ...

Provavelmente, a maioria vota a favor de algo que não conhece...
Aliás, a grande maioria das mulheres que abortaram e que posteriormente tomaram contacto com a realidade de um aborto lamentaram a sua decisão...
A ignorância voluntária não desresponsabiliza, embora nesta circunstância possa ser cómoda!
Provavelmente o sim irá ganhar e Portugal passará a ser um país mais industrializado, pois é de uma indústria abortiva de que se fala (Mais uma vez vamos ser invadidos pelos espanhóis, que a seguir às Zaras, aos El Corte Inglés nos vão ocupando)!
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Roten_Boy em Outubro 19, 2006, 21:14:36
@ Guytonn

10 semanas...

(http://www.partofeliz.com.ar/feto2.jpg)

(http://www.cpdt.com.br/images/desengestacao/08.jpg)

(http://www.encolombia.com/images/revistas/prenatal-f6a.JPG)

(http://www.continents.com/diabetes25_slide0008_image015.jpg)

(http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/spanish/ency/images/ency/fullsize/9571.jpg)



Já se fala numa possível fusão do nosso com Espanha... surgir um só com o nome de Ibéria.



.
Título: É verdade
Enviado por: enfsergio em Outubro 19, 2006, 21:14:43
Guytonn tenho que reconhecer que é verdade. A maioria das pessoas que vai votar desconhece tudo isso. Cabe aos que defenem o não explicar isso bem explicado para depois as pessoas não dizerem que a culpa do sim era da falta de informação.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 19, 2006, 23:48:17
@enfsergio
Explicar isso é a tarefa de uma sociedade evoluída, e não apenas dos partidários do não. Votar em consciência é votar conhecendo todos os dados que estão em jogo, independentemente do sentido do voto de cada um, sob pena deste referendo ser o maior equívoco da nossa história. Até às mulheres que abortam lhes são vedadas grandes explicações sobre o acto em si e aquilo que envolve, protegendo-as do prórprio acto que decidiram efectuar, sem nunca chegarem  a saber o que realmente fizeram.
Mas parece que existe uma manipulação da informação, uma parcialidade evidente, mostrando apenas parte dos factos, argumentando com verdades parciais, com eufemismos, substituindo a palavra aborto por IVG, alegando serem contra a penalização das mulheres que praticam o aborto e simultâneamente serem contra o aborto , demonstrando uma aberrante incoerência  e um défice de  frontalidade, para não dizer cobardia.
 Focam-se insistentemente os casos da penalização das mulheres pela prática de aborto, da injúria que isso constitui, as condições lúgubres do aborto clandestino; mas também se mostra imperiosos ilustrar o outro lado da verdade: a atrocidade que o acto de abortar implica, sobretudo sobre uma vida humana no seu início, na etapa em que é mais vulnerável...è isto que está em jogo, e penso ser possível caminhar para uma solução conciliadora que erradique duas realidades indesejáveis. MAs não se pode resolver um mal com um ainda maior, tal como não se pode resolver o problema dos incêndios florestais cortando as árvores.
Há que colocar os dados na mesa, sem tabus, sem falsas moralidades mas também sem demagogia: ninguém nega que muitas mulheres decidem abortar porque estão imersas em dramas sociais e familiares; muitas delas decidem abortar num acto de desespero e, como todos sabem, o desespero nos subtrai uma parte de racionalidade, nos faz tomar decisões que doutra forma jamais as tomaría-mos...isso é uma realidade que merece ser ilustrada, aliás como se tem feito . Mas também merece ser mostrada a realidade de um feto com 10 semanas, o método abortivo utilizado, os interesses económicos que beneficiam da criação de um comércio abortivo e que actualmente se estão a revelar. Depois disto devidamente elucidado, que cada um decida em consciência... Que decidam se abortar é um direito da mulher! MAs é bom lembrar que às vezes a razão não está do lado da maioria e que os direitos de qualquer mulher, qualquer homem não se decidem por referendo, nem se produzem de forma artificial: emanam da própria definição da natureza do Homem, da sua moral e ética, e um direito exercido sem o conhecimento cabal acerca daquilo que o mesmo envolve torna-nos apenas livres num espaço murado por todos os lados...
Título: Está aí a pergunta
Enviado por: Darth_Vader em Outubro 20, 2006, 03:46:06
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Título: Não!
Enviado por: Summer em Outubro 20, 2006, 13:21:38
Respondendo exactamente e somente a essa pergunta: Não! Não concordo com o aborto, ainda que seja "somente" até às 10 semanas.

As razões foram mais que expostas em posts acima. Não acho necessário repeti-las. A única razão que me levaria a concordar com um aborto seriam razões médicas muito fortes. À excepção dessas nada mais. E, sim, recusar-me-ia como membro da equipa de enfermagem a prestar os "meus" serviços a quem o fizesse. Tenho esse direito e iria fazer uso dele!

Summer
Título: Sondagem
Enviado por: enfsergio em Outubro 20, 2006, 19:59:05
Mais de quarenta por cento dos portugueses não tenciona votar no referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez, segundo um estudo da Eurosondagem realizado para a SIC, Expresso e Rádio Renascença. O “Sim” à despenalização do aborto tem alguma vantagem e é mais significativo entre as mulheres, mas há ainda muitos indecisos que podem revirar o resultado.
 
Das pessoas entrevistadas pela Eurosondagem, 36 por cento garante que irá votar caso se realize o referendo, enquanto que 21 por cento deixa essa hipótese em aberto. Mas 43 por cento diz desde já que não vai às urnas nesse dia. Em 1998, a primeira consulta popular sobre o tema registou uma abstenção de 68,11 por cento.

Entre os inquiridos que responderam que irão participar, 45,4 por cento tenciona votar no “Sim” à descriminalização, enquanto que 42,5 por cento tende por ora para o “Não”. Há ainda 12,1 por cento de “indecisos” – que tencionam votar branco ou nulo ou não souberam/quiseram responder.
Se fossem estes os resultados oficiais – e partindo do princípio que os indecisos se abstêm - a projecção da Eurosondagem dá vitória ao “Sim”, com 51,7 por cento.

Aos que indicaram que talvez vão votar, foi perguntado também qual será o seu sentido. Entre estes, o “Sim” até se distancia mais do “Não” – 46,1 por cento a favor face a 31,8 por cento contra -, mas os indecisos quase que duplicam, para 22,1 por cento.
Neste caso, a projecção atribui 59,2 por cento dos votos à despenalização do aborto.
No referendo de 28 de Junho de 1998, o “Não” venceu então com 50,07 por cento e o “Sim” acumulou 48,28 por cento dos votos.

Desdobrando os resultados deste estudo por sexo, as mulheres evidenciam-se tanto na intenção de participar na consulta popular como no voto a favor da descriminalização do aborto até às dez semanas de gravidez.

A proposta para uma nova consulta popular foi aprovada esta quinta-feira no Parlamento, com a pergunta "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?". O documento segue para Belém, o Presidente da República terá ainda que a fazer chegar ao Tribunal Constitucional antes de decidir se convoca ou não o referendo.


Fonte: SIC NOTÍCIAS
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 20, 2006, 20:47:31
Algumas declarações de profissionais que já praticaram abortos.



http://www.gargaro.com/abortquotes.html
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Darth_Vader em Outubro 21, 2006, 04:09:22
Será que o aborto não virá a ser usado como metodo contraceptivo, ao invés de ser usado como ultimo recurso?

É este o meu maior medo...
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Roten_Boy em Outubro 21, 2006, 10:34:19
A penalização é uma forma de controlo do possível descontrolo da escolha de abortar.

Hoje em dia com tantos métodos contraceptivos eficientes e informação, só corre riscos quem não está devidamente informado. E se não está devidamente informado, porque é que está sobre a opção de abortar? Sim, podem ocorrer certos acidentes numa relação sexual, mas... a sua causa está sempre associada a comportamentos de risco ou má informação.

Mas que abortar é uma possibilidade, já é conhecimento comum...
Título: Aborto em alguns países
Enviado por: enfsergio em Outubro 21, 2006, 13:44:21
Brasil
O aborto é considerado crime no Brasil, salvo nos casos previstos no 'art. 128 do Código Penal Brasileiro (CP)':

o aborto necessário (quando não há outro meio de salvar a vida da gestante);
o aborto humanitário, no caso de gravidez resultante de estupro.
A mulher que o pratica em si mesma ou que autoriza outrem a fazê-lo, pode ser penalizada com detenção de 1 a 3 anos (art. 124 do CP).
O aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante é penalizado pelo CP com reclusão de 3 a 10 anos (art. 125 do CP).
O aborto provocado com o consentimento da gestante é punido com reclusão de 1 a 4 anos (art. 126 do CP), aplicando-se a pena do artigo 125 caso a gestante em questão seja menor de 14 anos, doente mental ou se o consentimento houver sido obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.
Em julho de 2004, o ministro Marco Aurélio de Mello do Supremo Tribunal Federal, emitiu uma liminar autorizando a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia. Todavia, esta liminar foi revogada em 20 de outubro do mesmo ano, adiando-se a votação do mérito da questão para 2005. Até a presente data, contudo, não há ainda decisão final sobre o assunto.

Portugal
Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez também é punida até 3 anos de prisão.

Em 28 de Junho de 1998 foi realizado um referendo no qual o não à despenalização, ganhou com 51% dos votos expressos (apenas 31% do eleitorado foi às urnas). As sondagens anteriores ao referendo previam uma clara vitória do sim. A pergunta era: «Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da mulher nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?».

Um novo referendo deverá ocorrer em Janeiro 2007.

Alemanha
A interrupção da gravidez é regulada na Alemanha pelo Artigo 218 do Código Penal (Strafgesetzbuch). O aborto até ao terceiro mês de gravidez é permitido. É exigido apenas que a mulher tenha uma entrevista com um conselheiro especializado (Schwangerschaftskonfliktberatung) antes de tomar uma decisão definitiva.

Áustria
Já desde 1975 que na Áustria (um país católico e conservador) o aborto é permitido nos três primeiros meses de gravidez. Uma posterior interrupção da gravidez é permitida em caso de perigo de vida ou de dano de saúde (indicação médica), ou no caso de a mulher não tiver atingido 16 anos no momento em que se tornou grávida, ou ainda no caso de se saber que a criança será deficiente.

França
O aborto foi legalizado na França em 1975. É legal até à décima semana de gravidez. É exigido o aconselhamento da mulher e uma semana de espera. Após a décima semana torna-se necessária a certificação de dois médicos de que a saúde da mulher se encontre em perigo ou que a criança possa vir a ser deficiente.

Suíça
Na Suíça, o aborto até à décima-segunda semana de gravidez deixou de ser criminalizado. O artigo 119 do Código Penal considera necessárias duas condições para a descriminalização do aborto: a mulher deve alegar encontrar-se numa situação de emergência e deve ser informada exaustivamente antes de se submeter à intervenção.

Reino Unido
O aborto é legal na Inglaterra, Escócia e País de Gales desde 1967. Nessa altura, a legislação britânica era uma das mais liberais da Europa. Hoje, a maioria dos países europeus adoptaram legislação semelhante.

Suécia
A primeira legislação aceitando o aborto na Suécia foi emitida em 1938. Previa que o aborto seria legal caso existissem razões médicas, humanitárias ou eugénicas. A legislação actual encontra-se em vigor já desde 1974 e afirma que a decisão até à décima-segunda semana de gravidez é inteiramente da responsabilidade da mulher, por qualquer que seja a razão.

Cuba
O aborto é permitido até às 12 semanas desde o triunfo da revolução, em 1959.



Fonte: Wikipédia
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 21, 2006, 13:52:38
A legislação mais liberal relativamente ao aborto advém mais de decisões de índole política do que de uma reflexão ético-científica. De facto, abortar é uma forma de eliminar uma vida humana, se adoptar-mos uma abordagem firmada em pressupostos científicos e se atentarmos na realidade do feto. Infelizmente, a discussão acerca desta temática está politicamente polarizada, sendo escamoteada da arena pública a face científica do fenómeno. O aborto tem de ser caracterizado tanto nas suas vertentes sociológicas mas também científicas para ser debatido com exactidão . Até em relação às mulheres que abortam, é-lhes vedado esse esclarecimento, talvez porque a verdade integral tornaria a apologia do aborto difícil de seguir. Por outro lado, esse conhecimento ampliado por certo demoveria muitas das mulheres da sua intenção de abortar.
A seguir deixo o link para um vídeo de uma "aula" acerca do feto abortado, científica, sem moralidades, a fim de se poderem tirar conclusões..depois digam se abortar não é (ou pelo menos parece) criminoso depois de mostrado o outro lado da realidade, ou seja, aquilo que geralmente não se vê:

http://www.youtube.com/watch?v=Aos0L3ni9Hs

Por vezes, ter um filho significa um conjunto de dificuldades e sacrifícios que o tornam ainda mais valioso. A sociedade, hoje em dia, tenta subtrair todos os sacrifícios, tornar tudo um reflexo das conveniências e vontades das Pessoas;
Aqueles que defendem o aborto, sob o pretexto deste ser um direito da mulher, por certo se congratulam pelo facto de suas mães não terem exercido esse mesmo direito enquanto grávidas destes, independentemente dos sacrifícios passados, da sua vontade ou conveniência na altura . Afinal, eles não são mais do que um produto de uma mulher que decidiu abster-se de usar o direito a abortar...
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 21, 2006, 13:54:35
E sobre o aborto, uma sátira interessante:

http://www.youtube.com/watch?v=JdxdV_HqmYM
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 21, 2006, 19:43:57
Roten boy disse:

Citar
Hoje em dia com tantos métodos contraceptivos eficientes e informação, só corre riscos quem não está devidamente informado. E se não está devidamente informado, porque é que está sobre a opção de abortar? Sim, podem ocorrer certos acidentes numa relação sexual, mas... a sua causa está sempre associada a comportamentos de risco ou má informação.


Acerca disso, existe um estudo interessante, efectuado na FM da Universidade de Coimbra acerca da epidemiologia do aborto. Esse estudo revela que a maioria das mulheres que abortam são casadas e que abortam por não quererem mais filhos. Um dado relevante é que 86% dessas mulheres não usava rotineiramente qualquer método contraceptivo!
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Roten_Boy em Outubro 21, 2006, 19:58:29
Pois.  Ainda existe alguma mentalidade de "engravida, tem que casar", ou quando já são casados, já não há razões para alarme... e pecam na falta de uso de contraceptivo.

Mas há o caso de jovens que usam pílula e porque nessa altura a jovem estava constipada ou tomou algum tipo de medicação que atenua o efeito da pílula senão mesmo o inibe e... eis que se dá o acidente... MAS... acidente ou facilitismo irresponsável? Porque não usaram o preservativo aliado ao uso da pílula? Era uma junção de muito mais baixo risco. O risco da pílula não é nulo, então, houve falta de conhecimento deste pequeno risco? Ou houve facilitismo por o risco ser reduzido? Corre risco quem nada tem a recear das consequências ou quem está mal informado?

  :shock:


Outro vídeo para reflexão: http://www.youtube.com/watch?v=26opXNt32Gg (http://www.youtube.com/watch?v=26opXNt32Gg)
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: enfsergio em Outubro 22, 2006, 12:05:54
Quem fez abortos continuará a fazê-los. Quem não os fez, também não será agora que os vai fazer. Penso que isto é uma temática que tem que ser muito bem pensada. Se o aborto for legalizado, a mulher que o pretende fazer deve passar por uma consulta informativa constituída por psicólogo, médico e enfermeiro, onde devem ser explicados pormenorizadamente o que é feito durante a cirurgia que leva à interrupção da gravidez, os prós e contras e estudar bem o que leva a mulher a ir abortar e ver se não há outra solução, de forma a não usar o aborto como novo método contraceptivo.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 22, 2006, 13:30:23
Enfsergio disse
Citar
Se o aborto for legalizado, a mulher que o pretende fazer deve passar por uma consulta informativa constituída por psicólogo, médico e enfermeiro, onde devem ser explicados pormenorizadamente o que é feito durante a cirurgia que leva à interrupção da gravidez, os prós e contras e estudar bem o que leva a mulher a ir abortar e ver se não há outra solução, de forma a não usar o aborto como novo método contraceptivo.


Pois, isso seria o mínimo a fazer. O problema é que na maioria dos casos em que o aborto é legal, não é dada nenhuma informação ou esclarecimento à mulher, antes pelo contrário, as coisas são feitas o mais celeremente possível para a mulher não pensar muito e mudar de ideias. Assim, as mulheres continuam com os mesmos défices de conhecimentos, não sendo por isso de estranhar que muitas sejam reincidentes na prática do aborto!
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: FilipaFontes em Outubro 22, 2006, 21:06:54
Na minha opinião a população portuguesa não está preparada para um referendo sobre o aborto. Penso que a generalidade da população está pouco informada acerca da problematica e que quase ninguem percebe o que está em causa! Mais importante seria, penso eu, informar e depois sim, perguntar...Cumprimentos
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Roten_Boy em Outubro 22, 2006, 21:12:54
Se for legalizado, deveria haver uma cláusula na lei de que era necessário antes de a mulher assinar a declaração de consentimento que fosse devidamente informada e elucidada com um vídeo científico sem moralidades em que abordasse toda a temática, com um procedimento de aborto real, com dados reais das repercussões psíquicas nessa mulher com a situação do pós-aborto, qual o aspecto de um fecto de 10 semanas... etc...

E as clínicas onde isso fosse omitido seriam severamente punidas ou mesmo correr o risco de serem suspensas ou encerradas.

Acho o vídeo mais valorizável do que simples imagens. Vejam os vídeos que foram colocados neste tópico e digam se realmente não chocam.


Outro vídeo sobre o aborto, atenção aos mais sensíveis  :evil:  http://www.youtube.com/watch?v=iYF_UNY8_sU (http://www.youtube.com/watch?v=iYF_UNY8_sU)
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Summer em Outubro 22, 2006, 22:19:59
Na Holanda o aborto é legal até às 22 semanas. Existem variadas clinicas onde o aborto é efectuado que se têm que reger pela lei referente ao aborto. Resumidamente, isto significa que:
- o aborto é realizado profissionalmente e não existem contra-indicações médicas para a sua realização.
- um "tratamento" entre os 12 e os 16 dias em que a mulher deveria ter tido a sua menstruação não necessita de tempo para "pensar".
- um aborto depois dos 16 dias só é realizado, no mínimo, 5 dias após a primeira consulta de informação, a mulher recebe informação detalhada sobre o que significa o aborto, os diferentes aspectos inerentes ao aborto e os diferentes métodos. Deste modo poderá "pensar" e  tomar uma decisão consciente.
- Durante este tempo a mulher tem à sua disposição toda uma equipa especializada (médicos, enfermeiros e psicólogos) com quem pode falar, colocar as suas dúvidas e perguntas.

Embora já tenha expressado a minha opinião pessoal, sou contra o aborto, se este em Portugal fôr despenalizado espero que a lei relativa ao mesmo seja uma lei apropriada, completa e informativa para a mulher.

Summer
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 23, 2006, 14:30:46
Citar
Na Holanda o aborto é legal até às 22 semanas.


Actualmente, em unidades de neonatologia de ponta, prematuros com 24 semanas de gestação sobrevivem. Daqui a alguns anos, é provável ver-mos prematuros com 22 semanas sobreviverem fora do útero da mãe. Uma mãe que tire a vida a um desses prematuros de 22 semanas que esteja numa incubadora é crime, todos concordam, mas se o mesmo estivesse no ventre da mãe, já seria visto como um direito da mesma...
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Summer em Outubro 24, 2006, 19:42:05
Voltamos sempre à mesma questão, afinal o direito de quem é que está em jogo? Além disso... uma mulher com 22 semanas pode abortar mas com 23 já não pode... já é crime, um bébé de 23 semanas já tem direito à vida e um de 22 semanas não tem. Novamente a questão: com quanto tempo de gestação é considerada uma vida? Para mim é mais que claro que é desde o momento da fecundação!

Summer
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: hotvitor em Outubro 24, 2006, 20:25:13
Depois de ouvir isto, que mais há para dizer?

APOIADO!
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Outubro 24, 2006, 22:12:37
Pedro Nunes, Bastonário da OM, disse que não percebe como é que o estado vai onerar a execução de abortos , tendo para isso já celebrado acordos com clínicas abortivas (apesar de o aborto ainda não estar referendado  (!?)), quando não disponibiliza gratuitamente a contracepção, ou quando o tratamento de certas doenças crónicas não é comparticipado na totalidade.
Além disso,  o já de si entupido sistema de hospitais do SNS vai ser sobrecarregado com mais este "charuto" prioritário, quando para cirurgias às cataratas , varizes , etc espera-se anos a fio, sendo o aborto mesmo colocado à frente de cirurgias de carácter urgente, como as oncológicas.

Por outro lado, o aborto sendo liberalizado, dá direito a uma baixa médica de 30 dias, com direito a "pensão completa" no que toca à parte retributiva.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: enfsergio em Outubro 24, 2006, 22:51:03
penso que neste momento a ideia daqueles que defendem o aborto, principalmente os partidos políticos, é promover a legalidade para combater a ilegalidade
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Roten_Boy em Outubro 25, 2006, 11:47:57
@Guytonn

EU vi essa discussão na TV e de facto a OM tem razão. Além disso, a prática assistencial do aborto por parte de enfermeiros e médicos não viola o seu código deontológico?
Título: Debate Referendo ao aborto - as razões do sim
Enviado por: enfsergio em Outubro 30, 2006, 16:47:28
31 de Outubro

Debate: Referendo ao aborto - as razões do sim

Faculdade de Psicologia da Univ do Porto sala 252 2º piso 16h com João Teixeira Lopes, Maria José Magalhães e Alexandra Oliveira


Cabe aos que defendem o não fazer os seus debates e esclarecer a população...Não podem ser só os padres nas Igrejas a dar a versão da Igreja, pois essa já nós conhecemos muito bem

 :twisted:
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: marciolopes em Outubro 31, 2006, 21:23:02
Como já foi referido algures neste fórum, ninguém irá jamais abortar simplesmente porque sim.  Agora parece-me que a questão deve ser colocada, vivemos numa democracia? Sim ou não? Então será que alguém tem o direito de impedir outrem de realizar qualquer acto? Provavelmente vão dizer que sim, que ninguém deverá jamais permitir que alguém mate ou recorra a uma equipa de saúde para lhe matar o seu filho. Porque de facto o é, quer tenha sido planeada, quer tenha aparecido de uma relação fortuita e descuidada, seja de que forma for. Agora também questiono, esses que são a favor de manter os olhos fechados a algo que iria expor as mulheres que desejam abortar, mas que iria aumentar a qualidade dos cuidados e acompanhamento dessas mesmas mulheres, se serão eles que mais tarde iriam suportar esses filhos indesejados, sepultar esses bebés abandonados na sarjeta e no lixo, quem irá dar uma moedinha aqueles que lhes arrumam o carro...
Pergunto se o aborto será algo que ao ser dito que não há despenalização se não irá, no caso de uma mulher querer abortar se esta não deverá ser avaliada e acompanhada por uma equipa multidisciplinar que a faça compreender o que é o passo que está a dar na sua vida.
Deixemo-nos de exemplos únicos e pouco fáceis de ocorrer, pensemos que os que defendem a vida, mesmo que sem qualidade, jamais recorrerão ao aborto, agora não devem impedir outras pessoas de o fazerem, se em dado momento das suas vidas essa lhe parece a melhor opção. Porque inevitavelmente, ainda não existem apoios, métodos de apoio efectivamente pessoas desfavorecidas e com dificuldades, sem condições psico-economico-sociais de manter uma criança em condições que se possam considerar razoáveis.
Falou-se ainda do facto de uma mãe ter remorsos por abortar, é óbvio, foi o que referenciei inicialmente, ninguém irá abortar de ânimo leve, nem ninguém poderá abortar sem estar esclarecido sobre o que é e os riscos que daí advém.
Também é bem verdade que só engravida quem quer, mas encaremos com olhos de ver, quantas meninas não nos chegam aos serviços e continuam a não poder falar com a mãe sobre a pílula, preservativo, etc... é verdade que cada vez mais se fala e se esclarece. Nas escolas cada vez desde mais cedo, e os que não vão à escola? Têm de se suportar como se fossem ignorantes e "temos pena mas tem de se aguentar"?
Não será que o aborto não é uma solução e um estímulo para investirmos na educação e sensibilização?
Desta forma será mais efectiva a sensibilização Shock, não aborte apesar de não ser crime, informe-se, respeite a vida, previna-se, apesar de já se poder fazer não faça....
Será preferível uma mulher esvair-se em sangue porque infeliz não pode abortar numa clínica, não tem acompanhamento, ou que uma mulher optasse por algo doloroso, marcante e difícil, mas que tem o apoio de profissionais, que a  ajudam a percorrer esse caminho???
Ainda se falou, matamos um feto e não matamos um irmão mais velho... acredito bem que muitos pais o desejem no mais íntimo, a verem os filhos na rua, doentes, a prostituir-se, etc...
Como compreenderam sou a favor do aborto, não por mim porque felizmente posso contar com o apoio da família caso algo do género acontecesse,  e acreditem que o meu maior desejo é ser pai, contudo sei que muitos não o desejam, e como profissionais de saúde sabemos bem o que acontece quando um filho não desejado nasce, quando uma criança mal amada cresce, sabemos bem nas personalidades tipo que surgem, pessoas deprimidas, agressivas, comportamentos de adição, etc etc etc...
Vamos reflectir um pouco antes de colocarmos o voto, pensemos em nós, no que amamos e acreditamos, mas pensemos que nós estamos aqui, sentados no nosso cadeirão, no nosso pc, na nossa casa, com um ordenado melhor ou pior ao fim do mês, temos informação e conhecimentos, mas pensemos que mesmo assim e apesar de tudo somos uma parte da sociedade e nem todos o podem fazer como nós. Com isto não digo que o aborto será apenas para os mais carenciados, menos informados, etc, certo será que irá ser praticado por pessoas que poderiam sustentar o filho, amá-lo e dar-lhe todas as condições, mas não será já a pena dessas pessoas o ressentimento para o resto da vida? É verdade que são vidas tão dignas como qualquer uma das nossas, concordo, mas só o faz quem quer, não vamos é limitar a escolha a quem o quer fazer e não posso é concordar com o facto de podermos ter uma maneira de mudar essa vida, diminuir o sofrimento dessa vida e fechar os olhos porque acreditamos que num passo de mágica a criança que vem ao mundo desamparada e não amada se transforma num príncipe cheio de amor, carinho, alimentos na mesa, uma educação, uma cama quentinha para dormir...
Acredito que infelizmente, o aborto é ainda no nosso país uma saída, limite e extrema, mas quantas pessoas não vivem também em condições extremas?! E não vivem, sobrevivem, porque não existem ainda apoios e medidas suficientes, enquanto assim for, o aborto despenalizado assumir-se-á como uma saída…
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Guytonn em Novembro 01, 2006, 13:22:30
Citar
Então será que alguém tem o direito de impedir outrem de realizar qualquer acto?

Claro que sim, porque o ser humano não vive isolado e todas as suas decisões têm um impacto na sociedade onde viven impacto esse que pode ser tolerado ou não.

Citar
Agora também questiono, esses que são a favor de manter os olhos fechados a algo que iria expor as mulheres que desejam abortar, mas que iria aumentar a qualidade dos cuidados e acompanhamento dessas mesmas mulheres, se serão eles que mais tarde iriam suportar esses filhos indesejados, sepultar esses bebés abandonados na sarjeta e no lixo, quem irá dar uma moedinha aqueles que lhes arrumam o carro

Pergunte a esses que lhe arrumam o carro se desejariam jamais terem nascido. Verá que apesar do seu infortúnio, eles prezam tanto a vida deles como você preza a sua. Não pode ter a veleidade de sugerir que a sua vida tem mais direito a existir do que a vida daqueles que vivem em condições económicas mais desfavoráveis,  . Esse tipo de filtragem é algo aparentado com uma filtragem social. O que há a fazer é, a nível político estabelecer condições de crescimento social. A solução não é acabar com os pobres, mas sim acabar com a pobreza. E quando fala em filhos indesejados, se questionar as mães que tiveram filhos indesejados e que , desejando abortar não o conseguiram, constatará que nenhuma delas se arrepende por ter seguido a gravidez até ao fim, não obstante as suas condições, e que ama tanto o seu filho "indesejado" como se este tivesse surgido do mais profundo desejo de ser mãe desde o início.

Citar
Deixemo-nos de exemplos únicos e pouco fáceis de ocorrer, pensemos que os que defendem a vida, mesmo que sem qualidade, jamais recorrerão ao aborto, agora não devem impedir outras pessoas de o fazerem, se em dado momento das suas vidas essa lhe parece a melhor opção

Defender o aborto livre é perigoso, e os que o defendem dão primazia absoluta à razão da mulher, seja ela qual for. E, sem demagogias, todos sabemos que muitas mulheres não têm capacidades para analisar a abrangência de tal complexa decisão. Para os defensores do aborto, a vida humana estará sempre subjugada às motivações da mulher, sejam eles mais ou menos válidas. Acerca dos exemplos pouco fáceis de ocorrer, sugiro-lhe que leia algumas estatísticas.

Citar
Falou-se ainda do facto de uma mãe ter remorsos por abortar, é óbvio, foi o que referenciei inicialmente, ninguém irá abortar de ânimo leve, nem ninguém poderá abortar sem estar esclarecido sobre o que é e os riscos que daí advém

O esclarecimento não deverá situar-se apenas no esclarecimento dos riscos. Deverá abranger tudo aquilo que o acto envolve, mas na verdade escamoteia-se a vertente do embrião, como se ele não existisse no meio desta problemática. As mulheres que fazem o aborto, na verdade, são subtraídas da verdade, na medida em que lhes é apresentado o aborto como uma boa alternativa, segura e higiénica. Pensa que as clínicas privadas vão apresentar o aborto como um último recurso, como algo a evitar? Isso dava-lhes cabo do negócio!

Citar
Não será que o aborto não é uma solução e um estímulo para investirmos na educação e sensibilização

Num estudo efectuado ao nível de estudantes do ensino superior (ou seja pessoas com formação e conhecimentos) foi constatado que a maioria mantinha relações sexuais sem o uso de contracepção. Acha, por exemplo, que aqui o défice é ao nível da educação sexual?
Por outro lado, o dinheiro que vai ser gasto a financiar a indústria abortiva daria para levar a cabo muitas campanhas de sensibilização e  educação e a tornar mais acessíveis os métodos de contracepção.

Citar
Será preferível uma mulher esvair-se em sangue porque infeliz não pode abortar numa clínica, não tem acompanhamento, ou que uma mulher optasse por algo doloroso, marcante e difícil, mas que tem o apoio de profissionais, que a ajudam a percorrer esse caminho???

Seria preferível que a mulher pura e simplesmente não abortasse. Para isso é necessário responsabilizar as pessoas acerca da sua vida reprodutiva, capacitando-as para a sua gestão. Mas  cada vez mais vivemos na cultura da desresponsabilização, "varrendo" para debaixo do tapete as consequências desses comportamnetos e atitudes irresponsáveis, contrinbuindo assim para a sua perpetuação. Por exemplo, se eu tenho algume que me livre das multas do estacionamento, vou continuar a estacionar o meu carro em situação irregular até me ser cobrada a multa.
Não podemos legitimar um acto que é mau independentemente das suas repercursões. Punam-se as abortadeiras que fazem estes actos na ilegalidade... Agora transformar um aborto num direito, parece-me abjecto, mesmo que por vezes ele signifique dano para a saude de quem o faz, porque actualmente existem alternativas ao aborto: o problema é que muitas mulheres só se lembram dessas alternativas quando o "azar" lhes bate à porta e depois  toca  a remediar o problema .
Curioso é reparar que muitas mulheres que fazem o aborto são reincidentes, muitas delas mais do que duas vezes: como diz a outra, não há coincidências e se transformar-mos o aborto num direito, então, como qualquer direito, pode ser exercido as vezes que se quiser, sem dar cavaco a ninguém, como aquela senhora que se veio vangloriar para a TV por ter feito 20 abortos na sua vida: esse era cadeia directa!

Citar
Ainda se falou, matamos um feto e não matamos um irmão mais velho... acredito bem que muitos pais o desejem no mais íntimo, a verem os filhos na rua, doentes, a prostituir-se, etc...


NAs suas palavras, muitos pais não matam os filhos apenas porque a lei se interpõe entre eles e o seu desejo! Fala como se tal acto fosse uma acção de benevolência, e pouco falta para considerar legítimo o "aborto" ao retardador.


Algumas crianças sobrevivem, é certo. Têm dificuldades económicas, não estudam, têm famílias disfuncionais...mas uma sociedade moderna não coloca o aborto como uma solução para eses casos. Isso é uma mistificação. A sociedade moderna cria condições para que essas crianças possam estudar, possaam ter uma alimentação adequada, um ambiente socioeconómico edificante. Mas mesmo esses crianças podem ser felizes, mesmo com dificuldades económicas, desde que o afecto esteja lá. Essas mesmas crianças, que você olha como se tivessem uma vida de menos valor do que a sua e portanto legitimamente evitável, têm o mesmo direito a existir do que eu, você ou qualquer outro.Não é o facto de sermos licenciados, de termos comida à farta ou um PC que nos torna mais legítimos.
Às vezes a felicidade não está só no lado do dinheiro, da abundância. Contacte com algumas crianças dos bairros de lata ou bairros degradados e perceberá que a maior parte delas não parece mais infeliz do que as demais crianças abastadas. A felicidade não está num extracto bancário. Além disso, quem disse que a vida tem de ser sempre fácil? às vezes a felicidade vem depois do caminho mais tortuoso!
Elogio-lhe a franqueza quando diz que é a favor do aborto e não usa aqueles circunlóqios mais elegantes que alguns usam para eufemizar a questão. Mas lembre-se que o aborto "à la Carte" pode transformar o nascimento de uma nova vida como um acontecimento de excepção, numa sociedade onde a regra é o fim da vida humana num caixote do lixo de uma qualquer clínica abortiva; também você, caro colega, poderia ser sobrevivente da cultura do aborto...


Para acolmatar, sugiro que consulte o código deontológico dos Enfermeiros, que deriva da sua ética profissional, e conclua se o auxílio na prática do aborto está em linha com essa mema ética.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: ruienf em Novembro 05, 2006, 06:07:03
Tópico excelente...

Para mim é claro: o aborto não deve ser descriminalizado.

Aliás, penso (e não é superficialmente) que a lei actual se adequa às necessidades.

Concordo plenamente com os argumentos "pró-não" apresentados, com ênfase ao Guyton, RottenBoy e ao post de Paula Almeida (forte, cru, mas muito pertinente).

Eu perspectivo as coisas de forma simples:

Se, 1 segundo após a fecundação, retirarmos o ovo do útero (ou trompas...) da mulher e o colocarmos noutro útero de outra mulher com condições propícias ao desenvolvimento de uma gravidez, a gravidez ocorre. E (ponto fulcral), não há rejeição como nos transplantes...

Resumo: o ovo não é da mulher; está dentro da mulher.

Assim, se é suposto (e bem) que a mulher decida o que quer que seja acerca do SEU corpo, já o mesmo não se aplica aquilo que não é dela (mesmo que se desenvolva dentro de si).

E, citando Guyton:

Citar
Permitir o Aborto é não conceder o tempo necessário para que uma mulher ame o seu filho.


Concordo.

Acerca das condições sociais:
Nunca vi e estou convicto que nunca vou ver uma prova científica (por algum estudo ou algo do género) de que exista uma relação directamente proporcional entre a condição económica e a felicidade. Por alguma razão a taxa de suicídio é maior nas classes média e alta.
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Roten_Boy em Novembro 15, 2006, 22:24:20
Citar
Três razões médicas para ser a favor da Vida e contra o aborto
.
1 – Uma mulher normal, com uma gravidez normal e com um feto , em desenvolvimento, normal, não é uma pessoa doente. Por isso, ao Médico apenas cabe uma intervenção de vigilância que, em muitos países, é feita por Enfermeiras especializadas e o Médico só é chamado a intervir quando há risco de doença e a gravidez passa a ser classificada como gravidez de risco.
Portanto, destruir um feto em desenvolvimento, não é um acto médico, porque a gravidez não é uma doença. Nenhum Médico o pode praticar em circunstância nenhuma.

2 – E se a mulher grávida pedir o abortamento ao Médico, invocando motivos sociais ou económicos e declarando que não pode suportar mais o estado de gravidez e que quer que o seu filho seja retirado do útero e morto?

O Médico terá de lhe responder que não pode dar satisfação ao seu pedido porque a função que lhe cabe desempenhar como Médico e a sua competência específica só podem estar ao serviço do diagnóstico e tratamento de doentes. Se a causa do pedido de abortamento não é uma doença mas uma carência financeira ou um abandono e marginalização social é às estruturas de protecção e segurança social e familiar, públicas ou privadas, que compete eliminaras causas do pedido de abortamento. Se o Médico acolhesse o pedido e praticasse o crime do abortamento, ofendendo as disposições do seu Código de Deontologia, não iria resolver nada; os ditos motivos sociais e/ou económicos ficariam na mesma ou piores do que estavam antes do abortamento. Este teria sido um crime inútil e deixava a porta aberta para novo pedido de abortamento algum tempo depois. Os poucos estudos que há sobre abortamento clandestino, mas registado, mostram que estes motivos sócio-económicos, que os defensores do abortamento à vontade da mulher grávida sempre invocam como a grande causa para o abortamento, são mencionados em cerca de 3 % dos casos.


3 – O Médico não pode praticar o abortamento não só por estas duas razões mas, ainda, por outras de natureza médica.
O Médico sabe que esta intervenção abortiva sobre o corpo da mulher grávida, além de provocar, obviamente, a morte do feto, tem riscos importantes para a mãe, tanto no acto de fazer o abortamento como no futuro, no que se refere à sua saúde geral e à sua saúde sexual. Mesmo o chamado “abortamento seguro” pode complicar-se com infecção uterina e das trompas, com septicemia, com esterilidade pós-abortamento, com depressão moderada ou grave; em casos raros até com suicídio da mãe que se fez abortar. Relativamente à maior incidência de cancro da Mama nas mulheres que fizeram um ou mais abortamentos há grande polémica sobre os resultados publicados, mas os mais fiáveis indicam que tal maior risco é uma realidade com valor estatístico.

Cabe ao médico, contudo, acolher as mulheres que se fizeram abortar, sem qualquer discriminação, tratar as alterações patológicas de que sofram, físicas e/ou psicológicas, e promover a informação necessária para que aquela pessoa não volte a encontrar-se na situação que a levou a fazer-se abortar.



in http://www.agencia.ecclesia.pt/pub/47/n ... iaid=39178 (http://www.agencia.ecclesia.pt/pub/47/noticia.asp?jornalid=47¬iciaid=39178)
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: Dulce em Novembro 16, 2006, 17:43:16
Olá a todos!! Tenho lido com muita atenção todo o tópico e já se abordou o tema por vários pontos de vista. No entanto, a divergência de opinião surge apartir do momento em que se questiona: "Quando começa a vida humana?", "Quando é que a vida humana se torna moral e legalmente importante?", "Quando o ser humano se torna pessoa?"
De facto verificam-se três posições:  

* Atribuir o estatuto de pessoa a toda a vida humana desde o momento da fecundação;
* Considerar que o embrião “é uma parte do corpo da mãe”, o embrião é “ um produto biológico dos pais” ou, ainda, o embrião é apenas “vida humana” e não “ vida humanizada”, porque não é capaz de estabelecer relações com os outros, não é capaz de racionalizar, de sentir prazer ou sofrimento;
* O embrião seja respeitado e tratado desde o momento da fertilização como “pessoa humana potencial”.

Assim, não existe uma única solução para o problema do estatuto ontológico do embrião. Existem antes, diferentes formas de entender o problema. Soluções que variam em função da própria mundivivência de cada um de nós, do que significa para nós uma “pessoa”, quais os requisitos que achamos indispensáveis para estarmos perante uma “pessoa” (racionalidade, autonomia…) fazem desta problemática um equívoco.

Relativamente ao aborto, propriamente dito, há três tipos:

* Aborto terapêutico: o aborto destina-se a remover o perigo para a vida ou lesão para o corpo ou saúde física/psíquica da mulher grávida;
* Aborto eugénico: quando se prevê que o feto virá a sofrer de doença incurável ou de uma malformação;
* Aborto honoris causa (ético-criminológico): quando a gravidez resulta de um crime contra a liberdade e autodeterminação sexual, isto é, crime de violação.

Após esta análise é possível verificar que a lei em vigor no nosso pais é uma das mais completas, pois tem em atenção todos estes factores. É certo que considera que a vida humana embrionária é um bem constitucionalmente relevante mas não goza da tutela atribuída à vida humana já nascida. É um bem civilmente relevante, mas não goza de personalidade jurídica, pelo que não configura uma pessoa em sentido jurídico.
De facto, o que a lei não tem em conta são as Teoria pró-choice, onde o aborto deve resultar de uma livre escolha da mulher. O feto, na gravidez, não é mais do que uma emanação do corpo da própria mulher e como ela tem direito ao próprio corpo, terá direito de decidir se quer ou não estar grávida, sendo a sua vontade irrestrita desde o início até ao final da gravidez. Esta teoria compete então à mulher a opção de fazer ou não o aborto, ponderando os seus riscos e benefícios.
Na minha opinião não concordo com esta teoria, pois um feto não é apenas uma "emanação do corpo da própria mulher", mas sim algo concebido por dois seres humanos de sexo oposto, isto é, ambos têm igual papel e importância no momento da fecundação, tendo apenas a mulher o papel acrescido do embrião implantar-se na sua mucosa uterina, desencadeando o processo natural de gravidez. Assim, considero que o progenitor masculino também tem uma opinião na decisão do aborto, pois não é só a mulher a decidir...É certo que é ela é que o vai carregar no ventre durante todo o tempo de gestação e é ela que vai parir, mas também o pai faz parte de todo esse processo e como tal não lhe podemos descurar uma opinião.

Como alguns aqui já têm falado, mulheres com dificuldades económicas e com menos acesso à informação recorrem a métodos abortivos de risco. Como forma de colmatar isto, consideram a despenalização do aborto a melhor opção. No entanto, é preciso ter em conta que o direito ao Planeamento Familiar está garantido na Constituição Portuguesa, na lei 3/84 e reforçado pela lei 120/99.
Então se o Planeamento Familiar é um direito de todos nós e um dever do Estado, porquê se continuam a verificar gravidezes indesejadas??

 * Será que a lei não é aplicada de forma igual para todos?
 * Será que nem todos temos consciência dos nossos direitos, será que fazemos questão de os ignorar, ou será que o conceito “família”, que a lei e o Estado, tanto desejam preservar, já não existe, e por isso já nada faz sentido?
 * Será que o Estado tem feito o seu papel no que diz respeito à divulgação da informação e de conhecimentos?
 * Não seria em função do cumprimento da lei proporcionar educação sexual nas escolas?
 * E será que o mais importante é dar a informação ou ensinar a usá-la da forma mais correcta?

Todas estas questões se levantam, mas também a questão de, caso haja a liberalização/despenalização do aborto, este se tornar mais um método contraceptivo. De facto, tem-se verificado que a pílula do dia seguinte está cada vez mais a ser utilizada, sendo tudo menos contracepção de emergência, ou seja,  não há a ideia de prevenir mas remedir!!!

Relativamnete à realização do referendo no nosso país, os números referentes à abstenção não mostram que a população não se sente devidamente esclarecida ao ponto de decidir em prol ou contra o aborto? Porquê pedir para decidirem quando primeiro precisam ser informados, esclarecidos sob o ponto de vista médico (mostrando inclusive como se realiza um aborto), filosófico, psicológico e religioso. Precisam de ter conhecimento dos vários pontos de vista e só depois, com tudo na mesa, pensarem, ponderarem e decidirem com consciência. Na minha opinião o que se está a fazer é pôr o carro à frente dos bois!!

Assim, despeço-me com algumas questões que devemos ter em conta e reflectir:

* O aborto deve ser considerado um método de planeamento familiar?
* Deve o aborto ser considerado uma hipótese de último recurso em caso de os métodos contraceptivos falharem?
* Será que depois de um planeamento familiar consciente, em caso de acidente, o casal ou a mulher, não têm uma segunda hipótese?
* Será legítimo a sociedade e a lei imporem um filho a quem não o quer ter?
* Será consciente, depois de termos todo o acesso à informação, continuarmos a pensar que uma gravidez é um problema facilmente resolúvel com um aborto?
* Será o aborto para todos os casos, para alguns ou para nenhum?
Título: 2º Referendo sobre a despenalização do aborto
Enviado por: mariamariamaria em Novembro 22, 2006, 21:44:38
É engraçado verificar que as razões dominantes neste tópico são de natureza ética teórica, que eu defendo com unhas e dentes, pois são a base de uma sociedade que criou o Código de Nuremberga, o Código dos Direitos Humanos, e outros que eu respeito, pois colocam o ser humano como centro da sua auto-determinação.

Sou enfermeira, tenho 43 anos e já abortei, contra a lei.

Condenem-me. A pílula falhou, por interfefência com anti-inflamatórios, tinha um casamento acabado, o meu ex- marido deixou-me com dívidas. Já tinha um filho, via-me sózinha com ele e sem dinheiro.

Se tenho pena, tenho; se me arrependo? Não.
Só posso agradecer a quem me ajudou a tornar possível a minha vida com o meu filho.