Autor Tópico: Enfermagem Portuguesa: Quais as razões para tanta abstenção? Como Combatê-la?  (Lida 8964 vezes)

Offline AddSilva

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Bom dia a todos,

Hoje, 13 de Dezembro de 2011, venho por este meio "desabafar", desconhecendo desde já qual o novo bastonário bem como os resultados eleitorais, exceptuando um valor aproximado relativo à abstenção, que se reflectiu nuns 80%

Estou preocupado. Porquê? Porque considero que, actualmente, a Enfermagem Portuguesa, de uma forma geral, está no "lodo", por vários motivos. Pois bem, somos os principais culpados!

Creio que não há qualquer tipo de desculpa para valores de abstenção tão exagerados. Não me venham com a história da escassez de mesas de voto, pois tiveram mais de uma semana para enviar o voto por correspondência.

Nunca pensei vir a dizer ou escrever isto, mas os enfermeiros portugueses têm aquilo que merecem!!! Queixam-se todos os dias e muito, mas esperam que outros façam alguma coisa por eles, mas quando lhes é dada a oportunidade de decidirem algo para eles, pura e simplesmente escondem-se, para depois se voltarem a queixar e muito. Por isso, no que toca à Ordem, os abstencionistas têm uma boa oportunidade para estarem calados nos próximos anos.

Para onde vais, enfermagem?

Offline Minhoca

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #1 em: Dezembro 13, 2011, 14:37:43 »
Ora aí está uma excelente conclusão!

É típico do português, reclama reclama, mas na horinha que lhe é dada para se pronunciar...

NADA.

Offline ricardodcc

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #2 em: Dezembro 13, 2011, 18:00:38 »
Ora bem. Até certa parte até posso concordar com o que dizem.
Mas e se as soluções apresentadas não nos agradarem?
Eu vejo a abstenção como uma forma de demonstrar o desagrado das pessoas com esse mesmo sistema, e se alternativas não representam a solução talvez seja melhor os senhores presidentes das listas verem o que mais podem fazer para ajudar a nossa profissão e para nos dignificar.

Pensem também nisto antes de tirar qualquer conclusão

e outra coisa acho inadmissível que com as cotas em dia tenhas que pagar por qualquer declaração que queiras (isto é só um aparte)

Offline Ark

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #3 em: Dezembro 13, 2011, 19:08:21 »
Também interpreto a percentagem de abstenção como protesto.
Li o caderno que a OE nos enviou com as propostas que as listas apresentavam:
1 - para 3 anos de mandato, algumas demasiado extensas.
2 - construir museus??? para quê????dar visibilidade à profissão???? MAS O QUE É ISTO????
3 - do meu ponto de vista, nenhuma das listas reuniu tudo aquilo que enquanto eleitora, eu esperava. Muitos pontos concordava, discordava, outros encontravam-se noutra lista...

De louvar uma medida de uma lista que consistia em dar apoio ao nível da formação aos colegas desempregados e recém-licenciados, achei interessante. Mas até que ponto viável? Não sei...

Offline Mauro Germano

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #4 em: Dezembro 13, 2011, 21:12:26 »
A Abstenção
(adaptado do blogue A Voz do Povo: http://comnexo.blogspot.com/)

Em eleições, a abstenção tem pouco significado político. Tem aumentado como sabemos, donde se conclui uma vaga insatisfação com o sistema político que nos rege(onde se pode incluir a OE vagamente). Como tem um significado ambíguo, as várias listas pouco se incomodam com o aumento da abstenção e apenas choram cínicas lágrimas de crocodilo. É tudo e é pouco.

De facto, mais uma pessoa a abster-se pode ser muita coisa: o sujeito morreu, mudou de residência, o eleitor está com uma amigdalite, está descrente na política, foi à praia, ou ainda os cadernos eleitorais estão desactualizados. Pode ainda ser um sujeito que não acredita na democracia ou, simplesmente, nesta democracia. Nunca saberemos.

Politicamente a abstenção não tem, de facto, muito significado, por muito elevada que seja. Além disso, para qualquer lista perder um voto para a abstenção é meia vitória: menos um que não vai votar no partido concorrente e menos um sujeito com quem se preocuparem. Por isso, abster-se é pouco inteligente.

Falta credibilidade à política e falta interesse por parte dos mais jovens em participarem politicamente nos destinos da enfermagem. Portanto, a RENOVAÇÃO da Enfermagem não se faz, e quando se faz é muitas vezes para pior. O fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas é particularmente agudo no nosso caso.

Assim ou votamos num dos partidos actuais: essa é a escolha ou então Abster-se é um erro grave e sinal de fraca inteligência. É a última esperança de um cidadão consciente.

Offline Mauro Germano

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #5 em: Dezembro 13, 2011, 21:18:24 »
Na verdade não há propostas perfeitas, e quem procura soluções perfeitas provavelmente nunca vai votar em ninguém...

Na vida são feitas escolhas e a ausência de escolha de facto também é uma escolha mas é sinal de ser demasiado céptico e não contribuir em absolutamente nada para a melhoria do estado actual.

O que vale é que há pelo menos 10000 enfermeiros que sabem que o mundo não é perfeito e que quiseram dar a sua opinião.  É um número bastante bom para arranjar colaboradores em todas as actividades e programas que os enfermeiros podem e devem desenvolver para melhorar a Enfermagem em Portugal. Não vos parece?

Parabéns a quem votou: mostrou que pode e quer ser um agente de mudança, independentemente da lista em que votou cumpriu o mínimo possível, escolher uma opção. Serão esses que terão a legitimidade de criticar as escolhas feitas e de quererem fazer parte da solução.

Quanto aos outros, têm imperiosamente de mudar de atitude para que seja possível renovar a Ordem, a Enfermagem e acima de tudo... os enfermeiros.

Desistir não pode ser uma opção!

Offline AddSilva

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #6 em: Dezembro 13, 2011, 22:28:42 »
Citação de: ricardodcc
Ora bem. Até certa parte até posso concordar com o que dizem.
Mas e se as soluções apresentadas não nos agradarem?
Eu vejo a abstenção como uma forma de demonstrar o desagrado das pessoas com esse mesmo sistema, e se alternativas não representam a solução talvez seja melhor os senhores presidentes das listas verem o que mais podem fazer para ajudar a nossa profissão e para nos dignificar.

Pensem também nisto antes de tirar qualquer conclusão

e outra coisa acho inadmissível que com as cotas em dia tenhas que pagar por qualquer declaração que queiras (isto é só um aparte)

Se os colegas estão desagradados teriam a opção de votar em branco/nulo. Certo? Imagine uma lista que vence as eleições com 40% dos votos e são contabilizados 40% de votos brancos/nulos, qual a sua interpretação? É desconfortável para o vencedor, não é?

Quanto à reclamação sobre o pagamento de declarações com as cotas em dia, independentemente de ter razão ou não, deixa de a ter se se absteve em eleições que lhe dizem muito respeito... O colega Mauro referiu isso mesmo neste tópico, sobre a legitimidade de criticar, independentemente da orientação de voto.

Cumps

Offline enfermeiroUK

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #7 em: Dezembro 13, 2011, 22:33:00 »
Quando nenhum dos candidatos tem um pingo de carisma, é difícil sequer pensar em votar. Não há nada nos candidatos que atraia as pessoas a votar. Mais, dizem que é através do voto que se pode mudar. Será? Quem olha para os candidatos talvez a primeira coisa que salta à vista é que nenhum deles tem capacidade para mudar seja o que for. (Não será isto talvez um facto? Será que o futuro bastonário vai olhar para a abstenção e ver que afinal muita gente não quer saber sequer se ele existe? Que não teve interesse nele? Que afinal não ganhou para a maioria dos enfermeiros?)Talvez por isso muitos não queiram saber de "votações", porque no fundo é apenas um jogo de cadeiras, em que saiem uns e entram outros.

Agora claro, se ouvesse carisma, e algum dos candidatos "os tivesse no sitio", e algum dos candidatos fosse convincente no que diz, que atraísse as pessoas, aí talvez ouvesse pessoas a votar. Agora assim, querem o quê? Farinha do mesmo saco? Nem vale a pena...
"...se não receio o erro, é porque estou sempre pronto a corrigi-lo." Bento de Jesus Caraça.

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Offline AddSilva

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Re: Enfermagem Portuguesa: Quo vadis?
« Responder #8 em: Dezembro 13, 2011, 22:55:59 »
Citação de: enfermeiroUK
Quando nenhum dos candidatos tem um pingo de carisma, é difícil sequer pensar em votar. Não há nada nos candidatos que atraia as pessoas a votar. Mais, dizem que é através do voto que se pode mudar. Será? Quem olha para os candidatos talvez a primeira coisa que salta à vista é que nenhum deles tem capacidade para mudar seja o que for. (Não será isto talvez um facto? Será que o futuro bastonário vai olhar para a abstenção e ver que afinal muita gente não quer saber sequer se ele existe? Que não teve interesse nele? Que afinal não ganhou para a maioria dos enfermeiros?)Talvez por isso muitos não queiram saber de "votações", porque no fundo é apenas um jogo de cadeiras, em que saiem uns e entram outros.

Agora claro, se ouvesse carisma, e algum dos candidatos "os tivesse no sitio", e algum dos candidatos fosse convincente no que diz, que atraísse as pessoas, aí talvez ouvesse pessoas a votar. Agora assim, querem o quê? Farinha do mesmo saco? Nem vale a pena...

É uma interpetação bastante razoável e justa. No entanto chamo a atenção para o desleixo de muitos daqueles que não votaram nestas eleições e acrescento ainda que esses colegas nem sequer opinam neste fórum, pois estão demasiados ocupados com o seu umbigo e, tal como referi, esperam que outros façam alguma coisa por eles... Mas que se queixam muito, isso é um facto.

Offline BV1

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Quais as razões para tanta abstenção? Como combatê-la?
« Responder #9 em: Dezembro 14, 2011, 10:26:23 »
Desleixo?
Desconhecimento?
Descontentamento?
Formação!...
Outros....

Offline valente1043

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Re: Quais as razões para tanta abstenção? Como combatê-la?
« Responder #10 em: Dezembro 14, 2011, 17:54:33 »
É simples! Neste acto eleitoral como nos actos eleitorais (esfera política) nacionais, as pessoas abstêm-se de debater as suas ideias, de participar activamente nas decisões e alheiam-se de escolher as pessoas que as representem. Depois com toda a presunção do mundo criticam, quando nem sequer 10 minutos disponibilizaram para discutir uma ideia, preencher um boletim de voto e colocá-lo no correio ou na urna de voto.
Na vida política portuguesa assiste-se ao mesmo e as taxas de abstenção são igualmente elevadas!! Eu critico mas, o voto dá-me essa legitimidade. No dia em que não votar, abstenho-me de criticar, porque nesse extacto momento não fiz uma escolha.

Offline BV1

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Re: Quais as razões para tanta abstenção? Como combatê-la?
« Responder #11 em: Dezembro 15, 2011, 01:47:46 »
Curiosamente, nestas eleições houve uma maior dinâmica nas instituições por parte de todas as listas, ainda assim a abstenção aumentou!...Penso que uma das principais razoes foi acabar com as mesas de voto nos hospitais!...
O resultado está à vista!...
Curiosamente os pensadores destas idiotices, defendiam em debates públicos que caso ganhassem, iriam aproximar mais a ordem, dos enfermeiros!...
Caro valente
Não é assim tão simples!
Não podemos comparar os enfermeiros com a população em geral (aquela que vota para as autárquicas, legislativas, presidenciais etc), isto é uma esfera bastante diferente. Teoricamente, os Enfermeiros são pessoas bem formadas quer no contexto académico quer cívico, daí não entender tal abstenção....
Quando falei em formação estava a referir-me concretamente à formação cívica. Como aquilo que está em causa é tão importante, quero acreditar que foi mesmo descontentamento e desânimo.
A próxima equipa, liderada pelo Enf. Germano não pode deixar de debater este assunto (abstenção). É muito grave os números de abstenção, são demasiado elevados. De certa forma criam um problema de legitimidade que outros não vão deixar passar em branco.

Offline Marley

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Re: Quais as razões para tanta abstenção? Como combatê-la?
« Responder #12 em: Dezembro 15, 2011, 19:37:49 »
Colegas, assolam-me várias dúvidas.. Onde posso consultar os resultados exactos das eleiçoes? No site da Ordem não encontro nada. Estou eu a ver mal? As eleições não foram a dia 12? 13 e 14 foi fim-de-semana? Não estamos em 2011 e não está já tudo informatizado?!

Não podemos comparar os enfermeiros com a população em geral? Que afirmação atrevida... Seremos assim tão bem formados? A nivel académico, cívico? Desconfio muito que não...

De duas coisas estou segurissíma! Os Portugueses têm o país que merecem. E os enfermeiros portugueses têm a enfermagem que merecem!
Faço parte da nova fornada de enfermeiros contratados por um ano, que inclusivamente estão a ver a renovação por um fio, ainda assim, muitos dos meus colegas na mesma situação não votou e dizem isso descontraidamente..
E depois querem fazer greves? Querem emprego? Não querem emigrar? Querem salários mais elevados? Querem 35 horas semanais? Já nem os consigo ouvir..

Estarei eu louca e eles sãos?..

Offline Mauro Germano

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Re: Quais as razões para tanta abstenção? Como combatê-la?
« Responder #13 em: Dezembro 15, 2011, 20:49:24 »
Os enfermeiros têm de acreditar mais em si próprios e nos outros enfermeiros que... afinal são como eles.

 Acredito que isto é um sinal de que os enfermeiros já não acreditam na democracia e na mudança, na renovação, etc etc.
Infelizmente vejo que tal não é exclusivo nosso mas de toda a sociedade. Uma descrença em todo e qualquer tipo de instituição é algo já demasiado normal. Veja-se a abstenção para umas legislativas que ronda os 40%...

Acho que as pessoas deixaram de acreditar no poder do voto... A história repete-se? Espero que não pois períodos destes precedem ditaduras a sério...
Eu acredito porém que é possível dar a volta e cabe a quem ganhar dar um exemplo de cidadania e abnegação em prol duma causa e que pode servir de exemplo para o país.

A democracia só é possível entre iguais e para sermos iguais o equilíbrio de vontades tem de ser reposto. É preciso acreditar mais...

Offline Enf.Rosa

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Re: Quais as razões para tanta abstenção? Como combatê-la?
« Responder #14 em: Dezembro 15, 2011, 23:22:24 »
O problema de abstenção pode ter uma resposta … que na minha opinião,  não é resposta  valida mas é dada por alguns Enfermeiros.
“Eu não vou votar porque para trabalhar vou ter que sair do Pais”.  Isso revela muito a falta de animo que há no Pais e neste caso na enfermagem, sentida por cada um dos membros da OE .. é uma pena mas percebo perfeitamente quem o fez. É muito triste e frustrante ser enfermeiro querer muito um emprego e  não ter  =(  .