Autor Tópico: Hipertemia, o que fazer!?  (Lida 8606 vezes)

Offline hugomcmendes

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Hipertemia, o que fazer!?
« em: Janeiro 15, 2007, 01:42:26 »
Viva!!
Sou novo nestas coisas dos foruns, mas começo a gostar da ideia.
Esta minha intervenção visa tentar perceber a actuação mais correcta quando o utente está subfebril. Aprendi na escola que quando isso acontece o enfermeiro deverá começar pelo arrefecimento periférico e só depois actuar com intervenção farmacológica.
A pergunta que faço é se, de facto, esta "regra" será do ponto de vista fisiológico a mais correcta, na medida em que o centro regulador da temperatura terá sido reajustado para novos valores e como vamos arrefecer o organismo não estaremos a promover, ainda mais, o aumento da temperatura? Isto porque vamos arrefecer o organismo e enviar informação errada, dificultando o centro regulador da temperatura de chegar ao valor predefinido. Provocaremos exaustão celular na produção de calor num individuo que já está debilitado pelo aumento da reacção á suposta infecção??

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #1 em: Janeiro 15, 2007, 12:27:10 »
Caro Hugo, refere-se a hipertermia ou febre?

Considerando a minha curta experiência, quando o doente está sub-febril promovemos o arrefecimento físico pelos mais diversos métodos, que algumas vezes surtem efeito (isso deve-se às características dos doentes internados no meu serviço). Isto apenas falando da experiencia no meu serviço.

Os métodos incluem o destapar (quando está coberto), colocar compressas   frias (em alternativa com soro frio) na região axilar, inguinal e toraco-abdominal e, como recurso (apesar de ser uma opção deveras discutível) a colocação sobre o doente de uma bata humida.

Abraço
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline mariamariamaria

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #2 em: Janeiro 16, 2007, 18:53:21 »
Quando o doente se apresenta sub-febril, isto é com temperatura axilar inferior a 37,5 ºC, pode ser devido a aquecimento intenso, quer pela quantidade de roupa da cama, aquecimento excessivo, no caso de serviços onde se coloque esta hipótese.

Com o arrefecimento natural, podemos fazer com que a situação desapareça.

Temos de ter em conta a patologia do doente, pois há patologias que têm como um dos sinais o ligeiro aumento da temperatura, como a tuberculose, po exemplo.

Na minha prática, o arrefecimento natural é usado quando os antipiréticos não surtem efeito, em caso de doente febril, que pode correr o risco de ter convulsões.

Todas as acções que realizamos têm de ter um enquadramento fundamentado, uma análise de contexto e proceder de um diálogo entre os membros da equipa.

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #3 em: Janeiro 17, 2007, 13:54:54 »
Bem, lendo o anterior comentário, esqueci de ressalvar uns aspectos no meu post anterior. Trabalho num serviço que, comummente, recebe doentes do foro neurocrítico.

Neste grupo, essencialmente, existem dois pontos importantes a levar em conta. O primeiro prende-se com a hipertermia, ou seja, de origem central que não reverte a antipiréticos. Nesse caso usamos as medidas anteriormente descritas, a par de algumas outras.

No caso de doentes que recorrentemente tenham febre, como vai acontecendo e, em que o intervalo de tempo para a administração do antipirético não tenha passado, usamos as mesmas medidas.

Entretanto, quando o doente está sub-febril, usamos as medidas anteriormente descritas na tentativa de baixar essa mesma temperatura.

Abraço
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline Peage

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #4 em: Janeiro 17, 2007, 14:22:35 »
tb sou novato... e espero que a minha primeira intervenção não seja de enterro :)

em relação ao arrefecimento natural, como o nome indica deveria ser natural, ou seja, compressa ou quer que seja molhado com água tépida.
depois é a tal coisa, tanto pode surtir efeito como não, depende de situação para situação

tb ja tive a experiençia (naqueles verões valentes) nada surtia efeito e cheguei a por gelo na água de modo a que esta iria bem fresquinha para o doente, e foi a unica maneira que consegui fazer descer a temperatura, apesar de fisiologicamente não ser o mais indicado

Offline NiniSF

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #5 em: Janeiro 17, 2007, 21:21:17 »
Em primeiro lugar é importante perceber a origem do aumento da temperatura - hipertermia (de origem central ou por sobreaquecimento) ou febre. Os conceitos de febre e hipertermia são frequentemente utilizados como sinónimos o que leva a práticas erradas.
Em segundo lugar, e no caso de se tratar de febre, é importante peceber em que fase se está - subida ou descida da temperatura. Se estamos na fase de subida, isto é, na chamada fase do arrepio, o doente terá o centro termoregulador reprogramado para atingir uma determinada temperatura e o organismo tudo fará para atingir essa temperatura - arrepios, tremores, aumento do metabolismo, mecanismos comportamentais, etc. com todas as implicaçõioes que o Hugo referiu. Nesta fase podemos ajudar hidratando, promovendo o conforto e a  vasodilatação atraves de fricção de áreas como as costas ou coxas - que promove a perda de calor por irradiação. Nessa fase implementar medidas de arrefecimento são PURA E SIMPLES TORTURA e para ilustrar convido o colega Abílio a despir-se e abrir a janela na próxima gripe :D .
Quando se atige a temperatura programada ou se administram antipiréticos entram em acção os mecanismos de perda de temperatura - sudorese, vasodilatação, sensação de calor com consequentes mecanismos comportamentais - nesa fase, se demos uma ajudinha o doente agradece.

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #6 em: Janeiro 17, 2007, 22:07:37 »
Relativamente ao aumento da temperatura e implementação de medidas externas não farmacológicas de arrefecimento: como referi, trata-se de um grupo de doentes com características muito específicas. Um aumento de temperatura trará consigo um aumento gradual da Pressão Intracraneana. Poderá ser tortura (admito... e são essas chamadas de atenção que fazem reflectir sobre a prática), mas um aumento gradual da PIC tem repercussões para o doente e na sua recuperação...

Estas medidas poderão não ser as mais correctas, mas poderão ser um mal menor...
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline hugomcmendes

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #7 em: Janeiro 19, 2007, 01:58:28 »
Viva companheiros!
Provavelmente na minha primeira intervenção houve uma série de questões que não foram colocadas da melhor forma... Deste modo acrescento alguns dados. Falando de uma situação hipotética, aquando das nossas "rotinas" se verifica que um utente tem 37,5ºC o que se faz!? iniciam-se manobras de arrefecimento periférico na tentativa desesperada de baixar a temperatura (isto porque habitualmente os antipiréticos só são prescritos após os 38ºC) correndo o risco de estar-mos a contrariar a fisiologia do organismo (aumento da FC, aumento da produção de calor com arrepios, tremores, aumento do metabolismo, mecanismos comportamentais, etc.)no combate à infecção, perpetuando esse processo?? Ou será mais correcto, e menos agressivo para o utente, favorecer o conforto (agasalhando-o) e avaliar com maior periodicidade a temperatura para depois de estar febril (38ºC) e após a administração do antipirético, ai sim , favorecer o arrefecimento periférico !?

Offline NiniSF

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Hipertemia, o quw fazer!?
« Responder #8 em: Janeiro 23, 2007, 23:17:48 »
Olá. Penso que o companheiro Hugo já encontrou a resposta para a sua própria pergunta. Atenção - quando falamos em medidas de conforto convém não exagerar no nº de cobertores. Gostava de relembrer que Na faixa de temperatura a que se refere não há riscos de dano para o organismo - apenas o desconforto, e a actividade os microorganismos pode diminuir. por isso vamos lá a confortar, hidratar e apertar a vigilancia!!