Autor Tópico: Solidão na 3ª Idade  (Lida 19454 vezes)

Offline enfsergio

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Solidão na 3ª Idade
« em: Janeiro 09, 2007, 16:17:48 »
A solidão, a inatividade, as perdas de entes queridos estão entre as principais causas de depressão na Terceira Idade. Muitos de nós encontramos os nossos idosos sozinhos, abandonados pelas famílias. Vê-se muitos casos desses no meio hospitalar, em que os idosos são enviados às urgências em ambulância, são internados, nunca têm visitas, e no momento da alta a família não está receptiva a recebê-lo.
O que fazer para mudar as mentalidades? Antigamente os idosos eram vistos como sábios, os patriarcas das famílias. Porque mudaram as mentalidades?


Aqui fica a letra de uma música de Mafala Veiga que representa um pouco tudo isto...  VELHO


Parado e atento à raiva do silêncio
de um relógio partido e gasto pelo tempo
estava um velho sentado no banco de um jardim
a recordar fragmentos do passado

na telefonia tocava uma velha canção
e um jovem cantor falava da solidão
que sabes tu do canto de estar só assim
só e abandonado como o velho do jardim?

o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

passam os dias e sentes que és um perdedor
já não consegues saber o que tem ou não valor
o teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
pra dares lugar a outro no teu banco do jardim

o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um resto de tudo o que existiu
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

Offline enfsergio

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #1 em: Junho 19, 2007, 15:56:32 »
Solidão procura solidão e, quanto mais uma pessoa se isola, à medida que o tempo vai passando, mais isolada quer estar. Quando as pessoas se apercebem que a solidão é a sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir o pensamento. O cenário torna-se deprimente. O futuro sem esperança.

Mas quem são, afinal, as principais vítimas da solidão? «Se bem que alguns estudos mostrem uma maior associação da solidão a faixas etárias jovens, não se pode excluir a importância desta temática nos idosos, até pelo crescente envelhecimento das populações ocidentais acompanhado pela degradação das condições deste grupo numa sociedade que tem por arquétipos a juventude e a produtividade».

Ainda segundo Paula Marques, «por exemplo, Barreto (1984), num estudo com cerca de 300 idosos realizado em Matosinhos, concluiu que o processo de desligamento social é mais frequente nos casados e acompanha-se, regra geral, de um reforço da ligação ao cônjuge, que no homem toma frequentemente a forma de dependência em relação à mulher. Já, paradoxalmente, a mulher que vive só mantém as suas ligações sociais até bastante tarde, ao contrário da que vive com a família».




estes são fragmentos de uma notícia do Diário de Notícias de 6/12/04 e que encontrei na internet. Pode ler a notícia na íntegra em... http://dn.sapo.pt/2004/12/06/sociedade/ ... omo_j.html

Offline mariamariamaria

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #2 em: Junho 30, 2007, 20:15:40 »
Olá Sergio,

As condições sócio-económicas deste país são um dos grandes entraves à minimização desse problema.

Antigamente, os velhos ficavam em casa até poderem porque havia sempre uma filha ou nora que os vigiava, lhes preparava comida... Depois, quando já não pidiam estar sós, eram levados para casa dos filhos, onde a tal filha ou nora tratava deles.

Agora, essas filhas e noras trabalham fora de casa e, mesmo com o seu vencimento a somar ao do marido não dá sequer para a renda da casa e comida...

Muito menos para levar o velho a um centro de dia, quando podem conviver; ou pagar um lar. Porque as casas grandes são caras e não há espaço para mais um.

Depois, como se pode encarar uma pessoa, mesmo querida, que é causa de tanta angústia e sofrimento? É melhor nem pensar nisso.

É tão complexa a situação dos portugueses com pessoas a cargo (sejam velhos ou crianças), que nem uma obra do tamanho do Guerra e Paz poderia explicar e resolver. Há tantas formas de minorar o sofrimento, mas são todas caras... Aí o principal problema.

Abraço.

Offline enfsergio

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #3 em: Julho 01, 2007, 16:19:11 »
Mariarebelo1...concordo plenamente com a tua opinião.

A população à escala mundial está a envelhecer. A esperança média de vida continua a aumentar. Antigamente, como já foi referido, as mulheres ficavam em casa enquanto os homens trabalhavam. Além da lida da casa tratavam dos familiares idosos directos que ficavam em casa, mas que muitas vezes e na grande maioria eram independetes. Hoje em dia, com o aumento da esperança da média de vida, há um aumento da dependência. As mulheres sairam de casa, foram trabalhar...e agora quem toma conta destes idosos? Muitos deles ficam em casa e so são alimentados e posicionados quando os familiares vão a casa almoçar e no fim do trabalho. Conheço casas em que os familiares deixam apenas a porta fechada no trinque, e é o apoio domiciliário que lá vai tratar dos idosos durante 30minutos/1hora de manha...depois vão lá levar o almoço e já la deixam o lanche e o jantar. Os lares são caros e os que há estão sempre cheios. Os centros de dia...ou não existem em muitas localidades, ou os que há aceitam números pequenos de idosos. Depois crescem as casas de pessoas que lemos constantemente nos jornais "toma-se conta de idosos"...casas sem condições, casas em que as pessoas que lá trabalham não têm o mínimo de formação...e os idosos são lá despejados. É revoltante.
Mas neste nosso país é difícil combater a solidão na 3ª idade...difícil...mas não impossível.
Como se costuma dizer...cada um de nós consegue fazer um mundo melhor
:)

Offline enfsergio

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #4 em: Agosto 01, 2007, 18:08:16 »
Assistam...pois vale a pena...

e comentem...




http://www.youtube.com/watch?v=W2z5PiVwQ_U

Offline mariamariamaria

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #5 em: Agosto 01, 2007, 19:30:49 »
Olá Sérgio,

Vi o vídeo e não pude deixar de me comover.

Mas lembrou-me uma outra questão que tenho ponderado. A depressão na terceira idade ou quarta, para além da perda de faculdades e de entes queridos,pode ser ser agravada (porque vivemos na tal sociedade que referes, de produtividade e juventude e se perdeu a noção da importância dos conselhos dos mais velhos), pela própria desistência dos idosos de se manter activos para responder às solicitações dos mais jovens, porque isso já não importa.

Não sei se consegui passar a questão, mas como és especialista no assunto, gostaria de saber a tua opinião sobre essa tal desistência provocada pela falta de solicitação.

Abraço.

Offline enfsergio

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #6 em: Agosto 02, 2007, 10:52:04 »
especialista eu?lol...antes fosse...apenas tou c a minha área de formação virada para este lado  :)

Em relação à questão...depressão associada à falta de inactivividade...sem dúvida alguma que está associada e todos nós temos a nossa quota parte. Temos as nossas responsabilidades em meio hospitalar, nos centros de dia e nos lares. Fazemos muitas vezes actividades de substituição...muitas vezes por falta de tempo. Quantas vezes nos hospitais, lares e centros de dia, os idosos querem comer sozinhos e nós damos-lhes o comer à boca, para ser mais rápido, pois temos muito que fazer e o tempo é pouco? Será que isto não deprime o idoso? Quantas vezes podíamos durante os cuidados de higiene interagir mais com o idoso, falar com ele, e decidimos apenas conversar sobre outra coisa qualquer com a pessoa que nos está a ajudar no banho, esquecendo que temos ali uma pessoa que muitas vezes é tratada "como um saco de batatas", ora vira para lá ora vira para cá e ainda reclamamos se o idoso ao dar tantas voltas se tenta agarrar a algo com medo de cair. Será que isto não deprime? Quantas vezes poderíamos dar uma esponja ao idoso para ele se ir lavando e nós apenas auxiliarmos, de forma a ele ir mantendo a sua autonomia? Quantas vezes são colocadas fraldas ao idoso, pois não temos tempo para o ir acompanhar sempre à casa de banho e é para nós mais fácil e cómodo que ele faça na fralda, pois depois é so ir lá e trocar?Será que não estamos a impôr limites à sua autonomia, levando à sua depressão? E a solidão, a falta de visitas que leva à depressão? Quantas vezes reparamos que um doente não teve visitas e o vemos lá mais sozinho mais isolado e não temos tempo ou não queremos ter tempo para ir lá ter com ele e gastar 5minutos do nosso precioso tempo com umas palavras amigas, com um sorriso?
Se repararmos bem...no nosso dia a dia em meio hospitalar e nos lares, temos tantas atitudes que levam à perda de autonomia do idoso, a que ele se retraia com vergonha e medo, que ele se isole e que mais cedo ou mais tarde tudo se possa transformar num síndrome depressivo.
Sem dúvida que muitos dos nossos idosos são depressivos e nós não fazemos nada para o mudar.
Infelizmente queixamo-nos com a falta de tempo...
Mas esquecêmo-nos que também vamos para velhos...e vamos querer que os outros tenham tempo para nós.

Offline mariamariamaria

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #7 em: Agosto 03, 2007, 13:56:08 »
Olá,

Tens toda a razão, é mais fácil, muitas vezes fazer as coisas pelo doente... Muitas vezes não é só a falta de tempo, mas de paciência. Não estamos ainda suficientemente despertos para essas questões, é bem verdade. Por isso é tão importante que se vá falando sobre o assunto.

Obrigada e abraço.

Offline clara l

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #8 em: Agosto 03, 2007, 18:40:40 »
Sérgio, concordo inteiramente ctg. Adoro a geriatria. Trabalho numa sta casa da misericórdia que tem lar de idosos, lar de acamados e unidade de cuidados continuados de longa duração e manutenção. Concluindo, 99% são idosos. Percebo perfeitamente aquilo que dizes. e por essas mesmas coisas, nunca consigo sair a horas, porque me "demoro" com conversas e sorrisos, mas não consigo despachar o serviço, como muita boa gente faz e cumprir horário. Mas a realidade é que ninguém nos paga, nem há profissionais em racio suficientes para desenpenharmos também essas funções. É deprimente.
Exigem exigem e exigem de nós. Até podemos apressar as intervenções técnicas e com o tempo vamos ganhando mais destreza e agilidade, mas ecistem intervenções não técnicas que demoram o seu tempo e isso não é reconhecido, nem é registado, nem é valorizado...nem é pago!!! Por isso é que eu acho que não há incentivo nenhum para os profissionais desta área para intervirem nesses aspectos e melhorarem a quanlidade dos serviços "não técnicos" prestados. E com o tempo, vai-se ficando cada vez mais amargo, stressado, cançado e sem paciência para nada....

Ninguém quer pensar como é que vai ser quando forem velhos... Essa é que é a realidade!!!

Offline sidoniofaria

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #9 em: Agosto 03, 2007, 21:15:46 »
Boa sugestão enf Sergio. O vídeo é lindo, faz pensar e de que maneira. Agora somos novos, pensamos pouco na terceira idade vemo-la como uma coisa muito distante só que um dia chegaremos lá...
Esta temática lembra-me uma conferência que assisti acerca do abandono de idosos nos nossos hospitais, em que o conferencista apresentou o seguinte texto para depois submetê-lo a debate:

Filho és Pai serás é o título e narra a história de uma cultura que tinha por hábito abandonar os idosos no cimo de um monte quando estes já não produziam nada tornando-se um peso para a sociedade. Num belo dia um idoso acompanhado do seu filho foi levado ao tal monte para deixar de se tornar um peso; chegado ao cimo do monte o filho diz ao pai, pega lá esta cobertor porque podes ter frio, o pai responde ao filho, rasga metade da cobertor e leva contigo porque daqui a uns anos vais precisar dele quando o teu filho te fizer o mesmo que me estás a fazer. O filho vem embora a pensar no que o pai lhe disse e passado pouco tempo voltou ao monte para levar o pai de volta para casa. Proporcionou-lhe uma velhice condigna e a partir dessa altura acabou-se este costume nesta cultura.

Será que hoje em dia este Monte não será representado pelos nossos hospitais com altas problemáticas e lares superlotados?
O ritmo da vida moderna, o correr atrás do relógio e do dinheiro (mal necessário) e muitos mais factores são sem dúvida condicionantes de toda esta situação.
Abraço :)
Supervisão Clínica na Enfermagem, no caminho da Excelência dos Cuidados.
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Offline mariamariamaria

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #10 em: Agosto 05, 2007, 20:55:52 »
Olá,

Tal como disse a nossa colega Clara, há uma questão de rácios que é urgente definir.

Todos trabalhamos com idosos ( excepto ostetrícia e pediatria, julgo eu), porque a população está a envelhecer. Para tratar bem de idosos, em primeiro lugar há que definir que é uma faixa da população que carece de atenção. Porque sofre de solidão, tal como disse o Sérgio, ao abordar a questão.

Quem, mais do que nós, enfermeiros, tenta "perder" algum tempo a colmatar isso? E ainda somos acusados de demorar cuidados, de não "despachar serviço". Esse tempo tem de ser contemplado na definição do rácio enfermeiro-doente, porque o AAM não está preparado com as competências de Psicologia e Sociologia que tal acompanhamento exige e que nos são conferidas e os médicos são muito caros para esse desempenho. Mas o que se verifica no dia-a-dia, é que os médicos têm mais tempo, mas menos paciência para se sentar ao pé de um doente e ouvi-lo; nós gostaríamos muito mas não temos tempo...

Reflexões.. Abraço.

Offline bea.enf

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #11 em: Agosto 06, 2007, 23:41:00 »
Esta é uma problemática bem actual. Muitos enfermeiros dizem que não dão mais atenção aos doentes idosos por falta de tempo, mas eu penso que seja mais uma questão de paciência.

Eu vejo nos meus estágios de observação que muitas vezes os enfermeiros estão bastante tempo a fazer pausa e a beber café, podendo utilizar esse tempo em benefício do doente.

Á pouco tempo num estagio de observação estava eu e os meus colegas a ler os processos dos doentes (mais para passar o tempo do que outra coisa) porque os nossos enfermeiros responsáveis estavam num momento de pausa. O enfermeiro chefe daquele serviço chegou ao pé de nós e mandou-nos ir ter com os doentes, ir falar com eles que assim é que aprendíamos. Na altura fiquei um pouco aborrecida com aquela situação por não estávamos a fazer nada de mal, pelo contrário, estávamos a fazer o que os nossos enfermeiros responsáveis nos mandaram. Contrariados lá fomos ter com os doentes e falar com eles. No fim daquele turno percebi que o enfermeiro chefe tinha razão. Gostei imenso de estar a falar com os doentes e eles sentiram que eram importantes, e afinal tinha sido por isso que eu optei pelo curso de enfermagem, para ajudar e tratar daquelas pessoas.

Ás vezes não é necessário termos muito tempo livre, basta apenas ter um pouco de paciência e força de vontade para mostrar aos doentes que eles são importantes e que têm ali uma pessoa que só quer o bem deles.

Offline enfsergio

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #12 em: Agosto 07, 2007, 16:12:05 »
Sem dúvida alguma que nós enfermeiros somos dos que mais falhamos quando temos idosos nos nossos serviços, como por exemplo nas medicinas. Quando temos tempois mais mortos fechamo-nos na sala de enfermagem na conversa uns com os outros, vamos à copa tomar café. O trabalho é puxado, somos poucos, estamos cansados do trabalho físico e psíquico e preferimos conversar uns com os outros em vez de tarmos a falar c os nossos doentes. Os nossos idosos ficam sozinhos nas enfermarias e só falam quando lá vamos fazer alguma coisa ou na hora das visitas. Mas também muitos de nós quando vamos dar a medicação, quando vamos ver sinais vitais, quando vamos fazer algo, nem falamos ao doente, fazemos e já está. Não ligamos aquele que cuidamos. Muitas vezes já estamos a pensar no que vamos fazer a seguir, já estamos a dar indicações a colegas e auxiliares e nem deixamos o nosso idoso começar a falar e quando começam dizemos espere um bocadinho que já venho e nunca mais lá aparecemos. Isto acontece tantas vezes. Acontece nos hospitais, acontece nos lares. Os nossos idosos retraiem-se e vão ficando cada vez mais calados e cada vez mais sozinhos. Por isso quando têm alguém que fale com eles, que brinque com eles, eles sorriem, eles falam e gostam. E é bonito ver um sorriso nos olhos dos nossos idosos. Tento fazer isto no meu serviço. Tento fazer no lar em que vou. Nem sempre sou bem compreendido por o fazer. E muitas vezes admito que também não o faço. Temos que ir melhorando as nossas práticas.

Offline Shirley Afonso

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #13 em: Agosto 08, 2007, 01:45:55 »
Com certeza algumas cenas são comoventes... eu me sensibilizo também, mas o que eu quero deixar também em foco de discussão é o levantamento feito pelo enfermeiro do histórico de vida deste idoso inserido no contexto familiar. "Quem foi esse idoso para essa família?" Muitas vezes culturalmente e socialmente o vínculo familiar é perdido muito antes de uma transição patológica do idoso ou mesmo do seu processo de envelhecimento. E nos cabe refletir sobre esse fato social, para que possamos ter um poder de decisão melhor e planejar uma abordagem a este familiar ou preparar uma estratégia que aumente a qualidade de vida deste idoso...
Essa pequena polêmica que levantei é apenas uma pequena reflexão feita diante do que é visto dentro da sociedade hoje em dia e nos chegam com muita ênfase...
quot;Todo o bem que pudermos fazer, toda a ternura que pudermos dar a um ser humano, que o façamos agora, neste momento, porque não passaremos duas vezes pelo mesmo caminho."

Offline bea.enf

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Re: Solidão na 3ª Idade
« Responder #14 em: Agosto 08, 2007, 15:45:16 »
No meu estágio no serviço de medicina homens houve um enfermeiro que teve uma ideia engraçada e original para minimizar a solidão nos idosos internados. O enfermeiro lembrou-se de encher uma luva com ar para fazer um balão e com uma caneta de acetato desenhou uns olhos, um nariz e uma boca e deu um bonequinho desses a cada utente. Alguns dos utentes tomaram esses bonecos como companhia e não os largavam nem por nada. Ás vezes queríamos executar algum procedimento de enfermagem e mesmo assim eles não os largavam. Eu achei muita piada à ideia e penso que dá resultados, pelo menos os nossos idosos internados nos hospitais não se sentem tão sós e acabam por ver no boneco uma companhia.
Nestes casos é preciso ser-se criativo para se dinamizar os serviços de internamento. Com esta ideia os enfermeiros não necessitavam de perder muito tempo e ao mesmo tempo há grandes benefícios para os utentes.