Já lá vai um anito, quando eu escrevia mais frequentemente neste fórum... O trabalho e as ocupações diárias não mo permitem com tanta frequência, mas o sentimento é o mesmo que há um ou dois anos atrás.Â

Deparo-me diariamente com a mesma questão:
como vai evoluir a Enfermagem, que futuro nos espera enquanto profissionais neste País, mas sobretudo, o que é que nós podemos fazer!?Questões que atravessam e povoam a mente de todos nós Enfermeiros...
raro é, contudo,
constatar colegas a fazerem essa mesma última pergunta: "o que é que nós podemos fazer?"
Porque aquilo que li nestas últimas linhas, e perdoem-me a generalização, pode gerar desmotivação, pode gerar depressão, pode até gerar frustração "disto estar tão mau"...
Então e EU, EU que posso fazer? Será que não há mesmo NADA NADA que possa fazer?
Em primeiro lugar, temos de pensar:
"o que é que nos faz falta para sermos vistos como profissionais meritórios de reconhecimento, recompensa e remuneração?" Passando o eventual pleonasmo, verificamos quatro áreas fundamentais:
1- Política: quem de nós senhores, está inscrito como militante de um partido, quantos de nós pertencem a uma juventude partidária, quantos de nós participam no debate político? Como esperamos ser reconhecidos se não estivermos entranhados na vida Política e escoado a filosofia de enfermagem nesses meios?
2- Conhecimento: quanto de nós fazem investigação, chata, pura e dura, fértil em conhecimento útil para a prática profissional, garante da prática baseada na evidência;
3- Indicadores: só começámos a "acordar" para a necessidade de produzir informação padronizada e útil há pouco tempo... se uns fazem 100 cirurgias e 2500 consultas e nós não fazemos (ou mostramos) "nada", esperam que lhes dêm o financiamento da saúde a eles ou a nós?
4 - Reconhecimento social: quantas pessoas sabem o que um enfermeiro faz "verdadeiramente"? Nós sabemos, de certeza? Como somos vistos e retratados na sociedade? Será que publicitamos a importância do que fazemos? E como? Divulgamos os resultados da nossa investigação?
É certo que
estamos a crescer, que ainda somos muito "verdinhos" enquanto ciência e disciplina autónoma, mas temos um longo caminho a percorrer, cheio de coisas que
EU, TU e a COLEGA podemos fazer, em vez de pensar no que vais ser da profissão, no que vai ser do meu trabalho, sem contudo lutar para que a minha profissão seja vista com olhos diferentes.
Não é atacar ninguém, é mesmo pensar que se até o Governo não sabe o que fazemos verdadeiramente, não são as negociações que nos vão levar a um patamar mais alto... é todo e cada um de nós, todas as vezes, todos os dias.
Dá trabalho?
Muito. Â
Mas as melhores coisas da vida não se obtêm sem sacrifício. Â

aquele abraço