Autor Tópico: Quais as vantagens e porquê é necessário a existência de um ensino privado?  (Lida 7451 vezes)

Offline Ana Correia

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Em vez destas rivalidades devíamos nos unir todos, como enfermeiros que somos contra as desigualdades e precariedades que a nossa profissão enfrenta...se viemos daqui ou dali não interessa nada, há questões bem mais importantes que deviam ser discutidas aqui neste fórum..licenciei-me na ESEP, e sei por experiência que alunos bons ou maus há em todo lado

Offline vitorefo

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Olá colegas...

Penso que estão a debater aspectos que não trazem ganhos para a discussão. Compreendo que por vezes as emoções e os pensamentos são difíceis de serem contidos perante factos vividos e algumas palavras observadas, mas é correto que tenhamos atenção às mesmas e não nos comecemos a "atacar" desnecessariamente.

Perante isto, relembro a questão levantada pelo Colega Enf. Mauro:

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Fará sentido num país acometido por uma grave crise económica e financeira, com um excedente de licenciados, por exemplo em enfermagem (excesso face à oferta de empregos na área de formação), desperdiçar dinheiros públicos em escolas públicas?

Não seria mais conveniente que esta formação fosse assegurada apenas por escolas privadas, em que o utilizador é o pagador e assim só desperdiçaria o dinheiro que faz a formação e não o Estado (todos nós)?

Penso que seria importante neste tema, começar-se a reflectir pelo inicio (forma como o ensino superior está estruturado) e não pelo fim (resultado final - "lançamento" de profissionais para o mercado de trabalho).

Cumprimentos,

Vítor Oliveira
Devemos aprender com o passado, mas viver na realidade do presente e pensar no que poderá ser o futuro.

Offline enfermeiroUK

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Olhando para o panorama actual (na área da enfermagem e no ensino superior em geral), penso que devem ser tomadas medidas o mais rapidamente possivel. Há neste momento um excesso de licenciados de enfermagem. Não em relação ao ratio, mas sim em relação à capacidade de colocação dos licenciados nos postos de trabalho.

Nessa medida, penso que deveriam ser reduzidas as vagas para enfermagem, uma vez que cada aluno implica custos para o estado, e neste momento estão a ser formados enfermeiros para "exportação".

Penso que as vagas (publico e privadas) deveriam ser controladas e adequadas à capacidade de absorção do mercado de trabalho.

Veja-se o exemplo de Medicina. É um curso que é controlado e não surjem Faculdades de Medicina como "cogumelos" (passo a expressão) como acontece na área de Enfermagem. Isto acontece, porque a Ordem dos Médicos faz a sua função. Já a Ordem dos Enfermeiros deixa muito a desejar não só nesta matéria como em muitas outras!
"...se não receio o erro, é porque estou sempre pronto a corrigi-lo." Bento de Jesus Caraça.

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Offline luciacoelho2225

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Concordo com o colega Enf D.

Offline frias_svp

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Bem, que tópico acesso  >:D

Concordo totalmente com as palavras do Enf. D. Em relação à diferença entre alunos das escolas publicas e das privadas não comento, pois em todo o lado há bons e "menos bons" alunos.

Offline Mauro Germano

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A regulação do curso de Medicina não pode ser equiparada a nenhuma outra classe profissional, incluindo a Enfermagem.

Engenheiros, Arquitectos, Médicos Dentistas, Psicólogos, Economistas, etc etc ... Todos têm Ordens profissionais e não é por isso que não têm desemprego e excesso de formação tal como nós.

Que a actual OE tem estado muito aquém das suas responsabilidades nesta matéria é um facto. Dizer que devemos imitar a OM e que esta tem uma actuação exemplar é dizer que não nos preocupamos com Justiça mas sim em ser igual aos outros (nos seus direitos incorrectos).

Offline Liliana Alves

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A todos os colegas que são explicitamente ou implicitamente contra escolas privadas:

- As escolas privadas existem porque são autorizadas pelo estado/Ordem/ etc. no fim dos 4 anos de curso são todos iguais;
- O que se estuda numa privada é o que se estuda numa pública ou vocês acham que se estuda o quê?
- Há escolas privadas muito mais antigas e consolidadas que algumas públicas;
- Ninguém paga para ter boas notas, pelo contrário, há professores que chumbam porque recebem mais X euros por cada exame que repetem;
- As escolas privadas têm por norma mais recursos que as públicas, onde por vezes não existem, nomeadamente material para aulas práticas, livros, etc;
- Numa privada pedem nota mínima e não é baixa! Pode haver uma ou outra que baixe o ranking, mas se pensam que entra qualquer um estão enganados, e pelos vistos já se entra em públicas nem com 10;
- Nenhum enfermeiro é melhor enfermeiro porque estuda na escola X ou Y, é realmente um bom enfermeiro porque chega a um hospital ou centro de saúde com PRIVADO escrito na testa e trabalha duro para vencer e provar o que realmente é capaz, e que realmente estuda enfermagem e que quer ser um BOM PROFISSIONAL;
- Estudem o que estudarem, é na prática que se vê quem é BOM e quem só é marrão ou ainda quem se deita à sombra do nome POMPOSO da escola!!!
- É triste ver que há gente que se esquece como pode influenciar positiva ou negativamente os professores que se têm no secundário... tanto podem ajudar muito à média, como pouco, ou até mesmo prejudicar... e lá se vai a média.

Isto é irrisório, porque há tantas variáveis que podem influenciar um BOM ou MUITO BOM aluno a ir para uma privada que chega a ser preocupante como é que alunos que entram em públicas com média de 10 se podem achar melhores...enfim!

Cada um pensa o que quiser, é livre de o fazer, mas considero ser uma atitude ESTÚPIDA generalizar o que não pode ser generalizado. Seria o mesmo que dizer que os médicos, já que entram com médias mais altas, são profissionais superiores aos enfermeiros e que nós ao lado deles somos uns burros.
Isto é um pensamento ao nível do que foi aqui dito.

Offline Liliana Alves

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HELLO, a maior parte da matéria que estudamos no secundário não tem qualquer aplicação no decorrer do curso... mas é essa matéria que nos avalia e nos faz ou não entrar para uma pública! Humm... ainda que não se seja muito bom a matemática, línguas, física ainda posso ser enfermeiro...?!! (É que só me apetece dizer mesmo Dahh!)

Offline enfermeiroUK

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Citação de: Mauro_G
A regulação do curso de Medicina não pode ser equiparada a nenhuma outra classe profissional, incluindo a Enfermagem.

Engenheiros, Arquitectos, Médicos Dentistas, Psicólogos, Economistas, etc etc ... Todos têm Ordens profissionais e não é por isso que não têm desemprego e excesso de formação tal como nós.

Que a actual OE tem estado muito aquém das suas responsabilidades nesta matéria é um facto. Dizer que devemos imitar a OM e que esta tem uma actuação exemplar é dizer que não nos preocupamos com Justiça mas sim em ser igual aos outros (nos seus direitos incorrectos).


Amigo Mauro_G! Discordo de tudo o que disse!  :)

Então como há engenheiros, arquitectos, dentistas, psicólogos, economistas em excesso de formação e no desemprego significa que a enfermagem está bem como está? Que não nos devemos preocupar, certo? Que poderão continuar a sair 300 alunos de Coimbra, 300 de Lisboa e mais 300 do Porto (mais alunos das restantes escolas) todos os anos (e este ano directamente para o desemprego)?

Considero que devem ser reguladas as vagas de alguma forma. Através de numerus clausus, fechando escolas ou de outra forma. Qual a necessidade de formar profissionais para depois não haver absorção dos mesmos pelo mercado de trabalho? É apenas para podermos dizer que temos uma sociedade mais culta? Em que toda a gente tira um curso mas depois faz outra coisa qualquer?

Eu não compreendo o porquê de existirem tantas escolas de enfermagem. E com isso pergunto: Será o ensino de enfermagem transversal a todos? Haverá critérios uniformes de formação?

Caro, Mauro_G, será que podia explicar melhor: “A regulação do curso de Medicina não pode ser equiparada a nenhuma outra classe profissional, incluindo a Enfermagem.”
"...se não receio o erro, é porque estou sempre pronto a corrigi-lo." Bento de Jesus Caraça.

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Offline Mauro Germano

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Em momento algum me viu defender esta "produção de enfermeiros". O que disse é que não é um exclusivo da nossa profissão, isto para percebermos melhor as circunstâncias que levaram a que isso acontecesse e que aconteça.
O meu receio é que venha quem vir para a OE o caminho não será fácil mas difícil é não fazer melhor do que a actual OE: isto porque não tem conseguido passar para a opinião pública, o mercado(pais e possíveis futuros alunos) o estado calamitoso do mercado de trabalho para enfermeiros e isso é meio caminho andado para reduzir vagas.
Sem esse passo todos os outros são mais dificieis.

Quanto à Medicina: as regras não são tão aplicáveis por uma miríade de razões: uma delas é a extrema capacidade de influência que estes têm na política e que minam qualquer reforma credível da Saúde.

Outra: em Saúde a oferta aumenta ainda mais a procura de cuidados de saúde. Isto num mercado em que não existe limitações suficientemente precisas e eficazes à prescrição de cuidados de saúde como medicamentos ou MCDT's. Com as actuais regras se houvesse um médico em cada esquina , mesmo o seu salário sendo baixo por fruto do excesso destes profissionais, a sua capacidade de fazer disparar os custos ao poder prescrever medicamentos ou qualquer outra coisa que implique gastar dinheiro , faria os custos dispararem.

A solução? Critérios apertado do que pode ser ou não comparticipado e o que é um cuidado de saúde essencial e como tal que possa ser financiado.

Offline mariamariamaria

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Ensino privado da Enfermagem...

Há cerca de vinte anos eram pouquíssimas as escolas privadas e, mesmo essas, admitiam poucos alunos por curso.

Porque a Enfermagem era uma profissão dita "menor", neste enquadramento actual de licenciaturas, mestrados, doutoramentos a correr, tem de ser agora, senão perco oportunidade de ser melhor do que o vizinho, tenho de ter mais habilitações...

A Enfermagem a sério tem de ter saberes, mas penso que, sempre virados para a sua génese: tratar doentes ou cuidar de pacientes com a paciência de escutar e aconselhar e tratar, mas  que muitos dos enfermeiros, hoje, não podem fazer.

Porquê?

Estão demasiado ocupados em corridas loucas de acumulação de diplomas que, na verdade e na prática, não servem de muito.

É para esses que existem as privadas. Ganham montes de dinheiro à custa de pós graduações, mestrados e outras coisas que o estudante tem de pagar para manter os tachos de meia dúzia de professores.

Como dizia, antigamente havia poucas escolas de enfermagem privadas,essas mesmas não cobravam tanto, porque a procura não era tanta...

Com a loucura do complemento, claro que tiveram oportunidade de abrir escolas para dar vazão ao número de pessoas que "tinham" de fazer aquilo. Foi tão lucrativo que não houve especialidades durante anos.

Acabem com isso, confiram especialidades em contexto de trabalho, tal como os médicos, com remuneração.

Isso é feito no hospital, no Centro de saúde, mas sempre a trabalhar e receber vencimento e formação.

Voltemos à velha fórmula: se um estabelecimento de saúde precisa de especialistas, que confira bolsas de estudo aos profissionais, dentro das necessidades.

Abraço.

Offline Herodes

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Neste momento, face ao desemprego, podemos encerrar todas as privadas e algumas publicas.