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De uma forma geral, os prestadores de cuidados informais têm conhecimentos, habilidades, apoios suficientes para prestarem cuidados a um idoso dependente?

SIM
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Votação encerrada: Outubro 31, 2006, 16:21:29

Autor Tópico: Cuidador Informal  (Lida 22242 vezes)

Offline enfsergio

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Cuidador Informal
« em: Outubro 31, 2006, 16:21:29 »
O cuidado informal é a prestação de cuidados a pessoas dependentes por parte da família, amigos, vizinhos ou outros grupos de pessoas, que não são pagos pela ajuda que oferecem.

Diversos estudos demonstram que os principais cuidadores são os próprios familiares que geralmente cohabitam com o idoso dependente ou que moram bastane próximos.

Dentro da vossa experiência profissional, acham que os cuidadores têm conhecimentos sobre a doença que afecta a pessoa que cuidam? Acham que os cuidadores têm habilidades/ conhecimentos para cuidar? Será que têm apoios? Ou será que os cuidadores prestam os cuidados de uma forma empírica, fazendo o que acham ser o correcto mas sem conhecimentos?

Penso que poderia haver a criação de uma rede de apoio domiciliário, à semelhança do que acontece noutros países, a funcionar com enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, médicos, geriatras, auxiliares de acção médica e outros técnicos.

Participem e contem as vossas experiências com cuidadores informais.

Offline isabelmeireles

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Cuidador Informal
« Responder #1 em: Novembro 01, 2006, 00:58:40 »
Olá!

Esta temática do tentar obter a informação que o cuidador informal tem acerca da prestação de cuidados ao doente , está bastante presente no serviço onde trabalho. Sempre que temos um doente depende e que perspectivamos que vai necessitar de apoio nas suas AVD's vamos tentando "apanhar" os seus familiares para tentar saber o que eles sabem sobre cuidados a terem com o seu familiar e quais as necessidades de ensino que aquele prestador de cuidados precisa.

Por vezes, deparamo-nos com pessoas que não fazem a mínima ideia como cuidar de uma pessoa acamada. começando pelo simples acto de lavar a cara a uma pessoa, depois  as habilidades vão-se adquirindo (tal como nós: ainda se lembram quanto tempo demorvam no vosso primeiro banho no leito????).


Geralmente, convocamos esse prestador de cuidados para vir assistir aos cuidados de higiene, aos posicionamentos, à tecnica de alimentação/transferência/aspiraçãod e secreções, técnicas para evitar aspiração e as quedas (entre outras) e na segunda sessão de "esclarecimento" o prestador de cuidados realiza os cuidados sob orientação do enfermeiro.

Por acaso, e na minha opinião, é uma das preocupações da equipa de enfermagem onde trabalho, e que contribui lá para os "ganhos em saúde" do hospital em que trabalho.

Quanto a essas instituições de apoio domiciliário, também as há (poucas) e que apenas funcionam com pessoas cuja formação é diminuta. Instituições essas que funcionam apenas para alguns utentes dependentes nas suas AVD's.

Espero que me tenha conseguido fazer compreender.

Fiquem bem!

Isa

Offline Shirley Afonso

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falando da realidade no Brasil
« Responder #2 em: Novembro 07, 2006, 23:49:24 »
Os enfermeiros, por serem não apenas um profissional que presta cuidados, também tem em sua totalidade a área do ensino, mantém este foco de atenção junto ao cuidador.
A participação do enfermeiro é contínua, não só focada na atenção ao paciente, mas também, nas orientações corretas dos procedimentos que o cuidador presta. É uma responsabilidade do enfermeiro, sob julgamento legal. Então, do cuidado com o idoso, as atividades "não" invasivas de potencial de risco mínimo, deve sim haver orientação do enfermeiro quanto a maneira de cuidar que este cuidador informal presta ao idoso.
Em um serviço domiciliar, onde o enfermeiro é o supervisor, fica bem mais fácil e claro de entender este ponto, principalmente que este enfermeiro não vai está constantemente com o paciente.
quot;Todo o bem que pudermos fazer, toda a ternura que pudermos dar a um ser humano, que o façamos agora, neste momento, porque não passaremos duas vezes pelo mesmo caminho."

Offline enfsergio

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Re: Cuidador Informal
« Responder #3 em: Fevereiro 29, 2008, 17:48:48 »
Que poderemos nós fazer para preparar melhor o cuidador informal?

Como são feitas as preparações da alta nos vossos serviços?

Os enfermeiros de cuidados de saúde primários que têm a dizer da preparação feita em meio hospitalar? Os ensinos são suficientes? Qual o papel dos enfermeiros de CSP?

Quem anda a cuidar dos nossos idosos?

Como andam os nossos idosos a ser cuidados?

Offline Babyann

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Re: Cuidador Informal
« Responder #4 em: Março 01, 2008, 18:46:09 »
Eu acho que alguns CSP já estão a fazer muitas alterações a esse nível, fazem educações para a saúde para gravidas, crianças, mas sinceramente nunca ouvi falar em educação para a saúde do cuidador informal, mas seria uma óptima ideia!
Quando for estagiar para o CSP prometo dar essa ideia(caso ainda não exista, claro)!
E já agora e os enfermeiros de CSP porque não pensarem em dar ideias no vosso local de trabalho!Aqui fica a ideia do Enf. Sérgio que de certeza que não se importa que seja aproveitada!:)
:)

Offline enfsergio

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Re: Cuidador Informal
« Responder #5 em: Março 04, 2008, 10:50:14 »
Então pessoal??

O que fazer para melhorar a prestação de cuidados por parte dos cuidadores informais??

 O0

Offline CarlosPires

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Re: Cuidador Informal
« Responder #6 em: Março 04, 2008, 17:41:20 »
Muitas vezes o cuidador informal não tem a minima formação/informação para prestar cuidados ao idoso dependente, mas como já foi dito uma das competências do enfermeiro é a educação para a saúde...

Offline enfsergio

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Re: Cuidador Informal
« Responder #7 em: Março 04, 2008, 18:57:13 »
Educação para a saúde...

Pena que os centros de saúde, por aquilo que vou tendo conhecimento, fazem educação para a saúde em escolas de 2ºciclo(sexualidade), lares de terceira idade (cuidadores formais), infantários e escolas de 1ºciclo (hábitos de higiene corporal e oral). E para quando educação para a saúde para cuidadores informais??

A maioria dos ensino em meio hospitalar são feitos de véspera, senão no dia em que o doente tem alta. É dada uma enorme quantidade de informação ao futuro cuidador que apesar da muita boa vontade, fica totalmente baralhado. Os cuidadores são geralmente pessoas de idade, com baixa escolaridade e que têm que aprender muito em pouco tempo. É suficiente? Não me parece. Como é feita a preparação das altas nos vossos serviços? Há contacto com os centros de saúde a informar do grau de dependência do idoso e o grau de aprendizagem do cuidador??

Qual a vossa experiência??

Penso que este é um campo em que a enfermagem pode e deve intervir. É um campo nosso...é EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE!

Offline CarlosPires

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Re: Cuidador Informal
« Responder #8 em: Março 04, 2008, 19:50:14 »
Realmente pelo que venho a ter conhecimento a educação para a saúde, ou seja os ensinos no contexto hospitalar são feitos, muitas vezes, de vespera. Muitos são os enfermeiros de hoje em dia que só valorizam o seu trabalho pelas técnicas que fazem...pelas algaliações, pelas aspirações de secreções, etc... Talvez seja por isso que a nossa profissão esteja como está.. Não se sabe dar o devido valor porque muitos dos próprios profissionais não dão o próprio valor. A Enfermagem passa por toda a intervenção que o enfermeiros pode fazer a nível social, psicologico e biologico do doente. Saber escutar é papel de enfermeiro! Pois eu nunca vi nos diarios de enfermagem um enfermeiro dizer que esteve a escutar o doente e a dar apoio emocional! Poucos são os enfermeiros que escrevem nos diarios de enfermagem que fizeram os ensinos x ou y e muito menos são os enfermeiros que escrevem foi reavaliado o ensino feito e reforçado o ensino. Tudo isto poderia ser feito com bastante qualidade se se realmente aplicasse na pratica os planos de cuidados e se estes fossem constantemente reformolados à medida das necessidades dos utentes...
É de notar que o centro de saúde tem um papel importante na educação para a saude de cuidadores informais, mas no contexto hospitalar isso é igualmente importante. Quantos são os casos em que doentes que estão hospitalizados em serviços de medicina e têm alta, mas que precisam de cuidados continuados? Claro como a rede de cuidados continuados em portugal ficam muito à quem daquilo que é necessário, ou as pessoas tem dinheiro para for os familiares em lares ou entao assumem eles próprios os cuidados aos familiares, sem ter noção como o fazer! Pois bem é assim que ha necessidade de se intervir.

Offline AlexGomes

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Re: Cuidador Informal
« Responder #9 em: Março 04, 2008, 23:51:49 »
Penso que aumenatar a educação para a saúde de forma a autonomizar os prestadores informais, mas sempre com o suporte e relação de confiança com o enfermeiro responsável.

Desta forma cresce uma relação de confiança e o cuidador também melhorará a sua prestação, com consequentes benefícios para o utente.

Offline enfsergio

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Re: Cuidador Informal
« Responder #10 em: Março 08, 2008, 18:38:03 »
Temos que ver isto como uma tríade em que exista interacção...

Temos então:
- o idoso dependente
- o cuidador informal
- o cuidador formal

Não havendo contacto entre os intervenientes, então é difícil que o idoso seja tratado com qualidade. O cuidador informal deve ser devidamente preparado pelo cuidador formal. Quando já tem a formação adequada e o seu familiar dependente tiver alta, o apoio não deve terminar. Defendo que deve haver um acompanhamento por parte daqueles que deram formação. Devem disponibilizar-se para ajudar, para tirar dúvidas. Muitas vezes o cuidador informal ao saber que pode contar com alguém tem uma segurança diferente.

Infelizmente, e falo pelas realidades que vou conhecendo, a alta é preparada e depois nunca mais temos contacto com aquela família e aquele idoso. É feita carta de alta para centro de saúde. Sabemos se ela foi entregue? Sabemos se eles têm prestado apoio? Nas cartas de alta dizemos que tipos de ensinos foram realizados? Dizemos onde o cuidador teve/ tem mais dúvidas? Disponibilizamo-nos para ajudar? Dizemos no momento da alta...se tiver alguma duvida contacte o serviço...há enfermeiros 24horas?

Damos formação e depois são lançados para a nova realidade sem haver monitorização futura.

Defendo que essa monitorização deve ser feita em articulação com os centros de saúde. Depois da alta o idoso dependente e familiar cuidador deve ser seguido pelo hospital. O hospital em articulação com o centro de saúde deve fazer visitas conjuntas. Possivelmente duas vezes por semana por exemplo nas duas primeiras semanas, depois uma vez por semana nas duas semanas seguintes e depois o centro de saúde continuar com a monitorização. É importante este acompanhamento. É vital para a formação do cuidador informal e para uma prestação de cuidados com qualidade.

Penso que é uma área que precisa de ser apoiada. Que precisa de crescer.

Offline Caldas

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Re: Cuidador Informal
« Responder #11 em: Março 08, 2008, 20:18:42 »
Apesar de inserido na temática do cuidador informal estamos também no sub-forum da enfermagem geriátrica. Como tal, tenho alguns apontamentos e experiência que convosco vou partilhar:
- Equipa de Apoio Domiciliário dos Centros de Saúde,
- Unidades de Saúde Familiar e Enfermeiro de Família,
- Experiência do meu serviço e Cuidados Continuados,
- Unidade Local de Saúde de Matosinhos.

Em primeiro lugar e por o Enf Sergio falou dos CSP, muitos dos doentes que são encaminhados para os CSP para serem acompanhados após a alta, têm necessidades de visitação domiciliária. Nos locais onde estagiei, esse acompanhamento era baseado nas necessidades e geralmente resumia-se a pensos e injectáveis. Contudo, os enfermeiros das equipas domiciliárias esforçavam-se por não reduzir a visita ao tratamento, mas também ao reforço dos ensinos, já efectuados ao prestador de cuidados.
Em segundo é falar da potencialidade das USF, que na sua concepção têm enfermeiros que se encarregam dos cuidados a várias famílias, sabendo da referenciação dos seus utentes. Assim, nestas unidades os enfermeiros através das visitações domiciliárias, após alta para avaliar a nova condição de saúde da pessoa e familia. Com este tipo de cuidados parece-me que se o enfermeiro da comunidade souber e quiser, puderá acompanhar muito melhor as familias e como tal prestar apoio a esta população.
Em terceiro a experiência que tenho na prestação de cuidados. No meu serviço, de especialidade médica de ortopedia, não nos deparamos com muitos doentes com necessidades de cuidados de enfermagem pós-alta, porém, temos uma ligação com os cuidados continuados da zona de referência que ao qual encaminhamos o processo e diagnósticos de enfermagem activos, para acompanhamento pós-alta.
Em último falo da ULSM, com a qual tive contacto numa Jornadas de Enfermagem da AEESECG. Entre o Hospital Pedro Hispano e os Centros de Saúde da Unidade Local existe um contacto e interligação entre os enfermeiros e os registos das duas unidades. Os enfermeiros do Centro de Saúde registam informaticamente os dados significativos, ao qual, os enfermeiros do hospital têm acesso via intranet e vice-versa, havendo assim a possibilidade da troca de informações entre unidades mais eficaz e não dependente da carta entregue pelo utente.

Offline alleinade

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Re: Cuidador Informal
« Responder #12 em: Março 08, 2008, 20:25:58 »
Oie,

Colega Caldas pelo seu testemunho parece que nem tudo vai mal no SNS, bons exemplos...

Offline enfarfr

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Re: Cuidador Informal
« Responder #13 em: Março 08, 2008, 21:26:53 »
Citação de: alleinade
Oie,

Colega Caldas pelo seu testemunho parece que nem tudo vai mal no SNS, bons exemplos...




Penso que dizer que quase tudo no SNS vai mal é um grande tiro nos próprios pés... Mas como temos (os portugueses) sempre tendência para nos desvalorizar-mos... Não concordo que haja poucos exemplos de boas práticas...

Offline Caldas

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Re: Cuidador Informal
« Responder #14 em: Março 09, 2008, 00:41:44 »
Como disse o actual Secretário de Estado da Saúde nas mesmas Jornadas que aí mencionei: O nosso SNS funciona melhor que há uns anos atrás, porém o grau de exigência da sociedade é muito maior.

Atenção que alguns dos exemplos que dei estão em implementação, caso das USFs e o exemplo da Unidade Local de Saúde de Matosinhos apenas representa a importância da investigação em enfermagem, pois trata-se da aplicação e trabalho conjunto entre a Escola Superior de Enfermagem do Porto e os Enfermeiros da Unidade Local.