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Envelhecimento com qualidade de vida em Portugal

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Votação encerrada: Setembro 20, 2006, 23:20:48

Autor Tópico: Envelhecimento em Portugal vs Qualidade de Vida  (Lida 6464 vezes)

Offline enfsergio

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Envelhecimento em Portugal vs Qualidade de Vida
« em: Setembro 20, 2006, 23:20:48 »
O envelhecimento demográfico é definido pelo aumento da proporção das pessoas idosas na população total, em detrimento da população jovem, e/ou da população em idade activa, e tem vindo a aumentar em Portugal.

Entre 1960 e 2001 o fenómeno do envelhecimento demográfico traduziu-se por um decréscimo de cerca de 36% na população jovem (0-14 anos) e um aumento de 140% da população idosa (65 e mais anos).

Como se pode ver a população idosa aumenta em Portugal a olhos vistos. E assim convém perguntar...será que se envelhece em Portugal com qualidade? Se não, o que fazer para aumentar a qualidade de vida dos idosos portugueses? Se sim, como é visível essa qualidade de vida?

Offline enfsergio

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Qualidade de Vida
« Responder #1 em: Novembro 12, 2006, 19:21:34 »
A qualidade de vida de uma população é um importante conceito na economia e na ciência política. Este conceito envolve uma combinação de fatores econômicos (como um bom salário, poupança e propriedades) e sociais (sentimentos como felicidade, tristeza, liberdade, etc). Contudo, vem-se observando uma associação cada vez maior do termo com produtos e serviços oferecidos à população brasileira e mundial, provavelmente resultado de uma conscientização crescente do indivíduo quanto à sua importância na sociedade econômica.

in: www.wikipedia.org


Já alguém usou alguma escala de avaliação da qualidade de vida? Se sim...qual o usou...e qual os resultados obtidos?
Obrigado!

Penso que é um assunto interessante, e que é o nosso ideal...envelhecer com qualidade de vida
:)

Offline Summer

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Envelhecimento em Portugal vs Qualidade de Vida
« Responder #2 em: Novembro 12, 2006, 22:54:17 »
Vou talvez começar por responder ao teu segundo post. No entanto, farei depois a ligação à primeira parte.

Em primeiro lugar acho que é necessário definir qualidade de vida. Há pouco tempo escrevi um artigo relacionado com este assunto, se bem que noutro contexto, não em relação a idosos. No entanto, penso que os princípios são aplicáveis.

“Qualidade de vida pode ser definida como o funcionamento de um indivíduo a nível fisíco, psiquico e social e a avaliação subjectiva deste mesmo funcionamento. Isto significa que existem aspectos objectivos e subjectivos implícitos na qualidade de vida. Os aspectos objectivos relacionam-se com as limitações como consequência do estado de saúde, enquanto que, os aspectos subjectivos com a avaliação feita pelo indivíduo sobre o seu estado de saúde. Por exemplo, não é somente o facto de alguém ainda conseguir subir escadas mas também como isso é vivido, sentido.

Pode-se definir algumas dimensões ou domínios na qualidade de vida. Os domínios mais importantes são o físico, psíquico e social. Cada um destes pode ser ainda dividido em dimensões mais pequenas. Por exemplo, o funcionamento a nível físico e a dôr fazem parte do domínio físico da qualidade da vida. Os sentimentos depressivos ou de ansiedade estão englobados no domínio psíquico. A influência que uma doença exerce na possibilidade de um indivíduo desempenhar diferentes papéis na sociedade (funcionamento na família, no trabalho, com amigos, nos tempos livres) fazem parte do domínio social.

A medição da qualidade de vida pode efectuar-se através de diferentes instrumentos de medição, normalmente listas de perguntas. Existem três grandes grupos de instrumentos de medição: genéricos, específicos para determinada doença e específicos para determinado domínio. Os instrumentos genéricos medem a qualidade de vida em termos que são relevantes, para qualquer indíviduo, com problemas de saúde ou não. Os instrumentos específicos para determinada doença medem as consequências de uma doença específica na vida de um indíviduo, como por exemplo, a dôr e rigídez na artrose. Os instrumentos especifícos para um determinado domínio englobam um domínio da qualidade de vida, por exemplo, limitações físicas.
Alguns instrumentos genéricos mais utilizados são: o SF-36, o SF-12 e o EQ-6D. O SF-36 tem 8 dimensões, entre elas o funcionamento a nível fisíco, a dôr e o funcionamento a nível social. Este instrumento provê avaliações para a qualidade de vida fisíca e psíquica. O SF-12 é uma versão mais pequena do SF-36. Para detalhes específicos destes instrumentos é possível consultar http://www.sf-36.org.
O EQ-6D é uma lista de perguntas curta mas eficaz. Apenas 6 perguntas com 3 categorias possíveis de resposta. Cada pergunta engloba uma dimensão da qualidade de vida. O EQ-6D provê uma descrição da qualidade de vida às seguintes dimensões: mobilidade, cuidados de saúde autónomos, actividades diárias (trabalho, estudo, actividades caseiras e recreativas), dôr ou outras queixas, depressão/ansiedade, e características cognitivas (memória, concentração, QI). Para detalhes específicos deste instrumento é possível consultar http://www.euroqol.org.” *


* Parte de texto retirado de um trabalho pessoal, todos os direitos reservados ao autor (eu própria).

Mesmo sem fazer a aplicação destes instrumentos, parece-me que a população idosa em Portugal tem, no geral, uma qualidade de vida baixa. Seria porém interessante aplicar estes instrumentos, ou outros parecidos e efectuar um estudo para que se pudesse retirar algumas conclusões com bases comprovadas.

Para aumentar a qualidade de vida seria necessário, principalmente, uma mudança a nível dos cuidados de saúde e, uma mudança em termos de facilidades oferecidas ao idoso. Os cuidados de saúde, não só a nível de enfermagem, mas num contexto multidisciplinar. Infelizmente não envelhecemos sem necessitarmos de cuidados de saúde, por isso a qualidade de vida depende em grande parte destes. No geral, os idosos portugueses necessitariam de muito mais facilidades, a todos os níveis, para que a sua qualidade de vida aumentasse.

Tema interessantíssimo para uma troca de idéias!

Summer
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