Autor Tópico: Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...  (Lida 11451 vezes)

Offline skwitz

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #15 em: Dezembro 02, 2004, 18:58:19 »
Olá a todos!

Precisava da vossa ajuda. Estou no 4º ano de Enfermagem e numa das disciplinas vamos ter de fazer um artigo com uma temática à nossa escolha. Eu estava interessado em fazer um artigo sobre esta polémica da substituição de enfermeiros por auxiliares.

Já vi muitos sites a falar sobre esta temática mas todos eles são a "defender" os enfermeiros. O que eu vos pedia era que me dissessem se sabem de algum site que mostre o ponto de vista do ministério da saúde (apesar de todos sabermos qual é esse ponto de vista, gostava de saber algum site oficial).

Gostava também de saber onde posso encontrar em que consistiria em concreto a formação das novas AAM.

Obrigado a todos

Offline vania_neto

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #16 em: Dezembro 09, 2004, 19:50:17 »
Tenho lido em diversos foruns de enfermagem sb enfermeiros serem substituidos por auxiliares.
Alguen me pode dizer se o governo esta mesmo a pensar em substituir os enfermeiros por pessoal sem qualificacoes proprias, ou esta a pensar dar formacaoo aos auxiliares de modo a que estes possam assistir os enfermeiros de modo a melhorar a prestacao de cuidados.

Se a intencao for a primeira deve ser no minimo ilegal nao?

Offline AndréVinhovsky

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #17 em: Dezembro 12, 2004, 16:00:53 »
O Governo Português pensou em faazer isso, é verdade. Se é legal ou não? Bom, se isto fosse para a frente e se o Governo Português aprovasse passava a ser legal, certo?

Felizmente, para todos nós e para os doente, os Enfermeiros uniram-se, iam com uma greve geral para a frente e o Governo Português recuou...

Offline joana santos

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros
« Responder #18 em: Dezembro 15, 2004, 16:57:44 »
Concordo com o André quando refere que são os próprios enfermeiros que estão a dar Razão ao Ministério da Saúde e às S.A. para serem substituídos por "auxiliares de enfermagem", cada vez que um enfermeiro na equipa multidisciplinar de saúde, no dia-a-dia,  defende o TRATAR em vez do CUIDAR.
A essência da enfermagem é o cuidar, deixemos o tratar para os médicos. :roll:

Offline Guytonn

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #19 em: Dezembro 16, 2004, 01:15:26 »
Aqui o cerne da qustão prende-se com a base da autonomia em enfermagem. Será que somos autónomo s quando estamos a desempenhar tarefas que sempre consideramos autónomas? Ou melhor, as nossas competências são passíveis de transferibilidade ou são consagradas exclusivamente à nossa profissão? Será que a administração terapêutica por exemplo, é acto de enfermagem? Talvez não... Vejamos; A administração terapêutica deriva de uma prescrição médica que, por inerência prescreve também a sua administração. Ora, a administração de terapêutica é uma delegação de tarefa por parte de uma classe profissional a outra. esse princípio está subjacente no acto médico que serve de base à prescrição de tarapêutica. A lei diz que o médico é o responsável pela prescrição e realização de actos terapêuticos. Logo, em teoria, a administração de terapêutica foi delegada tacitamente á enfermagem pelos médicos. Ora, se os médicos possuem a incumbência e o poder de delegar tarefas, estas são necessáriamente propriedade da orgânica funcional da sua profissão e como tal, estes poderão delegar essa mesma tarefa a outros profissionais desde que teoricamente habilitados para o fazer. O grande problema reside na má descriminação do que são actos de enfermagem, e da insistentemente não exigirmos que aquilo que os enfermeiros fazem passe a ser reconhecido como uma competência autónoma da própria profissão. Antes de defender um território, teremos primeiro de o conquistar verdadeiramente. No entante, e infelizmente, somos uma classe que reage mas não age . A César o que é de César.
PRESENTE É SIMULTÂNEAMENTE O EPÍLOGO DO PASSADO E O PRÓLOGO DO FUTURO.

Offline AndréVinhovsky

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #20 em: Dezembro 16, 2004, 23:32:38 »
Não penso que as coisas sejam tão lineares como o Guytonn refere. É certo que quem tem competências profissionais para prescrever medicação são os médicos, desde o tipo, a via, a quantidade, etc., mas o enfermeiro tem a competência de a administrar correctamente, tendo sempre em consideração as regras base de administração, doente certo, hora certa, dose certa, medicamento certo e via de administração certa.

E administrar medicação não é apenas administrar medicação. Existem procedimentos após a administração que devem ser cumpridos, como vigiar efeitos secundários, vigiar se a medicação teve o efeito desejado....

A prática de Enfermagem baseia-se em acções independentes e interdependentes, colocando-se aqui a administração de medicamentos. Não os podemos prescrever mas temos a responsabilidade da administração e do que poderá advir dela.

Offline vania_neto

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #21 em: Dezembro 17, 2004, 17:10:44 »
Concordp plenamente com o Andre.
O acto de administrar medicamentos pode ter sido delegado aos enfermeiros pelos medicos mas e preciso ter em conta o porque desta delegacao.
 
Sera porque os enferemiros sao os unicos membros da equipa que possuem nao so os conhecimentos para administrarem os medicamentos correctamente, mas tb a capacidade de estarem com os doentes 24/7 e por isso mesmo serem os profissionais ideais para vigiar os efeitos desses mesmo medicamentos?

Pode-se dizer q e possivel ensinar as regras bases aos auxiliares, no entanto os conhecimentos necessarios para saber identificar efeitos desejaveis e e indesejaveis dos medicamentos, as accoes necessarias tomar caso isso aconteca, e como transmitir esses mesmos conhecimentos tanto aos doentes como aos seus familiares de um modo q estes entendam e consigam gerir apos a alta nao se aprende num curso de uma semana ou duas...

E nao so,  como profissionais temos q estar preparados para defender as nossas accoes e omissoes perante a ordem caso de modo a mantermos a nossa profissao. Ora os auxiliares nao sao regulados profissionalmente. Se cometerem um erro, o mais q pode acontecer e serem despedidos, e terem q responder em tribunal. Nada os impede de irem trabalhar para o outro hospital  e cometerem o mesmo erro... Coisa q n acontece se a Ordem achar q n possuios as capacidades necessarias para continuarmos a  trabalhar como enfermeiros....

Offline pedrojosesilva

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #22 em: Dezembro 18, 2004, 17:00:30 »
Guyton:

Citar
infelizmente, somos uma classe que reage mas não age . A César o que é de César


Prática indevida de enfermagem em Portugal sempre houve ao longo do século XX, não é de agora. As primeiras associações e sindicatos debateram-se contra a prática de habilidosos. Quem não conhece ou tem mesmo na familia aquela pessoa conhecida da vizinhança que até dá umas injecções, e outras tarefas que fazem parte do conteúdo funcional da profissão.

Agora o que é mesmo grave, é que essas práticas ilegais possam ser cometidas em instituições oficiais, quer sejam publicas ou privadas. Nesse sentido a Ordem deveria automaticamente accionar meios judiciais contra os responsaveis por tais instituições.
E os colegas que dessem formação a auxiliares em competências não delegaveis, deveriam ser alvo de processos disciplinares.

Eu defendo mão pesada para esta ameaça à desintegração e precariazação da profissão e da qualidade/segurança do atendimanto à população.

Os nossos antepassados enfermeiros não andavam a brincar (lè "Um Olhar sobre o Ombro" de Lucilia Nunes), e os colegas do Amadora-Sintra também não, por isso é que sofrem represalias como podemos atestar pelas noticias que existem aqui no site.


A César o que é de César...

Offline Guytonn

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #23 em: Dezembro 19, 2004, 18:39:14 »
quando digo que o acto terapêutico é primariamente da responsabiliadde médica, refiro-me ao seu enquadramento legal. Por exemplo, os Chefes militares podem ordenar um ataque aéreo mas os únicos profisssionais com competência para tal são os pilotos, pois apenas eles têm a formalção necessária para pilotar um avião e para tomar as decisões correctas condicentes ao sucesso da missão. Não quero com isto dizer que os nossos actos são subordinados ao poder médico mas, a nível regulamentar, o médico é o seu responsável máximo, No entanto, isso não iliba os enfermeiros pelos erros de administração ou de má monitorização uma vez que estes são os naturais adjudicatários das prescrições terapêuticas e quejandas, não as processando de uma forma passiva, submentendo-as ao processo de raciocínio crítico. Mas será que os doentes se apercebem que o acto de administrar é tão importante como o acto de prescrever? Não seria desejável que, a nível formal, se definisse claramente que a administração de terapêutica é acto exclusivamente de enfermagem? Não seria desejável definir de uma vez por todas uma tabela objectiva de actos técnicos e não técnicos de enfermagem?
Temos de demonstrar a nossa actividade com mais acuidade, demonstrar a nossa insubstituibiliadde, não perante os outros enfermeiros mas perante a sociedade. Só quando esta perceber a complexidade dos cuidados de enfermagem compreenderão a razão pela qual os enfermeiros não podem ser substituídos por priofissionais de formação duvidosa. Teremos tmbém de demontrar não a nossa autonomia em relação aos actos terapêuticos medicamentosos e outras acções que não encontram em nós os seus autores mas em actos dos quis o enfermeiro é o seu autor, executor e avaliador.
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Offline AndréVinhovsky

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #24 em: Dezembro 19, 2004, 23:44:16 »
Citação de: "Guytonn"
Mas será que os doentes se apercebem que o acto de administrar é tão importante como o acto de prescrever?


Penso q tens razão Guytonn e talvez vá mais longe...terão os Enfermeiros consciência da importância e responsabilidade da administração quando estes delegam esta acção ao auxiliar de acção médica?

Como nos refere o Guytonn, é importante demonstrar à sociedade a importância dos actos dos quais o enfermeiro é o seu autor, executor e avaliador e também dos actos e outras acções que não encontram em nós os seus autores , como é o caso da administração de medicação, para demonstrarmos, com factos reais, a nossa insubstituibilidade.

Offline nunotavares

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #25 em: Dezembro 22, 2004, 16:15:37 »
O André e o Guytonn, tocam, na minha opinião num dos muitos focos centrais desta questão....a delegação de funções de forma indiscriminada, nomeadamente na medicação!

Num dos estágios que fiz e nomeadamente na urgência, no decorrer de uma noite de terça feira, não muito agitada, o enfermeiro de turno resposável por um doente com um quadro clínico sugestivo de coledocolitíase, estava sentado - para não dizer deitado-  no sofá da sala de descanso, e lembra-se que o paciente estava com dores à 1h30' atrás....então disse ao auxiliar "vai ali à gaveta e tiras um comprimido vermelho e dás-lhe...", o comprimido em causa integrava 750mg de metamizol de magnésio....ao qual o doente fez uma reacção anafilactóide severa, com posterior internamento em UCI, isto porque a vigilância dos efeitos secundários depois da toma...não foi feito! Porque de facto não há nada mais importante que o grande BB em directo na TVI com Teresa Guilherme!

É claro que os doentes se apercebem destas coisas....e eu enquanto estudante não pude deixar de pensar....."onde estão os métodos não farmacológicos de combate à dor? é tudo resolvido com a cápsula vermelha?"

Este tipo de situações tornam-se inadmissíveis e é por situações como estas que a imagem social do enfermeiro é muitas vezes denegrida e depois por uns pagam os outros todos!

Um abraço,  :D