Autor Tópico: Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...  (Lida 11486 vezes)

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« em: Setembro 08, 2004, 19:48:01 »
Recentemente deparamo-nos com um novo problema: a substituição de enfermeiros por não enfermeiros, mais concretamente com auxiliares de acção médica, aos quais é dada alguma formação.

Certas instituições de cuidados de saúde (caso do Hospital Amadora-Sintra) estão a desenvolver planos de formação a auxiliares de acção médica, sendo que nalguns casos os enfermeiros têm papel activo nesta formação (como se pode ler num comunicado da Ordem dos Enfermeiros).

De acordo com o "Diário Digital", certos cuidados prestados aos doentes no Bloco Operatório são efectuados pelos auxiliares de acção médica, que têm orientações para tal.

Segundo o comunicado acima referido, "as razões apontadas para esses processos têm algo de paradoxal, se por um lado se referem ao contributo para o desenvolvimento e qualidade da actividade dos Auxiliares de Acção Médica, por outro lado são frequentemente relacionadas com: «a necessidade de disponibilizar enfermeiros para cuidados mais nobres» e com a «não existência de enfermeiros em número suficiente, para dar resposta a todas as necessidades do doente em cuidados de enfermagem»"

Ainda de acordo com a Ordem dos Enfermeiros "(...) é preocupante o facto de chegarem ao conhecimento da Ordem, documentos que suportam formações de Auxiliares de Acção Médica, nos quais é clara a transposição de um discurso próprio da disciplina de enfermagem, com o recurso a conceitos e outros elementos estruturantes do conhecimento e da prática dos cuidados de enfermagem, o que configura uma apropriação indevida das intervenções do enfermeiro, tal como preconizado no Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros - REPE - decreto-lei n.º 161/96 de 4 de Setembro - Artigos 4, 5 e 9".

Arrisco-me a dizer (espero que erradamente), que corremos o risco de, sermos gradualmente substituídos por pessoal ñ qualificado para CUIDAR... Não ponho em causa o lado humano dessas pessoas, nem possíveis aptidões que possam eventualmente possuir. Ponho sim em causa a formação que elas têm...
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline Karlwork31

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Não Enfermeiros...
« Responder #1 em: Setembro 09, 2004, 10:43:28 »
Infelizmente, ao contrário do que refere o post do Abilio, esta situação não é nova. Desde há muitos anos que os Enfermeiros tem sofrido com o exercício ilegal da profissão de Enfermagem. São os "curiosos" que por este país fora realizam pensos e dão injecções, são os funcionários dos consultórios médicos que sem formação nenhuma, administram terapêuticas, fazem "ensinos", colaboram em tratamentos clínicos, são os auxiliares dos "lares de 3º idade" que administram terapêutica, avaliam glicémias e tensões arteriais, quando não fazem mudanças de frascos de soros...

No entanto, só agora é que as grandes empresas de recursos humanos, assim como os hospitais, se aperceberam das "potencialidades" de nos dispensar...

A realização de tarefas mais "nobres" tem sido um dos principais argumentos referidos, como se não fosse compatível a Prestação Directa  de cuidados, com a Investigação e a Gestão.

Cabe a todos nós, Enfermeiros, esclarecer as pessoas deste equivoco. Por outro lado, só com uma avaliação dos cuidados de Enfermagem (Demonstração de que os cuidados de Enfermagem podem ser traduzidos em indicadores de ganhos para a saúde), pode-se conseguir inverter esta tendência.

Offline Monikafigas

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros
« Responder #2 em: Setembro 09, 2004, 17:22:45 »
Hoje em dia, há situações em que alguns Enfermeiros delegam as suas competências  aos Auxiliares de Enfermagem. Depois vemos também, em alguns casos, em que há Enfermeiros que não se importam de que o Fisioterapeuta faça um levante, ou que ainda faça uma alternância de decúbitos sem dar parecer ao Enfermeiro. São estas " usurpações " diárias das nossas funções que estão a ser levadas a cabo pelos outros profissionais de saúde. Cabe ao Enfermeiro mostrar claramente ao Utente, Família e a si próprio, que não é o Auxiliar que fica com o trabalho sujo e o Enfermeiro com o trabalhinho limpo.  RESPONSABILIDADE até no que se delega....... É alguma coisa! Sou contra esse curriculum que forma "Auxiliares Enfermeiros"  (instantaneamente) por uma única razão... O que é do Enfermeiro é para ser feito por ele e assumido por ele. Não quero um dia ir para ao hospital e me aparecer um LEIGO a avaliar a minha tensão arterial, ou a fazer algo em que não tem competência para fazer. Eu não gostaria de ser tratada assim num hospital.

Offline admin

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delegação de funções
« Responder #3 em: Setembro 09, 2004, 22:50:20 »
somos nós mesmos, no nosso dia a dia que vão delegando algumas das intervenções que são nossos, para sentirmos tambem algum poder.
Quando enfermeiros em plena actividade (em frente aos doentes/utentes) desejam ser chamados de "drs", pelos seus próprios colegas, só por esta pequena amostra, podemos todos começar  a reflectir sobre qual é a nossa posição na enfermagem.
Quando são os próprios enfermeiros que tem "interesse" em "dar" formação aos auxiliares, então mais uma vez, vamos todos refletir.
Qual é a NOSSA área de intervenção? Não será prestar Cuidados? Ou será que são só alguns Cuidados - os menos sujos; os menos pesados; os menos complicados?
OU sera que a nossa área de intervenção é integrada numa equipa multidisciplinar em que cada um, deve  fundamental, sem se atropelar ninguem, mas caminhar ao lado.
dce

Offline Guytonn

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #4 em: Setembro 10, 2004, 20:41:51 »
Na minha óptica esta situação teve a sua génese numa má estratégia que a enfermagem ao longo de décadas adoptou. Essa estratégia traduziu-se pelo "abrir mão" de certos campos que hoje são detidos por outras classes profissionais. Por exemplo, a fisioterapia era efectuada por enfermeiros devidamente especializados mas, verificou-se que muitos deles utilizavam a especialidade para serem catapultados para lugares de chefia ou burocráticos, não operacionalizando as suas competrências. O mesmo se passou com a radiologia..Há décadas eram os enfermeiros que desempenhavam o papel dos actuais técnicos. No entanto com o ingente desenvolvimento das tecnologias, foi-se demonstrando a premência de uma formação mais aprofundada ( como a criação de enfermagem radiológica por exemplo), algo que os enfermeiros se negaram a efectuar ou não tiveram a astúcia de colocar em prática. A enfermagem foi perdendo oportunidades áureas de alargar os seus campos e competências arriscando-se hoje a ser remetida para um papel de "supervisores de cuidados" ao invés de serem os seus verdadeiros intérpretes. Os auxiliares de que se fala só existem com a nossa condescendência passiva e com  a "tetraplegia da Ordem" que se deleita a sancionar os enfermeiros que "pisam o risco" ao invés de agirem contra quem "pisa o risco da enfermagem" sem ser enfermeiro.
A enfermagem encontra-se a saque. Outros que não são enfermeiros ocupam-se a fazer o nosso trabalho enquanto nós muitas vezes nos procupamos mais a fazer o trabalho dos outros do que o nosso. É necessário e urgente defendermos o nosso campo, as nossas competências , fazendo legislar convenientemente a actividade de enfermagem e agir energicamente contra as prevaricações que cada vez mais se multiplicam . Mas tão grave do que sermos gradualmete arredados das nossas competências é não reclamar-mos legitimidade e reconhecimento por aquilo que fazemos sem ser incumbência do enfermeiro. Qualquer dia acordaremos e descobriremos que a enfermagem como conhecemos se extinguiu e que o que resta são alguns enfermeiros que se dedicam a fazer aquilo que algum Sr DR. não lhe apetece fazer.
PRESENTE É SIMULTÂNEAMENTE O EPÍLOGO DO PASSADO E O PRÓLOGO DO FUTURO.

Offline pedrojosesilva

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O mal estar da Enfermagem
« Responder #5 em: Setembro 11, 2004, 00:51:40 »
Existe um mal estar subjacente às várias intervenções neste tópico, e que me parece que tem um ponto em comum, a banalização do trabalho que tradicionalmente os enfermeiros desempenhamos.

O facto de entregar a execução de tarefas a pessoal auxiliar banaliza o que até agora se considerava trabalho de Enfermagem, de forma que muitos actos de Enfermagem passaram a ser efectuados por pessoal com uma fracção do tempo de formação necessário para formar enfermeiros. Do ponto de vista ecónomico faz sentido, do ponto de vista social será bom para os auxiliares pois a profissão será mais reconhecida se os seus interpretes tiverem mais formação e provavelmente o accesso à essa carreira contemplará requisitos minimos de escolaridade ( quanto a mim faz sentido exigir a quem entra de novo a escolaridade obrigatória), para a enfermagem será mau pois começa a ficar limitada no seu campo de acção e a desvalorizar a sua posição estratégica nos cuidados ao utente, num outro país estas transformações poderiam não significar desvalorização mas sim requalificação do trabalho de Enfermagem para desempenho de funções com enfase na área psicosocial próxima de trabalhadores sociais como acontece nos países escandinavos, em Portugal nunca acontecerá isso, o sistema de saúde estatal e o privado não estão preparados nem sensibilizados para esse novo papel, logo o que estás mudanças trazem é poupança de dinheiro para os cofres das instituições por redução do pessoal de Enfermagem.

Para o utente?


por um lado a formação de auxiliares aumenta a qualidade de prestação de serviços, mas claro, que para isso não pode haver uma substituição nos actos que implicam a observação e vigilância de indicadores da pessoa cuidada (higiene, colheitas de especimés, etc) , muito menos a execução de actos que implicam racionalidade terapeútica.
Com isto quero dizer que nós enfermeiros deveríamos cuidar do nosso campo de acção fundamentando convenientemente a racionalidade terapeútica (e isto inclui a pessoa como um todo psico-socio-fisiológico)., mas isso não implica que rejeitemos a necessidade de aumentar a formação dos nossos parceiros auxiliares de acção médica (talvez o melhor nome seria auxiliares de saúde) de forma a valoriza-los socialmente e a aumentar a qualidade com que se presta os serviços como os de hoteleria nas instituições de saúde.

Acho que a Enfermagem tem vindo a lutar contra os constrangimentos hierárquicos das organizações de saúde, mas muitas vezes nós esquecemos de defender a nossa razão de existir, que implica a pertença e desenvolvimento de um campo de acção próprio. A dignificação dos auxiliares é necessaria para o seu reconhecimento social, diminuição da precariedade de emprego e a melhoria das condições dos serviços de saúde, seria injusto negar-lhes isso, se lutamos por uma organização menos "aristocrática", o problema é que as transformações estão a ser geradas pelas administrações e não corresponde a um aumento de consciência dos auxiliares, cabe a Enfermagem defender a sua posição nos cuidados apontando ideias (e não faltam) para a requalificação dos auxiliares de acção médica.

Cabe também aos Enfermeiros e as suas organizações (Ordem, Escolas, Associações, etc) reinvistir em áreas como a rehabilitação e medicina desportiva , onde perdemos terreno para os fisioterapêutas.

Quanto ao papel da Ordem propunha um tópico dedicado ao que pensamos ser a posição da Ordem perante a profissão. Mas acho que o facto de existir uma Ordem não significa que os Enfermeiros se deixem de organizar em outros movimentos associativos e tomem por si posição acerca do que acham ser a profissão. Corremos o risco de fragmentar a nossa força, mas por outro lado podemos beneficiar de uma pluralidade de ideias que a Ordem parece não estar preparada a assumir, pois ela enquadra-se no próprio Estado como representante deste último perante a profissão e os cidadãos, e isto não é defeito é mesmo assim....

Offline znaya

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #6 em: Setembro 29, 2004, 05:18:30 »
Concordo que tenhamos sido prejudicados por "curiosos" mas não posso deixar de concordar com os utilizadores que sublinham que, em parte, a culpa foi nossa. Quando digo nossa refiro-me à classe, evidentemente. O delegar de funções vai acabar por vender a nossa profissão...

Em relação à execução de certas tarefas por Auxiliares o que eu tinha percebido era que seria criada a classe de "Auxiliares de Enfermagem" e esses seriam subordinados da classe de Enfermagem e executariam algumas das tarefas sob vigilância de Enfermeiros.

Afinal de contas é o que se passa já em vários países europeus.
As administrações poupam alguns trocos aos cofres dos contribuintes e apostam na substituição de (quase) analfabetos por indivíduos com cursos de formação com a duração de 2 ou 3 anos.

Na Escandinávia são esses não-Enfermeiros que tratam, sózinhos, dos cuidados de higiene de doentes não dependentes, são eles que fazem colheitas, são eles que fazem ECGs, são eles que administram medicação, são eles que posicionam...
Os Enfermeiros preparam, registam e administram (alguma da) medicação, transportam os doentes à realização de exames complementares de diagnóstico e supervisionam as rotinas.

No centro/ norte da Europa chamam-lhes Enfermeiros mas com designação (e vencimento diferente). As funções acabam por se fundir.
Alguns países chegam a ter três classes de "Enfermeiros"...
Afinal de contas... o que é ser Enfermeiro?
Z-

Offline Karlwork31

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O que é ser Enfermeiro?
« Responder #7 em: Setembro 29, 2004, 22:12:40 »
Cara Znaya,

Ser Enfermeiro é ser um profissional de Saúde, com um método cientifico próprio, possuidor de um conjunto de saberes específicos, que só ele está habilitado e preparado  para realizar. Exige preparação técnica, teórica e prática. Exige além disso, uma grande consciência ética, pelo que dispõe de um código deontológico e de um regulamento de Exercício das suas Práticas, que o deve orientar.

Ao contrário do que o teu post deixa transparecer, a situação no Norte da Europa não é assim tão diferente da realidade portuguesa. A maioria já forma os Enfermeiros com o grau académico de bacharelato, como formação ínicial. Se existem países com outros profissionais menos qualificados, estes não são chamados de Enfermeiros, nem os seus cuidados são chamados de Cuidados de Enfermagem.  Como a proposta do Ministério da Saúde Português, prêve a substituição de Enfermeiros por outros técnicos para a prestação de cuidados de Enfermagem, esta situação não é exactamente a mesma.

Fica aqui um link, da "EUROPEAN FEDERATION OF NURSE EDUCATORS - FINE", com a descrição de vários programas de ensino de Enfermagem.

http://www.prov-liege.be/fine/descriptionprog.htm

Espero que ajude a esclarecer as tuas dúvidas.

Com Amizade, Carlos.

Offline znaya

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Re: O que é ser Enfermeiro?
« Responder #8 em: Setembro 29, 2004, 23:32:49 »
Citação de: "Karlwork31"
Cara Znaya,

Ser Enfermeiro é ser um profissional de Saúde, com um método cientifico próprio, possuidor de um conjunto de saberes específicos, que só ele está habilitado e preparado  para realizar. Exige preparação técnica, teórica e prática. Exige além disso, uma grande consciência ética, pelo que dispõe de um código deontológico e de um regulamento de Exercício das suas Práticas, que o deve orientar.


Caro Carlos,

"Afinal de contas... o que é ser Enfermeiro?" era uma pergunta de retórica...
Penso que apesar dos avanços dos últimos anos ainda há muito a fazer até à harmonização europeia.

Citação de: "Karlwork31"
Ao contrário do que o teu post deixa transparecer, a situação no Norte da Europa não é assim tão diferente da realidade portuguesa. A maioria já forma os Enfermeiros com o grau académico de bacharelato, como formação ínicial. Se existem países com outros profissionais menos qualificados, estes não são chamados de Enfermeiros, nem os seus cuidados são chamados de Cuidados de Enfermagem.  Como a proposta do Ministério da Saúde Português, prêve a substituição de Enfermeiros por outros técnicos para a prestação de cuidados de Enfermagem, esta situação não é exactamente a mesma.


Não conheço em profundidade a organização da carreira na UE mas tenho a ideia de que a situação em Portugal pouco se assemelha a (alguns) outros países, nomeadamente do norte da Europa e Escandinávia.
Se não estou em erro na Holanda existem três carreiras distintas de Enfermagem. Mas não sei muitos mais pormenores.
Na Escandinávia é que me parece bastante mais diferente...

Agradeço o link. Vou já consultar.

Até...
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Offline FysGa

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #9 em: Outubro 16, 2004, 18:06:55 »
Esta situação só vai avante se nós deixarmos que isto aconteça! Afinal quem trabalha nos hospitais? Se porventura a adesão à greve for suficiente, os serviços hospitalares e de saude da comunidade vão bloquear por completo!
Mas a realidade de enfermagem deixa muito a desejar. Infelizmente muitos tem receios de perder regalias, dizem o dito por não dito, e acabam por n fazer greve. Um dos erros que NÓS cometemos é assegurar todos os serviços num dia de greve, em vez de prestar unicamente os serviços minimos. Este facto leva a pensar, "ora se 2 enfermeiros fazem o mm trabalho q 5, então pq estar a dispender $"?
Temos a faca e o queijo na mão, se até hoje nunca mostramos o nosso poder reinvidicativo, nunca mais o iremos fazer! Criar impacto é a unica estratégia. Por isso façam greve e convençam os vossos colegas a fazer o mesmo. Aqueles que porventura irão prestar cuidados nesse dia, devem assegurar os cuidados mínimos!´É o mesmo que SÓ DAR MEDICAÇÃO!

Offline AndréVinhovsky

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #10 em: Novembro 20, 2004, 16:20:48 »
Não li todos os tópicos colocados sobre este tema e posso estar a repetir alguém ou ir mesmo contra alguém...se isso acontecer, peço desculpa.

Estou no 4.º ano, tenho 3 anos de curriculum em ensinos clínicos e analizando o que observei estes anos...penso que muitos e muitos e muitos enfermeiros não têm motivos para protestar sobre esta temática porque foram os próprios enfermeiros que fizeram a que a credibilidade de enfermagem chegasse a este ponto.

Durante as aulas, uma professora citou campos de acção que seriam atribuídos aos "auxiliares de enfermagem". Se isto fosse avante, Enfermagem ficaria reduzida e o mais provável era deixar de existir num futuro porque ficaria mais dispendioso às S.A.

Mutios auxiliares de acção médica formam entrevistados e muitos deles afirmaram que já desempenhavam muitos destes "Cuidados atribuídos à Enfermagem": Como exemplo, a Medicação. Quando se trata de medicação P.O., na minha experiência cm estagiário, eram raras as vezes que via um enfermeiro profissional a administrar a terapêutica e a aguardar junto do doente para despiste de efeitos secundários ou a fazer ensino neste sentido. Era o auxiliar q lhe levava o copinho c a medicação porque era o auxiliar que ia alimentar o doente ou ajudar a distribuir as refeições pelos doentes. Onde está o Enfermeiro nesta situação? Onde está o cuidar?A estes perguntam, será que sabem o que é cuidar?Ou falam do cuidar porque é um argumento muito válido para não se distiruírem os enfermeiros das duas funções?

Outro exemplo?Os cuidados de higiêne e conforto....

São, de facto os próprios enfermeiros que estão a dar Razão ao Ministério da Saúde e às S.A. para serem substituídos por "auxiliares de enfermagem". Para mim, faz todo o sentido um enfermeiro na equipa multidisciplinar de saúde porque não se trata de TRATAR mas de CUIDAR. Mas não é o que se vê na realidade...infelizmente.

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #11 em: Novembro 21, 2004, 11:56:09 »
Caro André, já muito falamos sobre isto, já muito "discutimos" sobre isto, mas sabes o q tds temos q fazer? Isto no meu entender, ainda de estudante de Enfermagem.

Já diz o ditado que "homem prevenido vale por dois", por isso porque não, NÓS Enfermeiros, não nos prevenirmos? Tal como o André disse, e eu partilho a sua opinião, fomos nós que deixamos chegar a este ponto. E o que me magoa, é ver em colegas meus, que por eles isto tb teria chegado a este ponto. E a eterna desculpa do "se tiveres 6-7-8 doentes, tu vês..."

Pá, em estágio fazem as coisas apenas por estarem a ser avaliados, é isso? Então que os avaliem continuamente... Posso dizer que estou no curso que sempre quis, por isso, posso dizer que daí advém a minha maneira de pensar em relação à Enfermagem... Já me acusaram de utópico, idealista, irrealista, mas porquê? Não está ao nosso alcance fazermos as coisas? Ou será, ñ queremos fazer as coisas, por isso toca a arranjar desculpas?

Se calhar até posso pensar de forma utópica, mas se pensássemos todos desta forma, não estaríamos com medo e a organizar greves porque o nosso lugar está em risco...

Antigamente, acumulando muitas mais tarefas que agora (como seja, lavarem as luvas e o material, dobrarem compressas, fazerem bolinhas de algodão, etc.) ainda tinham tempo, mas com o passar do tempo "uma hora deve ter menos minutos"... Só pode...

André, falaste, ou melhor, escreveste bem, "São, de facto os próprios enfermeiros que estão a dar Razão ao Ministério da Saúde e às S.A. para serem substituídos por "auxiliares de enfermagem"". Tenho pena, ou melhor, mágoa, por aqueles que não se acomodaram, e sempre fizeram algo...
Abílio Cardoso Teixeira
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Offline Spring

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #12 em: Novembro 21, 2004, 14:44:08 »
De facto andamos há já algum tempo a confundir o "delegar funções com supervisão e assumindo a responsabilidade pelas mesmas",  apenas em situações pontuais, com o "entregar funções" ou melhor - desresponsabilizarmo-nos delas. Alegra-me pensar que ainda estamos a tempo, estamos sempre a tempo, de recuperar (ou evitar perder) algumas funções, assim o queiramos. Parece-me que antes de uma posição assumida pela OE, sindicatos ou associações, devemos começar pelos nossos locais de trabalho, delimitando bem as áreas de intervenção de cada grupo profissional, fazendo entender que situações pontuais são isso mesmo e portanto não constituem a regra.

Offline pedrojosesilva

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros...
« Responder #13 em: Novembro 23, 2004, 16:54:54 »
Leiam a noticia do Publico

Afinal a Greve de Outubro tinha sido desconvocada porque o Ministerio tinha recuado na sua intensão de atribuir funções de Enfermagem aos AAM. Mas no Amadora-Sintra a situação continua tensa, e os nossos colegas vão partir para a greve, onde está a Ordem dos Enfermeiros para denunciar a quebra de palavra do Ministro?

Offline FábioVieirovsky

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Substituição de enfermeiros por não enfermeiros
« Responder #14 em: Novembro 26, 2004, 15:57:46 »
A temática é polémica, a situação da Enfermagem não é fácil, temos que nos consciencializar que algo tem que ser feito!

Como aluno do 4º ano de enfermagem, sinto alguma inquietação com tudo isto.

Ao longo da minha formação como futuro profissional de saúde, há uma palavra que foi, sem dúvida, a mais proferida em sala de aula: CUIDAR. Esta é uma competência que é nossa e só nossa! Para tratar, temos o médico, para reabilitar, o fisioterapeuta, para auxiliar, os auxiliares,... O CUIDAR é tudo isto, e muito mais! O CUIDAR É SER ENFERMEIRO!  Vamos agarrar aquilo que é nosso, porque se deixarmos isso fugir...a culpa também será nossa!

Abraço para todos!