Autor Tópico: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....  (Lida 5032 vezes)

Offline funktastic

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Re: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....
« Responder #15 em: Dezembro 17, 2009, 14:59:24 »
Quanto a mim é tudo questão de começarmos a ganhar mais nível e reconhecimento. E como?

-Antes de tudo temos de arrumar a casa! Somos uma profissão que conta com muitos jovens e certamente com muitas ideias arejadas. Muitos de nós sabem muito e muitos outros têm uma capacidade incrível de progressão. Há que sem dúvidas aumentar os conhecimentos e não nos deixarmos ficar pelos "restos", pelas coisas que não interessam à parte médica;

-Teoricamente e segundo a lógica os sistemas de saúde deviam trabalhar no sentido da promoção da saúde e prevenção da doença. Teoricamente é essa a nossa função primária. Mais nenhum outro profissional tem este como objectivo primário. Logo nós supostamente deveríamos ser o motor do sistema de saúde. Não somos agora porque o sistema trabalha para a doença e não para a sua prevenção.

-Há que se afirmar! Se conhecermos as nossas competências e as nossas obrigações saberemos bem o que temos de fazer. Logo se alguém seja médico, nutricionista, advogado ou ferreiro vir efectuar exigências devemos saber recusar todas aquelas que não nos dizem respeito! Mais devemos fazer com que nos respeitem!

-Por último, todos aqueles que representam a nossa profissão devem ser pessoas de carácter forte e que não mudem de perspectiva ou opinião só porque médico X disse isto ou drº não sei das quantas acha que não deve ser assim. As pessoas que nos representam devem também passar uma imagem do enfermeiro como um profissional que sabe muito bem aquilo que faz e que efectivamente tem muitos conhecimentos. Deve procurar intervir o máximo possível na sociedade e desmistificar todo o nosso trabalho. Têm que contribuir fundamentalmente para que o nosso estatuto seja cada vez mais forte e devem fazer com que as nossas discussões internas não passem para fora. Por último têm que aumentar a auto-estima da classe, visto que nós enfermeiros somos muitas vezes os primeiros a nos sub-alternizar, seja por medo da responsabilidade ou por medo do confronto.

Enfim sinceramente esta é uma discussão interessante e muito mais haverá a acrescentar...
soumesmointeligente.blogspot.com

Offline enfsergio

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Re: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....
« Responder #16 em: Dezembro 19, 2009, 12:21:58 »
Enfermeira Maria Augusta de Sousa, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, exerceu direito de resposta na revista Sábado desta semana, página 16.

Finalmente a resposta da ordem dos enfermeiros.

Parabéns pela posição tomada!

Offline aNdR3

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Re: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....
« Responder #17 em: Fevereiro 19, 2010, 09:45:41 »
Ora, passado este tempo todo, qual foi a resolução final da situação criada pela revista Sábado? Conclusões? Acções? Resultados?
[size=80]Quem atribui à crise os seus fracassos e penurias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a negligência para encontrar as saídas e as soluções. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há méritos. É na crise que surge o melhor de cada um, porque sem crise todo o vento é uma carícia. Falar da crise é promove-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro, acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar por superá-la.

Não pretendamos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo.
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Offline aNdR3

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Re: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....
« Responder #18 em: Março 11, 2010, 11:38:01 »
Desculpem lá o double post, mas já lá vai um mês e ninguém disse nada...nunca mais ninguém deu seguimento ao que sucedeu com a Sábado? Em que ficou a situação? Abafaram-se as coisas? Desistiu-se?
[size=80]Quem atribui à crise os seus fracassos e penurias, violenta o seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a negligência para encontrar as saídas e as soluções. Sem crise não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há méritos. É na crise que surge o melhor de cada um, porque sem crise todo o vento é uma carícia. Falar da crise é promove-la e calar-se na crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro, acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar por superá-la.

Não pretendamos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo.
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Offline Mveri

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Re: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....
« Responder #19 em: Março 11, 2010, 23:37:51 »
Criou-se uma petiçao que foi enviada ao mesmo tempo que a nossa bastonaria exerceu o direito de resposta e foi publicado na revista.

Offline Roger

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Re: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....
« Responder #20 em: Março 30, 2010, 22:19:26 »
Finalmente alguém que partilha uma opinião como a minha. Acho que devemos pensar que no final os culpados somos nós e não os que consideramos nossos inimigos. Temos que perceber as razões das criticas e crenças que nos fazem. Como Enfermeiros somos cidadãos e temos um papel social. Por exemplo ainda hoje escrevi uma carta ao Espresso e ao Diário de Noticias a apontar a minha indignação por notícias infames que nos fazem mas um, poucos não chegamos.
A força é que dá visibilidade. Não é só a TV, é rádio, é comícios, debates públicos, convocatórias, temos tanto por onde pegar para fazer valer a nossa opinião. Usemos isso enquanto ainda é tempo. Mas o tempo tem-nos vindo a asfixiar... A acção inteligente é aquela que se antecipa, é aquela que sabe analisar as consequências que daí provêm. Daí termos que saber mais do que o cerne da nossa classe, termos que saber o que se passa à nossa volta, os problemas de um país, um sentido de Estado para poder lutar e saber reivindicar. Cada vez mais se chega a uma fase crucial que é estagnar ou evoluir. Eu quero evoluir mas não é pelo o andar dos outros que irei evoluir. A mudança de mentalidades não se faz de um dia para a noite, leva tempo. Colegas este mal estar partilho com o vocês mas não podemos agir por picos. Só demonstrar indignação quando somos confrontados com factos infames, temos que agir assertivamente em todo o nosso percurso profissional. Digo isto porque vejo tanta falta de sensatez, de fazer porque os outros fazem, de agir não por crer mas por sentir que os outros o fazem também.

A petição é mais uma forma de luta, temos que nos fazer ver em todos os lados, quem não vê televisão, ouve-nos na rádio, quem não vê televisão nem ouve rádio, vê filmes na net, quem não vê net vê-nos na rua. Por exemplos as greves como são feitas apenas é uma acto simbólico mas não dá visibilidade como se pretende. Há mais formas de passar mensagens, até formas de luto, estampas em vestuários para que onde esteja um enfermeiro esteja a nossa profissão é esse o caminho a seguir... fazer chegar a mensagem de várias formas a todo o lado. Cativemos as pessoas.

Penso que estes são alguns dos tópicos que devemos angular para termos êxito.

Bons Cuidados

Offline Caldas

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Re: Revista Sábado subalterniza os Enfermeiros novamente....
« Responder #21 em: Março 31, 2010, 02:25:18 »
Na Sabado nº308 da semana passada...

"reportagem. a vida impressionante de quem trata dos doentes

enfermeiros os dramas
e os milagres

Francisco baptizou bebés a morrer. Belmiro tratou um amigo que ficou tetraplégico. E João Pedro acompanhou uma rapariga que tinha sido queimada com ácido pelo namorado. Relatos de uma classe que se diz maltratada por quase toda a gente. Por Susana Lúcio

Francisco Mendes gosta de deixar o trabalho à porta de casa. Mas há dias em que isso é impossível, como naquela noite em que uma criança de 7 anos morreu no serviço de urgências pediátricas do Hospital de São João, no Porto, onde é enfermeiro-chefe. O rapaz tinha sofrido um acidente - o pai tinha levado os filhos, gémeos, a passear de mota. "O outro miúdo não ficou ferido e quis ver o irmão. Nunca sabemos como isso vai afectar a criança, mas levámo-lo." Um dia depois, foi declarado o óbito por morte cerebral. "Vi os colegas a prepararem o corpo para a casa mortuária e pensei no meu filho."
A preparação dos cadáveres é uma das funções mais penosas para os enfermeiros e é, talvez, aquela que melhor retrata uma das características essenciais desta profissão: resistência ao sofrimento humano. "Há quem pense que somos frios, mas isso é um mecanismo de defesa", explica Francisco Mendes.
A profissão é de alto risco a nível psicológico e físico e pode levar ao esgotamento. Os enfermeiros são vítimas de violência física e sentem que o seu trabalho não é reconhecido pelo público em geral, nem pelos governantes. Para a próxima semana, o sindicato dos enfermeiros marcou uma greve - a segunda este ano. Exigem receber pelo menos o mesmo vencimento dos licenciados no 1.º escalão da Função Pública: € 1.200.
Quando terminou o curso, há 24 anos, Francisco Mendes queria trabalhar nos cuidados intensivos. "É a área mais prestigiada." Mas só havia vaga na unidade de cuidados intensivos de neonatologia. Entre fraldas e biberões, viu muitos bebés morrerem. "A experiência ensina-nos que temos de ser duros e pintar o quadro negro para estarmos preparados para o pior", explica o enfermeiro de 46 anos. O prognóstico é revelado aos pais pelo médico. Mas é o enfermeiro quem escuta as suas angústias. E em casos de risco de vida, é também ele quem dá o primeiro sacramento ao bebé. "O baptismo de urgência é feito a pedido dos pais. Ficamos sempre com o coração nas mãos." A cerimónia é simples: uma tigela metálica a fazer de concha de prata, água corrente e algumas palavras: "Eu te baptizo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."

mas há milagres que compensam as perdas. Como o de João, um bebé prematuro que quando nasceu, há mais de 20 anos, tinha poucas hipóteses de sobreviver. Teve uma infecção grave e as pontas dos dedos e das orelhas estavam a morrer. "Tentámos medicá-lo, mas não conseguimos picar as veias", conta. A equipa colocou-o num berço e ligou aos pais, preparando-os para o pior. Na manhã seguinte, João ainda resistia. "Picámo-lo de novo e conseguimos. Anos depois, era o rapaz com as orelhas roídas e sem as pontas dos dedos que corria por entre as mesas dos jantares que o serviço organizava."
A relação entre o enfermeiro e o doente é temporária, mas às vezes estabelece-se um elo quase familiar. Foi assim com Ana, uma bebé que Francisco Mendes ajudou a nascer. Tinha dificuldades em respirar e movimentar-se e, mais tarde, percebeu-se que também sofria de limitações psico-cognitivas - nunca falou. Os múltiplos problemas de saúde levavam Ana ao hospital várias vezes. Era internada, recuperava, ia para casa, mas acabava por regressar. "Era uma criança muito feliz. Fechava o punho e levantava o polegar, para dizer que estava bem", conta o enfermeiro. Foi assim durante oito anos.
Até que, numa ida às urgências, Ana sofreu uma paragem cardíaca. "Fizemos compressões cardíacas e quando ela abriu os olhos, fez o sinal com o polegar." Mas o coração não resistiu e a menina morreu. "Muitos colegas foram ao funeral."
Não há apoio psicológico para os enfermeiros. As recomendações são simples: separar trabalho e casa, falar dos traumas e estar com os colegas noutras circunstâncias. Mas há situações que ninguém espera. Quando o enfermeiro Belmiro Rocha, de 42 anos, iniciou a especialização em reabilitação foi surpreendido por um amigo de adolescência deitado numa das camas do hospital. Com 28 anos, o seu companheiro de praia tinha sofrido um traumatismo cervical depois de um mergulho no mar - estava tetraplégico. "Olhou para mim e vieram-lhe lágrimas aos olhos."
Belmiro ficou chocado. Durante seis semanas, cuidou do amigo e acompanhou os primeiros dias do internamento no hospital de Alcoitão. "Foi mais difícil porque o conhecia. Quando não conhecemos os doentes, tentamos evitar que se estabeleça uma ligação emocional. Senão, a carga emotiva torna-se terrível", confessa o agora enfermeiro-chefe do serviço de pneumologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia.
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A primeira vez que João Pedro Mendes viu um doente queimado, sentiu-se desmaiar. Mas na segunda semana o enfermeiro já estava habituado a tudo. Menos às pessoas queimadas com ácido. "Acompanhei uma rapariga agredida pelo namorado que esteve quase a morrer", conta. Foram dois meses em que testemunhou o desespero da família. "Depois recuperou e foi transferida." Mas nem sempre as coisas acabam bem.
João Pedro não esquece uns recém-casados gravemente queimados, vítimas de um acidente de automóvel. O homem só não estava queimado na planta dos pés. "A família levou uma foto do casamento para nos mostrar como eles eram antes." Nenhum deles resistiu aos ferimentos e foi o enfermeiro que informou a família. "Nunca mentimos. Quando a situação é grave, a família é informada." A reacção à morte varia entre a raiva e o sofrimento, mas João também se lembra de uma pessoa que "riu histericamente".
Depois há que lidar com a agressividade de quem está isolado num quarto. "Alguns idosos, acostumados a beber, apresentam sintomas de dependência física." Tremem, ficam desorientados e nervosos. "Muitas vezes arrancam os pensos das feridas queimadas." É preciso imobilizá-los e aí surgem os insultos. "Eu nem ligo, sei que a pessoa não está bem."
Quando chega a casa, João Pedro Mendes ainda ouve os alarmes da unidade de queimados. Cada doente pode ter até sete máquinas de perfusão (por onde são administrados os medicamentos) e quando há pressão ou as máquinas ficam bloqueadas, activam-se os toques. E há também os monitores e os ventiladores em turnos de oito horas. Apesar disso, o enfermeiro ainda não se arrependeu da sua escolha. "Dá-me muito gozo aliviar o sofrimento de outros." A dedicação é reconhecida pelos doentes, mas não pelo público, diz. "Ainda se pensa que o enfermeiro é empregado do médico. Pedem-nos informações e depois desvalorizam-nas."
Também há doentes que não aceitam a terapia indicada e os agridem. Aconteceu no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, com Ana Francisco. A enfermeira estava junto ao médico enquanto dava informações a uma doente que tinha sofrido um acidente vascular cerebral. A senhora, de 50 anos, não ficou satisfeita com as palavras do especialista e agarrou com força os cabelos da enfermeira. "Foi o médico que a afastou." A doente recebeu alta de forma compulsiva.

Mas o último incidente que a levou a abandonar o serviço hospitalar ocorreu em 2007. Na altura trabalhava no serviço de pneumologia do Hospital Pulido Valente, onde prestava cuidados a doentes com problemas respiratórios. "Pessoas que perdem independência por causa do cansaço provocado pelo descontrolo da respiração." Parte da função dos enfermeiros passa por incentivar a autonomia dos doentes. "É importante para a sua auto-estima que sejam eles a lavar a cara ou a levar o garfo à boca." Mas há casos complicados. "Uma doente recusou lavar a cara e quando a incentivei a fazê-lo sozinha telefonou aos familiares a queixar-se." A filha e o marido foram ao hospital e zangaram-se com a enfermeira. "Disseram que eu estava ali para fazer tudo o que a doente quisesse. Nem consegui falar, só chorava." Ana Francisco esteve de baixa psiquiátrica durante 30 dias. Há um ano resolveu mudar de vida - foi viver para Belmonte e trabalha no centro de saúde local.
Alberto Lopes também trocou o distrito de Lisboa por causa do excesso de trabalho. Foi para o Algarve e há 10 anos que trabalha nas urgências do Hospital de Faro. No início ficou chocado com a agressividade das pessoas - houve quem tivesse atirado os computadores da sala de triagem ao chão por não ter gostado do nível de prioridade concedido. "Os doentes são egoístas, o seu caso é sempre pior do que o do vizinho." A situação agrava-se quando esperam muito tempo pelo médico. É quando atacam os enfermeiros. "Costumo perguntar se a pessoa veio ao hospital para ser vista pelo enfermeiro ou pelo médico." As queixas são dirigidas aos enfermeiros, são raras as que chegam aos médicos.
A relação com os médicos pode complicar-se quando estes estão em início de carreira. "Um médico pediu-me para dar um medicamento para arritmia a um doente com taquicardia. Perguntei-lhe se tinha olhado para o electrocardiograma, o doente não tinha arritmia." O interno fez queixa ao chefe de equipa, mas no fim verificou-se que Alberto Lopes tinha razão. "Agora até já é capaz de perguntar a minha opinião."
Nas viaturas do INEM, a boa relação entre médico e enfermeiro é vital. "Só podemos contar connosco", diz João Gomes, enfermeiro do serviço de urgências há 16 anos. Os piores episódios que viveu foram com vítimas de acidentes de viação. Lembra-se, por exemplo, de um acidente no IC2, perto das Caldas da Rainha. "Assim que chegámos vimos um bebé no meio da estrada. Estava morto. Havia quatro pessoas dentro do carro e só uma estava viva." Depois de estabilizado o único sobrevivente da família, encontraram mais um morto na zona da bagageira.
Há 10 anos foram cinco jovens cujo automóvel embateu a alta velocidade contra uma árvore. "Todos sofreram várias amputações dos membros. Foi terrível." Cinco anos mais tarde, o mesmo pesadelo, com um rapaz de 18 anos que chocou de mota contra um carro. "Parecia bem: não se queixava, nem tinha um olhar de dor. Mas estava muito pálido." Despiram-no à procura de lesões. Quando lhe tiraram as calças, faltava uma perna. "Entrámos em pânico. Ainda andámos à procura da perna, mas não a conseguimos encontrar e tivemos de seguir para o hospital".
No início da profissão, Alberto tinha pesadelos e passou muitas noites em claro. "Hoje já não. Mas acho que mais tarde vem tudo ao de cima..."

(Os nomes dos doentes foram alterados para proteger a sua identidade.)"