Autor Tópico: A enfermagem no futuro  (Lida 10546 vezes)

Offline Guytonn

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A enfermagem no futuro
« em: Agosto 24, 2004, 21:08:27 »
Os tempos actuais colocam à enfermagem desafios importantes que ditarão os moldes futuros em que se processará a sua actividade. A ordem dos enfermeiros, a licenciatura, a nova lei de gestão hospitalar imprimiram mudanças profundas na infraestrutura da profissão. se por um lado a enfermagem miostra um grande manancial de crescimento, por outro se insinuam e vislumbram tempos difíceis e que poderão fazer perigrar o futuro da profissão. Este tópico do fórum tem como desiderato o de fomentar a reflexão e promover a  troca impressões acerca de qual será a face da enfermagem nos tempos vindouros, tentando encontrar respostas a algumas indagações pertinentes como:
- Qual o papel que a OE poderá ter na promoção da profissão?
-Qual o estatuto que a enfermagem poderá alcançar na égide do SNS?
-De que modo as alterações operadas na estrutura do SNS poderão condicionar o desenvolvimento da enfermagem?
- Que autonomia podemos esperar no futuro?
- Formação em enfermagem: que futuro?
-Como será a convivência futura entre enfermeiros e outras classes?
-Será que o projecto de substituir enfermeiros por auxiliares em algumas tarefas poderá ser consumado e que implicações terá para a enfermagem?
Espero que este tópico grangeie a atenção dos utilizadores pois considero bastante importante o exercício reflexivo acerca ra rota encetada para que um dia o futuro não nos apanhe desprevenidos.
PRESENTE É SIMULTÂNEAMENTE O EPÍLOGO DO PASSADO E O PRÓLOGO DO FUTURO.

Offline ruienf

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A enfermagem no futuro
« Responder #1 em: Agosto 29, 2004, 05:32:43 »
E eis que a minha vontade de criar este tópico esbarrou com a sua já existência... (continuamos em sintonia, Nuno!).

Preocupa-me muito o futuro da enfermagem e a sua suposta autonomia.

Muito tempo tem dipsndido o meu cérebro a cogitar reflexões por vezes irracionais acerca da avolução da enfermagem.. Nunca a célebre máxima "O que somos, de onde vimos, para onde vamos?" fez tanto sentido para mim do que agora que a aplico à enfermagem.

Tudo omeça com uma simples questão: o que é que os enfermeiros fazem que mais ninguém sabe fazer? Atenção: não questiono "pode fazer" mas sim "sabe fazer"!

A autonomia da enfermagem não pode advir de legislações e protocolos.
Se a enfermagem necessita de acordos para definir o que nela se enquadra como função dos enfermeiros, então muito ainda falta para que nos afirmemos perante a sociedade.

A enfermagem tem que especificar o que apenas os enfermeiros sabem fazer.

E o que é que só os enfermeiros sabem fazer???

Não me atrevo a responder a essa pergunta. Não porque não tenha respostas mas porque essas respostas não encontrariam consenso no universo dos enfermeiros.

Conclusão: se até os próprios enfermeiros discordam naquilo que é o saber da sua profissão, como irá a sociedade valorizar a enfermagem?
Rui Pedro Silva

Offline Guytonn

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A enfermagem no futuro
« Responder #2 em: Agosto 30, 2004, 20:47:38 »
Penso que tocaste no core do problema Rui. De facto, ainda ninguém sabe explicar com a jactância devida o que é a enfermagem, o que é que um enfermeiro faz. Logo torna-se num problema a legislação sobre o campo de actuação da enfermagem, de uma forma mais definidora do que a que vigora actualmente. è um imperativo a reflexão urgente acerca deste tópico sob pena de algumas profissões mais esclarecidas nos usurparem parte do nosso território e o anexarem à sua proprieda, apenas porque os enfermeiros, na sua decisão e impasse proverbial, ainda não souberam definir as fronteiras da própria profissão. Conmo dizia alguém, "o enfermeiro exercuta enfermagem e mais aquilo que alguém não quer ou se esqueceu de fazer"
PRESENTE É SIMULTÂNEAMENTE O EPÍLOGO DO PASSADO E O PRÓLOGO DO FUTURO.

Offline ruienf

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A enfermagem no futuro
« Responder #3 em: Agosto 31, 2004, 00:28:29 »
É precisamnete assim que me sinto às vezes... o profissional que faz o que os outros vão deixando por fazer... E por mais que isso me revolte, é extremamente difícil modificar essa situação!!!
Mas acredito que aos poucos as coisas vão mudar... mas atenção: não é a vontade de estranhos que vai impulsionar a enfermagem; a enfermagem tem de ser impulsionada por enfermeiros.

Usando uma analogia proferida pelo Enf. Abel Paiva e Silva, há dez anos atrás ninguém precisava de telemóveis. Hoje, ninguém passa sem eles.

Se conseguirmos providenciar cuidados de enfermagem significantes do pleno valor dessa designação, as pessoas nunca mais vão querer abdicar deles.
Rui Pedro Silva

Offline ruienf

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A enfermagem no futuro
« Responder #4 em: Setembro 04, 2004, 00:37:42 »
Relativamente à autonomia da enfermagem, está disponível para download o neu relatório de estágio do CCFE, onde falo sobre a autonomia da enfermagem no tratamento da pessoa com feridas.

Se estiverem interessados leiam e comentem!!!
Rui Pedro Silva

Offline pedrojosesilva

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A enfermagem no futuro
« Responder #5 em: Setembro 14, 2004, 12:08:30 »
@Rui ainda não tive oportuniodade de ler o teu relatório, promero que vou ler e deixo aqui a minha opinião


Deixo aqui um artigo da revista Nurse Leader (USA) onde é relatada uma experiência de um programa de ensino com as Girl Scouts (raparigas escuteiras) focalizada nas competências de Enfermagem.`Este artigo revela a importância de começar a cativar a geração mais jovem para a prática do cuidar.

Offline Fernando Carvalhão

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A enfermagem no futuro
« Responder #6 em: Outubro 18, 2004, 05:32:10 »
Olá!

Peço desculpa se por vezes me baralhar e não conseguir expressar-me da forma mais clara, mas talvez já devido ao avançado da hora isso seja justificável, ou apenas porque li as vossas opiniões e elas despertaram em mim tal turbilhão de ideias que não sei muito bem por onde começar...

Concordo com o que disseram relativamente à urgente discussão sobre os limites da enfermagem, o que é estritamente nosso, o que só nós conseguimos fazer? é importante que isso seja definido para que não sejamos assaltados pelos técnicos das análises, pelos técnicos das algaliações, pela brigada dos banhos ou profissões que tais (pq esses pelos próprios nomes têm desde logo definido o que têm de fazer).

Depois, temos de formar profissionais capazes de dar resposta a esse conceito de enfermeiro...não é formar por formar...pq também isso dá a ideia de que qq pessoa o pode fazer...cria-se um certo facilitismo pela necessidade de obter novos profissionais!! ESTÁ ERRADO! Se não pensaram há uns anos que iriam faltar enfermeiros, não queiram agora resolver tudo em dois ou três anos, é impossível!

Mas depois de formados esses tantos enfermeiros a mais, saibamos também canalizá-los para áreas diversas, pq tb damos conta da nossa força, pq se o governo perceber que a nivel hospitalar o sta maria, o sao joao do porto e os covoes estão completos de pessoal vai começar a dizer que já há efermeiros em excesso, nunca se lembrando dos enfermeiros que faltam para a saúde na comunidade, que era onde devia começar o processo (se fossem inteligentes apostavam numa rede de CSP como deve ser e não teriam tantas despesas em cuidados agudos/semiagudo em ambiente hospitalar - apostava-se na prevenção, no acompanhamento da popoulação a um outro nível...)

Mais uma ou outra ideia...é assim: como em todas as profissões há bons e maus profissionais não é novidade, mas na nossa profissão um mau profissional consegue denegrir a imagem da profissão muito mais que 5 bons enfermeiros porque a experiência que a pessoa vivencia é única muita vezes, por isso não nos esqueçamos disso em todas as alturas em que lidamos com os doentes, com as familias, e claro com a comunidade.

Têm que se identificar os maus profissionais e põr a malta na linha...não sou a favor de repressão e fiscalização opressiva claro mas tb há pessoal que abusa e muito-até é uma vergonha!
FC

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Q Futuro para os recem-licenciados?...
« Responder #7 em: Outubro 18, 2004, 20:04:43 »
Fugindo um pouco do tema, ou talvez não...

Encontrando-me no último ano do curso de licenciatura de Enfermagem, sou constantemente deparado com afirmaçoes que me deixam um pouco desanimado... mas com vontade de lutar.

Vários professores, vários profissionais incentivam a luta contra o "sistema"... Contra a acomodação vivida. entre os profissionais de enfermagem.

Se por um lado, os futuros recem-licenciados pensam que o estado em que as coisas se encontram tem q mudar, temo que rapidamente se acomodem ao estado das coisas...

Para mudar é preciso QUERER, por isso lanço aqui um repto, que hoje nos foi lançado: nós estudantes de hoje, somos o futuro da classe de amanhã... Unamo-nos e lutemos...
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline nunotavares

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A enfermagem no futuro
« Responder #8 em: Dezembro 26, 2004, 15:09:24 »
O futuro da enfermagem passa por nós, futuros enfermeiro, "Fresh Blood"....
No entanto não devemos esquecer que a mudança não se opera num dia, numa semana ou sequer num mês....
Num ano...já é mais discutível....

A mensagem que quero deixar é de confiaça e aposta num futuro próspero e de agradecimento a todos aqueles que até hoje tiveram o trabalho de manter a enfermagem viva....

Um abraço,  :D

Offline nunotavares

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A enfermagem no futuro
« Responder #9 em: Dezembro 30, 2004, 15:51:28 »
Achei por bem colocar aqui est post, já que a ética assume no futuro da enfermagem um papel primordial!

Está então, disponível on-line a Edição de Dezembro da "Revista da Ordem dos Enfermeiros" este mês dedicada integralmente ao "V Seminário de Ética em Enfermagem"

Basta que visitem o link da Ordem: www.ordemenfermeiros.pt e acedam ao menu revista...

Um abraço,  :D

Offline Paulo

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A enfermagem no futuro
« Responder #10 em: Janeiro 25, 2005, 17:48:14 »
Ilustres companheiros de profissão e camaradas da mesma causa, de facto tambem a mim este assunto já tem feito romper ou realçar algumas ligações a nivel do meu cerebro, por isso embora não tenha respostas milagrosas comungo da V. esperança.
Gostaria no entanto de trazer a debate algumas questões que usei nos meus pensamentos; Porque num país como o nosso com tantas carências de saúde não são instituidas consultas de enfermagem a toda a população ( consultas de enfermagem generalista e/ou de especialidades) pois os enfermeiros tem uma capacidade de ouvir e atender o cliente no seu todo muito mais desenvolvida que os médicos. Isto deve-se apenas ao facto de a medicina hoje basear-se apenas em resultados analíticos para fazer um diagnóstico. A maioria dos nossos doentes não vai ao médico para ser diagnosticado de novo problema mas sim para ter alguem com quem partilhar o peso da vida.;
porque é que a enfermagem não é uma exigencia para fazer qualquer curso tecnico de análises, podologia, ecg, rx,etc, etc.;
Porque é que os enfermeiros não assumem a sua posição fazendo aquilo que sabem fazer bem, nomeadamente dar uma informação ao doente ou familia, fazer uma carta para o colega de outra unidade de saúde(muitas vezes assisto a doentes que pelo simples facto de uma guia de tratamento não levar o sarrabisco do médico não lhe fazem o tratamento);
porque é que os enfos chefes e directores não assumem um papel importante na prestação de cuidados (prestação de cuidados não são apenas banhos e pensos)pois assim teriam uma maior e mais real visão daquilo que se faz e onde se deve melhorar aquilo que se faz;
porque toda  a formação que fazemos nunca ou raramente é baseada em actos ou práticas concretas de enfermagem e não se põem em prática;
Porque estamos constantemente a dizer que temos esperança que as coisas não se farão num dia e nunca começamos hoje a mudança;
Porque não temos a coragem de inovar constantemente e limitamonos a copiar sempre modelos e técnicas em desuso no estrangeiro.
Bem penso que já me alonguei demais por hoje, obrigado pela pachorra de me lerem .
Gostaria de receber o vosso feedback
Um grande abraço,
Paulo
Paulo

Vamos trabalhar para uma enfermagem melhor, não se limitem a fazer bem, façam cada dia melhor!

Offline joana santos

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Enfermagem geral
« Responder #11 em: Janeiro 25, 2005, 18:48:05 »
Colega Paulo: essas questões que fazes, muitas das vezes, também as faço eu, essencialmente  quando me sinto um pouco desmotivada ou sob stress. Contudo, penso que se fizermos o  melhor possível que sabemos e podemos, todos os dias da nossa curta existência,  na prestação de cuidados de enfermagem, incluindo ensino aos doentes ou famíliares, com os escassos recursos que temos,  tanto a nível humano como materiais, isso irá fazer a diferença e quantos mais fizermos essa diferença melhor... Isto é o que eu penso.
Um abraço, Joana :)

Offline pedrojosesilva

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A enfermagem no futuro
« Responder #12 em: Janeiro 26, 2005, 17:38:44 »
Paulo

Como sabes a Enfermagem em Portugal tem andado muito à volta dos Hospitais, e porque em quanto a Europa de pós-guerra implementou planos de prevenção e promoção da saúde, aqui continuamos com um modelo Hospitalocentrico.

Uma componente muito importânte, se  não a mais importânte, para o futuro da Enfermagem e sobretudo da assistência de saúde à população passa por investimento forte nos cuidados primarios, todos sabemos disso.

Infelizmente nos últimos anos o país tem vindo a estruturar-se à volta de uma visão desenvolvimentista, que aponta para a competitividade, a adquisição de competências cognitivas para o trabalho esquecendo coisas simples como a saúde das pessoas integradas num contexto especifico.

A Enfermagem tem o seu potencial máximo, na minha opinião, num modelo integrado, onde se partilha a informação (fichas clínicas, etc) acerca dos utentes; recursos multiprofissionais (acabando com o corporativismo cego, que no caso dos medicos, deu cabo inclusive de sectores da própria Medicina, como a Med. Interna, e a clínica Geral porque o que é valorizado é a alta especialização, pois isso é que dá dividendos a que vende os equipamentos, logo a quem nos paga as viagens).
Ou seja estamos do lado "não rentavel da saúde", aqule que não dá viagens, em congressos no exterior, mas que é o que na verdade pode fazer a diferença ao nível macro, aumentando a qualidade de vida de populações inteiras, através dos cuidados primários em saúde escolar, vacinação, cuidados domiciliarios, interligação com cuidados hospitalares, educação para a saúde a todas as faixas etárias com as suas especificidades, etc....


O contexto também não ajuda nada, na minha opinião, mas isso não é razão para alguns estarem parados.


Abraço!

Offline Paulo

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A enfermagem no futuro
« Responder #13 em: Janeiro 30, 2005, 14:07:35 »
Obrigado, pela V. atenção, mas gostaria de vos propor um desafio, fazer-mos investigação ou pelo menos documentar quer por nºs quer por outras variaveis justificar e traçar acções concretas para a melhoria quer dos cuidados de enfermagem quer da imagem do profissional de enfermagem.

Um abraço,
Paulo
Paulo

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Offline Herodes

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Re: A enfermagem no futuro
« Responder #14 em: Outubro 21, 2008, 02:24:11 »
A investigação é um pilar fundamental para a nossa sobrevivência enquanto profissão.
Duvido que estajmos a fazer boa investigação em todas as escolas de enfermagem...