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Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?

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Votação encerrada: Agosto 20, 2009, 02:06:00

Autor Tópico: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?  (Lida 20790 vezes)

Offline Mauro Germano

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #30 em: Agosto 25, 2009, 16:31:16 »
@Zeus electro

Quanto à questão de diferentes soluções terapêuticas para a mesma situação por parte de diferentes enfermeiros tal não deve ser levado em conta pois se isso fosse motivo pouco seria o médico que poderia prescrever.

De facto no sector da Saúde, especialmente na actuação farmacoterapêutica na Doença, a variabilidade de prescrições é um facto. O problema reside na questão de o melhor conhecimento actual não ser aplicado efectivamente na prestação de cuidados de saúde por três grandes grupos de razões: por desconhecimento do melhor tratamento, por omissão ou por falta de guidelines.
Efectivamente quase todas as doenças, devido ao seu estudo intensivo e continuado estão presentemente cobertas por guidelines o que nos deixa os outros dois grupos. Se fizer uma pesquisa verificará que menos de metade dos doentes têm acesso ao melhor cuidado disponível, com certeza que com os enfermeiros não será diferente, portanto o problema não se cinge apenas a nós.
Penso que devidamente protocolado, a administração e prescrição de terapêutica é perfeitamente compatível com a actuação do enfermeiro, claro que enquadrada no nosso objecto de actuação e nunca como diagnóstico ou tratamento definitivo de situações mais complexas.

Basta que à entrada em qualquer serviço de saúde, os Antecedentes pessoais assim como a medicação habitual sejam de preenchimento obrigatório e tal dificuldade será facilmente debelada.

Quanto à futura formação pós graduada , obviamente que teria de ser tutelada e nunca sem um período suficiente para adquirir a destreza e os resultados monitorizados.

O colega sente-se capaz de prescrever algum fármaco? Existirão muitos outros que se sentem e estão aptos para isso, por isso não pensemos que os enfermeiros são todos ignorantes e incapazes...

Offline Zeus-electro

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #31 em: Agosto 25, 2009, 23:14:35 »
Calma Mauro, nunca disse que os enfermeiros são ignorantes e incapazes, muito pelo contrário! Além do mais, já disse que concordo com a prescrição por parte dos enfermeiros.

Quanto à multiplicidade de soluções terapêuticas que hipoteticamente surgiriam para um mesmo caso, prende-se com o facto de os enfermeiros habitualmente centrarem a sua atenção ás manifestações e não à causa. Se o doente tem febre, procuramos de imediato saber se tem paracetamol em SOS, se está agitado, vamos a ver se está prescrito o haloperidol. Em qualquer dos casos, a terapêutica, porventura estaria adequada, mas importa saber a origem dessas manifestações, ou não? Não correríamos o risco de estar a mascarar alguma coisa? Não poderíamos atrasar o diagnóstico? Reflectindo nisto, poderíamos evoluir consistentemente sem correr riscos desnecessários tanto para nós próprios, como para o doente. A partir do momento que os enfermeiros assumirem a responsabilidade de uma prescrição, assumem todas as consequências e nesse momento, os nossos "amigos" médicos, serão os primeiros a apontar o dedo a uma prescrição mal feita ou que tenha tido consequências menos boas.

Se os médicos prescrevem bem ou mal? É um problema médico! Não podemos é importar os erros dos médicos e fazer dos seus defeitos desculpa para as nossas actuações. Repare que o enfermeiro já assume, em parte, responsabilidade pela prescrição médica. É curioso, mas os médicos (e até a lei) parecem reconhecer aos enfermeiros competência para saber se uma prescrição está conforme ou não, podendo em último caso ser penalizados legalmente se por exemplo, administrarem uma dose letal de um fármaco, ainda que este esteja prescrito por um médico. Mas o contrário já não é válido! Já não reconhecem competência para o enfermeiro prescrever.

De qualquer modo, na sua exposição, quando diz: "...devidamente protocolado, a administração e prescrição de terapêutica é perfeitamente compatível com a actuação do enfermeiro...", fico na dúvida se o que pretende para os enfermeiros é a administração de fármacos segundo protocolo ou a prescrição em pleno poder de decisão?

Quanto à formação pós graduada, não me alongo mais do que o que já disse anteriormente, porque ainda nem sei como vai ficar para os que já cá andam, muito menos para os que ainda hão-de vir.

Para terminar, os antecedentes pessoais/familiares e a medicação habitual já são de preenchimento obrigatório, fazem parte da avaliação inicial. Ainda assim, quase lhe garanto que a tal dificuldade não fica debelada.

Deixo-lhe um desafio: Tente medicar um doente desde que ele entra no serviço até ter alta, tendo atenção a EAD's, historial, etc... e peça aos seus colegas para lhe darem sugestões de terapêutica sem consultarem a medicação actual, apenas baseado no conhecimento que têm do doente, podendo no entanto consultar o processo se assim o quiserem. Registe tudo e no final compare com a prescrição médica, não apenas no que diz respeito aos fármacos, mas também aos timmings em que foram introduzidos, as substituições, alterações, etc...

Eu já fiz este exercício... acredite... os resultados são espectaculares.

Offline Mauro Germano

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #32 em: Agosto 26, 2009, 05:30:55 »
Uma vez que é imperativa a articulação entre os demais profissionais de saúde, a administração de terapêutica assim como a sua prévia prescrição, tem de passar obrigatoriamente pelo conhecimento de todos os profissionais envolvidos nos cuidados de saúde, assim como da sua responsabilização pelos seus actos.

Assim sendo, não poderemos considerar como responsável a prescrição de terapêutica sem que passe pelo conhecimento de Todos, assim como da sua adequabilidade, portanto se estamos a "mascarar" algo não estamos a ser responsáveis nem competentes para... Por outro lado se estamos a intervir para resolver adequadamente a situação, por exemplo alívio sintomático de dor, em que a dor não é primordial para estabelecer um diagnóstico por exemplo, tal já é adequado.

O que num caso pode ser mascarar logo irresponsável, noutro pode ser adequado. Portanto prescrever adequadamente implica à partida ter noção de todas estas nuances. Concorda comigo decerto.

Quanto aos apontamentos de prescrições mal feitas, é um peso com que teremos de lidar. Ter responsabilidades é também estar exposto ao risco de ser criticado.

Relativamente à prescrição segundo protocolo, eu preferia chamar-lhe prescrição segundo as melhores guidelines o que no fundo deveria ser a prática adequada em qualquer situação e por parte de qualquer que seja o profissional envolvido.

É isso que devemos almejar no futuro... Oferecer o melhor conhecimento possível, o melhor cuidado, o mais adequado aos nossos utentes/doentes/pessoas ou como lhes quisermos chamar.

Não se trata de perder autonomia mas sim de não inventarmos que é algo que os médicos são avessos: seguirem recomendações ... Eles também não podem fundamentar contra factos ... ou podem?

Quanto ao desafio... a que conclusões chegou? isso é realmente brincar aos médicos não acha?  ;)

Offline Jacto

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #33 em: Agosto 26, 2009, 07:44:09 »
Pessoalmente, e pela alguma experiência que me toca, a prescrição de terapêutica implica muito mais do que saber o prescrever naquela situação.Pois não nos esqueçamos que para se fazer uma boa prescrição é necessário ter um diagnóstico médico bem feito (o qual não nos compete,mas sim ao médico) e será necessário saber todo o historial e antecedentes do paciente, para prevenirmos possíveis complicações, pois se um medicamento x pode ser tomado pelo João, o mesmo medicamento não pode ser tomado pela Maria, aparentemente em situações iguais. E meus colegas, ao mínimo sinal de efeito secundário, teremos o doente e sobretudo a classe médica a cair-nos com toda a força... e a meu ver com alguma razão!!!Preocupemo-nos com o nosso trabalho e deixemos de delegar coisas que eram nossas para queremos coisas que o não são... afinal de contas o que querem os enfermeiros?Ser pseudo-médicos?Então nãopercebo porquê tanto alarido quando as farmácias decidiram administrar vacinas, eles também têm o mesmo direito de quererem ser pseudo-enfermeiros... não sei se entendem a analogia. Posso parecer muito crítico para alguns colegas, mas olhem que se há alguém que gosta de ser enfermeiro, esse alguém sou eu... daí criticar activamente a enfermagem... para que todos possamos activamente voltar a elevar uma profissão que já teve tudo para ser uma grande profissão, mas que a dada altura, e porque os enfermeiros se sentiram de peiro inchado demasiado cedo... tudo está a ir pelo cano ...

Bons tratamentos...

Além do mais, que para se prescrever medicação, temos que ter bases sólidas de farmacologia.Sabermos de cor e salteado toda a medicação dos nossos serviços e para que serve, não conta, pois a terapêutica é muito mais do que isso!!!E não me venham dizer que nos vossos cursos a cadeira de farmacologia era muito completa, pois eu sou especialista em médico-cirúrgica por uma escola do Porto muito conceituada, e nem por isso as cadeiras de farmacologia são apropriadas a quem quer prescrever.Farmacologia difícil?Eu dou-vos o plano de estudos da faculdade de medicina... e depois digam-me se nós comparados com eles temos bases para poder prescrever...

Offline dprocha

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #34 em: Agosto 26, 2009, 08:28:23 »
Como é óbvio, não vamos começar a prescrever daqui a um ano ou dois...nem vamos a estar a prescrever se não tivermos as bases necessárias...
Agora, como é que podemos adquirir essas bases?
As especialidades terem já uma cadeira sobre farmacologia mais avançada, e de acordo com a especialização?
Essa luta futura, que irá surgir quando essa ideia for para a frente, com os médicos tem de ser feita quando tiver a nossa carreira estruturada e implementada, mesmo assim...é coisa para daqui a 15 ou 20 anos...

Offline Jacto

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #35 em: Agosto 26, 2009, 08:30:43 »
Sim, acreditem que a ser, não é coisa para os enfermeiros que estão actualmente em funções.Isso não!

Offline dprocha

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #36 em: Agosto 26, 2009, 08:34:28 »
A posição do Sindicato dos Enfermeiros sobre a farmacologia e os enfermeiros

"Não há muito a acrescentar à nossa posição acerca do papel dos Enfermeiros na Saúde, no capítulo da medicação a dar aos doentes, com ou sem prescrição médica.
Mas o que é verdadeiramente problemático é isto ser problema.

Às vezes temos dúvidas se é um problema real ou virtual.Com efeito os Enfermeiros têm estudos e conhecimentos suficientes sobre a farmacologia que usam no dia-a-dia.

Conhecem melhor do que qualquer outro técnico, no ramo da Saúde, os efeitos dos medicamentos, nos doentes, pois estão treinados na observação e habituados a fazerem relatórios, sobre a matéria, para outros lerem; quando lêem.

Se têm integrados no seu curso conhecimentos farmacológicos e na sua vida profissional um conhecimento circunstanciado sobre a matéria, que os impede de prescreverem?

Só a irracional linha de demarcação, a extremar preconceitos e práticas ostentadoras de poderio, sem qualquer significado, nos dias que correm, que não seja senão o de limitar fronteiras. Cães e gatos fazem o mesmo, mas de outra maneira. Animal que ultrapasse os limites é trucidado.

Esta prática passa para os humanos, para alguns humanos. É respeitada de forma pouco racional ou mesmo irracional, por outros humanos. Uns fazem o que querem e outros só podem fazer o que os uns querem. Neste caso a culpa é mais dos outros do que dos uns.Mais caricata é a prática constante dos Enfermeiros medicarem os doentes sem receita, ou prescrição médicas, sem assumirem que o fazem.

Mais triste é os médicos estarem a usar constantemente não enfermeiros para fazerem o que tradicionalmente é feito por enfermeiros (direito consuetudinário onde o hábito faz lei):

Pior do que isso: há exemplos gritantes de atropelo do campo dos enfermeiros, feito por médicos. Veja-se com alguma atenção reflexiva o que acontece com usurpadores do nosso conteúdo funcional de que bombeiros e tae e afins, balconeiros de farmácia, paramédicos são exemplos vivos. Todos eles têm, mais perto ou mais longe, um médico, mesmo mais, ou a própria Ordem a justificar e a caucionar o seu comportamento invasivo. Quando os Enfermeiros não tinham carência de emprego estes fenómenos passavam despercebidos; não eram captados pelos nossos sentidos.Hoje, contudo, já há quem se dedique, à apreciação destes casos; não nós, porque sempre estivemos despertos para estes abusos.

Vejamos, agora algumas causas:As parteiras têm uma lista de medicamentos da sua especialidade que podem receitar, por ordem da instituição máxima, não corporativa, como é a OMS. Não obstante, não receitam, abertamente; fazem-no veladamente como se estivessem a cometer alguma ilegalidade. Algumas não fazem mesmo e desculpam-se com a OE que não divulga e cauciona a lista. Desculpas de fragilidade, pois antes de haver Ordem já existia a lista. Em vez de serem as Enfermeiras parteiras a assimilarem um comportamento das só Parteiras, inclinam-se para o seu lado de Enfermeira e paralisam. Mas o governo não está isento de culpas, através das comparticipações exclusivas, na compra de medicamentos, mas que sejam prescritos por médicos e só, um favoritismo desajustado, como se vê, pela prática.

Que dizem os docentes nas escolas de Enfermagem, aos seus discentes, sobre a matéria?

Dizem, por exemplo, que é preciso ajustar a lei da receita ou como fazem com as suturas e quejandos, que isso é só com o médico, desprestigiando-se e desprestigiando os Enfermeiros descendentes de muitos instrutores de suturas de vários e ilustres cirurgiões; conselheiros de vários médicos nas opções da terapêutica mais ajustada. Todavia estas coisas passam-se no campo prático, onde os docentes de Enfermagem não aparecem muito, por uma questão de opção pessoal, que não profissional. Depois, dizem sempre, as mesmas coisas, com os mesmos erros intemporais e alguns, até extemporâneos, como é o caso típico das suturas, onde usam a desculpa da raposa; porque não chegava às uvas, dizia: estão verdes. Porque não sabem suturar, nem nunca quiseram aprender, atiram com isso para cima do médico e, o que é lastimável, como exclusivo.

É por um fenómeno semelhante, que os cuidados primários consomem fortunas incalculáveis sem os correspondentes benefícios, para as populações, porque os médicos estão a fazer muitas coisas que, ou já foram, ou de há muito deviam ser feitas por enfermeiros.

Também neste capítulo, os medicamentos que são essencialmente úteis e toleráveis, nesta área e nível, que em muitos países são já prescritos por enfermeiros, constituem, em Portugal a pequeníssima razão que mantém médicos como imprescindíveis, nos Cuidados Primários, indo ao cúmulo de importar Cubanos, para onde os Enfermeiros actuariam com vantagem.

Porém, os alunos que se formam em ambientes com modelos do sec. XIX, como é o caso da consulta médica do Centro de Saúde, retardam a assunção das responsabilidades mais alargadas, que as actuais.

Quando os Enfermeiros tiverem um motor que os impulsione, no sentido da correcção desta e doutras aberrações, conseguem-no.

Da nossa parte têm todo o apoio para legitimarem o que é da sua competência e capacidade e que a limitação corporativa não pode nem deve obstaculizar.

Não devemos estar à espera que sejam outros a resolver problemas, que só aos Enfermeiros dizem respeito, neste caso, organizados em Sindicatos, Ordem e Docência. Somos nós que temos de actualizar as potencialidades que temos: como diz Aristóteles, transformar a potência em acto, isto é; agir de acordo com o que estamos habilitados a fazer, quer se goste quer se não goste, pois a responsabilidade, que temos, de cumprir o nosso dever, de forma consciente, é superior à obediência cega e irracional.

Cordiais Saudações Sindicais,
O Presidente da Direcção do SE - José Azevedo"

Offline Jacto

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #37 em: Agosto 26, 2009, 08:46:06 »
Sim, é tudo muito bonito, mas aqui há tempos vi um estudo no qual se fez um pequeno questionário, e uma grande percentagem de enfermeiros nem sequer sabia qual a dosagem máxima diária permitida do paracetamol... e acredito que alguns colegas que estejam a ler estas linhas que escrevo também não o saibam!!Isto, quando conhecidos e amigos que nada têm a ver com o ramo da saúde, o sabem...A meu ver, as escolas de enfermagem deveriam diminuir em muito o numerus clausus e aumentar, em muito, a qualidade e a perspicácia das matérias leccionadas.

Mas é apenas a minha opinião, e vale o que vale.Agora, que os alunos em capo de estágio têm vindo a diminuir substancialmente a qualidade... ha isso sem qualquer dúvida!!!E então no que toca á farmacologia em específico, nem se fala...

Offline Mauro Germano

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #38 em: Agosto 26, 2009, 09:48:59 »
@Marko_Pires

Pergunto-me se os outros profissionais o saberiam também...

Pergunte-se a si mesmo se já não corrigiu tantas e tantas prescrições... É porque não sabe assim tão pouco de farmacologia...

E para os que dizem que o curso base não os preparou bem nesse aspecto... a vossa vivência profissional tem servido para quê?

Offline Mauro Germano

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #39 em: Agosto 26, 2009, 09:54:26 »
@Dprocha

Permita-me aproveitar a sua ideia original de trazer esse comunicado à baila e sublinhar partes desse comunicado...



[align=center:hbjpv30n]A posição do Sindicato dos Enfermeiros sobre a farmacologia e os enfermeiros[/align:hbjpv30n]

"Não há muito a acrescentar à nossa posição acerca do papel dos Enfermeiros na Saúde, no capítulo da medicação a dar aos doentes, com ou sem prescrição médica.
Mas o que é verdadeiramente problemático é isto ser problema.

Às vezes temos dúvidas se é um problema real ou virtual.Com efeito os Enfermeiros têm estudos e conhecimentos suficientes sobre a farmacologia que usam no dia-a-dia.

Conhecem melhor do que qualquer outro técnico, no ramo da Saúde, os efeitos dos medicamentos, nos doentes, pois estão treinados na observação e habituados a fazerem relatórios, sobre a matéria, para outros lerem; quando lêem.

Se têm integrados no seu curso conhecimentos farmacológicos e na sua vida profissional um conhecimento circunstanciado sobre a matéria, que os impede de prescreverem?


Só a irracional linha de demarcação, a extremar preconceitos e práticas ostentadoras de poderio, sem qualquer significado, nos dias que correm, que não seja senão o de limitar fronteiras. Cães e gatos fazem o mesmo, mas de outra maneira. Animal que ultrapasse os limites é trucidado.

Esta prática passa para os humanos, para alguns humanos. É respeitada de forma pouco racional ou mesmo irracional, por outros humanos. Uns fazem o que querem e outros só podem fazer o que os uns querem. Neste caso a culpa é mais dos outros do que dos uns.Mais caricata é a prática constante dos Enfermeiros medicarem os doentes sem receita, ou prescrição médicas, sem assumirem que o fazem.

Mais triste é os médicos estarem a usar constantemente não enfermeiros para fazerem o que tradicionalmente é feito por enfermeiros (direito consuetudinário onde o hábito faz lei):

Pior do que isso: há exemplos gritantes de atropelo do campo dos enfermeiros, feito por médicos. Veja-se com alguma atenção reflexiva o que acontece com usurpadores do nosso conteúdo funcional de que bombeiros e tae e afins, balconeiros de farmácia, paramédicos são exemplos vivos. Todos eles têm, mais perto ou mais longe, um médico, mesmo mais, ou a própria Ordem a justificar e a caucionar o seu comportamento invasivo. Quando os Enfermeiros não tinham carência de emprego estes fenómenos passavam despercebidos; não eram captados pelos nossos sentidos.Hoje, contudo, já há quem se dedique, à apreciação destes casos; não nós, porque sempre estivemos despertos para estes abusos.

Vejamos, agora algumas causas:As parteiras têm uma lista de medicamentos da sua especialidade que podem receitar, por ordem da instituição máxima, não corporativa, como é a OMS. Não obstante, não receitam, abertamente; fazem-no veladamente como se estivessem a cometer alguma ilegalidade. Algumas não fazem mesmo e desculpam-se com a OE que não divulga e cauciona a lista. Desculpas de fragilidade, pois antes de haver Ordem já existia a lista. Em vez de serem as Enfermeiras parteiras a assimilarem um comportamento das só Parteiras, inclinam-se para o seu lado de Enfermeira e paralisam. Mas o governo não está isento de culpas, através das comparticipações exclusivas, na compra de medicamentos, mas que sejam prescritos por médicos e só, um favoritismo desajustado, como se vê, pela prática.

Que dizem os docentes nas escolas de Enfermagem, aos seus discentes, sobre a matéria?

Dizem, por exemplo, que é preciso ajustar a lei da receita ou como fazem com as suturas e quejandos, que isso é só com o médico, desprestigiando-se e desprestigiando os Enfermeiros descendentes de muitos instrutores de suturas de vários e ilustres cirurgiões; conselheiros de vários médicos nas opções da terapêutica mais ajustada. Todavia estas coisas passam-se no campo prático, onde os docentes de Enfermagem não aparecem muito, por uma questão de opção pessoal, que não profissional. Depois, dizem sempre, as mesmas coisas, com os mesmos erros intemporais e alguns, até extemporâneos, como é o caso típico das suturas, onde usam a desculpa da raposa; porque não chegava às uvas, dizia: estão verdes. Porque não sabem suturar, nem nunca quiseram aprender, atiram com isso para cima do médico e, o que é lastimável, como exclusivo.

É por um fenómeno semelhante, que os cuidados primários consomem fortunas incalculáveis sem os correspondentes benefícios, para as populações, porque os médicos estão a fazer muitas coisas que, ou já foram, ou de há muito deviam ser feitas por enfermeiros.

Também neste capítulo, os medicamentos que são essencialmente úteis e toleráveis, nesta área e nível, que em muitos países são já prescritos por enfermeiros, constituem, em Portugal a pequeníssima razão que mantém médicos como imprescindíveis, nos Cuidados Primários, indo ao cúmulo de importar Cubanos, para onde os Enfermeiros actuariam com vantagem.

Porém, os alunos que se formam em ambientes com modelos do sec. XIX, como é o caso da consulta médica do Centro de Saúde, retardam a assunção das responsabilidades mais alargadas, que as actuais.

Quando os Enfermeiros tiverem um motor que os impulsione, no sentido da correcção desta e doutras aberrações, conseguem-no.

Da nossa parte têm todo o apoio para legitimarem o que é da sua competência e capacidade e que a limitação corporativa não pode nem deve obstaculizar.

Não devemos estar à espera que sejam outros a resolver problemas, que só aos Enfermeiros dizem respeito, neste caso, organizados em Sindicatos, Ordem e Docência. Somos nós que temos de actualizar as potencialidades que temos: como diz Aristóteles, transformar a potência em acto, isto é; agir de acordo com o que estamos habilitados a fazer, quer se goste quer se não goste, pois a responsabilidade, que temos, de cumprir o nosso dever, de forma consciente, é superior à obediência cega e irracional.

Cordiais Saudações Sindicais,
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Retirado de: http://www.enfermeiros.pt/content/view/707/1/

Offline Jacto

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #40 em: Agosto 26, 2009, 10:37:17 »
Colega,

Nós não temos de saber se os outros sabem ou não.As outras classes não querem saber se sabemos ou não,se detrminada atitude terapêutica ou outra é função inerente a determinada  profissão... logo tem de se estar apto e saber fazer!!O nosso problema é que nos preocupamos demasiado com outras classes (nomeadamente médicos).Deixemos os outros desempenharem o seu papel e foquemo-nos no cerne das nossas questões, que em vários apectos estão ainda tão verdes, imaturas e confusas. Aí sim, deveriam residir as nossas preocupações...

Sempre que estivermos a comparar-nos em relação aos outros (e repito mais uma vez, nomeadamente em relação aos médicos), estaremos a mostrar um caminho de fragilidade, e olhem que os outros estão atentos, acreditem!!!Ete tipo de comparações leva-nos a pensar que estamos indecisos e mal "instalados" nalgumas matérias...

Tenho dito

Saudações cordiais.

PS - Já sei que alguém me vai cair em cima... mas isto é que é a riqueza dum debate livre e democrático...  :P

Offline Zeus-electro

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #41 em: Agosto 26, 2009, 12:18:54 »
Apesar de achar que os enfermeiros poderiam prescrever, pergunto-me qual seria o objectivo? Ora, se já existem profissionais responsáveis pela prescrição, que benefício traria para o doente o facto de existirem mais outro grupo de profissionais a fazer o mesmo?

@Mauro
O facto de muitas vezes "corrigirmos" prescrições, deve-se ao factor rotina. Os enfermeiros estão habituados a ver as mesmas doses de um determinado medicamento dia após dia, pelo que quando a dose é diferente, rapidamente salta à vista. Mas quando se trata de um fármaco pouco habitual ou que nunca tenha sido administrado antes, já ninguém sabe e por norma (felizmente) procuram informações sobre esse mesmo fármaco, mas mesmo assim, questione-se qual é a parte da bula que os enfermeiros mais procuram? A via e forma de administração, nomeadamente diluições.

Quanto ao desafio que lhe lancei, ponha-o em prática e verá do que estou a falar!
Questione os seus colegas, por exemplo, sobre a que grupo pertence a vancomicina e a cefalosporina e quais as suas indicações, diferenças e posologia. No entanto se perguntar em que volume de que soluto deve diluir cada um deles ou qual a sua estabilidade, verá que obtém respostas mais rápidas e certeiras.

Quanto às conclusões a que chegámos sobre a nossa "brincadeira de médicos" é que os enfermeiros agem de impulsos, isto é, medicariam um doente baseado nas manifestações imediatas sem as contextualizar e por forma a minimizar a sua própria carga de trabalho. Pode parecer chocante, mas é a realidade!

Mais uma vez lanço-lhe o desafio, aliás, não somente a si mas a quem quiser. Terão é de ser sinceros na recolha de informação. Fico a aguardar resultados.

Offline Jconeves

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #42 em: Agosto 26, 2009, 15:23:45 »
Citação de: Zeus-electro
Apesar de achar que os enfermeiros poderiam prescrever, pergunto-me qual seria o objectivo? Ora, se já existem profissionais responsáveis pela prescrição, que benefício traria para o doente o facto de existirem mais outro grupo de profissionais a fazer o mesmo?

Plenamente de acordo colega...

Gostaria apenas de deixar um pouco da minha opinião! Sobre esta matéria não sei o que se passará daqui a alguns anos, porém acho k é por de mais evidente que serão muito poucos os enfermeiros capazes de desnvolver esta interveção! agora pergunto eu...

Para que prescrever se aprendemos tantas intervenções e se somos conhecedores de conhecimento que desvalorizamos!?

Porquê não lutar, em vez de prescrever medicação, por uma competência que essa sim deveria ser nossa que diz respeito à alimentação, por exemplo!
Aí sim devíamos lutar pela nossa autonomia...para que lutarmos por algo que não é "nosso", quando deixamos o que é da nossa competência por mãos alheias!? Quando falei em alimentação poderia ter falado em tantas outras coisas...
Lutemos por aquilo que nos possa dignificar, fazendo bem!!!Lutemos pela nossa autonomia demonstrando que fazemos bem... 
Esta é a minha modesta opinião colegas...
cumprimentos

Offline Vitor A.

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #43 em: Agosto 26, 2009, 20:46:19 »
A Evolução de qualquer profissão faz-se não só pela aquisição de novas competências, bem como pelo aperfeiçoamento das que actualmente já possui!

Citar
Para que prescrever se aprendemos tantas intervenções e se somos conhecedores de conhecimento que desvalorizamos!?

Ou Seja: "Sabemos o que fazemos. Mas porque é que não fazemos tudo aquilo que sabemos?" http://www.forumenfermagem.org/forum/http://forumenfermagem.org/phpbb3/viewtopic.php?t=9
Conhecimento vs Sabedoria! Podemos ser detentores de enorme bagagem de conhecimentos, mas se não os aplicamos na totalidade, para que servem eles?

Sabemos Muito, Aplicamos pouco?

O Colega Son_Goku uma vez disse:
Citar
Hoje em dia, advoga-se a máxima "A minha competência é aquilo que eu sei". O conteudo funcional das profissões tende a tornar-se menos definido, pois este modelo não garante que determinada tarefa é executada por quem lhe pode imprimir maior rigor ou qualidade. No entanto, face á grande diversidade de conhecimentos, capacidades e aptidões dos membros de uma dada profissão é necessário a imposição de limites funcionais, como meio de regulação de uma profissão, assim como orientar os percursos e esforços formativos. No entanto é necessário agregar esforços e definir objectivamente quais as técnicas ou competências para as quais os enfermeiros estão pragmáticamente habilitados e que derivam da sua formação quer de base quer pós graduada ou mesmo contextualizada pela praxis. No entanto, muitos enfermeiros se esquivam de assumir novas responsabilidades, actuando como uma âncora daqueles que querem navegar para novos oceanos de competências, pois isto lhes iria exigir um outro nível de esforço e investimento profissional/académico que estes não estão dispostos a aceitar. Quanto ao obstáculo médico, este apenas será intransponível se não soubermos convocar e concertar toda a força da nossa classe e canalizá-la para este objectivo, pois as políticas também se mudam mediante um determinado "quantum" de pressão e negociação.
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Offline Vitor A.

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Re: Devem os Enfermeiros poder prescrever (terapeutica)?
« Responder #44 em: Agosto 26, 2009, 20:54:31 »
Há quem imagine que o Santo Graal da Enfermagem é a prescrição de terapeutica. Eu discordo.

Achava que não havia até ter lido este texto da autoria da colega Margarida de Barros:

Citar
(...) "Quando não for possível saber como dominar os Enfermeiros, porque o modus operandi é complexo demais para ser controlável e imitável, nesse dia a Enfermagem reconquistará a identidade perdida ou ainda não encontrada, partilhando entre os seus membros os valores que fazem com que um corpo disperso se transforme numa comunidade consistente e coesa mas aberta ao futuro."
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