Autor Tópico: Doulas, partos orgásmicos e Companhia  (Lida 6838 vezes)

Offline Son_Goku

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #15 em: Setembro 16, 2008, 19:21:25 »
Não tenho nenehum problema com as Doulas, desde que estas não se emiscuam nas competências de outros profissionais de saude. Como disse a MariaD, e bem, a  formação das doulas chega para as funções que por natureza devem desempenhar...o que eu não concordo é que se anuncie que esta formação lhes dá arcaboiço para opinar sobre episiotomias, soroterapia, administração de medicação etc.
Acredito que se uma doula for competente a prestar apoio emocional que o  períneo não ofereça tanta resistência ao estiramento poupando episiotomias, que a dilatação seja mais fácil com a doente relaxada evitando induções desnecessárias, etc. Passar para além desta função de suporte (que é importante) é meter a foiçe em seara alheia e, pior do que isso, é colocar a grávida em risco. Já pensaram se um capelão hospitalar, para além de prestar apoio espiritual decidisse ser uma espécie de consultor de saude privado dos doentes? Aí nem Deus nos acudia!

Offline Herodes

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #16 em: Setembro 16, 2008, 21:40:34 »
Não temos de ter medo das Doulas. Temos de provar à sociedade que valemos muito mais do que elas...

Offline SandroMelo

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #17 em: Setembro 17, 2008, 07:59:11 »
Citação de: MariaD
Son Goku, o tempo de duração da formação da doula não precisa de ser muito para as funções que elas podem desempenhar.
Klaus e Kennel foram os médicos que descobriram os benefícios que as doulas podiam trazer para o parto e nas experiências que realizaram para o estudo, as doulas não tinham qualquer experiência ou formação. E mesmo assim os resultados que conseguiram foram uma redução de 50% na realização de cesarianas, redução em 25% na duração do trabalho de parto, redução de 60% nos pedidos de epidural, redução de 30% nos pedidos de alívio da dor, redução de 40% no uso da oxitocina sintética e redução de 40% no uso de forceps.
A doula serve para apoiar, mais do que tudo, emocionalmente a mulher e proporcionar-lhe medidas básicas de conforto.
Como sabem (aqueles q são da especialidade) um mamífero não é capaz de parir quando se sente em perigo. Abranda a produção de ocitocina e aumenta a de adrenalina. As mulheres, em tensão e cheias de medo nos hospitais muitas vezes têm dificuldades na dilatação tão somente por este motivo. É nestes simples casos que a doula pode ajudar. Não tem (a meu ver) nada que possa interferir nas funções dos enfermeiros.
Já pensaram no quanto se interfere invasivamente na obstetrícia sem haver patologia ou mesmo apenas riscos? Apenas por rotina? Nisso a Luísa Condeço tem razão! E qualquer pessoa pode sugerir uma reflexão sobre os cuidados de saúde, basta ser utente...!
Acredito que não apoiem a presença de doulas nos hospitais por 2 motivos. Primeiro aqueles que nunca experimentaram, por desconhecimento, por outro lado aqueles que conhecem os benefícios mas têm receio de serem julgados por ideias pré concebidas, como sabemos que existem e a prova disso é esta discussão.
Penso que a maior lição a tirar daqui é aprendermos a ser "open minded". Quem pensa que já sabe tudo pára no tempo... há que estudar, actualizarmo-nos constantemente e não sermos "velhos do restelo"!


Esses beneficios das doulas de que fala são muito facilmente subsititui por enfermeiros, que esses sim têm preparação adequada para o fazer. Basta que existam enfermeiros em quantidade suficiente no sistema de saúde e que alguns possam ser direccionados para este trabalho e...problema resolvido...com beneficios efectivos!

Offline Son_Goku

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #18 em: Outubro 04, 2008, 16:07:57 »
As Doulas fazem parte de uma estratégia que tenta diminuir a importância e o valor das parteiras no contexto da SMO. Claro que esta estratégia está ao serviço de interesses de negócio de alguns cesarianistas que vêm na competência e ponderação das especialistas de SMO um obstáculo ao desenvolvimento do seu negócio. Vale a pena ler o texto do Enfº Azevedo (extenso mas pertinente) onde se põe a nú as verdadeiras intenções por detrás destas novas modas, que afinal não são tão inocentes quanto parece...

Citar
No dia 14 de Setembro de 2008, foi publicada no Notícias Magazine, a reportagem "nascer em Casa" ou "O Parto em Casa", do dossier "nascer".

Em defesa das nossas colegas parteiras, decidimos tirar a limpo algumas questões levantadas na referida reportagem.

Procuramos em vão uma só parteira que fosse a pronunciar-se sobre uma matéria que é essencialmente da sua competência. Em sua substituição estava uma versão de "voluntariado" do parto — as "doulas", que, à primeira vista e para olhares desatentos parece pretender-se implantá-las no terreno, como as parteiras, que na sua reportagem se sumiram.

Está presente o Dr. Luís Graça, presidente do colégio da especialidade da Ordem dos Médicos, mas não está a presidente do mesmo colégio, da Ordem dos Enfermeiros. Também não faltou à chamada o Dr. Aires Campos do Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do HSJ. Em pano de fundo, as doulas Cristina Torres e a Rosa Macedo, entre outras, a que se podem juntar a Dr.ª Clara Soares, da Maternidade Alfredo Costa.

Com este leque de opções é fácil classificar de mau, o trabalho que pretendeu fazer como bom, pois não quis ou não pôde, por razões que podemos imaginar, introduzir as parteiras numa área que é fundamentalmente sua. E é pena, pois tinham abrilhantado e autenticado a reportagem que não passa de mais do mesmo, com a excepção de promover o voluntariado no parto como se isso dispensasse a presença das parteiras...

Na verdade, falar do "parto em casa" sem ouvir uma única parteira, é revelador da verdadeira intencionalidade do texto: dar voz aos responsáveis pelas reais complicações do parto normal, eutócico, para dele retirarem dividendos financeiros adequados. Luís Graça, há bem pouco tempo num programa de debate num canal televisivo, "espalhava-se" ao deslizar distraidamente para a cesariana como cobertor de responsabilidade do obstetra. É evidente: complicar uma coisa, que é simples, dá para desculpar e aliviar responsabilidades, se correr mal, quem promoveu, sem a menor ética profissional, uma situação que podia ser resolvida de outra forma, mais humana e mais simples.

É este mesmo interlocutor que censura a "propalada desumanização dos hospitais", abusando da capacidade de abstracção para onde quer conduzir quem o lê. Transformar um parto normal em cesariana para livrar a pele do obstetra não é manter humano o parto; é desumanizá-lo.

As parteiras, que tanto respeitam os obstetras, ao ponto de se descaracterizarem, para os "servirem", deviam merecer-lhes mais respeito pelas competências e não andarem a promover o curandeirismo feito doula, que tem um papel importante no acompanhamento dos primeios dias da puérpera, no seu domicílio, mas não tem nada que se intrometer no trabalho de parto, que é da parteira.

Deviam merecer mais respeito, sobretudo daqueles que têm cargos como os de controlo da especialidade na Ordem dos Médicos ou Serviços de Obstetrícia.

Timidamente as doulas, uma invenção que, conjuntamente com os fisioterapeutas, tentam esvaziar o conteúdo funcional da parteira, com o beneplácito dos médicos, lá vão dizendo que, para além de um certo limite, têm de ter a presença da parteira, porque são da escola inglesa, onde isso é tão normal e natural como o parto em si.

Lembram-nos a Holanda, onde uma rede de estradas facilita o acesso aos hospitais, caso o parto normal se complique a parteira precise de ajuda, o que é pouco frequente, ao contrário do que "certificadores" e "desumanizadores" do parto apregoam, para se tornarem imprescindíveis, obviamente, ainda mais do que já são.

Em termos de rede viária é bom que se diga que Portugal é, actualmente dos países da Europa com melhores estradas, proporcionalmente ao seu tamanho. Ficamos à frente da Holanda e da Inglaterra. Isto para não irmos mais para norte, até aos fiordes da Noruega e às auto-estradas da Suécia.

Por estas e mais razões, é de espantar o uso deste tipo de argumentos que até no conceito são inválidos.

A reportagem da jornalista Ana Cristina Gomes, é um trabalho ao contrário do que o título e a propaganda sugerem. Obviamente que não reparou quando um deles diz que a elevada percentagem estatística de cesarianas, em Portugal, próxima dos 40%, envergonhando-nos nos países que rondam os 10 ou 15%, se deve aos partos feitos nas clínicas privadas. Com a distração de que deu prova, falhou referir que os interventores da privada são os mesmos da pública. Presume-se com alguma lógica que não é com a passagem da pública para a privada que a sua consciência profissional se perverteu... O erro já vem de trás.

Os obstetras são os principais responsáveis pelo atrofiamento, em Portugal, pela Classe das parteiras.

Referem a estatística dos êxitos na redução da mortalidade neonatal, esquecendo o pequeno detalhe, de que isso se deve em grande parte às parteiras e ao parto no domicílio que foram destruindo com a sementeira de fantasmas que promoveram.

Se tivessem sido consultadas parteiras, poderia ter-se ouvido dizer que o acompanhamento normal da gravidez deve ser feito pela parteira, a partir do centro de saúde da sua área de residência.

Mas onde estão as parteiras dos centros de saúde?

Pergunte quem promoveu a sua extinção.

Nos países ricos são as parteiras que fazem todo esse serviço. Num país de baixo orçamento, como o nosso, subsidiodependente, quanto baste, temos o grande luxo de alimentar os serviços de parto com médicos especialistas, que tendem para a complexidade de coisas simples para justificarem a sua presença.

Descaradamente, põem em alternativa a cesariana com consentimento da mulher ou como critério do médico.

Depois colocam-se uns de um lado, outros do outro, para darem mais seriedade ao processo.

O sofisma começa logo à partida, quando admitem como solução a cesariana, seja para a mulher não sentir dores, seja para a expor a riscos, tantas vezes fatais, a pretexto de evitar complicações, no parto.

Esta sofistica enferma de uma falha grave que é explicar muito bem à mulher o que é o parto, os riscos que envolve e as soluções, também elas arrisadas, para certas complicações. Mas não é isto que se passa. Muitas vezes a mãe vai sendo conduzida ardilosamente para a indústria da cesariana, a mesma onde os respectivos industriais tentam justificações, desculpas de que são os principais e únicos promotores.

Mas não é só aí que o texto revela um profundo cinismo, mesmo que involuntário da parte da autora, admitimos. Quando se vai buscar uma enfermeira Cláudia Silva, para elogiar o contributo da doula, esquecendo o da colega parteira, não é preciso procurar melhor argumento e intenção.

Felizmente que não há muitos mosquitos em Portugal a desencadearem o paludismo. Não é errado imaginar que viria um perito especializado propor que se destruíssem a tiro de bazuca, ou de canhão de 17mm.

Pincelámos algumas passagens da reportagem para demonstrarmos o mal que iniciativas como esta fazem ao péssimo que já temos.

Estamos certos que o número de parteiras vai crescer;

Que os centros de saúde vão passar a ter parteiras que preparem as mulheres grávidas para o parto, com realismo e sem o recurso a imagens fantasmagóricas que assustem e apelem para a indústria da cesariana;

Que mesmo por imitação, vamos racionalizar esta área em custos e eficácia, antes que a estrada seja a maternidade de serviço e o bombeiro o doulo por conveniência.

Alguém tinha de ter um pouco de coragem para a desenganar se estava convencida de ter feito um bom serviço.

Foi mau pelos interlocutores que elegeu.

Cordiais saudações sindicais,

O Presidente da Direcção do SE — José Azevedo

Offline Herodes

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #19 em: Outubro 21, 2008, 03:12:24 »
Há já quem faça uma cesariana em 20 minutos.

Offline MariaD

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #20 em: Outubro 23, 2008, 19:49:08 »
As Doulas fazem parte de uma estratégia que tenta diminuir a importância e o valor das parteiras no contexto da SMO. Claro que esta estratégia está ao serviço de interesses de negócio de alguns cesarianistas que vêm na competência e ponderação das especialistas de SMO um obstáculo ao desenvolvimento do seu negócio. Vale a pena ler o texto do Enfº Azevedo (extenso mas pertinente) onde se põe a nú as verdadeiras intenções por detrás destas novas modas, que afinal não são tão inocentes quanto parece...

Vale a pena informar-se melhor... pois aquilo que se passa é exactamente o oposto! Que exista uma moda de cesarianas que despacham os senhores doutores em 20 minutos, mesmo a tempo de irem jantar a casa até acredito (nalguns casos, obviamente não se pode generalizar) mas não vejo como é que as doulas contribuem para isso... por outro lado vejo doulas a trabalharem bastante com parteiras, inclusivé em partos domiciliares...

Offline limarta

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #21 em: Março 08, 2013, 20:10:39 »
Porque tanto se luta em Portugal para defender nichos de trabalho em vez de cooperarmos todos em conjunto, equilibrando e complementando cada uma das nossas funções com vista a um melhor atendimento à grávida/casal?

As parteiras ou enfermeiras-obstetras não são muito melhores que as doulas... são diferentes... têm outro nível de actuação...

Sabem que na Holanda há doulas a dar formação nas escolas de parteiras? Assim como nas formações de doulas, há parteiras como professoras.

Sabem que na Holanda a convivência doulas/parteiras é amigável?... a doula dá a continuidade de acompanhamento durante o parto, permitindo à parteira ir a vários domicilios ao mesmo tempo caso seja necessário?

são apenas alguns pontos para reflexão...

Offline HMartinho

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Re: Doulas, partos orgásmicos e Companhia
« Responder #22 em: Março 08, 2013, 23:15:51 »
Citação de: limarta
Porque tanto se luta em Portugal para defender nichos de trabalho em vez de cooperarmos todos em conjunto, equilibrando e complementando cada uma das nossas funções com vista a um melhor atendimento à grávida/casal?


As parteiras ou enfermeiras-obstetras não são muito melhores que as doulas... são diferentes... têm outro nível de actuação...

Sabem que na Holanda há doulas a dar formação nas escolas de parteiras? Assim como nas formações de doulas, há parteiras como professoras.

Sabem que na Holanda a convivência doulas/parteiras é amigável?... a doula dá a continuidade de acompanhamento durante o parto, permitindo à parteira ir a vários domicilios ao mesmo tempo caso seja necessário?

são apenas alguns pontos para reflexão...

Então se quer reflectir, outras premissas têm que se levantar:

- Aqui ninguém está contra as doulas. Aliás, muitos foram o que disseram que estas têm um papel importante durante a assistência ao parto. No entanto, cada macaco no seu galho.

- Dizer que as parteiras (tenho um bocado de urticária a este termo, já que são Enfermeiros especialistas em saúde materna e obstetrícia, e não parteiros), não são melhores a fazer partos do que as Doulas, desculpa dizer, mas é o mesmo que referir que um Enfº faz tão bem uma cirurgia, do que um cirurgião. Um Enfermeiro "parteiro", é um profissional de saúde licenciado e especialista que, primeiramente, teve que fazer uma licenciatura de 4 anos + especialização intensiva de 2. Fazendo as contas, 4 + 2 = 6 anos. As doulas têm uma formação de quanto tempo? Meia dúzia de horas.

- Dá o caso da Holanda. E eu pergunto: O tempo de formação de uma doula na Holanda, é de quanto tempo? Seria conveniente e pertinente referir isso. É o  mesmo que eu chegar aqui e dizer:
Nos EUA e na Inglaterra, os Enfºs prescrevem fármacos, logo os Enfºs portugueses também o devem fazer. Só que esquecia-me do facto desses Enfermeiros no estrangeiro, terem que fazer especializações, mestrados, doutoramentos e formações específicas de prescrição e terapêutica. O mesmo principio se aplica à questão doula vs enfermeiro obstetra.

Por fim, gostaria que me esclarecesse:

Se após o parto o neonato entrar em paragem cardiorespiratória, ou tiver uma outra emergência médica, o que a doula vai fazer? Chamar o 112 e rezar para que a viatura médica chegue rápido?