Autor Tópico: 2º Simpósio de Enfermagem da Serra da Estrela  (Lida 3404 vezes)

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2º Simpósio de Enfermagem da Serra da Estrela
« em: Março 05, 2005, 21:22:37 »
Nos dias 25 e 26 de Fevereiro de 2005, foi promovido pelo Hospital de Nossa Senhora da Assunção – Seia, o 2º Simpósio de Enfermagem da Serra da Estrela, abordando a temática da Emergência/ Urgência, incluindo uma simulação de resgate na Serra da Estrela. De acordo com a página do hospital de Seia, estiveram cerca de 700 assistentes presentes, o que de certa forma traduz a qualidade dos temas a serem abordados

Nos últimos tempos tem emergido um crescente interesse e especialização pela emergência hospitalar, formando-se inclusive diversos técnicos preparados para actuarem nesta área (Enfermeiros, Médicos), tal como se pode ler no Panfleto divulgativo do evento. Esta, é assim uma temática que se torna cada vez mais discutida, porque não existe formação específica na área da questão em debate, quer a nível de escolas de Enfermagem, quer a nível de outras áreas.

Este Simpósio encontrava-se dividido em três grandes áreas, a saber: Atendimento Pré-Hospitalar, Atendimento Intra-Hospitalar e Emergência Intra-Hospitalar. Não irei tentar abordar os aspecto que podem ser consultados na literatura específica sobre esta temática, mas os aspectos que nos foram transmitidos fruto da experiência dos oradores.

Ao longo deste simpósio, foi destacado, por exemplo, a importância do Enfermeiro na emergência pré-hospitalar, actuando não dentro de quatro paredes como acontece a nível hospitalar, mas tem uma actuação que em tudo se sujeita às mesmas regras, mas fora das quatro paredes. Este aspecto parece não ter grande importância, mas de acordo com as palavras da Enf. Celínia Antunes (INEM de Coimbra), que não consigo fielmente transpor, tem uma importância que muitos pensam não existir. Não é por se trabalhar ao “ar livre”, que não se tem regras... Estas são as mesmas, e terão que ser cumpridas.

Também foi abordada a relação Médico-Enfermeiro. Eles são uma equipa que se pretende que estejam em perfeita sintonia. Conhecendo os protocolos, conseguem actuar em perfeita sintonia, não precisando mesmo de falar, o que é evidente, reveste-se de enorme importância no ganho de tempo. Esta relação, ao contrário do que muitas vezes acontece a nível hospitalar, segundo os entendidos, não segue aqueles caprichos que todos conhecemos, da relação Enfermeiros/ Médicos. Eles são uma equipa, que se pretende seja perfeita, porque são os dois e mais ninguém.

Este foram os dois grandes aspectos que mais me ficaram na memória. E na retina ficaram alguns momentos da Simulação de Resgate na Serra da Estrela (Senhora do Espinheiro), que envolveu elementos da Guarda Nacional Republicana e Bombeiros Voluntários de Seia. Esta simulação tem extrema importância neste local, em que os acessos à Serra são em alguns casos precários, pelo que há a necessidade de criar cenários de possíveis acidentes, de forma a, numa eventualidade, se actuar de forma organizada.

O cenário desta simulação era o seguinte: um automóvel com quatro pessoas despistou-se, tendo provocado o encarceramento de três passageiros e um terceiro, que conseguiu sair do carro para procurar socorro, acabou por se perder na Serra e entrar em hipotermia. Para o local foram destacados os seguintes meios, dois binómios homem/cão, seis viaturas dos Bombeiros de Seia, (quatro ambulâncias, um carro de desencarceramento e um carro de comando), e uma equipa médica. Poder-se-á perguntar o porquê de não se deslocarem para o local o carro do INEM, o que é explicado pelo tempo que o carro demoraria a chegar ao local (INEM mais próximos são em Castelo Branco e Coimbra, salvo erro).

Como conclusão final, fica a necessidade de formação nesta área, porque como já foi referido, quer a nível de Escolas de Enfermagem, quer a nível de outras áreas não se investe neste campo, que é de extrema importância.
Abílio Cardoso Teixeira
(SCI1: CHP - HSA)

Offline pedrojosesilva

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2º Simpósio de Enfermagem da Serra da Estrela
« Responder #1 em: Março 07, 2005, 00:39:54 »
@AbilioCT


Obrigado pela tua resenha, na verdade a formação ao nível da actuação em caso de emergência intra-hospitalar deveria ser um ponto bastante desenvolvido não só na fomação inicial de Enfermagem, como nas proprias instituições.

No meu Hospital tive a oportunidade de realizar o curso de Suporte Avançado de Vida, acho que fui um sortudo, porque realmente no meu dia a dia lido pouco com a situação de paragem cardiopulmonar, embora não possa dizer o mesmo das peri-paragens (que vão imediatamente para a UCI).

Após isto tenho organizado várias simulações lá no serviço, onde utilizamos um manequim próprio para suporte basico. Mesmo assim metemos o desfibrilhador ao barulho (sem "chocar" o boneco, se não derrete  :lol: ), para que quando a situação real aconteça, toda a a gente saiba trabalhar com o desfibrilhador e com o carro de urgência. Assim como o treino dos gestos e das sequencias (algoritmos de actuação).

Como a paragem acontece poucas vezes, mais importantes se tornam as simulações. É também uma oportunidade para desenvolver o espirito de equipa, pelo menos entre os enfermeiros, uma vez que os médicos do meu serviço pouco aderem.


Abraço!