Autor Tópico: Governo prepara-se para exigir exclusividade aos médicos  (Lida 2446 vezes)

Offline Son_Goku

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hoje vem a seguinte notícia que caiu como uma bomba na classe médica e que pode trazer consequências para a Enfermagem, uma vez que a será natural expandir os moldes do projecto a outras profissões da saúde.

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O Governo prepara-se para impor a exclusividade aos médicos que trabalhem para o Serviço Nacional de Saúde. A proposta tem como principal objectivo combater a falta de clínicos. A Ordem dos Médicos crítica a proposta e avisa que pode violar a constituição. O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) nem sequer acredita que se venha a concretizar.



 

A proposta, assinada pelo secretário de Estado da Saúde, já está nas mãos dos sindicatos e faz parte de uma mais abrangente reforma das carreiras dos médicos na Função Pública.

Os médicos já avisaram que esta exclusividade obrigatória pode ter como efeito uma fuga dos clínicos para o sector que paga mais, ou seja, os hospitais privados.

Falta de médicos é a razão dada pelo Governo para impor dedicação exclusiva obrigatória ao Serviço Nacional de Saúde, sem possibilidade de opção por um regime de trabalho a tempo parcial. 

O Governo quer que os médicos escolham se fazem carreira no público e caso seja essa a opção deixam de poder acumular funções com o privado.

Outra das medidas do executivo, de acordo com o Correio da Manhã, passa por acabar com as várias carreiras existentes e criar uma classe única dentro da Função Pública para todos os médicos.

A proposta do Governo já foi enviada aos sindicatos, segue-se agora o período de negociações de uma proposta que chegou a ser avançada, em 1989, pela ministra do PSD, Leonor Beleza, mas que nunca foi para a frente devido à oposição da classe médica.

Contactado pela TSF, o bastonário da Ordem dos Médicos considera, numa primeira leitura do documento, que impor a dedicação exclusiva e obrigatória ao Serviço Nacional de Saúde pode até não ser constitucional.

Pedro Nunes afirma ser «impensável», numa altura destas, diminuir a actividade dos médicos, mas prefere para já aguardar pela reunião com o Governo.

O Sindicato Independente dos Médicos desvaloriza o projecto e não acredita que o regime de exclusividade venha a ser uma realidade.

Carlos Arroz, do SIM, reconhece que recebeu uma proposta e diz que são 3 páginas que explicam pouco.

O Sindicato garante que está aberto ao diálogo, mas duvida que o regime de exclusividade aplicado aos médicos do serviço nacional de saúde se concretize.

Carlos Arroz antecipa mesmo um êxodo de médicos para o privado.

Actualmente nos hospitais, há 17500 médicos, mas calcula-se que mais de 11 mil trabalhem também no privado.

in http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=972862

Offline jinkxy

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Re: Governo prepara-se para exigir exclusividade aos médicos
« Responder #1 em: Julho 29, 2008, 18:07:55 »
pois... optam todos pela privada e bye bye SNS, lol

eles tem o pão e o queijo nas manápulas, que é o que nos falta...

Offline tabana

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Re: Governo prepara-se para exigir exclusividade aos médicos
« Responder #2 em: Julho 29, 2008, 19:00:13 »
Precisam deles... são poucos..

Bora la "trocar umas centenas de enfermeiros altamente qualificados e com excelente desenvolvimento de competências reconhecidas a nivel internacional por uns quantos médicos sul americanos"... tipo trocar uma loira (sem ofensa  >:D ;D) por 100 camelos.

Offline Son_Goku

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Re: Governo prepara-se para exigir exclusividade aos médicos
« Responder #3 em: Julho 29, 2008, 21:12:14 »
Se esta proposta vai para a frente, vão haver muitos médicos a tentarem debandar para as privadas...mas não se iludam, porque o sector privado ainda não consegue absorver uma torrente de médicos em fuga...para além disso é à pública que eles se vêm abastecer de clientes para a privada! Além disso, se eles (os médicos) usam a pública para aprenderem aquilo que vão aplicar na sua profissão enquanto especialistas através do internato, deveriam também assinar por altura do ingresso neste um compromisso de exclusividade de X anos no sector público após conclusão da especialidade com uma cláusula de rescisão monetária (tipo jogadores de futebol)

Offline Mauro Germano

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Re: Governo prepara-se para exigir exclusividade aos médicos
« Responder #4 em: Julho 31, 2008, 04:29:32 »
Sinceramente acho que é uma medida fascista!

Restringe os direitos dos trabalhadores. Por acaso todos os motivos que os sindicatos médicos e o bastonário da OM usaram são errados no entanto não se pode duma forma arbitrária tomar este género de iniciativas.

Se querem controlar a debanda de médicos para o privado aumentem o número de vagas e deixem o mercado funcionar.

Em segundo lugar não creio que muitos médicos queiram abandonar o sistema público pois é aí que angariam a clientela para o Privado.

DE qualquer forma não vejo como esta medida possa ir para a frente no imediato uma vez que não é ainda possível conseguir fazer uma separação clara entre o público e o privado, há muitas coisas por definir por isso a ir para a frente julgo que não será para breve... Estas coisas levam o seu tempo.

Offline enfermeiredo

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Re: Governo prepara-se para exigir exclusividade aos médicos
« Responder #5 em: Agosto 12, 2008, 21:08:56 »
Eu com os problemas dos médicos posso muito bem. Posso muito mal é com os meus. Creio que os médicos são uma classe super-protegida, antes de mais por eles próprios (essa mentalidade corporativa....) e por muitos outros intervenientes em saúde, incluidos os enfermeiros. Exemplos posso dar dezenas, casos de enfermeiros em posições sub-alternas para o médico fazer o bonito.
Quanto a isso da exclusividade, os enfermeiros deveriam poder optar se querem ou não, e mediante acréscimo salarial de +50%, poderiam ter exclusivo. Parece justa e bem pensada a proposta salarial do SEP para a nova carreira de Enfermagem de base licenciado.
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Offline Herodes

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Re: Governo prepara-se para exigir exclusividade aos médicos
« Responder #6 em: Outubro 22, 2008, 03:26:53 »
Mais importante que exigir a exclusividade, é fundamental que se compare a produtividade do sector público com a do privado, e responsabilizar os culpados (médicos) pelo facto de "não darem o litro" nos hospitais públicos...