Votação

Quem deve dirigir os lares, apoio dom. e centros de dia?

Qualquer profissional das ciencias humanas e sociais.
18 (20.7%)
Só profissionais de saúde
42 (48.3%)
Só assistentes sociais
4 (4.6%)
Só médicos
0 (0%)
Só fisioterapeutas
0 (0%)
Só enfermeiros
10 (11.5%)
Psicologos e sociologos
0 (0%)
Quem frequente curso para tal
13 (14.9%)

Votos totais: 87

Votação encerrada: Junho 04, 2008, 22:49:07

Autor Tópico: Assistentes sociais  (Lida 31428 vezes)

Offline enfermeiredo

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Re: Assistentes sociais
« Responder #45 em: Setembro 14, 2008, 16:10:12 »
Já agora deixem-me mencionar o caso de um utente em centro de dia que a instituição só assegurava o banho UMA vez por semana, dizendo que não tinham recursos humanos para tal. Claro que a ferida no pé agravava de dia para dia. As peugas até ficavam de pé sózinhas. E a assistente social e a terapeuta ocupacional que geriam o centro de dia continuavam felizes e sorridentes...
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Offline enfermeiredo

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Re: Assistentes sociais
« Responder #46 em: Setembro 14, 2008, 16:15:45 »
Ou ainda o caso da assistente social responsável por (outro) serviço de apoio domiciliário que ficou muito zangada quando recebeu um fax a dizer que o sr. X (acamado, a viver sózinho) necessitava de um colchão anti-escaras de pressões alternadas. Foi o fim do mundo. Parecia uma ofensa à honra e à dignidade da mãe e do pai da sra. O enfermeiro a meter-se na gestão do apoio domiciliário. A questionar a competencia da Senhora Doutora Assistente Social. O facto é que as zonas de risco estavam a transformar-se em úlceras de pressão, e as úlceras de pressão a agravarem-se...
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Offline rmsfontes

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Re: Assistentes sociais
« Responder #47 em: Setembro 22, 2008, 21:41:04 »
Caros colegas,

Gostaria que consultassem o blog: a-amigos-grande-idade.blogspot.com que muito em breve passará a site da Associação Amigos da Grande Idade.

Penso que existem neste debate vários equivocos.

A legislação diz que a Direcção Técnica de um Lar é feita por profissionais habilitados para o efeito preferencialmente com formação em ciencias sociais e humanas. Se por um lado é favorável a um determinado grupo profissional por outro lado é extarordináriamente penalizante (e ainda bem). Depende do ponto de vista.

Reparem que qualquer enfermeiro pode ser Director Técnico, sem qualquer formação especifica, não necessitando sequer de ter uma assistente social nesse Lar. Já quando uma assistente social é Directora Técnica não pode prescindir da existencia de enfermeiro.

Como vamos dizendo é aos enfermeiros que compete mudar a realidade dos lares e isso não tem a ver com qualquer pressuposto corporativista.

Os lares são, em Portugal, unidades de idosos doentes. Infelismente essa é a realidade, até porque  a rede de cuidados continuados tarda em resolver este problema e já se perderam quase as esperanças dada a constituição das comissões de altas e os seus critérios. Mais de 80% de residentes de lar tem necessidade de cuidados de saude. Ora não se entende que o modelo utilizado nos lares se mantenha um modelo social quando o importante é a utilização de um modelo de saude.

É pois o modelo que tem que mudar e os enfermeiros estão na primeira linha para lutarem por isso e demonstrarem que é essa a via correcta.

Enquanto os lares continuarem a ser resposta essencialmente para cidadãos dependentes, o serviço social fica a montante dos lares, costumamos a dizer que fica ao portão do lar, já que a grande necessidade social do cidadão é entrar no Lar. Depois de entrar quais as suas verdadeiras necessidades sociais? As suas necessidades não serão de saude? E não são os enfermeiros os mais capazes de avaliarem essas necessidades e responderem às mesmas?

Offline ElsaR

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Re: Assistentes sociais
« Responder #48 em: Setembro 24, 2008, 19:26:04 »
Maus profissionais há em todas as profissoes! Incluindo na área da Saude! Mas também os há profissionais e competentes! Nao podemos generalizar...

A direcção de um lar não é exclusiva de assistentes sociais..  No despacho normativo n.º12/98, na Norma XI, afirma que a direcção tecnica "deve ser assegurada por um elemento com formação técnica e acdémica adequada, de preferencia na área das ciencias sociais e humanas", ou seja, pode ser qualquer profissional desta área... A escolha é feita pela direcção ou pelo proprietario da instituição.

De qualquer forma, os Assietntes Sociais estão aptos a gerir um lar ou uma outra instituição uma vez que estes também formação nesta área! Como sabemos, há bons e maus gestores...

Não percebo é essa espécie de rivalidade perante os assistentes sociais... Nunca ouviram falar em trabalho em equipa??? O que interessa realmente são os utentes! E se todos trabalharmos juntos e de forma harmoniosa conseguiremos um bom trabalho e o bem-estar dos nossos utentes!

Offline enfsergio

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Re: Assistentes sociais
« Responder #49 em: Setembro 25, 2008, 12:12:50 »
Citação de: ElsaR
Não percebo é essa espécie de rivalidade perante os assistentes sociais... Nunca ouviram falar em trabalho em equipa??? O que interessa realmente são os utentes! E se todos trabalharmos juntos e de forma harmoniosa conseguiremos um bom trabalho e o bem-estar dos nossos utentes!


Concordo...e como já tenho referido...temos que trabalhar em equipa, pois quem fica a ganhar é o idoso.

Offline SandroMelo

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Re: Assistentes sociais
« Responder #50 em: Setembro 25, 2008, 21:19:33 »
Claro que os assistentes sociais são importantes.
O que me irritava era a ideia que tinha de ser obrigatório serem eles a gerir, o que já me esclareceram que não é assim.
Naturalmente que todos estes profissionais são importantes na implementação de cuidados de saúde de qualidade.
Mas lamentavelmente vemos muitas pessoas com atitudes de superioridade e tenho conhecido demasiados exemplos de lares onde os directores técnicos (e nos casos que conheço são assistentes sociais >:D) impoem-se em decisões para as quais não têm formação.

Offline EnfNessa

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Re: Assistentes sociais
« Responder #51 em: Setembro 25, 2008, 21:39:14 »
No Lar onde estou a trabalhar, a directora tecnica  é enfermeira  :)

Offline rmsfontes

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Re: Assistentes sociais
« Responder #52 em: Setembro 25, 2008, 23:03:45 »
Bom... há um importante empresário português (talvez o maior empregador nacional) que define trabalho de "equipa" como "um grupo de pessoas que faz aquilo que lhes mando fazer". Também há quem diga que um camelo é um cavalo desenhado por uma equipa multidisciplinar.

Não sendo isso o mais importante para este debate, seria bom que reflectissemos sobre essa coisa do trabalho de equipa. Porque é que os médicos nunca aceitam isso? e os enfermeiros não falam de outra coisa?

Mas o importante é explicar à colega que não está em causa rivalidade alguma. Não percebeu o essencial da questão: o que está em causa é o modelo da prestação de cuidados e oferta de serviços dos lares de Idosos. Considera a colega que o modelo deve ser social ou de saude? Isto é que importa, porque se não definir o modelo não faz sentido discutir-se a gestão.

Nós entendemos que a situação dramática em que a grande maioria dos nossos cidadãos mais velhos se encontra é em consequência da definição do modelo. O modelo tem sido, e  é, salvo raras excepções, social. Contudo a maior parte dos clientes do lar são doentes, tem necessidades de cuidados de saude. Sendo o modelo social, não responde às necessidades de saude. Percebe, o que queremos dizer?

É exactamente por o modelo ser social que a lei dá preferência a assistentes sociais e mantem os lares na órbita do ministério do trabalho e segurança social. Pois nós achamos que isso deve mudar e pelo menos estabelecer duas tipologias diferentes para os lares: uma para cuidados de saude, outra para cuidados...que não serão sociais, mas poderão ser de outra natureza. De facto sociais nunca são, mas, se insistem...

Acrecento ainda que o despacho que refere está neste momento anulado pelo Dec-Lei 64/2007 que revogou o dec-ler 133/A/97 que tinha dado origem aquele despacho. Portanto o unico documento válido de regulação para lares de idosos é o Dec- Lei 64/2007, aguardando-se a saida do despacho que o legisla. Enquanto isso o despacho 12/98 passou a ser apenas um referencial não vinculativo.

Offline enfsergio

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Re: Assistentes sociais
« Responder #53 em: Setembro 25, 2008, 23:09:13 »
Bem...eu fico sem resposta...às respostas do colega rmsfontes.

Parabéns pela clareza com que expõe as temáticas que se encontram a ser abordadas.

Sem dúvida um valor na área da enf.geriátrica.

Offline isabelinhah

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Re: Assistentes sociais
« Responder #54 em: Setembro 26, 2008, 10:07:17 »
Vejamos o seguinte:  necessidade de internamento em lar, resulta de uma necessidade social ou de saúde? Passo a clarificar, as resposta sociais como os lares, os serviços de apoio domiciliário, centros de dia e afins, não foram criadas nem pensadas por profissionais de saúde, foram pensados por profissionais da área social (sejam assistentes sociais ou não) que perceberam que a alteração na estrutura familiar, com a predominância da familia nuclear sobre a familia alargada, colocou ás familias a dificuldade de cuidar dos seus idosos.  Assim resulta de uma necessidade social.

O utente do lar à partida está lá porque o declinio das suas capacidades (que está relacionado com um processo que é o envelhecimento, que é um processo natural e não uma doença) não lhe permitem que realize as suas AVD sem apoio. Há efectivamente nos lares um nº elevado de pessoas que necessitam de cuidados de saúde, por isso é que a lei obriga à presença de 1 enf por determinado nº de idosos. Mas essa não é a sua única necessidade. Necessitam ainda de se sentirem integrados, uteis, confortáveis, estimulados, etc. Por isso é que existem profissionais de várias áreas a trabalhar no lares, porque o idoso (e não o doente) é visto como um todo e tenta-se dar resposta à maioria das necessidades dos idosos.

Poderão certamente argumentar que  há muitas pessoas que vão para o lar em consequência, por exemplo, de um AVC. Mas isso é outro assunto. Isso acontece porque ainda não havia resposta para o caso das pessoas em que o internamento hospitalar já não se justificava e escasseavam a estruturas que permitissem dar resposta a estes casos, e aí procuravam-se os lares. Agora felizmente começam a haver essas estruturas. Como já aqui foi dito, não encontro em lei nenhuma a discriminação que aqui foi referida em relação aos profissionais de saúde, e muito menos nenhuma referência aos assistente sociais. Por isso esta discussão não faz muito sentido, e faz ainda menos sentido vir aqui colocar situações particulares de uma má actuação de um profissional de serviço social para denegrir a classe inteira. Porque eu também já fui mal atendida por enfermeiros, mas sou esclarecida o suficiente para atribuir as culpas ao profissional em questão e não a todos. Um assistente social, ao contrário do que muitos pensam, não é alguém que só serve para dar resposta às situações de carencia económica, trabalha em situações de exclusão nas suas mais variadas vertentes. É alguém que tem formação que vai desde disciplinas de direito, economia, psicologia, gerontologia, psicopatologia, etc. Está certamente habilitado para identificar as necessidades do individuo como um todo e não apenas como um doente. E para concluir, um lar é sem duvida um equipamento social.

Cumprimentos

Offline AJPD

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Re: Assistentes sociais
« Responder #55 em: Setembro 30, 2008, 23:24:24 »
Antes de mais sou assistente social e o meu intuito nesta mensagem é de ajudar a clarificar esta questão junto da comunidade de enfermagem. Mas penso que a mensagem anterior já refere muito daquilo que é a realidade da situação, pelo que dou os meus parabéns ao seu autor. É preciso destrinçar entre instituições do tipo IPSS (sector privado social), de serviços privados. Uma IPSS possui responsabilidades de âmbito social, independentemente da área de intervenção. No caso de lares, sad's ou centros de dia, estes cumprem, em primeiro lugar, uma função social. O acompanhamento que prestam é de carácter social e/ou psicossocial, quer a nível individual, quer a nível familiar ou comunitário. Os cuidados de saúde, sem dúvida importantes neste tipo de IPSS, são de carácter pontual. No caso dos cuidados de enfermagem (visto poder haver outros cuidados como médicos, nutrição, reabilitação, etc.), são pontuais e não compõem a dimensão normativa da gestão da instituição. Até porque nem todas possuem profissionais de enfermagem, dado que em muitos casos as instituições solicitam a parceria dos centros de saúde para intervir quando necessário. Noutros casos empregam enfermeiros a tempo parcial. Aliás, no caso dos SAD, a prestação dos cuidados de enfermagem é da exclusividade das equipas de cuidados continuados integrados dos centros de saúde, que complementam os cuidados a nível das AVD's prestados pelas IPSS. Existe, inclusive, um programa específico destinado a quem usufrui dos dois tipos de apoio domiciliário - refiro-me ao ADI (Despacho Conjunto 407/98) - que embora se traduza em termos práticos na prestação de cuidados de saúde, cumpre uma função social, já que se destina a situações de maior fragilidade em que os cuidados da IPSS são comparticipados pela Segurança Social. Quem tem a competência de efectuar a triagem destas situações, são os assistentes sociais, em parceria entre as IPSS, Segurança Social e centros de saúde. Portanto, defender que deveriam ser os enfermeiros a ocupar as direcções técnicas destas IPSS, é ter uma visão redutora da realidade. Caso tal sucedesse, considero que seria até um desperdício das competências dos enfermeiros que na maior parte do tempo não estariam a desenvolver quaisquer cuidados de enfermagem e até poderiam incorrer em conflito com os centros de saúde. Informo também que os assistentes sociais dispõem de formação específica na sua licenciatura para a gestão de instituições sociais. Temos cadeiras de administração social, história das instituições sociais, direito, psicossociologia das organizações, políticas sociais, entre outros (haverá nuances nas designações entre os vários cursos, como é normal). Há, portanto, toda uma história e experiência acumuladas que legitima de forma natural a nossa presença na diecção técnica de IPSS, embora não seja exclusiva, estando aberta a profissionais como psicólogos e sociólogos, por exemplo.

Offline SandroMelo

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Re: Assistentes sociais
« Responder #56 em: Outubro 01, 2008, 08:24:42 »
AJPD

Clarifique então...direcção técnica de lares...só para profissionais da área social?

Offline enfermeiredo

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Re: Assistentes sociais
« Responder #57 em: Outubro 01, 2008, 10:46:07 »
Só posso não concordar com a assistente social que afirma que os lares foram inventados pelas assistentes sociais. Só falta dizer que a familia foi invenção das assistentes sociais.
Os lares devem ser semelhantes aos lares (=casas) continua....
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Offline enfermeiredo

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Re: Assistentes sociais
« Responder #58 em: Outubro 01, 2008, 12:42:24 »
Mais uma vez afirmo que os lares são para satisfazer necessidades humanas básicas: alimentação, higiene, conforto, estimulação cognitiva, prevenção de acidentes, eliminação eficaz, etc,etc. As/os assistentes sociais que pensem se tiveram aprendizagem nessas areas: Nutrição, Prevençõa de acidentes, segurança, estimulação coginitiva, manutenção da integridade cutanea, higiene, etc, etc. A resposta é seguramente não a muitos itens. Pois os enfermeiros tiveram. É mesmo esse o núcleo do seu conhecimento, que juntando ás suas competencias em Gestão recomendam que os enfs. sejam, de forma ideal, os directores de um lar.
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Offline SandroMelo

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Re: Assistentes sociais
« Responder #59 em: Outubro 01, 2008, 16:37:44 »
E historicamente...os assistentes sociais têm quantos anos?...15? 20?